História Thunderstorm - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Styles
Visualizações 27
Palavras 3.756
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello pessus!
Sei que dei uma demorada, mas cá estou para lhes atualizar. Lembrando que: as coisas de um lado estão se encaixando mas por outro lado elas se embolam. Espero que entendam e falo mais nas notas finais.

Boa leitura! ❤

Capítulo 12 - Intrigante


Confusão

 

Pela janela do quarto, Bower analisava a movimentação na praia enquanto Harry estava no banho, haviam tochas enterradas na areia para iluminar a noite, um pequeno palco improvisado com algumas pessoas arrumando instrumentos sobre ele e outras arrumavam barracas com comidas tropicais. Valentine não aproveitara nem um pouco desde que tudo lhe aconteceu como estava aproveitando naquele final de semana com Harry, mesmo que de forma simples e era ótima a sensação de estar viva.

Sentiu uma brisa leve entrar pela janela e passar por seus cabelos, movimentando-os para trás de seu colo, lhe dando mais um pouco de sensação de liberdade ao sentir que o vento batia contra seu colo e ombros quase nus, pelas finas alsas de sua blusa. Fechou os olhos por alguns segundos escutando o barulho das ondas do mar e conseguiu ser tocada pela constante liberdade. Era livre naquela noite para fazer o que quisesse, dançar sobre os pés descalços ou beber o que quisesse, afinal, ninguém a privaria de nada. Sabia que seria diferente das outras vezes em que saíra sempre acompanhada de seus pais ou tios, ela estava com alguém que gostava e que, consequentemente por ser H, lhe deixara tão livre como sempre quis.

As mãos dele tocou a pele pálida de seus ombros e depositou um beijo suave em seu pescoço, fazendo-a sentir rapidamente todos os seus pêlos eriçarem. Virou para Styles, agora sentindo a brisa bater contra suas costas vindo da janela, e passou os braços em volta da cintura dele, roçando seus narizes. Harry estava contente por tê-la ali, por aproveitarem durante o dia a praia e o sol, bons filmes que passaram na 'tevê e por Bower fazê-lo feliz em momentos tão complexos como: estar prestes a voltar a delegacia e dar depoimentos.

Então, ele a beijou suavemente.

Algum tempo depois caminhavam sobre a areia, rumo ao luau do folheto que receberam mais cedo. Já escutavam o som alto ecoar, mas isso não os faziam ficar tão surdos quanto em uma balada. H, acidentalmente, esbarrou a mão na de Valentine e rapidamente ela a segurou, no intuito de que ele permanecesse com ela. Não compreendia o motivo, mas Bower tinha um certo receio de ficar sozinha naquele local, talvez fosse seu maldito pessimismo batendo na porta novamente.

Durante algum tempo, ficaram conversando, tomavam bebidas diferentes e alcóolicas que serviam no luau e balançavam seus corpos ao som de alguma banda ao vivo. Entretanto, alguns colegas que Styles conhecera em suas idas para aquele lado da cidade, lhes abordaram. Eram rapazes altos, bem vestidos e com assuntos que variavam das novas construções próximas à praia até suas faculdades, enquanto Harry afirmava estar trabalhando com Robin e não havia pensado no que cursar, apesar de ter iniciado economia mas desistido.

Valentine não se sentia muito à vontade no meio deles, ora ou outra observava o mar, ou a multidão de pessoas, mesmo sendo todos eles bastante gentis. Pediu licença aos amigos de Harry (e Harry) e foi até uma barraca com diversos espetos de frutas, analisou alguns e antes que pudesse escolher um, sentiu a forte presença de alguém atrás de si. Por um instante pensou que fosse Harry já em seu encalço, afinal ele percebera seu desconforto quanto aos rapazes, mas ele não usava um perfume tão doce como aquele e longe de ser tão suave. Girou os pés sobre a areia e deu de cara com Melanie; a suposta namorada de Jordan.

Engoliu seco sentindo-a fitar seus olhos com forte precisão e tremeu por dentro. Bower era tão fraca quando tratava-se de seus medos...

