História Tired - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Hoseok, J-hope, Suga, Yoongi, Yoonseok
Exibições 33
Palavras 6.317
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Yaoi
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


AHDJSAH OI GENTE
Essa é a minha primeira vez tentando um projeto assim, e eu estou tipo SUPER HIPER MEGA BLASTER NERVOSA
MAAAAAAAAS... Eu realmente gostei de escrever essa YoonSeok :')
Inicialmente, seria uma one shot, mas como estava ficando um pouco grande demais, eu resolvi dividir em duas partes
Enfim, vou parar de tagarelar
A história não segue uma ordem cronologica, tipo, um dia depois do outro, mas eu procurei deixar explícita a passagem do tempo quando fosse necessário ^^
Capa cocozona porque:
1- Eu não sei editar ;-;
2- Foi a minha primeira vez tentando fazer isso ;-;
Espero que gostem, e boa leitura! ^^

P.S: Isso não foi betado :P

Capítulo 1 - Tired - Parte 1


Yoongi estava cansado daquela escola. Observava calado de sua carteira enquanto os colegas usavam as caixas de som instaladas acima da lousa para colocar uma música idiota e irritantemente animada. Mesmo que a coordenadora já houvesse os repreendido por isso, eles insistiam em continuar desobedecendo às regras do colégio e usar os equipamentos para colocar aquelas músicas ruins durante o intervalo. Suspirou, enquanto cogitava se valia ou não o esforço de sair dali. Por fim, apenas suspirou novamente e lamentou mentalmente o fato de ter esquecido seus fones de ouvido em casa.

Sentia-se praticamente invisível. As pessoas haviam se dividido em pequenos grupos, e conversavam todas ao mesmo tempo, enquanto alguns garotos idiotas brincavam de alguma coisa idiota sobre uma bolinha de papel no chão, passar ela no meio das pernas e sair correndo como um desesperado tentando bater na lousa enquanto era espancado pelos amigos, que gritavam “passou, passou!”, e derrubava algumas cadeiras no caminho. Idiotas. Tudo isso produzia um ruído estranho de vozes indistinguíveis misturadas à música péssima que ainda tocava. Era como estar no meio de uma multidão, mesmo que só houvesse trinta alunos na sala. Ainda assim, sentia que estava sozinho.

Será que as festas que seus colegas sempre davam e viviam comentando eram assim? Provavelmente sim, mas Yoongi não tinha como saber, já que não era convidado para nenhuma delas, e se fosse, provavelmente não apareceria.

Envolto em sua bolha de repulsão – era assim que se sentia, e chegara à conclusão de que esta era a única explicação para o fato de as pessoas agirem como se ele fosse invisível – o garoto de fios negros observou em silêncio a coordenadora aparecer na porta da sala e repreender, pela centésima vez só naquele mês, o menino alto e inquieto que sempre insistia em ignorá-la e continuar a bancar o DJ. Por um momento se permitiu imaginar como seria se ele fosse daquele jeito. Teria algum amigo verdadeiro? Será que sorriria mais? Teria um pouco de felicidade? Bufou e afastou os pensamentos. Ele não era daquele jeito. E estava cansado de pensar naquilo.

Como sempre que se permitia pensar em sua praticamente constante falta de companhia, sentiu-se ainda mais cansado e abatido. Talvez não fosse legal ou interessante o suficiente. De qualquer maneira, já havia se acostumado a estar sozinho.

“Eu não ligo à mínima.” Sussurrou para si mesmo as palavras que costumava dizer, e deitou a cabeça sobre os braços esperando o sino para o próximo horário tocar. Não demorou muito.

As palavras do professor misturavam-se, e embora suas frases fossem coerentes, Yoongi não entendia nada. Provavelmente pelo fato de estar ocupado demais escrevendo frases que nada tinham a ver com a matéria em uma folha solta que estava estrategicamente colocada ao lado de suas três folhas de anotações.

- Yoongi?

O garoto levantou o olhar para o professor, com a expressão neutra treinada milímetro por milímetro durante anos.

- Está fazendo a atividade de outro professor durante minha aula?

Negou com a cabeça, odiando o professor naquele momento. Seus colegas todos o encaravam, incrédulos – aquela era a primeira vez em dois anos que o garoto era citado por algum professor em um momento que não fosse o da entrega das avaliações.

- Então creio que não se incomodará em me mostrar o que tanto escreve aí. E nem em partilhar isto com a classe, não é mesmo? – disse ele caminhando em passos lentos até a mesa do garoto que estava ligeiramente mais pálido que o normal.

“Maldita a hora em que puseram esse professor substituto para dar aula.” Praguejou mentalmente, pegou as três folhas de anotações e as estendeu para o homem enquanto  agilmente escondia a outra folha por baixo das já presas ao fichário. O tal professor passou os olhos pelas folhas, e ao constatar que eram apenas anotações sobre a matéria, lançou a ele um olhar desconfiado e seguiu com a aula.

