História The World In Conflict - Capítulo 49


Escrita por: ~

Postado
Categorias Aaron Carpenter, Cameron Dallas, Daniel Sharman, Hayes Grier, Jack & Jack, Magcon, Matthew Espinosa, Nash Grier, Nate Maloley, Sam "Wilk" Wilkinson, Scarlett Johansson, Shawn Mendes, Victoria Justice
Personagens Aaron Carpenter, Cameron Dallas, Carter Reynolds, Daniel Sharman, Hayes Grier, Jack and Jack, Jack Gilinsky, Jack Johnson, Mahogany LOX, Matthew Espinosa, Nash Grier, Nate Maloley, Nate Maloley, Personagens Originais, Sammy Wilkinson, Scarlet Johanson, Shawn Mendes, Taylor Caniff, Victória Justice
Tags Drama (tragédia), Ficção, Ficção Cientifica, Mistério, Novela, Romance
Visualizações 216
Palavras 5.391
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Terror e Horror, Violência
Avisos: Canibalismo, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


💣💣 QUEM NÃO LER NÃO VAI ENTENDER NADA!!!

Para quem lê as notas finais já deve ter visto alguma vez nesses últimos capítulos eu comentando que a fanfic estava indo para a reta final. Depois de pensar bem e reconsiderar, aviso que essa fic vai acabar mais rápido do que o inesperado. Ou seja, não se assustem caso perceba as coisas acontecendo rápido demais. Algumas coisas demorariam a acontecer mas devido essa decisão não irá mais. Eu estou avisando para que vocês não fiquem confusas e tals.

Espero que compreendam. Claro que tentarei deixar tudo tranquilo e nada forçado. E É ISSO GENTE!

Obrigada a todas vocês. Boa leitura.

Capítulo 49 - Cruel past


Fanfic / Fanfiction The World In Conflict - Capítulo 49 - Cruel past


Fria como pedra, fria como pedra

           Você me vê de pé, mas eu estou                morrendo no chão

Fria como pedra, fria como pedra

Talvez se eu não chorar, não vou sentir mais nada

Stone cold - Demi lovato


A água morna caia sobre meu corpo encolhido no chão do pequeno banheiro com minhas mãos abraçando minhas pernas. Minha cabeça estava levemente repousada em cima de meus joelhos enquanto eu me sentia mais relaxada e descansada. Não, era simplesmente uma opção, mas com os dias tem sido cada vez mais difícil. Durante toda a manhã e principalmente a noite sinto dores insuportáveis, onde tenho que fingir estar tudo bem. Meus remédio haviam acabado faz três dias desde que Sharman se arriscou a ir pega-los. E eu não queria que ele ficasse se esforçando por mim. Então, eu apenas ocultava o que estava sentindo para que ele não enfiasse essa ideia maluca na cabeça.

Desde o último contato com Cameron ele parecia mais instável. Se irritava facilmente com minha presença, ou da minha presença com seus amigos, eu não sabia exatamente o que estava acontecendo com ele. Eu poderia dizer que está sendo muito fácil com ele longe de mim. Mas, confesso que não tem sido nem um pouco fácil. Às vezes, eu queria apenas que toda essa situação acabasse. Era quando eu me pegava o observando cuidadosamente. Era quando me lembrava de nós dois juntos e de seu sorriso descontraído na tentativa de me fazer sorrir. Não sei o que está acontecendo comigo, mas sinto como se estivesse morrendo a cada dia.

Duas horas após o banho eu estava sentada na ponta da cama sentindo os olhos de Daniel sobre mim. Visivelmente, era possível ver sua testa contraída demonstrando certa preocupação. Eu o entendia. Eu estava acabada como nunca antes. E hoje teríamos que ir embora. Faríamos uma caminhada de quase três horas em busca de um carro para sairmos dessa parte da cidade. E sinto que ele está se perguntando a mesma coisa que eu: "Será que eu vou aguentar?" Eu mal conseguia ficar cinco minutos em pé que meu corpo doía e eu me sentia cansada. Quanto mais andar por três horas. Ou talvez, seja menos caso nosso cálculo esteja errado.

- Estou preocupado com você. - Ouço sua voz quebrando o silêncio do quarto.

- Não precisa. Eu estou bem. - Digo da forma mais convincente possível.

- Não, você não está. - Ele diz sério. - Olha, podemos esperar mais um pouco.

