História Toda Sua - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Camren G!p, Fifth Harmony
Exibições 113
Palavras 3.556
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um capítulo hoje <3

Capítulo 2 - Capítulo 2


Sua calça preta, e a camisa social branquíssima. A ausência de cor realçava ainda mais seus incríveis olhos verdes. Vê-la parada ali, com os 3 botões da camisa social aberto e as mãos casualmente enfiadas nos bolsos da calça, era como dar de cara com uma parede cuja existência eu desconhecia.

Detive meu passo de repente, com os olhos grudados naquela mulher, que parecia ainda mais impressionante do que eu me lembrava. Minhas mãos tiveram que lutar contra a vontade de toca-la, sentir se a pele era tão macia quanto parecia.

A porta começou a se fechar. Ela deu um passo à frente e apertou o botão para mantê-la aberta.

— Tem espaço de sobra pra nós duas aqui, Camila.

O som implacável daquela voz me tirou do estado de inconsciência momentânea. Como é que ela sabia meu nome?

Foi quando lembrei que ela havia apanhado o crachá que eu tinha derrubado no chão do saguão. Por um instante, pensei em dizer a ela que estava esperando alguém e pegaria o elevador seguinte, mas meu cérebro logo voltou a funcionar como deveria.

Que diabos eu estava tentando fazer? Ela trabalhava no Jauregui's Interprise, sem sombra de dúvidas.

Eu não ia conseguir evitá-lo todas as vezes que a visse, e por que faria isso?

Para poder admirar sua beleza sem me sentir abalada, precisaria vê-la o bastante para me acostumar com sua presença, como se ela fosse apenas uma peça decorativa.

Rá! Como se isso fosse possível.

Entrei no elevador.

— Obrigada.

Ela soltou o botão e deu um passo para trás. As portas se fecharam e começamos a descer. Não demorou muito para que eu me arrependesse de pegar o mesmo elevador que ela.

Eu sentia sua presença na pele. Sua energia poderosa se amplificava naquele ambiente pequeno e fechado, irradiando uma força palpável e um magnetismo sexual que me deixaram inquieta. Minha respiração e meus batimentos cardíacos ficaram caóticos. Senti de novo aquela atração inexplicável em sua direção, como se ela exalasse uma ordem silenciosa à  qual eu me sentia instintivamente inclinada a obedecer.

— Gostou do seu primeiro dia? – Ela perguntou, despertando-me do meu devaneio.

Sua voz ressoava, fluía pelo meu corpo em um ritmo sedutor. Como é que ela sabia que era meu primeiro dia?

— Gostei, sim. – Respondi tranquilamente. – E o seu, como foi?

Senti seu olhar percorrer minha silhueta, mas mantive minha atenção concentrada na porta de alumínio polido do elevador. Meu coração tinha disparado, e meu estômago dava voltas e mais voltas. Estava me sentindo confusa e insegura.

— Bom, não foi meu primeiro dia. – Ela respondeu num tom divertido. — Mas foi produtivo. E tem tudo pra ficar ainda melhor.

Acenei com a cabeça e esbocei um sorriso, sem saber direito o que aquilo significava. O elevador parou no décimo segundo andar e entraram três pessoas, que conversava animadamente. Dei um passo atrás para abrir espaço para o grupo, encolhendo-me no canto oposto ao que estava a olhos verdes.

Nisso, ela também deu um passo, ficando ao meu lado. Naquele momento, estávamos ainda mais próximas do que antes. Ela colocou uma das suas mãos no bolso da sua calça, roçando seu braço no meu enquanto fazia isso.

Respirei profundamente, tentando ignorar o efeito que sua presença exercia sobre mim, procurando me concentrar na conversa que se desdobrava à nossa frente. Era impossível. Ela estava ali. Bem ali. Perfeita e maravilhosa, exalando um perfume divino. Meus pensamentos  se perderam, fantasiando sobre como seria seu corpo firme por baixo daquela roupa, sobre como seria apertá-la contra mim. 

Quando o elevador chegou ao térreo, quase soltei um gemido de alívio. Esperei com impaciência as pessoas saírem e, assim que possível, dei um passo à frente.

Ela pôs sua mão firme na parte inferior das minhas costas e veio atrás de mim, guiando-me. A sensação do toque em um lugar tão vulnerável me deixou arrepiada.

Quando chegamos às catracas, ela tirou a mão de mim, fazendo com que eu me sentisse estranhamente abandonada. Olhei para ela tentando adivinhar o que pretendia, mas, apesar de estar olhando para mim, seu rosto não deixava transparecer nada.

— Camila!