— Como está sendo o luau, Bower? — Seu tom coberto de ironia e, é claro, indicando que ela não se importava nem um pouco com o que Valentine achava sobre aquela festa fora cortante e medonho para Tine.

Valentine pigarreou trocando o copo de bebida de uma mão para a outra e a olhou firme. Não havia motivo para o tremelique de suas mãos e pernas. Não mesmo.

— Está sendo legal. — Disse com a voz meio trêmula. Detestaria ter que conversar com uma pessoa cega como Melanie Edwards sobre todos os acontecimentos. E, por mais que ali não fosse o ambiente propício, sabia que a outra lhe encheria a cabeça por causa de Jordan.

— Harry é como Ethan. — Ela começou e Bower suspirou olhando-a nos olhos, já sentindo-se exausta com aquele começo de assunto.

— Com licença. — Tentou passar por ela, mas Edwards a impediu parando novamente em seu caminho. 

— Saiba que Harry já deu em cima de mim diversas vezes assim como Ethan. — Disse Melanie com o sorriso preso em seus lábios e ajeitou os cabelos tornando-se superior à Valentine com o olhar. Ela era intrigantemente bonita. — Você está sendo iludida, Bower.

— Melanie, eu não me importo, afinal, Ethan está morto e Harry é apenas um amigo. — Foi duro dizer todas aquelas junções em uma frase só, era como se seu coração começasse a ficar grande demais e impedisse sua respiração de circular. Melanie a encarou rindo e respirou fundo, como se estivesse vendo Valentine desmoronar por completa em sua frente.

— Jordan está preso por uma denúncia anônima. — Ela disse a última palavra com ar de não convencida encarando Valentine nos olhos. — Sabemos que a denúncia veio de você. 

— Por favor, me dê licença. 

— Valentine, eu vou acabar com você.

Melanie a empurrou e a fez cair sobre a areia. Ainda tonta com a queda, Valentine tentou colocar-se de pé sentindo toda sua blusa molhada grudar em sua barriga pela bebida de seu copo, mas a outra lhe parecia tão decidida no que faria que montou sobre ela e começou a puxar seus cabelos. Bower, então, inicou sua defesa e seus gritos de socorro, até a garganta arder e arranhar engasgando-se cada vez mais.

Imediatamente algumas pessoas começavam a gritar abanfando o pedido de socorro de Valentine e ela sentia o desespero aflorar em seus poros. Estava envergonhada demais ao tentar proteger-se dos tapas de Melanie sobre seu rosto, mas, ainda mais, nervosa com sua incapacidade de lhe dar bons tapas para que parasse com aquele ato idiota e que não a levaria a nada. 

Logo, a garota foi tirada de cima dela, totalmente vermelha e proferindo palavras de ódio contra Valentine, que ainda estava atordoada demais para ter forças para se levantar. Contudo, Harry aproximou-se dela, pegando-a pelos ombros e ajudando-a a reestabelecer-se sobre seus pés novamente. Tentava arrumar os cabelos extremamente bagunçados e cheios de areia, fazendo um coque alto com as mãos trêmulas e, em seguida, passou os dedos no pescoço que ardia pelos arranhões que tinha, tentando engolir pela garganta seca.

— Melanie, você enlouqueceu?! — H gritou com a outra que ainda olhava com fúria para Valentine.

— Ela é uma assassina, não Jordan!

— Cala a boca! — Harry gritou ainda mais alto contra Melanie e todos se assustaram com a situação, principalmente Valentine. Virou para ela que tremia descaradamente e fitou-a vendo seus olhos extremamente cheios de lágrimas. Ele a puxou para um abraço e sentiu sua camisa branca molhar em seu peito direito, onde ela estava com a cabeça enterrada, deixando na camisa a marca do rímel.

Adentraram em casa e Valentine não estava nada bem. Pensava em quantas pessoas haviam lhe visto daquela forma, nos colegas de Harry que presenciaram aquela cena da garota que acabaram de conhecer e isso tudo lhe era vergonhoso demais. Um avalanche de sentimentos ruins novamente lhe cercara.