- Não. Chega de esperar. - Falo tentando tirar da sua cabeça a ideia de revelar como me sinto mesmo que fosse totalmente visível. - Eu não estou alejada. É apenas uma caminhada. Vou ficar bem.

- Talvez você esteja bem só da cabeça, porque você mal consegue ficar em pé. - Fito seus olhos claros e suspiro.

- Apenas vamos fazer isso, ok? - Ele desvia o olhar para a porta e morde os lábios. - Promete não falar nada e apenas seguirmos em frente. - Ele volta seu olhar pra mim cerrado. - Daniel...

- Tudo bem, Kayla. Apenas não omita de mim o que está sentindo. Assim, não vou poder te ajudar. E acho que esta fase já passou. - Torço os lábios - Não precisamos mais nos tratar como estranhos. Eu confio em você, então apenas confie em mim também.

Ponho alguns fios do cabelo ainda úmido atrás da orelha e assinto para ele que abre um sorriso no canto dos lábios.

- Tá bom. - Cedo.

Depois de alguns minutos debatendo com Sharman quem levaria a minha mochila, pois ele não queria que eu a carregasse, ele a pegou forçadamente de mim e começou a caminhar me fazendo andar ao seu lado. Eu não fazia ideia de quanto tempo estávamos andando, mas para mim pareciam horas. Eu me sentia inútil e totalmente desprotegida diante a todos que carregavam um arma. Ainda que estivessem não tão bem, com certeza estavam milhões de vezes melhor do que eu. Nas primeiras horas eu ouvia alguns murmúrios de suas conversas. Porém, elas se sessaram completamente um tempo depois. Estava sendo até fácil no começo, mas eu sentia meu corpo se desgastando facilmente. Me fazendo ter certa dificuldade até para respirar.

Nesse momento eu me encontrava muito atrás deles que mantiam passos ainda mais rápidos do que eu. A distração deles fizeram com que não reparassem muito em como eu estava ficando para trás. Não que eu esteja reclamando pois eu não estava. Na verdade estava até feliz porque até o momento não havíamos dado de cara com algum zumbi. Mas fora isso eu sentia meus pés doendo, assim como minha cabeça e cada parte do meu corpo. Não lembrava de ter me alimentantado antes de sair, provavelmente não, e isso consequentemente está me fazendo ficar tonta. Manti meus passos me forçando a andar por alguns minutos até desistir totalmente e sentar na calçada totalmente exausta. Xingando milhões de palavras de baixo calão devido a dor aguda. Eu sentia o suor descendo por meu rosto e minhas mãos trêmulas. Eu precisa de alguns segundos de descanso. O avistando agora não faria tanta diferença parar enquanto eles andavam já que estavam um pouco longe de mim. Eu precisava dessa parada ou não daria para continuar. Fitei o poste ao meu lado esquerdo e me escorei rapidamente nele enquanto puxava o ar com necessidade. E apenas fechei meus olhos.

Senti duas mãos tocarem-me. Me fazendo despertar e abrir os olhos um pouco desnorteada. A claridade me fez piscar algumas vezes e pude enfim notar o garoto dos olhos claros com uma feição preocupada em minha frente. Franzi o cenho confusa por não estar entendendo muita coisa. Me sentindo alheia com as coisas ao meu redor. Passei os olhos em volta fitando o garoto dos olhos castanhos e cabelos desgrenhado a minha frente com as mãos nos joelhos com a respiração desregulada me encarando. Desvio meus olhos dos dele.

- Você está bem? - Ouço a voz de Sharman me dispertando. - Por que não avisou que iria parar? - Eu ouvia sua voz mas me sentia desconectada. Um tanto quanto aéria e totalmente sem força.

- Estou bem. - Respondi me assustando com a forma que minha voz soara num sussurro.

- Você está gelada. Você não sabe mesmo o que significada " não omitir" . - Sua voz soa meio irritado. Mas eu mal consigo prestar atenção nele. - Quase que você fica para trás. Na verdade você ficou. - Eu fitava seus olhos, porém totalmente imersa. Por que ele estava reclamando tanto? - Está me ouvindo?

- Estou. Eu apenas parei para descansar. - Falo baixo com a respiração mais regulada.

