História Todo Seu. [MALEC] [AU] - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias As Crônicas de Bane, Os Instrumentos Mortais, Série Crossfire (Livros), Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Aline Penhallow, Asmodeus, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jeremiah, Lady Camille Belcourt, Lilith, Madame Dorothea, Magnus Bane, Maryse Lightwood, Personagens Originais, Ragnor Fell, Raphael Santiago, Robert Lightwood, Sebastian Verlac, Simon Lewis, Valentim Morgenstern
Tags Malec sexo romance drama
Visualizações 209
Palavras 4.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Policial, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oiii
Obrigada a todos os favoritos e comentarios.
Dois avisos:
1- Vcs com certeza já repararam, mas não custa nada falar. O Alec NÃO é virgem e nem inexperiente e SIM ele tem um passado.
2-Esqueci de falar antes que a história é contada pelo ponto de vista do Alec. Me digam se quiserem que eu faça um bônus mais pra frente do Mag, ok?

Capítulo 3 - 3


“Sua mãe e Valentine não vão deixar você vir até aqui tantas noites por semana”, comentou Jace, encolhendo-se dentro de sua estilosa jaqueta de brim, apesar de o tempo não estar muito frio.

O antigo galpão que Parker Smith usava como local de trabalho era uma construção com fachada de tijolos aparentes em uma antiga área industrial do Brooklyn que naquele momento lutava para se revitalizar. O espaço era bem amplo, e as enormes portas de metal, antes usadas para embarque e desembarque de carga, tornavam impossível adivinhar o que estava acontecendo lá dentro. Jace e eu nos sentamos nas arquibancadas, observando meia dúzia de lutadores treinando no tatame ali abaixo.

“Ai.” Até eu me encolhi ao ver um deles levar um chute na região da virilha. Mesmo usando equipamento de proteção, aquilo era doloroso. “Como é que o Valentine vai descobrir, Jace?”

“Você vai acabar no hospital!” Ele olhou bem para mim. “Falando sério. Krav maga é muito violento. Eles estão só treinando, e é a maior pancadaria. Seu padrasto vai descobrir mesmo que você consiga esconder os hematomas. Ele sempre descobre.”

“Por causa da minha mãe! Ela conta tudo pra ele. Mas eu não vou dizer nada pra ela sobre isto aqui.”

“Por que não?”

“Ela não entenderia. Ia achar que eu quero me proteger por causa do que aconteceu, e vai se sentir culpada, fazer um dramalhão. Ela não ia acreditar que só quero me exercitar pra aliviar o estresse.” Apoiei o queixo na palma da mão e vi Parker ir até o centro do tatame com uma mulher. Ele era um bom instrutor. Paciente e atencioso, explicava tudo de uma maneira fácil de entender. Parker dava aula em uma região bem barra-pesada, mas onde tudo aquilo que era ensinado fazia sentido. Nada é capaz de reproduzir melhor a sensação de insegurança do que um enorme galpão vazio.

“Esse Parker é um gato”, murmurou Jace. “E usa aliança.”

“Percebi. Os bons partidos são sempre os primeiros a sair do mercado.”

Parker veio falar conosco depois da aula, com seus olhos pretos brilhantes e seu sorriso ainda mais reluzente.

“O que você achou, Alec?”

“Onde eu me matriculo?”

Seu sorriso sexy fez Jace apertar minha mão até quase interromper a circulação sanguínea.

“Logo ali.”

A sexta-feira começou muito bem. Raphael me explicou o processo de coleta de informações para preencher uma solicitação de proposta e me contou um pouco mais sobre as Indústrias Bane e sobre Magnus Bane, fazendo questão de assinalar que eles dois tinham a mesma idade.

“Tenho que ficar me lembrando disso o tempo todo”, disse Raphael. “É bem fácil esquecer que Magnus é assim jovem quando se está diante dele.”

“Verdade”, concordei, sem querer admitir que estava triste por saber que não veria Bane por dois dias. Por mais que dissesse a mim mesmo que isso não faria nenhuma diferença, eu estava desapontado.

