História Todo Seu. [MALEC] [AU] - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias As Crônicas de Bane, Os Instrumentos Mortais, Série Crossfire (Livros), Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Aline Penhallow, Asmodeus, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jeremiah, Lady Camille Belcourt, Lilith, Madame Dorothea, Magnus Bane, Maryse Lightwood, Personagens Originais, Ragnor Fell, Raphael Santiago, Robert Lightwood, Sebastian Verlac, Simon Lewis, Valentim Morgenstern
Tags Malec sexo romance drama
Visualizações 221
Palavras 6.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Policial, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oiiii
Gente eu vou avisar de novo, por que tive perguntas sobre isso:
A FANFIC É UMA ADAPTAÇÃO DO LIVRO 1 DA SÉRIE CROSSFIRE NA VERSÃO MALEC.OK?OK.
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Tenho uma surpresa nas notas finais ;)

Capítulo 4 - 4


Horrorizado com a súbita intromissão na nossa privacidade, eu me sentei apressadamente no braço do sofá, ajeitando minha blusa enquanto isso.

“... da reunião das duas horas está aqui.”

Precisei de alguns segundos intermináveis de pânico para perceber que Bane e eu ainda estávamos sozinhos na sala, que a voz que eu tinha ouvido vinha de um alto-falante.

Bane se sentou na outra ponta do sofá, parecendo irritado, com a respiração ofegante. A braguilha da calça ostentava o volume de uma ereção impressionante.

Apavorado, imaginei com que aparência eu deveria estar. E já tinha passado da hora de voltar ao trabalho.

“Meu Deus.” Bane passou as mãos pelo cabelo. “Estamos no meio do expediente. E na porra do meu escritório!”

Eu me levantei e tentei me recompor.

“Espere.”

Ele veio até mim e levantou minha blusa de novo. Furioso com o que quase havia acontecido quando eu deveria estar trabalhando, dei um tapa nas mãos dele.

“Pare com isso. Me deixe.”

“Fique quieto, Alexander”, ele disse com um sorriso, pegando nas mãos a barra da minha blusa de seda preta e a recolocando no lugar, de modo que ficasse ajustada e que os botões formassem de novo uma linha reta perfeita alisando-a com suas mãos seguras e competentes.

Bane vestiu o paletó, acomodando-se dentro dele antes de ajustar a gravata. Chegamos à porta no mesmo instante e, quando me abaixei para pegar minha pasta, ele me acompanhou no mesmo movimento. Então pegou meu queixo e fez com que eu olhasse para ele.

“Ei”, ele disse com uma voz suave. “Está tudo bem?”

Minha garganta queimava. Eu estava excitado, irritado e morrendo de vergonha. Nunca tinha perdido a cabeça dessa forma antes. E detestava o fato de isso ter acontecido com ele, um homem cuja noção de intimidade sexual era tão asséptica que me deixava deprimido só de pensar.

Livrei meu queixo do seu toque.

“Eu pareço estar bem?”

“Você está lindo e louco para transar. Me deixou com tanto tesão que até dói. Estou a ponto de voltar para aquele sofá e fazer você gozar até não aguentar mais.”

“Não dá pra acusar você de não ser direto”, resmunguei, deixando claro que não estava ofendido. Na verdade, a brutalidade do desejo dele era um potente afrodisíaco. Apanhando a alça da pasta, eu me pus de pé sobre as pernas bambas. Precisava me afastar dele. E, quando o dia de trabalho terminasse, precisava de um tempo sozinho com uma boa taça de vinho. Bane também se levantou.

“Vou apressar tudo aqui pra terminar até as cinco. Aí desço pra pegar você.”

“Não, senhor. Isso que aconteceu agora não muda nada.”

“É claro que muda.”

“Não seja arrogante, Bane. Posso ter perdido a cabeça por um momento, mas isso não significa que eu queira o mesmo que você.”

Seus dedos agarraram a maçaneta da porta. “Você quer, sim. Só não quer que seja da maneira como estou oferecendo. Só precisamos alinhar alguns pontos.” Outra vez a linguagem de negócios. Fria e impessoal. Comecei a me irritar de novo. Pus minha mão sobre a dele e abri a porta, passando por baixo de seu braço para empurrá-la. Seu secretário se levantou rapidamente, assim como a mulher e os dois homens que esperavam por Bane. Ouvi quando ele disse:

“Scott vai conduzi-los até minha sala. Volto em um instante.”

Ele me alcançou na recepção, passando o braço pelas minhas costas e me agarrando pelo quadril. Eu não queria causar nenhum constrangimento, então esperei até chegar ao elevador para afastá-lo. Ele não se abalou e apertou calmamente o botão.

“Até as cinco, Alexander.”

Não tirei os olhos do botão do elevador. “Estou ocupado.”

“Até amanhã então.”

“Tenho compromisso no fim de semana.”

Ele entrou na minha frente e perguntou com a voz firme: “Com quem?”.

“Isso não é da sua...”

Bane cobriu minha boca com a mão. “Chega. Só me diga quando, então. E, antes que se sinta tentado a dizer nunca, dê uma boa olhada e me diga se pareço ser um homem que desiste facilmente.”

