História This is a goodbye. - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Metamorfose_

Postado
Categorias Originais
Tags Autoajuda, Despedida
Visualizações 33
Palavras 1.680
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Betagem feita sempre pela minha pirralha @cryout <3
Capa maravilhosa feita pelo @StellarEdits <3

Capítulo 1 - Capítulo Único.


 

É mais do que apenas um simples adeus, é uma deixa.

Pode parecer confuso agora, mas é exatamente disso que eu e, talvez, a maioria da população precise de vez em quando. Despedir-se da realidade. Não da sua, nem da minha, mas daquela que talvez exista para mim, mas não para você. Confuso, não? E a verdade é que é tudo muito simples; mais do que possa imaginar. Então apenas veja isso como uma carta de despedida.

Realidades, mundos e pessoas diferentes estão conectadas à nós de diversas formas. Tudo à nossa volta é um mistério: alguns eu pude desvendar, e outros ainda continuam sendo um enigma. A paciência tornou-se uma variável a ser testada dentro de um campo de batalha, mas não é como se tivessem me dado a opção de utilizar alguma arma de fogo, como se me oferecessem algum mapa dizendo para onde eu deveria ir.

O enredo do filme é diferente desta vez.  É apenas você, dentro de uma sala escura e pequena, de frente para um vidro negro e enorme que consegue mostrar tudo aquilo que não gostaria de ver: seu próprio reflexo.

E enquanto eu estive sentada naquela cadeira, eu decidi permanecer de cabeça baixa, apenas tentando bloquear todos os tipos de pensamentos negativos que insistem em me perturbar como se aquilo fosse algum tipo de castigo.

O choque que eu sinto não é por uma máquina que tenta constantemente me trazer de volta. É a briga interna do meu eu, que sabe o que quer da vida, com alguém semelhante a mim, um clone. Mas ele está diferente. Não há nada, nem ninguém aqui, junto a mim; e ao mesmo tempo em que possa parecer confortante – por não haver ameaças –, é desesperador, porque é triste. É triste ter esse sentimento de solidão. O silêncio se torna atormentador, pois é nesse momento que os pensamentos começam a gritar e que não há mais o que fazer.

 Fora a junção de um todo. Ter de absorver, tomar e tentar resolver todos os problemas que talvez nem fossem meus, mas que mesmo assim me fizeram tentar, porque eu tinha consideração à algo ou alguém em especial.

Sentimentos como a mágoa, raiva e o ódio foram colocados dentro de um frasco de vidro, e eu sabia que aquilo era capaz de atingir e de destruir qualquer um que tomasse uma pequena dose dela. Como um veneno. Ter parecido neutra por tantos anos não fora uma estratégia inteligente, mas tudo bem; não havia ninguém ali para dizer que isso não acabaria bem, que eu não teria cicatrizes e que, como se fosse algum tipo de karma, tudo que eu tivesse deixado de fazer, se voltaria contra mim.

É sufocante e desesperador. A junção dos medos, anseios e divergências chegam a me atingir como balas por todas as extremidades do meu corpo, adormecendo uma por uma, e ao invés de derramar sangue, elas continuam sugando tudo de bom que ainda me restou, como se fosse um mero parasita. A vontade de fazer o que mais se gosta desaparece cada vez mais, e o tempo começa a se tornar seu pior inimigo, mas ao mesmo tempo, é como se isso fosse indiferente agora.

Amarrada na própria cadeira pelas mãos, eu não penso em sair dali, mesmo sabendo que teria forças para me soltar facilmente. O desejo de não encarar o próprio reflexo aumenta assim como as dores no corpo. O peito vazio, como se nada nem ninguém pudesse me tocar de alguma forma, e a única coisa que poderia despertar-me ali, seria apenas a raiva.

Eles dizem para que eu erga a cabeça, mas eu ainda prefiro escutá-los assim. Mantendo a cabeça baixa, sem que eu me importe com um possível torcicolo por passar tantos anos assim.

Um dano a mais ou a menos, que diferença faria, afinal? Eles dizem que eu não posso desistir, e acredite, eu não estou. Tudo o que preciso agora é só... desligar.

Viver é muito diferente de sobreviver. É como uma ponte que te separa de um mundo do outro. Do céu e do inferno. Do colorido para o preto e branco. E, por alguma razão, às vezes sinto que sou teletransportada com frequência. Só que os lugares que eu mais ando visitando são os mais altos, como edifícios, morros, pontes e precipícios. Não é exagero quando digo que seria tentador experimentar a adrenalina de se jogar, presa apenas por uma corda.

Talvez isso me ajudasse a fazer sentir algo a mais com tamanha intensidade.

Do alto eu apenas passo a observar, e tá aí uma coisa que me caracteriza: eu sempre fui muito observadora. Vigiar as atitudes das pessoas, amigos, familiares e de tudo o que acontece e que esteja dentro do meu campo de visão. E há muita coisa ruim acontecendo ao mesmo tempo. Isso desestimula qualquer um, ainda mais pessoas que adoram dar ênfase e procurar cada vez mais por elas.

A turbulência não me deixa assustada, pelo contrário, é impossível sentir muita coisa quando se está anestesiado. Você escuta, vê, mas não o sente. Eu deveria sentir na mesma proporção o que as pessoas sentem por mim. Amor, ódio? É, acho que seria justo, certo? Ao mesmo tempo em que eu sinto diversas mãos me tocando na região dos ombros, enquanto ainda permaneço amarrada, eu também sinto que não é como se todas elas quisessem realmente que eu ficasse de pé.

