História Time After Time - Capítulo 32


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Trolly
Exibições 2.275
Palavras 6.156
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁÁÁÁÁÁ GALERINHA DAS FICS.

Okay, primeiro que preciso pedir formalmente desculpas para a @kcestrabao pelo meu atraso e por ter estragado todos os planos de semana, me sinto péssima, mesmo! Amei a dedicatória no capitulo de Ascéncion, retribuo a gentileza dedicando este capítulo para você. Obrigada por ter surgido com tantos planinhos do mal <3

O capítulo de hoje tem duas músicas maravilhosas:
1. Broken Roots - Michl (essa música foi indicação de uma @, eu vacilei na hora e não gravei o @ da pessoa e agora queria agradecer e não tenho o @ gravado eu to chorando sim. kk Obrigada, a propósito, me ajude a lembrar quem é você e acuse-se lá no meu twitter, pfvrzinho)
2. Run - Rhodes.
Os links das músicas estarão lá embaixo.

ATENÇÃO: Erros, favor indiquem! Inclusive os não ortográficos kk
Enjoy <3

Capítulo 32 - Setembro, 2015. V.


Fanfic / Fanfiction Time After Time - Capítulo 32 - Setembro, 2015. V.

A primeira vez que Lauren viu Camila Cabello ela estava correndo, passou como um tiro de canhão ao seu lado. Camila nem se quer a viu. Não é irônico? Ela passou correndo por Lauren e de repente foi como se por toda sua vida a partir daquele dia Lauren corresse tentando fugir dela, ou corresse tentando alcançá-la.

O fato é que, não importa o quão rápida Lauren podia ser Camila sempre ganhava.

Às vezes, Lauren parava para pensar nessas ironias do destino, acreditava que Camila fosse a grande ironia da sua vida.

Camila, por si só, vivia em uma ironia. Diz-se, quando há uma diferença entre o desejo humano e a realidade do mundo, que há uma ironia cósmica. Portanto, toda a existência de Camila era uma ironia cósmica. Ela vivia, constantemente, numa disparidade entre seus desejos e a realidade do mundo ao seu redor.

Durante muito tempo o que Camila desejou era que Lauren viesse ao seu encontro, mas a realidade era outra e ela viu, ano após ano, Lauren correr dela, ao invés de correr para ela. Como prova de que viva numa ironia cósmica infinita, seus desejos mudaram e tudo que queria era Lauren longe, no entanto, a realidade, mais uma vez, não se curvou aos seus desejos e agora Lauren parecia estar em todos os lugares.

Camila voltou para casa depois de uma noite mal dormida no sofá de sua mãe. Sinu insistiu para que a filha dormisse com ela, já que o quarto que costumava ser de Camila estava entulhado de coisas, mas a latina preferiu não arriscar. Só uma coisa seria pior do que falar o nome de Lauren dormindo ao lado de Jacob: falar o nome de Lauren ao lado de Sinu.

Assim que entrou observou em cima do sofá da sua própria sala seu travesseiro e uma coberta, deixados ali por Jacob.

- Eu achei que você voltaria para casa durante a noite. – O homem falou simples.

Camila não percebera que ele a assistia e assustou-se, como se pega no flagra. Jacob cruzou do quarto para a cozinha e a mulher permaneceu imóvel no centro da sala, refletindo se o gesto era uma gentileza pura, ou uma forma de Jacob sinalizar que sabia da sua preferência em dormir no sofá da sala. De qualquer forma, aquilo a fez se sentir culpada.

Jacob exercia sobre Camila um poder que ela não sabia identificar de onde vinha, tampouco ele saberia. Ninguém conseguia lhe atingir como Jacob. Camila tinha a sensação constante de insuficiência, era como se ela pudesse oferecer o mundo a ele e, ainda assim, não seria o bastante. Não que Jacob a cobrasse algo, aliás, ele não a cobrava nada, talvez esse fosse o problema. Porque se ele cobrasse Camila saberia o que oferecer e saberia ser o suficiente. Na maior parte do tempo Camila acreditava que a necessidade de se doar a ele era boa, procurar dar o melhor de si para alguém, especialmente quando esse alguém é seu marido, não pode ser ruim. No entanto, em momentos como aquela manhã achava tudo aquilo muito ruim, sentia que nunca daria ao homem o que ele merecia.

A latina foi atrás dele na cozinha e o observou à mesa tomando café.

- Desculpa por ter mandado você se ferrar. – Pediu em tom de lamento, realmente se sentia mal sobre o xingamento. – Eu só não entendo porque você está trazendo ela pra nossa vida, você deveria querer ela longe... – Justificou sentando-se numa das cadeiras da mesa.

Jacob depositou a xicara que segurava sobre o móvel a sua frente.

- Por que Camila? Eu vou perguntar isso uma única vez, você ainda tem sentimentos amorosos por ela? – Questionou acusativo, o cenho totalmente franzido sugerindo sua irritação.

