História This is love - Capítulo 84


Escrita por: ~

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Categorias Guns N' Roses, Metallica, Nirvana, Slash
Personagens Axl Rose, Dizzy Reed, Duff Mckagan, Izzy Stradlin, Matt Sorum, Personagens Originais, Slash, Steven Adler
Tags Axl Rose, Drama, Guns N' Roses, Paixão, Romance
Exibições 105
Palavras 4.348
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, amores de my life!! Olha eu aqui de novo com capítulo saindo do forno ;) espero que gostem...tá tenso, mas é a vida da Luíza...é tensa msm...rs...espero vcs nos comentários!!!

Capítulo 84 - Suffocated


Fanfic / Fanfiction This is love - Capítulo 84 - Suffocated

Finalmente a farsa de Seymour tinha chegado ao fim, às vezes eu pensava que esse dia nunca chegaria, mas enfim tive o prazer de desmascarar aquela víbora. Ela saiu humilhada da igreja, eu só não posso dizer que me sentia feliz porque foi devastador ver o olhar mortificado de Axl. Eu sei que deveria apenas me sentir vingada, afinal, Axl escolheu aquilo, ele cavou a própria cova, mas eu não podia deixar de considerar que Seymour foi muito ardilosa. Ela percebeu quando Axl quis desistir daquela porra toda, a cobra era muito esperta e conseguiu envolve-lo pelo sentimento de culpa. Segurando aquela história de gravidez falsa, ela sabia que Axl nunca a deixaria. Bom, eu fiz o que tinha que fazer, por mais dor que Axl tenha sentido naquele momento, eu tenho certeza que o estava protegendo de coisas bem piores. Se aquele casamento tivesse se concretizado, aí sim, Axl e o Guns correriam sérios riscos. Eu pensava em tudo isso enquanto Slash me ajudava a sair da igreja no meio de um turbilhão de flashes e pessoas tentando falar com a gente. Todos os outros já tinham saído da igreja, pois acompanharam Izzy ao hospital. Apenas Alan tinha ficado, pois estava tentando controlar a confusão ali. Encontrei com ele quando estávamos cruzando a porta de saída. Alan me lançou um olhar de gratidão e eu apenas acenei pra ele, pois estava com pressa pra chegar logo ao hospital. Não podia perder o nascimento do filho de Jey. Eu e Slash conseguimos, não sem algum sufoco, chegar a calçada. Logo ele me interrogou:

- Seguimos na minha moto?

- Pode ser, mas também podemos ir no meu carro – respondi

- No carro que Axl te deu? – ele balançou a cabeça – não, vamos na minha moto – ele disse já destravando o veículo e eu nem reagi, apenas tomei lugar na garupa.

Rapidamente chegamos ao hospital, quando adentramos a recepção encontramos todos por lá. Matt estava sentado no sofá batendo nas pernas, Dizzy virava uma dose de café com Duff e Izzy andava de um lado para o outro.

- Onde está a Jey? – perguntei me aproximando de Izzy

- Os médicos a levaram e não voltaram ainda pra dizer nada – ele resmungou impaciente

- Mas você é o pai, tem direito de entrar com ela e acompanhar o parto

- Ah, não, mas isso eu não quero, acho que desmaio se ver sangue – ele fez careta

- Puta que pariu, Izzy – falei revirando os olhos, mas nesse momento uma enfermeira veio em nossa direção

- Vim só avisá-los que a senhora Jey Cooker já está em trabalho de parto, verificamos a dilatação, os batimentos cardíacos e está tudo certo com a paciente e com o bebê, é só vocês aguardarem os procedimentos e...