Só me dei conta de que estava animado com a possibilidade de nos encontrarmos quando ela deixou de existir. Ficar perto de Magnus era excitante demais. Além disso, olhar para ele era uma experiência e tanto. Eu não tinha nada nem ao menos parecido para fazer no fim de semana. Estava tomando algumas notas no escritório do Raphaelquando ouvi o telefone tocar. Pedi licença e fui correndo atender.

“Escritório de Raphael Santiago.”

“Alec, querido. Como vai?” Afundei na cadeira ao ouvir a voz do meu padrasto. Valentine soava como um aristocrata para mim — culto, poderoso e arrogante. “Valentine. Está tudo bem? Tudo certo com a mamãe?”

“Sim. Está tudo bem. Sua mãe está ótima, como sempre.” Seu tom de voz se atenuava quando ele falava da mulher, e eu ficava grato por isso. Era grato a meu padrasto por vários motivos, na verdade, mas às vezes era difícil admitir isso sem me sentir desleal. Eu sabia que meu pai se sentia incomodado com a enorme diferença entre as contas bancárias dos dois.

“Que bom”, eu disse aliviado. “Fico feliz. Vocês receberam meu bilhete agradecendo o meu smoking e o do Cary?”

“Sim, foi muita consideração da sua parte, mas você sabe que não precisa nem agradecer. Só um momento.” Ele falou com alguém, provavelmente a secretária. “Alec, querido. Eu gostaria de almoçar com você hoje. Vou mandar Clancy ir buscar você.”

“Hoje? Mas a gente vai se ver amanhã à noite. Não dá pra esperar até lá?”

“Não, precisa ser hoje.”

“Mas eu só tenho uma hora de almoço.” Um tapinha no meu ombro me alertou para a presença de Raphael na minha baia.

“Pode tirar duas horas”, ele sussurrou. “Você merece.” Soltei um suspiro e agradeci silenciosamente.

“Pode ser ao meio-dia, Valentine?”

“Perfeito. Estou ansioso para ver você.”

Eu não tinha nenhuma razão para aguardar ansiosamente um encontro com Valentine, mas ainda assim saí pouco antes do meio-dia e encontrei um carro parado no meio-fio esperando por mim. Clancy, motorista e guarda-costas de Valentine, abriu a porta quando o cumprimentei. Ele assumiu seu lugar ao volante e tomou o caminho do centro. Vinte minutos depois, eu estava sentado em uma sala de reunião anexa ao escritório do meu padrasto, diante de uma refeição lindamente servida para duas pessoas.

Valentine entrou na sala logo depois de mim, com sua aparência distinta e impecável. Seus cabelos eram totalmente brancos, e seu rosto era bem delineado e ainda muito bonito. Seus olhos tinham uma cor de brim lavado, e brilhavam, inteligentes. Ele era magro e atlético, sempre conseguia arrumar um tempinho em seus dias ocupados para se exercitar, mesmo antes de se casar com a esposa modelo — minha mãe.

Eu me levantei, e ele me deu um beijo na bochecha.

“Você está ótimo, Alec.”

“Obrigada.” Eu era muito parecido com minha mãe, que também tinha cabelos pretos.e olhos azuis, mas a pele super branca era do meu pai.

Sentando-se em uma cadeira na ponta da mesa, Valentine tinha consciência da paisagem que se descortinava atrás dele, com os prédios de Nova York, e sabia tirar vantagem da impressão que causava. “Coma”, ele disse com a voz de comando tão facilmente entoada pelos homens poderosos. Homens como Magnus Bane. Será que Valentine era tão determinado quanto Bane quando tinha sua idade?

Apanhei o garfo e ataquei a salada de frango, nozes, queijo feta e frutas vermelhas. Estava uma delícia, e eu tinha fome.

Fiquei feliz por Valentine não ter começado a falar imediatamente, pois assim podia apreciar a refeição, mas o silêncio não durou muito.