 - Não, Jake! – Camila respondeu de pronto. – É obvio que eu não tenho sentimentos por ela. Não seja ridículo! O que a gente teve morreu há anos. Você até me ofende fazendo essa pergunta.

- Então qual é o problema Camila?

- Eu não consigo lidar com ela, Jake! A presença dela me irrita, será que é difícil entender isso? – Soltou e Jacob respirou fundo antes de voltar a falar.

- Lauren é minha amiga desde sempre. Eu senti tanto a falta dela quando ela foi embora e agora ela está aqui eu não posso ignorar isso. Todos cometeram erros nessa história e a gente merece uma segunda chance. Isso vai fazer bem pra todo mundo. – Jake afastou sua cadeira da mesa e se preparou para deslizá-la em direção à porta. - A propósito, ódio é um sentimento, mas esse, definitivamente, era um que você não deveria ter. Você não é essa pessoa Camila. Você não sabe mais como lidar com isso, porque você nunca odiou nada, nem ninguém. Ela te magoou e você está tentando revidar, eu sei disso porque é um instinto natural de defesa, só que isso está te arrasando... – A latina se limitou a ouvir. Jake voltou a falar, porém num tom benevolente, diferente do adotado nas palavras anteriores. Usou sua voz doce e suave, porque detestava ser rude com Camila. – Eu não tenho motivos para afastar a Lauren da gente. Porque você não tem sentimentos por ela e eu não acho que ela teria voltado se ainda tivesse sentimentos por você. Ela veio atrás de perdão, Camila, apenas isso! E sinceramente? Eu espero que ela consiga, porque ver você se corroendo desse jeito é horrível. – Jacob concluiu e voltou a mover a cadeira de rodas em direção à saída.

Camila encarou a parede a sua frente. Lauren não merecia seu perdão. Lauren não merecia mais nada de si. A única coisa que conseguia pensar era que havia dado a ela tudo e que ela jogou fora cada pedacinho.

 

Coconut Groove fazia jus a sua fama de bairro dinâmico, boêmio e de energia inesgotável, Lauren morava ali há menos de três semanas e, aos poucos, começava a compreender a rotina do lugar. Os cafés, bares e restaurantes ao ar livre possuíam o espirito do bairro. O calçadão do CocoWalk, o peculiar e amistoso shopping da região, era convidativo, animado durante as noites e tranquilo sob a luz do sol. Lauren caminhou por ele algumas vezes nos últimos dias. Coconut Grove foge dos padrões que costumam povoar o imaginário das pessoas acerca de Miami, Lauren sempre gostou dali e talvez por isso estivesse se realocando com mais facilidade.

Dentre todos os atrativos da região o lugar preferido de Lauren era o Viscaya Museum e Gardens. Gostava do prédio de arquitetura renascentista, construído nos anos de 1916 à beira da baía de Biscayne, muitas pessoas se exercitavam por ali, caminhando nas calçadas banhadas pelas águas escuras e calmas. Lauren não tinha o habito de fazer exercícios, mas havia algo em ver pessoas se exercitando que a tranquilizava. Era uma vaga ideia, que brotava no fundo de sua mente, de que aquelas pessoas estavam no controle de suas vidas.

Em Nova York Lauren tinha a sensação de que todo mundo estava o tempo todo apressado, se atropelando pelas ruas de Manhattan, aglomerando-se em metrôs e elevadores. Estavam sempre perseguindo a vida, mas ela nunca os via a dominarem.

Embora se enquadrasse com mais perfeição ao cenário de Nova York a vida em Miami estava trazendo a Lauren algo inesperado, mas por muito tempo desejado: poder. Crescia dentro dela uma sensação de poder inigualável, nem sequer a diretoria de uma das maiores redes de hotéis do mundo havia lhe dado algo semelhante.

Porque Lauren estava se apoderando dela mesma, dos seus sentimentos e de sua história. Aos poucos, tomava consciência das vidas que tocava e dos destinos que se cruzavam ao seu, clareava em sua mente a certeza de que a sua própria vida e destino interdependiam dos que estavam ao seu redor. Atrelavam-se em laços invisíveis e ela precisava deles para conseguir ser ela, verdadeiramente ela. Alteridade, esse era um conceito que Lauren conhecia, mas que, até então, pouco compreendia: ter a ciência de quem se é a partir da noção de quem é o outro, saber que a construção da individualidade depende do coletivo, da interação com os demais, do contato com o próximo.

A ideia de alteridade começou a fazer sentido para Lauren ao passo em que ela percebia melhor a si mesma ao se relacionar com os amigos e a família. Ela sabia que era filha, porque havia uma mãe e um pai. Sabia que era irmã, porque havia irmãos, que pediam conselhos, que a perturbavam, que a faziam ser, de fato, uma irmã. Sabia que era útil, porque havia Normani todos os dias na porta de sua casa esperando por um café quente. De repente, Lauren sabia que era capaz de perdoar, porque Jake esperava por um perdão. Sabia que era importante, porque Dinah a fazia se sentir importante. Sabia que era valente, porque se enxergou assim nos olhos de Troy. Sabia que era paciente, porque Ally lhe exigia isso. Sabia que era uma mulher e que poderia sentir amor por outra mulher, porque Camila existia.