Sua expressão estava séria, e seu olhar era concentrado e determinado. Estremeci. Não tinha certeza se podia confiar na minha capacidade de resistir a Magnus Bane. Engolindo em seco, esperei que ele tirasse a mão de mim e falei:

“Acho que nós dois precisamos esfriar um pouco a cabeça. Pensar um pouco”.

Ele insistiu. “Segunda depois do expediente.”

O elevador chegou e eu entrei. Virando para ele, dei minha resposta: 

“Segunda na hora do almoço”.

Assim teríamos só uma hora, e eu teria um bom motivo para fugir.

Antes de as portas se fecharem, ele ainda disse: “Eu não vou desistir, Alexander”.

Soou mais como uma ameaça do que como uma promessa.

“Não se preocupe, Alec”, tranquilizou Raphael quando cheguei à mesa, às duas e quinze. “Você não perdeu nada. Tive um almoço demorado com o senhor Leaman. Também acabei de chegar.”

“Obrigado.” Por mais que ele me tranquilizasse, eu ainda estava me sentindo muito mal. Minha produtiva manhã de sexta-feira no trabalho parecia ter ficado em um passado longínquo. Trabalhamos sem parar até as cinco, conversando sobre um cliente do ramo de fastfood e tendo algumas ideias para um anúncio de uma rede de mercearias especializadas em produtos orgânicos.

“Pepinos nós temos de sobra”, Raphael havia dito em tom de brincadeira, sem saber que isso se aplicava perfeitamente à minha vida pessoal. Eu tinha acabado de desligar o computador e estava pegando a pasta quando o telefone tocou. Olhei para o relógio, que mostrava exatamente cinco horas, e pensei em ignorar a ligação, uma vez que tecnicamente o expediente já havia terminado.

Mas, como eu ainda estava me sentindo culpado por causa do almoço de duas horas, atendi como uma forma de penitência.

“Escritório de Raphael...”

“Alec, querido. Valentine me disse que você esqueceu o celular no escritório dele.”

Soltei uma bufada e me joguei de volta na cadeira. Conseguia até ver o lencinho na mão que acompanhava aquele tom de voz especialmente ansioso da minha mãe. Era muito irritante, mas também era de cortar o coração.

“Oi, mãe. Tudo bem?”

“Ah, estou ótima. Obrigada por perguntar.” Minha mãe tinha uma voz ao mesmo tempo infantil e sussurrante, uma mistura de Marilyn Monroe e Scarlett Johansson. “Clancy já deixou o celular na portaria do seu prédio. Você não deveria sair sem ele. Nunca se sabe quando se vai precisar ligar para alguém...”

Eu já vinha planejando uma forma de manter aquele telefone e encaminhar as chamadas para outro que minha mãe não tivesse registrado, mas naquele momento essa não era minha prioridade.

“O que o doutor Petersen falou sobre você rastrear meu telefone?” O silêncio do outro lado da linha era revelador.

“O doutor Petersen sabe que eu me preocupo com você.”

“Acho que está na hora de fazermos outra consulta conjunta, mãe”.

“Ah... claro. Ele inclusive falou que gostaria de ver você de novo.”

Provavelmente por achar que você não está dizendo toda a verdade. Mudei de assunto. “Estou adorando o novo emprego.”

“Que maravilha, Alec! Seu chefe está tratando você bem?”

“Sim, ele é ótimo.Não poderia ser melhor.”

“Ele é bonito?”

Eu sorri. “Sim, muito. Mas é comprometido.”

“Que coisa. Os melhores sempre são.” Ela riu, e meu sorriso se abriu ainda mais. Eu adorava vê-la feliz. Gostaria que passasse mais tempo assim.

“Mal posso esperar para ver você no jantar beneficente.”

Maryse Lightwood-Morgenstern se sentia em casa em eventos sociais, uma beldade radiante acostumada a receber grandes doses de atenção masculina a vida toda.

“Vamos aproveitar o dia juntas também”, disse minha mãe mais baixo. “Eu, você e Jace. Podemos ir a um spa e nos embelezar. Tenho certeza de que você está precisando de uma massagem depois de trabalhar tanto.”

“Seria bom, com certeza. E sei que Jace ia amar.”

“Ah, estou tão animada! Posso mandar um carro até sua casa às onze?”

“Vou estar esperando.” Desliguei, recostei-me na cadeira e soltei um suspiro. Estava precisando muito de uma banheira quente e de um orgasmo. Pouco importava se Magnus Bane descobrisse que eu me masturbava pensando nele. Minha frustração sexual estava enfraquecendo minha posição naquele jogo, uma fraqueza que eu sabia que ele não tinha. Com certeza haveria um orifício pré-aprovado à sua disposição antes do fim do dia. Enquanto trocava os sapatos pelos tênis, o telefone tocou de novo. Minha mãe raramente permanecia relaxada por muito tempo. Os cinco minutos que se passaram desde nossa conversa devem ter sido suficientes para ela perceber que a questão do celular ainda não estava resolvida. Mais uma vez, pensei em ignorar o telefone, mas não queria levar nada de ruim comigo para casa depois de um dia como aquele. Atendi com minha saudação habitual, mas sem o mesmo entusiasmo.