A visão de Dinah apoiado casualmente em uma coluna de mármore no saguão mudou tudo.

Seu jeans mostrava toda a extensão de suas pernas grossa, e o suéter folgado verde claro. Ela atraiu sem dificuldades a atenção de todos no saguão.

Diminuí o passo ao chegar perto dela e a deusa do sexo passou por nós, atravessando a porta giratória e entrando rapidamente pela porta traseira da Range Rover que eu tinha visto estacionado ali na noite anterior.

Dinah assoviou quando o carro arrancou.

— Ora, ora. Pelo jeito como estava olhando para ela, era a mulher de quem você falou ontem, né?

— Ah, sim. Era ela mesmo.

— Vocês trabalham juntas? – De braços dados comigo, Dinah me guiou até a rua pela porta lateral.

— Não. Parei na calçada para calçar meu tênis de caminhada, apoiando-me em Dinah enquanto os pedestres fluíam em torno de nós.

— Não sei quem é, mas ela perguntou se meu primeiro dia foi bom, então é melhor eu descobrir.

— Olha... – Ela sorriu e segurou meu cotovelo enquanto eu pulava de maneira estabanada de um pé para o outro.

— Não sei como alguém conseguiria trabalhar perto dela. Meu cérebro meio que derreteu por um instante.

— Tenho certeza de que isso acontece com todo mundo. – concordei. – Vamos lá. Preciso beber.

[--] [--]

A manhã seguinte chegou com uma leve pontada na parte de trás da cabeça, consequência do fato de eu ter bebido vinho demais. Ainda assim, ao subir de elevador rumo ao vigésimo andar, não lamentei a ressaca tanto quanto poderia. Minhas escolhas eram o excesso de álcool ou uma sessão com meu vibrador, e eu estaria condenada se houvesse tido um orgasmo movido a pilha pensando na Olhos Verdes.

Não que ela fosse descobrir que me deixava com tanto tesão a ponto de eu mal conseguir enxergar, ou mesmo se importar com isso, mas eu saberia, e não queria dar essa satisfação à imagem fantasiosa que tinha dela.

Joguei minhas coisas na última gaveta da mesa de trabalho e, quando vi que Louis ainda não havia chegado, fui buscar um café para ler meu novo blog favorito sobre o mundo da publicidade.

— Camila!

Levei um susto quando ele apareceu atrás de mim, com seu sorriso branco contrastando com a clara.

— Bom dia, Louis.

— Bom dia mesmo. Acho que você me dá sorte. Vamos até o meu escritório. E traga o tablet. Trabalhou até muito tarde ontem?

Fui atrás dele, compartilhando seu entusiasmo.

— Ah, sim.

— Era o que eu queria ouvir de você.

Ele se sentou em sua cadeira.

Eu me sentei na mesma cadeira do dia anterior e logo abri o programa de bloco de notas.

— Então, recebemos uma solicitação de proposta da vodca Kingsman, e

eles mencionaram meu nome. É a primeira vez que isso acontece.

— Meus parabéns!

— Obrigado, mas vamos deixar essa parte pra quando eu conseguir a conta. Vamos ter que mostrar serviço, se passarmos desse estágio. Eles querem fazer uma reunião comigo amanhã no fim do dia.

— Uau. Essas coisas caminham rápido assim mesmo?

— Não. Geralmente eles esperam a gente resolver a questão da solicitação de proposta antes de pedir uma reunião, mas as Jauregui's acabaram de comprar a Kingsman, e a I.C. tem dezenas de subsidiárias. Se a gente conseguir a conta, vai ser um ótimo negócio. Eles sabem disso, então estão nos testando. Essa reunião é o primeiro teste.

— Normalmente haveria mais gente, né?

— Sim, nós nos apresentaríamos como um grupo. Mas eles já sabem como as coisas funcionam. Sabem que a apresentação vai ser feita por um executivo sênior, mas que no fim vão trabalhar mesmo com um júnior como eu. Então, já me chamaram logo de uma vez e agora querem me avaliar. É quase o mesmo que pedir um currículo, então não posso acusalos de estarem sendo exigentes demais. Meticulosos, talvez. Quando se lida com as Indústrias Jauregui's, as coisas são assim mesmo.

Ele passou a mão pelos cabelos lisos, deixando entrever que estava se sentindo pressionado.

— O que você acha da vodca Kingsman?

— Hã... bom... Sendo bem sincera, nunca ouvi falar.

Louis se recostou na cadeira e soltou uma risada.

— Ainda bem. Pensei que eu fosse o único.

Certo, o lado bom é que a gente não vai precisar superar nenhuma resistência. Ser desconhecido pode ser bom.

