História Todo Seu. [MALEC] [AU] - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias As Crônicas de Bane, Os Instrumentos Mortais, Série Crossfire (Livros), Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Aline Penhallow, Asmodeus, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jeremiah, Lady Camille Belcourt, Lilith, Madame Dorothea, Magnus Bane, Maryse Lightwood, Personagens Originais, Ragnor Fell, Raphael Santiago, Robert Lightwood, Sebastian Verlac, Simon Lewis, Valentim Morgenstern
Tags Malec sexo romance drama
Visualizações 169
Palavras 4.748
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Policial, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - 2


Sua gravata era prateada, e a camisa, branquíssima. A ausência de cor realçava ainda mais seus incríveis olhos verdes. Vê-lo parado ali, com o paletó aberto e as mãos casualmente enfiadas nos bolsos da calça, era como dar de cara com uma parede cuja existência eu desconhecia. Detive meu passo de repente, com os olhos grudados naquele homem, que parecia ainda mais impressionante do que eu me lembrava. Nunca tinha visto cabelos tão perfeitamente negros além dos meus. Eram brilhantes e um pouquinho compridos mas não batendo nos ombros como o meu. Pareciam um indício de vitória do jovem impulsivo sobre o homem de negócios bem-sucedido, uma pitada de chantilly em um sorvete com calda quente. Como diria minha mãe, cabelos longos eram sinal de juízo curto.

Minhas mãos tiveram que lutar contra a vontade de tocá-los, sentir se eram tão sedosos quanto pareciam. A porta começou a se fechar. Ele deu um passo à frente e apertou o botão para mantê-la aberta.

“Tem espaço de sobra pra nós dois aqui, Alexander.”

O som implacável daquela voz me tirou do estado de inconsciência momentânea. Como é que ele sabia meu nome? Foi quando lembrei que ele havia apanhado o crachá que eu tinha derrubado no chão do saguão. Por um instante, pensei em dizer a ele que estava esperando alguém e pegaria o elevador seguinte, mas meu cérebro logo voltou a funcionar como deveria.

Que diabos eu estava tentando fazer? Ele trabalhava no Banefire, sem sombra de dúvidas. Eu não ia conseguir evitá-lo todas as vezes que o visse, e por que faria isso? Para poder admirar sua beleza sem me sentir abalado, precisaria vê-lo o bastante para me acostumar com sua presença, como se ele fosse apenas uma peça decorativa.

Rá! Como se isso fosse possível. Entrei no elevador.

“Obrigado.”

Ele soltou o botão e deu um passo para trás. As portas se fecharam e começamos a descer. Não demorou muito para que eu me arrependesse de pegar o mesmo elevador que ele. Eu sentia sua presença na pele. Sua energia poderosa se amplificava naquele ambiente pequeno e fechado, irradiando uma força palpável e um magnetismo sexual que me deixaram inquieto. Minha respiração e meus batimentos cardíacos ficaram caóticos. Senti de novo aquela atração inexplicável em sua direção, como se ele exalasse uma ordem silenciosa à qual eu me sentia instintivamente inclinado a obedecer. “Gostou do seu primeiro dia?”, ele perguntou, despertando-me do devaneio, sua voz fluía pelo meu corpo em um ritmo sedutor. Como é que ele sabia que era meu primeiro dia?

“Gostei, sim”, respondi tranquilamente. “E o seu, como foi?” Senti seu olhar percorrer minha silhueta, mas mantive minha atenção concentrada na porta de alumínio polido do elevador. Meu coração tinha disparado, e meu estômago dava voltas e mais voltas.

Estava me sentindo confuso e inseguro.

“Bom, não foi meu primeiro dia”, ele respondeu num tom divertido. “Mas foi produtivo. E tem tudo pra ficar ainda melhor.”

