História The World Behind My Wall - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 6
Palavras 1.417
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Eu demorei um pouco pra atualizar, mas aqui estou eu com um capítulo maior e mais esclarecedor, mas claro, ainda com mistério (senão, não teria graça). Boa leitura!

Capítulo 4 - Ninguém além de você


- Por que você está nessa posição? O que está acontecendo com você hoje, heim Aura?

Iolanda me enchia de perguntas que, por conta do meu coração acelerado e da situação assustadora em que me encontrava, não conseguia pensar em nenhuma resposta.

- Não se preocupe. – ouvi um sussurro, até que notei que a garota misteriosa me encarava da fresta do box ao lado.

Por um instante me assustei em conseguir ver os olhos de alguém de uma fresta, e logo entendi que ela não queria ser vista pela minha amiga.

Olhei para Iolanda, seus olhos verdes me fitavam preocupados, o cabelo loiro bagunçado.

- Você cortou o cabelo, Io?

- A-ah... Sim. Obrigada por perceber.

- Me desculpe, não pude observá-la direito hoje por conta do acontecido antes da aula.

- Tudo bem Aura, agora me diz: o que está acontecendo? Por que você está aqui?

- Queria pensar. Acho que estou me sentindo exausta e culpada por ter feito aquela garota chorar. – enquanto dizia isso, pensei em como a garota devia ter o coração bom, afinal, foi falar comigo e me tratou com atenção.

Iolanda se deu por vencida com a minha fala, não queria mais momentos de tensão entre nós e apenas tentou me acalmar. Dizia que tinha certeza que a garota não estava brava comigo, porque eu sou uma pessoa legal e usou de todos os adjetivos maravilhosos que se pode dizer pra alguém.

Nisso, o sinal bateu e voltamos para a sala de aula. Pensei em enrolar mais um pouco pra poder conversar com a garota, mas achei melhor não o fazer.

A terceira aula era de matemática, e eu me sentia exausta só de saber disso. Quero dizer, minha cabeça estava bombardeando de perguntas que por mais que eu tentasse não conseguia respostas.

Será que eu estava enlouquecendo? Como aquela garota poderia ter sido tão rápida a ponto de sair da minha frente antes que Iolanda chegasse, de forma que nem eu e nem minha amiga a víssemos? Outra coisa que me intrigava: Io não ouviu mesmo o cochicho da garota? Ok. Estávamos no banheiro, era troca de aula e nesse momento os corredores da escola sempre eram barulhentos. Mas minha amiga estava a poucos centímetros de mim e eu ouvi a menina misteriosa claramente. Como isso é possível?

 

 

Coloquei a mochila em cima da cadeira do computador e me deitei na cama, fitando o teto. Fui repreendida pelo professor de matemática várias vezes por não estar prestando atenção na aula, Io e Pablo tentavam conversar comigo mas minha cabeça parecia estar longe... e de fato estava. Passou o horário do intervalo, e as duas últimas aulas da manhã e nada, NADA da garota misteriosa aparecer. Eu nem ao menos sabia o seu nome! No caminho de volta para casa, fiquei com a esperança de vê-la, mas não vi resquício algum de seus cabelos negros ou de seus all stars detonados.

Agora, no silêncio do meu quarto, no aconchego da minha cama e olhando para o teto branco, era como se eu pudesse ver as imagens do que aconteceu hoje comigo: acordei me sentindo estranha, apesar de parecer um dia normal; me desencontrei dos meus amigos na ida para a escola e uma garota misteriosa apareceu, e desapareceu rapidamente; meus amigos não viram a garota, mesmo que tivessem me visto há três quadras antes; eu fiz a tal garota chorar sem que eu soubesse o motivo; eu vi a garota na sala de aula, mas seu nome não foi chamado e Io não a viu; a garota me encontrou no banheiro e desapareceu sem que eu e Io a víssemos; e para me deixar ainda mais confusa, a garota sussurrou em claro tom e de alguma forma Io não ouviu nada.

Quando eu fechava meus olhos podia traçar cada detalhe da menina, desde seus olhos claros borrados de rímel preto, até a maneira desajeitada de caminhar. A sua voz baixa e rouca, sua postura meiga e solitária, eu queria muito vê-la mesmo que não entendesse muito bem o porquê.

