História This is what it takes - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Boruto Uzumaki, Mitsuki
Tags Boruto Mitsuki
Visualizações 147
Palavras 3.650
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sejam bem-vindos a mais uma fic das competições do Delipa19 (Dessa vez MUITO atrasada) e essa aqui é com o tema Caindo ao som de sweet dreams (que é como seu psicológico vai ficar ao final dessa fic). Espero que gostem e boa leitura!

Capítulo 1 - Me deixe ser aquele que aguenta a dor


Boruto estava tendo um dia ruim.

 

Não que ele fosse uma pessoa do tipo que anda sempre mal humorada, mas aquele dia já havia começado ruim e só piorava. Ele achou mais uma foto da mãe da irmã guardada em uma caixa e isso o irritou. Seu pai, como sempre, não estava em casa para que pudesse gritar com ele e botar sua raiva para fora, o que o irritou mais. Tomar café da manhã sozinho fez a perda parecer bem maior, ou só o fez perceber que podiam ter se passado dois anos e meio e mesmo assim a dor não havia diminuído nem um pouco, apenas havia se camuflado em sua rotina e, por vezes, passava despercebida.

 

Quando finalmente chegou na escola, sua prima, Sarada, também estava de mal humor. Ela não conseguia aceitar a separação dos pais tanto quanto Boruto não conseguia aceitar a morte da mãe e da irmã mais nova. Ambos odiavam e culpavam, de forma nem tão secreta assim, seus pais pelas duas situações. Eles geralmente conseguiam alternar seus dias ruins e dar suporte um para o outro, mas os dias em que ficavam mal juntos eram os piores para todos a sua volta.

 

Talvez por isso Boruto tenha demorado para perceber que, pela primeira vez em quase cinco anos de convívio, Mitsuki, seu melhor amigo, também estava tendo um dia ruim. Em sala de aula, ele estava preocupado demais debochando dos professores ou dormindo para não ter de aguentar as aulas chatas. Quando foram para a quadra jogar queimado, ele mostrou sua raiva nas marcas vermelhas que deixou em seus colegas de classe, ocupado demais sentindo raiva para perceber que nenhum deles tinha culpa de suas frustrações, até que o professor finalmente o expulsou do jogo. Foi então que ele percebeu que, incomumente, Mitsuki havia ficado no banco daquela vez. Os cabelos lisos e tingidos de azul claro que Boruto tanto amava no amigo estavam bagunçados e sem vida, cobertos quase que por completo pelo capuz preto do casaco de moletom que ele usava. Seus olhos verdes estavam perdidos em algum canto da quadra e sua cabeça em algum planeta distante.

 

-Hey, Mitsuki! Porque não veio jogar comigo hoje? -Boruto tentou botar um sorriso natural para animar o amigo, mas esse, como sempre, nunca se deixava enganar pelos seus falsos sorrisos.

 

-Porque você não estava jogando, estava descontando sua frustração nos corpos de outras pessoas. E eu sei que você vai se sentir mal por ter feito isso depois. Hoje é um dia ruim.

 

Boruto se calou com as verdades naquelas palavras e apenas se sentou ao lado de Mitsuki, com um suspiro.

 

-Você tem razão. -resmungou. -O dia hoje tá uma merda. Mas eu to sentindo que você ta meio estranho… Aconteceu alguma coisa?

 

Mitsuki estava prestes a responder, provavelmente alguma desculpa para despreocupar o amigo, quando Boruto, sem querer, deixou sua mão roçar nas costas dele e Mitsuki se encolheu de dor.

 

O dia estava mesmo cada vez pior.

 

-Mitsuki… Ele te bateu de novo?

 

O de cabelos azuis desviou o olhar, mas sorriu de lado.

 

-Sim. Mas dessa vez foi diferente.

 

-Diferente como?

 

Mitsuki se virou e encarou os olhos azuis de Boruto.

 

-Eu vi minha mãe ontem, Boruto. E ela nunca me abandonou.

