História Toda Sua - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Camren G!p, Fifth Harmony
Exibições 162
Palavras 4.562
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero que gostem <3

Capítulo 1 - Piloto


- A gente devia ir até um bar comemorar.

A declaração enfática da minha amiga Dinah jane, com quem eu dividia um apartamento, não foi nada surpreendente. Ela estava sempre disposta a comemorar, mesmo as coisas mais insignificantes. Sempre considerei isso parte de seu charme.

- Sair pra beber um dia antes de começar num emprego novo com certeza não é uma boa ideia.

- Vamos lá, Mila.

Dinah sentou no chão da sala do nosso novo apartamento, em meio à bagunça da mudança, e abriu um sorriso.

- Não estou dizendo pra gente encher a cara, - Ela insistiu. - Só uma ou duas tacinhas de vinho. A gente pega o happy hour e volta pra casa lá pelas oito.

- Não sei se vou ter tempo. Apontei para minha calça de ioga e meu top de ginástica. - Depois que eu cronometrar a caminhada até o trabalho, vou pra academia.

- É só andar depressa e malhar mais depressa. - A expressão de Dinah com as sobrancelhas cuidadosamente curvadas em um arco perfeito, me fez rir. Nunca perdi a esperança de que

seu rosto incrível aparecesse um dia em outdoors e revistas de moda do mundo inteiro.

- Que tal amanhã, depois do trabalho? - ofereci em troca, - Se eu conseguir sobreviver ao primeiro dia, aí sim vamos ter o que comemorar.

- Combinado. Hoje vou estrear a cozinha nova fazendo o jantar. - Hã... Cozinhar era um dos prazeres de Dinah, mas não um de seus talentos.

- Legal. - afastando uma mecha de cabelo que caíra sobre seu rosto, ela me olhou com um sorriso.

Desci para o térreo de elevador e sorri para o porteiro quando ele abriu a porta pra mim. Assim que pus o pé para fora, fui envolvida pelos aromas e ruídos de Manhattan. Eu não estava apenas do outro lado do país em relação à minha antiga casa em Miami, parecia estar em outro mundo. Nos meus sonhos, eu me imaginava em um pequeno e charmoso prédio no Brooklyn, mas, por ser uma boa menina, acabei no Upper West Side. Se não fosse a Dinah, eu estaria completamente sozinha em um apartamento enorme que custa por mês mais do que a maioria das pessoas ganha em um ano.

Paul, o outro porteiro, me cumprimentou tirando o quepe.

- Boa noite, senhorita Cabello. Vai precisar de um táxi esta noite?

- Não, obrigada, Paul. Bati no chão com os amortecedores do meu tênis de ginástica. - Vou sair pra caminhar.

- Esfriou um pouquinho agora no fim da tarde. O tempo está gostoso. - Ele sorriu.

- Me disseram pra aproveitar o mês de junho, antes que comece o calor de verdade.

- Um ótimo conselho, senhorita Cabello.

Ao me afastar da fachada envidraçada e moderna que de alguma forma não destoava da idade do edifício e da vizinhança, desfrutei da relativa tranquilidade da rua arborizada antes

de chegar à agitação e ao trânsito intenso da Broadway. Eu ainda tinha esperanças de me

adaptar rapidamente, mas por enquanto me sentia uma falsa nova-iorquina. Eu tinha um

apartamento e um emprego, mas ainda não me sentia segura o bastante para me aventurar

no metrô, e não tinha me acostumado a acenar ostensivamente para os táxis.

Tive que me esforçar bastante para manter uma atitude indiferente enquanto me dirigia ao local em que ia trabalhar. Pelo menos em termos profissionais, as coisas estavam

acontecendo da maneira como eu queria. Meu desejo era ganhar a vida com base em meus próprios méritos, o que significava começar por baixo.

A partir da manhã seguinte, eu seria a assistente de Lauren Jauregui na Jauregui's Interprise, uma das maiores agências de propaganda dos Estados Unidos.