“Ainda estou pensando em você.” A voz rouca e aveludada de Bane tomou conta de mim sem nenhuma resistência, o que me fez perceber que eu ansiava por ouvila de novo.

Meu Deus. O desejo era tão intenso que era como se ele tivesse se tornado uma droga para meu corpo, a única fonte de uma sensação inigualável.

“Ainda estou sentindo você, Alexander. Seu gosto. Estou de pau duro desde que saiu, apesar de duas reuniões e uma teleconferência. Estou em desvantagem. Faça suas exigências.”

“Ah”, murmurei. “Deixe-me ver.” Eu o deixei esperando, e abri um sorriso ao me lembrar do comentário de Jace sobre fazê-lo subir pelas paredes. “Humm... Não consegui pensar em nada. Mas tenho alguns conselhos de amigo. Procure um homem que esteja babando por você e faça com que se sinta um deus. Transe com ele até nenhum dos dois aguentar mais. Quando me encontrar na segunda-feira, você já vai ter esquecido tudo isso, e sua vida vai voltar à sua ordem obsessivo-compulsiva.”

Um som de atrito se tornou audível ao telefone, o que me fez pensar que ele estava se remexendo na cadeira.

“Desta vez vou deixar passar, Alexander. Mas, da próxima vez que insultar minha inteligência, vai levar um tapa na bunda.” 

“Não gosto desse tipo de coisa.”

E ainda assim, naquele tom de voz, aquela ameaça tinha me deixado excitado.

Ele era perigoso, com certeza.

“Veremos. Enquanto isso, me fale do que você gosta.”

Eu me levantei. “Sua voz é perfeita para fazer sexo por telefone, mas preciso ir. Tenho um encontro com meu vibrador.”

Eu deveria ter desligado naquele momento, para que minha recusa tivesse um efeito dramático, mas queria ouvir quando ele engolisse em seco, como eu imaginava que faria. Além disso, eu estava me divertindo.

“Ah, Alexander.” Bane disse meu nome em uma espécie de suspiro esvaído. “Você quer que eu implore, não é mesmo? O que eu preciso fazer pra entrar nessa brincadeira com seu amiguinho movido a pilha?”

Ignorei ambas as perguntas e ajeitei a pasta sobre o ombro, feliz por saber que ele não estava vendo como minha mão tremia. Eu não estava nem um pouco disposto a falar sobre meu vibrador com Magnus Bane. Nunca conversei abertamente sobre masturbação com um homem, muito menos com um cujas verdadeiras intenções eu desconhecia.

“Meu amiguinho e eu temos uma relação bem clara — quando a brincadeira acaba, sabemos exatamente quem foi usado, e esse alguém nunca sou eu. Boa noite, Magnus.”

Desliguei e tomei o rumo das escadas, tendo em mente que descer aqueles vinte andares serviria tanto para evitar encontros indesejáveis como para compensar o fato de que naquela noite eu não iria à academia.

Fiquei tão feliz ao chegar em casa no fim daquele dia que entrei praticamente dançando no apartamento.

Meu suspiro de alívio — “Nossa, como é bom estar em casa!” —e os rodopios que o acompanharam foram suficientes para atrair a atenção do casal que estava sentado no sofá.

“Opa”, eu disse, encolhendo-me de vergonha. Jace não estava fazendo nada muito comprometedor quando entrei, mas a proximidade com que estavam sentados sugeria alguma intimidade.

Pensei em Magnus Bane, que era capaz de eliminar a intimidade dos atos mais íntimos que alguém é capaz de imaginar, com certo mau humor. Eu já tinha feito sexo casual e mantido relações sem nenhum compromisso, e ninguém sabia melhor que eu que fazer sexo e fazer amor eram coisas bem diferentes, mas nunca seria capaz de enxergar o sexo como algo mecânico, como um aperto de mãos.

O fato de Bane encarar a coisa dessa forma me entristecia, apesar de ele não ser o tipo de homem que despertasse compaixão ou pena.

“Oi, gato”, Jace me cumprimentou, ficando de pé. “Queria mesmo que você chegasse antes do Sebastian ir embora.”

“Tenho aula daqui a uma hora”, explicou Sebastian, contornando a mesa de centro enquanto eu colocava minha pasta em um banquinho junto ao balcão. “Mas fico feliz de ter conseguido ver você antes de ir embora.”

“Eu também.” Apertei sua mão quando ele a estendeu para mim, aproveitando a chance para examiná-lo de relance. Tinha mais ou menos a minha idade. Altura mediana e musculatura sólida. Cabelos loiros despenteados, olhos azuis redondinhos e um nariz que claramente já havia sido quebrado em algum momento.

“Se importa se eu beber uma taça de vinho?”, perguntei. “Tive um dia difícil.”

“Vai fundo”, respondeu Sebastian.

“Eu também quero uma.” Jace se juntou a nós no balcão. Usava uma calça jeans preta larga e um suéter preto de gola bem larga.

Um visual despojado e elegante, que realçava de maneira fenomenal seus cabelos loiros e seus olhos dourados. Fui até a adega e puxei uma garrafa qualquer.

Sebastian enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans e ficou se balançando sobre os calcanhares, falando baixinho com Jace enquanto eu abria e servia o vinho.

