História Tides of Doubt - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Piratas do Caribe
Personagens Capitão Jack Sparrow, Joshamee Gibbs
Tags Aventura, Jack Sparrow, Piratas Do Caribe, Romance
Visualizações 52
Palavras 1.492
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - O livro vermelho


O sol começava a pôr-se. Acho completamente escusado referir a tamanha beleza daquele fenómeno. Por isso não o farei. Pensava no que Jack me tinha dito, para esperar, mas era quase impossível. Na minha cabeça circulavam perguntas como "quem será que tem a chave?"; "como o encontraremos?"; "será que há algum pormenor importante que o livro não referiu?"; "será que ele está a pensar em mim" ? A única questão à qual sabia responder era a última. Claro que não. Jack tem coisas muito mais importantes com que ocupar a sua mente. Para além disso, porque o faria? Sem referirmos encontrar a ilha e o seu tesouro, aquilo que deve estar mais ansioso por fazer é livrar-se de mim. Na verdade, todos eles devem de pensar o mesmo. Exceto Ragetti, é claro. No preciso momento em que pensava nele, oiço a sua voz chamar-me.

- Miss Noah? - perguntou-me ele, com um olhar triste e distante. 

- Sim? - limitei-me a responder. Admito que talvez tenha sido demasiado dura ao responder, mesmo levando em conta a curta palavra que proferi. Por isso tentei remediar a situação - Não tens de me tratar por "miss". Trata-me apenas por Noah, savvy? Não sou nenhuma princesa. 

- É claro que é. Ainda por cima é a princesa mais bela de todas... - respondeu ele com vergonha, como se estivesse a proferir um poema - Mas assim o farei, Noah. 

Olhei para ele e esbocei um estranho sorriso. Na verdade, tenho plena certeza de que a maioria das expressões que faço devem ser estranhas. Passados uns segundos, Ragetti pareceu lembrar-se de um assunto já à muito esquecido, e olhando para mim com um ar admirado, perguntou: 

- Porque é que está a imitar o Jack outra vez? Até parece que gosta dele! - comecei a suar e a ficar muito nervosa, tentando arranjar uma resposta. Mas tive sorte, pois ele continuou - Não, isso é completamente impossível - riu-se ele, olhando-me como se esperasse que fizesse o mesmo. 

Poderia ter respondido, mas preferi não dar continuidade aquele tema de conversa. É óbvio que me incomodava. 

- Então, o que é que precisas? - perguntei-lhe, arregalando os olhos. 

- Vim ao seu encontro para lhe fazer uma pergunta. O que é que preciso fazer para que goste de mim? - disse ele, com aquela vozinha de criança mimada. 

A sua pergunta irritou-me imenso, pois acho que já havia deixado bem claro que não quero nada com ele e que não há nada que possa fazer. Mas mesmo assim tentei acalmar-me e falar num tom simpático e afável. 

- Ragetti, ouve-me. Tu és muito querido, a sério, mas eu não estou mesmo apaixonada por ti. MESMO! Está bem? Não há nada que possas fazer. 

- Mas porque não ? - insistiu. 

Nesse momento não pude deixar de revirar os olhos, mas mais uma vez respirei fundo e tentei manter a calma. 

- Olha, eu nem sequer sei muito bem o que é estar apaixonado, mas de uma coisa tenho a certeza: não é o que sinto por ti. Simplesmente não é. 

Mesmo assim, ele continuou. Insistiu até me levar ao extremo. Já nem me recordo de tudo o que Ragetti disse. Por sorte ( ou por azar ), Jack aproximou-se de nós no momento em que ia explodir, impedindo-me de o fazer.

- Ragetti, já nem eu te posso ouvir, e tu nem estás apaixonado por mim - disse-lhe, com aquela expressão que todos fazem quando veem algo que os incomoda. 

Nesse momento, como que por magia, ele levanta-se e desaparece. Não literalmente, claro. Jack olhou para mim e com um ajuntamento de mãos e um ligeiro sorriso, sussurrei-lhe um " obrigado " do fundo do meu coração. Ele também sorriu, fazendo aquele gesto que os piratas utilizam para se despedir uns dos outros. 

Olhei na direção do horizonte. Nesse momento, uma outra questão veio-me à cabeça : já não vamos para o mesmo local, o que significa que não vou estar em casa dentro de duas semanas. Então, quanto tempo mais teria de ficar ali? 

Por estranho que pareça, aquela pergunta era a que me incomodava menos. Por isso preferi reserva-la para outra ocasião. Não poderia ficar muito tempo calada, então arranjei outra pergunta para colocar. 

- Jack! Eu sei que já respondeste a esta pergunta, bem, não propriamente, mas... como raio vais descobrir quem é o pirata mais engenhoso dos sete mares? São mais de... bem o que eu sei é que são muitos. 