- Em quanto tempo eu posso ver meu filho? – Izzy a interrompeu

- Senhor, a senhorita Cooker decidiu pelo parto natural, portanto, não dá pra saber em quanto tempo o bebê vai nascer – a enfermeira respondeu

- Ihhh caralho – Duff comentou rindo – vai demorar, galera, porque se o menino tiver puxado o narigudo, ele agora tá fazendo careta e achando uma merda ter que vir pra esse mundo

- Ih é verdade – Slash riu junto – o bebê deve estar dizendo “no” de braços cruzados

- Vocês são idiotas – Izzy resmungou revirando os olhos

- Bom, a paciente tem direito a um acompanhante, alguém quer entrar comigo agora? – a enfermeira perguntou

- Izzy, se você realmente não quiser, eu posso ir – falei colocando a mão no ombro dele – mas eu acho que a Jey ficaria muito mais feliz e se sentiria bem mais segura se você mesmo fosse ficar com ela

- É, cara, é teu filho, vai lá – Duff disse batendo nas costas dele

- Ok...tudo bem...tudo bem...eu vou – Izzy disse soltando um respiro fundo

- Ficarei aqui esperando notícias – falei quando ele já adentrava o corredor acompanhando a enfermeira

O tempo passava e nada de Izzy voltar com notícias, Duff estava certo, o bebê devia estar filosofando se viria ou não pra esse mundo de merda, pensei. Aquele tinha sido um dia maluco e todos nós estávamos eufóricos, os meninos começaram a beber ali mesmo na recepção, Matt ainda discutiu com um dos seguranças que reclamou da bagunça que eles estavam fazendo. Eu tentava controla-los, mas era em vão, de repente a recepção do hospital virou uma espécie de confraria alcóolica de cabeludos loucos. Eles não paravam de rir com Duff contando nossas aventuras na saga atrás das provas contra Seymour. Só Slash parecia menos interessado naquilo e ficou mais recuado. Na verdade, eu entendia um pouco a reação dele, pois o clima entre nós ainda estava estranho. Eu não sabia bem como me comportar na presença dele e meu desconforto era tão evidente quanto o dele. Tentando escapar um pouco daquilo, resolvi sair pra fumar um cigarro do lado de fora.

Já era noite e o céu estava bonito, me sentei na escadaria do hospital, acendi um cigarro e fiquei olhando as estrelas. Repassava em minha mente, como num filme, tudo que tinha vivido naqueles meses insanos. Agora parecia que tudo estava mesmo chegando ao fim. Eu estava feliz com o nascimento do meu afilhado, mas lembrei que Izzy disse que esperaria só o nascimento do filho pra sair do Guns. Pensei em Axl e como isso seria mais um sofrimento terrível pra ele. Axl...o que ele estaria fazendo agora? Eu me perguntava e vinha aquela vontade absurda de correr pra perto dele, ainda era difícil resistir a isso. A verdade é que cheguei ao ponto em que cheguei porque nunca consegui controlar esse sentimento. Eu sempre temia que Axl fizesse alguma besteira maior, que se machucasse, era como se eu quisesse protege-lo de todo sofrimento e nisso, com essa ambição insana, eu acabei sofrendo e fazendo os outros sofrerem. Encolhi-me abraçando as pernas e pensando que agora estaria tudo resolvido, eu iria para o Brasil e – depois de algum tempo – tudo aquilo ficaria pra trás como os mais loucos, mais difíceis, mas também mais intensos dias da minha vida. Se bem que um pensamento não parava de me atormentar. A maldita suspeita de gravidez. Eu ainda não tinha tido coragem de ir buscar os exames, no entanto, a minha menstruação não tinha dado sinal ainda. Eu tinha deixado o assunto pra lá, pois coloquei na cabeça que só pensaria nisso depois de resolver o problema do casamento do Axl. Não, aquilo não podia acontecer comigo! Pensava nisso quando senti uma mão quente encostar-se ao meu ombro, não precisei virar o rosto, eu reconheceria o cheiro de Slash sempre.