 

Boruto parecia ter levado um soco com a informação. O pai de Mitsuki, um cientista arrogante chamado Orochimaro, o criou sozinho desde bebê e havia contado a seu filho que a mãe dele nunca o quis e preferiu abandoná-los a cuidar dele. Mitsuki nunca havia cogitado questionar essa informação… Pelo menos não até uma mulher abraçá-lo na rua, aos prantos, se dizendo sua mãe e contando como seu pai a havia impedido de vê-lo e sumido com ele logo após seu nascimento.

 

-Vamos pra minha casa. Agora. -Boruto se levantou e segurou a mão de Mitsuki. -Eu vou cuidar dos machucados nas suas costas, que devem estar horríveis e você vai me contar essa história direito.

 

Mitsuki perdeu um segundo encarando a mão de Boruto entrelaçada com a sua antes de se pôr de pé e seguí-lo em silêncio.

 

Durante todo o caminho a pé até a casa de Boruto, nenhum dos dois disse uma palavra. Também não soltaram as mãos.

 

Já no quarto de Boruto, Mitsuki sentou-se na cama do amigo enquanto este pegava o kit de primeiros socorros no banheiro. O de cabelos azuis já havia dormido ali várias vezes, assim como passado tardes jogando vídeo game com Boruto. Por um lado, estar ali o dava uma estranha calma para contar o que lhe havia acontecido. Por outro, fazia a confusão de sentimentos que sentia pelo melhor amigo borbulhar com tanta força que parecia cobrir todos os seus outros problemas.

 

-Já peguei tudo! -Boruto voltou ao quarto com uma pequena caixa branca de plástico e sentou-se atrás do amigo na cama. -Tira a camisa pra eu desinfetar isso.

 

Os dedos de Mitsuki hesitaram um pouco na ponta da camisa.

 

-Tá tão ruim assim? -a voz de Boruto não era mais alta que um sussurro.

 

Mitsuki não respondeu, apenas puxou a camisa e ouviu o arfar do loiro.

 

Boruto observou, espantado, as linhas quase carne viva nas costas do amigo. Eram muitas e irregulares, o que mostrava que Orochimaru deveria estar com muita raiva. Sem dizer uma palavra, Boruto abriu a caixa e tratou de cuidar dos machucados de Mitsuki, enquanto o deixava a vontade para falar só quando e como quisesse.

 

-Ela disse que não me abandonou. Me contou que conheceu meu pai na faculdade e que ele se aproveitou de um dia em que ela estava bêbada para abusar dela e foi assim que ela… Engravidou de mim. -Mitsuki sentiu a gaze com remédio encostando em uma de suas feridas, mas a dor estava tão mesclada por outras piores que não incomodou. -Ela falou que meu pa… Orochimaru fingiu que gostava dela e que a ajudaria a me criar e os dois planejaram tudo. Ele estava prestes a se formar e tinha muita influência, então a ajudou arrumando os médicos e até o hospital onde foi o parto. Até o dia em que eu nasci e ele simplesmente desapareceu comigo. Ela… Me procurou. Ela me queria de verdade, como um filho, não como uma… Experiência de laboratório, um protótipo de filho perfeito. E ele a enganou, a fez assinar sem saber papéis que afirmavam que ela não queria a minha guarda e sumiu do hospital comigo.

 

Boruto, que estava calado até então, decidiu perguntar o que não saia de sua cabeça desde o ginásio da escola, enquanto voltava a passar outra gaze mergulhado em remédio nas costas dele.

 

-E se ela estiver mentindo? Já pensou nisso?

 

-... Já. Milhões de vezes. De uma certa forma, eu queria que ela estivesse mentindo. Mas eu sei que ela não está. Eu conheço Orochimaru, sei do que ele é capaz e… Eu vi nos olhos dele quando ele nos encontrou conversando na rua. Ele a humilhou na frente de todos e me arrastou embora. E, quando chegamos em casa e eu disse que acreditava nela, ele fez isso.

