História Toda Sua - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Série Crossfire (Livros), The 100
Personagens Anya, Clarke Griffin, Costia, Dra. Abigail "Abby" Griffin, Lexa, Marcus Kane, Octavia Blake, Raven Reyes, Roan
Tags Alycia Debnam-carey, Clexa, Eliza Taylor, Elycia, Griffin, Woods
Visualizações 278
Palavras 3.425
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoas queridas,
Bora acompanhar a Clarke depois do bilhetinho sacana.
Peguem os lenços...

Capítulo 20 - Juntando os pedaços


 

A sexta-feira começou com Finn tomando café da manhã comigo e com Raven depois de dormir lá em casa. Enquanto bebia a primeira xícara de café do dia, observei o modo como eles interagiam e fiquei contentíssima ao ver seus sorrisos de cumplicidade e a maneira discreta como trocavam carícias furtivas.

Eu já havia tido relacionamentos tranquilos como esse, e não soube valorizá-los devidamente na época. Eram namoros gostosos e descomplicados, pelo menos até esbarrarem na minha falta de interesse pelo sexo. Mas como ter uma relação mais profunda se você não conhece os recantos mais obscuros da pessoa amada? Era esse meu dilema com Lexa.

O Segundo Dia Pós-Lexa havia começado. Minha vontade era ir até ela e pedir desculpas por tê-la deixado. Queria dizer que ela podia contar comigo, que eu seria toda ouvidos, ou então ofereceria um consolo silencioso caso fosse preferível. Mas eu estava envolvida demais emocionalmente. Fragilizada demais. Morrendo de medo de ser rejeitada. E saber que ela não se abriria para mim só fazia esse medo crescer. Mesmo que nos acertássemos, eu sabia que só ia me magoar não a tendo por inteira, tentando conviver apenas com o que ela decidisse compartilhar comigo. 

Pelo menos no trabalho estava tudo bem. O almoço comemorativo que os diretores nos ofereceram pelo sucesso na campanha dos restaurantes me deixou feliz de verdade. Senti que era muita sorte minha trabalhar em um ambiente tão positivo. No entanto, quando ouvi que Lexa também tinha sido convidada – apesar de ninguém esperar que ela aparecesse –, voltei para minha mesa em silêncio e me concentrei só nos meus afazeres pelo resto da tarde.

Passei na academia a caminho de casa, depois comprei ingredientes para fazer fettuccini alfredo para o jantar e crème brûlée para a sobremesa. Uma comida bem pesada para me deixar num coma induzido por carboidratos. Esperava que o sono me oferecesse uma trégua dos questionamentos que percorriam ciclicamente meu cérebro, na esperança de que a manhã de sábado chegasse bem depressa. 

Raven e eu jantamos na sala, com palitinhos, uma ideia dela para me agradar. Ela falou que o jantar estava ótimo, mas nem ouvi. Saí do transe quando ela ficou em silêncio também, e percebi que não estava sendo uma companhia muito boa. 

- Quando vão sair os anúncios da campanha da Grey Isles? - perguntei.

- Não sei, mas escute só isso... Ela sorriu. - Você sabe como os fotógrafos ficam nos bastidores, nunca aparecem além dos créditos da foto. É difícil se destacar, a não ser que você tenha contato direto com alguém famoso. O que do nada virou meu caso, desde que aquelas fotos minhas com você começaram a pipocar por toda parte. Entrei por tabela no seu relacionamento com a Lexa. Você fez com que eu virasse um objeto cobiçado.

Dei risada. - Nisso eu não ajudei, não.

- Bom, mas com certeza mal não fez. Enfim, eles me ligaram para fazer mais algumas fotos. Acho que estão a fim de me usar por mais de cinco minutos.

- Precisamos sair pra comemorar - provoquei.

- Com certeza. Quando você estiver pronta para isso.

Acabamos ficando em casa vendo Tron – o original, não o remake. O celular dela tocou vinte minutos depois do começo do filme, e eu a ouvi falando com um agente.

- Claro. Estarei aí em quinze minutos no máximo. Ligo pra você quando chegar.

- Conseguiu mais um trabalho? - perguntei quando ela desligou. 

- Pois é. Estão com os modelos para uma sessão noturna de fotos e o fotógrafo, além de atrasado, chegou chapado. Precisam de um substituto. Ela olhou bem para mim. - Quer ir junto?