O inimigo nunca quer vê-lo de pé. Ele apenas quer vê-lo no chão, abaixo dele, provavelmente sendo dominado por ele ou mesmo morto por suas próprias mãos. Morto por alguém, enquanto ele assiste com um sorriso divertido e satisfeito. E indiferente de qual seja a opção, só é preciso que esteja vulnerável.

O desespero vai preenchendo o meu peito e junto com ele, milhões de sensações ruins insistem em trazer à tona o que eu gostaria de ter esquecido ou resolvido. Seria mais fácil agora se isso pudesse ser possível, mas imagine, e se isso realmente acontecesse? Será que seríamos o que somos hoje? Pessoas boas ou ruins? Com boas ou más intenções? Uma bela incógnita, não é?

Não vou pedir que me desamarrem agora, pois preciso passar esse tempo aqui, apenas pensando. É como se uma parte minha fosse deixada lá para morrer, para que eu sofra, seja torturada até que eu peça por bandeira branca, mas não creio que isso vá acontecer. Porque eu posso estar instável agora, coisa que me levou a cair, mas é como um ditado famoso do qual não consigo recordar muito bem. Talvez seja algo como: “Nada acontece duas vezes da mesma maneira.” O caminho pode ser parecido, mas a rota pode ter um ponto de chegada diferente.

Eu queria olhar para esse reflexo e sentir compaixão, abraçá-lo e dizer que está tudo bem, que tudo irá ficar bem e que eu irei conseguir mais do que almejei. Não sei dizer quanto tempo irá demorar para que eu consiga fazer isso, pois não tenho ideia do que fazer no momento. Poderia levantar e mesmo amarrada tentar caminhar em sua direção, enquanto ainda estou recebendo murros por todos os lados? Ou simplesmente deveria esperar? De qualquer forma, não sinto que tenho forças o suficiente para isso ainda.

O campo de batalha é grande, mas não consigo enxergar armadilhas ou algo que possa se tornar uma ameaça. Pelo contrário, aos meus olhos, parece apenas um campo enorme, com muito verde, um céu bem limpo e claro, mas que parece se fechar aos poucos; e a sensação de que estou correndo contra o relógio só me deixa mais agoniada, pois o que eu deveria fazer, afinal? Para onde eu deveria ir? Eu magoei pessoas, eu as machuquei, e mesmo que tenha sido sem intenção, parece que isso tende a me sufocar ainda mais. Olhar para todas as direções só me deixa ainda mais confusa, porque eu não sei para onde seguir. Eu simplesmente não sei, mas involuntariamente, meus pés se movem para frente, mesmo não ligando se é esse o caminho certo ou não.

Eu queria largar esse peso que ando carregando nas costas, pois a maioria dele não acolhi por bom grado. E ao mesmo tempo que gostaria de olhar para trás e concertar algumas coisas do passado, sei que não tenho o poder de fazer isso. O presente me parece vazio e o futuro ainda me assusta um pouco. Só seria interessante ter uma figura à minha frente esperando que eu a seguisse, alguma voz que me guiasse ou mesmo um sentimento que possa indicar que eu estou fazendo a coisa certa. Mas não há nada, nem ninguém. Eu sei que preciso resolver isso sozinha, é uma guerra interna, e é minha. A luta não é de vocês, ela é minha responsabilidade, e eu devo lidar com as consequências pelos meus atos.

Não importa quantas vezes você insista em bater, eu vou resistir. Posso não reagir, mas por agora, eu vou só absorver, e pode crer, eu vou fazer isso muito bem. Há pessoas por quem vale a pena lutar, mas em primeiro lugar, preciso entender que eu devo fazer isso por mim, antes de tudo. Como protegerei quem é importante para mim, sendo que eu não consigo me defender?

Pode ser que quando eu levante, eu bata bastante nesse meu outro eu, assim como fizeram comigo, mas talvez eu apenas me conforme, aceite e a conforte. De qualquer forma, prefiro deixar que  minha intuição – que nunca falha –, me guie.

Isso é uma carta de despedida, e eu a deixo como um exemplar de alguém que precisa lutar contra alguns fantasmas que ainda insistem em me atormentar. Eu ainda não encontrei a quantidade de força necessária para fazer com que eu levante e lute da maneira que sempre estive acostumada, pois parece que desta vez a situação está revertida; que eu estou do outro lado, apenas recebendo a enxurrada de agressões. Eu não sei quando irei ficarei bem, mas não é como se eu estivesse desistindo. No momento, eu preciso somente de algo que ando lutando contra todos os dias: tempo.

 

 


Notas Finais


Eu tentei ao máximo tentar expressar o que estou passando no momento, mas não é a mesma coisa que os jornais. Pessoas próximas sabem o que está acontecendo e graças a Deus, estou recebendo um apoio enorme delas, e isso é mais do que suficiente para que eu acelere na minha recuperação. Espero que entendam de que nesse momento o que eu preciso é tempo, pois tem muita coisa acontecendo e eu deixei de ter controle sobre a minha vida, coisa que não imaginei que fosse acontecer tão cedo como antigamente.

Toda ação tem uma reação, certo? O meu erro foi ter guardado tanta mágoa ao invés de tentar se livrar delas. Eu preciso me fortalecer, mas preciso fazer isso longe daqui, então sim, isso é um adeus temporário.

Até galera! E se cuidem!


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