Meu padrasto, o magnata do setor financeiro John Dickinson, não gostou nada da ideia, na opinião dele, se eu fosse menos orgulhosa, poderia trabalhar para algum amigo dele e colher os benefícios inerentes a esse tipo de proximidade. Você é teimosa como seu pai - ele falou. - Ele vai demorar a vida inteira para conseguir pagar seu financiamento estudantil com o que ganha como policial.

Esse foi outro motivo de disputa, e meu pai se recusou terminantemente a ceder. - De jeito nenhum outro homem vai pagar pela educação da minha filha, respondeu Alejandro Cabello quando John fez sua proposta. Ele ganhou meu respeito com essa atitude. Minha mãe não quis se casar com ele, mas isso não diminuiu sua determinação em agir como pai em toda e qualquer situação.

Concentrei-me na tarefa de chegar ao trabalho o mais rápido possível. Decidi cronometrar o trajeto em um horário de pico de uma segunda feira, e fiquei satisfeita por conseguir chegar a Jauregui's Interprise, em menos de meia hora.

Inclinei a cabeça e segui o contorno do edifício até encontrar o azul do céu. A Jauregui's Interprise era absolutamente fenomenal, uma torre imponente com um brilho safírico que parecia chegar até as nuvens.

Tirei meu novíssimo crachá do bolso da calça e mostrei para os dois seguranças de terno sentados à mesa. Eles me barraram assim mesmo, sem dúvida por eu estar muito para aquele ambiente, mas depois me deixaram entrar. Após subir os vinte andares de elevador, pude fazer uma estimativa do tempo de viagem de casa até o trabalho.

Nada mau.

Eu estava saindo do elevador quando vi uma morena bonita e muito bem arrumada passar pela catraca sem levantar devidamente a bolsa, que ficou enroscada e se abriu, provocando um dilúvio de dinheiro sobre o chão. As moedas caíram e saíram rolando alegremente e as pessoas que passavam se esquivavam do caos e seguiam em frente como se nada estivesse acontecendo.

Em um gesto de compaixão, eu me curvei para ajudá-la a recolher o dinheiro, junto com um segurança que havia tido o mesmo impulso.

- Obrigada - ela disse, abrindo um breve sorriso no rosto quase coberto pelos cabelos.

- Imagina. Essas coisas acontecem. - Retribuí o sorriso.

Eu tinha acabado de me agachar para alcançar uma moedinha que fora parar perto da entrada quando dei de cara com um par de tênis converse preto acomnhado por uma calça jeans preta. Esperei um pouco para que aquela mulher saísse do caminho, mas, mas ela não se mexia, levantei a cabeça para ampliar meu campo de visão. A tatuagem em seu pulso já era suficiente para deixar meus sinais de alerta ligados. Depois de olhar tanto pra pessoa, ela pigarrou, foi só quando vi seu rosto que percebi o que de fato diante de mim.

Uau. Simplesmente... uau.

Em um gesto cheio de elegância, ela se agachou bem de frente para mim. Com toda aquela beleza feminina ao alcance dos meus olhos, tudo o que eu podia fazer era encarar.

Admirada.

Foi então que o espaço que havia entre nós desapareceu.

Ao olhar para mim, ela mudou... como se um escudo tivesse sido removido de seus olhos, revelando uma força vital esmagadora que me fez perder o fôlego. O magnetismo poderosa que ela enxalava intensificou, transformando-lhe em uma impressão quase tangível de uma energia vigorosa e inesgotável.

Reagindo puramente por instinto, eu me inclinei para trás. E caí de bunda no chão.

Meus cotovelos latejavam violentamente pelo baque contra o piso de mármore, mas a dor quase despercebida. Eu estava mais preocupada em olhar, hipnotizada por aquela mulher na minha frente. Seus cabelos de um preto azulado emolduravam um rosto de tirar o fôlego. Sua estrutura óssea faria um escultor chorar de alegria, e sua boca de contornos firmes, seus olhos verdes intensos lhe conferiam uma beleza selvagem.

Seus olhos eram penetrantes e inquisidores, e estavam pregados em mim. Meu coração começou a bater mais forte; meus lábios se abriram parcialmente com a aceleração da respiração. Seu cheiro era tentador. Não era colônia. Loção corporal, talvez. Ou xampu. O que quer que fosse, era inebriante, assim como ela.

