História This Is Not A Bromance - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Jikook, Kookmin, Vhope
Visualizações 25
Palavras 4.211
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Alôoo
Finalmente postei a fic e
Queria dizer que
Eu tô há um fucking mês escrevendo essa fanfic e ainda não terminei, nem sei que rumo vai tomar
Por que eu tô postando então?
Porque esse é o único jeito de eu ter um compromisso com a fic e escrever, porque se não eu fico procrastinando pra escrever e eu quero muito acabar essa fic <3
Então, espero que eu consiga fazer essa fanfic durar e não fracassar igual Dear Psychopath que também era uma fanfic que eu tinha ENORMES planos e no fim não consegui colocar nem metade das idéias no Spirit.
Creio eu, que agora será diferente.
Vai ser o mesmo esquema da outra fanfic, tentarei atualizar todos os dias, mas se caso eu não conseguir, espero que sejam pacientes c:

Bom, sem mais delongas
Espero que gostem <3
Perdoem qualquer erro, pois não revisei e tô com sono :c

Capítulo 1 - Lucky Day


Fanfic / Fanfiction This Is Not A Bromance - Capítulo 1 - Lucky Day



— Está tudo certo. Ok. 5 minutos. — Sussurrei para mim mesmo, ao conferir o horário para sair da escola. 

Soltei um suspiro, sentindo uma forte carga de eletricidade percorrer pelo meu corpo, conforme o tempo passava e cada vez mais perto do momento.

"Eu vou me confessar para ela."

Mordi o lábio inferior, inconscientemente, afim de controlar o nervosismo, uma prova disso era que já estava balançando a perna freneticamente de baixo da mesa.

Ao ouvir o sinal ecoar pela escola inteira, acompanhado de barulhos intermináveis e gritos de adolescentes eufóricos saindo rapidamente das salas, senti meu coração acelerar ainda mais, se possível, finalmente consegui reunir forças para me levantar da classe e seguir para o caminho que havia marcado com a menina que eu estava gostando.

Jennie Kim, uma garota popular, podendo ter qualquer pessoa ao seus pés. Por ser boa em todas matérias possíveis, ter um corpo bonito e ser a líder do time de torcida. O tipo de garota que se encaixaria facilmente no roteiro de um filme americano clichê.

Mesmo assim, me encontrei cegamente apaixonado por ela, mesmo que tivéssemos conversado poucas vezes.

Demorei para aceitar isso, não queria gostar dela por ser óbvio o destino: Não ser recíproco.

Mas o simples fato de ela ter me procurado algumas vezes nas aulas de artes para fazer dupla, apenas porque ela não tinha essa aula com seu grupo de amigas, acabou me fazendo ter alguma esperança e consequentemente, me iludindo ao extremo.

Senti minha garganta secar e todas as palavras que havia formulado em minha mente, sumirem ao ver Jennie​ sentada em um banco da escola com o celular em mãos, me esperando.

— Oi, Jungkook! — Cumprimentou, ao notar minha presença, logo guardando o celular.

— Oi, Jennie. Me desculpe a demora. — Disse, visivelmente nervoso.

— Na verdade, eu acabei de sair também. — Ela sorriu compreensiva, nesse momento senti um leve alívio, que logo sumiu. — O que você queria me falar?

— Ah... Sim. — Novamente, meu coração acelerou. Eu devo ser direto? Jennie se aproximou, demonstrando interesse em ouvir o que eu tinha a dizer. — Eu sei que não nos conhecemos há muito tempo, mas cada vez que nós ficamos juntos, eu senti uma admiração crescer...

— Eu fico tão lisonjeada, ouvindo isso de você. — Ela disse calmamente, sorrindo.

— Sério? Nossa, eu... — Sorri largamente, sentindo uma pontada de esperança. — Eu gosto de você, Jennie. — Disse rapidamente, logo vi seu sorriso sumir. Merda.

— Eu também gosto de você, Jungkook. — Novamente, ela suavizou a expressão e deu um sorriso sem mostrar os dentes. — Você desenha muito bem, é a melhor dupla que eu poderia ter! — Ela tocou meu ombro, num gesto amigável.