Yoongi apenas agradeceu que toda a atenção não estivesse mais voltada para si e voltou a escrever as frases, que iam se unindo e montando, rima por rima, um desabafo velado. E não percebeu que mesmo quando todos já haviam parado de olhar para ele, um olhar ainda se sustentava.

*-*-*-*-*

Yoongi estava muito cansado de se sentir deslocado. Naquela festa idiota da empresa de seus pais, festa a qual ele havia sido obrigado a comparecer, tudo em que conseguia pensar era que não aguentava mais cumprimentar pessoas, fazer o bom filho e sorrir. Principalmente sorrir. Qual a merda do sentido em continuar sorrindo para os outros mesmo que não quisesse? Era como se para todas aquelas pessoas uma droga de sorriso significasse que elas tinham a garantia que tanto queriam de que podiam continuar se preocupando apenas com suas próprias vidas.

Agora que finalmente havia conseguido fugir um pouco para o banheiro, afrouxou o nó da gravata e passou água no rosto. Estava cansado de fingir para aquelas pessoas. Estava cansado de fingir para todas as pessoas. De continuar, dia após dia, reprimindo o que sentia para evitar ouvir as mesmas palavras que todos diziam toda vez que deixava transparecer que estava mal: “Você tem a vida perfeita, muita gente daria tudo para estar no seu lugar, você não pode se sentir assim...”.

Não conseguia entender qual o sentido nessas palavras. Ter três aparelhos de televisão em casa fazia dele menos humano? Estudar em um dos melhores colégios da cidade o tornava menos suscetível a sentimentos? Ser de uma família que tinha dinheiro tirava de si a permissão para se sentir mal? No fim, talvez realmente a resposta para essas perguntas fosse sim. Talvez realmente não tivesse o direito de se sentir de nenhuma outra maneira que não fosse feliz e agradecido. Mas nada disso importava, ainda continuava se sentindo da mesma maneira. Vazio.

Estava cansado de se culpar por ter sentimentos, cansado de ter sentimentos, cansado de ser julgado apenas porque seus pais tinham dinheiro. Balançou a cabeça negativamente, passou uma das mãos pelos cabelos e encarou os próprios olhos no espelho, adiando o máximo que podia sua volta para o salão. Ficou alguns instantes ali, mas tinha de voltar logo, antes que alguém percebesse que havia saído. Ajeitou novamente a gravata, passou as mãos no rosto e saiu do banheiro.

Nem mesmo se lembrava do motivo de uma festa tão grande como aquela. Talvez uma nova parceria, ou algo do tipo. Ao menos a música clássica que tocava em altura ambiente era boa.

Queria ir para casa. Não gostava de estar em espaços com muitas pessoas, não queria ter de conversar com um empresário qualquer que fosse sócio de seus pais e fingir que estava interessado, não queria ouvir perguntarem se já sabia qual faculdade fazer, ou se estava preparado para assumir a responsabilidade de administrar o império que o pai havia construído.

 Em casa poderia dormir e, nem que fosse apenas por algumas horas, fugir da sensação mista de agonia, apreensão, impotência e principalmente cansaço que parecia cada vez maior dentro de si. Como uma mão gigantesca crescendo, e apertando seu peito, tirando-lhe o fôlego e almejando levar sua sanidade embora para longe. Muito longe.

- Yoongi, onde você estava?! O que aconteceu com seu cabelo? Eu já te disse para ficar perto de nós e não agir como se não tivesse recebido educação! Olha o seu estado!

O garoto nem se deu ao trabalho de responder a mãe, que já passava as mãos por seu cabelo colocando de volta no lugar os poucos fios que estavam bagunçados. Apenas murmurou um “me desculpe” e a seguiu até perto do pequeno palco em um dos cantos do salão, onde seu pai os aguardava aparentando estar impaciente.

Esta era com toda certeza a parte que ele mais odiava nessas festas, ter de subir ao palco com seus pais e sorrir como o bom filho que já está sendo preparado para herdar e assumir todas as responsabilidades que visavam para ele. Nem ao menos prestava mais atenção às palavras de seu pai. Apenas agia mecanicamente como já estava acostumado a fazer em qualquer lugar e torcia para voltar logo para casa.

Desta vez, no entanto, algo lhe chamou a atenção. Alguém, na realidade – um garoto alto, que se ajustava perfeitamente ao terno preto que vestia e que parecia pronto para assumir qualquer responsabilidade que lhe dessem. O garoto moreno subira ao palco junto com seus pais, os Jung – que eram os novos companheiros de negócios da família de Yoongi – e junto com a família cumprimentara os Min, que fizeram o mesmo, mas Yoongi nem mesmo prestava atenção ao que fazia, já fizera aquilo tantas vezes que era algo quase natural.

O que realmente lhe chamara a atenção no filho dos Jung era que ele era o garoto moreno, barulhento e inquieto que sempre era repreendido pela coordenadora no colégio por colocar músicas irritantemente animadas nas caixas de som da sala durante o intervalo. Ali, parecia uma pessoa completamente diferente.

