História Time Doesn't Wait - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Loucura, Melhor Squad, Najas' Squad, Putaria, Wonderland
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Palavras 1.431
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


é né

Capítulo 1 - Parece que seu tempo acabou.


A garota enrolava uma mecha de seus cabelos negros no dedo, estava impaciente, odiava esperar. Seu olhar correu pela sala, analisando cada detalhe do cômodo; ela achava tudo ali tão sem graça. A mesma direcionou sua atenção para o velho relógio acima da porta. Os ponteiros pareciam mais lentos que o normal e toda vez que ela ouvia aquele tic tac irritante, seu corpo sofria pequenos espasmos. Como odiava esperar, como odiava pessoas atrasadas. Olhar o tempo passar, observas as horas, contar os minutos, aquilo a deixava sufocada de certa forma. Dava a sensação de que o momento pelo qual ela ansiava jamais iria chegar, ou que de repente, o tempo iria parar, apenas para prendê-la naquela agonia.

Kessy começou a contar os segundos  novamente, devagar e mentalmente. Onde estava aquele maldito médico que não chegava? Ela o estava esperando há exatos 3 minutos e 43 segundos e nenhum sinal do homem. Começou a beliscar seu próprio braço, como se a dor fizesse ela ter certeza de que ainda conseguia sentir o ambiente ao seu redor, que ainda estava acordada, que ainda podia se mexer e era consciente – de alguma forma -, o que significava que a qualquer momento o seu psiquiatra iria entrar por aquela porta velha e escura de madeira. Colocou a mecha de cabelo na boca e começou a morder, sempre fazia isso quando estava nervosa, era uma forma de aliviar a ansiedade.

Quando a maçaneta girou, Kessy deu um pequeno pulo na cadeira, virando sua atenção para o homem com terno que entrava calmamente na sala. Tomás se sentou em sua poltrona de couro e ajeitou a gravata, passou a mão por seu cabelo e suspirou, olhando para a garota com aquela cara de sempre, a de quem sabia muito mas dizia não saber nada. Para a morena, o médico sempre fora uma incógnita no mundo, pois ela era incapaz de ler suas expressões ou ter certeza de suas palavras, pois ele parecia mudar de humor a cada palavra, como se quisesse impedir as pessoas de saberem sua real intenção; isso era tão assustador, ela nunca gostou de não conseguir desvendar os mistérios que apareciam para ela. A menina soltou o cabelo e então, Daros começou a falar:

- Como foi essa semana, senhorita Pleini? – Os olhos da garota tremeram e ela olhou irritada para o psiquiatra.

- Liddell... – Sussurrou rispidamente.

- Por que não gosta do seu nome? – Daros baixou o pequeno caderno no qual anotava as coisas e olhou para a paciente.

- Por que eu deveria gostar?

- Boa pergunta, mas por que não responde a minha?

- Porque assim como não preciso gostar do meu sobrenome falso, não preciso te dizer o porquê... – Falou sem medo de soar grosseira.

- Mas você já me disse, não lembra?

- Eu não me lembro de muitas coisas que eu disse, ouvi ou fiz. Às vezes os apanhadores de sonho roubam minhas lembranças pra que eu pareça louca. – Ela disse se encolhendo.

- Apanhadores de sonhos? – O médico franziu a testa. – E porque eles querem que você pareça louca?

- Por conta dos remédios, é claro! – A menina exclamou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, e realmente era, porém, somente para ele.

- E o que eles têm contra os remédios? Eles não gostam? – Tomás voltou a anotar coisas em seu caderninho.

- Eles gostam, se eu não tomar, eu não posso entrar em Wonderland, eles não gostam de lá, porque em Wonderland as coisas são incríveis e mágicas, e se tudo que é bom é real, para quê iremos sonhar com algo melhor depois? Eles não podem se alimentar de pesadelos... – Kessy explicou, falando rapidamente.

- Então se você tomar os remédios, não pode mais ir até Wonderland?

- Nem Wonderland vem até mim... – A morena abraçou os joelhos.

- Você nunca disse algo sobre Wonderland vir aqui. – Tomás olhou para ela de forma séria, como se realmente estivesse acreditando em toda aquela loucura.