Lauren, aos poucos, entendia muito mais de si, porque havia os outros. Havia o que os outros eram e tudo o que eles lhe faziam ser.  

Naquela manhã em específico havia Savannah e Lauren descobriu-se agradável pelo tamanho do sorriso que a mulher exibia. A médica sorria sempre, é verdade, mas na manhã daquela terça-feira, de céu limpo e brisa leve, ela sorria exageradamente.

- Você é a única pessoa que eu conheço que tem folga numa terça- feira! – Lauren pontuou.

- Rotina de médico é meio louca! – Justificou levantando os braços, enquanto desviava de um homem numa bicicleta azul que vinha na sua direção, nos arredores do CocoWalk shopping.

As duas foram até o coração do bairro para almoçarem e caminhavam por ali a procura de um lugar que agradasse ambas. Savannah encantou-se pelo lugar e já havia indicado por baixo uns três lugares onde poderiam almoçar, mas Lauren estava um pouco exigente demais aquele dia.

- Eu quero algo diferente. – Resmungou. – Só não sei o que exatamente, mas quando eu ver eu vou saber.

- Você está parecendo eu quando abro a geladeira pra pensar.

Lauren gargalhou profundamente.

- Todo mundo faz isso! Vamos continuar procurando. – Sentenciou.

As mulheres entraram numa rua lateral, onde havia diversos bares e restaurante.

- Então... – Savannah começou a falar. – Semana que vem começam as sessões de estímulos elétricos do Jake. Você vai acompanhar?

- Acho que sim. – Lauren respondeu simples. – Se ele me quiser por lá.

- Fico feliz de ter ajudado vocês a se resolverem.

- É... – Lauren respondeu forçando indiferença. – Aos poucos estamos voltando a ser o que costumávamos ser. – Ponderou.

 - Seus amigos são incríveis, Lauren. Sinceramente, não sei como você conseguiu ficar longe deles por tanto tempo.

Lauren encarou a mulher ao seu lado e sorriu fraco.

- É por isso que eu voltei. – Concluiu.

- Voltou pra sempre?

- Quem sabe... Eu já achei que nunca mais sairia de Nova York e acabei saindo. – Riu. – Aprendi a não fazer planos infinitos.

- Justo. – Concordou. – Infelizmente, eu só tenho mais duas semanas aqui. Minha volta pra Nova York é certa e em breve.

- Você é a cara de Miami. – Lauren soltou, dando de ombros. – Tem um restaurante de frutos do mar ali. – Apontou para um lugar mais ao longe na rua onde havia várias mesas dispostas na calçada e uma decoração despojada, o que ressaltou aos olhos da morena.  

- Eu gosto de peixe... – Savannah concordou e as duas atravessaram para a calçada do outro lado. – Eu seria muito feliz morando aqui. Essa cidade tem um...

Play – Broken Roots (Michl)

Lauren desprendeu-se de si e perdeu o resto da informação quando viu que Camila caminhava em direção a elas, usando uma calça de moletom cinza e uma blusa básica, num cinza alguns tons mais claros, os cabelos soltos, como habitualmente os usava. No entanto, apesar de reparar nas vestes da latina, Lauren podia jurar que Camila vestia despretensiosidade. Em uma das mãos segurava a coleira de Red, que vinha saltitante na frente, na outra uma sacola aleatória, provavelmente algo que saiu para comprar. Simples e deslumbrante ao mesmo tempo, como só Camila Cabello saberia ser.  

 

Blank faces

Here we are staring at these

Blank pages

Rostos em branco

Aqui estamos nós, olhando para estas

Páginas em branco

 

Camila estava quase distraída. A força que Red exercia sobre a corda em suas mãos a mantinham atenta ao mundo real, mas sua cabeça, hora ou outra, submergia, inúmeros eram os pensamentos a puxá-la para a dispersão. Suas engrenagens mentais carregavam-se de informações, passando de o que teria para o almoço, ao questionamento se Jacob iria para a fisioterapia aquele dia, o que aplicaria às suas turmas nas aulas de mais tarde, precisava ligar para sua mãe e para Ally, fazia dias que não conversava com Ally, ela estava agindo estranho ultimamente e Camila queria ter certeza que era só por causa de... Lauren.

 

How did the plans we drew disappear in thin air

Now all that's left are two blank faces

Como os planos traçamos desapareceram no ar fino?

Agora tudo o que resta são duas faces em branco

 

Lauren viu quando os olhos da latina repassaram sobre si. Estavam ainda há uns cinquenta metros de distância, no entanto, a calçada pouco movimentada permitia que se enxergassem mesmo distantes, embora algumas pessoas entrecruzassem seus caminhos, cortando o olhar que se mantinha fixo entre elas.