O Min passou o resto do discurso do pai com a cabeça abaixada e meio virada, torcendo para que o outro não o reconhecesse. Quando finalmente pôde sair daquele palco, inventou uma desculpa qualquer e voltou para o banheiro. Não fazia ideia do porquê de não querer ser reconhecido pelo outro, e se amaldiçoou mentalmente por agir daquela maneira.

Alguns minutos depois, Hoseok entrava no banheiro, alargava o nó da gravata e bagunçava os cabelos castanhos, enquanto Yoongi voltava para casa depois de mentir para seus pais que estava com dor de estômago.

*-*-*-*-*

Yoongi queria que o tempo passasse logo. Estava sentado no muro baixo de concreto que ficava ao lado de fora da quadra de basquete a qual tinha o costume de ir para ficar sozinho. O moletom acinzentado com detalhes pretos que usava e o boné também preto haviam sido escolhidos não ao acaso, como geralmente acontecia, mas para que pudesse esconder dos pais algo que com certeza os faria surtar. Havia pintado o cabelo.

Mentira para os pais que iria ficar até mais tarde na rua para fazer um trabalho qualquer, como fazia sempre que queria um tempo apenas para si e seus pensamentos, e em um impulso, comprara a tintura e quando viu já estava com os fios de cabelo castanhos. Sabia que se tivesse parado para pensar, nunca teria nem sequer entrado na farmácia; não se arrependia de tê-lo feito.

Não era algo excepcional, na visão do garoto que agora tinha os fios, antes pretos, tingidos de um castanho quase avermelhado. Sempre tivera vontade de mudar a cor do cabelo, e embora quisesse algo muito diferente - cores como verde e vermelho - optara por começar com uma mudança pequena. Mas ainda assim sabia que assim que seus pais vissem aquilo, brigariam com ele e muito provavelmente o obrigariam a tingir novamente, de volta a cor natural. Não queriam passar aos sócios a imagem de que eram liberais demais, e na visão deles, garotos com o cabelo pintado não era considerado um bom sinal.

De qualquer maneira, o herdeiro dos Min preferia adiar o máximo possível o momento em que seus pais fossem implicar com seu cabelo. Estava cansado de fazer tudo o que eles mandavam e não ter liberdade para escolher nem mesmo de que cor queria o próprio cabelo. Cansado de viver sob as expectativas e sonhos dos outros. Não conseguia nem mesmo ter um sonho próprio, mas afinal, por que precisava de um? Só queria viver um dia depois do outro, sem se preocupar com o que estaria fazendo dali a quinze anos. Não queria um dia programado minuto por minuto de reuniões com assessores e sócios, e acima de tudo estava cansado de ter que aceitar tudo o que lhe era imposto pelos pais e pela sociedade. Cansado de possíveis julgamentos. A mudança no cabelo era sinal disso.

Pegou a mochila que estava no chão, e tirou de lá algumas folhas e um caderno para servir de apoio. Releu algumas das coisas que havia escrito em sala de aula, e começou a escrever outras. As palavras fluíam por sua mente e eram transcritas ao papel de maneira natural. Quando sentiu que havia passado para aquelas folhas tudo o que precisava, se pôs a reler e ajustar.

Yoongi não fazia ideia de porque estava fazendo aquilo, mas seu coração sentia a necessidade de organizar aquelas frases, como a criação de uma poesia. Acreditava que criar algo era um processo, que começava com a inspiração pura e selvagem jogando no pensamento ideias brutas como diamantes, ideias que depois de transcritas tinham de ser lapidadas. E era isso o que estava fazendo naquele exato momento, lapidando os sentimentos puros e brutos que havia transcrito para algumas folhas soltas de fichário.

Esculpia ali, quem sabe, um sonho, que surgia pequeno e suave como uma gota d’água no oceano de confusão que se encontrava dentro de si, mas que cresceria e se tornaria forte como um tsunami. Mesmo que não soubesse, ou que não percebesse, ajuntar aquelas frases em rimas era algo que estava gostando de fazer, como há muito não gostava de nada.

Quando voltou a prestar atenção no que acontecia a sua volta, percebeu que já havia escurecido e que deveria voltar para casa. Guardou suas coisas, tomando um cuidado especial com as folhas que agora eram preenchidas por uma ideia lapidada em forma de letra, cobriu a cabeça com o capuz e o boné e se pôs a caminhar na direção do metrô.

Em outro lugar da cidade, outro jovem se encontrava e lapidava na forma de passos de dança bem executados um sonho que já existia, mas era reprimido. Encontrava numa galeria abandonada, de um bairro distante, um refúgio, aonde poderia deixar de se preocupar com as centenas de dúvidas que tomavam sua mente nas últimas semanas e apenas se deixar levar pela batida de uma música qualquer enquanto dançava até estar exausto demais para pensar em qualquer coisa.

*-*-*-*-*

Uma semana já havia se passado, e os pais de Yoongi ainda não haviam percebido a mudança no cabelo do garoto. Essa era uma das vantagens de se ter pais que estão sempre trabalhando. Já era domingo, passava das onze da noite, e o Min havia perdido a hora. Torcia para que seus pais estivessem dormindo, ou nem estivessem em casa quando chegasse, mas assim que passou pela porta de entrada a voz da mãe se fez presente:

“Onde você estava? Sorte a sua que seu pai teve que ir até a empresa resolver uma emergência.”