O telefone tocou, e eu atendi.

“Alô?”

“Alô, Alec? Aqui é Parker Smith.”

“Oi, Parker.” Apoiei o quadril no balcão. “Tudo bem?”

“Espero que não se importe de eu telefonar. Foi seu padrasto que me passou o número.”

Argh. Valentine já tinha me incomodado demais em um só dia.

“Não, tudo bem. Algum problema?”

“Sendo bem sincero? Nenhum. Seu padrasto foi a melhor coisa que nos aconteceu. Ele vai financiar algumas reformas para a segurança do espaço e outras melhorias que precisavam ser feitas. É por isso que estou ligando. Não vamos abrir na semana que vem. As aulas só vão voltar na outra segunda.”

Fechei os olhos, tentando reprimir um grito de desespero. Não era culpa de Parker se Valentine e minha mãe eram maníacos controladores. Obviamente, eles não eram capazes de entender a ironia em tentar me defender enquanto estivesse cercado de pessoas treinadas para fazer exatamente isso.

“Parece ótimo. Mal posso esperar. Estou muito animado para começar a treinar com você.”

“Eu também. Vamos trabalhar duro, Alec. Seus pais vão ver como o investimento deles vai valer a pena.”

Servi uma taça cheia para Jace e dei um gole enorme na minha. Nunca deixei de me surpreender diante do efeito que o dinheiro era capaz de causar. Só que, mais uma vez, a culpa não era de Parker.

“Por mim tudo bem.”

“Vamos começar assim que estiver tudo pronto. Seu motorista já está com os horários.”

“Legal. A gente se fala, então.”

Quando desliguei, vi o olhar que Sebastian lançou na direção de Jace quando pensou que nenhum de nós dois estávamos olhando. Era um olhar meigo e cheio de ternura, o que me lembrava de que meus problemas podiam esperar.

“Que pena que eu peguei você de saída, Sebastian. Você pode sair pra comer uma pizza na quarta? Seria bom ter tempo pra falar alguma coisa além de oi e tchau.”

“Tenho aula.” Ele me ofereceu um sorriso de lamento e lançou outro olhar de soslaio para Jace. “Mas na terça eu posso.”

“Seria ótimo.” Eu sorri. “A gente pode comer aqui mesmo e ver um filme.”

“Eu adoraria.” Fui recompensado com um beijo, que Jace memandou enquanto acompanhava Sebastian até a porta. Quando ele voltou para a cozinha, pegou sua taça de vinho e falou:

“Vamos lá. Desembucha, Alec. Você parece estar bem estressado”.

“Estou mesmo”, confirmei, apanhando a garrafa e me dirigindo à sala.

“É o Magnus Bane, né?”

“Ah, sim. Mas não quero falar dele agora.” Apesar de os fins de Magnus serem louváveis, seus meios eram deploráveis. “Vamos falar de você e Sebastian. Como se conheceram?”

“Foi em um trabalho. Seb trabalha meio período como assistente de fotógrafo. Sexy ele, né?” Seus olhos brilhavam de felicidade. “E um verdadeiro cavalheiro. À moda antiga.”

“Quem diria que isso ainda existe?”, resmunguei antes de matar minha primeira taça.

“O que você quer dizer com isso?”

“Nada. Desculpe, Jace. Sebastian me pareceu ótimo e claramente gosta de você. Ele estuda fotografia?”

“Veterinária.”

“Uau. Que incrível.”

“Também acho. Mas vamos esquecer um pouquinho o Seb. Me fale sobre o que está incomodando você. Ponha tudo pra fora.”

Eu suspirei. “Minha mãe. Ela descobriu que eu vou fazer aula com Parker e está surtando.”

“Quê? Como ela descobriu? Juro que não contei pra ninguém.”

“Eu sei que não. Nem desconfiei de você.” Apanhando a garrafa de cima da mesa, reabasteci minha taça. “Escuta só. Ela rastreou meu celular.”

Jace ergueu as sobrancelhas. “Sério? Isso é meio... assustador.”

“Pois é! Foi isso que eu falei, mas Valentine não quer me ouvir.”

“Que coisa.” Ele passou a mão pela franja comprida. “E o que você vai fazer?”

“Comprar um telefone novo. E conversar com o doutor Petersen para ver se ele consegue fazer minha mãe agir com um pouco de bom senso.”

“Boa ideia. Dedurar para o analista. Então... como andam as coisas no trabalho? Ainda na fase do encantamento?”

“Com certeza.” Deitei a cabeça nas almofadas do sofá e fechei os olhos. “O trabalho e você estão salvando minha vida neste momento.”

“E aquele zilionário gostoso que quer transar com você? Vai, Alec. Você está me matando de curiosidade. O que rolou?” Contei tudo para Jace, claro. Queria sua opinião sobre o assunto. Quando terminei, ele ficou em silêncio. Levantei a cabeça para olhá-lo e o surpreendi mordendo os lábios, com os olhos brilhando. “Jace? O que foi?”

“Essa história me deixou excitado.” Ele riu, e o som de sua gargalhada profunda e masculina varreu boa parte da minha irritação para longe. “Ele deve estar muito confuso agora. Eu pagaria um bom dinheiro pra ver a cara dele quando ameaçou dar um tapa na sua bunda.”