— O que eu posso fazer pra ajudar? Além de pesquisar sobre marcas de vodca e ficar aqui até mais tarde?

Seus lábios se contraíram um pouco enquanto pensava.

— Anote pra mim...

Trabalhamos sem parar, invadindo a hora do almoço e até bem depois de o escritório esvaziar, analisando os dados iniciais levantados pelos estrategistas de mercado. Passava um pouco das sete quando o celular de Louis tocou. A interrupção abrupta do silêncio me assustou.

Louis acionou o viva voz e continuou trabalhando.

— Oi, amor.

— Você deu alguma coisa pra pobre da menina comer? – Perguntou uma voz masculina do outro lado da linha.

Olhando pra mim através da divisória de vidro do escritório, Louis respondeu:

— Ah... esqueci.

Desviei os olhos rapidamente, mordendo o lábio inferior para esconder o riso.

Ouvi uma bufada do outro lado da linha.

— Só dois dias de emprego e você já está escravizando e matando a pobre moça de fome. Ela vai acabar pedindo demissão.

— Droga. Você tem razão. Harry, querido...

— Não me venha com essa de ‘Harry, querido’. Ela gosta de comida chinesa?

Fiz sinal de positivo para Louis.

Ele sorriu.

— Gosta, sim.

— Muito bem. Chego aí em vinte minutos. Deixe o segurança avisado.

Mais ou menos vinte minutos depois abri a porta da recepção para Harry Styles.

Era um sujeito enorme, vestido com jeans escuro, botas de operário surradas e uma camisa de botão muito bem alinhada.

Nós nos sentamos em torno da mesa de Louis, servimos o frango kung pao e a carne com brócolis em pratos de papel, acrescentamos arroz branco e mandamos ver com os palitinhos.

Descobri que Harry era um empreiteiro e que namorava Louis desde a época da faculdade.

Ao ver os dois interagindo, senti um misto de admiração e inveja. O relacionamento dos dois dava tão certo que era uma alegria passar um tempo com eles.

— Santo Deus, minha filha, – Harry disse depois de soltar um assovio quando me servi pela terceira vez.

— Isso é que é disposição. Para onde vai tudo isso?

Encolhi os ombros.

— Acho que fica tudo lá na academia. Isso justifica?

— Não ligue pra ele, – interrompeu Louis, sorrindo. — Harry está com inveja. Ele precisa se cuidar para não virar uma matrona.

— Minha nossa, – Harry fuzilou seu companheiro com um olhar de censura.

— Eu poderia levar você pra almoçar com o pessoal da obra. Dava pra ganhar um bom dinheiro apostando quanto você consegue comer.

Eu sorri.

— Ia ser divertido.

— Rá. Sabia que você era do tipo saidinha. Seu sorriso diz tudo.

Olhando somente para minha comida, eu me recusei a deixar minha mente divagar pelas lembranças de como tinha sido muito mais do que saidinha na minha fase mais rebelde e autodestrutiva.

Foi Louis quem me salvou.

— Pare de assediar minha assistente. E o que você sabe sobre mulheres saidinhas, aliás?

— Conheço algumas que curtem sair com gays. Elas gostam da forma como a gente encara a coisa. – Ele abriu um sorriso. – E sei algumas outras coisinhas também... Ei, não precisam ficar tão chocados, vocês dois. Eu só queria saber se o sexo hétero era tudo isso que dizem.

Obviamente, isso era novidade para Louis, mas, pela maneira como ele sorriu, deu para ver que tinha confiança suficiente em seu relacionamento para achar aquela conversa toda engraçada.

— Ah, é?

— Sinto lhe informar mas não sou hétero, o que achou do sexo hétero?

Harry encolheu os ombros.

— Não diria que é algo superestimado, porque não sou a pessoa certa pra julgar e tive uma experiência bem limitada, mas consigo viver sem. E bem interessante que você não é hétero, adorei.

Achei muito atencioso da parte de Harry relatar sua experiência a partir de uma perspectiva que fazia sentido para Louis. Eles costumavam conversar também sobre suas carreiras e sabiam ouvir um ao outro a esse respeito, apesar de atuarem em campos muito diferentes.

— Considerando o tipo de vida que você leva hoje – Louis disse a ele, pegando um pedaço de brócolis com seus palitinhos, – Eu diria que é sorte sua que seja assim.

Quando terminamos de comer, já eram oito horas, e a equipe de limpeza já havia chegado.

Louis fez questão de chamar um táxi para mim.

— Quer que eu chegue mais cedo amanhã? – perguntei.