“Alec, querido, eu gostaria de conversar sobre esse seu interesse por krav maga.” Fiquei paralisado. “Como é?”

Valentine tomou um gole de água gelada e se recostou, com o maxilar contraído de uma forma que avisava que eu não ia gostar do que ele estava prestes a dizer. “Sua mãe ficou preocupadíssima ontem à noite quando você foi àquele lugar no Brooklyn. Demorou um tempo para ela se acalmar e se convencer de que eu poderia tomar providências para que você faça isso de maneira segura. Ela não quer...”

“Espere.” Eu larguei meu garfo cuidadosamente, já sem o menor apetite. “Como é que ela sabe aonde eu fui?”

“Ela rastreou seu celular.”

“Não acredito!” Eu respirei fundo, desabando na cadeira. A tranquilidade com que ele deu essa resposta, como se fosse a coisa mais natural do mundo, me deixou enojado. Senti algo no estômago, que subitamente parecia mais interessado em rejeitar o conteúdo do almoço do que em digeri-lo. “Foi por isso que ela insistiu que eu usasse um telefone da empresa. Não tinha nada a ver com economia.”

“Claro que um dos motivos era esse. Mas assim ela também podia ter paz de espírito.”

“Paz de espírito? Espionando o próprio filho, um homem adulto? Isso não é saudável, Valentine. Você precisa entender. Ela ainda faz terapia com o doutor Petersen?”

Valentine pareceu incomodado. “Sim, é claro.”

“Ela conta pra ele o que anda fazendo?” “Não sei”, ele respondeu, seco. “Isso é assunto dela. Eu não interfiro.”

É claro que ele interferia. Valentine a pajeava o tempo todo, fazia tudo para agradá-la e mimá-la. Ele permitia que a obsessão dela pela minha segurança alcançasse proporções descomunais. “Ela precisa pôr uma pedra sobre tudo o que aconteceu. Eu já fiz isso.”

“Você era um menino inocente, Alec. Ela se sente culpada por não ter conseguido proteger você. Precisamos ter um pouquinho de tolerância.”

“Tolerância? Ela invadiu minha privacidade!” Minha cabeça estava a mil. Como minha mãe tinha coragem de desrespeitar minha individualidade daquela forma? E por que fazia aquilo? Ela estava ficando maluca e me enlouquecendo junto.

“Isso precisa acabar.”

“Não tem problema nenhum. Já conversei com Clancy. Ele vai levar você quando precisar ir ao Brooklyn. Está tudo combinado. Vai ser muito melhor para você.”

“Não tente fingir que o maior beneficiado sou eu.” Meus olhos estavam ardendo e minha garganta queimava com o choro e a frustração contidos. Detestei a maneira como ele se referiu ao Brooklyn, como se fosse um país subdesenvolvido. “Sou um homem adulto. Posso tomar minhas próprias decisões. Existe uma lei que diz isso!”

“Não precisa elevar o tom de voz comigo, Alec. Estou apenas fazendo o melhor para sua mãe. E para você.”

Eu me afastei da mesa. “Você está incentivando esse comportamento. Está mantendo ela doente, e me deixando doente também.”

“Sente-se. Você precisa comer. Maryse está preocupada, acha que você não está se alimentando direito.”

“Ela se preocupa com tudo, Valentine. Esse é o problema.”

Larguei meu guardanapo sobre a mesa. “Preciso voltar ao trabalho.” Dei as costas, tomando imediatamente o caminho da porta para sair dali o quanto antes. Peguei minha pasta com a secretária e deixei meu celular em cima da mesa dela. Clancy, que estava me esperando na recepção, veio atrás de mim, e eu sabia que não adiantava tentar dispensá-lo. Ele seguia as ordens de Valentine e de mais ninguém. Clancy me levou de volta enquanto eu fumegava no banco de trás. Eu poderia reclamar o quanto quisesse, mas no fim não era muito diferente do meu padrasto, porque no fim acabaria cedendo eu ia deixar minha vontade de lado e fazer o que minha mãe queria, porque a ideia de fazê-la sofrer ainda mais era de cortar o coração.