- Não foi bem o que me pareceu. Odeio quando você faz isso. - Reclamou. - Eu sabia que você não ia aguentar. Você é muito teimosa. - Ele suspira fundo enquanto observo seu rosto - Precisamos continuar andando. Estamos quase chegando.

- Vão na frente. Eu vou logo atrás. - Falo me sentindo indisposta apenas em pensar na possibilidade de dar um passo.

- Nem pensar. Não vou deixar você para trás. - Ele faz uma careta de desaprovação.

- É só me falar onde é que eu vou. Por favor, Sharman, eu preciso descansar um pouco. - Franzi o cenho cansada. Ele suspira enquanto me analisa.

- Não. E não vamos descutir sobre isso. - Diz decidido. Suspiro alto e abaixo meu olhar. Levanto o olhar encontrando o de Cameron sobre mim. Ele estava agachado parecendo menos cansado. Troquei alguns olhares com ele tentando decifrar sua feição: Preocupação, confusão, pena ou o quê? - Eu vou te levar no colo. - Olho para Daniel no mesmo instante.

- Você mal está se aguentando também. E não quero te ouvir reclamar de dor. - Faço uma careta.

- E eu não quero ficar te vendo se arrastando ou parada enquanto seguimos em frente. - Ele rebate autoritário.

- Você não vai me carregar. Você está na mesma situação que eu. Na verdade, um pouco melhor. - Digo.

- Não é você quem decidi. Você está quase dormindo ou... - Ele corta sua frase respirando fundo. - Está decidido. Você vai poder descansar enquanto nos aproximamos do local.

- Estamos quase perto. Tem uma loja de carros logo depois da esquina. - Diz Cameron pela primeira vez de que o vi ao abrir os olhos - Não está longe.

- Viu, sem Problemas. - Diz Sharman e nego. - Para de bobeira.

- Não. Eu sei que isso vai te prejudicar. - Nego tal possibilidade.

- Ah, cala a boca. - Ele diz irritado. - Agora que você deu de se preocupar comigo? - Disse irônico.

Fechei os olhos com força devido a uma pontada e apenas desejei continuar com ele fechado. Eu estava realmente exausta. Que droga!

- Eu posso levá-la. - Ouço a voz de Cameron. O que me faz estremecer apenas em pensar na possibilidade dele me carregando.

- Não. Sem chance. - Balanço a cabeça negando. Abrindo os olhos no mesmo instante.

- Kayla por favor, ok? - Diz Daniel me fitando - Eu estou cansado e você também. Me ajude a te ajudar. Você lembra do que conversamos não é? - Suspiro derrotada. - Ok, pode pegá-la. - Ele diz para Cameron.

Olho para ele sentindo o modo como sua aproximação me deixava nervosa. Tentei controlar minha respiração para que não me entregasse de cara. Suas mãos passaram por minha costa fazendo cada parte do meu corpo se arrepiar. Prendi a respiração por me sentir totalmente... Oh, droga. Ele me ajuda a ficar de pé e sem um aviso prévio me pega no colo. Sinto as batidas do meu coração totalmente disparado. Seus braços me seguravam com segurança. E por mais que eu estivesse odiando ter que deixa-los fazer isso uma parte de mim simplesmente estava entregue ao fato de estar tão perto dele. Era o primeiro contado que havíamos tido a dias. Um contato totalmente ciente.

- Passe os braços pelo meu pescoço. - Ele diz baixo num sussurro com seus olhos nos meus.

Exito por alguns segundos me sentindo nervosa por alguma razão. Puxei o ar para meus pulmões e levei um de meus braços até seu pescoço enquanto o outro descansou em seu peitoral sentindo o momento em que ele estremeceu soltando alguns grunhidos. Me senti um tanto quanto surpresa apenas fingindo não ter percebido. A sensação de estar tão colada ao seu corpo era boa e familiar. E por mais que eu quisesse negar eu me sentia confortável ali. Encostei minha cabeça na curvatura de seu pescoço sentindo seu cheiro natural. Não havia mais ali seu perfume o que de certa forma me ajudava a ficar menos atraída.

Ouço uma risada fraca que provavelmente não havia sido de Dallas e sim de Sharman. E preferi até permanecer com os olhos fechados. Senti quando Cameron começou a andar. Em seus braços eu me sentia tão confortável que meu cansaço parecia ficar ainda mais visível.

- Descanse. - O ouço dizer com a voz baixa e rouca - Vai ser melhor para você.