- Porque é que tens de ser tão chata? Vem comigo. 

Pegou-me ao colo e levou-me para o seu camarote, sentando-me numa grande cadeira acolchoada, ao pé da sua secretária. Depois disso, dirigiu-se a uma estante que ocupava quase toda a parede e que continha velhos livros, daqueles que já têm as páginas amarelas e gastas. Passou os dedos pelos títulos, lendo-os em voz baixa, até que finalmente encontrou o que procurava. Tirou o livro da estante e colocou-o mesmo em frente a mim, em cima da mesa. Encarei-o por uns segundos. Era bastante grande, e a capa era dura e vermelha. Não tinha título. Olhei para Jack, que estava em pé: 

- Não sabia que gostavas de ler... - disse-lhe, com um tom um tanto provocador.

- Não é algo que faça muito - respondeu, exibindo uma expressão séria. 

O facto de ter tantos livros admirou-me. Não me parecia o tipo de pessoa que alguma vez tenha lido uma obra completa. Por estranho que pareça, existem pessoas assim. Como os piratas, por exemplo. Mas duvido que alguma vez os tenha lido. Talvez sejam apenas para decoração, para dar um ar mais rústico ao camarote. 

- Então, como é que este livro responde à minha pergunta? 

- Não tens mesmo calma, pois não mulher? - perguntou, levando uma mão à cabeça e fazendo os seus gestos estranhos.

Limitei-me a encara-lo, à espera de uma explicação.

- Este livro contém tudo o que tens de saber sobre piratas - declarou, com a cara muito perto da minha - Navios, tesouros, código dos piratas, símbolos ... e até os próprios piratas. 

Fiquei muito entusiasmada e ia logo começar a falar, mas o entusiasmo não durou muito.

- Pelo menos é o que eu acho - continuou Jack - Nunca me dei ao trabalho de lê-lo.

- Então como é que sabes do que fala? - perguntei, com uma expressão séria e um pouco incrédula. 

- O Gibbs já o leu e contou-me muitos pormenores. Uma seca, se queres saber. Eu sou pirata, não preciso de nenhum livro que me explique como sê-lo! 

Fiquei satisfeita com a sua resposta. Até fazia sentido. Por isso decidi acreditar. 

- Então isso significa que o nome do pirata mais engenhoso dos sete mares está aqui escrito? - perguntei com entusiasmo. Não tanto como uma pergunta regular, mais como uma de retórica. 

- Não sei, talvez. Já que gostas tanto de ler vê se encontras alguma coisa - respondeu, como que a despachar-me. 

- Está bem. - disse, com um sorriso nos lábios. 

Pensei que naquele momento, Jack sairia do camarote, deixando-me sozinha a folhear o livro. Mas para minha surpresa não foi isso que fez. Puxou outra cadeira e sentou-se mesmo ao meu lado, abrindo-o e procurando por qualquer coisa que pudesse dar-nos uma pista. 
Apenas olhei para ele, por breves segundos e deixei escapar um pequeno riso involuntário, quase imperceptível. Não pude evitar.

Sentia-me cheia de emoção e adrenalina. Algo que nunca tinha sentido antes. Tinha a sensação de que iríamos encontrar algo. Sabia que sim. Sabia que iríamos descobrir o nome do pirata, a localização da chave e que depois encontraríamos a ilha e o seu tesouro. Não que o tesouro me interessasse. Mas sei que se os homens o acharem, ficarão muito felizes. Isso basta. Também sei que finalmente vou puder viver a aventura da minha vida, poder aproveitar ao máximo a pouca porção de liberdade que terei. Porque quando voltar, tudo acaba. Por isso agora, vou viver cada dia como se fosse o último. 

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A atitude de Jack surpreendeu-me muito. Nunca esperei que tirasse do seu tempo " precioso " para estar comigo. É claro que ele não estava ali por causa de mim. Estava ali porque queria encontrar aquele aclamado e desconhecido nome. Mas também acho que sou a única naquele navio que sabe ler, para além dele e Gibbs. Mas poderia simplesmente ter-me dado essa missão apenas a mim, não incluindo a sua pessoa. Porque razão não o fez? Porque razão permaneceu ali, comigo? Não pude deixar de pensar que apenas queria a minha companhia, apesar de ter plena certeza de não ser o caso. 

Acabei por deixar os pensamentos de lado e concentrar-me. A quem é que eu quero enganar? Não consegui concentrar-me na leitura de Jack e nem mesmo nas belíssimas gravuras que o livro continha. Só conseguia pensar no facto de estarmos ali os dois. A ler. Juntos. 


Notas Finais


Gostaria de fazer um apelo: ficaria muito feliz que todas as pessoas que lêem regularmente a história a pudessem colocar nos favoritos ou deixar um comentário, pois assim ficarei com uma maior noção do número de leitores ☺️💖 Obrigada! Beijinhos grandes


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