Acenei com a cabeça e esbocei um sorriso, sem saber direito o que aquilo significava. O elevador parou no décimo segundo andar e entraram três pessoas, que conversavam animadamente. Dei um passo atrás para abrir espaço para o grupo, encolhendo-me no canto oposto ao que estava o Moreno Perigoso. Nisso, ele também deu um passo, ficando ao meu lado. Naquele momento, estávamos ainda mais próximos do que antes. Ele ajustou o já perfeito nó da gravata, roçando seu braço no meu enquanto fazia isso. Respirei profundamente, tentando ignorar o efeito que sua presença exercia sobre mim, procurando me concentrar na conversa que se desdobrava à nossa frente.

Era impossível. Ele estava ali. Bem ali. Perfeito e maravilhoso, exalando um perfume divino. Meus pensamentos se perderam, fantasiando sobre como seria seu corpo firme por baixo daquele terno, sobre como seria apertá-lo contra mim, sobre como ele poderia ser bem dotado — ou não...

Quando o elevador chegou ao térreo, quase soltei um gemido de alívio. Esperei com impaciência as pessoas saírem e, assim que possível, dei um passo à frente. Ele pôs sua mão firme na parte inferior das minhas costas e veio atrás de mim, guiando-me. A sensação do toque em um lugar tão vulnerável me deixou arrepiado. Quando chegamos às catracas, ele tirou a mão de mim, fazendo com que eu me sentisse estranhamente abandonado. Olhei para ele tentando adivinhar o que pretendia, mas, apesar de estar olhando para mim, seu rosto não deixava transparecer nada.

“Alec!” A visão de Jace apoiado casualmente em uma coluna de mármore no saguão mudou tudo. Seu jeans mostrava toda a extensão de suas pernas quilométricas, e o suéter folgado verde-claro enfatizava seus olhos. Ele atraiu sem dificuldades a atenção de todos no saguão. Diminuí o passo ao chegar perto dele, e o deus do sexo passou por nós, atravessando a porta giratória e entrando rapidamente pela porta traseira do Bentley com chofer que eu tinha visto estacionado ali na noite anterior. Jace assoviou quando o carro arrancou.

“Ora, ora. Pelo jeito como estava olhando para ele, era o cara de quem você falou ontem, né?”

“Ah, sim. Era ele mesmo.”

“Vocês trabalham juntos?” De braços dados comigo, Jace me guiou até a rua pela porta lateral.

“Não.” Parei na calçada para calçar meu tênis de caminhada, apoiando-me em Jace enquanto os pedestres fluíam em torno de nós. “Não sei quem é, mas ele perguntou se meu primeiro dia foi bom, então é melhor eu descobrir.”

“Olha...” Ele sorriu e segurou meu cotovelo enquanto eu pulava de maneira estabanada de um pé para o outro. “Não sei como alguém conseguiria trabalhar perto dele. Meu cérebro meio que derreteu por um instante.”

“Tenho certeza de que isso acontece com todo mundo”, concordei. “Vamos lá preciso beber.”

A manhã seguinte chegou com uma leve pontada na parte de trás da cabeça, consequência do fato de eu ter bebido vinho demais. Ainda assim, ao subir de elevador rumo ao vigésimo andar, não lamentei a ressaca tanto quanto poderia. Minhas escolhas eram o excesso de álcool ou uma sessão com meu vibrador, e eu estaria condenado se houvesse tido um orgasmo movido a pilha pensando no Moreno Perigoso.

Não que ele fosse descobrir que me deixava com tanto tesão a ponto de eu mal conseguir enxergar, ou mesmo se importar com isso — mas eu saberia, e não queria dar essa satisfação à imagem fantasiosa que tinha dele. Joguei minhas coisas na última gaveta da mesa de trabalho e, quando vi que Raphael ainda não havia chegado, fui buscar um café para ler meu novo blog favorito sobre o mundo da publicidade.

“Alec!” Levei um susto quando ele apareceu atrás de mim, com seu sorriso branco .

“Bom dia, Raphael.”