Talvez eu quisesse me redimir ainda mais por tê-la feito chorar, mas eu não entendia o motivo de ela ter chorado. Talvez fosse porque ela é esse mistério todo e eu só quisesse desvendar. Ou talvez eu só quisesse ser sua amiga mesmo. O fato é que eu queria muito vê-la, e isso me fazia incapaz de abrir as pálpebras: ela não estaria lá e isso, por algum motivo, me era doloroso.

Enquanto eu estava perdida em meus devaneios, divagando de um pensamento a outro, ouvi a cadeira do computador se mexer e logo após barulho de tênis e mochila sendo jogados no piso do quarto. Engoli em seco e um breve pânico ameaçou tomar conta de mim. Ok: eu estava sozinha em casa e meus vizinhos não eram próximos da minha família, se eu gritar ninguém vai me ouvir. Correr? Fingir que estou morta? Droga, só ursos selvagens acreditam nisso.

Abri os olhos.

- Estou atrapalhando?

Ela estava ali. Na minha cadeira, sem os tênis, abraçando os joelhos e me olhando daquele jeito cauteloso. Ela parecia uma criança, seus olhos demonstravam expectativas e ela me encarava com respeito... a sensação que eu tinha é de que se eu lhe dissesse pra ir embora, ela iria sem contestar.

- De forma alguma. – a respondi com a voz mais calma do que eu imaginava estar.

Ela ensaiou um sorriso e logo seu rosto voltou a ficar com aquela expressão cautelosa. Respirei fundo, ignorando o fato de que uma garota estranha estava dentro do meu quarto, na minha casa sem que eu tivesse lhe aberto a porta, sorri pra ela. A presença dela, por algum motivo, me era significativa.

- Não está se perguntando como entrei dentro da sua casa?

Sim, eu estava me perguntando isso, mas não queria que ela pensasse que eu estava chateada. A última coisa no mundo que eu queria, era ver aquela cara de choro outra vez.

- Você não lembra quem eu sou, - ela começou a dizer com a voz bem baixa – e isso me fez chorar muito. Mas acho que você não tem culpa, eu me esqueceria se fosse você.

Ela deu de ombros ao terminar essa fala, e eu estava em choque. Então nos conhecíamos, mas de onde? Por mais que eu vasculhasse as minhas memórias não conseguia me lembrar de nenhuma garota com as semelhanças dela. Me sentei na cama com pernas de índio, apoiei meu queixo na mão e fiquei olhando pra ela como se tudo aquilo fosse normal e eu não estivesse em pânico. Permaneci em silêncio.

- Serena.

- Hã? – me expressei de súbito.

- Meu nome é Serena.

Olhamo-nos fixamente e um silêncio constrangedor se instalou.

- É um nome bonito.

- Não é bonito como Aurora, mas acho que pode ser um pouquinho bonito... – a forma como ela disse soou engraçada, mas sua expressão estava neutra, lhe sorri e seus olhos tinham um ar amável agora.

Ouvi a porta da frente de casa, e logo após a voz dos meus pais preenchia todo o vazio do lar. Sorri para Serena que ensaiou um breve sorriso, e me enchi de expectativas para mostrar minha mais nova amiga a minha família.

- Aurora, você já chegou?

- Sim mãe, estou no quarto!

Minha mãe abriu a porta delicadamente, entrou e depositou um beijo em minha testa. Deixou em minhas mãos uma caixa de bombons, eram os meus favoritos, olhou para o quarto e se questionou:

- Sabe filha, eu estava pensando: você não gostaria de pintar as paredes com outra cor? Essa tinta já está até descascando!!!

Eu estava apavorada, sentia um misto de pânico com dor. Serena estava sentada na cadeira do computador, roendo as unhas e me olhando de uma forma amedrontada. De alguma forma, ela não parecia estar se importando com o fato de que minha mãe não estava se dando conta de sua presença.

Quando fiz menção de falar, Serena se prontificou:

- Não fale nada, ela também não tem culpa.

- Bem querida, se você quiser me avise, está bem? Eu vou tomar um banho antes que comece aquela novela que adoro!

Minha mãe saiu do quarto com sua felicidade habitual, e eu permaneci em choque olhando para minha nova amiga, que, por mais que eu soubesse seu nome, ainda me era um grande mistério.

- Aurora, acho que agora você percebeu que ninguém, além de você, consegue me ouvir ou me ver, não é?


Notas Finais


Gente, OMG, o que será que a Serena é pra somente a Aurora vê-la ou ouvi-la? Até o próximo capítulo o/


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