“Não acredito que ele disse aquilo.” Só a lembrança da voz de Bane ao fazer a ameaça já fez as palmas das minhas mãos ficarem suadas o bastante para deixar uma mancha na taça de vinho. “Vai saber o que mais ele curte...”

“Não tem nada de estranho em gostar de uns tapinhas na bunda. Além disso, ele estava mandando ver no papai-e-mamãe no sofá, então não deve ter nada contra fazer só o básico.” Jace desabou no sofá, com um sorriso radiante iluminando seu lindo rosto. “Você está sendo um grande desafio para um cara que obviamente adora ser desafiado. E ele está disposto a fazer concessões por você, o que com certeza não está acostumado a fazer. Diga logo pra ele o que quer.”

Dividi entre nós o que sobrou do vinho, sentindo-me um pouquinho melhor agora que tinha certa quantidade de álcool nas veias. O que eu queria, afinal? Além do óbvio? “Somos totalmente incompatíveis.”

“É assim que você chama o que aconteceu naquele sofá?”

“Ah, Jace. Vamos cair na real. Ele me conheceu no saguão do prédio e já foi logo dizendo que queria me comer. Do nada. Até um cara que você conhece num bar e leva pra casa faz mais por merecer do que ele. Ei, como é que você chama? Você vem sempre aqui? Está acompanhado? O que está bebendo? Quer dançar? Você trabalha aqui perto?”

“Tudo bem, tudo bem. Entendi.” Jace deixou a taça sobre a mesa. “Vamos sair. Ir a um bar. Dançar até não aguentar mais. Quem sabe encontrar uns carinhas pra conversar com você.”

“Ou pelo menos me pagar um bebida.”

“Ei, Bane ofereceu uma bebida pra você no escritório dele.” Balancei a cabeça e fiquei de pé.

“Dane-se. Vou tomar um banho e já vamos.”

Eu me joguei na balada como se nunca tivesse feito isso antes. Jace e eu circulamos por todos os clubes noturnos de Tribeca ao East Village, jogando dinheiro fora com taxas de consumação, mas nos divertindo muito. Dancei até meus pés quase não aguentarem, mas consegui segurar firme, e Jace foi o primeiro a reclamar do desconforto das botas.

Saímos de um clube que tocava tecnopop com a intenção de comprar chinelos em uma farmácia ali perto quando cruzamos com o promotor de um lounge localizado a poucos quarteirões de distância.

“É um ótimo lugar pra você descansar um pouco os pés”, ele sugeriu, sem o habitual sorriso forçado e entusiasmo exagerado da maioria dos promotores. Suas roupas — jeans preto e blusa de gola alta — também pareciam ser bem caras, o que me deixou intrigado. E ele não tinha nenhum panfleto ou coisa do tipo. Só me entregou um cartão de visita impresso em um papel chique com letras que capturavam a luz dos letreiros ao nosso redor. Tentei me lembrar de guardá-lo como um modelo interessante para anúncios impressos.

Uma torrente de pedestres apressados fluía ao nosso redor. Jace teve que espremer os olhos para ler o cartão, pois havia bebido alguns drinques a mais que eu.

“Parece bem legal.”

“Mostre esse cartão na entrada”, instruiu o promotor. “Assim eles não cobram consumação.”

“Legal.” Jace envolveu meu braço com o dele e me arrastou rua afora. “Vamos lá. Em um lugar assim estiloso você pode encontrar um cara que valha a pena.”

Meus pés estavam quase me matando quando chegamos ao tal lugar, mas parei de reclamar quando vi a porta de entrada. A fila era longa, chegava a virar a esquina. A voz cheia de Halsey escapava pela porta aberta, assim como alguns clientes bem vestidos que saíam com um sorriso no rosto. Como o promotor havia dito, aquele cartão de visita garantiu nossa entrada gratuita e imediata. Fomos levados por uma hostess lindíssima ao andar de cima, a um bar VIP, menos movimentado, com vista para o palco e a pista de dança. Nós nos instalamos perto do mezanino, em uma mesa cercada por dois sofás de veludo em formato de meia-lua. A hostess abriu o menu de bebidas no centro da mesa e anunciou: “Seus drinques são por conta da casa. Tenham uma boa noite”.

“Uau.” Jace assoviou. “A gente se deu bem.”

“Acho que aquele promotor reconheceu você de algum anúncio.”

“Não seria o máximo?” Ele sorriu. “Meu Deus, que noite é essa? Saindo com meu melhor amigo e descobrindo alguém com quem dividir a vida.”

“Hã?”

“Acho que estou decidido a ir em frente com Sebastian.” Fiquei feliz. Era como se eu tivesse esperado a vida inteira para que aparecesse alguém que tratasse Jace como ele merecia.

“E vocês já conversaram sobre isso?”

“Não, mas acho que ele não faria nenhuma objeção a respeito.” Jace encolheu os ombros e alisou sua camiseta toda rasgada. Com a calça de couro preta e os braceletes com pontas afiadas, dava a ele uma aparência sexy e indomável. “Acho que ele está tentando entender nossa relação primeiro. Ficou todo surpreso quando eu disse que morava com um homem e tinha vindo do outro lado do país só pra ficar perto de você. Ele sabe que eu sou bi e tem medo que eu esteja apaixonado por você. É por isso que eu quis que vocês se conhecessem, para que ele visse como a gente interage.”

