História Thunderstorm - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Colegial, Drama, Mistério, Romance, Suspense
Exibições 7
Palavras 2.043
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Festa, Ficção, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - O racha.


Um mês mais tarde me fizeram querer subir pelas paredes, Lucas agora era meu namorado, isso mesmo namorado. Para quem não queria algo tão precipitado ele não esperou nem se completar duas semanas até que fizesse o pedido, não foi bonito, não foi sentimental, ele apenas se sentou na minha cama enquanto eu mexia no notebook e disse que queria namorar comigo. Pronto, foi isso. E agora eu namorava um idiota alienado.

- Oi linda. – ele estendeu o capacete para mim.

- Oi Lucas. – sorri falsamente lhe dando um selinho, iríamos sair para Deus sabe onde, ele disse que era um surpresa. Por causa da bota, eu não poderia usar calças, a não ser que eu as cortasse e bem eu pretendia as usar depois que parasse de andar mancando por ai. Por isso vesti um vestido, uma jaqueta jeans e um pé do meu chuck Taylor preto.

- Credo que oi seco... – ele reclamou me puxando pela cintura. - Pra onde nós vamos? - Sobe ai que irá ver. – ele fez sinal com a cabeça para a traseira da moto.

- Não ando numa belezinha dessas desde o acidente, sinto até uma emoção em subir. – falei enquanto subia na garupa.

- Não fique assim, daqui a três dias você terá a perna livre da bota.

- Se o médico achar que eu deva. – revirei os olhos me lembrando da última consulta. - Vamos, segure em mim Mari. – ele disse se virando para me olhar.

- Estou bem com os suportes. – falei os segurando firmemente.

- Mariana, facilita. – ele arqueou a sobrancelha.

- Você é muito irritante. – bufei deslizando minhas mãos para frente de sua barriga.

- Firme. – ele colocou a mão sobre a minha – Firme. – repetiu até que eu apertasse – Muito melhor linda. – sorriu malicioso colocando o capacete.

Durante o percurso estar com as mãos em sua cintura se tornou menos detestável já que eu prestei atenção no caminho à volta, no vento fazendo minhas pernas se arrepiarem.

- Não devia ter vindo de vestido. – comentei quando paramos no sinal.

- Eu até gosto, sua perna desnuda está tão próxima da minha... – ele falou como se estivesse lendo uma fanfiction.

- Lucas dirige ai vai! – revirei os olhos pela vigésima vez naquele dia. Quando o moreno desviou para o antigo viaduto abandonado, me agarrei ainda mais à sua cintura, eram memórias demais, memórias dolorosas.

- Está me levando pro racha? – minha voz saiu falha e baixa e eu tive de repetir para que ele ouvisse.

- Droga Mariana! Era pra ser uma surpresa. – ele fingiu estar furioso.

- Podemos ir pra casa. – murmurei assim que ele parou a moto.

- O que? – ele perguntou sem entender o que eu havia falando anteriormente

– E ai cara! – ele cumprimentou alguém atrás de mim, mas antes de ir ao encontro dessa tal pessoa, ele deu a mão para que eu descesse da moto.

- E ai Lucas! – um garoto de olhos castanhos claros, pele branca, alto, com um nariz ligeiramente avantajado e que usava roupas parecia com a de um skatista apertou a mão do moreno enquanto sorria – Faz tempo que não aparece por aqui.

- Sabe por quê. – Lucas deu uma olhada de esgoela para mim enquanto abraçava meu próprio corpo.

- Cuidado que Jason está por ai. – não, Jason não! - Jason? – Lucas riu com gosto.

– Até hoje ele me deve uma surra.

- Não deveria achar tanta graça, sabe que ele não é para brincadeiras...

- Eu também não sou. – Lucas respondeu destemido enquanto voltava para perto de mim e capturava minha mão na sua. – Essa é Mariana Hale.

- E ai. – cumprimentei apertando com a mão livre a mão do garoto.

- Sou André Benson. – ele se apresentou – O que ele te deu? Drogas? Muito algo? Cogumelos?

- Por incrível que pareça não. – comecei a rir.

- Cale a boca André, o que não conquista uma mosca aqui é você. – Lucas provocou me puxando para que ficasse em sua frente, suas mãos abraçando minha cintura de maneira protetora.