Escorrego meus dedos por sua nuca sentindo seus músculos se contraírem com tal toque. Ajeitei meu rosto na curvatura de seu pescoço. Me sentindo quente com o calor do corpo dele e mais confortável. Então, apenas me permitir descansar até porque não sabia quanto tempo duraria.

Me remexo sentindo algo aconchegante e quente. Ouço uma voz em sussurro em meu ouvido me chamando. Abro os olhos sem muita vontade a fim de saber o porquê de estarem me chamando. Me encolho um pouco e suspiro. Sinto mãos rodeando minha cintura. Ergo o olhar reconhecendo imediatamente a pessoa. Observo seu olhar sobre o meu. Olho em volta um pouco fusa e desnorteada. Noto que estamos dentro do carro com apenas nós dois dentro. Volto a fita-lo e quase pulo de susto ao notar que eu estava no colo dele, literalmente.

- Não havia muito espaço no carro. - Ele se apressa em justificar.

- Por que estamos parados ? - Pergunto retomando a consciência.

- Nós chegamos. Por isso lhe acordei. - Apenas fito seus olhos castanhos com o cenho franzido - Está se sentindo melhor ?

- Hã... - Torço os lábios analisando a situação e tomando consciência de que ainda estava sentada em seu colo com suas mãos em volta de minha cintura. - Sim.

Começo a me mover tentado sair de seu colo. Sua mão pousa em minha cintura e me ajuda a me ajeitar no banco ao seu lado. Passo as mãos pelo meu cabelo os ajeitando e encosto no estofado do banco. Eu me sentia um pouco melhor do que antes. Mesmo sabendo que estava todo esse tempo no colo de Cameron. Ainda era estranho e tenso.

- Onde estamos? - Perguntei tentando desfalcar o clima constrangedor.

- No condomínio Across. - Ele responde. Sinto todos os pelos do meu corpo se arrepiarem ao ouvir isso. Meu estômago revira me dando uma leve tonteira. Sinto minhas mãos gelarem. Céus!

- O que foi? - Ele pergunta provavelmente percevendo minha reação.

- Nada. - Engulo a seco - O que estamos fazendo aqui? Não deveríamos ir para outro lugar? - Viro o rosto em sua direção meio tensa.

- Bom, conversamos sobre isso durante o caminho. E achamos melhor ir para o lugar onde teve um dos primeiros inícios. Pois sabíamos que estaria mais seguro. Pois os zumbis provavelmente já estariam longe daqui.

- Mas tinha outro lugar. E se não estiver do jeito que vocês pensam? - Falo frustada.

- Já estamos aqui. Não tem nada. - Ele responde não entendendo muito o porquê de eu estar afoita.

Olho pela janela escura do carro fitando as casas e as ruas mais do que conhecidas por mim. Um calafrio percorre por meu corpo apenas em lembrar dos acontecimentos. Um aperto em meu coração começa a me fazer sentir-me sufocada. Por que diante a outros lugares eles optaram justamente por esse?

- Quem escolheu esse lugar? - Pergunto.

- Na verdade, foi o Sharman. - Ele responde. Não, não. Ele não pode ter feito isso comigo.

Viro em direção a porta e abro a mesma. Sentindo as batidas de meu coração se afoitarem cada vez mais. Ponho os pés para fora do caro tendo a visão do lugar onde cresci. Estava tudo tão morte, nunca mais seria o mesmo lugar. E isso me apavorava. Passo o olhar em volta e vejo Daniel conversando com o pessoal. E não pensei duas vezes em ir caminhando até ele. Ignorando até mesmo a dor que sentia nas costas. Eles estavam debatendo sobre algo que eu não fazia ideia. E não queria mesmo saber. Ao me aproximar dele o puxo pela blusa chamando a atenção de alguns dos meninos. Ele se vira em minha direção mas não parecia surpreso.

- Por que você escolheu esse lugar? - Pergunto com raiva. Mas ele apenas fica em silêncio. - Estou falando com você!

- Eu apenas achei que fosse bom. - Ele responde um pouco exitante.

- Não. Não viemos parar aqui por coincidência, Sharman. - Ele desvia seu olhar do meu e eu me pergunto se ele poderia saber desse lugar.