“Bom dia mesmo. Acho que você me dá sorte. Vamos até o meu escritório. E traga o tablet. Trabalhou até muito tarde ontem?” Fui atrás dele, compartilhando seu entusiasmo.

“Ah, sim.”

“Era o que eu queria ouvir de você.” Ele se sentou em sua cadeira. Eu me sentei na mesma cadeira do dia anterior e logo abri o programa de bloco de notas.

“Então”, Raphael começou, “recebemos uma solicitação de proposta da vodca Kingsman, e eles mencionaram meu nome.É a primeira vez que isso acontece.”

“Meus parabéns!”

“Obrigado, mas vamos deixar essa parte pra quando eu conseguir a conta. Vamos ter que mostrar serviço, se passarmos desse estágio. Eles querem fazer uma reunião comigo amanhã no fim do dia.” “Uau. Essas coisas caminham rápido assim mesmo?”

“Não. Geralmente eles esperam a gente resolver a questão da solicitação de proposta antes de pedir uma reunião, mas as Indústrias Bane acabaram de comprar a Kingsman, e a I.B. tem dezenas de subsidiárias. Se a gente conseguir a conta, vai ser um ótimo negócio. Eles sabem disso, então estão nos testando. Essa reunião é o primeiro teste.” “Normalmente haveria mais gente, né?” “Sim, nós nos apresentaríamos como um grupo. Mas eles já sabem como as coisas funcionam. Sabem que a apresentação vai ser feita por um executivo sênior, mas que no fim vão trabalhar mesmo com um júnior como eu. Então, já me chamaram logo de uma vez e agora querem me avaliar. É quase o mesmo que pedir um currículo, então não posso acusá-los de estarem sendo exigentes demais. Meticulosos, talvez. Quando se lida com as Indústrias Bane, as coisas são assim mesmo.” Ele passou a mão pelos cabelos curtos e lisos, deixando entrever que estava se sentindo pressionado. “O que você acha da vodca Kingsman?”

“Hã... bom... Sendo bem sincero, nunca ouvi falar.”

Raphael se recostou na cadeira e soltou uma risada. “Ainda bem. Pensei que eu fosse o único. Certo, o lado bom é que a gente não vai precisar superar nenhuma resistência. Ser desconhecido pode ser bom.”

“O que eu posso fazer pra ajudar? Além de pesquisar sobre marcas de vodca e ficar aqui até mais tarde?” Seus lábios se contraíram um pouco enquanto pensava. “Anote pra mim...”

Trabalhamos sem parar, invadindo a hora do almoço e até bem depois de o escritório esvaziar, analisando os dados iniciais levantados pelos estrategistas de mercado. Passava um pouco das sete quando o celular de Raphael tocou. A interrupção abrupta do silêncio me assustou.

Raphael acionou o viva voz e continuou trabalhando.

“Oi, amor.”

“Você deu alguma coisa pro pobre do menino comer?”, perguntou uma voz masculina do outro lado da linha. Olhando pra mim através da divisória de vidro do escritório, Raphael respondeu:

“Ah... esqueci”. Desviei os olhos rapidamente, mordendo o lábio inferior para esconder o riso. Ouvi uma bufada do outro lado da linha.

“Só dois dias de emprego e você já está escravizando e matando o pobre rapaz de fome. Ele vai acabar pedindo demissão.” “Droga. Você tem razão. Simon, querido...” “Não me venha com essa de ‘Simon, querido’. Ele gosta de comida chinesa?”

Fiz sinal de positivo para Raphael.

Ele sorriu. “Gosta, sim.”

“Muito bem. Chego aí em vinte minutos. Deixe o segurança avisado.” Mais ou menos vinte minutos depois abri a porta da recepção para Simon Lewis. Era um rapaz com rosto de criança, vestido com jeans escuro, botas de operário surradas e uma camisa de botão muito bem alinhada. Com seus cabelos pretos e olhos castanhos risonhos, era tão bonito quanto seu companheiro, mas de uma beleza bem diferente.