- Vamos seu babaca – Andre brincou com Lucas – Venha me ver correr.

- Estou aqui para isso. – começamos a andar em direção a aglomeração de pessoas e ficamos bem próximos da linha de partida, André disputaria um racha com Caio. Eu me lembrava bem de Caio.

- Já veio em um racha antes? – Lucas falou próximo do meu ouvido.

- Não. – sim.

- Acho que vai gostar, é louca por motos. – seu sorriso se colocou a curva do meu pescoço.

- Acredito que sim. – olhei para o chão, aquele lugar me trazia tantas lembranças, parecia que havia uma eternidade desde a última vez que estive ali. Do outro lado da pista, estavam Jason e seus amigos. Eu andava com eles, eu era do grupinho deles. Jason, Caio, Elise e Lila, minha antiga melhor amiga.

- Está tão quieta... – Lucas comentou me fitando frente a frente – Algo errado?

- Vergonha talvez? – disfarcei fitando André subir na moto.

- Não é isso, você não é do tipo que se intimida. – ele observou bem.

- Sabe, é que sinto muita falta de andar de moto e ficar vendo pessoas andando é meio... depressivo. – tive que pensar absolutamente rápido.

- Se quiser eu corro com você. – ele sugeriu.

- Corrida em dupla? – ainda fazem isso? Será que já que não bastou...

- É, você quer correr comigo?

- Hoje prefiro assistir, mas gostaria de ver você correr. – os olhos dele brilharam, tão intensamente quanto o de uma criança que vê chocolate.

- Não se deveria...

- Corra. Por favor. – pedi segurando sua mão e fiquei na ponta dos pés para sussurrar em seu ouvido – Prometo que o prêmio de vencedor vai ser muito satisfatório.

- Onde é que eu me escrevo? – ele saiu andando e me deixando sozinha.

- O que está fazendo aqui? – Jason se prostrou ao meu lado, a cara impassível e curiosa.

- Você sabe o que estou fazendo aqui. – o olhei de soslaio – Então vaza antes que ele nos veja.

- Nunca imaginei que você voltaria aqui. – ele observou.

- Eu também não – me virei para ele – Mais alguns sacrifícios são necessários, principalmente se for em nome dele.

- As vezes eu acho que você está indo longe demais. – ele se virou para mim – Aceite que Alex morreu.

- Eu nunca vou aceitar. – senti meu corpo começar a borbulhar por dentro – Eu nunca vou deitar a cabeça sossegada em meu travesseiro enquanto eles não pagarem.

- Bem, eu não sou seu pai, então você sabe o que faz. – ele suspirou – Só espero que não se arrependa.

- Arrependimento foi ter vindo naquele dia – olhei para baixo, meus punho se fechando – Você sabe muito bem o que ouve, sabe que foi você quem insistiu para que ele viesse – ele fitei seus olhos – Sabe que eu poderia ter morrido também.

- Algo errado? – Lucas apareceu encarando ferozmente Jason.

- Não nada. – sequei o canto dos olhos e Lucas notou.

- O que você falou pra ela? – ele encarou Jason e Jason retribuiu o olhar.

- Lucas, por favor... – pedi com a voz fraca.

- O que você falou pra ela seu bastardo? – Lucas empurrou Jason que o fulminou com o olhar.

- Vá se foder Clearwater, eu não disse nada e mesmo se tivesse dito não seria da sua conta! Babaca! – aquilo ia acabar mal.

E não deu outra. Tive de entrar no meio dos dois e quase levar um soco na cara para que eles não brigassem.

- Vamos resolver sobre duas rodas, aqui e agora! – Lucas desafiou.

- Vamos então – Jason falou sorridente – Até porque será um milagre muito grande você ganhar de mim, frangote!

- Você me chamou do que? – tive que espalmar a mão no peito de Lucas para ele aquietar.

- Chega! Ei olha aqui! – coloquei a mão em seu rosto – Parou!

- O que aquele idiota te disse? – ele perguntou preocupado – Porque você ficou daquele jeito?

- Não é nada Lucas, realmente não é nada! Agora se concentra pra correr! Vocês são os próximos. – desviei o assunto para que eu não desse corda para me enforcar.