 

I know we let gold fade to black

Give me time enough to bring us back

Sei que deixamos o ouro desbotar para preto

Dá-me tempo bastante para nos trazer de volta

 

Camila não esperava por aquilo, fora pega de surpresa, não estava habituada a ter Lauren literalmente em todos os lugares. Puxou o ar para os pulmões, consciente de aquela era a sua realidade agora. Uma realidade onde Lauren Jauregui surge diante de si enquanto passeia com seu cachorro numa terça-feira de manhã.

 

'Cause I've been pouring my whole life in you

Trying to resurrect the love we grew

Porque tenho colocado minha vida em você

Tentando ressuscitar o amor que cresceu

 

A latina não expressava uma única reação, nem espanto, nem susto, nem alegria, tampouco tristeza. No entanto, não manejou desviar os olhos, quis que suas íris registrassem os eventos do mundo ao seu redor como eles de fato o eram: os carros que passavam na rua, o vento delicado que lhe batia contra o rosto fazendo os cabelos tremularem levemente, as pessoas que saiam dos estabelecimentos dispostos em seu caminho e transpassavam sua visão, Red forçando a corda da coleira por conta de outro cachorrinho que passeava acompanhado de seu dono, uma linda mulher loira, que reconheceu como a médica de Jacob e não parava de falar, Lauren.

 

Yeah, we're both confused

But I'll keep pouring my whole life into

These broken roots

Sim, nós dois estamos confusos

Mas eu vou continuar colocando minha vida

Nestas raízes quebradas

 

O mundo era assim, formado de movimentos. Lauren era só uma pequena fração de movimento dentre todos os demais eventos, pensou Camila.

 

Frustrated

We feel the cracks within our

Frustrado

Sentimos as rachaduras dentro da nossa

 

Apenas uma mínima fração e Camila não lhe daria o prazer de torná-la algo maior do que aquilo. Por isso, não desviou o olhar, não mudou seu percurso ou sequer atravessou a rua para evitar o encontro iminente.

 

Foundation

That's why I'm digging every

Day and night. Night and day

Fundação

É por isso que eu estou cavando cada

Dia e noite. Noite e dia

 

Lauren sentiu o suor surgir em suas mãos, aquilo era um bom sinal, não era? Camila caminhava em sua direção com naturalidade e a morena já se preparava internamente para o que veria a seguir.

 

Swear I won't stop

So please keep waiting

Juro que não vai parar

Então por favor, continue esperando.

 

- Ei... Aquela é a esposa do Jacob, não é? – Savannah cortou seja lá qual fosse a frase que dizia anteriormente quando constatou a figura de Camila caminhando em direção a elas. Lauren, que já havia reparado na latina muito antes, olhou para a médica ao seu lado e grunhiu um “uhum”, nervosa.

 

'Cause I've been pouring my whole life in you

Trying to resurrect the love we grew

Porque tenho colocado minha vida em você

Tentando ressuscitar o amor que cresceu

 

Cada passo mais próximo era um novo sentimento em Lauren, um passo de ansiedade, outro de nervosismo, ao fim faltando poucos metros já eram todos passos de expectativa. Ela respirou fundo e deixou um sorriso começar a sair pelos lábios, viu Camila sorrir em retorno e aquilo a deixou terrivelmente embasbacada.

 

Yeah, we're both confused

But I'll keep pouring my whole life into

These broken roots

Sim, nós dois estamos confusos

Mas eu vou continuar colocando minha vida

Nestas raízes quebradas

 

No auge de seu nervosismo, pela realização daquele momento, Lauren não percebeu no sorriso de Camila a ausência do que é primordial em qualquer sorriso: o sentimento.

- Olá... Bom dia! – Camila falou em um tom alto e simpático para as duas mulheres, que diminuíram o ritmo dos seus passos prevendo uma parada para dialogar, mas Camila não fez a menor menção em diminuir os seus. 

 

I keep pouring my whole life in you

Trying to resurrect the love we grew

Porque tenho colocado minha vida em você

Tentando ressuscitar o amor que cresceu

 

- Olá... – Respondeu Savannah sorrindo de volta para a latina, vendo-a passar.

Camila passou por Lauren ainda com o sorriso nos lábios, mas o da morena morreu instantaneamente, um soco na boca do estômago teria lhe doido menos. Lauren precisava de um momento para processar o que acabara de acontecer, mesmo tendo certeza de que jamais entenderia os extremos que sua relação com Camila possuía.

 

Yeah, we're both confused

But I'll keep pouring my whole life into

These broken roots

Sim, nós dois estamos confusos

Mas eu vou continuar colocando minha vida

Nestas raízes quebradas

(Fim da música)

 

- Wow... – A voz de Savannah lhe fez recobrar a consciência. – Eu achei que todos os seus amigos estavam te perdoando. – Falou simples, quebrando o constrangimento que começava a surgir e voltando a andar no ritmo normal.