Nós nos sentamos em torno da mesa de Raphael, servimos o frango kung pao e a carne com brócolis em pratos de papel, acrescentamos arroz branco e mandamos ver com os palitinhos.

Descobri que Simon era um empreiteiro e que namorava Raphael desde a época da faculdade. Ao ver os dois interagindo, senti um misto de admiração e inveja. O relacionamento dos dois dava tão certo que era uma alegria passar um tempo com eles.

“Santo Deus, meu filho”, Simon disse depois de soltar um assovio quando me servi pela terceira vez. “Isso é que é disposição. Para onde vai tudo isso?” Encolhi os ombros.

“Acho que fica tudo lá na academia. Isso justifica?”

“Não ligue pra ele”, interrompeu Raphael, sorrindo. “Simon está com inveja. Ele precisa se cuidar para não virar uma matrona.”

“Minha nossa”, Simon fuzilou seu companheiro com um olhar de censura. “Eu poderia levar você pra almoçar com o pessoal da obra. Dava pra ganhar um bom dinheiro apostando quanto você consegue comer.”

Eu sorri. “Ia ser divertido.”

“Rá. Sabia que você era do tipo saidinho. Seu sorriso diz tudo.”

Olhando somente para minha comida, eu me recusei a deixar minha mente divagar pelas lembranças de como tinha sido muito mais do que saidinho na minha fase mais rebelde e autodestrutiva.

Foi Raphael quem me salvou. “Pare de assediar meu assistente. E o que você sabe sobre pessoas saidinhas, aliás?” “Conheço algumas mulheres que curtem sair com gays. Elas gostam da forma como a gente encara a coisa.” Ele abriu um sorriso. “E sei algumas outras coisinhas também... Ei, não precisam ficar tão chocados, vocês dois. Eu só queria saber se o sexo hétero era tudo isso que dizem.” Obviamente, isso era novidade para Raphael, mas, pela maneira como ele sorriu, deu para ver que tinha confiança suficiente em seu relacionamento para achar aquela conversa toda engraçada. “Ah, é?”

“E o que você achou?”, arrisquei-me a perguntar. Simon encolheu os ombros. “Não diria que é algo superestimado, porque não sou a pessoa certa pra julgar e tive uma experiência bem limitada, mas consigo viver sem.” Achei muito atencioso da parte do Simonn relatar sua experiência a partir de uma perspectiva que fazia sentido para Raphael.

Eles costumavam conversar também sobre suas carreiras e sabiam ouvir um ao outro a esse respeito, apesar de atuarem em campos muito diferentes. “Considerando o tipo de vida que você leva hoje”, Raphael disse a ele, pegando um pedaço de brócolis com seus palitinhos, “eu diria que é sorte sua que seja assim.”

Quando terminamos de comer, já eram oito horas, e a equipe de limpeza já havia chegado. Raphael fez questão de chamar um táxi para mim. “Quer que eu chegue mais cedo amanhã?”, perguntei. Simon bateu no ombro de Raphael com o seu. “Você deve ter feito alguma coisa de bom em uma vida passada para ganhar um assistente como esse.”

“Acho que aturar você nesta vida foi o suficiente”, rebateu Raphael, irônico.

“Ei”, protestou Simon, “eu sou educadíssimo. Abaixo a tampa do vaso direitinho.”

Raphael me lançou um olhar fingindo irritação, mas repleto de carinho por seu companheiro. “E o que isso tem a ver?”

Raphael e eu trabalhamos duro a quinta-feira inteira, a fim de nos preparar para a reunião das quatro da tarde com o pessoal da Kingsman. Tivemos um almoço muito produtivo com dois funcionários da área de criação, que iam participar da campanha caso conseguíssemos a conta; mais tarde analisamos os dados sobre o posicionamento da empresa na internet e sua penetração nas mídias sociais.