— Não, Jennie. — Deixei o sorriso em meu rosto morrer, logo sentindo um aperto do coração. — Eu realmente gosto de você, no sentido... romântico. — Fitei o chão, logo mordendo os lábios, afim de evitar o nervosismo, uma mania feia, eu diria. — Desculpe, eu não...

— Sshh... — Jennie pediu, me abraçando em seguida. Ela está tentando me confortar? Para me sentir menos fracassado?

Logo senti meu corpo formigar, quando em um movimento rápido e suave, seus lábios foram pressionados contra os meus. Me senti assustado, e ao mesmo tempo aliviado. 

Deixei que ela aprofundasse o beijo, mas não durou muito.

— Jungkook, eu... — Ela começou a falar, parecendo tímida. Me senti feliz por alguns segundos, pensando em, finalmente estar sendo correspondido. — Sinto muito, mas eu não gosto de você.

— O que? — Perguntei, estático. — Por que me beijou então?

— Só quis aproveitar. Não leve a mal, você é lindo, mas eu não quero nada sério. — Ela disse em um tom frio, mas soava tão normal.

— Você quer sair comigo? — Perguntei, com o pouco de esperança que ainda me sobrava.

— Não, você não faz o meu tipo. — Ela deu um sorriso, exalando falsidade. Parecia gostar daquilo, de deixar alguém triste.

— Ei, vocês estão juntos? — Ouvi a voz grossa de Tony, o líder do time de basquete. Mais clichê ainda.

— Não, só estávamos conversando. — Respondeu Jennie, já que no momento eu não encontrava forças para sequer me mover.

— Conversando? — Percebi o tom sarcástico em sua voz. Como minha mente ainda está processando algo? — Sobre?

— Ele queria sair comigo. — Disse, convencida. — Está na minha hora. Desculpa, Jungkook. Tchau, Tony! — Se despediu, satisfeita.

— Então você achou que tinha chance com a Jennie? — Questionou, rindo e pousando a mão em meu ombro.

— Não, eu só... — Estava com a voz trêmula, sentindo uma dor inexplicável no peito. — Por que dói tanto? — Perguntei para mim mesmo, levando uma mão ao peito e sentindo meu coração acelerado.

— Ei cara, não exagere. — Pareceu preocupado, mesmo não sendo meu amigo.

— Eu sou apaixonado por ela, Tony! — Me virei para ele, com os olhos transbordardados.

— Ela te rejeitou?

— Não! Primeiro ela me beijou e só depois, de ter me dado esperança, me rejeitou! Por que as meninas são assim?! — Perguntei, irritado enquanto secava as lágrimas com as mãos.

— A Jennie é. Não procure algo sério com ela, ou melhor... — Vi Tony sorrir largamente, antes de acertar um soco em meu estômago, que escureceu minha visão por alguns segundos. — Não procure ela.

— P-por que... — Novamente, fui atingido por um soco no rosto, seguido por um empurrão que me fez bater com as costelas na parede dura de concreto.

— Não fale, Jeon, a Jennie vai te machucar mais! — Disse em um tom sarcástico, continuando a acertar socos e chutes em lugares aleatórios de meu corpo, fazendo-me sentir um efeito retardante em meu cérebro, não sabendo onde estava sendo atingido, apenas sentindo dor de todas as formas possíveis. Não consegui me defender, apenas fiquei onde estava, sentindo meu corpo amolecer a cada pancada que levava.

Minha mente distorcia as palavras que Tony dizia, não me permitindo entender nada, apenas sentindo a mistura da dor emocional com a dor física.

Após longos e torturantes minutos ali, Tony disse mais alguma frase e saiu normalmente.

Fechei os olhos por alguns segundos e recuperando minha consciência que pareceu ter se esvaído. Finalmente consegui me levantar, ainda afetado pelos socos e segui para casa.

Ao chegar, notei a casa vazia, como de costume. O que eu estava esperando? É meio dia.

Subi para meu quarto e fui tomar um banho, quem sabe, melhorasse a cara de fracassado que eu carregava no rosto.