 

Sem sabem muito bem o que dizer depois disso, Boruto apenas continuou cuidando do amigo em um silêncio confortável.

 

-Pronto, terminei! - avisou Boruto, já guardando o resto do material de volta na caixa. -Bom, se você acha que ela realmente está falando a verdade, então precisamos conversar com ela sobre pedir a sua guarda. O idiota do novo namorado do meu pai é advogado, ele tem que servir pra alguma coisa. -resmungou o loiro.

 

Como se não bastasse todo o ódio que Boruto já vinha sentindo pelo pai depois da morte da mãe e da irmã, a cinco meses ele havia anunciado estar saindo com um cara e agora os dois estavam oficialmente namorando. Boruto odiava a ideia de seu pai ficando com um homem pra esquecer sua mãe, como se ela não valesse nada. Como se ela nunca tivesse importado. Uma parte de sua mente o culpava de estar exagerando e sendo um tanto egoísta, mas ele a ignorou.

 

-Eu pensei que você odiasse esse cara. Por que vai pedir um favor a ele? -Mitsuki conhecia bem Boruto e sabia que ele não era do tipo que engolia seu orgulho com facilidade.

 

O loiro apenas deu de ombros e terminou de guardar as coisas no banheiro, jogando fora as gazes usadas antes de retornar ao quarto e se sentar ao lado de Mitsuki novamente. O silêncio tomou conta do quarto por alguns minutos, mas era o tipo de silêncio confortável que ambos já estavam acostumados. O de cabelos azuis estava perdido em pensamentos, ainda tentando entender como tudo em sua vida havia desmoronado de um dia para o outro.

 

Ele despertou quando sentiu os dedos de Boruto, hesitantes, se entrelaçarem aos seus. Virou-se para encarar o loiro, que tinha as bochechas coradas e fazia questão de encarar a parede do quarto como se esta fosse a coisa mais bonita do mundo… Quase da forma como Mitsuki olhava para si.

 

-Se for por você, eu acho que consigo falar com ele sem tentar estrangulá-lo… Eu acho. -ele riu, desconcertado.

 

Mitsuki não respondeu. Ao invés disso, levou sua mão esquerda ao rosto de Boruto e o puxou delicadamente em direção a si. O loiro abriu a boca, na tentativa de balbuciar algo, mas foi impedido pelos lábios de Mitsuki, que juntaram-se aos seus em um beijo.

 

Beijo roubado. Mas que foi correspondido, mesmo que de forma hesitante. Os dedos de Mitsuki se entrelaçaram com os cabelos loiros da nuca de Boruto, que se arrepiou por inteiro e separou os lábios por instinto, ao que Mitsuki aproveitou para roçar a ponta da língua devagar por eles, antes de adentrar a boca do loiro.

 

Foi um beijo inexperiente, de dois garotos de dezesseis anos, mas eles teriam tempo para conhecer o ritmo um do outro. Boruto ainda estava atordoado, perdido no misto de novas sensações, principalmente a que retumbava em seu peito a cada novo toque que Mitsuki dava em seu corpo. Já de cabelos azulados era puro fogo, depois de tanto tempo sem poder tocar Boruto como queria, mais do que como amigo, mas como amante. Ele tinha sede, tinha fome… Ele queria mais. Muito mais.

 

Mitsuki passou suas pernas por cima das de Boruto e sentou-se no colo do loiro. Boruto hesitava em tocá-lo, já que as costas de Mitsuki estavam machucadas, mas esse não se importou em direcionar as mãos do loiro para sua bunda, antes de voltar a beijá-lo com intensidade.