A voz de Melanie a chamando de assassina ainda ecoava em sua mente e, pensou por alguns segundos, sentada à espera do copo de água que H fora buscar, se ele também lhe achava uma assassina. Tudo aquilo era só uma emboscada, chegara a pensar. Sentiu a dor em sua alma, não precisava de mais justificativas para desejar voltar para casa.

Estava um misto de sentimentos ruins que colidiam com os bons que teve. Ao fechar os olhos, a imagem de seus dias passados lhe preencheram e não sabia se conseguiria livrar-se deles no curto tempo que Harry a deixou sozinha na sala. Seus olhos esboçaram lágrimas e elas rolaram quente por suas bochechas rosadas novamente, fungava diversas vezes para que Styles não a visse daquela forma; Tão culpada. Era estanho como os sentimentos mudam de uma hora para outra, havia saído dali tão bem e voltado completamente destruída. Chorou baixo.

Novamente flashs do assassinato lhe invadiu a mente, seus dias morando com Lis e tendo que servir homens tão estranhos no pub em que trabalhara, os momentos em que tivera que usar tocas e todos os tipos de acessórios para andar por Alabama sem ser reconhecida, os piores dias dentro da delegacia e a insitência daqueles policiais em lhe fazer algo ruim. Então, ela chorou ainda mais ao lembrar de tudo o que havia passado, mesmo sabendo que tudo estava entrando nos eixos e que estava com Harry ali. Isso não lhe parecia tudo, apesar.

 Styles sentou ao seu lado e envolveu seus ombros com o braço dele enquanto lhe dava o copo de água. Ela bebericou, sentindo-a um pouco doce e suspeitou que ele seguira as instruções de sua mãe ou vó; água com açúcar para acalmar. Secou as lágrimas, as mãos ainda tremiam, mas não tanto quanto antes, colocou o copo na mesa de centro, virou o rosto para Harry e encararam-se por algum tempo; esse bastante necessário para que os ânimos dela se acalmassem.

— Está melhor? — Perguntou ele, ajeitando seu cabelo atrás da orelha e passando os dedos pelos arranhões de seu pescoço.

— Um pouco. — Suspirou e fez careta de dor, em seguida, o encarou. — Me desculpa por esse transtorno. Eu... eu nem a conhecia direito.

— Ela é louca. — Afirmou ele a puxando para mais perto, ainda preocupado com os pequenos arranhões em seu pescoço.

— Eu quero ir para casa. — Disse, exteriorizando seu pensamento, mas H beijou o topo de sua cabeça e deu um suspiro alto, como quem supera algo e tentaria mudar o que ela lhe disse.

— Não vamos deixar que Melanie nos atrapalhe, uh?

— Me acha uma assassina também? — Hesitou em lhe perguntar antes que suas paranóias lhe engolisse, olhando dentro dos olhos verdes de Styles e o viu rir de lado. Achou aquele seu pensamento errado demais a cerca dele. Apenas arqueou as sobrancelhas e deixou os olhos caminharam sobre os traços do rosto dela.

— Acha mesmo que se eu achasse isso estaríamos aqui? — Lhe questionou e riu abafado, mostrando seus dentes alinhados. — Desculpe, não é essa a resposta que deseja. 

— Você é um cara legal, Harry.

— E você é uma boa menina, Valentine.

Ela riu, mais para si do que para Harry, tentando buscar dentro dela a boa menina. Styles acariciou seu queixo e olhou-a nos olhos de forma doce.

— A resposta é não. Não para a primeira pergunta, não se pensou que isso é uma emboscada e não se acreditou que eu e Melanie tivemos algo. 

Um silêncio instalou-se no ambiente e Valentine o abraçou forte, sentindo todo o corpo dele retribuir aquele ato. Em um deslize seu, sentiu os rostos próximos demais ao desvencilhar-lhe do abraço, as respirações se tornaram uma e ela não pode deixar de olhar para seus lábios que tanto era fascinada.

Harry beijou Valentine delicadamente, colocando lentamente as mãos por dentro de sua blusa e sentindo a pele quente enquanto as suas estavam geladas demais, fazendo-a arrepiar-se mais uma vez naquele dia. Tine passou a outra perna sobre ele, circulando sua cintura e ficando sentada em seu colo sem deixar de beijá-lo, colocando as mãos na barra de sua blusa e desistindo de ser quem iniciaria aquilo. 