Logo, vesti uma camisa preta, um jeans rasgado e um tênis branco. Deixei meu cabelo por secar e segui para a cozinha. Preparei um almoço rápido, pois não teria muito tempo. Além de ter perdido meu tempo levando um fora, fiz hora extra para levar uma surra. Talvez eu seja o cara mais sortudo do mundo.

Terminei de comer e fui para o banheiro escovar os dentes, na velocidade da luz.

Corri para a sala, pegando minha mochila e vestindo um casaco de tecido fino que se encontrava ali, apenas para esconder as marcas nos braços.

Merda.

Pensei, ao lembrar das marcas. Novamente, corri para o meu quarto e peguei uma base que usava raramente. Me posicionei em frente ao espelho e cuidadosamente, cobri as marcas em meu rosto.

Eu definitivamente sou o cara mais sortudo do mundo.

Não ficou muito bom, mas foi o suficiente para esconder.

Novamente, eu estava correndo pela casa, atrasado.

Peguei minha mochila e saí de casa, encontrando minha bicicleta na garagem. Normalmente eu não uso ela, mas hoje seria uma exceção. Corro o risco de me atrasar mais se for esperar o ônibus, e ele não terá a pressa que eu tenho no momento.

Ao chegar no serviço, encontrei Jin no meu lugar, talvez eu esteja encrencado em dobro.

— Atrasado, Jeon? — Perguntou Lisa, em um tom óbvio ao me ver adentrando o local.

— Eu tive alguns problemas. Desculpe, Jin. — Respondi, seguindo para o closet e vestindo o uniforme. Jin me seguiu, provavelmente querendo explicações.

— O que houve? — Ele perguntou, do lado de fora do closet.

— Escola. — Disse calmamente, enquanto arrumava a gola da camisa. — Pode me ajudar? — Abri a porta, dando passagem à Jin.

— Ficou depois do horário? — Perguntou insistente, enquanto já amarrava o avental para mim.

— Não. Você sabe que isso não acontece comigo. — Sorri confiante, logo me dirigindo ao local de trabalho, deixando Jin sozinho.

— Não estamos com muito movimento hoje. — Murmurei para Lisa que cuidava do caixa.

— Ainda está cedo, você teve sorte. — Disse sorrindo.

— Sorte? Eu realmente preciso de um pouco. — Falei, pegando os papeis com o pedido de alguns clientes.

— Você sabe que de algum jeito, teve sorte. — Respondeu baixinho, se preparando para atender os próximos clientes.

O que eu faço? bom, trabalho em um cafeteria  e o que eu faço é... café. Não é cansativo, chato ou algo do tipo. Até consegui fazer amizade com meus colegas de trabalho, Lisa, Jin e a tia da faxina.

Lisa se encarrega do caixa, Jin faz os pães, bolos, salgados e essas coisas de padaria, também é o dono do lugar. É estranho que ele administre o local e trabalhe ali, mas suponho que ele realmente goste do que faz.

O dia foi tranquilo, a cafeteria acabou enchendo um pouco no período da tarde, mas no fim, amenizou.

Ah, claro. Foi tranquilo até aparecer um grupo de recém-formados cheios de marra.

— Eu quero um expresso! — Disse o mais alto, enquanto recebia alguns soquinhos dos dois que estavam ao seu lado. — O que foi? — Perguntou, irritado.

— Vamos experimentar o novo, Hobi! — Pediu um garoto de sorriso quadrado.

— Não vou abrir mão do meu expresso! — Reclamou o tal de "Hobi".

— Quero o Frappucino de morango! — Interrompeu o menor, de cabelos alaranjados.

— Desculpem meninos, mas o que vai ser? — Perguntou Lisa, visivelmente confusa.

— O meu é um expresso, e pode ser um Frappucino de morango pro baixinho aqui. — Disse o moreno, sorridente. — E você, Tae?

— Eu quero... — Pensou um pouco antes de responder. — Aquele novo, que tá na frente da cafeteria!

— Ah, ok. — Lisa assentiu, escrevendo os pedidos e logo me entregando. — Alguma coisa a mais?

— Eu quero um bolo de morango também! — Novamente o ser de cabelos laranja, se pronunciou.

— Se continuar comendo tanto, vai ficar redondo. — Brincou o mais alto, logo recebendo um olhar mortal do pequeno.

