História There Is Love? - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi gente, capítulo novo e fresquinho para vocês.
Eu espero que gostem, boa leitura.

Capítulo 23 - Raiva e dor


Fanfic / Fanfiction There Is Love? - Capítulo 23 - Raiva e dor

Eu fiz isso. Eu fui lá e disse que aquela noite tinha sido um erro.

Eu realmente fiz isso!

Depois de passar horas pensando no que aconteceu e como seria quando nos encontrássemos, eu decidir que seria a primeira a dizer que a nossa noite tinha sido nada mais do que um erro.

Não sei por que, mas só de imaginar ele dizendo isso para mim, meu estômago se agita e eu sinto vontade de vomitar.

Quanta classe...

Eu não sei, talvez eu não quisesse me sentir humilhada, ou talvez por que eu sabia que não tinha significado nada para ele. Só não esperava dizer que era uma despedida que nunca pude lhe dar.

Eu vi nos seus olhos que tinha dito a coisa errada, mas já era tarde demais e eu não podia voltar atrás e impedir que aquelas palavras fossem ditas. Eu sabia que ele estava ferido e magoado, mesmo que ele tentasse negar, e eu me sentia um pouco mal por isso.

Um clima estranho nos cercava no dia seguinte e foi um pouco difícil trabalharmos juntos, tanto que afetou todos ao nosso redor. Verônica e Caleb me perguntaram o que tinha acontecido entre nós dois e eu apenas me limitei a dizer que tivemos uma pequena divergência, mas nada que continuaria a atrapalhar a nossa rotina no trabalho. Verônica parecia satisfeita com a minha resposta mas Caleb permaneceu no meu pé pelo resto do dia. Eu não poderia culpá-lo.

Na terça já conseguíamos trabalhar como se nada tivesse acontecido, exceto por Killian quase não falar comigo, o que eu odiava. Não fiz nada a respeito disso, embora; continuei seguindo com a minha vida. Na quarta eu surtei.

— Eu estou cansada dessa sua merda, a gente vai conversar. Agora! - digo entrando no escritório de Killian e o encontro na sala com a Kelly. —  Não sabia que você estava com outra pessoa aqui.

— Pois é... - Kelly diz sorrindo e eu reviro os olhos pela sua tentativa de me afetar.

— A gente pode conversar? - pergunto encarando Killian e ele me encara de volta.

— Agora? - assenti — Pode ser depois? Eu estou resolvendo uma coisa importante aqui. Com a Kelly.

Fico alguns segundos sem acreditar na sua resposta, sem acreditar que ele prefere resolver o que quer que seja com a Kelly - que eu tenho certeza que é insignificante - a resolver as coisas entre nós. Eu sorrio e ele me olha sem entender.

Assenti — Como você preferir, Killian. Até logo, Kelly. - falo e fecho a porta do escritório, me afastando e indo em direção a Caleb e David que me olham entranho na medida que me aproximo. — Hey pessoal! Estou saindo mais cedo hoje, preciso estar em um lugar.

— Está tudo bem, Julie? - David pergunta e dou um soco em seu braço, apenas para tentar descontrair.

— Está tudo ótimo, David. Bom, eu estou indo nessa. Até amanhã.

Ando até o vestiário, troco de roupa e vou embora quase no mesmo instante em que vejo Caleb e David correrem até mim em busca de mais explicações.

Passo no supermercado, faço algumas compras e vou buscar a Belle na creche, que fala sem parar sobre a festa de aniversário da sua amiguinha Riley nesse final de semana. E não passa despercebido por mim que o aniversário dela também está próximo e que eu devo começar com os preparativos.

Tomamos banho, trocamos de roupa e faço um lanche para a Belle sabendo que a "viagem" será longa e provavelmente ela sentirá fome. Depois de mandar uma mensagem para Tara avisando onde estaríamos e pedir que não contasse nada a ninguém, é que saímos de casa.

O trajeto que faríamos em menos de duas horas, acaba se transformando em duas horas e meia por causa de um acidente que aconteceu na estrada. A Belle acaba adormecendo em algum momento, deixando saber que será difícil fazê-la dormir mais tarde.

Estaciono o carro e em questão de segundos estou sendo esmagada em um abraço forte e protetor. Eu senti a sua falta, mesmo conversando pelo telefone quase todos os dias.