Ela era emotiva e sensível demais, e me amava a ponto de enlouquecer por causa disso.

Eu estava de péssimo humor ao chegar ao Banefire. Quando Clancy me deixou no meio-fio, olhei para os dois lados na calçada lotada à procura de um mercadinho para comprar chocolate ou de uma loja para arrumar um celular novo. Acabei dando uma volta no quarteirão e comprando meia dúzia de chocolates na farmácia da esquina antes de entrar no prédio. Só fazia uma hora que eu tinha saído, mas eu não estava a fim de usar a hora a mais que Raphael havia me concedido.

Precisava trabalhar para esquecer minha família perturbada. Ao entrar sozinho no elevador, rasguei a embalagem de uma barra de chocolate e a mordi furiosamente.

Estava disposto a consumir toda a minha cota de chocolate antes de chegar ao vigésimo andar, mas o elevador parou no quarto. Gostei da ideia de ter um tempo extra para deixar o chocolate e o caramelo derreterem na minha língua.

A porta abriu, revelando a figura de Magnus Bane, que conversava com dois outros homens. Como sempre, fiquei sem ar diante dele, o que só reacendeu minha raiva, que já estava começando a diminuir. Por que ele tinha aquele efeito sobre mim? Quando eu conseguiria ficar imune a ele?

Ele olhou para dentro. Ao me ver, seus lábios se curvaram em um sorriso de tirar o fôlego. Que ótimo. Que sorte a minha. Eu agora era uma espécie de desafio para ele.

O sorriso de Bane se desfez em uma expressão séria. “Falamos sobre isso mais tarde”, ele murmurou para seus companheiros sem tirar os olhos de mim. Bane entrou no elevador e os dispensou com um gesto de mão. Eles pareceram surpresos. Olharam para mim, para Bane, e depois para mim de novo.

Fiz menção de sair, ciente de que seria melhor para minha saúde mental pegar outro elevador.

“Por que a pressa, Alexander?” Ele me agarrou pelo cotovelo e me puxou de volta. A porta fechou e o elevador se pôs suavemente em movimento.

“O que você está fazendo?”, protestei. Depois de ter que lidar com Valentine, a última coisa de que eu precisava era de outro macho dominante me dando ordens.

Bane agarrou meus braços e forçou o contato visual. Seus olhos verdes eram intensos.

“Tem alguma coisa incomodando você. O que é?” Aquele aperto afetou ainda mais meu mau humor, e a eletricidade que eu sabia existir entre nós enfim se manifestou.

“Você.”

“Eu?” Seus dedos aliviaram a pressão sobre meus ombros. Depois de me soltar, ele tirou uma chave solitária do bolso e a enfiou no painel. Todos os botões se apagaram, a não ser o do último andar. Ele estava vestido de preto de novo, com riscas de giz em cinza. Vê-lo de costas foi uma revelação. Seus ombros eram largos sem serem ostensivos, realçando sua cintura bem delineada e suas pernas compridas. Os cabelos sedosos me despertaram o desejo de agarrá-los e puxá-los. Com força. Eu o desejava com toda a minha raiva. Estava disposto a uma boa briga.

“Não estou nem um pouco a fim desse tipo de conversa, senhor Bane.” Ele observava o mostrador em estilo antigo acima da porta passar pelos números dos andares que deixávamos para trás. 

“Posso deixar você a fim.”

“Não estou interessado.”

Bane olhou para mim por cima do ombro. Sua camisa e sua gravata tinham o mesmo tom esverdeado de sua íris. O efeito do conjunto era devastador.

“Não minta pra mim, Alexander. Nunca.” 

“Não é mentira. E daí que eu me sinto atraído por você? A maioria das pessoas deve se sentir.”

Embrulhei o pedaço de chocolate que havia restado e joguei de volta na sacola, que enfiei dentro da pasta.

Quando estava com Magnus Bane, eu não precisava de chocolate.