— Eu quero isso. — Disse convencido, ignorando o amigo.

Preparei o pedido dos garotos escandalosos e pedi para Lisa entregar para ambos, que se encontravam fazendo palhaçadas em uma mesa distante.

— Mas eu não pedi isso! — Disse o pequeno, alterado, assim que Lisa chegou na mesa.

— Você pediu sim. — Disse o maior.

— Não! Eu queria de morango! Com chantilly!

— Você não pediu chantilly. — Disse Lisa, calmamente.

— Mas precisa? Não é normal vir? — Perguntou bravo, apontando para o bolo.

— Não. — Lisa segurou a bandeja entre os braços, falando em um tom mais firme. — Você deveria ter pedido.

— Deveria avisar que não vem. — O garoto encarou Lisa, que logo devolveu o olhar.

— Deveria saber. — Ela fez menção de se retirar, fazendo o rosto do menor ficar vermelho.

— Eu quero meu chantilly! — Ele seguiu Lisa até o balcão, logo parando em frente ao mesmo e apoiando as mãos ali.

— Não podemos trocar. — Disse irritada.

— Algum problema? — Me aproximei, afim de evitar que aquilo piorasse, notava-se a faísca saindo dos olhos deles.

— Meu pedido veio errado! — O garoto reclamou para mim, ignorando Lisa.

— Não é verdade, Jungkook! — Se defendeu, chegando mais perto. — Ele pediu e agora quer trocar.

— Não podemos trocar, senhor. — Disse para o garoto, que pareceu se irritar mais.

— Tudo bem! Não troquem! — Colocou um sorriso falso nos lábios e puxou os amigos que se aproximavam. — Perderam um forte cliente! — Disse, já na porta.

— Realmente forte. — Murmurou o mais alto, parando em frente ao caixa. — Desculpem o transtorno, ele é muito temperamental. — Sorriu, entregando o dinheiro.

— Pode ficar, moço. Sequer tocaram nos cafés. — Disse, compreensivo.

— Eu insisto, pelo show do meu amigo. — Não esperou que eu falasse, apenas colocou o dinheiro no balcão e saiu.

— É cada uma que me aparece. — Reclamou Lisa, se dirigindo até a mesa que os garotos estavam, recolhendo as bebidas e o maldito bolo.



No fim do expediente, Jin me chamou para conversar, me deixando nervoso.

— Sim? — Chamei a atenção do mesmo, que guardava suas coisas no armário.

— Nós podemos conversar? Não vou ocupar muito do seu tempo, mas realmente precisamos.

— Eu fiz alguma coisa errada? — Perguntei, me sentando em uma cadeira.

— Não, você é ótimo, Jungkook. O problema é a Lisa.

— Então você não deveria chamar ela?

— Eu já tentei, mas ela não me ouve. Não queria ter de despedir ela, mas já aconteceu tantas vezes. — Disse, inseguro.

— Mas sobre o que você está falando?

— Há uns minutos atrás, eu vi o que ela aprontou no caixa. Era só me entregar o bolo que eu trocava, do jeito que ela está tratando as pessoas, estou perdendo clientes. — Explicou, andando de um lado para o outro. — Acho que ela ouviria você.

— Eu não sei, Jin... — Respondi, pensativo.

— Por favor, você é a única pessoa que consegue conversar com ela sem escândalos.

— Eu vou pensar. — Sorri forçado, logo colocando minha mochila nas costas. — Você poderia simplesmente contratar outra pessoa. — Disse já na porta.

— Está realmente difícil, os jovens não querem trabalhar! — Falou rindo, mas seu semblante preocupado o entregava. Ele não estava achando engraçado, mas se esforçou.

— Sempre tem algum fracassado como eu. — Disse divertido. — Tchau, Jin.

— Até segunda! — Gritou para mim, que já estava saindo da cafeteria.

Eu realmente não queria ir de bicicleta.

Pensei, ao lembrar que havia ido trabalhar com ela.

Bom, não há outra alternativa.

Peguei a mesma, logo subindo e seguindo o caminho para casa.