H colocou-se de pé segurando-a pela cintura e a colocou sentada sobre o balcão que dividia a sala da cozinha, mordiscando os lábios inferiores dela. Logo, pegou a barra de sua blusa e a puxou para cima, tirando-a e vendo o sutiã rosado e rendado que ela vestia.

— Afinal, ela está molhada. — Referiu-se a blusa de alsas e ela riu. Ele percorreu os beijos por todo seu colo e Tine agarrou firme os seus cabelos da nuca.

— Harry. — Ela sussurrou em seu ouvido dando uma mordida ali e ele a prendeu mais contra si.

— Vamos aproveitar nossa noite, Valentine. 

Então, naquela noite, como nunca antes ela havia feito, eles se amaram. Intensamente.

Na manhã seguinte, o domingo ressurgia pelo sol detrás das nuvens, permitindo que os raios atingissem a sala da casa de praia e despertasse H. Ele pensou que viraria rotineiro acordar primeiro que Valentine todas as vezes em que dormissem juntos. Ela estava sobre ele no sofá, apenas com roupas íntimas, os braços em volta de seu quadril e cabeça em seu peito. Sorriu levemente ao sentí-la ali. Era tão mais inocente dormindo do que acordada.

Relembrou a madrugada intensa que tiveram, o quanto classificá-la em boa de cama não era o mais apropriado, mas colocá-la como a química perfeita no transe que estavam sim. Foi como sentir um violão suave tocar junto as ondas, estar em sua maior paz interior, sem precisar preocupar-se com remédios ou com sua psicóloga. Concretizou que nada seria resolvido por esses dois agentes que sua mãe o induziu a não viver sem, se apenas tê-la em seus braços, com o corpo tão morno junto ao seu lhe era motivo de dormência em suas crises.

Valentine Bower. Ah, doce Bower.

Com ela, sendo dona de todas as confusões dentro de sua alma e ao mesmo tempo de sua paz, aprendera a caminhar de volta para si sobre os cactos de seu trajeto tão dolorido, sobre a areia escaldante que deixava seus pés extremamente desfigurados e tocando cada vez mais em suas cicatrizes.

Sabendo que aquele era o último dia deles juntos, imergidos na extrema paz, sentiu vontade de permanecer ali para sempre com ela, mas em um movimento involuntário dele, a despertou e saiu de cima dele rapidamente, cambaleando sobre o carpete.

— Eu estava te impedindo de levantar? — Perguntou envergonhada e ele riu sacudindo a cabeça.

— Podia me impedir mais, doce Bower. — Ela sentiu o estômago criar borboletas ao ouvir seu nome dito por ele de forma tão suave e cheia de conexão no momento que estavam tendo.

— Vamos, precisamos arrumar nossas malas.

— O que achou dessa noite? — A questionou ainda deitado, com um braço debaixo da cabeça observando-a embolar-se no lençól que haviam trago na tarde do dia anterior para assistirem filmes.

— Harry. — Murmurou o nome dele envergonhada e mordiscando os lábios.

— Tudo bem, nada de perguntas pós transa.

— Harry! — O advertiu e ele gargalhou. Era bom demais Bower ouvir sua risada. — Vamos arrumar nossas malas, minha doce menina.

[...]

Os dedos das mãos de Bower eram espremidos uns pelos outros sobre seu colo enquanto estava sentada no corredor da delegacia ao lado de seus pais e seu advogado, Helio. Tudo dentro de si lhe trouxera as memórias antigas e que detestara recordar, mas era inevitável. Estar naquele lugar lhe fazia saber, ainda mais, que Ethan estava realmente morto, mas ainda sim não lhe dava a confiança de que seu assassino seria verdadeiramente punido.