“Eu perdi a hora. Desculpe-me.”

“Você está bêbado?”

Ela levou a mão até o capuz da blusa de frio e puxou, as recolhendo imediatamente como se houvesse tocado em fogo ao ver o cabelo do filho.

“Ai meu Deus!” Exclamou levando as mãos a boca surpresa. “O que foi que você fez com seu cabelo?”

Yoongi revirou os olhos, puxou o capuz do moletom de volta sobre os fios e se virou para olhá-la nos olhos.

“Eu pintei.” Afirmou simplista.

Queria que aquela conversa acabasse o mais rápido possível, pois sabia que se demorasse muito tempo ali, perderia a coragem e acabaria por aceitar o que seus pais lhe impusessem. Estava com medo que a pequenina chama que havia começado a acender em seu peito fosse apagada; estava com medo de ter seu pequeno vislumbre de sonho tirado de si e substituído pela aceitação das regras e ordens dos pais. Sabia que ainda não tinha coragem e nem força de vontade o suficiente para enfrentá-los. Prova disso era o fato de mesmo tendo pintado o cabelo, ter passado toda a semana escondendo-o sempre que não estava sozinho. 

“Por que é que... Como é que você pôde desobedecer a mim e a seu pai assim?” A indignação era clara no tom de voz da senhora Min, que assumia uma postura fria.

“Entrando na farmácia, comprando a tinta e pintando o cabelo. Mãe, não tem nada de demais em..."

A ardência na face direita foi instantânea. O tapa fora desferido contra si com tamanha força, que o garoto cambaleou alguns passos pra trás, levou a mão ao rosto e encarou a mãe surpreso. Esperava gritos, castigos, qualquer coisa, menos aquilo.

“Não me faça ter que contar para o seu pai. E não ouse pisar nessa casa enquanto não estiver com seu cabelo de volta a cor natural. E torça para que nenhum sócio veja.” Balançou a cabeça em negação. “Você é uma decepção."

As palavras ditas em um tom decepcionado e frio foram como um balde de gelo despejado diretamente na cabeça do garoto. Assim que a mulher se virou e saiu da sala, Yoongi foi para o próprio quarto, perplexo demais para pensar em qualquer coisa racional. A mão gigantesca de sentimentos ruins estava de volta ali, esmagando-o, pronta para sufocá-lo. Naquela noite, teve um pesadelo. Mas não tinha ninguém com quem compartilhá-lo, então apenas abraçou as próprias pernas e permaneceu ali, sentado na cama encarando o vazio escuro e sufocante do quarto sentindo a esperança que crescia dentro de si morrer, enquanto aguardava o horário de ir para o colégio.

*-*-*

O professor substituto que perguntara sobre as anotações de Yoongi semanas antes, havia sido contratado para assumir um cargo definitivo, e a primeira coisa que fez foi passar um trabalho em duplas para “verificar a dinâmica da turma”. Na visão do garoto, ele só queria mostrar serviço aos diretores por ter roubado o emprego do outro.

Yoongi odiava esse tipo de trabalho, uma vez que sempre acabava tendo como parceiro algum idiota irresponsável e fazia o trabalho sozinho. Já esperava quem seria o inútil que sobraria para ele desta vez quando foi surpreendido por Jung Hoseok colocando uma cadeira e se sentando ao seu lado sem dizer nada.  Lançou um olhar de relance para o garoto e voltou a deitar a cabeça coberta pelo capuz do moletom, e pelo boné que escondia seu cabelo, nos braços.

Quando o restante da sala havia se organizado, levantou-se apenas o suficiente para conseguir escrever e começou a copiar o que deveria ser feito. Torcia internamente para que o outro não fosse apenas mais um idiota inútil, e que o ajudasse a fazer o trabalho de verdade.

“Não dá pra terminar isso aqui na sala nunca.” Hoseok afirmou encarando, com uma expressão estranha, as costas do professor que ainda escrevia na lousa o que deveria ser feito.

Yoongi apenas assentiu sem desviar os olhos do papel a sua frente. Ao notar que a data de entrega era o dia seguinte, sentiu vontade de atirar o professor pela janela, e os diretores que o haviam contratado. “Esse cara tá de sacanagem com a minha cara, só pode...” sussurrou indignado. Teria que passar a tarde fazendo aquilo, e não teria tempo de pintar o cabelo de preto novamente, o que era um problema.

Hoseok não conteve um sorrisinho ao ouvir a exclamação do outro. Não havia deixado de reparar que o colega parecia ainda mais quieto que o habitual naquela manhã, ainda mais estranho do que estivera na última semana. Fazia questão de ignorar com todas as forças o motivo de estar observando tanto o colega de classe, e dizia para si mesmo que era apenas vontade de fazer amizade com ele. Nada mais que isso. Ainda assim, a vontade de passar as mãos pelo cabelo do outro apenas para sentir como era, entre outras, estava aparecendo com muito mais frequência do que ele gostaria.