“Sinto muito, Jace. Vou tentar tornar as coisas mais fáceis pra ele.”

“A culpa não é sua. Não se preocupe. Se for pra dar certo, vai dar.”

Tudo isso não foi capaz de fazer com que eu me sentisse melhor. Eu queria encontrar uma maneira de ajudar.

Dois caras pararam ao lado da nossa mesa.

“Tudo bem se a gente sentar aqui?”, perguntou o mais alto.

Olhei para Jace, e depois de volta para os dois. Pareciam irmãos, e eram muito bonitos. Sorridentes e confiantes, tinham uma postura relaxada e descontraída. Eu estava quase dizendo “É claro” quando senti uma mão quente apertando com firmeza meu ombro por cima da jaqueta.

“Ele está comigo.” Jace, que estava sentado na minha frente, ficou de boca aberta ao ver Magnus Bane contornar o sofá e estender a mão para ele.

“Wayland. Magnus Bane.”

“Jace Wayland.” Ele apertou a mão de Magnus com um sorriso escancarado no rosto. “Mas isso você já sabia. Prazer em conhecer. Ouvi falar muito de você.”

Eu queria matá-lo. Pensei seriamente nisso.

“Fico feliz em saber." Magnus se sentou ao meu lado, com o braço apoiado no encosto atrás de mim, de modo que seus dedos pudessem casualmente, e possessivamente, acariciar meu braço. “Talvez ainda haja motivos para ter esperança.”

Girando a cintura para encará-lo, sussurrei em um tom de voz furioso: “O que você está fazendo?”.

Ele me fuzilou com um olhar determinado. “O que for preciso.”

“Vou dançar.” Jace se levantou com um sorriso carregado de malícia. “Volto daqui a pouco.”

Ignorando meus olhares de súplica, meu melhor amigo jogou um beijo para mim e se mandou, levando os dois caras com ele. Ao vê-los se afastar, meu coração disparou.

Depois de certo tempo, continuar ignorando Magnus se tornaria ridículo, além de impossível.

Meu olhar se voltou para ele. Magnus usava calça cinza-chumbo e suéter preto de gola V, o que lhe dava uma aparência despojada mas ao mesmo tempo sofisticada.

Adorei aquela roupa e a suavidade que conferia a ele, apesar de saber que era apenas uma ilusão. Magnus era um homem duro, em vários sentidos.

Respirei fundo, sentindo que precisava fazer um esforço para socializar.

Afinal de contas, eu não estava reclamando justamente disso? Que ele queria pular os preâmbulos e ir direto aos finalmentes?

“Você está...” Fiz uma pausa. Lindo. Maravilhoso. Deslumbrante. Deliciosamente sexy... No fim, acabei dizendo apenas: “Gostei do visual”.

Ele ergueu as sobrancelhas. “Ah, de alguma coisa em mim você gosta. Será que é do pacote completo? Ou só da roupa? Só da blusa? Ou talvez da calça?”

Eu não gostei do tom de voz em que ele disse aquilo. “E se eu dissesse que só gostei da blusa?”

“Compraria mais umas dez e usaria todo dia.”

“Seria uma pena.”

“Você não disse que gostou?” Ele estava irritado, falando rápido, emendando uma palavra na outra.

Minhas mãos se contorciam inquietamente no meu colo. “Adorei a blusa, mas também gosto dos ternos.”

Ele me encarou um instante, depois acenou com a cabeça. “Como foi seu encontro com o amiguinho movido a pilha?”

Saco. Olhei para o outro lado. Era bem mais fácil falar sobre masturbação pelo telefone. Mencionar esse assunto diante daqueles olhos verdes exoticos era uma tortura.

“Uma cavalheiro nunca comenta esse tipo de coisa.”

Ele acariciou meu queixo com as costas da mão e murmurou: “Você ficou vermelho”.

Notei em sua voz o prazer que Magnus sentiu ao dizer isso e mudei rapidamente de assunto. “Você vem sempre aqui?”

Merda. De onde veio esse papinho clichê?

Sua mão desceu até as minhas pernas e agarrou uma das minhas mãos, acariciando a palma com os dedos.

“Quando necessário.”

Uma pontadinha de ciúme me fez querer endurecer o jogo. Olhei bem para ele, apesar de estar com raiva de mim mesmo por me importar com o que ele fazia ou deixava de fazer.

“Como assim, necessário? Quando você está no cio?”

Magnus abriu um sorriso sincero, que me deixou abalado.

“Quando decisões importantes precisam ser tomadas. Sou o dono deste lugar, Alexander.”

Ora, mas que surpresa. Uma linda garçonete serviu dois copos quadrados com drinques cor-de-rosa bem gelados.

Ela olhou para Magnus e abriu um sorrisinho malicioso. “Aqui está, senhor Bane. Duas Stoli Elit com suco de cranberry. Mais alguma coisa?”

“Por enquanto não. Obrigado.”