Ao erguer os olhos, retirando-os de seus sapatos e encarando o final do corredor, conseguiu avistar Ernest Brookly, pai de Ethan, aproximando-se cada vez mais de onde ela estava. Não soube o motivo, mas seu coração acelerou-se de medo, teve vontade de levantar antes que ele a alcançasse e ficar no banheiro até ser chamada, mas não conseguiu mover seu corpo e impulsionar-se para dar um fora do corredor. Tremeu na base.

— Eu não acredito que esse homem está por aqui. — Sussurrou Lion para a esposa e Valentine fora capaz de escutar, fitou a feição de desgosto que tomou o rosto do pai, franziu o cenho e engoliu seco.

— Sabíamos que ele viria, já era de se esperar. — Jane apertou a mão do marido tentando acalmá-lo.

Valentine sacudiu a cabeça bastante confusa e antes que pudesse abrir a boca para questioná-los sobre aqueles comentários sobre o homem, ele tomou conta do espaço de sua frente e a olhou nos olhos. Tine desejou correr dali, mas não podia, então, colocou-se de pé frente à ele e seus pais fizeram o mesmo.

— Podemos conversar, Valentine Bower? — Seu tom de voz era pesado, autêntico e repleto de mistério, o rosto não parecia tão cansado pelo processo que vinha enfrentando pela morte do filho, deveria usar bons rejuvelhecedores na pele, pensou ela. 

— O que quer com minha filha, seu desgraçado? — Lion se intrometeu tomando à frente de Valentine e impedindo-a de responder o homem, fora até bom pois ele não tinha o que falar, mas o ódio de seu pai era tamanha que a assustara um pouco.

Pai! — Protestou ela.

— Podemos aproveitar que estamos na delegacia e eu faço uma denúncia contra você por desacato, o que acha, pastor?

Lion gargalhou ironicamente e Jane o puxou pelo cotovelo afim de que ele parasse com aquele início de discussão que não os levariam a nada mais do que uma briga de socos, assim como da última vez. Valentine, atordoada, observando toda aquela situação calada, respirou fundo e fitou a feição serena de Ernest. Alguns traços dele lembravam bastante o falecido Ethan.

— Pai, por favor, não complique as coisas. — Ela pediu para o homem que lhe lançou um olhar raivoso, extremamente transtornado pela presença de Brookly ali.

— É, Lion, escute sua filha. — Disse o homem alto, com a voz compassiva e recheada de senso de humor; no ápice da ironia.

— E quanto ao senhor, não há nada que tenhamos de conversar. Nos dê licença. — Ela pediu guiando seu pai até a cadeira mais distante dele.

— Agora sei o motivo de Ethan ter se apaixonado por você.

Valentine o ignorou e torceu para que seu pai também fizesse o mesmo, então, sentaram-se distantes e o advogado começou a ditar as coisas que ela deveria falar, tudo por ordem, em tom de voz baixo e bastante cauteloso para que ninguém, além deles, o ouvisse.

Minutos depois Valentine estava de frente para o novo delegado que estava à frente do caso, já que o antigo era pai de Jordan e deveria se ausentar daquele caso e outras pessoas da lei. Ela contou todos os detalhes, ouvindo a escrivã bater os dedos contra a tecla de seu computador a cada coisa que dizia e sentindo o forte cheiro de café emanar pelo ambiente. 

Em seguida, fora liberada e podia jurar que suas costas suavam mais do que sua testa pelo nervosismo que delegacia lhe causava. Não viu Harry nos corredores, lembrou que seu depoimento era em horário diferente e que obviamente ele deveria estar em casa arrumando sua vida. 

No caminho de volta para casa, não conseguiu apreciar o silêncio de dentro do veículo, tentava descobrir o motivo do ódio mútuo de seu pai por Ernest Brookly. Lhe corroía a vontade de saber sobre o passado, sobre o que realmente acontecera entre eles ou se era tudo uma guerra de um cristão contra um ateu. Mas a última hipótese lhe parecia muito fraca, seu pai sempre respeitou muito todos os que tinham crenças diferentes das suas e sempre a ensinou a ser assim. No entanto, ainda havia uma nuvem pairando sobre sua cabeça, com muitos questionamentos que temia não saber a verdade.