Outro fato que estava preferindo ignorar era a curiosidade que vinha corroendo sua mente com relação ao motivo de Yoongi ter passado a semana toda de capuz, tendo sido inclusive retirado de sala por se recusar a tirá-lo, e de cabeça baixa a grande maioria do tempo. Este havia sido um dos motivos para que aproveitasse a oportunidade que surgira de se sentar com o colega.

“Você prefere fazer o que sobrar na minha ou na sua casa?"

A resposta demorou alguns segundos, enquanto o garoto de moletom ponderava o que era melhor. Por fim chegou à conclusão de que estava ficando louco.

“Nenhum dos dois.”

“Mas a escola vai estar fechada.”

“Eu sei. Você se importa de fazer o trabalho em outro lugar?”

“Não.” Deu de ombros. De qualquer maneira, não estava a fim de ficar em casa ouvindo seus pais falarem sobre a importância de fazer as coisas bem feitas enquanto eles tentavam fazer o trabalho. 

Quando as aulas acabaram, se encontraram na saída do colégio. Hoseok seguiu Yoongi em silêncio, já que o outro não parecia a fim de conversar e o próprio Hoseok estava começando a se sentir mal com as centenas de dúvidas que havia esquecido até o momento, mas que haviam voltado com força total no momento em que pusera os olhos na figura de Yoongi encostado no muro do colégio com a cabeça baixa, um dos pés encostado no muro e as mãos nos bolsos o esperando para irem.

Pegaram o metrô, e desceram em uma estação que o mais alto desconhecia, mas resolveu não perguntar. Duvidava que o colega fosse uma espécie de serial killer que o estava levando para uma emboscada.

“Por que você passou o tempo todo com esse boné e esse capuz na cabeça hoje?” Perguntou em um tom casual fingido, já que na realidade o que realmente queria era perguntar isto desde o segundo dia que Yoongi havia aparecido assim no colégio. Ou simplesmente puxar a peça da cabeça do menino e descobrir por si próprio.  

“Por que quer saber?” Yoongi respondeu com outra pergunta, chutando uma pedrinha que estava no caminho.

“Por que nas últimas semanas eu desenvolvi a mania bizarra de te observar e pensar em como seria passar as mãos no seu cabelo, mas não dá pra ver ele nem sua cara direito quando você está com essa coisa na cabeça” Foi esse o primeiro pensamento que lhe veio à mente, o fazendo tossir e quase engasgar com a própria saliva. Balançou a cabeça afastando tal pensamento. Tinha de parar com isso.

Hétero Jung Hoseok. Você é hétero. Repetia incessantemente tal pensamento.

“Só... Só por curiosidade mesmo.”

“Porque eu pintei o cabelo.”

Yoongi não sabia por que havia revelado aquilo ao garoto. Talvez só quisesse contar a alguém, mesmo que esse alguém fosse Jung Hoseok, o filho mais velho dos sócios mais importantes de seus pais no momento, e pudesse comentar algo com os próprios pais e fazê-lo ser deserdado.

“Ué... Não gostou do resultado?”

“Gostei.”

“Então por que...”

“Minha mãe não quer que pensem que ela é liberal demais, e me mandou voltar para a cor natural antes que alguém visse.”

“Ah sim... Manter a imagem de família tradicional coreana perfeita?”

“Algo do tipo.” Yoongi respondeu com um sorriso. “Sou filho dos Min.”

“Espera... Os Min... Os Min? Aqueles empresários?”

“Sim.”

“Nossos pais são sócios!” Hoseok exclamou sorridente.

“Eu sei. Eu te vi na festa que eles deram para comemorar isso.”

“Ah... Então era você mesmo. Bem que parecia.”

Hoseok sentiu vontade de se jogar na frente de um carro assim que fechou a boca, e agradeceu silenciosamente o fato de o outro garoto não comentar mais nada sobre aquele assunto. 

“Chegamos.”

O lugar era uma lanchonete relativamente pequena, mas muito bem organizada. As paredes eram de um amarelo claro e suave, e a pintura estava bem conservada, sem manchas de ketchup ou qualquer outro molho. Havia apenas a porta por onde entraram sobre a qual havia um sininho que apitava sempre que alguém adentrava o local, uma mais ao fundo do estabelecimento que deveria ser o banheiro e duas grandes janelas de vidro na fachada, cobertas com insul film, o que permitia aos clientes de dentro terem uma visão da rua sem que as pessoas que estavam de fora os observassem. O chão era de ladrilhos brancos, e excepcionalmente limpos para uma lanchonete. O lugar todo era muito bem iluminado, por lâmpadas que pendiam do teto dentro de pequenos apoios típicos de filmes, que davam ao local um ar aconchegante.

Havia mesas para dois dispostas por todo o lugar, e em um canto mais ao fundo, pequenas cabines com sofás pra mais que duas pessoas, ou para aqueles que quisessem mais espaço. As mesas eram redondas e de madeira. Já as cabines, possuíam mesas maiores e de um amarelo quase inexistente. Cada mesa era enfeitada com um cardápio. Era um local aconchegante.