Harry bateu no ombro de Louis com o seu.

— Você deve ter feito alguma coisa de bom em uma vida passada para ganhar uma assistente como essa.

— Acho que aturar você nesta vida foi o suficiente, – rebateu Louis, irônico.

— Ei, – protestou Harry, – Eu sou educadíssimo. Abaixo a tampa do vaso direitinho.

Louis me lançou um olhar fingindo irritação, mas repleto de carinho por seu companheiro.

Louis e eu trabalhamos duro a quinta–feira inteira, a fim de nos preparar para a reunião das quatro da tarde com o pessoal da Kingsman. Tivemos um almoço muito produtivo com dois funcionários da área de criação, que iam participar da campanha caso conseguíssemos a conta; mais tarde analisamos os dados sobre o posicionamento da empresa na internet e sua penetração nas mídias sociais. Fiquei meio tensa quando vi que eram três horas, porque sabia que o trânsito poderia estar complicado, mas Louis continuou trabalhando normalmente mesmo depois de eu dizer que horas eram. Faltavam vinte para as quatro quando ele saiu da sua sala com um sorriso no rosto, ainda terminando de vestir o paletó.

— Vamos lá, Camila.

Lancei um olhar de surpresa para ele da minha mesa.

— Sério?

— Ei, você deu um duro danado me ajudando a preparar tudo. Não quer ver como as coisas funcionam?

— Claro que sim.

Fiquei de pé em um pulo. Sabendo que minha aparência contaria pontos para meu chefe, alisei a saia preta com a mão e ajeitei as mangas longas da minha blusa de seda. Por um acaso do destino, a blusa era vermelha, combinando perfeitamente com a gravata de Louis.

— Obrigada.

Entramos no elevador e levei um pequeno susto quando senti que ele subia ao invés de descer. Ao chegarmos ao último andar, vi que o hall de entrada era consideravelmente maior e mais luxuoso que o do vigésimo. Vasos suspensos de samambaias e lírios preenchiam o ar com uma fragrância suave, e em uma porta de vidro opaco lia-se Jauregui's Interprise em letras grossas e masculinas.

A porta foi aberta para nós, e pediram que aguardássemos um momento. Ambos recusamos a água e o cafezinho e, menos de cinco minutos depois, fomos conduzidos até uma sala de reunião com a porta fechada.

Louis olhou para mim com um brilho nos olhos quando a recepcionista pôs a mão na maçaneta da porta.

— Está pronta?

Eu sorri.

— Estou.

A porta se abriu, e eu fui a primeira a ser conduzida para dentro. Fiz questão de abrir um enorme sorriso ao entrar... um sorriso que se congelou no meu rosto ao ver a mulher que estava diante de mim logo na entrada da sala.

Minha parada repentina bloqueou a passagem, e Louis acabou trombando nas minhas costas, arremessando-me para a frente aos tropeções. A Olhos Verdes me apanhou pela cintura, tirando meus pés do chão e me obrigando a me amparar em seus peitos.

O ar foi arrancado de dentro de mim com o impacto, assim como o restante de bom senso que eu ainda possuía. Mesmo com as diversas camadas de tecido que havia entre nós, pude sentir que seus bíceps endureceram como pedra sob o contato das minhas mãos, e que sua barriga contra a minha era uma massa compacta de músculos. Quando ela respirou perto de mim, meus mamilos endureceram, estimulados pela expansão do peito dele.

Ah, não. Eu só poderia estar sob uma maldição. Uma rápida sequência de imagens passou pela minha mente, mostrando as mil e uma maneiras como eu poderia tropeçar, cair, escorregar ou me esborrachar na frente daquela deusa do sexo ao longo dos próximos dias, semanas ou até meses.

— Olá de novo, – ela murmurou, e a vibração de sua voz fez meu corpo todo se enrijecer. – É sempre um prazer topar com você, Camila.

Fiquei vermelha de vergonha e de desejo, incapaz de tomar a atitude de me afastar, apesar da presença de outras duas pessoas na sala. O fato de a atenção dela estar toda voltada para mim também não ajudava, seu corpo firme irradiava uma impressão irresistível de um desejo poderoso.

— Senhora Jauregui, – disse Louis atrás de mim. – Desculpe a entrada meio assim.

— Não precisa se desculpar. Foi uma entrada memorável.

Cambaleei sobre os saltos quando Cross me pôs de volta no chão, com os joelhos trêmulos em virtude do intenso contato corporal. Ela estava mais uma vez de calça jeans só que branca, com uma camisa social agora azul marinho. Como sempre, estava linda de morrer.