Fiquei meio tenso quando vi que eram três horas, porque sabia que o trânsito poderia estar complicado, mas Raphael continuou trabalhando normalmente mesmo depois de eu dizer que horas eram. Faltavam vinte para as quatro quando ele saiu da sua sala com um sorriso no rosto, ainda terminando de vestir o paletó.

“Vamos lá, Alec.” Lancei um olhar de surpresa para ele da minha mesa.

“Sério?”

“Ei, você deu um duro danado me ajudando a preparar tudo. Não quer ver como as coisas funcionam?”

“Claro que sim.” Fiquei de pé em um pulo. Sabendo que minha aparência contaria pontos para meu chefe, alisei a calça social preta com a mão e ajeitei as mangas longas da minha blusa de seda. Por um acaso do destino, a blusa era vermelha, combinando perfeitamente com a gravata de Raphael.

“Obrigado.”

Entramos no elevador e levei um pequeno susto quando senti que ele subia ao invés de descer. Ao chegarmos ao último andar, vi que o hall de entrada era consideravelmente maior e mais luxuoso que o do vigésimo. Vasos suspensos de samambaias e lírios preenchiam o ar com uma fragrância suave, e em uma porta de vidro opaco lia-se INDÚSTRIAS BANE em letras grossas e masculinas. A porta foi aberta para nós, e pediram que aguardássemos um momento. Ambos recusamos a água e o cafezinho e, menos de cinco minutos depois, fomos conduzidos até uma sala de reunião com a porta fechada.

Raphael olhou para mim com um brilho nos olhos quando a recepcionista pôs a mão na maçaneta da porta. “Está pronto?”

Eu sorri. “Estou.”

A porta se abriu, e eu fui o primeiro a ser conduzido para dentro. Fiz questão de abrir um enorme calmo ao entrar... um sorriso que se congelou no meu rosto ao ver o homem que estava diante de mim logo na entrada da sala. Minha parada repentina bloqueou a passagem, e Raphael acabou trombando nas minhas costas, arremessando-me para a frente aos tropeções. O Moreno Perigoso me apanhou pela cintura, tirando meus pés do chão e me obrigando a me amparar em seu peito. O ar foi arrancado de dentro de mim com o impacto, assim como o restante de bom senso que eu ainda possuía. Mesmo com as diversas camadas de tecido que havia entre nós, pude sentir que seus bíceps endureceram como pedra sob o contato das minhas mãos, e que sua barriga contra a minha era uma massa compacta de músculos. Quando ele respirou perto de mim, meus mamilos endureceram, estimulados pela expansão do peito dele. Ah, não. Eu só poderia estar sob uma maldição.

Uma rápida sequência de imagens passou pela minha mente, mostrando as mil e uma maneiras como eu poderia tropeçar, cair, escorregar ou me esborrachar na frente daquele deus do sexo ao longo dos próximos dias, semanas ou até meses.

“Olá de novo”, ele murmurou, e a vibração de sua voz fez meu corpo todo se enrijecer. “É sempre um prazer topar com você, Alexander.”

Fiquei vermelho de vergonha e de desejo, incapaz de tomar a atitude de me afastar, apesar da presença de outras duas pessoas na sala. O fato de a atenção dele estar toda voltada para mim também não ajudava — seu corpo firme irradiava uma impressão irresistível de um desejo poderoso.

“Senhor Bane”, disse Raphael atrás de mim. “Desculpe a entrada meio abrupta.” “Não precisa se desculpar. Foi uma entrada memorável.”

Cambaleei sobre os sapatos quando Bane me pôs de volta no chão, com os joelhos trêmulos em virtude do intenso contato corporal. Ele estava mais uma vez de preto, com uma camisa e uma gravata em um tom claro de cinza. Como sempre, estava lindo de morrer. Como deve ser ter essa aparência? Com certeza, em todo lugar por onde passava ele causava uma comoção. Chegando até mim, Raphael me amparou e me ajudou a retomar o equilíbrio com toda a gentileza.