Assim que entraram, Yoongi tirou o capuz e o boné da cabeça e passou as mãos pelo cabelo. E Hoseok desviou o olhar e disse para si mesmo que não, não havia achado aquilo extremamente bonito. Passaram o resto da tarde em uma das cabines fazendo o trabalho e dividindo uma porção gigante de fritas. Em algum momento da tarde Hoseok ficara estranho, não mais falante e sorridente como estava antes, mas Yoongi não perguntou o porquê de tal comportamento repentino.

Por fim, Hoseok foi embora quando terminaram, e sem nem passar em casa rumou direto para a galeria abandonada a fim de dançar até esquecer o quão bonito os poucos sorrisos – apenas dois ou três – que Yoongi abrira durante a tarde eram; já o herdeiro dos Min passou a noite arremessando sua bola de basquete na cesta velha da quadra fechada que usava para ficar sozinho até estar tão cansado que apenas adormeceu no colchão que havia deixado lá há para o caso de precisar passar a noite fora – por algum motivo como, por exemplo, não ter tingido o cabelo de volta ao preto.

No dia seguinte, Yoongi chegou atrasado à escola. Seus fios já estavam pretos novamente, e seu olhar parecia completamente sem esperança ou vontade de continuar ali. Hoseok evitou olhar para ele, mas nas últimas aulas percebeu que estava menos animado que o normal ao ver o garoto tão para baixo, e se pegou desejando secretamente abraçá-lo e dizer para que não ficasse daquela maneira. Quase se odiou por isso, mas tudo o que conseguiu fazer foi esconder tal sentimento na camada mais funda de sua mente e ficar com uma garota na tentativa de fazer com que o que quer que estivesse sentindo passasse.

*-*-*-*-* 

Yoongi estava exausto. Nem mesmo conseguia se lembrar de exatamente por que se envolvera naquela briga, mas já estava correndo de dois garotos que mais pareciam armários – pelo menos a seu ver –, havia no mínimo vinte minutos. Suas pernas doíam, os cortes no lábio e no canto da sobrancelha direita ardiam, o ar entrava de maneira rarefeita e com dificuldade, chegando aos pulmões como brasas. Clarões brincavam diante de seus olhos, e não fazia mais a mínima ideia de onde estava. A única coisa em que conseguia pensar era que tinha de continuar correndo se não quisesse acabar espancado numa rua qualquer de um bairro qualquer que com certeza ficava a uma distância considerável de sua casa.

Seus perseguidores pareciam não se cansar nunca, e estavam cada vez mais perto devido a sua perda considerável de velocidade causada pelo fato de ter machucado a perna com um chute de um dos dois garotos que corriam atrás dele. O garoto de fios vermelhos olhou por cima de um dos ombros, e sentiu o desespero formar um nó em sua garganta ao notar quão próximos os dois estavam. Ao voltar a olhar para frente, deu de cara com as costas de alguém. O choque fez com que ele atingisse o chão, ralando as palmas das mãos, e o outro desse alguns passos para frente, antes de se virar assustado.

Hoseok não levou muito tempo para assimilar o que estava acontecendo, e ao notar o traço de desespero nas atitudes do garoto se levantando de maneira atrapalhada não conseguiu evitar que seu instinto protetor falasse mais alto. E talvez, só talvez, o fato de ele se parecer muito com o colega de classe quieto que vinha observando a um tempo considerável tenha tido influência em sua decisão de agarrar o outro pelo pulso e sair correndo, meio arrastando o ser pálido atrás de si. O preparo físico que a dança lhe havia concedido facilitou o trabalho de ganhar alguma vantagem com relação aos dois que corriam atrás deles.

Dobrou em uma esquina e entrou em um beco que já conhecia bem, se escondeu com o garoto que parecia prestes a desmaiar atrás de um trailer abandonado que estava ali desde sempre e esperou. O capuz do moletom preto que o garoto usava não deixava seu rosto completamente à mostra, e o escuro atrapalhava ainda mais a tentativa de Hoseok de ver as feições do outro. Pouco tempo depois, passos apressados foram ouvidos.

“Tem certeza que eles não entraram nesse beco?“

“Tenho mano! ‘Cê não viu a cara dos moleques? Dois playboyzinhos daqueles não entrariam aí nem a pau. ‘Vambora.”

Os passos voltaram a ser ouvidos, e assim que teve certeza de que os dois já estavam longe, o Jung se virou para o garoto ao seu lado.

“Por que eles...?”

Antes que o outro pudesse terminar a frase, Yoongi puxou o capuz da blusa da cabeça, se curvou para frente e vomitou. Sentia vontade de chorar, e provavelmente o faria se não estivesse fraco demais para isso. Afastou-se cambaleante da poça de vômito recém-formada no chão, passou a manga da blusa na boca e se sentou – quase caiu – no chão, encostando a cabeça no trailer atrás de si, sem dar atenção ao outro. Precisava respirar.