Estiquei as pernas no sofá. - Não. Melhor ficar por aqui.

- Tem certeza de que está tudo bem?

- Só preciso de alguma coisa pra distrair a cabeça. Só de pensar em me trocar já fico cansada.

Eu não me incomodaria de usar minha calça de pijama de flanela e minha camiseta velha de dormir o fim de semana todo. Como estava machucada por dentro, o conforto exterior era uma necessidade para mim.

- Não se preocupe comigo. Sei que ando confusa ultimamente, mas eu me arranjo. Pode ir, e divirta-se.

Depois que Raven juntou seu equipamento e saiu, toda apressada, pausei o filme e fui até a cozinha pegar um vinho. Parei no balcão, passando os dedos nas flores que Lexa tinha me mandado no fim de semana anterior. As pétalas caíam como lágrimas. Pensei em cortar os caules e usar o aditivo que veio junto com o buquê para aumentar sua vida útil, mas não fazia sentido me apegar a elas. No dia seguinte, iria tudo para o lixo, a última lembrança de meu relacionamento igualmente condenado. 

Em pouquíssimo tempo, as coisas com Lexa haviam ido mais longe do que qualquer outro relacionamento anterior. Eu sempre a amaria por isso. Eu sempre a amaria, e ponto final. 

Mas, algum dia, talvez isso não me causasse tanta dor.

***

 - Vamos levantar, dorminhoca - Raven falou em um tom meio cantado enquanto arrancava minhas cobertas. 

- Argh! Vai embora.

- Você tem cinco minutos para entrar no chuveiro, ou então ele vai vir até você.

Abri só um olho para conseguir enxergá-la. Estava com uma regata velha e uma calça larga que por muito pouco não escapava dos seus quadris. Em termos de persistência na hora de acordar alguém, ela era imbatível.

- Por que preciso levantar?

- Porque quando você está deitada não está com os pés no chão.

- Uau. Isso foi profundo, Raven Reyes.

Ela cruzou os braços e me lançou um olhar enfezado. - Precisamos sair pra comprar roupas.

Afundei a cabeça no travesseiro. - Não.

- Sim. Se bem me lembro, foi você quem juntou as expressões ‘festa ao ar livre no domingo’ e ‘reunião de astros do rock’ no convite que me fez. Acha que eu tenho roupa pra uma ocasião como essa?

- Ah, é. Bem pensado.

- O que você vai usar?

- Eu... não sei. Estava pensando no ‘visual clássico de chá da tarde com chapéu’, mas agora não estou tão certa.

Ela concordou com a cabeça, animada. - Certo. Vamos percorrer as lojas e encontrar alguma coisa sexy, classuda e descolada.

Com um rosnado de protesto, saí da cama e me arrastei até o banheiro. Era impossível tomar banho sem pensar em Lexa, sem imaginar seu corpo perfeito me levando até as nuvens. Para onde quer que eu olhasse, Lexa estava lá. Estava tendo até alucinações, vendo Bentleys por toda a cidade. Parecia sempre haver um por perto.

Raven e eu almoçamos e depois saímos pela cidade, entrando nos melhores brechós do Upper East Side e nas butiques da Madison Avenue antes de pegar um táxi para o SoHo. Ela tinha outro compromisso de trabalho às três, e eu fui também, para gastar algumas horas em um estúdio vendo seu profissionalismo atrás das lentes. Foi quando me lembrei de que era sábado e saí de fininho para fazer minha ligação semanal para meu pai.

- Ainda está feliz em Nova York? - ele perguntou sobre o ruído de fundo do rádio da viatura.

- Por enquanto tudo certo. Era mentira, mas a verdade não teria serventia para ninguém. 

O parceiro dele disse alguma coisa que eu não ouvi. Meu pai bufou e me falou: - Ei, Chris está aqui jurando que viu você outro dia na tevê. Em algum canal a cabo, coisa de fofoca de celebridades. O pessoal está me enchendo o saco por causa disso.

Suspirei. - Diga para o pessoal que assistir a esses programas prejudica os neurônios.

- Então você não está namorando uma garota, que por acaso é uma das mulheres mais ricas do país?

- Não. E sua vida amorosa, como vai? - perguntei, logo mudando de assunto. - Está saindo com alguém?

- Nada muito sério. Espere aí. Ele respondeu a um chamado do rádio, depois disse: - Desculpa, querida. Preciso ir. Amo você. Estou morrendo de saudade.