- Posso te acompanhar? – ele falou sentando ao meu lado nos degraus, acendeu um cigarro também e soltou uma longa baforada olhando para o céu. Virei o rosto pra ele e senti um arrepio fino percorrendo meu corpo. Era estranho pensar que ele estava ali, tão real, tão palpável e eu estava abrindo mão de tudo. Em pouco tempo, meus olhos não o alcançariam mais, não habitaríamos mais a mesma cidade e eu nunca mais o chamaria de meu, meu homem, como ele havia sido até então. É estranho se desfazer de um amor que ainda pulsa. Eu vinha tentando digerir essa separação nas últimas semanas, mas com Slash ali ao meu lado, ficava claro pra mim que ainda levaria muito tempo.

- Eu vou entrar pra ver se Izzy já deu notícias – falei apagando o cigarro no chão, mas quando fui me erguer, Slash segurou meu braço

- Espera! É impressão minha ou você tem evitado me encarar? – ele questionou

- Não – falei balançando a cabeça – eu ...eu...ah, você sabe que isso tudo está sendo difícil pra nós dois – falei um pouco desconcertada

- Eu sei – ele assentiu com a cabeça – mas alguma coisa me diz que tem algo errado, não sei o que é, mas naquele dia que te encontrei na boate você fugiu de mim de um jeito muito louco e...

- Slash – o interrompi – você mesmo dizia que seria impossível sermos amigos de uma hora pra outra e...

- Mas não é só isso – ele me interrompeu também – tem alguma coisa que você quer me dizer? – ele perguntou firme e eu estremeci, será que alguém tinha contado das minhas suspeitas pra ele?

- Éhh...bem...eu... – comecei a me perder nas palavras e, pra minha sorte, Duff apareceu na porta do hospital gritando e chamando nossa atenção

- Porra, caralhooo....nasceu o albino filho, porra!! Vamo quebrar tudo, porra!!! – ele vinha pulando em nossa direção – vocês precisam ver os dois metros de nariz que a criança tem – ele ria e Slash e eu nos levantamos rapidamente

- Que foda, cara! – Slash disse sorrindo também – eu pensei agora em ligar pro Steven, ele adora crianças, acho que vai querer ver o filho do narigudo

- Boa ideia, cara – Duff disse erguendo no ar a garrafa de vodka que segurava na mão

- Acho ótimo, meninos, faz tempo que não vemos o Stee, eu vou entrar agora, estou doida pra ver meu afilhado – falei sorridente correndo pra dentro do hospital

Encontrei os marmanjos todos babando contra o vidro do berçário onde uma enfermeira cuidava do bebê.

- Olha que coisinha mais feinha, Lu, é tão feinho que é bonito – Dizzy disse rindo

- Wow, não é feinho nada, é meu afilhado lindinho – eu disse já encantada pelo bebê

- Mas todo bebê tem essa carinha de fuinha, né? – Matt disse rindo

- Quem tem cara de fuinha é tu, meu filho tem cara de roqueiro dos bons – Izzy apareceu no corredor todo sorridente e logo fomos abraça-lo

- Tô muito feliz por vocês, Izzy – falei o abraçando na minha vez e logo todos voltamos a ficar encostados no vidro, hipnotizados pelo bebê. Duff e Slash se aproximaram também. Slash abraçou Izzy, que estava muito emocionado, e ofereceu um charuto pra ele dizendo:

- Eu não entendo nada de bebês, mas me disseram que é tradição o pai fumar um charuto com os amigos, por isso corri ali na banca pra trazer um

- Valeu, cara – Izzy sorriu contente e com os olhos marejados – é muito louco isso, eu sou pai, cara!!!