 

Foi então que a sensação de pânico em Boruto cresceu e ele empurrou Mitsuki para longe o mais delicado que conseguiu. O silêncio que tomou conta do quarto, mas ele não era confortável como o anterior. Era pesado, quase tóxico. O coração do loiro batia tão rápido que ele sentia ímpetos de sair correndo, gritar e voltar a beijar Mitsuki ao mesmo tempo. Mas, antes que pudesse decidir o que fazer em seguida, Mitsuki saiu de cima dele, pegou sua camisa e o casaco e saiu da cama. Sabia que tinha passado dos limites, afinal, sempre suspeitou que Boruto fosse hétero. Talvez ele fosse apaixonado pela Sarada. E ele nunca soube lidar com bissexualidade do pai. É, Boruto com certeza o odiava agora e era tudo culpa sua.

 

O dia estava sendo tão merda que havia batido recorde. Ele não só estava com seu emocional no chão; Estava com ele caindo de um penhasco ao som de sweet dreams.

 

Antes que pudesse sair do quarto e se jogar na frente do primeiro carro que visse, Boruto correu e segurou seu pulso com força.

 

-Eu… Eu gosto de você, idiota! É só que… Rápido demais. -Boruto parecia um tomate de tão vermelho. Não era fácil confessar seus sentimentos para o melhor amigo, ainda mais quando ele havia entendido tudo errado. -Eu quero ficar com você, mas… Não assim, entende? Você precisa estar bem.

 

A voz do loiro foi diminuindo a cada palavra e Mitsuki podia sentir a mão dele tremendo em seu pulso. Ele havia entendido tudo errado, no fim das contas. Seria possível que Boruto o amasse do jeito como ele o amava e só tivesse o mesmo medo de dizer que ele tinha?

 

-Você tá rindo? -o loiro estava confuso, mas ouviu claramente um risadinha vinda do de cabelos azuis. Não podia ter certeza porque este estava virado para frente e não o encarava.

 

Então Mitsuki se virou e encarou Boruto, os olhos verdes nos azuis. Mitsuki carregava um leve sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. Boruto nunca o tinha visto chorar.

 

-Boruto… Idiota. Se você me assustar assim de novo eu mato você, entendeu?

 

Então Mitsuki finalmente desabou. Depois de toda a dor de descobrir que não tinha uma mãe porque seu pai assim quis, depois de todo o sofrimento que Orochimaru o fizera passar ele finalmente desabou. E, o mais estranho é que sabia que o que o levara ao seu limite não foram os sentimentos ruins, mas sim saber que, no fim das contas, não estava tão sozinho quanto imaginara. Ele tinha Boruto e isso era tudo que ele precisava.

 

O loiro apenas o puxou até a cama em silêncio e entrelaçou seu corpo ao dele como se ele fosse um escudo, pronto para proteger Mitsuki de todas as merdas da vida. O de cabelos azuis se permitiu desmoronar na frente dele, chorando com o rosto enterrado ao ombro de Boruto, que apenas afagava seus cabelos com delicadeza e, por vezes, o beijava ali com uma devoção apaixonada. O amava. O amava tanto que doia. Mas aquela era a menor das dores que suportaria por ele.

 

Quando percebeu que Mitsuki havia parado de chorar, Boruto acabou relaxando e se permitiu cochilar. Mitsuki riu baixinho ao sentir a respiração calma do loiro em sua nuca e tentou se libertar dos braços deste sem acordá-lo, sentando-se ao lado do corpo adormecido deste de pernas cruzadas. Ao encarar Boruto, não pode deixar de notar, pela milionésima vez, como ele era lindo. E nem fazia ideia disso. Mesmo com os cabelos loiros bagunçados, calça de moletom cinza e uma camisa rosa gasta, ele continuava parecendo um modelo da Calvin Klein.

 

Mitsuki riu com os próprios pensamentos e não resistiu a vontade de acariciar os cabelos loiros do… Seria muito cedo para chamá-lo de namorado, mesmo que em seus pensamentos? Enquanto olhava Boruto com devoção, se lembrou de uma música que esse o mostrara uma vez e ele nunca foi capaz de esquecer, pois dizia tudo que ele sempre sonhara em dizer ao loiro. Cada palavra parecia saída de seu coração.