O olhar de Bane se concentrou na mão de Raphael no meu cotovelo até que ele me soltasse.

“Muito bem. Vamos lá, então.” Raphael retomou sua postura. “Este é meu assistente, Alec Lightwood.”

“Nós já nos conhecemos.” Bane puxou uma cadeira ali perto. “Alexander.”

Olhei para Raphael em busca de orientação, ainda tentando me recuperar dos momentos emquehavia ficado a milímetros daquele super condutor sexual escondido sob um terno Fioravanti. Bane se aproximou em silêncio e ordenou: “Sente-se, Alexander”. Raphael acenou com a cabeça, mas eu já estava me soltando sobre a cadeira ao comando de Bane . Meu corpo obedeceu instintivamente antes que minha mente compreendesse a situação e fizesse alguma objeção. Fiz de tudo para passar despercebido a hora seguinte, durante a qual Raphael foi duramente questionado por Bane e as diretoras da Kingsman, duas morenas bonitas, vestidas com terninhos elegantes. A de lilás fazia questão de chamar a atenção de Bane o tempo todo, enquanto a de terninho creme se concentrava no meu chefe. Todos pareciam bastante impressionados com a capacidade de Raphael de explicar como o trabalho da agência — e seu modo de trabalhar com o cliente — agregaria valor à marca. O fato de Raphael permanecer tão tranquilo sob pressão me deixou admirado — ainda mais sob uma pressão exercida por Bane, que comandava o andamento da reunião sem fazer o menor esforço.

“Muito bom, senhor Santiago”, Bane elogiou casualmente quando as conversas se encerraram. “Estou ansioso para ver sua resposta à solicitação de proposta quando for a hora. O que levaria você a se sentir tentado a experimentar a Kingsman, Alexander?” Com o susto, comecei a piscar sem parar.

“Como?” A intensidade de seus olhos era avassaladora. Senti que toda a sua atenção estava voltada para mim, o que só me fez admirar ainda mais a tranquilidade de Raphael, que foi obrigado a argumentar sob o peso daquele olhar por uma hora. A cadeira de Bane estava voltada para mim, fazendo com que ele me olhasse bem de frente. Seu braço direito repousava sobre a superfície lisa da mesa, com seus longos e elegantes dedos tamborilando sobre o tampo do móvel. Dei uma olhada furtiva em seu pulso por baixo do paletó e, por alguma estranha razão, a visão daquela pequena parcela de pele dourada coberta de pelos escuros fez meu corpo implorar por atenção. Ele era tão... másculo. Ele refez a pergunta:

“Qual dos conceitos sugeridos por Rapha você prefere?”.

“Acho que são todos brilhantes.” Seu lindo rosto permaneceu impassível enquanto ele dizia: “Posso mandar todo mundo sair da sala para ter uma opinião sincera, se é isso que você quer”.

Meus dedos se enrodilhavam pelas extremidades dos apoios de braço da minha cadeira.

“Acabei de dar uma opinião sincera, senhor Bane, mas, se faz questão de saber, acho que luxúria lasciva a um preço acessível terá mais apelo entre o público em geral. Mas não sei se...”

“Eu concordo.” Bane se levantou e abotoou o paletó.

“Aí está seu ponto de partida, senhor Santiago. Retomamos o assunto na semana que vem.”

Fiquei ali sentado por um momento, aturdido com o rumo que as coisas haviam tomado. Então olhei para Raphael, que parecia oscilar entre o espanto e o encantamento. Eu me levantei e fui o primeiro a tomar o caminho da porta. Minha atenção estava toda voltada para Bane, posicionado atrás de mim. A maneira como ele se movia, com uma elegância natural e uma economia de gestos absurda, era um atrativo excepcional. Eu não conseguia imaginá-lo na cama como outra coisa além de dominante e agressivo, deixando qualquer pessoa louca de desejo de fazer tudo o que ele mandasse. Bane não saiu de perto de mim até chegarmos aos elevadores. Ele e Raphael conversaram brevemente sobre os últimos eventos esportivos, mas, ao que parece, eu estava concentrado demais no efeito que ele causava sobre mim para me preocupar com conversas sem importância. Quando o elevador chegou, soltei um suspiro de alívio ao embarcar sozinha com Raphael.