Kessy ficou estática, paralisada. Ela não ouvia o tic tac do relógio, não sentia sua respiração muito menos seu coração batendo. Era um daqueles momentos nos quais ela sabia que a droga não corria por suas veias, pois ela via aquele véu de realidade massacrante sendo derrubado e podia vislumbrar aqueles sonhos tão lúcidos, porém, agora tão distantes, que de vez em quando davam o ar da graça pelo hospital. Fazia anos que ela não visitava Wonderland, mas sempre que via seus amigos, eles estavam bem, como quando ela os deixou. Ela usava a vontade de voltar para eles para se manter naquele lugar infernal. Kessy começou a tremer e, atrás da cadeira do psiquiatra, um sorriso enorme e marcado por belos dentes afiados surgiu.

Uma música melancólica, cantada pela voz bela e ao mesmo tempo macabra que ela conhecia, vinha de algum lugar atrás dela, distante, entretanto, parecia estar dentro de sua cabeça. Ela podia ouvir a voz solo se duplicar e duplicar até ser um coro incessante e ensurdecedor que cantava sereno e baixo, mas que pareciam estar gritando ao mesmo tempo na sua cabeça. O sorriso dançava no ar, de um lado para o outro. Logo os olhos amarelos esverdeados e brilhantes apareceram também. Noah piscou para ela e apareceu completamente no colo do psiquiatra, soltando uma risada travessa.

- Você está demorando demais, Alice... – Ele falou, brincando com as mechas loiras do psiquiatra, que parecia estar congelado assim como o tempo.

- Não sabia que tinha um tempo para retornar. – A menor disse. Noah começou a flutuar e revirou os olhos, passando uma de suas enormes unhas de leve pelo rosto do médico, até tocar seu queixo.

- Para tudo tem um tempo, garotinha. Você acha que os segundos vão parar e esperar você estar pronta?

- Eles estão parados agora. – Falou a menina.

- Você tem certeza disso? – Ela hesitou. – Acho que você está perdendo sua essência, Alice. Sabe que o tempo faz muita coisa e parar não é uma delas, você só precisa mudar um pouco sua percepção de como ele é contado.

- Não compreendi. O tempo é contado pelos relógios, não? – O garoto gato lambeu a mão e fechou os olhos.

- Você acha que se todos os relógios do mundo pararem, o tempo vai parar com eles ou continuar correndo? Que diferença fazem os ponteiros? É tudo uma questão de como você vai sentir a presença ele. – Ele olhou para o pulso do psiquiatra, checando as horas. – Oh, que lástima, você está atrasada para chegar na hora, eu estou atrasado para me atrasar, porém, o inevitável acaba de chegar, na sua hora exata.

- Mas o que você quer dizer com isso?! – Quando perguntou isso, a cauda do felino começou a desaparecer, listra por listra, enquanto as vozes pareciam voltar e se aproximar cada vez mais.

Quando se deu conta, Noah havia desaparecido, ela estava sozinha na sala. Onde estava aquele maldito psiquiatra? Como ele saiu sem que ela percebesse? Kessy estava cansada de ser deixada e de não conseguir respostas, então, se levantou e saiu da sala, dando de cara com seu quarto ao invés do corredor. Ela se virou para a porta e estava deitada na cama, algo apertava seus pulsos e pernas. Sua respiração ficou ofegante, como aquilo tinha acontecido? O que estava acontecendo?

Antes que tivesse tempo para fazer mais perguntas as quais sabia que, jamais iria achar as resposta, o coelho branco passou correndo no teto, segurando seu relógio. Os ponteiros do mesmo giravam mais rápido do que o normal e o coelho não parecia estar atrasado, ele não repetia a frase que sempre proferia quando isso acontecia, ele simplesmente pulava apressado, como se estivesse tentando chegar a algo sem que o tempo fosse a questão principal do percurso. Ele pulou pela janela e nesse momento ela viu Hellen, sua enfermeira, se aproximar dela com aquele sorriso psicótico. A mulher de branco pegou a enorme seringa, o que fez com que a menina começasse a se debater desesperadamente, para se livrar das amarras.

Elisa, a outra enfermeira, se aproximou da mesma e desferiu uma tapa em seu rosto, fazendo-a gritar. Hellen aplicou a injeção no pescoço da menina e parecia que aquele véu de realidade estava sendo erguido novamente, dessa vez mais grosso. Ele caiu sobre ela, sufocando a mesma, mas ela não podia mais gritar, ela apenas ouvia as vozes do gato sussurrando em seu ouvido, de uma forma repetitiva e desesperada a mesma frase sem sentido que antes cantava.

“Caindo aos pedaços, castelos de carta! Despedaçando lentamente, tempo esgotado, Alice foi capturada!”

 


Notas Finais


né é


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