Ela estendeu a mão para mim, mostrando a tatuagem, uma cruz pequena em seu braço e um relógio que parece ser caro.

Inspirando tremulamente, pus a mão sobre a dela. Minha pulsação disparou quando ela a apertou. Seu toque era como uma onda de eletricidade, que subiu pelo meu braço e arrepiou os pelos da minha nuca. Por um momento ela permaneceu imóvel, com uma ruga preenchendo o espaço entre suas sobrancelhas absurdamente bem desenhadas.

- Está tudo bem?

Sua voz era suave e refinada, com um toque de rouquidão que fez meu estômago gelar.

Era uma evocação ao sexo. Ao que o sexo tinha de melhor. Por um momento cheguei a pensar que poderia ter um orgasmo só de ouvi-la, meus lábios estavam ressecados, então passei a língua por eles antes de responder:

- Sim

Ela se levantou com uma notável economia de gestos, puxando-me junto para cima.

Continuamos nos encarando, porque eu não conseguia olhar para outra coisa. Ela era mais do que imaginei a princípio. Meu palpite seria menos de trinta, mas seus olhos muito mais experientes. Implacavelmente inteligentes e afiados.

Era como se eu estivesse sendo atraída para ela, como se houvesse uma corda em torno da cintura me arrastando de forma lenta mas inexorável em sua direção.

Piscando para despertar dessa espécie de delírio, eu a soltei. Ela não era apenas linda, era... fascinante. O tipo de mulher que faz qualquer pessoa querer abrir sua camisa com um único puxão e ver os botões irem abaixo junto com as inibições.

Ela se abaixou para apanhar o crachá que eu nem percebi que havia derrubado, libertando-me seu olhar irresistível. Meu cérebro lutava para voltar a funcionar normalmente.

Fiquei irritada por me sentir tão desconcertada enquanto ela parecia tranquila e controlada. E quê? Porque eu estava deslumbrada, ora essa.

Ela me olhou lá de baixo, e essa posição - ela praticamente ajoelhada na minha frente fez que eu quase perdesse o equilíbrio novamente. Enquanto se levantava, seus olhos fixos nos meus.

- Tem certeza de que está tudo bem? É melhor você sentar um pouco.

Senti meu rosto ficar vermelho. Que maravilha parecer insegura e estabanada diante da mulher mais confiante e elegante que já conheci.

- Eu só perdi o equilíbrio. Está tudo bem.

Ao desviar os olhos, vi a mulher que havia derrubado no chão o dinheiro. Ela agradeceu ao que a ajudou e então se virou para falar comigo, desculpando-se enfaticamente.

Virei para ela e estendi a mão com o punhado de moedas que havia pego, mas seu olhar se voltado para a deusa dos olhos verdes e ela imediatamente se esqueceu de mim.

Fui até ela e despejei as moedas dentro da bolsa. Então arrisquei olhada e o encontrei voltado na minha direção, ignorando a moça. Para ela. para mim, a pessoa que de fato havia ajudado.

- Você poderia devolver meu crachá, por favor? - Levantei minha voz acima da dela

Ela estendeu a mão para me devolver. Apesar de eu ter me esforçado para pegá-lo de volta sem nenhum contato físico, seus dedos tocaram nos meus, fazendo com que aquela

sensação de eletricidade voltasse a circular pelo meu corpo.

- Obrigada. - murmurei antes de passar por ela e tomar o caminho da rua pela porta giratória. Parei um pouco na calçada, inspirando profundamente o ar de Nova York.

Havia uma Range Rover preta estacionada na frente do prédio, e eu observei meu reflexo nas janelas

escuras e impecavelmente limpas daquele carrão. Eu estava vermelha, e meus olhos castanhos escuros pareciam especialmente radiantes.

Aquele rosto era familiar para mim, era o que eu via no espelho do banheiro antes de ir para a cama com um homem ou uma mulher. Era o meu olhar de estou-pronta-pra-foder, e não deveria estar estampado na minha cara naquele momento, de jeito nenhum.

Meu Deus. Controle-se. Cinco minutos com a Sra. Planeta dos olhos verdes e eu já estava me sentindo dominada por um impulso impaciente e inquietante.