- Deve ser estranho pra caralho isso – Slash comentou coçando a cabeça – mas não deve ser muito diferente de cuidar de uma cobra, né? Você dá comida e carinho e tá tudo certo

- Deixa de ser doido, man – Izzy voltou o olhar para o berçário – eu tô apavorado, não tenho ideia do que fazer ainda, mas sei que não é como cuidar de uma cobra

- Relaxa, cara – Duff disse batendo no ombro dele – os tios aqui vão cuidar desse garoto e ele vai ser muito punk-rock-metal do caralho

- Izzy – chamei a atenção dele – vocês, enfim, decidiram um nome? Até semana passada Jey disse que vocês mudaram 30 vezes

- É porque a gente decidiu esperar pra ver de que ele tinha cara e agora já sabemos – ele falou fazendo cara de mistério

- E então? – perguntei ansiosa

- O nome dele é Ewan – ele falou todo orgulhoso

- Lindo nome – sorri – eu já posso ver a Jey?

- Sim, ela está no quarto no fim do corredor – ele respondeu e continuava com os olhos grudados no bebê

Enquanto eu caminhava, vi que os meninos já se despediam de Izzy, acenei pra eles e avancei até o quarto. Encontrei Jey deitada com uma expressão calma no rosto. Ela abriu um sorriso e estendeu a mão pra mim. Logo me aproximei com os olhos repletos d’água em ver a felicidade dela.

- Você viu como seu afilhado é lindo? – ela disse sorrindo

- Vi, amiga, e vi também o papai coruja todo se derretendo ali fora – respondi apertando a mão dela

- Que loucura, amiga – ela comentou – quando eu imaginaria, naquele dia que entrei na sua casa chorando pelo panaca do Peter, que minha vida mudaria assim?

- Muito louco mesmo, Jey, mas estou muito feliz, pelo menos alguém teve um final feliz nessa história – falei suspirando

- Não fala assim, Lu, você vai ver que uma hora tudo vai ficar bem

- Eu sei, agora que meu afilhado nasceu, eu posso ir embora em paz – sorri sem muita empolgação pra ela

- Você não quer ir, não é?

- Uma parte de mim quer e a outra não, mas hoje não é dia de falar de problemas, Jey, a gente só tem que comemorar pelo Ewan ter nascido saudável e lindo – tentei mudar de assunto

- Tudo bem, mas você promete que volta para o batizado dele, não é? Você e Axl são os padrinhos, precisam estar aqui

- Nossa – falei mordendo os lábios – tem isso

- Tem sim – ela balançou a cabeça – e falando nisso, você já foi ver a história dos exames?

- Que exames? – falei me fazendo de desentendida

- Luíza Bresser, minha amiga, você está só me enrolando, mas você sabe que tem que ir buscar aqueles exames

- Jey, descansa, amiga, isso não é hora de se preocupar comigo – falei tentando desviar do assunto e, mal fechei a boca, Izzy bateu na porta

- Amor, tem presente chegando pra você – ele disse entrando acompanhado de Blake, o assistente pessoal do Axl, que vinha trazendo um buquê de flores quase do tamanho dele

- Que coisa linda! – Jey disse emocionada

- O senhor Rose ficou sabendo do nascimento do bebê – Blake começou a falar – mas, como vocês sabem, ele não tem condições de visita-los hoje, então me mandou trazer essa lembrança – ele disse colocando as flores num canto

- Ele está em casa, Blake?  - Izzy perguntou

- Ele está bem? – eu perguntei imediatamente também

- Bom, como vocês sabem, eu não estou autorizado...

- A dar nenhuma informação sobre o senhor Rose – eu o interrompi completando aquela velha ladainha de sempre e revirei os olhos – essa parte a gente já tá careca de saber, Blake, mas precisamos ter alguma notícia. Todos corremos pra cá e acabamos deixando Axl sozinho.

- É cara – Izzy disse sério – desembucha logo, como o Axl está?

- Bom, o senhor Rose foi pra casa e... – ele gaguejou um pouco – ele nos mandou jogar fora todas as coisas de Seymour e fizemos isso, não demorou e ela apareceu lá como uma louca, mas o senhor Rose proibiu a entrada dela. Seymour chamou a polícia porque Rose não queria deixar que Dylan fosse embora, mas não teve jeito, ele teve que deixar. Alan apareceu lá pra negociar com a polícia e no final deu certo. A polícia foi embora, mas aí teve uma nova confusão porque Seymour atacou a babá, a Beta. Foi então que o senhor Rose teve que intervir novamente. Enfim, teve muita confusão, mas acho que agora a mansão está calma e Beta está com ele lá.