Não que eu fosse preguiçoso, mas depois de um dia desses, eu só queria me sentar no assento do ônibus, encostar minha cabeça na janela e dormir até chegar em casa.

Mas a vida é feita de desafios, e o meu desafio é chegar em casa vivo.

— Ei. — Ouvi uma voz rouca atrás de mim, me virei rapidamente para ver o indivíduo.

— Eu te conheço? — Perguntei, parando a bicicleta e encarando o homem.

— Não. Sabe me dizer onde fica o ponto dos... — O cara deu uma risada baixa, antes de continuar, logo tirando uma arma da cintura. — Trouxas? Perdeu, cara.

— Hã?! C-como assim? — Nesse momento, senti um calafrio, indicando que coisa boa não era.

— É um assalto, otário! — O homem parecia mais alterado, dessa vez apontando a arma para a minha cabeça.

— O que? — Perguntei, engolindo em seco.

— Você é surdo? O que tem ai? Dinheiro? O celular! Quero tudo que tiver! — Ele me empurrou da bicicleta, por sorte consegui me segurar em uma parede próxima.

Sorte? Não, Jeon, você não tem isso.

— Pode levar, cara! — Falei, dando a mochila para ele.

— Tá tudo aqui? — Perguntou desconfiado, assenti com a cabeça. — Não me enrola não, hein! — Ameaçou, abrindo a mochila.

— Relaxa, tá tudo ai.

— Cadê o celular?! Você não tem? — Reclamou, me empurrando na parede.

— C-como? — Nessa hora, não soube se me sentia aliviado ou mais assustado.

— Ah, que se dane! Me dá essa merda, mesmo! — Rapidamente, ele colocou a mochila nas costas e saiu com a minha bicicleta.

Merda.

— Por que eu fui levantar da cama hoje... — Murmurei, chutando uma pedrinha que estava no chão.

O jeito foi seguir o caminho a pé.

Talvez eu devesse pensar pelo lado bom.

Meu celular não estava na mochila e meu dinheiro também não.

Lembro de ter deixado reservado só a passagem pro ônibus, que se eu tivesse pego, evitaria o assalto.

Perdi minha mochila, mas eu tenho a da escola...

Minhas chaves...?!

Senti meu coração acelerar, rapidamente levei as mãos aos bolsos da calça e comecei a procurar.

Novamente, senti um alívio, ao sentir o objeto metálico em meu bolso.

Poderia ser pior, certo?

Pensei apenas no melhor, tentando não me desesperar.

Mas que dia de merda.

Ao chegar em casa, pela primeira vez, completamente exausto. Procurei pelo meu pai, precisava desabafar.

— Pai? — Chamei em um tom alto, o procurando pela casa. — Cheguei... tive um dia de cão, hoje. — Desabafei, ao ver a porta de seu quarto aberta. — Você nem faz idéia do que... — Perdi a fala ao entrar no quarto e encontrar o mesmo vazio. — Sozinho de novo? — Sussurrei, logo tendo a atenção voltada para um bilhete em cima de sua cama, peguei-o rapidamente e li.

"Não irei para casa nesse fim de semana. Meu cartão está na gaveta do criado-mudo, use-o se precisar de algo ou quiser sair. Eu explico depois.

Beijos, Seu pai. "

— Mas hoje é sexta... — Sussurrei, triste. — E onde você está? — Senti uma pontada em meu peito, segurei o papel com força, o amassando por completo.

Me sentei no chão felpudo por conta do carpete, e comecei a chorar.

— Eu tive um péssimo dia, por que você não está aqui? — Murmurei, em meio aos soluços. — Hoje é sexta-feira, nós tínhamos um compromisso. Era o nosso fim de semana, então... por que eu estou sozinho agora?

Fiquei horas chorando no chão daquele quarto, jogado e despedaçado por dentro.

Tive um dos piores dias da minha vida, perdendo apenas para o dia em que minha mãe morreu.

Até me dar conta​ de que o tempo havia realmente passado e eu não poderia passar a noite ali, então reuni forças de onde eu sequer imaginei existir e me levantei, indo em direção à cozinha.

Preparei uma janta e logo depois fui para o sofá da sala, levando comigo um edredom pesado e perfumado, já que cheiros suaves diminuíam minha ansiedade.