- Eu também, pai. Cuide-se.

- Pode deixar. Mas depois quero saber exatamente essa história de sair com uma garota. Tchau.

Deixei o telefone de lado e voltei para meu lugar enquanto esperava Raven terminar a sessão. No fundo de minha mente, eu continuava torturando a mim mesma. Onde estaria Lexa naquele momento? O que estaria fazendo? Na segunda-feira eu abriria o e-mail e veria um monte de fotos dela com outra mulher?

No domingo à tarde pedi emprestado um dos carros de Kane e seu motorista e guarda-costas James para ir até a propriedade dos McGowan no condado de Dutchess. Recostada no assento, olhei pela janela e admirei a vista serena dos campos e dos bosques que se estendiam pelo horizonte. Foi quando me dei conta de que já estava no Quarto Dia Pós-Lexa. A dor que eu tinha sentido nos primeiros dias havia se transformado em um mal-estar constante, parecido com uma gripe. Todas as partes do meu corpo estavam doloridas, como se eu estivesse numa crise de abstinência, e minha garganta doía por causa das lágrimas contidas.

- Está muito ansiosa? - perguntou Raven.

Olhei para ela. - Não muito. Lexa não vai estar lá.

- Tem certeza?

- Sim, ou eu nem viria. Também tenho meu orgulho, você sabe.

Vi que ela batucava com os dedos sobre o apoio para os braços do assento, que estava entre nós. Apesar de todas as lojas que percorremos no dia anterior, ela fez apenas uma aquisição: uma boina dourada com lantejoulas brilhantes. Zombei dela sem a menor piedade por isso: uma pessoa com um senso de estilo tão apurado usando uma coisa como aquela.

Ela me pegou olhando para ela. - Que foi? Ainda não se conforma com minha boina? Acho que combina com minha saia Petit Poá e minha jaqueta estampada.

- Rae - abri um sorriso - você pode usar qualquer coisa.

Era verdade. Ela ficaria bem de qualquer jeito, graças a seu corpo bem definido e a seu rosto lindo de morrer. Cobri seus dedos inquietos com minha mão. - E você, está ansiosa?

- Finn não ligou ontem à noite - murmurou. - Ele tinha prometido.

Apertei sua mão em sinal de apoio. - É só um pequeno descuido, Rae. Tenho certeza de que não significa nada de mais.

- Ele poderia ter ligado hoje de manhã. Finn não é largado que nem os outros caras que namorei. Ele não esqueceria uma coisa dessas, então quer dizer que não ligou porque não quis.

- Babaca. Vou fazer questão de tirar um monte de fotos de você se divertindo pra valer com esse visual sexy e descolado, pra acabar com a segunda-feira dele.

Ela riu. - Ah, a crueldade da mente feminina. Pena que a Woods não vai ver você hoje. Acho que ela ficaria meladinha só de ver você sair do quarto com esse vestido.

- Pare! Bati no ombro dela e fingi que estava brava quando ela riu. 

Vimos que o vestido era perfeito assim que pusemos os olhos nele. Ideal para uma festa ao ar livre – a parte de cima bem justa e uma saia folgada até o joelho. Era branco com flores bordadas. Mas o estilo chá-com-biscoitos acabava por aí. 

O toque de ousadia vinha da saia, com camadas alternadas de preto e vermelho e forros de cetim para dar mais volume. As flores pretas de couro bordadas pareciam cataventos com pontas afiadas. Raven havia escolhido sapatos vermelhos de salto alto e brincos com pingentes de rubi para dar o toque final. Decidimos deixar meus cabelos soltos, para o caso de ser necessário usar chapéu. Resumindo, eu estava me sentindo bonita e confiante. 

Cruzamos os portões imponentes com iniciais em ferro fundido e seguimos por uma alameda circular até onde estavam os manobristas. Rae e eu entramos por ali, e ela me amparou pelo braço quando meus saltos insistiram em se enterrar no caminho de cascalho até a porta da casa. 

Ao entrar na luxuosa mansão em estilo Tudor dos McGowan, fomos recebidas efusivamente pelos membros da família de Lexa, todos alinhados à espera dos convidados – a sua mãe, seu padrasto, Roan e sua irmã. 

Apreciei a cena, imaginando que a perfeição da família McGowan seria ainda maior se Lexa estivesse presente. Sua mãe e sua irmã eram simpáticas, ambas com cabelos castanhos brilhantes e olhos castanhos esverdeados, com cílios bem compridos. As duas eram lindas e elegantérrimas.