Era capaz de sentir seu toque, e um desejo inexplicável de voltar para o lugar onde ela estava. Eu poderia argumentar que ainda não havia terminado o que tinha ido fazer no Jauregui's Interprise, mas sabia que ia me arrepender depois. Quantas vezes eu ainda precisaria fazer papel de idiota em um único dia?

- Já chega, disse baixinho para mim mesma. - Hora de ir.

As buzinas ressoavam, interrompidas pelo guinchar dos freios diante de pedestres corajosos o bastante para pisar no cruzamento segundos antes de o sinal fechar. Então começava a gritaria, uma explosão de insulto. Em poucos segundos, ambas as partes se esqueceriam de tais diálogos, que eram apenas mais uma forma de expressão do modo de vida da cidade.

Quando voltei a me misturar ao intenso tráfego de pedestres para ir à academia, minha boca se sentiu tentada a abrir um sorriso. Ah, Nova York, pensei, sentindo-me à vontade novamente, você é demais.

Minha ideia era fazer o aquecimento na esteira e matar o restante do tempo me exercitando em alguns aparelhos, mas, quando vi que a aula de boxing para iniciantes estava para começar, decidi me juntar aos alunos que aguardavam. Quando a aula terminou, senti que havia retomado o controle sobre mim. Meus músculos tremiam, e eu me sentia cansada na medida certa, com a certeza de que dormiria como uma pedra quando me deitasse.

- Você foi muito bem. - Limpei o suor do rosto com uma toalha e olhei para o jovem que havia falado comigo.

Magro, embora com uma musculatura bem definida, ele tinha olhos castanhos bem vivos.

- Obrigada. Minha boca se contorceu num lamento. - Está na cara que é a minha primeira vez, né?

Ele sorriu e estendeu a mão.

- Shawn Mendes.

- Camila Cabello.

- Você leva jeito, Camila. Com um pouco mais de treino ninguém vai ter coragem de encarar você. Em uma cidade como Nova York, saber se defender é fundamental. – Ele apontou para o quadro de cortiça pendurado na parede. Estava coberto de folhetos e cartões de visita.

Apanhou uma folha de um bloco de papel fluorescente e ofereceu para mim.

- Já ouviu falaram que tem krav maga?

- Vi em um filme da Jennifer Lopez.

- Sou professor e adoraria ensinar você. Aí tem meu site e o telefone da minha academia. – Gostei da abordagem dele. Foi bem direta, assim como seu olhar, e o sorriso era autêntico.

Imaginei que estivesse querendo me paquerar, mas, se era essa a intenção, ele disfarçou bem o suficiente para me deixar em dúvida.

Shawn cruzou os braços, exibindo seus bíceps bem delineados. Ele vestia uma camiseta preta sem mangas e uma bermuda comprida. Seu tênis tinha a aparência surrada dos calçados realmente confortáveis, e era possível ver as tatuagens tribais que se estendiam até pouco abaixo de seu pescoço.

- No site tem todos os horários. Você pode assistir a uma aula, só pra ver se gosta.

- Vou pensar a respeito, pode deixar.

- Muito bem. - Ele estendeu a mão e me cumprimentou com firmeza e confiança. - Espero ver você de novo.

[--] [--]

Um cheiro maravilhoso se espalhava pelo apartamento quando cheguei, e a voz de Adele saía cheia de emoção das caixas de som, cantando - Chasing Pavements.

Olhei para o outro lado da sala integrada com a cozinha e vi Dinah balançando ao som da música enquanto mexia alguma coisa perto dela. No balcão, havia uma garrafa de vinho tinto e duas taças, uma delas pela metade.

- Ei, eu chamei ao me aproximar. - O que você está fazendo aí? Dá tempo de tomar banho primeiro?

Ela serviu o vinho na outra taça e a arrastou pelo balcão até mim com movimentos seguros e elegantes. Olhando para Dinah ninguém seria capaz de dizer que ela passou a infância entre temporadas com a mãe viciada em drogas e lares adotivos, e a adolescência em reformatórios juvenis e centros de reabilitação estatais.