Estava na cara que ela queria entrar na lista de orifícios pré-aprovados, e isso me irritou; ou seja, eu estava distraído demais para reparar no que havia sido servido. Vodca cranberry era o que eu costumava pedir quando saía, era o que eu estava bebendo desde o início daquela noite. Minha cabeça deu um nó. Fiquei só observando enquanto ele dava o primeiro gole, fazia a bebida passear pela boca como se fosse um vinho finíssimo e depois engolia. O movimento de sua garganta me deixou com tesão, mas nada comparável ao efeito da intensidade do seu olhar.

“Nada mau”, ele murmurou. “Veja se acertamos na mistura.”

Ele me beijou. Foi um movimento rápido, mas eu vi o que ele estava fazendo e não me esquivei. Sua boca estava gelada e tinha gosto de cranberry com um toque de álcool. Uma delícia. Todo o turbilhão de energia e sentimentos caóticos que vinha se acumulando dentro de mim de repente se tornou grande demais para ser contido. Enfiei a mão entre seus cabelos maravilhosos e os agarrei com força, mantendo-o imóvel enquanto chupava sua língua. Seu gemido foi o som mais estimulante que eu já tinha ouvido na vida, e fez a carne entre minhas pernas enrijecer furiosamente.

Surpreso pela fúria da minha própria reação, recuei, ofegante.

Magnus veio atrás de mim, passando o nariz pela lateral do meu rosto, com seus lábios roçando minha orelha. Sua respiração também estava acelerada, e o som do gelo tilintando contra o copo em sua mão amplificava a agitação dos meus sentidos inflamados.

“Preciso sentir como é estar dentro de você, Alexander”, ele sussurrou bruscamente. “Estou morrendo de vontade.”

Meu olhar passou do drinque para a mesa, pensamentos giravam a mil na minha cabeça, uma orgia de impressões, lembranças e dúvidas. “Como você sabia?”

Sua língua percorreu a cartilagem da minha orelha, e eu estremeci. Era como se cada célula do meu corpo ansiasse por ele.

Resistir a Magnus demandava uma quantidade absurda de energia, sugava minhas forças e me deixava exausto.

“Sabia o quê?”, ele perguntou.

“O que eu gosto de beber. O nome do Jace.”

Ele respirou fundo e se afastou. Pôs o drinque sobre a mesa, virou-se no sofá e posicionou um dos joelhos sobre o estofamento para permanecer voltado diretamente para mim. Ele pôs o braço novamente no encosto do sofá e com as pontas dos dedos começou a fazer movimentos circulares no meu ombro.

“Você passou por outros lugares esta noite. E pagou com cartão de crédito, e o que você bebeu ficou registrado na conta. E o nome Jace Wayland está no contrato de locação do seu apartamento.”

Tudo começou a girar ao meu redor. Não acredito... Meu celular. Meu cartão de crédito. Até meu apartamento, merda. Eu não conseguia nem respirar.

Cercado por todos os lados por minha mãe e Magnus, tive uma crise de claustrofobia.

“Alexander. Meu Deus. Você está pálido, parece um fantasma.”

Ele pôs um copo na minha mão. “Beba.”

Era o drinque. Virei tudo, esvaziando o conteúdo do copo. Meu estômago se revirou por um momento, mas depois se acalmou.

“Você sabe onde eu moro?” Eu estava ofegante.

“Pode parecer estranho, mas eu sei.” Magnus se sentou sobre a mesa, virado para mim, com as pernas posicionadas junto às minhas. Pegou o copo e pôs de lado, depois aqueceu minhas mãos geladas com as dele.

“Você é louco, Magnus?”

Ele estreitou os lábios. “Está perguntando isso a sério?”

“Sim, estou. Minha mãe vive me espionando, mas ela faz terapia. Você faz terapia?”

“Atualmente não, mas você está me deixando tão maluco que acho que vou precisar em breve.”

“Então esse comportamento não é o seu normal?”

Meu coração batia furiosamente. Eu sentia o sangue pulsar nos meus tímpanos. “Ou é?”

Ele passou a mão pelos cabelos, fazendoos voltar à maneira como estavam quando eu os ataquei durante o beijo.

“Apenas acessei informações que você disponibilizou voluntariamente.”

“Mas não pra você! Não pra isso que você fez! Deve até ser contra a lei.”

Olhei bem para ele, mais confuso do que nunca.

“Por que você fez isso?”

Ele se dignou a parecer que estava sem graça. Pelo menos isso. “Para poder saber, ora essa.”

“Por que você não me perguntou, Magnus? Porra, por que isso é tão difícil pras pessoas hoje em dia?”

“Com você é difícil.” Ele apanhou o drinque e virou quase tudo o que restava. “Só consigo ficar com você por alguns minutos, no máximo.”

“Claro, você só quer falar sobre o que precisa fazer pra me levar pra cama!”

“Minha nossa, Alexander”, ele sussurrou, apertando minha mão. “Não precisa gritar!”

Eu o observei meticulosamente, estudando cada linha e contorno do seu rosto. Infelizmente, porém, catalogar os mínimos detalhes não diminuiu nem um pouco meu deslumbramento. Estava começando a desconfiar que nunca ia deixar de me espantar com a aparência dele. E eu não era a único; via como as outras pessoas se comportavam perto dele. Magnus era podre de rico, coisa capaz de tornar até mesmo os caras mais velhos, carecas e barrigudos figuras atraentes. Não era à toa que ele só precisava estalar os dedos para conseguir uma trepada.