- Nossa! Caramba! – Izzy comentou

- Mas ele parecia mais calmo depois de tudo, inclusive me mandou trazer essas flores – Blake disse

- Não consigo imaginar Axl calmo depois de tudo que aconteceu hoje – Izzy bufou – tenho medo quando ele aparenta calma – Izzy disse virando novamente pra Blake – tem mais alguma coisa que você ache que a gente deva saber, Blake?

- Não, não – ele disse balançando a cabeça – eu tenho que ir, gente – falou e saiu rápido

- Ele está escondendo alguma coisa, Izzy – falei

- Claro que está, eu duvido que Axl fique calmo depois de tudo que ficou sabendo hoje, o pior é que não posso fazer muita coisa, tenho que ficar aqui com meu filho e a Jey – ele disse me olhando como se esperasse alguma coisa

- Não me olha assim, Izzy – falei passando as mãos nos cabelos – eu não vou atrás do Axl

- Luíza, ele está precisando de você – Izzy insistiu

- Eu não sou babá dele, Izzy, aliás, eu já nem trabalho mais pro Guns, esqueceu? – reagi

- Izzy, a Lu tem razão – Jey falou – deixa ela seguir a vida dela

- É, gente, falando nisso, eu preciso ir agora, mas eu vou visitar vocês em casa amanhã – falei dando um beijo na testa de Jey e saí do quarto. Eu detestava quando Izzy fazia aquele tipo de pressão. Tudo bem que Axl era o melhor amigo dele, mas eu não tinha mais nada a ver com isso, que inferno! Só não discuti mais em respeito ao momento deles, mas saí irritada. Quando cheguei à recepção, fui surpreendida por Slash.

- Hã...você ainda está aqui? – perguntei – você não saiu com os outros?

- Não, você veio comigo, lembra? – ele disse se levantando do sofá – Vem que vou te deixar em casa – ele falou já andando pelo corredor

- Obrigado por me esperar, mas eu podia pedir um táxi – falei o seguindo

- Não precisamos dessas formalidades, Lu – ele disse me dando um sorriso desconcertante, daqueles que facilmente derretiam meu coração.

Aceitei a carona de Slash e logo a moto dele estacionou em frente ao meu prédio. Era estranha a sensação de última vez que eu tinha com tudo ao meu redor. Eu já olhava para as coisas como se estivesse me despedindo. No dia seguinte, eu compraria minha passagem para o Brasil e estaria tudo acabado. Toda aquela minha vida seria deixada pra trás. Talvez por isso, quando a moto parou, eu apertei o corpo de Slash contra o meu. Apertei forte, como se não quisesse me descolar dele nunca mais. Ele ficou parado sentindo meu toque e soltou um longo suspiro. Desci da moto e ele também, ficamos em pé, um diante do outro sem saber bem o que falar ou o que fazer. Era estranho, afinal, já havíamos tido todas as conversas necessárias, já tínhamos dito adeus um para o outro, em tese, nossa história estava encerrada, mas havia um sentimento forte ali presente ainda. Sem saber o que fazer, acendi um cigarro e me encostei numa árvore, Slash fez o mesmo e ficamos ambos em silêncio, tragando e olhando para o meu prédio. Até que ele perguntou:

- O que você vai fazer com seu apartamento?

- Bom, ele é alugado, eu pensei em entregar pra imobiliária, mas o Duff se apegou a ele e pediu pra ficar aí – eu ri – ainda fui procurar com ele coisa melhor pra ele comprar, não entendo o Duff não querer logo comprar um apê, mas ele disse que preferia ficar aí porque dava menos trabalho, não achei ruim, pois não vou precisar demorar mais tentando resolver o que fazer com minhas coisas, elas ficam aí e depois eu dou um jeito de buscar – respondi

- Hum...então você não vai sumir de vez? – ele me olhou com alguma esperança – você ainda volta por aqui?