- Macarrão à bolonhesa. E deixe o banho para mais tarde, já está pronto. Se divertiu bastante?

- Lá na academia, sim. - Puxei um dos banquinhos de madeira do balcão e me sentei. Contei a ela sobre a aula de kickboxing e sobre Shawn Mendes.

- Quer ir comigo?

- Krav maga? - Dinah balançou a cabeça. - Isso não é moleza, não. Eu ficaria cheia de hematomas e acabaria perdendo alguns trabalhos. Mas posso ir com você até lá, pro caso do sujeito ser um maníaco.

Fiquei calada enquanto ela despejava o macarrão no escorredor.

- Um maníaco?

Meu pai havia me ensinado muito sobre as pessoas, a forma delas, por isso eu sabia que a deusa dos olhos verdes era encrenca certa. As pessoas costumam sorrir quando ajudam alguém, como uma forma de criar uma ligação momentânea para quebrar o gelo.

Por outro lado, eu também não tinha sorrido para ela.

- Gata - disse Dinah, tirando as tigelas da prateleira, - Você é uma mulher sexy e deslumbrante. Duvido da masculinidade e da feminilidade de qualquer pessoa que resista à tentação de chamar você pra sair assim que tem a chance.

Agradeci franzindo o nariz para ela.

Ela me serviu uma tigela contendo pequenos tubos de macarrão cobertos com um molho ralo de tomate com pedaços de carne moída empelotada e ervilha.

- Você não para de pensar em alguma coisa. O que é?

Hum... Peguei o cabo do garfo enfiado na tigela e decidi não fazer nenhum comentário sobre a comida.

- Acho que hoje vi a mulher mais linda do planeta. Talvez a mais linda da história do planeta.

- Ah, é? Pensei que fosse eu. Conte mais.

Dinah preferiu ficar do outro lado do balcão e comer em pé.

Esperei que ela desse algumas garfadas na gororoba antes de criar coragem e experimentar.

- Não tem muito mais pra contar, na verdade. Caí de bunda no saguão da Jauregui's Interprise e ela me deu uma mão.

- Alta ou baixa? Loira ou morena? Forte ou magra? E a cor dos olhos?

Empurrei minha segunda garfada goela abaixo com um gole de vinho.

- Alta. Morena. Magra e forte. Olhos verdes. Podre de rica, a julgar pelas roupas e pelos acessórios. E incrivelmente sexy. Você sabe como é: algumas pessoas bonitas não mexem com os hormônios da gente, enquanto outros não tão bonitos têm um sex appeal absurdo. Essa mulher tinha as duas coisas.

Senti um frio na barriga como quando o dono dos olhos verdes tocou em mim. Lembrei do seu rosto com uma clareza cristalina. Deveria ser proibido uma mulher ser tão estonteante. Eu ainda estava me recuperando dos danos que ela havia provocado nos meus neurônios.

Dinah apoiou o cotovelo no balcão e se inclinou para mim

- E o que aconteceu depois que ela ajudou você a levantar?

Encolhi os ombros.

- Nada.

- Nada?

- Fui embora.

- Quê? Não rolou nem uma paquera?

Comi mais uma garfada. Na verdade, a comida não estava ruim. Ou então era eu que estava morrendo de fome.

- Ela não era do tipo que dá pra paquerar, Dinah.

- Não existe essa história de gente que não dá pra paquerar. Até as pessoas casadas e felizes gostam de uma paquera inofensiva de vez em quando.

- Essa mulher não tinha nada de inofensivo. – Eu disse num tom seco.

- Ah, sei. - Dinah balançou a cabeça, mostrando que tinha entendido.

- Essas são divertidas, mas é melhor não se envolver com elas.

Dinah obviamente sabia do que estava falando; homens e mulheres de todas as idades se atiravam a seus pés. Ainda assim, de alguma forma ela conseguia fazer sempre a escolha errada. Já tinha sido traída, perseguida obsessivamente, aturado ameaças de suicídio... O que quer que pudesse acontecer, já tinha acontecido com ela.

- Não vejo como eu poderia me divertir com essa mulher. - Ela era intensa demais.

Mesmo assim, aposto que ela deve ser incrível na cama, com toda aquela intensidade.