Eu não encontrava uma solução para ele saber que eu morava aqui e que fora aqui que eu perdi todos que eu amava. Pois todos que sabiam estavam mortos. Mas era quase inaceitável acreditar que fora apenas o maldito destino. A última pessoa a saber disso era o Shawn e ele estava morto. Então... Ah, não! Não. Não. Não. E como num passe de mágica tudo começou a fazer sentido.

- Você sabia... - Falei concluindo atraindo seu olhar até mim. - Por que fez isso? - Sussurrei.

- Me desculpe. Mas, achei que você precisava disso. - Ele responde me fazendo o olhar com os olhos arregalados.

- Você acha que eu precisava estar aqui? Para o que? Lembrar de todas a pessoas que convivi e que morreram na minha frente? - Falei sentindo raiva dele. Muita raiva.

- Eu não tinha pensado desse lado. - Ele diz se sentindo culpado.

- Você não deveria nem ter pensado! Não cabia a você decidi isso. Acha que eu não teria voltado se quisesse? - Perguntei sentindo meus olhos arderem. Mas me recusava a chorar na frente deles, de novo. Os olhares de todos estavam em nós dois de forma curiosa.

- Me desculpa. - Diz me fitando.

- Sharman. Precisamos vasculhar a casa. - Ouço a voz de Matthew e o fito.

- Vai fazer seu serviço. - Falo com desdém.

- Kayla... - Ele diz tocando em meu braço.

- Me deixa! - Exclamo e ele se afasta. - Apenas me deixa quieta. - Falo lhe dando as costas. Ouço seu suspiro pesado e seus passos.

Percebo que todos estão se afastando e continuo ali parada olhando em direção ao portão do condomínio. Na verdade para o carro que se encontrava a alguns metros de mim.

- Você não vem? - Olho para o lado fitando Dallas me olhar esperando por uma resposta.

- Não. - Respondo voltando a lhe ignorar.

Fiquei alguns minutos ali em pé no mesmo lugar interligando meu olhar entre a casa a frente e o carro capotado. Decidindo se eu tomaria coragem para fazer algo. Pois se havia algo que eu tinha medo de enfrentar era isso. Eu nunca mais voltei pois saberia que nunca seria forte para enfrentar isso. Mas eu estava aqui. E sentia que precisava fazer algo.

Comecei a mover meus pés. Fazendo o possível para não perder a coragem que eu sabia que poderia perder a qualquer momento. Enquanto eu ainda me mantia longe era suportável, mas quando tudo ficou no meu campo de visão eu senti um grande peso tomar conta do meu peito. As lágrimas desceram de forma pesada por meu rosto me fazendo ficar extremamente mal. Eles ainda estavam no mesmo lugar que eu me lembrava. Porém, restavam apenas seus ossos.

Senti uma falta de ar enquanto o choro e o soluço subiam por minha garganta. Pus a mão na boca fitando os ossos da minha irmã ali jogado. Tive que me apoiar no carro devido a cena a minha frente. Era uma dor forte o suficiente para me enlouquecer. Meus pais e minha mãe se foram de uma vez só. Eu não tive tempo para nada. Tive que presenciar a pior coisa da minha vida.

Caminhei até o outro lado do carro buscando coragem. Senti meus joelhos chocarem contra o chão ao ver o que apenas restavam deles. Uma dor profunda demais. Então eu comecei a chorar como nunca chorei antes em toda a minha vida. Um choro totalmente descontrolado que me dava a sensação de que não acabaria jamais. Eu não me importava, porque a dor era tão grande. A saudade era grande. Tudo teria sido melhor se eu tivesse com eles.

Como Sharman foi capaz de achar que isso me ajudaria? Que estar aqui me faria melhor de algum modo? Como lembrar e ter que encarar essa cena melhoraria algo na minha vida? Isso não me faria superar e seguir em frente. Apenas me faria viver com mais fantasmas na cabeça. Eu me questionei porque fui a única a sobreviver. Eu com certeza não merecia isso. Minha irmã merecia viver. Meus pais mereciam viver. Não, eu.