- É possível que sim – falei baixando a cabeça – mas eu espero demorar muito

- Você vai me dizer pra onde vai? Eu vou poder te visitar um dia?

- Slash – falei o nome dele enquanto balançava a cabeça – você sabe que eu não estou só indo embora, você sabe que estou meio que “fugindo”, né? Você já viu alguém fugir e deixar o endereço?

- Hum – ele resmungou baixinho – eu sei que a gente tinha que terminar, mas meu corpo ainda não sabe que tem que ficar longe do seu – ele disse me puxando pela cintura e chegando muito perto de mim. Fiquei quieta. Apenas senti sua respiração no meu pescoço e um longo arrepio me percorreu o corpo inteiro.

- Eu te entendo – falei olhando fundo nos olhos dele – o meu também vai demorar muito pra acostumar com isso e... – antes que eu concluísse a frase, Slash encostou os lábios nos meus. Eu me permiti sentir mais aquele beijo. Adorava os lábios dele nos meus, suas mãos quentes percorrendo meu corpo. Era como um gatilho com conexão direta para as profundezas do meu desejo. Deus sabe como tinha sido difícil passar aquelas semanas sem ele e eu nem conseguia ainda dimensionar como seria passar o resto dos meus dias sem aquilo. Mas eu não podia mais, era fim de linha e isso estava muito decidido pra mim. Pensando nisso, o afastei suavemente:

- Eu preciso ir, estou cansada – falei baixinho

- Eu não posso subir com você? – ele perguntou tocando meu rosto

- Slash, nós não podemos começar tudo de novo, você sabe onde isso vai dar, não sabe?

- Não eu não sei, porque você acha que tudo vai ser sempre igual?

- Porque nada mudou ainda, meu bem – falei tocando na face dele – passou muito pouco tempo e nós ainda somos os mesmos

- Tá, tudo bem – ele disse acendendo outro cigarro – talvez você tenha razão, mas de qualquer maneira eu acho que deveria subir com você – ele insistiu – eu vou ficar preocupado em te deixar sozinha em casa

- Por quê? – perguntei sem entender

- Luíza, depois de tudo que ficamos sabendo sobre Seymour, eu não queria te deixar sozinha, aquela mulher é perigosa e eu vi que ela te ameaçou antes de ir embora

- Sim, eu sei que aquela cobra é capaz de tudo, mas eu sei me cuidar – falei piscando o olho pra ele – se ela aparecer, eu saberei pisar nas duas cabeças da coral

- Ei, Lu, estou falando sério, eu acho melhor eu ficar por aqui

- Eu também estou falando sério, Slash, eu sei me cuidar e sei também que eu e você juntos no mesmo espaço – falei dando uma risada – vai ser meio difícil de controlar

- Tudo bem, como sempre, você que sabe, mas eu volto aqui amanhã cedo pra ver se está tudo certo, ok? – ele disse num tom protetor

- Tudo bem, meu cavalheiro gentil – falei rindo e dando um último beijo nele, antes de atravessar a rua