- É assim que se fala. Esqueça a mulher real. Use o rosto dela nas suas fantasias e faça com que nelas ela seja perfeita.

Preferia mantê-la longe dos meus pensamentos de toda e qualquer maneira, então mudei de assunto.

- Você tem algum trabalho amanhã?

- Claro. - Dinah me passou os detalhes de sua programação para o dia seguinte, mencionando anúncios para uma marca de jeans, produtos de bronzeamento, calcinhas e colônias.

Esqueci de todo o resto e me concentrei nela e no seu sucesso cada vez maior. A demanda por Dinah Jane crescia diariamente, e ela estava ganhando entre fotógrafos e clientes uma reputação de profissionalismo e dedicação. Eu estava felicíssima por ela, e muito orgulhosa.

Apenas depois do jantar percebi duas enormes caixas de presente encostadas no sofá.

- O que é isso aí?

- Isso aí. - Dinah respondeu, acompanhando-me até a sala,

- É o máximo.

Percebi imediatamente que aquilo era coisa de John e minha mãe. O dinheiro era algo de que minha mãe precisava para ser feliz, e para minha sorte John, o marido número três, era capaz de suprir essa necessidade e muitas outras também. Diversas vezes desejei que isso a fizesse sossegar, mas minha mãe nunca aceitou bem o fato de eu ter outro tipo de relação com o dinheiro.

- O que foi agora?

- Dinah jogou seu braço por cima dos meus ombros, algo facílimo para ela, que era mais alta que eu.

- Não seja ingrata. O cara ama sua mãe. Adora mima-la, e ela adora mimar você. Não importa o que você pense, ele não faz essas coisas por você. John faz tudo isso por ela.

Concordei soltando um suspiro.

- O que temos aí?

- Roupas chiques para o jantar beneficente de sábado. Um vestido arrasador para você e sapato da Louis Vuitton pra mim, porque comprar presentes pra mim é o que ele faz por você. O fato de eu estar aqui pra ouvir você reclamar da vida melhora um pouco esse seu mau humor.

- Isso é verdade. Ainda bem que ele sabe disso.

- Claro que sabe. John não seria um zilionário se não soubesse de tudo.

[--] [--]

Na manhã seguinte, às dez para as nove, atravessei a porta giratória do saguão da Jauregui's Interprise.

Para causar uma boa impressão no meu primeiro dia, tinha ido vestida com um tubinho básico e sapatos pretos de salto alto para combinar, que substituíram meus tênis de caminhada durante a subida do elevador. Meus cabelos pretos estavam presos em um coque muito bem feito, que parecia um número oito estilizado, uma cortesia de Dinah.

Eu não tinha o menor jeito para penteados, mas ela era capaz de criar obras primas glamorosas. Estava usando também o colar de pérolas miúdas que meu pai havia me dado como presente de formatura e um Rolex, oferecimento de John e minha mãe.

Até cheguei a pensar que estava me preocupando demais com a aparência, mas assim que pisei no saguão lembrei que tinha me esborrachado naquele chão usando roupa de ginástica e fiquei agradecida por não me parecer em nada com aquela garota estabanada. Os dois seguranças não pareceram ter me reconhecido quando mostrei o crachá a caminho das catracas.

Vinte andares acima, lá estava eu no hall de entrada da Jauregui's Interprise.

Diante de mim havia uma parede de vidro à prova de balas, emoldurando a porta dupla que levava à recepção. A recepcionista, sentada a uma mesa em formato de lua crescente, viu meu crachá através do vidro. Ela acionou o botão para destravar a porta, e eu o guardei.

- Olá, Ariana. - Eu cumprimentei enquanto entrava, admirando sua blusa vermelha.

- Camila, oi. Louis ainda não chegou, mas você sabe aonde ir, certo?

- Com certeza.

Despedindo-me com um aceno, entrei pelo corredor à esquerda da recepção e, no final, virei de novo à esquerda para chegar a um antigo espaço aberto que havia sido subdividido em baias. Uma delas era a minha, e fui direto até ela.