Ela ligou para H ao chegar em casa e trancar-se no quarto, tiveram um assunto normal sobre as perguntas do dia, e então, ele lhe perguntou se poderiam jantar em sua casa no dia seguinte. Ela ficou no vou ver e logo finalizaram a ligação. Em seguida, respondeu algumas mensagens de Lis e desceu novamente as escadas para o jantar.

A cabeça de Bower ainda girava com as inúmeras perguntas, precisava saber sobre toda verdade que seus pais lhe escondera, afinal, ela já havia aberto todo o jogo. Escorou-se no batente da porta da cozinha, olhando para o casal que finalizava a mesa e respirou fundo.

— O que vocês tem contra Ernest Brookly? — Ela semicerrou os olhos e os dois pararam o que faziam para olhá-la. — Por que todo esse ódio por ele, papai?

Lion suspirou, não queria falar sobre aquilo naquele momento, apesar de se sentir obrigado. Jane secou as mãos no pano de prato e levou o pote de molho até a mesa, deixando a situação entre os dois.

— Valentine, não vale a pena relembrarmos certas coisas. A bíblia diz que o passado não importa.

— Me desculpe, pastor, mas o passado importa sim, a partir do momento em que ele ainda nos perturba. — Eles se entreolharam, Lion jogou os olhos contra o mármore do balcão, com os braços esguios e mãos espalmadas suportando seu peso, fechou os olhos por alguns segundos. — Eu amava Ethan, ele era uma pessoa incrível e o ódio de nossas famílias nos impediu de sermos realmente felizes. Se não fosse esse ódio todo, talvez ele ainda estivesse no nosso meio.

— Não embole as coisas. — Disse o pastor.

— Isso não é embolar! — Ela rebateu. — É apenas dizer a realidade à vocês. Eu deveria ter ido conversar com aquele homem, ter lhe dito que eu não tenho ódio nenhum por ele e que...

— Chega, Valentine! — Ele gritou nervoso, indo na direção dela, fazendo Jane arregalar os olhos. — Entenda que tanto ele quanto o falecido filho nunca foram bons!

— Entenda você que não pode sair por aí julgando as pessoas pela fé!

— Cala a boca! 

Os olhos da garota ficaram marejados, nunca havia pensado que aquele homem o deixara tão transtornado e nunca pensou que seus pais não conseguissem ser verdadeiros com ela. Lion suspirou indo até a mesa e se sentando, colocando a comida no prato, como se nada tivesse acontecido. Era sempre assim; sua palavra e pronto, ninguém mais poderia ter opinião alguma.

— Eu esperava mais, pastor. — Disse Valentine engolindo toda sua raiva.

— Eu também esperava mais, Valentine. — Lion enfiou o garfo de comida na boca e virou o rosto.

Então, mesmo com Jane a chamando, saiu de casa apenas com o celular no bolso e um casaco que ficava ao lado da porta de entrada. Valentine começava a suspeitar que o problema era sua família.
   

 

— Não tendo mais dúvida sobre o culpado ser Jordan Calleb Standford, marcaremos seu julgamento o mais rápido possível. O caso Ethan Brookly não pode esperar.

 Então, quer dizer que o restante dos jovens estão realmente livres de qualquer suspeita?

 Sim. E à pedido de Sr. Ernest Brookly, Valentine Bower está definitivamente fora de qualquer suspeita a partir de hoje, a justiça não poderá tocar mais em seu nome colocando-a como segunda suspeita ou cúmplice de Jordan. Eu não entendi o motivo do pedido dele, foi tão intrigante.

 Sr. Ernest Brookly nunca deixou de ser intrigante, promotora.


Notas Finais


E AÍ?????
Preciso saber o que acharam sobre tudo isso? É uma virada e tanta em nossa cabeça, não é mesmo?
Ryan Tedd nem apareceu nesse capítulo, mas o próximo ele terá GRANDE participação.
E já lhes adianto que a história está em reta final e isto corta meu coração 😢
Mas!!! Quero saber o que estão achando sobre Valentine e Harry?

(Próxima att será na próxima quarta, ok? - Se tudo der certo ☺)

Vejo vocês em breve, pessus!!


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