Como eu queria que minha história com Slash tivesse dado certo, ele podia ser tão perfeito as vezes, eu pensava enquanto me jogava no sofá. Se eu tivesse me apaixonado só por ele, acho que nossa história teria sido maravilhosa, mas a porra do meu coração é um filho da puta indeciso do caralho que afundou de cara no abismo dos olhos de Axl Rose. E contra esse fato eu não podia lutar, o máximo que dava pra fazer era fugir. Coisa que eu já deveria ter feito há muito mais tempo.  Enganei-me quando pensei que podia ser mais forte que aquela tempestade que Axl carregava no olhar. Enganei-me totalmente. Eu que sempre me julguei tão dona de mim, sucumbi. Agora eu percebia claramente como eu tinha ficado a mercê daquela paixão o tempo todo. Slash sempre teve razão, era impossível que eu construísse algo com ele ou com qualquer outra pessoa enquanto continuasse sujeita a largar tudo a qualquer momento pra correr atrás das loucuras do Axl. Com Axl era tudo ou nada. Eu quis tudo, ele não quis e por muito tempo me contentei em cumpri o papel de apenas estar perto dele. Eu inventava mil justificativas, era pela banda, era pelo bem da banda. Não, era por Axl, sempre foi por essa maldita paixão que nunca passou. A fuga era minha única chance de sair daquilo. Eu sabia. Era isso que eu tinha que fazer, amanhã mesmo eu compraria minha passagem para o Brasil, adormeci pensando nisso.

Acordei ouvindo batidas na porta e percebi que tinha dormido no sofá mesmo. Que merda, meu corpo doía um pouco, talvez pela tensão do dia agitado. As batidas continuavam e olhei para o relógio, já eram 3h da manhã. Pensei que era Duff, mas o filho da puta tinha a chave, porque diabos estava batendo? Levantei um pouco zonza caminhando em direção à porta. Já abri xingando:

- Porra, Duff, você perdeu a chave...

Não consegui concluir a frase. Senti um vulto me puxar pelo braço e pressionar meu rosto com um pano. Tentei resistir, bati forte, mas não adiantou, rapidamente, senti o odor de formol invadir minhas narinas e perdi os sentidos...era tarde...tudo ficou escuro...

*********************

Eu estava na beira de um lago, era um lago enorme de água cristalina. Eu batia os pés suavemente na água e sorria. De repente, Axl aparecia, ele me dava um beijo no rosto e depois entrava na água. Eu estava tão feliz. Ele acenava e me chamava pra entrar. Eu dizia que a água estava muito fria e continuava apenas batendo os pés. Uma brisa leve envolvia meu corpo e o sol fazia os cabelos ruivos de Axl brilharem como nunca. A sensação de felicidade era total. De repente, o céu turvou e um vento forte arrepiou minha pele. Em segundos o tempo fechou e comecei a chamar Axl para que ele saísse da água. Ele apenas ria. Levantei o rosto para observar as densas nuvens que se formavam e, quando voltei a olhar para o lago, não vi mais Axl. Eu gritava por ele e não ouvia resposta. As nuvens tinham aspecto monstruoso. Axl não respondia e eu corria de um lado para o outro, desesperada, na mais absoluta solidão. Socorro!! Eu gritava!! Socorro!!

Era um pesadelo. Acordei tentando gritar, mas minha voz não saia. Que porra é essa? Minha boca estava atada. Senti que minhas mãos estavam amarradas e os pés também. Caralho! Era como se eu tivesse acordado de um pesadelo e caído direto em outro. Calma, Luíza! Eu dizia pra mim mesma, é mais um pesadelo, você vai acordar. Mas não era, dessa vez não era, eu podia ver perfeitamente. Comecei a ficar aterrorizada, eu estava numa espécie de cova, estava deitada no chão de areia fofa. Lembrei que eu tinha ido abrir a porta de casa quando alguém me agarrou pelo braço. Comecei a tentar acalmar a respiração pra entender o que estava acontecendo, até que ouvi vozes. Tentei gritar, mas só saiam múrmuros, ninguém conseguiria me ouvir daquele jeito. Comecei a tentar me soltar das cordas, mas logo percebi alguém se aproximando. Procurava desesperadamente ver de onde vinham os passos. Ela riu ao ver meu olhar aterrorizado, aquela maldita.

- Eu disse que teria troco, não disse, queridinha? A boneca só não imaginava que eu seria tão rápida – Seymour falou jogando terra em mim com os pés enquanto ria sentindo um prazer enorme diante do meu desespero. 


Notas Finais


Maldita cobra coral!!!


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