Guardei minha bolsa e a sacola com os tênis de caminhada na última gaveta da minha mesa de metal e liguei o computador. Eu tinha levado também algumas coisas para personalizar meu espaço. Uma delas era uma montagem emoldurada de três fotos, eu e Dinah em Coronado Beach, minha mãe e John no iate dele na Riviera Francesa e meu pai fardado em uma viatura de polícia de Oceanside, Califórnia.

Outra era um arranjo de flores bem

colorido que Dinah havia me dado como presente de primeiro dia de trabalho. Coloquei um ao lado do outro e me encostei na cadeira para visualizar o conjunto.

- Bom dia, Camila.

Fiquei em pé imediatamente para falar com meu chefe.

- Bom dia, senhor Tomlinson.

- Pode me chamar de Louis, por favor. Venha comigo até minha sala.

Eu o segui pelo corredor estreito. Louis tinha um maxilar firme e um sorriso charmosamente desalinhado. Era magro e elegante, e sua postura segura inspirava confiança e respeito.

Ele apontou para uma das duas cadeiras posicionadas diante de sua mesa de vidro com estrutura cromada e esperou que eu me sentasse para se ajeitar em sua cadeira. Contra o pano de fundo dos arranha-céus da cidade, Louis parecia bem sucedido e poderoso.

Ele se encostou e sorriu.

- Já está tudo ajeitado no novo apartamento?

Fiquei surpresa por ele ter se lembrado, positivamente surpresa. Eu o conheci quando fiz minha segunda entrevista para o emprego e gostei dele logo de cara.

- Na medida do possível, ainda tem algumas caixas espalhadas aqui e ali.

- Você veio de Miami, não é? Uma bela cidade, mas muito diferente de Nova York. Está sentindo falta?

- Estou sentindo falta do ar mais seco. É difícil acostumar com a umidade daqui.

- Espere só o verão começar. - Ele sorriu. - Então... é seu primeiro dia, e você é minha primeira assistente, o que significa que a gente vai ter que trabalhar à base de tentativa e erro.

Não estou acostumado a delegar tarefas, mas tenho certeza de que logo pego o jeito.

Eu me senti instantaneamente à vontade.

- Mal posso esperar para receber tarefas.

- Ter você por aqui é um passo importante pra mim, Camila. Quero que seja feliz trabalhando aqui. Você toma café?

- O café está na base da minha pirâmide alimentar.

- Ah, uma assistente que gosta das mesmas coisas que eu. – Seu sorriso se alargou. – Não vou pedir pra você servir café pra mim, mas não me incomodaria se me ajudasse a aprender a mexer na cafeteira nova que instalaram na copa.

Retribuí o sorriso.

- Sem problemas.

- Seria uma decepção muito grande se eu não tivesse nada pra você? - Ele coçou a nuca, meio sem graça.

- Que tal a gente dar uma olhada nas contas em que estou trabalhado pra ver o que podemos fazer?

O restante do dia passou num piscar de olhos. Louis conversou com dois de seus clientes e teve uma longa reunião com a equipe de criação para conceber ideias para a campanha de uma rede de escolas de ensino profissionalizante. Foi fascinante ver pessoalmente como os diversos departamentos se alternavam para levar uma campanha da teoria à prática. Eu poderia ter ficado até mais tarde para entender melhor o funcionamento dos escritórios, mas meu telefone tocou às dez para as cinco.

- Escritório de Louis Tomlinson. Camila Cabello falando.

- Saia logo daí pra gente ir beber tudo aquilo que você não quis ontem.

O tom imperativo fingido de Dinah me fez dar risada.

- Tudo bem, tudo bem. Estou saindo.

Desliguei o computador e saí. Quando cheguei aos elevadores, saquei o celular e digitei uma mensagem de já estou a caminho para ela. Uma campainha soou, indicando qual dos elevadores ia parar no meu andar. Posicionei-me diante dele e voltei minha atenção ao envio da mensagem. Quando a porta se abriu, dei um passo à frente. Tirei os olhos da tela para ver aonde ia e dei de cara com um par de olhos verdes. Prendi a respiração.

A deusa do sexo era a única pessoa do elevador.


Notas Finais


Olá galera, pra eu postar mais preciso saber se estão gostando, então comentem.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...