 “Só um momento, Alexander”, Bane disse suavemente, puxando-me de volta pelo cotovelo. “Daqui a pouco ele desce”, ele informou para Raphael quando a porta do elevador se fechou diante de seu rosto atônito.

Bane não disse nada enquanto o elevador ainda estava por perto; depois acionou novamente o botão e em seguida perguntou:

“Você está dormindo com alguém?”.

A pergunta foi feita de maneira tão casual que eu demorei um pouco para registrar o que ele havia dito.

Inspirei profundamente.

“Por que está me perguntando isso?” Vi no seu olhar a mesma coisa que havia notado da primeira vez em que nos encontramos — uma energia absurda e um controle absoluto sobre mim. O que me fez dar um passo para trás involuntariamente. De novo. Pelo menos dessa vez eu não caí; já era alguma coisa. 

“Porque eu quero comer você, Alexander. Então preciso saber se existe alguém atrapalhando meus planos.”

A compressão súbita que senti entre minhas coxas me obrigou a procurar apoio na parede para manter o equilíbrio. Ele chegou mais perto e me escorou, mas eu o mantive à distância com uma das mãos. 

“Talvez eu não esteja interessado, senhor Bane.”

Um esboço de sorriso transpareceu em seus lábios e fez o que parecia impossível: deixou-o ainda mais bonito. Minha nossa... A campainha assinalando a aproximação do elevador me causou um sobressalto, de tão tenso que eu estava. Eu nunca tinha me sentido tão excitado na minha vida. Nunca tinha me sentido tão implacavelmente atraído por outro ser humano. Nunca tinha me sentido tão ofendido por alguém que me atraía. Entrei no elevador e me virei para ele.

Bane sorriu. “Até a próxima, Alexander.”

 As portas se fecharam e eu desmoronei sobre o corrimão de bronze, tentando me recompor. Mal havia me endireitado novamente quando a porta se abriu e eu vi Raphael andando de um lado para o outro no hall de entrada do nosso andar.

“Meu Deus, Alec”, Raphael murmurou, interrompendo-se de repente. “O que foi aquilo?”

“Não faço a menor ideia”, fui logo dizendo, louco para compartilhar a conversa confusa e ultrajante que havia tido com Bane, mas sabendo que meu chefe não era a pessoa mais indicada para isso. “Mas que diferença faz? Você já sabe que a conta é nossa.”

 Ele abriu um sorriso. “Acho que é mesmo.”

“Como diz meu amigo, você devia comemorar. Quer que eu faça uma reserva em um restaurante para você e Simon?” 

“Por que não? No Pure Food and Wine às sete, se conseguir. Se não der certo, nos surpreenda.” Mal havíamos voltado ao escritório de Raphael quando ele foi interceptado pelos executivos — Michael Waters, CEO e presidente, além de Christine Field e Walter Leaman, a diretora-executiva e o vice-presidente do conselho, respectivamente. Passei pelos quatro com a maior discrição possível e me recolhi à minha mesa. Liguei para o Pure Food and Wine e implorei por uma mesa para dois. Depois de infinitas súplicas, a hostess enfim cedeu. Deixei uma mensagem no correio de voz de Raphael:

“Hoje é mesmo seu dia de sorte. Seu jantar está confirmado para as sete. Divirta-se!”.

Depois disso fui embora, ansioso para chegar logo em casa.

“Ele disse o quê?” Jace estava sentado no canto oposto do sofá modulado branco, balançando a cabeça negativamente. 