- Clarke! A mãe de Lexa me puxou para junto dela e beijou minhas duas bochechas sem tocá-las. - Estou tão feliz por finalmente conhecer você. Que moça mais linda você é! E adorei seu vestido.

- Obrigada.

Ela passou as mãos por meus cabelos, meu rosto, e depois meus braços. Era algo difícil de suportar, já que ser tocada por estranhos às vezes desencadeava uma reação de ansiedade em mim. - E seu cabelo, essa é a cor natural dele?

- Sim - respondi, surpresa e confusa com o questionamento. Quem perguntaria isso logo de cara a alguém que nem conhece?

- Que interessante. Seja bem-vinda. Espero que se divirta bastante. Estamos muito felizes com sua presença.

Sentindo-me estranhamente desconfortável, dei graças a Deus quando o foco de sua atenção se voltou para Raven.

- E você deve ser a Raven - ela começou. - E eu aqui achando que minha filha era a garota mais estilosa do mundo. Vejo que estava enganada.

Raven abriu seu sorriso matador. - Ah, é muita gentileza sua, senhora McGowan. Gostou da minha boina? A pergunta era para a senhora McGowan, mas Rae a fez direcionando o olhar para mim com uma piscadela. Eu apenas sorri.

Ela riu de peito aberto. – Adorei a boina. E por favor, pode me chamar de Elizabeth. Ou Lizzie.

Olhando para o outro lado, senti minha mão ser agarrada por Christopher McGowan, o padrasto de Lexa. Em muitos aspectos, ele lembrava muito o filho Roan, mas principalmente pelo sorriso jovial. Vestido de bermuda cáqui e um cardigã de caxemira e calçando mocassins, parecia mais um professor universitário que um executivo da indústria fonográfica.

- Clarke. Posso chamar você de Clarke?

- Por favor.

- Pode me chamar de Chris. Ele inclinou a cabeça para o lado enquanto me observava através dos óculos de armação de bronze. - Entendi por que Lexa está tão fascinada por você. Seus olhos são intensos e tempestuosos, mas também límpidos e diretos. São os mais lindos que já vi, excluindo os da minha mulher.

Fiquei vermelha. - Obrigada. Seu tom era gentil, mas por alguma razão me deixou um pouco inquieta.

- Lexa também vem?

- Não que eu saiba. Por que os pais estavam perguntando aquilo para mim? Eles é que deveriam saber.

- Nunca perdemos a esperança. Ele apontou um empregado que estava à nossa espera. - Por favor, podem ir para o jardim, e fiquem à vontade.

Roan me cumprimentou com um abraço e um beijo na bochecha, enquanto a irmã de Lexa, Luna, mediu-me com os olhos e com a expressão entediada de que só uma adolescente é capaz.

- Você é loira - ela disse. 

Minha nossa. A preferência de Lexa por morenas era alguma espécie de lei, por acaso? - E você é uma linda morena.

Raven me puxou pelo braço e fomos em direção ao jardim. Enquanto nos afastávamos, ela perguntou em voz baixa:

- Eles são como você esperava que fossem?

- A mãe, talvez. O padrasto, não.

Olhei para trás por cima dos ombros, dando uma boa olhada no vestido creme de contornos bem delineados que envolvia a figura esbelta de Elizabeth McGowan. Pensei em quão pouco sabia sobre a família de Lexa.

- Que tipo de criação recebeu uma menina que conseguiu se tornar uma mulher de negócios tão implacável a ponto de comprar a empresa da própria família?

- Alexandra tem participação na McGowan Records? – perguntou Raven.

- É a sócia majoritária.

- Humm. Quem sabe não foi uma ajuda? – ela especulou. - Uma mão amiga durante um período de transição da indústria fonográfica?

- Por que não dar o dinheiro de uma vez, então? - rebati.

 - Por que ela é uma mulher de negócios que sabe o que faz?

Com um suspiro profundo, deixei a pergunta para lá e tentei pôr as coisas no devido lugar. Eu estava naquela festa por causa de Raven, não de Lexa, e ela deveria ser o foco das minhas atenções.

Quando chegamos lá fora, encontramos uma tenda enorme e ricamente decorada no fundo do jardim. Apesar de o dia estar agradável o bastante para ficar ao sol, preferi me sentar a uma mesa circular coberta com uma toalha de renda branca do lado de dentro. 