Lauren suspirou e a acompanhou estavam quase na entrada do restaurante.

- Aparentemente algumas pessoas são mais abertas ao perdão do que outras. – Lauren pontuou, irritada pela situação como um todo.

- Talvez seja porque algumas pessoas nós magoamos menos do que outras. – Savannah retrucou sincera, mas com sua voz carregada de doçura.

Lauren rolou os olhos e sorriu fraco, esforçando-se para não se deixar abalar e tentando tirar a imagem de Camila de sua mente. Entraram no restaurante e sentaram-se numa das mesas da calçada.

- Olha pra você, duvido que já tenha conseguido magoar alguém. – Zombou de Savannah. – Sempre com esse sorriso no rosto, que chega a ser irritante às vezes, até parece que conseguiria magoar alguém...

- Eu não magoaria você! – Savannah pontuou séria e Lauren a encarou, sentada do outro lado da mesa, pega de surpresa pela objetividade da mulher e sem entender ao que exatamente ela se referia ao dizer aquilo. – Não é uma brincadeira dessa vez... – Riu. – Quando eu te vi pela primeira vez, espancando uma máquina de refrigerantes. – Lauren riu. – Você parecia tão... Tão frágil, que até mesmo uma máquina de refrigerantes era capaz de te magoar e você sabe que eu tenho esse problema de querer cuidar das pessoas... – Lauren a olhava com atenção, levemente tocada pela confissão. – Droga eu falo demais às vezes. – Se censurou. – Enfim... O que estou querendo dizer é que, eu não te magoaria se eu tivesse uma oportunidade eu só tentaria cuidar de você. – Lauren arregalou os olhos. – Meu Deus não me leve a mal. – Benson se desesperou. – Eu nem sei se você se relaciona com mulheres. Quero dizer, eu olho pra você e eu sinto que sim, mas nós nunca conversamos sobre isso e eu estou aqui falando sobre uma oportunidade e...

Lauren arqueou as sobrancelhas, Savannah não pararia de falar enquanto ela mesma não falasse algo. Limpou a garganta e interrompeu a loira.  

- Eu magoaria você. – Admitiu com sinceridade e muita convicção. – Porque eu já fiz isso uma vez e não terminou bem.

- Por que eu sou uma mulher? – Savannah franziu o cenho, numa confusão muito encantadora.

- Não. – Lauren riu fraco. – Porque eu tenho assuntos mal resolvidos que me atrapalham.

- Ah! – Savannah exclamou em compreensão, soltou o ar dos pulmões, nitidamente aliviada. – Mas isso é simples, você só tem que resolvê-los. – Sugeriu com simplicidade e levemente divertida.

- Eu estou tentando, okay! – Lauren contestou com tom de indignação divertido na voz também e as duas acabaram gargalhando.

Lauren gostava de Savannah porque ela era feliz. Um tipo de felicidade que não é momentânea, que é perene e duradoura, que não é explosiva e sim contínua. A loira não tinha rompantes de felicidade, mas estava em constante alegria. A impressão que Lauren tinha era de que Savannah compreendia a vida em seu aspecto prático, devido à profissão que exercia talvez, e, justamente por isso, não se permitia ficar triste por coisas banais. Um coração partido, afinal de contas, será sempre banal diante de um coração que não bate mais e Savannah era habituada a corações que param de bater. Ainda assim, Lauren não podia se dar ao luxo de partir mais nenhum coração.

 

Lauren pensou em planos mirabolantes, considerou trancar Camila em algum lugar e só deixá-la sair quando aceitasse conversar, ou esperá-la todos os dias na frente de sua casa até que ela se desse por vencida e tivesse que falar. Durante os últimos dois dias, desde o fatídico encontro no meio da rua, ela passou cada minuto pensando em como fazer aquilo. Teria que arranjar um jeito de fazer Camila falar com ela. Só queria uma conversa, estava se tornando quase uma questão de honra.

- Cuida para não ser presa! – Dinah zombou.

- Que? – Lauren questionou, não estava prestando atenção na maior.

- Eu disse pra você não ser presa, porque essas suas ideias, francamente, que coisa de maníaco perseguidor.

- Você não entende!

- É claro que eu entendo. Você quer surpreendê-la de alguma forma estúpida, porque assim ela vai ficar tão, mas tão irritada, que vai falar com você. Arriscado. Pode dar muito errado, mas, admito, tem uma pequena chance de dar certo.

- Eu já tentei das outras formas, Dinah! – Reclamou. – Ela não dá uma abertura. Situações extremas requerem medidas extremas.

- E se você tentar mais?

- E se você só me ajudar a pensar?

- Eu sou inteligente demais para pensar em coisas estúpidas, meu cérebro não consegue se rebaixar. – Falou.

Lauren pegou a almofada que tinha no colo e jogou em Dinah, que estava sentada no sofá claro do seu apartamento. A grandona se esquivou do objeto com as mãos e a almofada bateu numa pequena estatua, que jazia sobre a mesa de canto da sala. 

