História Therese - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Edgar Allan Poe, Gotico, Morte, Premonição, Sensitivos
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Palavras 1.756
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Música do capítulo: Echo and the Bunnymen - The Killing Moon

Obs.: você pode encontrar o poema completo O Corvo, de Edgar Allan Poe, na internet. A tradução utilizada neste capítulo foi feita por Machado de Assis.

Boa leitura!

Capítulo 3 - Destrutiva


Assim como combinado, as oito em ponto, Therese aguardava sozinha nos portões do colégio. Segurava alguns livros rentes ao peito, toda encolhida, tentando se proteger do vento gelado que balançava seus cabelos e as folhas das árvores espalhadas pela rua. Se não fosse pelo barulho do vento e das folhas secas se arrastando pelo chão, tudo estaria mergulhado em um silencio assustador.

A garota olhou em volta, apreensiva e desconfortável, e apertou os livros com um pouco mais de força. Não havia nem sinal de Neil. Teria ele se esquecido do encontro que tinham marcado naquele mesmo dia no corredor? Teria ele apenas mentido para brincar com a cara de Tess? Pensar nisso fez com que Therese sentisse um gosto amargo na boca. Estava tensa, rígida, os pés cravados no chão como as raízes de uma árvore, tentando arrancar os últimos resquícios de esperança que seu coração insistia em manter.

O bater de asas de um pássaro a fez olhar para cima no instante em que um corvo pousara sobre a cabeça de um dos querubins que enfeitava os portões do St. Isabel. A ave negra olhou fixamente para Therese e a garota sustentou o olhar com curiosidade. Parecia o reencontro de velhos amigos.

O corvo crocitou alto e em seguida bateu o bico na cabeça do querubim três vezes. O som ecoou nos ouvidos de Therese fazendo-a sentir repentina sensação de mal estar. Fechou os olhos por alguns segundos e voltou a encarar o majestoso corvo que ainda a fitava com seus olhos atentos e selvagens.

Tess vincou o cenho, acreditando que o pássaro estava tentando lhe dizer algo. A inquietação em sua cabeça permaneceu e conforme olhava dentro dos olhos do corvo, a garota vislumbrou um clarão que durou um segundo, seguido da imagem clara de Neil com o rosto machucado e sujo de sangue. Um calafrio percorreu a espinha de Tess fazendo-a voltar em si.

O corvo ainda estava ali, trepado na cabeça do querubim parecendo fazer parte da escultura do portão. De repente a ave negra crocitou e em seguida abriu suas asas, alçando voo pela escuridão da noite. Therese sentiu-se vaga feito um ponto solto no espaço que percorria aquele caminho há milhões e milhões de anos. Tentou respirar fundo e sentiu cheiro de bala de menta e cabelo úmido. O cheiro a trouxe de volta à realidade e o corvo e a visão de Neil machucado pareceu apenas parte de um sonho.

— Boa noite, Tess!

A voz de Neil a fez virar-se em para encarar o garoto e a sensação de fazer parte de uma realidade normal a envolveu feito uma fina película de felicidade. Dessa vez Tess não conseguiu segurar o sorriso. Ficaram se olhando em silencio por longos minutos, como se fossem obras de arte em uma exposição onde é preciso atenção para contemplar todos os detalhes. O cabelo cor de rosa dela balançava conforme o vento ordenava e o contraste com suas roupas escuras era algo belo. As pupilas de Neil dilataram-se.

— Você fica muito bonita quando sorri. Quer dizer, você é bonita, mas... – Sem jeito, Neil começou a ficar com as bochechas vermelhas.

— Eu entendi. Obrigada pelo elogio.

Sentiu vontade de rir da situação, ninguém nunca a tinha elogiado daquela maneira e estava insegura de como prosseguir com o diálogo. Decidiu mudar de assunto, pelo próprio conforto e pelo conforto de Neil.

— Onde nós iremos?