“Mas não estou interessado em levar isso adiante.”

Então ele se virou para mim, lentamente, com um esboço de sorriso percorrendo sua boca tentadora. Sua tranquilidade e impassibilidade me deixaram ainda mais descontrolado.

“Atração é uma palavra civilizada demais para...”, ele percorreu com a mão o espaço entre nós, “isto.”

“Pode me chamar de maluco, mas eu preciso gostar de um cara antes de tirar a roupa na frente dele.”

“Eu não diria maluco. Mas não tenho tempo nem disposição pra namoros.” 

“Pois então somos dois. Ainda bem que tiramos isso a limpo.”

Ele chegou mais perto, erguendo a mão na direção do meu rosto. Eu me obriguei a não lhe dar a satisfação de me esquivar ou parecer intimidado. Ele esfregou o polegar na minha boca, levou-o até a dele, chupou a ponta do dedo e sussurrou: “Chocolate e você. Que delícia”. Senti um tremor pelo corpo todo, seguido por uma compressão entre minhas pernas ao me imaginar lambendo aquele corpo absurdamente sexy regado com chocolate.

Seu olhar se tornou mais intenso e sua voz baixou para um tom de intimidade. “Romance não é meu forte, Alexander. Mas conheço mil maneiras de fazer gozar. Basta você querer.”

O elevador parou subitamente. Ele tirou a chave do painel e a porta abriu. Eu me encolhi em um canto e fiz um sinal com a mão para que ele se afastasse. 

“Realmente não estou interessado.” 

“Veremos.” Bane me pegou pelo cotovelo e, de maneira gentil mas insistente, me pôs para fora. Fui junto com ele porque gostava da emoção de estar a seu lado, e também porque estava curioso para saber o que Bane diria se interagíssemos por mais de cinco minutos, para variar.

A porta abriu tão rapidamente que não foi preciso nem diminuir o passo. A bonita ruiva da recepção se levantou depressa, ansiosa para transmitir alguma informação enquanto ele balançava a cabeça demonstrando impaciência. Ela se calou e ficou me encarando enquanto passávamos a passos largos.

Felizmente, o corredor que levava à sala dele era curto. Seu secretário se levantou diante da aproximação do chefe, mas ficou em silêncio ao perceber que ele não estava sozinho.

“Não passe nenhuma ligação, Scott”, disse Bane, conduzindo-me a seu escritório através da porta dupla de vidro. Apesar da irritação, não pude deixar de me impressionar com a espaçosa sala de comando de Magnus Bane.

Janelas panorâmicas exibiam a cidade de ambos os lados, como uma parede de vidro envolvendo o escritório. A única parede não transparente, bem na frente de sua enorme mesa, era coberta de monitores exibindo notícias em tempo real de canais de notícias do mundo inteiro. Havia três ambientes distintos, todos maiores que o escritório inteiro do Raphael, e um bar com decanters de cristal, que proporcionavam os únicos pontos coloridos em uma decoração em que predominavam o preto, o branco e o cinza. Bane apertou um botão na mesa e a porta se fechou. Logo em seguida a parede de vidro ficou opaca, protegendo-nos dos olhos dos funcionários. Com os filmes instalados nas janelas, nossa privacidade estava garantida. Ele tirou o paletó e o pendurou em um cabide cromado. Depois voltou para onde eu estava desde o momento em que entramos.

“Quer beber alguma coisa, Alexander?” 

“Não, obrigada.” Droga. Ele estava ainda mais gostoso só de colete. Dava para ver melhor como seu corpo era bonito. Como seus ombros eram fortes. Como seus bíceps se flexionavam lindamente quando ele se mexia. Bane apontou para um sofá de couro preto.

“Pode sentar.”

“Preciso voltar ao trabalho.”

“E eu tenho uma reunião às duas. Quanto mais cedo resolvermos isso, mais depressa podemos voltar ao trabalho. Agora pode sentar.”

“O que exatamente nós temos que resolver?”

Soltando um suspiro, ele me pegou pelo braço, conduziu-me até o sofá e se sentou ao meu lado.