Raven bateu no meu ombro. - Fique aqui relaxando. Vou fazer contatos.

- Vai fundo.  Ela se afastou, imbuída de seus objetivos. 

Fiquei bebendo champanhe e batendo papo com quem aparecesse e puxasse conversa. Havia muitos músicos famosos na festa, pessoas cujas canções eu conhecia, e fiquei olhando para eles de longe, um tanto intimidada. Apesar da elegância do ambiente e do número incontável de empregados, a atmosfera da festa era casual e relaxada. 

Estava começando a me divertir quando alguém que eu esperava nunca mais ver saiu de dentro da casa: Anya Lachman, linda de morrer com um vestido rosado de chiffon que parecia flutuar ao redor dos joelhos dela. 

Senti uma mão pousar sobre meu ombro e apertá-lo, o que fez meu coração disparar, porque me lembrou da noite em que Raven e eu fomos à casa noturna de Lexa. Mas dessa vez quem apareceu para falar comigo foi Roan.

- Oi, Clarke. Ele sentou na cadeira ao lado e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, inclinando-se para mim. - Está se divertindo? Você não está circulando muito por aí.

- Estou adorando a festa. Pelo menos até aquele momento. - Obrigada por me convidar.

- Obrigado por ter vindo. Meus pais ficaram muito contentes. E eu também, é claro. Seu sorriso me fez rir, assim como sua gravata, estampada com desenhos de discos de vinil. - Está com fome? Os bolinhos de caranguejo estão uma delícia. Pegue um quando o garçom passar por aqui.

- Vou pegar.

- Se precisar de alguma coisa, avise. E reserve uma dança pra mim. Ele deu uma piscadinha antes de se levantar e se afastar.

Luna se sentou por ali, ajeitando as roupas com a elegância calculada de uma garota perto da universidade. Seus cabelos eram cheios e volumosos, e seus lindos olhos eram sinceros o bastante para me fazer gostar deles. Ela parecia muito mais experiente dos que os dezessete anos que calculei que tinha com base nas notícias de jornal que Raven tinha juntado para mim.

- Oi.

- Olá.

- Onde está Lexa?

Encolhi os ombros diante da pergunta tão abrupta. - Na verdade, eu não sei.

Ela concordou com a cabeça. - Ela sabe como manter as pessoas à distância.

- Ela sempre foi assim?

- Acho que sim. Eu era pequena quando ela saiu de casa. Você está apaixonada por ela?

Prendi a respiração por um instante. Mas depois relaxei e respondi simplesmente: - Estou.

- Foi o que pensei quando vi o vídeo de vocês duas no Bryant Park. Ela mordeu o lábio inferior. - Ela é divertida? Sabe como é... pra sair e coisa e tal?

- Ah, bom... Minha nossa. Alguém ali conhecia Lexa? - Eu não diria que é divertida, mas entediante ela não é.

A banda começou a tocar “Come Fly with Me”, e Raven apareceu do nada ao meu lado. - É hora de fazer bonito, 'Ginger'.

- Prometo que vou tentar, 'Fred'. Sorri para Luna. - Com licença um minutinho.

- Três minutos e dezenove segundos - ela corrigiu, exibindo parte do conhecimento musical da família. 

Raven me conduziu para a pista de dança vazia e puxou um passo bem ágil de foxtrote. Essa foi uma das primeiras músicas que aprendemos a dançar quando fizemos aulas juntas. Fazia parte da nossa terapia, escolher uma atividade para ser desenvolvida em conjunto, e escolhemos aprender a dançar. Demorei um pouco para conseguir acompanhá-la, porque estava dura e tensa fazia dias, mas em pouco tempo a sinergia da velha parceria voltou e percorremos toda a pista com a maior naturalidade. 

Quando a música terminou, estávamos sem fôlego. Fomos surpreendidas positivamente com uma salva de palmas. Raven fez uma mesura elegante e eu segurei sua mão para me equilibrar enquanto flexionava os joelhos. 

Quando levantei a cabeça e me endireitei, dei de cara com Lexa. 

 


Notas Finais


Sim, parei bem aqui... e saí correndo. Não me xinguem.
Mas era isso ou demorar mais e postar só no fim de semana.
E como estou sofrendo retaliações, resolvi postar assim mesmo, hehehe
Bjuus


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