— Ah, isso é surpresa! – Neil pareceu mais aliviado e se aproximou, ficando ao lado de Tess enquanto ambos começavam a caminhar na direção oposta de onde o garoto viera. – Acho que você vai gostar.

• • •

A vista era linda de cima daquela colina.

Therese respirou fundo, sentindo o ar límpido invadir seus pulmões. Ar árvores que ladeavam o local emanava um perfume delicioso e a pequena cabana de madeira era uma graça. Como não conhecia aquele lugar? Como nunca tinha ouvido falar? Precisaram caminhar cerca de meia hora por uma trilha mata adentro, mas Neil pensara em tudo. O garoto levou lanternas na mochila e parecia conhecer bem o caminho.

Ao chegarem, Neil estendeu uma toalha de piquenique na grama baixa e retirou da mochila tacos cuidadosamente embalados. As luzes da cabana iluminavam perfeitamente o espaço onde escolheram sentar. Um baseado depois e o casal estava mentalmente conectado. Comeram os tacos e beberam Coca, conversaram sobre filmes, sobre o espaço sideral, sobre invasões alienígenas e buracos de minhoca. Neil contou sobre seu amor pela física e Tess sobre o seu pela literatura.

— Eu encontrei esse lugar uma vez quando fugi de casa. Eu tinha uns doze anos. Surtei e saí sem rumo com a minha bicicleta, acabei vindo parar aqui. A cabana estava abandonada, decidi dar um jeito no lugar e transformar isso aqui no meu esconderijo do mundo. – Neil observava bela vista adiante de ambos, as luzes da cidade iluminando uma Londres completamente diferente da que estavam acostumados a ver todos os dias. – Sempre que quero fugir venho para cá.

Therese desviou o olhar para o garoto, observando seu rosto de perfil. Neil era bonito, tinha o cabelo castanho bagunçado, os olhos azuis e um nariz bem desenhado. Suas mãos também eram bonitas. Tess desviou o olhar para a paisagem, lembrando-se do motivo de estarem ali. Apanhou um livro em sua mochila e abriu-o numa página já marcada.

— O Corvo, por Edgar Allan Poe – anunciou num tom de voz firme, porém ameno. Umedeceu os lábios ressequidos, ainda sentindo o gosto de taco e de cannabis, e olhou de soslaio para Neil. Ele a fitava com atenção, então, ela começou a declamar.

Em certo dia, à hora, à hora

Da meia-noite que apavora,

Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,

Ao pé de muita lauda antiga,

De uma velha doutrina, agora morta,

Ia pensando, quando ouvi à porta

Do meu quarto um soar devagarinho,

E disse estas palavras tais:

"É alguém que me bate à porta de mansinho;

Há de ser isso e nada mais."

(...)

— No chão espraia a triste sombra; e, fora Daquelas linhas funerais Que flutuam no chão, a minha alma que chora Não sai mais, nunca, nunca mais!

Therese marcou a página e fechou o livro, e foi nesse instante, quando ela virou o rosto para fitar Neil, que ele a beijou. Foi envolvida com destreza e permitiu que ele a puxasse pela nuca. O garoto afagou os fios cor-de-rosa desalinhados que ele tanto gostava, enquanto movia devagar seus lábios nos lábios de Tess. E mais uma vez, ela sentiu-se normal. As sombras não importavam, a morte era só uma ideia passageira, Therese sentiu-se em paz.

Afastaram-se lentamente, perdidos e tímidos, e voltaram a fitar a paisagem. Neil deslizou sua mão pelo ombro de Tess, descendo seus dedos até tocar os dedos gelados da garota.

— Você é diferente de tudo o que eu conheço.

Tess olhou-o pelo canto do olho e balançou a cabeça em negação. Tentou afastar sua mão, mas Neil a segurou e entrelaçou seus dedos aos dedos dela, chegando mais perto. Tess não se moveu, olhou profundamente nos olhos azuis do garoto, pensando na possibilidade de contar sobre sua problemática vida e sobre as coisas estranhas que via às vezes. Chegou a abrir a boca, mas nenhuma palavra saiu.