Me joguei no sofá e coloquei para rodar o filme que havia alugado na locadora.

De início, era para ver o filme com o meu pai, já que o mesmo parecia ansioso pelo filme, consequentemente, me fez ficar também, mas a ansiedade logo passou quando percebi que não era tão divertido ver o filme sozinho.

Talvez ele volte hoje.

Pensei, logo pausando o filme e desligando a TV.

Se ele voltar, irá ver o filme comigo e será mais divertido. Vou esperar.

Me aconcheguei no sofá, cobrindo meu corpo inteiro com o edredom, me sentindo protegido.



Já havia passado da meia noite e eu estava lutando arduamente contra o sono que vez ou outra, me obrigava a fechar os olhos por alguns segundos, afim de fazer a exaustão passar.

Entre as piscadas longas, passavam-se minutos que eu pude julgar várias vezes serem segundos.

Quando fechei os olhos pela última vez, já eram quatro da manhã, foi quando eu me convenci que não aguentaria mais ficar acordado, mas ainda tinha a esperança de que meu pai chegasse, então continuei no sofá, para que quando ele chegasse, eu acordasse com o barulho.

Eu estava errado. Acordei com o barulho do meu celular tocando freneticamente na cozinha.

Comecei a bater nas almofadas do sofá, depositando a raiva que estava daquele maldito celular e o fato de ele estar tão longe, mas deixei minha frustração de lado ao pensar que poderia ser meu pai, então, rapidamente me levantei e corri até onde o celular estava.

Um sorriso brotou em meu rosto imediatamente, após ver que era ele.

— Bom dia, filho. — Cumprimentou, após eu atender o telefone

— Oi. — Respondi, tentando parecer indiferente.

— Desculpe.

— Ok.

— Nós conversaremos melhor sobre isso domingo, certo?

— Sim.

— Bom, te liguei porque... tenho uma notícia.

— Qual?

— Eu vou me casar.

— O quê?! — Questionei incrédulo.

— Eu conheci uma mulher e estou apaixonado por ela.

— Não! Você ama a minha mãe! Não pode se apaixonar por outra!

— Jungkook, sua mãe foi a melhor mulher que conheci, mas ela não está mais entre nós então, eu decidi recomeçar e tentar algo novo.

— Novo? Você só pode estar brincando!

— Eu já decidi, vou me casar com ela.

— Não pode!

— Não dificulte as coisas, Jungkook. — Pediu, calmamente.

— Quanto tempo você está com ela?

— Três meses.

— Uau, quanto tempo você teve para se apaixonar e resolver se casar, hein. — Ri nasalado, irônico.

— Eu decido quanto tempo é o suficiente, tudo o que precisa saber é que vamos jantar juntos essa noite.

— Ah, agora você lembrou que tinha um compromisso comigo? — Perguntei sarcástico​, mas me sentindo um pouco melhor.

— Ah, Jungkook, bom... o jantar é com ela. — Respondeu, constrangido.

— Não vou. — Disse de imediato.

— É só para vocês se conhecerem.

— Por que eu iria querer conhecer essa vadia suja? — Perguntei, sem medir as palavras.

— Não se refira à ela assim e, respondendo sua pergunta, é porque vocês vão viver na mesma casa.

— Nunca!

— Ela tem um filho... talvez vocês se dêem bem...

— Ah, você até arrumou alguém para ocupar o seu lugar enquanto você fica com ela? Quanta gentileza da sua parte! — Novamente, respondi sarcasticamente.

— Só achei que você gostaria de ter um amigo mais jovem...

— Achou errado, eu não vou! — O interrompi, irritado.

— Jungkook, por favor..

— Não vou!

Não esperei que ele respondesse e desliguei o celular, bufando.

Meu celular vibrou, notificando uma nova mensagem.

“Vou te buscar às 19h, se vista formalmente. ”

Uma ova!

Pensei, jogando o celular em qualquer canto.


.

.

.


É, havia dado 18h e meu pai me ligou, relembrando que me buscaria em uma hora e que eu iria de qualquer jeito.