Quando já não haviam mais lágrimas para derramar e minhas garganta já estava dolorosa demais e eu mal conseguia falar devido a rouquidão que se apoussou dela eu me levantei. E olhei para aqueles ossos sentindo que eles mereciam mais do que apenas ficarem jogados desse modo. Minha têmpora latejava de dor. Muita dor. Estava na hora de ter que lhe dar com mais uma coisa. Mesmo que doesse mais. Eu precisava encarar essas dores logo. Dê uma vez. Porque não vou conseguir seguir fazer isso depois. Com o coração doendo comecei a caminhar de volta para onde eles haviam colocado o carro. Que se encontrava duas casas a frente de onde eu morava. Eu sabia que minha aparência não deveria estar uma das melhores. Mas eu não me importava com isso. Nem um pouco.

Quando me aproximei da casa percebi que a mesma estava com a porta aberta. E julgando pela minha demora e por estarem dando uma olhada na casa percebi imediatamente que eles estariam ali dentro. Dentro da minha casa. Senti meu estômago revirar ao saber que eles acabaram de descobrir algo sobre mim que eu não queria que eles tivessem descoberto.

Caminhei até a mesma tentando me manter pacífica, coisa que era muito difícil. Evitei fazer barulho com os pés pois não queria chamar a atenção deles para mim. Ao passar pela porta os vejo olhando para casa. Alguns mais surpresos do que outros. Pois haviam quadros com fotos da família por todo canto. Nunca gostei dessa mania da minha mãe e estava odiando ainda mais. Não era de se admirar que ficariam surpresos afinal haviam fotos minhas sorrindo demais. Por que eu não ficava emburrada nas fotos? Me causaria menos constrangimento. Haviam todo os tipos de fotos, Minha com minha irmã, minha com meus pais, com amigos, familiares, fazendo careta, brincando e muitas outras que fez parte do meu passado. Todos as olharam quase não acreditando que estavam na minha casa. Eu também não acreditava.

Quando meus pés causaram o barulho no chão todos os rostos viraram em minha direção. Eu não sabia bem o que fazer. Eles não ficariam olhando para mim pra sempre, não é mesmo? Desviei o olhar deles caminhando até o meio da sala com cautela. Guiei meus olhos até Sharman que me fitava com os lábios contraído visivelmente envergonhado. Lhe virei a cara e fitei a escada que levava até o segundo andar. Na intenção de fugir de todos eles e desse clima estranho eu fui até a mesma e comecei a subir. Me retirando o mais rápido possível de sua presença. Confesso que estava me segurando para não chorar. Eu estava cansada de derramar lágrimas. Não queria mais fazer isso.

Ao me aproximar do corredor era possível ver as milhares de fotos penduradas nos quadros. Minha mãe tinha uma certa mania com fotos e quadros espalhados pela casa. Olhar para todos esses momentos registrados me faz sentir falta do que eu tinha antes é que agora não tinha mais. Me faz lembrar das vezes em que reclamei da minha vida. E de quando desejava crescer e sair por aí. Coisas idiotas que saiam da minha boca.

Me aproximei do meu quarto onde havia uma foto minha com Tina, que a mesma havia colocado a algum tempo. Coloquei a mão na maçaneta notando que a mesma estava aberta. O que me fez franzir o cenho. Abri a porta ouvindo um pequeno grunhido da mesma. E assim que entrei encontrei Cameron no mesmo perto da minha escrivaninha. Ao ouvir o barulho ele se virou encontrando meus olhos. Olhei para suas mãos encontrando um velho caderno meu.

- Desculpa, não queria ser... - Ele começou a falar mas o interrompi.

- Tanto faz. - Falo relaxando os ombros. Caminhei até o seu encontro sendo observada por seus olhos castanhos.

Parei ao seu lado e peguei o caderno - um pouco empoeirado - de sua mão. Balancei a cabeça ao ver a capa do mesmo. Mal com seguia acreditar que eu era o tipo de garota que gostava de enfeitar as coisas com glitter.

- É um belo quarto. - Dallas quebra o silêncio. Sigo o olhar até ele me perguntando porque estavamos nos falando.

- Não sei como nunca percebi como ele é horrível. - Respondo devido as cores distintas em cada canto do quarto e os vários objetos que eu costumava comprar para enfeita-lo.

- É um pouco feliz demais. - Ele morde os lábios - Quer dizer... Eu não quis dizer isso.

- Você quis sim. Mas eu não ligo. - Dou de ombros. Afinal havia coisas piores para me importar do que com isso.

Abri o caderno marcado com minha caligrafia. Fiz uma careta ao ver as frases escrita ali naquele papel. Boa lembranças. Passo uma por uma evitando ler tudo, pois eu não queria ter que lembrar de tantas coisas. Um papel solto cai do mesmo me fazendo observa-lo. Cameron que estava ao meu lado se abaixa o pegando e estendendo a minha mão.