Ele teria medo. Ele fugiria. Ela nunca mais o veria. Por isso permaneceu em silencio. No seu doloroso e solitário silêncio.

— Você é incrível, Therese. – Neil murmurou, beijando suavemente a ponta do nariz da menina. – Tem algo em você... Não sei explicar.

— Então você não precisava de reforço em literatura coisa nenhuma?

Neil riu. Uma risada gostosa que fez com Tess se sentisse muito bem. Já não sabia mais se tudo o que estava sentindo – aquele maldito frio na boca do estômago, as mãos suadas, o coração palpitando – era real ou apenas efeito da cannabis, no entanto, também não quis saber.

— Você é um garoto peculiar, Neil Graham.

— Você é simplesmente única, Therese Ziegler.

• • •

Timidamente, Therese retirou sua regata preta, ficando apenas de lingerie. O calor do pequeno quarto da cabana provinha da lareira acesa, assim como boa parte da iluminação do ambiente. Neil observou o corpo magro da garota, apreciando as curvas delicadas, a pele branca, os ossos protuberantes das costelas e as cicatrizes. Quando notou que Neil fitava suas cicatrizes, Tess tentou se cobrir, mas ele a impediu.

— Não, não precisa sentir vergonha – murmurou, aproximando-se para abraça-la – você é perfeita.

A garota deixou ser envolvida e afundou seus dedos nos cabelos de Neil, puxando-o para um beijo urgente. Não fazia ideia do que estava fazendo ou do que deveria fazer, nunca nem sequer tinha chegado àquele nível com um garoto. Deixou ser guiada pelos instintos mais íntimos do seu ser. Neil a ergueu do chão com facilidade e deitou-a na cama sem interromper o beijo. As últimas peças de roupa de ambos foram lançadas ao chão, as respirações ofegantes se misturavam, o mundo lá fora simplesmente deixou de existir.

Tess sentiu os lábios macios percorrerem o caminho que foi de sua nuca até seus seios. Neil não estava com pressa, acariciou, beijou e massageou cada pedaço do corpo da garota. Quando sentiu que ela estava suficientemente relaxada, deitou-se sobre o corpo miúdo sem soltar seu peso e penetrou-a lentamente. As unhas de Tess afundaram da carne dos ombros de Neil com a surpresa da pontada de dor e das vibrações de prazer que se concentravam em seu ventre. Fechou os olhos com força e o abraçou.

Abraçou-o como se estivesse prestes a perdê-lo de alguma forma. E no fundo, de alguma forma, ela sabia que realmente estava.

O mesmo clarão de antes a cegou momentaneamente e a imagem do corvo pousado na cabeça do querubim preencheu sua mente. Sons distorcidos de choro se misturaram com o som da risada de Neil e com a sua própria. Conforme Neil se movimentava dentro de Tess, mais intensa a visão ficava. Cheiro de sangue, de grama molhada, de suor e de medo. Perdida entre a realidade e as imagens confusas que povoavam sua mente, Therese gemeu entre espasmos e lágrimas mornas escorreram de seus olhos.

“Não!” sua mente gritou desesperadamente.

Naquele momento em que Therese se conectara, pela primeira vez, completa e verdadeiramente com alguém, sentiu que a linha tênue entre a vida e a morte estava para se arrebentar. Enquanto os corpos estavam unidos naquele instante de prazer e sentimento, ela sentiu que o tempo estava acabando e quando abriu os olhos notou uma sombra tímida no canto do quarto observando-os.

“Nunca mais!” a sombra murmurou antes de desaparecer.


Notas Finais


De agora em diante é só treta! HAHAHAHAHAHA FACA NA CAVEIRA, MEU POVO!

Espero vocês no próximo!

xoxo ♥


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