A corrida foi muito rápida e acirrada, porém quem saiu vencedor foi Jason, para a fúria de Lucas. O garoto praticamente jogou a moto no chão e saiu andando, eu o segui e ele foi para o começo do racha, jogou o capacete na parede e começou a socá-la, suas mãos estavam começando a sangrar.

- Ei, ei, ei – corri em direção a ele – Lucas para! Calma, foi só uma corrida!

- Não foi só uma corrida! – ele berrou insistindo em bater mais uma vez na parede até que eu lhe desse um chute – Ai Mariana!

- Afinal você parou, está maluco? – peguei suas mãos e olhei – Precisa lavar isso, vou pegar a moto e nós vamos embora agora!

- Deixa que eu pego... – ele tentou andar mas eu não deixei.

- Cala a boca e fica aqui, eu vou pegar a droga da moto antes que você resolva ter um remake com Jason e começar essa briga idiota, vê se não bate mais na parede e muito menos destrói esse capacete! Pelo amor de Deus.

Eu realmente teria achado melhor dirigir aquela moto, já que Lucas quase bateu em dois carros ou entrou na frente de um caminhão, ou atropelou uma mulher distraída ou quase nos matou batendo de frente a um poste.

- Desculpe por hoje – ele pediu enquanto eu lavava suas mãos na mangueira do jardim – Eu estava com a cabeça cheia, de cabeça quente, eu realmente não sou assim...

- Olha, fica frio, eu sei o que é ter raiva. – disse esfregando o sangue dos nós dos dedos dele – É algo incontrolável.

- Se quiser saber o que...

- Não quero.

- Não quer? – ele estava boquiaberto.

- Não.

- Arranjei a melhor namorada do mundo. – ele me roubou um beijo enquanto a mangueira molhava nossos sapatos e boa parte de nossas roupas.

- Olha o que você fez! – apontei a mangueira para ele e comecei a lhe perseguir pelo jardim.

Até que ele tapasse o jato que ia em seu rosto com a mão e me capturasse em seus braços, seus lábios se encaixaram no meu e sua mão molhada parecia estar em chamas pelo meu corpo. Porque eu gostava de seus toques se ele era tão detestável? Era inevitável eu não me sentir bem em seus braços e por alguns segundos eu conseguia esquecer todo o meu passado, mas quando ele voltava eu simplesmente tinha vontade de o jogar de um penhasco.

- Lucas... Para...- gemi enquanto ele beijava o contorno do meu rosto.

- Deixa de ser chata... – ele murmurou descendo os beijos para o meu pescoço, e depois para meus ombros, e depois para próximo dos meus seios...

- Deu! – o empurrei e a grama molhada fez com que ele escorregasse e caísse. – Ai meu Deus, você ta bem? – eu perguntei me acabando de rir.

- Quero uma ajuda aqui. – ele estendeu a mão e quando eu a peguei, ele me puxou para seu encontro.

- Sempre voltando aos primórdios. – ele brincou enquanto se colocava sobre mim e distribuía novos beijos pelas minhas áreas sensíveis – Adoro como você fecha os olhos quando começo com os carinhos, me sinto poderoso...

- Cala a boca! – peguei a mangueira que despejava água próximo de nós e despejei sobre ele – Toma um banho gelado para calar seus hormônios!

- Como se só eu estivesse assim... - Não é a minha calça que está com volume. – disparei e ele se envergonhou, mesmo com o escuro eu pude sentir suas bochechas esquentando.

- Tchau Lucas! – o empurrei de costas pra grama e me levantei – Nos vemos amanhã na aula... – comecei a andar em direção à entrada de minha casa, quando senti meu braço ser puxado para trás e meus lábios receberem um beijo.

- Sonhe comigo. – ele sussurrou com um sorriso zombeteiro nos lábios.

- Isso seria um pesadelo. - Uma ótima noite senhorita estraga prazeres. – ele piscou andando de volta a moto.

- Uma ótima noite senhor distúrbio hormonal – soltei uma gargalhada enquanto entrava em casa.

Sem saber que do lado de fora um garoto colocava a mão nos lábios e sorria, se lembrando da melhor noite de sua vida.



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