História Therese - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Edgar Allan Poe, Gotico, Morte, Premonição, Sensitivos
Visualizações 10
Palavras 1.030
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Música do capítulo: Saraf Jaffe - Pretender (recomendo que escutem a música durante a leitura, é importante)

Boa leitura!

Capítulo 1 - Sentenciada


Os comentários cerrados e lúgubres já não incomodavam como antes. Não era o fato de seu cabelo ser cor-de-rosa e sua pele possuir inúmeros desenhos que a transformava numa aberração. Não, não chegava nem perto disso. Tess fingia não compreender as raízes do problema, mas ela sabia. Sim. De alguma forma sabia.

Olhar para seu reflexo no espelho tornou-se uma tarefa árdua que exigia muito autocontrole. Às vezes sentia vontade de quebrar o espelho, mas suas experiências provaram que isso só se resolveria no instante e que o alívio era passageiro. Às vezes sentia vontade de ignorar o que acontecia a sua volta, tornar-se cega e surda perante aos ocorridos que a transformavam numa garota bizarra.

Além da aparência exótica e do sotaque irlandês forte, Tess, ou melhor, Therese, fora abençoada com um presente que ela desejaria nunca ter ganhado. Ter a capacidade de ver e, em alguns casos, determinar o tempo de permanência de alguém sobre a Terra, era um fardo pesado demais para uma garota de apenas dezesseis anos carregar em silêncio.

Um único toque foi o suficiente para mudá-la completamente.

Quando nasceu, Therese não chorou. O indicador da Morte silenciou suavemente seus lábios pueris, marcando-a para sempre.

• • •

Os olhos acompanharam com curiosidade o andar do garoto pelo longo corredor de piso encardido. Tess gostava de observá-lo e de tentar adivinhar qual seria seu movimento seguinte. Neil era como qualquer outro rapaz do colégio católico St. Isabel, mas Therese juraria que ele era diferente. O fato de ter coragem de jurar a excentricidade de Neil provinha de uma paixão secreta que nem mesmo a própria garota conseguia compreender. Neil tinha dezesseis, assim como ela, e gostava de música clássica. Entretanto, sua aparência jamais indicaria isso. Costumava usar um par de Converse verde-escuro e estava constantemente com o cabelo bagunçado – o que sempre provocava sermões por parte das freiras do colégio.

Tess conversava com Neil às vezes, meras trocas de cumprimentos do cotidiano, nada que fizesse seu coração palpitar loucamente, mas gostava muito desses momentos. Dos momentos em que poderia apreciar a voz grave do garoto desejando-lhe uma boa tarde ou apenas dizendo “oi” de forma rápida. Ela também nunca tentara nada para a mudar a situação entre ambos. Therese mantinha-se na sombra, era de poucas palavras e gostava de ficar sozinha. Sentia-se mais confortável lidando consigo mesma e com seus próprios pensamentos. Uma multidão de pessoas falando sempre atormentava seus instintos frágeis.

Suas preferências peculiares não apareceram durante a puberdade, desde criança, Tess tinha a mania de afastar-se dos demais para refugiar-se num canto, sozinha. Gostava também de desenhar, entretanto, o dom da arte lhe foi proibido aos oito anos, quando os pais perceberam que a garota desenhava apenas sombras, monstros, pessoas chorando e morrendo. Aos dez anos, fora mandada para a casa da avó, em Londres, deixando Dublin de vez.

Mudar de cidade não fez com que Therese deixasse de ser menos estranha e entrar num colégio católico apenas agravou tudo. Aos treze, rebelou-se e pintou o cabelo de azul. Depois de rosa. Depois de roxo. Atualmente, suas madeixas não possuem uma cor definida e também deixaram de incomodar as freiras que acabaram se cansando de castigar a pobre menina, deixando-a sozinha na sala para copiar trechos da Bíblia.

— Ei, Tess. Bom dia!

Suas pupilas dilataram ao som da voz de Neil e ela o encarou como sempre fazia.

— Bom dia, Neil. — Falou num tom abaixo do que ele havia usado, desencostando-se lentamente da parede.

Continuou observando o garoto, mas para sua surpresa, Neil parou de andar e virou-se de volta como quem esquece alguma coisa no meio do caminho.

— Ei Tess, eu estava pensando... Você...

— Sim?

— Você lê Poe, não lê?

Therese assentiu interessada no assunto, mesmo que sua expressão pouco contente dissesse o contrário.

— Eu estava pensando... Você gostaria de sair para comer alguma coisa qualquer dia desses? Eu estou precisando de reforço em literatura e queria sua ajuda para fazer a prova.

— Tudo bem. Eu gosto de tacos.

Foi o que conseguiu dizer antes de simplesmente virar as costas e caminhar para a biblioteca. Therese, definitivamente, não era muito simpática e parou de tentar ser quando lhe disseram isso. Era naturalmente soturna e misteriosa e não tinha pretensão de mudar.

• • •

Voltava para o sobrado da avó a pé. Assim que saia pelos portões do colégio afrouxava a gravata azul-escura, retirava a camisa branca de dentro da saia de pregas e soltava o cabelo que era obrigada a manter preso durante todo o dia. Sentia-se livre longe do St. Isabel, mas andar na rua tranquilamente era impossível. As sombras negras estavam em todos os lugares, acompanhando muitas pessoas que nem sequer desconfiavam da presença macabra que se aproximava cada vez mais.

Tess acostumou-se a não olhar muito. E também aprendeu a colocar os fones nos ouvidos e aumentar o volume de suas músicas para evitar escutar os sussurros agoniados pedindo socorro. Aqueles sons, de pessoas gemendo e chorando, não fazia parte da realidade e precisou de muito tempo e esforço para entender isso. Não gostava de multidões por isso. Odiava ouvir o que as sombras estavam falando ou pensando.

Ao contornar a esquina da rua onde sua avó morava, Therese notou uma aglomeração de pessoas na loja de conveniência do outro lado da rua. Travou no lugar, assistindo a polícia tentando afastar os curiosos.

— O que aconteceu? — Questionou uma senhora de meia-idade que também observava a confusão.

— Assalto a mão armada. Parece que havia um policial dentro na loja e o assaltante fez a caixa de refém.

Therese sentiu-se mal. Seu estômago embrulhou-se e sua cabeça latejou. Curvou-se para frente e apoiou as mãos nos joelhos, tentando recuperar o equilíbrio que pareceu desaparecer por alguns segundos.

— Você está bem, querida? — A senhora ajudou-a levantar. — Seu nariz está sangrando! Está se sentindo bem?

A garota rapidamente limpou o rastro carmim que estava sujando seu nariz e seus lábios e voltou a encarar a multidão diante da loja de conveniência. As três sombras caminhavam entre as pessoas como se fossem fantasmas silenciosos e entraram sorrateiramente dentro da loja. Em segundos, três tiros foram disparados.

Seus olhos lacrimejaram, mas Tess não chorou.


Notas Finais


Não tenho muito o que falar, apenas que essa é uma experiência completamente nova para mim.
Espero que vocês gostem e espero que deixem um comentário dizendo o que acharam.

XOXO ♥


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