Não adiantaria bancar o rebelde, pois mesmo que meu pai fosse calmo, conseguia ser extremamente grosso caso precisasse e eu não gostaria de ver esse lado dele.

Tomei um banho para relaxar os músculos com a água fervendo, como eu gostava e tratei de me vestir com uma roupa bem desleixada. Roupa formal um caralho. Pensei, ao lembrar de meu pai falando.

Vesti uma camiseta social branca que ficava meio larga e uma calça jeans também larga.

— Eu gosto das roupas largas e nem meu pai pode mudar isso. — Disse, me olhando no espelho.

Procurei por minhas Timberland Boots e as calcei.

Escovei os cabelos e novamente, recorri às maquiagens, já que as marcas que Tony havia deixado ainda se faziam presentes em meu rosto.

Sim, seria bom se meu pai visse, mas não as outras pessoas.

Ouvi meu celular tocar, logo presumi que fosse meu pai, já que o relógio marcava cinco minutos para as sete horas.

Apenas desliguei-o e guardei o mesmo no bolso, desci as escadas e fui ao encontro de meu pai que estava no portão.

— Oi. — Cumprimentei sério, mas logo um sorriso ocupou meus lábios ao perceber o traje de meu pai.

— Eu disse para vestir-se formalmente. — Repreendeu-me, sério.

— E me vestir assim? — Apontei para suas vestes e comecei a gargalhar. — Minha camisa é social, veja como estou me esforçando!

— Certo, pelo menos feche todos os botões.

— Está calor hoje, vou deixar assim. — Disse orgulhoso, indo para o carro.

— Que seja. — Bufou, logo entrando no carro e dando partida. — Você vai gostar dela.

— O que ela tem demais? — Perguntei, entendiado.

— Ela é carinhosa e me faz bem, só isso já conta muito. — Respondeu com um enorme sorriso no rosto. — Sei que você vai me entender, mesmo que demore. — Disse compreensivo.

— Qual o nome dela? — Perguntei, tentando parecer interessado.

— MiJeong. Park MiJeong. — Disse orgulhoso. — Seu filho se chama Jimin, como eu disse, acho que vão se dar bem.

— Você já conheceu ele?

— Sim, ele é um bom rapaz, pelo menos quando eu estou perto.

— Então eu sou o último a saber. — Ri incrédulo, um pouco triste.

— É que você é o mais difícil de lidar, isso tudo é novo para mim também.

— Eu vou tentar ser fácil de lidar, apenas quero continuar tendo o meu espaço.

— A casa só vai ter um cômodo a mais sendo ocupado.

— O quarto que era para ser do meu irmão. — Murmurei, triste.

— Sim. — Respondeu em um tom baixo e triste. — Bom, chegamos.

Sai do carro e esperei meu pai para entrar no local. Ele havia escolhido um restaurante de luxo, por motivo desconhecido e esses lugares me deixavam um tanto ansioso e nervoso, pois mesmo que eu tenho sido criado numa família classe média-alta, nunca tive a tal “classe”.

— Eles estão nos esperando lá dentro. — Disse meu pai, ajeitando o terno horrível que vestia, apenas ri em resposta, claramente nervoso.

Entramos e rapidamente senti uma penca de olhares sobre​ mim.

Certo, eu estou arrependido de ter vindo assim.

Segui meu pai até a mesa, já que eu não fazia idéia de onde estava.

Assim que cheguei na mesa, gelei ao ver o menino ruivo que havia dado um show no meu serviço, sexta-feira.

— Olá, Jeon! — Cumprimentou a mulher, com um sorriso sincero nos lábios.

— O-olá. — Cumprimentei nervoso, desviando o olhar do ruivo que sequer tinha notado minha presença, pois estava ocupado demais em seu smartphone.

— Eu sou MiJeong, e esse é o meu filho viciado em internet. Desculpe. — Pediu constrangida, cutucando levemente o garoto.

— Ah, desculpe mãe, eu... — Vi um sorriso tímido em seu rosto, que se desmanchou logo que o garoto se virou para mim. — Sou Park Jimin. — Disse sério, estendendo a mão para um cumprimento.

— Jeon Jungkook. — Respondi, retribuindo.



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