- Vai que esse está escrito com caneta cor de rosa com glitter. - Ele faz graça e reviro os olhos. Abro o papel sem muito interesse apenas para saber qual foi a outra idiotisse que eu havia escrito.

Desdobro o mesmo e o abro fitando uma caligrafia totalmente diferente da minha. E o que havia escrito ali fez meu corpo gelar. Era a letra da Tina, ela havia deixado um recado para mim. E dizia:

" Eu estive aqui. Te procurei, mas tive que partir. Sinto muito por sua família. Sinto mesmo. Eu te amo. " dia 25 de março.

Faziam seis meses que ela estivera aqui. Ela havia sobrevivido por dois meses logo depois que partir. Se eu tivesse voltado a teria encontrado. Se passaram muitos meses não dava para saber se ela ainda estava viva. Fitei o papel por alguns segundos totalmente imersa. Tina era minha melhor amiga. Dobrei o papel enquanto me mantia despesa com os olhos voltados para a parede.

O pus dentro do caderno e o joguei em cima da escrivaninha. Não sei porque eu estava me torturando mais. Eu não precisava disso. Não precisava mesmo. Levantei o olhar fitando os olhos de Cameron sobre mim tão expressivos que eu não sabia exatamente o que significava. Ele também havia lido. Talvez soubesse como eu estava me sentindo. Suspirei pesado e olhei em volta do quarto. Caminhei até o meio dele ignorando a presença de Cameron e fitei cada canto daquele lugar. Pensando em como nunca seria o mesmo. Mas havia algo que eu precisava fazer e que estava me encomodando.

Comecei a caminhar para fora do quarto ouvindo os passos de Cameron logo atrás de mim. Virei o rosto encarando sua presença logo atrás de mim. Voltei minha atenção para frente e continuei andando até alcançar as escadas e começar a descer a mesma. Vi todos reunidos na sala e seus olhos logo se voltaram em nossa direção. Alcancei o último degrau e caminhei até eles a fim de saber o que estava acontecendo. Me aproximei ficando ao lado de Daniel.

- O que estão falando? - Perguntei.

- Estamos decidindo em que casa vamos ficar. A primeira havia muitos corpos então sem chance. A segunda estava sem luz e revirada. Então, estamos achando melhor ir vasculhar outra. - Responde com seus olhos nos meus.

Assinto com a cabeça. Uma ideia muito idiota se passa pela minha cabeça. E enquanto eles voltavam a conversar eu pensava no caso. Afinal, qual diferença fazia? Eu não ficaria aqui sozinha.

- Podem ficar aqui. - Me pronuncio os fazendo se calar e me encarar.

- Tem certeza? - Pergunta Nash com o cenho franzido.

- Sim. Não tem problema. - Falo sem muita certeza se era uma boa escolha. - É temporário mesmo.

- Olha nós podemos achar outra casa. Tem várias. - Diz Sharman meio exitante.

- Eu já disse que não tem problema. Se alojem onde quiser menos no meu quarto. - Falo demonstrando seriedade.

Passo os olhos por eles e começo a andar lhes dando as costas. Fui em direção ao corredor da cozinha e do banheiro. Havia um pequeno quarto no final do corredor com alguns produtos de limpeza. E eu precisava muito de uma coisa que havia ali dentro. Alcancei o mesmo sentindo um cheiro de poeira que irritava meu nariz. Alcancei a porta e abri. Procurei pelo interruptor e acendi a luz que piscou nos primeiros minutos. Olhei em volta e vi a lata de querosene no chão. Fui até o mesmo e o peguei assim como uma vassoura. Caminhei com a lata em mãos até a cozinha e procurei por um esqueiro ou fósforo. E o achei no lugar de sempre. Com o que eu precisava em mãos me encaminhei para fora da casa. Sendo observada por cada um ali que estava na sala.

Fitei os olhos de Sharman sobre mim com o cenho franzido. Todos com olharam curiosos. Afinal o que eu estaria fazendo? Continuei meu percurso passando ao lado de Cameron que não parecia se preocupar em demonstrar o quanto estava confuso comigo. Abri a porta da casa e saí dela em direção ao carro capotado. Estava na hora de fazer algo por eles. Eles não mereciam ficar daquele jeito. Eu deveria ter voltado antes e ainda assim não o fiz.