- Pensa em algo inteligentemente estúpido então!

- Ei sua ridícula! Não vai quebrar a minha casa. Está vendo todas essas coisas aqui? – Abriu os braços no ar. – São peças únicas e raras.

Lauren ergueu os olhos para o quadro na parede. O quadro com a fotografia de Dinah e Normani dançando, encarou o objeto compenetrada e um sorriso surgiu nos lábios assim que um pensamento cruzou-lhe a mente.

- Eu já sei o que fazer!

- O que? Onde você vai?  – Dinah perguntou vendo a amiga se levantar num pulo.

- Você não ajudou com a ideia, você não tem o direito de saber. Eu vou colocá-la em prática – Falou já alcançando a porta.

- Só não seja estúpida demais... – Dinah ralhou, mas Lauren já estava longe demais.

A ideia era estúpida, muito estúpida, tanto quanto invadir o quarto de fotografias da latina, e exatamente por isso Lauren soube que teria chances reais de dar certo.

 

Camila passou a maior parte do final de semana na casa de sua mãe. Jacob estava trabalhando arduamente em terminar a pericia que Troy requereu, pois na semana seguinte começaria a ter menos tempo, devido as horas que passaria no hospital envolvido com a pesquisa. Por isso a latina quase não ficou em casa, além do mais era bom ficar com Sinu, sentia-se respaldada de sua atual realidade. Ali ninguém a questionava, ou tentava dar conselhos, muito menos se esforçava a fazê-la ver uma realidade com a qual não queria lidar. A mãe tornou-se, literalmente, um refúgio e durante todo aquele final de semana Camila manteve em paz.

No entanto, existe no universo uma ordem natural às coisas e tão comum quanto a calma depois da tempestade é a tempestade depois da calma. Na segunda-feira de manhã Camila chegou à casa de Arte, na qual dava aula, atrasada e deixou o carro de qualquer jeito no estacionamento nos fundos do prédio. Naquele dia teria duas turmas novas de manhã, o horário do almoço livre e durante a tarde as turmas já iniciadas.

As turmas novas começavam pelas aulas teóricas e isso significava começar por Camila, já que ela era quem dava a maior parte dessas matérias. Os cursos de fotografia eram de curta duração, de três a seis meses no máximo, o que proporcionava uma rotatividade muito grande de alunos. A mulher entrou no prédio de cor branca e aspecto modesto, se comparado aos outros prédios luxuosos e modernos aos arredores, e foi recebida pela secretária da instituição.

- Bom dia, professora Whitesides. – Disse a baixinha, de origem latina, sem se levantar de trás do balcão do hall de entrada. – Você tem duas turmas novas que começam hoje.

- Ah sim! – Camila concordou. – Eu dei uma olhada nos horários que me entregaram na sexta durante o caminho. Tenho história da arte na 201 até às 9h30m e depois na 203 até às 11h.

- Isso mesmo. – A mulher confirmou com um sorriso.

Camila pisou na escada já iniciando a subir para as salas, mas deu meio volta.

- Piedade... – Camila se voltou para a mulher. – Eu não recebi meus horários de aulas extras.

- Vou providenciar professora Whitesides.

- Piedade! Já pedi para me chamar de Camila. Faz anos que trabalhamos juntas... – Riu. – Eu não posso ter nenhuma aula extra amanhã a noite, é meu aniversário de casamento.

- Ok. A propósito como está o Sr. Whitesides?

- Está bem. – Camila respondeu sorrindo. - Vai começar um novo tratamento, algo que ainda está em fase de pesquisa.

- Oh! Vou rezar por ele, professora Whitesides. – Camila rolou os olhos, a mulher nunca pararia de chamá-la assim.

- Obrigada! Agora preciso subir porque estou atrasada.

Camila caminhou em passos largos até a sala 201. Apresentou-se ao chegar e pediu para que os alunos fizessem o mesmo, as turmas não eram muito grandes, cerca de uns 20 alunos. Logo ela já estava lhes explicando a matéria daquela primeira aula.

Às 9h30min antes de ir para a sala 203, onde a segunda turma daquela manhã a esperava, Camila voltou até a secretaria e retirou com Piedade o horário das aulas extras. Entrou na sala observando o horário que tinha em mãos, por já terem tido uma aula antes da dela os alunos conversavam alto, entrosando-se uns com os outros.

A latina deixou sua bolsa e material em cima da mesa e então se voltou para a turma, apenas para ter uma parte de sua consciência arrancada por duas esferas verdes que a encaravam do fundo da sala. Camila deu dois passos para trás e se apoiou no quadro branco fixo à parede, as pernas enfraqueceram e ela precisou de um momento para voltar a respirar.

O que diabos Lauren estava fazendo ali?

- Está tudo bem professora? – Um aluno, na casa dos quarenta anos, perguntou a Camila.

- Está sim. – Ela manejou responder. – Já vou começar a aula... Eu só...