“Yoongi?” Hoseok sabia que a pergunta havia sido idiota, já que obviamente era o outro ali, sentado no chão com os braços apoiados em um dos joelhos e a cabeça encostada no trailer velho. Por um momento se permitiu observá-lo. O garoto estava com os olhos fechados e a boca semiaberta, tinha uma expressão de dor e a respiração ofegante, além de as bochechas e todo o resto do rosto levemente avermelhados. Um filete de sangue quase seco escorria do corte próximo ao olho direito. Os cabelos vermelhos estavam grudados à testa devido ao suor. Esse foi o detalhe que mais demorou a processar: Min Yoongi estava com o cabelo vermelho. E estava fodidamente lindo.

Caralho Hoseok! Você é hétero, porra! Hétero! Pensou consigo mesmo e desviou o olhar.

“Yoongi!” Voltou a chamar, mais alto dessa vez. Estava confuso. O que ele estava fazendo ali? Por que estava sendo perseguido por dois brutamontes que queriam espancá-lo?

“Eu... Acho... Que vou... Desmaiar.” A resposta demorou vários segundos, e veio tão baixa que Hoseok quase não a ouviu.

Hétero. Jung Hoseok, não pense bobagens. Ele não disse nada demais, e você é hétero seu merda! Ignorou os próprios pensamentos um tanto quanto estranhos com o colega.

“O que ‘cê tá fazendo aqui? E por que aqueles caras ‘tavam atrás de você querendo te dar uma surra?”

Não obteve resposta alguma, e depois de alguns segundos Yoongi se mexeu, se apoiando no trailer e se levantando ainda cambaleante. Sentia-se péssimo, e só queria se deitar ali no chão mesmo e apagar, acordando apenas quando estivesse melhor. Mas não podia fazer isso, então decidiu que sairia dali o mais rápido que conseguisse, ignorando o fato de o filho dos Jung estar lhe observando com uma expressão confusa.

“Preciso ir.” A voz soava arranhada e extremamente baixa por causa da secura na garganta.

“Onde você acha que vai? ‘Cê não conseguiria nem atravessar a rua nesse estado.”

“Eu ‘tô bem.” Afirmou, mas antes que desse o primeiro passo para sair dali, uma onda forte de tontura o atingiu, subindo por seu corpo e desequilibrando-o. Apoiou-se novamente no trailer e curvou-se para frente com ânsia de vômito. Passou algum tempo naquela posição, e então se permitiu voltar a se sentar no chão.

Hoseok observava a cena, atônito e sem saber exatamente o que fazer. Estava indo até a galeria abandonada para dançar como costumava fazer sempre que seus pais viajavam a negócios, e acabara com o colega de classe que lhe incomodava os pensamentos nas últimas semanas parecendo prestes a desmaiar em um beco. Passou alguns minutos apenas andando de um lado para o outro pensando no que fazer enquanto Yoongi continuava sentado no chão com as pernas esticadas e a cabeça pendendo para baixo como se não tivesse força, ou vontade, para levantá-la. Era realmente algo um tanto quanto perigoso ficarem os dois ali naquele estado, poderiam ser assaltados a qualquer momento – na melhor das hipóteses.

“É melhor a gente sair daqui, antes que alguém apareça e nos esfaqueie. Vem.” Ajudou o outro a se levantar com calma, e começou a caminhar puxando-o pelo pulso na direção de uma porta enferrujada no próprio beco. Yoongi o seguiu, pois não estava a fim de ser esfaqueado e também porque sentia que não poderia voltar para casa naquela noite de qualquer maneira. O Jung forçou a porta para que abrisse, e depois de entrarem fechou-a com força e passou um cadeado por dentro. Não sabia – na verdade não queria admitir para si mesmo – por que estava fazendo aquilo ao invés de simplesmente mandar o outro para casa e seguir seu plano original de terminar de montar uma coreografia. No fundo, estava preocupado que o Min tivesse problemas por chegar em casa naquele estado e com os cabelos vermelhos.

“Que lugar é esse?”

“A galeria abandonada que eu uso como estúdio de dança quando quero ficar sozinho.”

“Você não está sozinho.”

“E você muito provavelmente vai estar deserdado se for para casa desse jeito. Eu pelo menos estaria. Por que aqueles caras estavam correndo atrás de você?”

“Sou muito lindo, acabaram se apaixonando. Por que você se importa se eu for ou não deserdado?”

A pergunta fez o cérebro do moreno entrar em pane por alguns segundos, porque nem ele mesmo sabia o que responder. Demorou alguns segundos para pensar em uma resposta aceitável.

“Isso prejudicaria a imagem dos seus pais, e consequentemente a dos meus. O que você tá fazendo nesse bairro?”

“Você faz perguntas demais.”

 Chegaram a uma espécie de sala, que a primeira vista lembrou muito a Yoongi a quadra que usava para fugir da realidade, e que para Hoseok tinha a aparência de um local aonde podia ter paz e fazer o que realmente amava.

“Tem uma torneira ali no canto, pode usar pra lavar esse sangue do rosto.”