“Suas objeções.Está na hora de discutir o que pode fazer você querer dar pra mim.”

“Um milagre.” Eu me afastei, ampliando o espaço entre nós“Sua abordagem é grosseira e ofensiva.”

E me deixou louco de tesão, mas isso eu nunca ia admitir. Ele me observou estreitando os olhos.

“Posso não ser muito sutil, mas sou sincero. Você não me parece o tipo de homem que prefere ouvir mentiras e galanteios em vez da verdade pura e simples.”

“Prefiro ser tratado como alguém que tem mais a oferecer do que um boneco inflável.”

Bane ergueu as sobrancelhas. “Muito bem, então.”

“Estamos conversados?”, perguntei já me levantando.

Envolvendo meu pulso com os dedos, Bane me fez sentar de novo.

“De jeito nenhum. Só esclarecemos alguns pontos: sentimos uma enorme atração sexual um pelo outro e nenhum dos dois quer namorar. Então você quer o que exatamente, Alexander? Sedução? Você quer ser seduzido?”

Aquela conversa era ao mesmo tempo fascinante e ultrajante. E, é claro, tentadora. Dificilmente não seria, com um macho maravilhoso e viril daquele olhando para mim, determinado a me levar para a cama. Ainda assim, o lado negativo daquilo tudo falou mais alto. 

“Falar de sexo como quem fala de negócios é broxante demais pra mim.” 

“Estabelecer parâmetros logo de início evita que as expectativas sejam exageradas, o que poderia levar a uma decepção desnecessária.”

“Você está falando sério?”, perguntei com desdém.

“Ouça o que está dizendo. Por que perder tempo falando em sexo? Por que não dizer logo ‘uma emissão seminal em um orifício pré-aprovado’?”

Ele jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada. Fiquei ainda mais irritado. O som gutural de sua risada desabou sobre mim como um jato de água morna. Meu desejo por ele cresceu a um nível próximo do sofrimento físico. Seu divertimento mundano o fez parecer menos com um deus do sexo e mais com um ser humano. De carne e osso. Gente de verdade. Eu me levantei e me afastei dele.

“Sexo casual não precisa começar com flores e vinho, mas, pelo amor de Deus, sexo é uma coisa pessoal. Íntima. Que exige um mínimo de respeito mútuo.”

A disposição para o humor pareceu sumir dos olhos dele.

“Não existe espaço para ambiguidade nas minhas relações pessoais. Você está querendo misturar as coisas. E eu não vejo nenhum motivo pra isso.”

“Não quero que você faça nada além de me deixar voltar ao trabalho."

 Tomei o caminho da porta e acionei a maçaneta, xingando baixinho ao ver que ela não funcionava.

“Me deixe sair, Bane.”

 Senti que ele se aproximava de mim. As palmas de suas mãos, pressionadas contra o vidro, me aprisionaram entre seus braços. Eu não conseguia mais pensar em me preservar sentindo sua presença assim tão próxima. A força e a determinação de seu desejo formavam uma espécie de campo de força quase palpável. Ele deu um passo à frente e me envolveu com seu corpo. Tudo o que havia fora dessa bolha deixou de existir, enquanto dentro dela meu corpo inteiro ansiava pelo dele. Bane exercia um efeito tão profundo e visceral sobre mim, mesmo sendo tão irritante, que minha cabeça começou a girar. Como eu podia sentir tanto tesão por alguém cujas palavras deveriam me deixar broxado?

“Vire para mim, Alexander.”

Seu tom de voz autoritário me deixou tão excitado que meus olhos até se fecharam. Meu Deus, o cheiro dele era maravilhoso. Seu corpo poderoso irradiava desejo e calor, instigando a vontade enlouquecida que eu tinha dele. Essa reação incontrolável foi intensificada pela minha frustração com Valentine e pela discussão com o próprio Bane.

Eu queria Bane. Muito. Mas ele era demais para mim. Sinceramente, eu não precisava de ninguém para arruinar minha vida, não precisava de ajuda nesse quesito.