- A Sra., quer que eu busque um copo d’água?

Lauren observava a interação com olhos arregalados, queria causar impacto em Camila, mas não fazê-la passar mal.

- Não precisa, foi só um susto eu já estou bem. – Sentenciou por fim. – Turma! – Falou alto, limitando seu olhar às primeiras fileiras. – Suponho que vocês já tenham se apresentado, então eu vou começar a aula.

Camila buscou seu livro sobre a mesa. O assunto da aula lhe fugiu da mente, Lauren a observava, apreensiva. A latina abriu o livro tentando se localizar, mas seu coração palpitava forte e ela o sentia batendo na garganta. As palavras escritas no papel estavam embaralhadas e Camila não conseguia decifrar o sentido delas. O peso dos olhos de Lauren sobre si a atormentando em níveis nunca antes experimentados.

Sentiu as fisgadas na boca do estomago começarem, precisava sair dali. Fechou o livro com força.

- Desculpa turma! Eu não estou me sentido bem. Eu não vou conseguir ministrar essa aula. – Falou baixo e não esperou por respostas.

Recolheu suas coisas e saiu às pressas da sala de aula. Lauren levantou num salto e foi atrás dela. A latina descia as escadas rapidamente, ciente de que Lauren estava em seu encalço. A morena não queria fazer um escândalo dentro do local de trabalho da outra, então não a chamou apenas pôs-se a caminhar atrás de Camila o mais rápido que conseguia.  

- Professora Whitesides tudo bem? – Piedade perguntou ao ver Camila cruzar a secretária feito um foguete.

Camila diminui minimamente seus passos.

- Eu não estou me sentido bem. Eu preciso ir pra casa. – Falou sem parar de andar.  

- A professora quer que eu chame aju... – Piedade não finalizou a frase, pois Camila já ia longe.

Lauren passou logo em seguida, quase correndo. No entanto, isso não chamou atenção da mulher já habituada ao vai e vem dos alunos.

 

Play – Run (Rhodes)

A primeira vez que Lauren viu Camila Cabello ela estava correndo, passou como um tiro de canhão ao seu lado. Camila nem se quer a viu. Não é irônico? Ela passou correndo por Lauren e de repente foi como se por toda sua vida a partir daquele dia Lauren corresse tentando fugir dela, ou corresse tentando alcançá-la.

O fato é que, não importa o quão rápida Lauren podia ser Camila sempre ganhava. Mas não dessa vez.

 

Do you, remember when we used to run?

Sometimes I think alone

Você se lembra de quando costumávamos correr?

Às vezes eu penso sozinho

 

Assim que alcançou a parte externa do prédio Lauren correu, não podia deixar Camila ir embora assim.

A latina chegou ao estacionamento, mais perdida do que nunca.

- Droga! – Xingou. – Onde eu deixei essa merda de carro! – Chegou tão apressada aquela manhã que não se recordava com exatidão onde estacionou seu Corolla preto. – Droga! Droga! – Finalmente avistou o carro bem aos fundos, numa das últimas vagas do estacionamento descoberto.

 

I dream under the sun

And I know, it's a long long time ago now

But I missed, missed so

Eu sonho sob o sol

E eu sei, é um longo, longo tempo atrás agora

Mas eu perdi, perdi sim

 

Camila se encaminhou até lá com pressa, no entanto, sua mão tremia e ela demorou em achar a chave do carro, quando finalmente achou abriu a porta e jogou as coisas para dentro do carro.    

- Camila! – Lauren finalmente a alcançou. – Espera... – Manejou falar ofegante, após a corrida. Repetiu o gesto de fechar a porta antes que Camila pudesse entrar, encurralando Camila entre o carro e ela.  

 

Hold, hold me down ...

Hold, hold on to your side

Segure, segure-me no chão ...

Segure, segure para o seu lado

 

 A voz de Lauren ruiu dentro de Camila e toda a raiva que beliscava seu estomago, pedindo para ser expelida, lhe escapou. A mulher se virou de súbito e Lauren arregalou os olhos diante da dimensão do que via.

 

Oh why do we run, oh run

So far from each other

Oh por que corremos, oh corremos

Para tão longe um do outro

 

- O QUE VOCÊ QUER AQUI? – Berrou.

- Eu só quero que você fale comigo. – Lauren respondeu em um tom ameno, mas tão nervoso quanto o de Camila. – Você não me deixou outra saída, Camila. Eu tentei de todas as formas.

- VAI SE FODER LAUREN! ESSE É O MEU TRABALHO. – Camila se aproximou rápido, incontrolável, e empurrou Lauren pelos ombros - VOCÊ NÃO PODE VIR ME ATORMENTAR AQUI. VOCÊ NÃO CANSA DE DESTRUIR A MINHA VIDA?

Lauren sentiu mais o impacto das palavras do que o do empurrão em si. Segurou o choro que começava a brotar. Queria aquilo, precisava que Camila fizesse aquilo, colocasse tudo pra fora, mas era difícil ouvir. Lauren engoliu o choro e voltou para perto de Camila de novo.