 

-I watch your troubled eyes as you rest, and I fall in love with every breath. Wonder if those eyes are really shut and am I the one you're dreaming of? -ele sussurrou, seus olhos ainda presos na calma expressão de Boruto, que parecia dormir, alheio a si e seus sentimentos que transbordavam em cada palavra. -'Cause underneath the darkness there's a light that's trying so hard to be seen. And I know this 'cause I've noticed a little bit shining through the seams.

 

Mitsuki estava tão distraído que não percebeu quando Boruto acordou e acabou se assustando quando esse segurou sua mão e entrelaçou os dedos nos dele.

 

-And if this is what it takes, then let me be the one to bear the pain. -o loiro cantou, com a voz rouca e um sorrisinho de lado, enquanto olhava docemente para Mitsuki. -Oh, if this is what it takes… I'll break down these walls that are in our way. If this is what it takes.

 

.

.

.

 

Naruto chegou em casa tentando fazer o mínimo de barulho possível para não acordar Boruto, mesmo que soubesse que o quarto dele era no segundo andar e isso era praticamente impossível de acontecer. Havia chegado mais tarde que o comum, já que finalmente conseguira tempo para sair com seu namorado, mesmo que fosse apenas algumas tequilas em um bar qualquer. A vida de policial era muito estressante e nem mesmo seu melhor amigo Sasuke, a quem ele considerava como um irmão, conseguia aliviar a barra algumas vezes. Até porque os dois estavam igualmente na merda nos últimos tempos, então não estavam muito promissores em animar um ao outro. Felizmente, com Gaara era outra história.

-Você chegou tarde. Tava’ trepando com seu namorado? -a voz de Boruto o pegou de surpresa.

 

O adolescente estava sentado no sofá da sala, com um prato de bolo na mão e uma lata de coca-cola no chão. Um lanche bastante saudável para três horas da manhã.

 

-Você já deveria estar dormindo, Boruto. Você tem aula amanhã. -Naruto suspirou, sem energia para a provável discussão que sentia estar por vir com o filho. - O que faço ou deixo de fazer com meu namorado não é da sua conta e não usamos a palavra “trepar” nessa casa. A não ser que queira ficar de castigo, é claro.

 

Cheque mate.

 

Boruto apenas revirou os olhos e voltou a comer seu bolo. Naruto aproveitou para ir na cozinha e se serviu do mesmo que o filho. Teria um longo dia de trabalho em apenas poucas horas e sentia que um pouco de glicose cairia bem depois do álcool ingerido. Sentou-se ao lado de Boruto, que parecia estranhamente quieto. Não sabia desde quando falar com ele se tornara tão difícil, mas tinha medo até de perguntar como ele estava, as vezes. Tudo era motivo de discussões, de raiva, gritos… Ele estava sinceramente cansado.

 

-... Eu… Queria conversar com você.

 

Naruto quase engasgou com o bolo, mas tentou disfarçar a surpresa.

 

-O que houve? Aconteceu alguma coisa?

 

-O Mitsuki… Ele ta dormindo aqui hoje. -Boruto ficou subitamente corado e desviou o olhar.

 

Naruto demorou uns segundos para entender e, quando entendeu, agradeceu por não ter nada na boca ou teria cuspido longe, com certeza.

 

-Você e o Mitsuki… Bem, vocês… -Naruto hesitou por um momento, então decidiu fazer o de sempre: tacar o foda-se e falar a primeira coisa que vinha a sua mente. -Vocês usaram camisinha né?

 

Boruto deu um pulo no sofá que quase o fez derrubar a lata de coca.

 

-O que?! Não! Quer dizer, não fizemos… Quem você pensa que eu sou?! Ele literalmente está só dormindo aqui! -Boruto acabou gritando antes de se controlar para não acordar Mitsuki.

 

Naruto se segurou para não rir com muito esforço e levantou os braços em rendição.