Minha testa quente tocou o vidro resfriado pelo ar-condicionado.

“Me deixe sair, Bane.”

“Vou deixar. Você tem cheiro de encrenca.” 

Seus lábios roçavam de leve minha orelha. Uma de suas mãos apertava minha barriga, seus dedos me puxavam para que eu encostasse nele. Ele estava tão excitado quanto eu: senti seu pau duro e grosso contra a base da minha coluna.

“Agora vire para mim e se despeça.” 

Decepcionado e arrependido, recusei seu toque, encolhendo-me contra a porta gelada em comparação às minhas costas quentes. Ele estava curvado sobre mim, com os cabelos luxuriosos emoldurando seu lindo rosto e o antebraço apoiado na porta para ficar ainda mais perto. Quase não havia espaço entre nós. A mão que estava na minha cintura havia passado para a curvatura do meu quadril, apertando-me cada vez mais e me deixando maluco. Ele me encarou com seu olhar intenso e perturbador.

“Me dê um beijo”, ele pediu, sussurrando. “Pelo menos isso.”

Ligeiramente ofegante, passei a língua pelos lábios ressecados. Ele inclinou a cabeça e encostou sua boca na minha. Fiquei impressionado com a firmeza e a maciez de seus lábios, e com a pressão suave que eles exerciam. Suspirei, e sua língua entrou na minha boca, sentindo meu gosto em longas e deliciosas lambidas. Era um beijo confiante e habilidoso, com a quantidade ideal de agressividade para me deixar morrendo de tesão. Mal registrei quando minha pasta caiu no chão; minhas mãos foram logo para os cabelos dele. Puxei as mechas sedosas, usando as para direcionar sua boca para a minha.

Ele gemeu, tornando o beijo ainda mais profundo, atacando minha língua com movimentos lascivos. Senti seus batimentos descontrolados contra meu peito, uma prova de que ele não era tão desesperadamente perfeito como na minha imaginação febril.

Bane se afastou da porta. Agarrando minha nuca e minha bunda, ele me levantou do chão.

“Quero você, Alexander. Cheirando a encrenca ou não, não consigo evitar.”

Estava inteiramente grudado nele, sentindo cada pedacinho do seu corpo gostoso. Eu o beijava como se fosse comê-lo vivo. Minha pele estava úmida e hipersensível, meus seios estavam arrepiados e implorando por toque. Meu pau implorava por atenção, pulsando ao ritmo da minha respiração acelerada.

Sem que eu me desse conta, já estava deitado no sofá. Bane estava inclinado sobre mim, com um dos joelhos apoiado no estofamento e o outro pé no chão. O peso da parte superior de seu corpo estava apoiado sobre seu braço esquerdo, enquanto ele agarrava a parte de trás do meu joelho com a mão direita, subindo para a minha coxa em uma carícia firme e possessiva. Bane expirou com força quando chegou a minha bunda. Ele desviou o olhar de mim e o direcionou para sua outra mão, que apertava minha coxa e colocou na minha barriga, puxando minha blusa pra cima.

“Minha nossa, Alexander.” Um gemido grave reverberou em seu peito, uma emissão sonora primitiva que fez minha pele inteira se arrepiar. “Sorte do seu chefe que ele é comprometido.”

De relance, vi a parte inferior do corpo de Bane contra o meu, minhas pernas abertas para acolher a amplitude de seus quadris.

Meus músculos queimavam de vontade de me encostar todo nele, de apressar o contato que eu desejava desde a primeira vez que o vi.

Baixando um pouco a cabeça, ele atacou minha boca de novo, ferindo um pouco os meus lábios com sua impetuosidade levemente violenta. Mas, de um momento para o outro, ele se afastou de mim, ficando em pé imediatamente.

Eu permaneci lá, ofegante e duro, pronto e desejoso.

Foi quando percebi por que Bane havia reagido de maneira tão abrupta.

Havia alguém atrás dele.


Notas Finais


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