Yoongi apenas assentiu, e seguiu na direção apontada pelo outro. Cerca de dez minutos depois, sentia-se muito melhor. Desligou a torneira e se virou, observando melhor o local: as paredes eram de cimento, e havia apenas uma grande janela em uma delas, que possuía grades de uma ponta a outra e uma espécie de outra janela que era completamente escura e que podia ser puxada para tampá-la e trancar. A porta por onde haviam entrado no pequeno estúdio de dança era na parede em frente a que ficava a janela, e havia uma pequena mureta dividindo-a em duas partes.

Outra das paredes era metade coberta por um espelho gigante, que ficava logo ao lado de um pequeno armário embutido na mesma. Na parede oposta, Havia um espelho no mesmo alinhamento, dando a impressão de espelho infinito. Yoongi estava ao lado desse espelho, onde havia uma torneira e outro armário embutido na parede. Dois suportes para lâmpadas pendiam do teto; a iluminação era incrivelmente boa para um lugar abandonado. Não era uma sala muito grande, mas estava incrivelmente limpa e organizada. Hoseok estava sentado na mureta, de costas para o garoto de fios avermelhados, mexendo no celular.

“Organizado demais pra um lugar abandonado.” Falou mais para si mesmo, mas ainda assim o moreno respondeu.

“Nada que uma mesada farta e um pouco de esforço não consigam fazer.” Saltou da mureta, guardou o celular no bolso da bermuda preta, arrumou o boné também preto com a aba para trás na cabeça e voltou a falar. “Você não tinha dito que sua mãe não queria que você pintasse o cabelo? Ela mudou de ideia? Porque ficou muito legal!”

“Não, ela não mudou. Mas também não está na cidade, então...”

“E por que você estava se metendo em encrenca por aí?”

Yoongi apenas encarou o outro. Havia tentado ficar quieto em casa, mas sentia que acabaria enlouquecendo com os próprios pensamentos ou simplesmente colocaria um fim neles, então saiu andando por aí sem rumo enquanto não estava totalmente sem forças. Precisava sentir alguma coisa além da dor lancinante que o cortava por dentro enquanto ficava jogado em sua própria cama desesperado como uma criança.

Por isso, entrara em uma farmácia aleatória, pintara novamente o cabelo, quebrara algumas coisas na quadra abandonada, chorara, e por fim, havia voltado a andar sem rumo. E então, depois de um tempo considerável, por algum motivo, ficou irritado e sentiu a necessidade de procurar encrenca com dois homens aleatórios e mal encarados. Agora estava ali, encarando sem emoção alguma o colega.

“Ok, ok, entendi.” O moreno disse, percebendo que não obteria resposta nenhuma. “Sem perguntas. Mas você ia fazer alguma coisa específica aqui? Nesse bairro, digo.”

Yoongi revirou os olhos para a curiosidade sem fim do outro. Não sabia ao certo por que ainda estava ali com ele, mas se sentia bem melhor do que antes, por isso apenas ignorou a nova pergunta e colocou as mãos nos bolsos da calça jeans. Teria muito tempo para remoer suas atitudes depois. No momento tudo o que queria era continuar se sentindo relativamente bem.

“Tá a fim de me mostrar aonde tem alguma coisa pra comer por aqui? Porque eu ‘tô com fome, e não faço a menor ideia de onde estou.” Nem do que estou fazendo com a minha vida. Completou mentalmente.

Naquela noite, Yoongi e Hoseok não foram os herdeiros das famílias Min e Jung. Naquela noite, foram apenas dois adolescentes normais de dezessete anos, comprando sanduíches na sanduicheria favorita de Hoseok e bebendo refrigerante enquanto o moreno conversava demais – ao menos para Yoongi – e o menino de fios avermelhados conversava de menos – na visão de Hoseok –, mas abria um sorriso ou outro de vez em quando para os comentários sem graça do outro. 


Notas Finais


Na cena que o Floquinho está na mureta da quadra, a intenção era descrevê-lo a la Adult Child jsaghdjsh
Na cena que o Floquinho quase apanhou, a intenção era descrever o Hoseok a la Danger hsgdhiusakjhd

Espero que tenha dado para pegar a ideia. O Yoongi não tem um sonho de vida, os pais tem toda uma vida pkanejada para ela, mas ele não quer seguir esse planejamento. Mas, é só um adolescente de dezessete anos, que tem muitas dúvidas e inseguranças. Além disso, ele é uma pessoa extremamente solitária.

Jung Hoseok sonha em dançar, mas os pais também tem uma vida planejada para ele. Ele lida com isso de uma maneira diferente do Floquinho, reprime o próprio sonho e vive o que os pais querem. Temos que considerar que ele também só tem dezessete anos, então também tem muitas dúvidas e inseguranças.

Enfim, vou parar de tagarelar, porque realmente acho que deu para entender :P
Vocês gostaram? Eu fico muito insegura em postar as coisas, e quando não tem retorno, costumo apagar por achar que está ruim, então por favooooorzinho comentem a opinião de vocês aí em baixo :')

Obrigada por ler! ^^


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