— Como você está, querida?

— Tudo bem se você me abraçar um pouco mais?

— É claro que sim, leve o tempo que precisar. - assenti com a cabeça em seu peito e meus olhos começaram a arder.

— Parece que nunca vai parar de doer. - sussurro fungando e me afasto dele.

— Eu sei e lamento que ainda doa. Por que você não pega a Isabelle e entramos? A Victória fez um bolo de chocolate com coco pra você.

— Nunca largue essa mulher, Albert. - falo com um pequeno sorriso e ele sorrir também. O observo por alguns segundos e o meu sorriso se torna maior. — Obrigada Albert. Não só por estar ao meu lado nesse dia, mas por cuidar de mim e da Belle quando eu mais precisava. Você é um segundo pai para mim, quero que saiba disso.

— Eu sei, querida; eu sei. - ele responde e me abraça novamente. Mentalmente, agradeço a meu pai por ter me dado um segundo pai - o seu melhor amigo - depois da sua morte.

Nos separamos e eu tiro a Isabelle do carro, seguindo o Albert em seguida e entrando na sua casa,

Victória, ou Vicky (a médica que acompanhou minha gravidez e também esposa do Albert) me abraça apertado, enquanto diz que está feliz em nos ver e que lamenta por nos encontramos no dia de hoje.

No dia da morte do meu pai.

Cinco anos que ele se foi.

Agradeço por me receber em sua casa e por suas palavras de conforto; e peço licença para ligar para a Martha.

Caleb já tinha me ligado algumas vezes e eu rejeitei todas elas durante o percurso até aqui; por isso, decidi mandar uma mensagem avisando que eu e a Belle estávamos bem e ligar para a Martha explicando onde eu estava e por que. Diferente da Tara, não me importei em pedir para que ela não contasse nada a ninguém, mais precisamente a Caleb e Killian.

Eu estava um pouco sentida com Killian, eu tinha ido ao seu escritório para acertarmos as coisas entre nós para que só assim eu pudesse lamentar pela morte do meu pai sem ter outra coisa em mente. O que não funcionou muito bem, desde que ele preferiu/escolheu ficar e dar ouvidos a Kelly.

E sim, eu estava chateada, talvez mais do que eu queria. Mas com certeza deve-se ao fato do dia de hoje.

Bem, foda-se ele.

Voltei para sala onde encontrei a Belle acordada e brincando com a Vicky, e o Albert no telefone. 

— Tudo bem? - ela pergunta quando sento ao seu lado.

— Sim, tudo bem; só precisei falar com a Martha. Não queria que ela ficasse preocupada com a gente.

— Entendo. E como você está se sentindo? Agora?

— Triste. Mais triste do que estive no ano passado. Ainda não me conformo dele ter morrido apenas porque ajudou alguém. Eu acho que nunca vou aceitar isso, na verdade. Ele morreu porque estava sendo um bom homem, uma pessoa que ajudava o próximo sem ganhar ou querer algo em troca. - suspiro cansada emocionalmente — Eu queria ter tido mais tempo com ele. Ter conhecido um pouco mais do homem que ele foi... Desculpa, acabei desabafando em cima de você. - digo enquanto enxugo algumas lágrimas que caíram durante o meu rompante.

— Você não precisa se desculpar, querida. Desabafe o quanto você quiser.

Assenti. — Será que você e o Albert podem cuidar da Belle enquanto visito o túmulo do papai?

— É claro que podemos. Vá e faça o que precisa fazer.

Assenti novamente, dou um beijo na testa da Belle prometendo voltar cedo e o mais rápido possível; e vou embora. Compro algumas flores no meio do caminho e sento em frente ao túmulo do papai por quase uma hora.

Choro, sorrio, conto como estou, como a Belle está e tudo que aconteceu desde que voltei para a minha antiga casa. Choro enquanto digo que sinto a sua falta, o quanto desejo que ele pudesse ter conhecido a Belle, e vou embora do cemitério muito mais leve do que quando entrei.

Encontro a Belle rindo e assistindo um filme de princesas ao lado do Ryan. Ele me abraça e eu o agradeço por ter ficado um tempo com a minha pequena.