Como deve ser ter essa aparência? Com certeza, em todo lugar por onde passava ela causava uma comoção.

Chegando até mim, Louis me amparou e me ajudou a retomar o equilíbrio com toda a gentileza.

O olhar da Jauregui se concentrou na mão de Louis no meu cotovelo até que ele me soltasse.

— Muito bem. Vamos lá, então. – Louis retomou sua postura. – Esta é minha assistente, Camila Cabello.

— Nós já nos conhecemos. – Jauregui puxou uma cadeira ali perto. – Camila.

Olhei para Louis em busca de orientação, ainda tentando me recuperar dos momentos em que havia ficado a milímetros daquele supercondutora sexual escondida.

Jauregui se aproximou em silêncio e ordenou:

— Sente-se, Camila.

Louis acenou com a cabeça, mas eu já estava me soltando sobre a cadeira ao comando da Jauregui.

Meu corpo obedeceu instintivamente antes que minha mente compreendesse a situação e fizesse alguma objeção.

Fiz de tudo para passar despercebida a hora seguinte, durante a qual Louis foi duramente questionado pela mulher e as diretoras da Kingsman, duas morenas bonitas, vestidas com terninhos elegantes. A de lilás fazia questão de chamar a atenção da Jauregui o tempo todo, enquanto a de terninho creme se concentrava no meu chefe. Todos pareciam bastante impressionados com a capacidade de Louis de explicar como o trabalho da agência  e seu modo de trabalhar com o cliente agregaria valor à marca.

O fato de Louis permanecer tão tranquilo sob pressão me deixou admirada, ainda mais sob uma pressão exercida pela Jauregui, que comandava o andamento da reunião sem fazer o menor esforço.

— Muito bom, senhor Tomlinson. – Jauregui elogiou casualmente quando as conversas se encerraram. — Estou ansiosa para ver sua resposta à solicitação de proposta quando for a hora. O que levaria você a se sentir tentada a experimentar a Kingsman, Camila?

Com o susto, comecei a piscar sem parar.

— Como?

A intensidade de seus olhos era avassaladora. Senti que toda a sua atenção estava voltada para mim, o que só me fez admirar ainda mais a tranquilidade de Louis, que foi obrigado a argumentar sob o peso daquele olhar por uma hora.

A cadeira da Jauregui estava voltada para mim, fazendo com que ela me olhasse bem de frente.

Seu braço direito repousava sobre a superfície lisa da mesa, com seus longos e elegantes dedos tamborilando sobre o tampo do móvel.

Ele refez a pergunta:

— Qual dos conceitos sugeridos por Louis você prefere?

— Acho que são todos brilhantes.

Seu lindo rosto permaneceu impassível enquanto ele dizia:

— Posso mandar todo mundo sair

da sala para ter uma opinião sincera, se é isso que você quer.

Meus dedos se enrodilhavam pelas extremidades dos apoios de braço da minha cadeira.

— Acabei de dar uma opinião sincera, senhora Jauregui, mas, se faz questão de saber, acho que luxúria lasciva a um preço acessível terá mais apelo entre o público em geral. Mas não sei se...

— Eu concordo. – Jauregui se levantou– Aí está seu ponto de partida, senhor Tomlinson. Retomamos o assunto na semana que vem.

Fiquei ali sentada por um momento, aturdida com o rumo que as coisas haviam tomado. Então olhei para Louis, que parecia oscilar entre o espanto e o encantamento.

Eu me levantei e fui a primeira a tomar o caminho da porta. Minha atenção estava toda voltada para Jauregui posicionado atrás de mim. A maneira como ela se movia, com uma elegância natural e uma economia de gestos absurda, era um atrativo excepcional. Eu não conseguia imaginá-la na cama como outra coisa além de dominante e agressivo, deixando qualquer mulher louca de desejo de fazer tudo o que ela mandasse.

Jauregui não saiu de perto de mim até chegarmos aos elevadores. Ela e Louis conversaram brevemente sobre os últimos eventos esportivos, mas, ao que parece, eu estava concentrada demais no efeito que ela causava sobre mim para me preocupar com conversas sem importância. Quando o elevador chegou, soltei um suspiro de alívio ao embarcar sozinha com Louis

— Só um momento, Camila, – Jauregui disse suavemente, puxando-me de volta pelo cotovelo.

— Daqui a pouco ela desce, – Ela informou para Louis quando a porta do elevador se fechou diante de seu rosto. Jauregui não disse nada enquanto o elevador ainda estava por perto; depois acionou novamente o botão e em seguida perguntou:

— Você está dormindo com alguém?.


Notas Finais


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