 

-Okay, cara! Desculpe se eu entendi errado, mas você geralmente me avisa antes quando isso vai acontecer. - “E nem fica nervoso e corado quando me conta sobre isso” acrescentou, em pensamentos. -Foi mal se eu entendi que vocês estavam juntos.

 

Boruto ficou mais vermelho ainda e desviou o olhar.

 

-Na verdade, a gente meio que ta junto. -resmungou, ainda sem encarar o pai, que ficava cada vez mais surpreso e confuso com o rumo da conversa. -Mas não é por isso que ele ta dormindo aqui. O pai dele bateu nele de novo e dessa vez foi sério.

 

Como uma forma de mudar o rumo da conversa, e também porque ele realmente precisava de ajuda, Boruto contou toda a história ao pai. Naruto estava surpreso (mas não tanto) com a notícia de seu filho e Mitsuki, mas a história sobre Orochimaru o deixou realmente puto.

 

-Eu não só vou processar como quero prender esse filho da puta! Ele estuprou a mãe do Mitsuki, fez alienação parental e o impediu de crescer tendo uma família por puro egoísmo! Pode contar comigo, Boruto.

 

-Só não fala essas coisas na frente do Mitsuki, ta bem? -pediu Boruto, meio encabulado ao receber a atenção do pai daquela forma. -Ele ta sofrendo muito com isso e não acho que falar mal do Orochimaru na frente dele vá melhor alguma coisa.

 

-Sem problemas… -Naruto hesitou um pouco antes de continuar, tentando pensar em uma forma menos direta de abordar o filho. -Então… Você e o Mitsuki estão namorando?

 

Boruto corou e desviou o olhar novamente, mas sabia que não poderia continuar fugindo do assunto.

 

-Oficialmente, não. Mas eu vou pedir ele em namoro ainda essa semana. Não quis fazer isso hoje porque ele tá muito mal e eu nem comprei as alianças ainda…-Boruto começou a resmungar, ao que Naruto começou a gargalhar sem parar. -Tá rindo do que, idiota?!

 

-Quem diria que você é cafona e romântico que nem seu pai! Eu também comprei um par de alianças quando fui pedir sua mãe em namoro e agora…

 

O assunto Gaara. Naruto não conseguiu terminar a frase. Sabia onde ela ia dar: briga. Sentiu Boruto ficando tenso ao seu lado e suspirou. Não aguentava mais aquela birra e sabia que devia e iria botar um ponto final nisso.

 

-Você já sabe quando exatamente vai pedir ele em namoro?

 

-Hã, provavelmente no sábado. Amanhã ainda é sexta e acho que posso passar no shopping depois da aula.

Naruto se levantou e encarou o filho com seriedade.

 

-Ótimo. Vou te dar meu cartão pra você comprar as alianças, aceite como um presente pelo namoro de vocês. -Boruto iria agradecer quando Naruto levantou o dedo e o silênciou. -Mas não é só isso. No domingo, vocês dois irão jantar comigo e com Gaara aqui em casa e eu não aceito não como resposta. Isso se você quiser a minha ajuda e, é claro, a do meu namorado.

 

O rosto de Boruto ficou de tantas cores com a raiva que Naruto sentiu que a qualquer momento ele iria explodir. Mas, pelo visto, ele realmente amava Mitsuki, já que engoliu os mil palavrões em sua língua e apenas se levantou puto da vida e foi marchando para cozinha sem olhar para Naruto.

 

-Tá. Mas não espere que eu seja legal com ele. Nem com você, pra falar a verdade.

 

Naruto apenas balançou a cabeça e riu baixo.

 

A primeira batalha fora vencida. Mas ainda faltava toda uma guerra.

  


Notas Finais


Quem gostou bate palma e pode ficar feliz porque vai ter continuação (com lemon) e quem não gosto paciência. Nem Jesus agradou todo mundo né nom? Até a próxima!


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