— Então, como anda a sua vida? - ele pergunta quando caminhamos até a cozinha e comemos um enorme pedaço de bolo.

Eu sempre tive um bom relacionamento com Ryan. Não éramos melhor amigos, no entanto, ele esteve lá para mim quando eu precisava conversar sem nenhum julgamento e sem nem ao menos me conhecer direito. Éramos próximos, mas não tanto quanto sou ou fui com Caleb, David e Kim.

— As vezes boa, as vezes ruim, mas eu sobrevivo. E você?

— O de sempre.

— Ainda continua levando muitas garotas na garupa da sua Harley?

Ele fica em silêncio e eu me engasgo notando a gravidade da situação.

— Quem é ela? Como se chama e onde mora?

— Por que você acha que existe um "ela"?

— Porque você nunca nega ou fica em silêncio quando falo das inúmeras mulheres que subiram em sua moto. Você não nega porque elas são um pouco vadias ou fáceis demais, então sim, eu acho que existe um "ela" ai. Qual o nome dela?

— Raven.

— Gostei do som disso. Raven. Ela está fazendo você suar para conquistá-la e entrar nas calças dela?

— Ah, você não faz ideia.

Conversamos durante minutos sobre a sua nova paixão, - mesmo ele negando que ela seja - até que ele precisa subir e se arrumar para trabalhar. Me despeço dele quando vai embora e fico por mais duas horas conversando com Vicky e o Albert sobre inúmeras coisas, principalmente sobre o meu pai.

Agradeço por me distraírem, pelas conversas, apoio e carinho e volto para casa com uma Belle elétrica e muito acordada na cadeirinha. Durante a volta para casa conversamos sobre a creche, seus novos amiguinhos e o que ela deseja para sua festa de aniversário.

Quando chegamos em casa é quase onze da noite e eu encontro Killian no meu sofá. Deixo ele conversar e brincar com a Belle durante alguns minutos e logo declaro que é a hora da pequena dormir.

A Belle corre para seu quarto e Killian caminha em minha direção. Balanço a cabeça negativamente e ele para no meio do caminho.

— Eu não sabia, Julie. Eu esqueci completamente do dia de hoje. Sinto muito.

— Agora não, Killian. - aponto para a porta e a abro em seguida. — Vá embora.

Ele assente quando percebe que estou falando sério e vai embora. Tara me abraça e eu choro outra vez nos braços da minha amiga, sem saber se choro pelo meu pai ou Killian.

 

*****

 

O dia seguinte é um inferno. Praticamente.

Chego cedo na academia jogando ordens para quem quer que fosse, adiantei minhas aulas na classe de auto defesa, ajudei alguns adolescentes que estavam com dificuldade, e lutei com quase todos os membros - homens - que ousaram se meter no meu caminho, treinei um bom tempo e ainda assim; uma quantidade de raiva ainda permanecia dentro de mim implorando para sair; para quebrar algo ou a cara de alguém. Eu não sabia onde toda essa raiva vinha, talvez eu ainda estava chateada com Killian sobre a noite passada, o que eu me recusava a acreditar e aceitar.

Derrubei Devin outra vez, revirando os olhos enquanto ele cuspia um pouco de sangue e dizia que me derrubaria em seguida. Talvez eu tenha batido nele um pouco forte demais, - o que eu não lamentava - para ele se achar tão confiante assim. O filho da mãe tinha me provocado durante toda a manhã e quando dei o que ele queria, uma luta; me acertou nas costelas quando eu não estava olhando. Um covarde. E agora, eu estava lhe dando um pouco do seu próprio veneno, é claro, a minha maneira.

Chutei sua canela e ele gritou de dor. Não tinha sido forte, muito menos tinha quebrado algo, ele estava apenas fazendo um teatro para tentar se vangloriar quando acabasse comigo no tatame. O que era uma pena, já que ele não conseguiria me vencer. Quando entro numa luta é tudo ou nada, e infelizmente Devin não tinha percebido isso ainda.

Idiota.

— O que diabos está acontecendo aqui? - ouço a voz de Killian e Devin se vira para o encarar, aproveito a oportunidade e acerto um soco no seu rosto e dois na costela; ele cai no chão. — Julie Anne!!!!

— O que?? - grito encarando Killian.