“Pois é!” Dei mais um gole no meu vinho. Era um sauvigon blanc gelado no ponto certo, que eu havia comprado a caminho de casa. “Minha reação também foi essa. Até agora não sei se essa conversa não foi uma alucinação causada por excesso de feromônios.”

“E então?” Apoiei as pernas sobre o sofá e me recostei no canto.

“E então o quê?”

“Você sabe o quê, Alec.” Apanhando seu netbook de cima da mesa de centro, Jace o posicionou sobre suas pernas cruzadas.

“Vai deixar essa passar?”

“Eu nem conheço o cara. Não sei nem o nome dele, e ele já me vem com uma proposta dessas.”

“Ele sabe o seu.” Jace começou a digitar no teclado. “E essa história da vodca? De pedir uma reunião com seu chefe?” A mão que eu estava passando pelos cabelos ficou paralisada.

“Raphael é muito talentoso. Se Bane tiver algum bom senso para os negócios, vai saber aproveitar e explorar isso muito bem.”

“Da capacidade dele para os negócios eu não duvido.” Jace virou seu netbook e mostrou o site das Indústrias Bane, que ostentava uma belíssima foto do Banefire. “Esse prédio é dele, Alec. Magnus Bane é o dono do Banefire.”

Droga. Meus olhos se fecharam. Magnus Bane. O nome combinava com ele. Era sexy, elegante e másculo como seu dono. 

“Ele tem um departamento só para cuidar do marketing das subsidiárias. Um departamento com dezenas de pessoas, talvez.”

“Pare com isso, Jace.”

“Ele é bonito, rico e quer ir pra cama com você. Qual é o problema?”

Olhei bem para ele. “Vai ser muito esquisito esbarrar com ele o tempo todo. Quero ficar um bom tempo nesse emprego. Gosto muito do trabalho. Gosto muito do Raphael. Ele me deixou fazer parte do processo, estou aprendendo muito com ele.”

“Lembra o que o doutor Travis falou sobre riscos calculados? Quando seu analista diz pra você correr riscos, você ganha esse direito. Quer dizer que você pode lidar com isso. Você e Bane são duas pessoas adultas.”

Ele voltou a atenção novamente para a busca que fazia na internet.

“Uau. Sabia que ainda faltam dois anos para ele fazer trinta? Imagine só a disposição...”

“Imagine só a grosseria. Fiquei ofendido com o jeito como ele falou comigo. Detesto me sentir como  um boneco .” Jace parou e se virou para mim, seus olhos exalando compaixão.

“Desculpe, gato. Você é tão forte, tão mais forte do que eu. Duvido que cairia nas ciladas em que caio.”

“Não acho que eu seja tão forte assim, pelo menos não o tempo todo.”

Desviei o olhar, porque não queria falar sobre tudo o que enfrentamos no passado.

“Não que eu queira namorar ou coisa do tipo. Mas existem outras maneiras de dizer que você quer ir pra cama com um homem.”

“Você tem razão. Ele é bem arrogante e pretensioso. Que fique morrendo de tesão por você até subir pelas paredes. Vai ser um castigo merecido.”

Isso me fez rir. Jace sempre conseguia me fazer rir.

“Duvido que alguma vez ele tenha subido pelas paredes por causa de alguém, mas é uma fantasia divertida.”

Ele fechou o netbook em uma atitude resoluta.

“O que vamos fazer hoje à noite?”

“Pensei em ir ver a aula de krav maga daquele sujeito do Brooklyn.”

Eu tinha feito uma pesquisa durante a semana, depois de conhecer Parker Smith no treino na academia, e a ideia de dispor de uma válvula de escape tão enérgica e brutal para o estresse me parecia cada vez mais interessante. Eu sabia que não seria o mesmo que trepar loucamente com Magnus Bane, mas achava que seria bem menos perigoso para minha saúde.


Notas Finais


Oii
COMENTEM é rapidinho ;)


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