 

Always in love, oh love

So hard to remember

Sempre no amor, oh amor

Tão difícil de lembrar

 

- Eu não quero destruir sua vida. – Falou sincera. – Eu só quero uma oportunidade de conversar com você. Só uma Camila... – Implorou.

- EU NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ. EU QUERO QUE VOCÊ SUMA – Camila empurrou Lauren de volta, mas ela se manteve firme dessa vez. – SOME DAQUI LAUREN, VAI EMBORA. – Empurrou Lauren de novo. A morena fincou os pés no chão não se moveu. – VAI... CORRE.

 

But i'm tired now

Tired of grow

We never did, we never did walk alone

Mas eu estou cansado agora

Cansado de crescer

Nós nunca fizemos isso, nós nunca andamos sozinho

 

- Eu não vou embora Camila. – Lauren disse com os olhos cheios. – Eu não vou embora! – Repetiu.

- EU QUERO QUE VOCÊ VÁ EMBORA LAUREN. – Começou a empurrar Lauren, repetidas vezes, mas ela não se movia e os empurrões tornaram-se murros contra Lauren – VAI EMBORA PORRA. SAI DA MINHA VIDA.

 

So hold, hold me down ....

Hold, hold on to your side

Então segure, segure-me no chão ....

Segure, segure para o seu lado

 

- EU NÃO VOU CAMILA. – Lauren gritou. – Eu não vou embora! Você pode me bater, me xingar. EU NÃO VOU EMBORA. – Camila chorou e ali tão próxima Lauren viu refletir nos castanhos a imensa dor que existia dentro da dona deles. A latina esmurrou Lauren de novo. – Me bate... – Lauren chorou junto com Camila e estapeou a si mesma. – Me bate Camila. É isso que você precisa fazer? Então faz! – Lauren dava pequenos tapas em si mesma, sentindo tanta raiva de si quanto Camila naquele momento. – Me bate...

 

So far from each other

Always in love, oh love

So hard to remember

Para tão longe um do outro

Sempre no amor, oh amor

Tão difícil de lembrar

 

- Vai embora. Vai embora, Lauren. – Camila não sentia seu corpo e aos poucos os murros em Lauren se tornaram um ponto de apoio e Lauren a segurou, mesmo sem saber se poderia, sem saber o que aquilo causaria na latina.

Camila estava tão fora de si que não tinha forças para se afastar, deixou Lauren lhe manter de pé, mas negou-se a encará-la nos olhos.  

- Eu não vou embora. – Falou mais baixo, com Camila próxima de si. – Eu vou estar aqui amanhã e depois de amanhã e eu vou voltar quantas vezes forem necessárias até você falar comigo, Camila, e se você não estiver aqui eu vou até onde você estiver. Eu vou até o inferno atrás de você se for necessário e eu estou falando sério dessa vez, eu já enfrentei demônios piores dos que devem ter por lá.   

Camila deixou-se atingir por aquelas palavras e subiu timidamente os olhos até Lauren, ainda sentido os braços da morena lhe manterem de pé. Encarou Lauren, os olhos verdes avermelhados pelo choro. Tão próximos que Camila podia mergulhar neles, afundar-se, como tantas vezes desejou quando não os tinha por perto. Agora estavam ali, bem a sua frente, mas Camila afogava-se sem sequer entrar neles.

 

In the silence

Where your heart beats in mine

And you thought you might disguese ....

No silêncio

Onde o seu coração bate no meu

E você pensou que você poderia disfarçar...

 

- Eu não vou embora. – Lauren repetiu baixinho aproveitando o segundo de silêncio que se fez, encarando Camila fixamente sem mover um único músculo do corpo que pudesse afasta-la.

- Me solta! – Camila cuspiu as palavras e desvencilhou-se da morena. Girou sob os calcanhares e abriu a porta – Você teve todas as oportunidades do mundo para conversar comigo, Lauren. Agora é tarde!

 

Oh why do we run, oh run

So far from each other

Oh por que corremos, oh corremos

Para tão longe um do outro

 

- Antes tarde do que nunca, não é o que eles dizem? – Lauren resmungou vendo a latina entrar no carro.

- Sabe o que mais eles dizem Lauren? – Camila olhou-a venenosa antes de fechar a porta. – Foda-se você!

Lauren riu desgostosa.

 

Always in love, oh love

So hard to remember

Sempre no amor, oh amor

Tão difícil de lembrar

 

- Eu ainda vou estar aqui amanhã! – Foi a última coisa que disse antes de Camila deixá-la para trás no meio do estacionamento. 


Notas Finais


1. Broken Roots - Michl https://www.youtube.com/watch?v=Gulxh-mLs_Q
2. Run - Rhodes https://www.youtube.com/watch?v=4nfLiNoOnus

Aguardo comentários.
Qualquer coisa berra lá no @Clara_Decidida


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