— Eu saio por meia hora e quando volto você está atacando Devin. Que porra é essa?

— Eu não o ataquei. Ele pediu por isso. Você deveria prestar atenção nos fatos e procurar saber o que aconteceu antes de começar a falar merda!

Vejo pela minha visão periférica as pessoas se aproximarem para saber o que está acontecendo e eu quase bufo no momento que algumas delas se afastam.

— Você está chateada, com raiva, eu entendo isso. Mas você não pode descontar nas pessoas que pagam para estar aqui.

— Que seja. Eu só dei aquilo que todos queriam. - falo me afastando e ele segura o meu braço.

— Você quer brigar? É isso? Por que se é isso que você quer, eu vou te dar.

Ri cruzando os braços e ele me encara sem entender.

— O que é tão engraçado?

— O fato de você achar que consegue dar o que eu quero.

Algumas pessoas ao redor riem, mas logo o riso cessa quando Killian os encara ameaçadoramente. Ou tenta, já que até mesmo Caleb está rindo.

— Você pensa que eu não posso dar o que você quer, mas nós dois sabemos que eu consigo. - ele diz e eu cruzo meus braços.

— Eu gostaria de ver você tentar. E falhar miseravelmente, é claro.

Sem esperar, ele acerta minha canela e eu um cruzado. Bem no meio da sua cara. O mais forte que eu já consegui. Acerto a sua costela duas vezes e ele urra, parecendo surpreso por eu ter lhe acertado bem ali.

Socos, chutes, pontapés e joelhadas foi dado por nós dois durante minutos; acertei Killian mais do que ele me acertou, e ainda assim não parecia o suficiente. A raiva não tinha se dissipado. Ainda.

Acertei um cruzado e um chute alto em seguida, ele se desequilibrou e eu o derrubei dando uma chave de perna, mas ele se recuperou e conseguiu me dominar, aplicando uma chave de braço. Dou cotoveladas na sua costela e ele urra novamente até que me solta.

— Você já foi melhor que isso. - falo enquanto ele se coloca de pé.

Ele estava cansado, mas não tanto ao ponto de desistir e entregar a luta. Ele ama a emoção e adrenalina que a luta proporciona tanto quanto eu. Somos dois lutadores teimosos; a luta não tinha hora para acabar, mas eu sabia que ela estava perto.

Ele me acerta com um jab, um gancho e se esquiva, meu sangue ferve e eu o acerto com um chute giratório e ele fica atordoado. Aplico um upper, um cruzado, uma joelhada e o derrubo. Acerto meu punho em sua costela, em seu rosto e aplico a chave de perna outra vez. Ele parece ainda mais cansado e eu paro, fico a centímetros do seu rosto e sorrio.

— Acho que isso prova que você não pode me dar o que preciso. - falo e me levanto. Rapidamente, ele se levanta, me domina e logo me encontro no chão.

— Você tem certeza?

Seu rosto fica a centímetros do meu, muito mais perto do que eu estava segundos atrás.

Seu rosto começa a apresentar uma coloração arroxeada ao redor dos seus olhos, onde o acertei várias e várias vezes.  Seu corpo prensa um pouco mais o meu no chão e pode-se ouvir um silêncio ensurdecedor ao nosso redor.

— Você tem certeza que não consigo dar o que você precisa? Hm... - sua voz se torna baixa e seus lábios se aproximam lentamente do meu ouvido - Porque não foi o que me pareceu no sábado quando eu tinha você gemendo na minha cama. 

Ele sorrir e eu quero acabar e apagar aquele maldito sorriso do seu rosto. Então é isso que eu faço. Consigo me desdobrar e lhe acerto uma joelhada, e em seguida um soco em seu rosto. Ele cai ao meu lado, ainda surpreso e eu me levanto. 

— Sim, eu tenho certeza. - falo o encarando. Me aproximo para que somente ele possa ouvir o que tenho a dizer. - E sobre sábado... você já foi muito melhor do que aquilo também. 

Lhe dou as costas e vou embora, deixando-o deitado no chão enquanto me encara. 


Notas Finais


O que acharam desse capítulo? Me deixe saber o que pensam e se gostaram, porque eu amei escrevê-lo.
Até o próximo capítulo.
~mil beijos


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