Me aproximei do carro colocando as coisas no chão. Grunhi um pouco de dor ao curvar as costas. Mas deixei isso me atrapalhar. Respirei fundo tomando a coragem que eu teria que ter nos próximos minutos. Olhei em volta notando o por do sol que se formava no horizonte. Eu precisava ficar calma e ser forte. Primeiramente, peguei a vassoura. Caminhei até os ossos da minha irmã e com as mãos trêmulas me posicionei para varre-los para perto do carro. Eu sentia meu estômago se contrair enquanto empurrava seus ossos. Uma sensação horrível.

Antes mesmo de derramar a querosene em cima do carro eu peguei os documentos deles. Era algo que eu queria muito e guardaria. Eu não me sentia muito preparada para isso. Afinal nunca pensei que eu mesma queimaria os restos deles. Fitei o fósforo em minha mãos e o risquei vendo a pequena chama que se formou na ponta. Joguei o mesmo em cima da pequena possa de querosene e me afastei rapidamente vendo o fogo se alastrar até o carro com rapidez. Fiquei numa distância boa caso o carro explodisse.

As lágrimas escorriam livremente por meu rosto enquanto eu lhe dava um último adeus. Era como se minha ficha estivesse realmente caindo e eu notasse que estava sozinha. Não tinha mais ninguém. Não havia mais onde me confortar. Todos que eu tive ao meu lado se foram. A dor de tê-los perdido me feria grandemente. As chamas refletiam em meus olhos e junto com eles eram queimado minha esperança. Eu sentia falta de ar no meu peito um parto que me fazia questionar se era realmente real. Como eu seguiria em frente agora? Não tenho mais o âmbar que eu tinha a algumas semanas atrás. Não tenho nada que me faça dar as costas para os sentimentos. Eu não consigo seguia ser aquela Kayla e isso me deixava desesperada.

Estavam sendo consumidos. Cada vez mais virando cinza. Cada vez mais destruindo o pouco que havia em mim. Era a minha família! Eu achava que nunca mais conseguiria me sentir desse modo: Desamparada, assustada, cansada e sozinha. São coisas que assustam pessoas normais, mas não deveria assustar a mim. Eu não queria ter medo dessas coisas. Mas eu estava tão vulnerável.

Abraço meu corpo na tentativa de me confortar. E fecho os olhos. Alguns segundos depois sinto uma mão em meu ombro. Abro meus olhos e olho para o lado encontrando os olhos que pensei em não ver tão cedo, mas que por algum motivo estava ali. Sua expressão demonstravam compaixão e dor. Porque ele sabia qual era a sensação. Eu não queria brigar. Não agora. Em respeito aos meus pais e minha irmã.

Sem que eu podesse esperar ele se aproximou de mim me envolvendo em seus braços. Exitei no mesmo instante não sabendo o que fazer diante disso.

Havia uma certa firmeza em como ele me fazia se sentir segura com seus braços em volta de meu corpo juntando. Minhas mãos, lentamente foram subindo por seu peitoral até alcançar seu pescoço passando o mesmo por ele. E retribui o abraço. Tal sensação me fez desabar. Quanto mais eu o tinha junto a mim mais minhas lágrimas caiam. Mais o choro soava por minha boca. Mais o soluço me fazia gemer. A curvatura de seu pescoço se encontrava úmida mas ele não parecia se importa cada vez mais que me prendia em seus braços. Sua mãos tocou minha nuca a acariciando.

Um barulho alto me assustou me fazendo me encolher em seu abraço. O carro havia tido uma leve explosão. E eu sabia que nesse momento não havia mais nada ali.

- Vai ficar tudo bem. - Ele sussurrou em meu ouvido. Eu queria acreditar nele. Mesmo sabendo que isso era mentira.

Eu não conseguia o entender. Por que ele me afastava e depois me puxava para ele? Por que ele tinha que ser tão indeciso e me fazer ficar indecisa também?


Notas Finais


Esse capítulo iria ser maior. Teria mais coisas, mas achei melhor deixar para o próximo capítulo. Então, não se assustem com as coisas acontecendo assim desse jeito. Tudo isso iria acontecer, porém está sendo mais rápido.

Vejo vocês no próximo amores :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...