Ele fuzilava meu rosto com o olhar. “Por que está me olhando desse jeito?”

“Estou pensando.”

“Em quê?” Ele cerrou os dentes. “Já vou avisando, se disser alguma coisa sobre orifícios pré-aprovados ou emissões seminais,não respondo pelos meus atos.”

Isso quase me fez rir. “Quero tentar entender algumas coisas, porque acho que talvez eu não esteja valorizando você como deveria.”

“Eu também gostaria de entender algumas coisas”, ele rebateu.

“Acho que a abordagem ‘Quero te comer’ tem um alto nível de sucesso no seu caso”

A expressão de Gideon se fechou em uma impassibilidade inescrutável. “Sobre isso eu não vou falar, Alexander.”

“Certo. Você quer saber o que precisa fazer pra me levar pra cama. É por isso que está aqui? Por minha causa? E nem se dê ao trabalho de tentar dizer o que pensa que eu quero escutar.”

Seu olhar era límpido e impassível. “Estou aqui por sua causa, sim. Eu providenciei tudo.”

De um momento para o outro, minha desconfiança em relação ao promotor da casa passou a fazer sentido. Fomos fisgados por um funcionário das Indústrias Bane.

“Você achava que me trazer até aqui ia render uma transa?”

Sua boca se curvou em um sorriso, demonstrando certa dose de divertimento reprimido.

“Sempre existe a esperança, mas eu sabia que um encontro casual e alguns drinques não seriam suficientes.”

“Você está certo. Então por que fazer isso? Por que não esperar até o almoço de segunda?”

“Porque você está solto por aí, totalmente disponível. Não posso fazer nada a respeito do seu vibrador, mas posso impedir que você vá pra cama com um idiota qualquer que conheceu num bar. Se você quer transar, Alexander, estou bem aqui.”

“Não estou totalmente disponível. Estou dissipando a tensão de um dia estressante.”

“Pois não é a único.” Ele começou a passar os dedos pelo lobulo da minha orelha, roçando os dedos em um discreto e solitario brinco de prata. “Você sai para beber e dançar quando está tenso. Eu tento resolver de uma vez o problema que está me causando tensão.”

Ele disse isso em um tom suave, que despertou um desejo alarmante. “É isso que eu sou? Um problema?”

“Com certeza.”

Mas havia um esboço de sorriso em seus lábios.

Eu sabia que isso era muito atraente para ele. Magnus Bane não teria chegado aonde chegou, com tão pouca idade, se aceitasse facilmente um não como resposta.

“Para você, o que significa namorar?” Ele enrugou a testa entre as sobrancelhas.

“Eu e uma pessoa perdendo tempo com convenções sociais quando poderíamos estar transando.”

“Você não gosta da companhia das pessoas?”

A careta se transformou em uma expressão de desagrado. “Gosto, mas desde que isso não implique expectativas exageradas ou demandas excessivas do meu tempo livre. Descobri que a melhor maneira de garantir isso é separando amizades e relações sexuais em campos opostos.”

Mais uma vez, ele vinha com aquele papo de “expectativas exageradas”. Obviamente, aquilo era uma questão importante para ele.

“Então você tem amigos?”

“É claro.”

Suas pernas se apertaram em torno das minhas, prendendo-me. “Aonde você quer chegar com isso?”

“Você separa o sexo do restante da vida. Separa da amizade, da vida profissional... de tudo.”

“Tenho boas razões para isso.”

“Deve ter mesmo. Muito bem, vou dizer o que penso.” Era difícil para mim me concentrar estando tão perto dele.

“Eu disse que não queria namorar, e não quero mesmo. Meu trabalho é a prioridade número um, seguido de perto pela vida pessoal — uma vida pessoal de homem solteiro. Não quero sacrificar nenhuma das duas coisas em nome de um relacionamento, e não tenho tempo para me dedicar a mais nada além disso.”

“Nisso eu concordo com você.”

“Mas eu gosto de sexo.”

“Ótimo. Faça comigo.”

Seu sorriso era um convite ao prazer.

Empurrei seu ombro. “Preciso ter uma ligação pessoal com os homens com quem durmo. Não precisa ser nada muito intenso ou profundo, mas o sexo precisa ser mais do que uma negociação impessoal pra mim.”

“Por quê?”

Eu sabia que ele não estava sendo irônico. Por mais bizarra que aquela conversa pudesse parecer para Magnus, ele a estava levando bem a sério.

“Digamos que é uma das minhas manias, e para mim não é fácil dizer isso. Odeio ser usado. Faz com que eu me sinta desvalorizado.”

“Não dá pra considerar que é você que está me usando?”

“Com você, não.” Ele era poderoso demais, dominante demais.

Um brilho triunfante e predatório surgiu em seus olhos quando expus minhas fraquezas para ele.

“Além do mais”, logo acrescentei, “isso é só uma questão semântica. O que eu quero nos meus relacionamentos sexuais é uma troca justa. Ou então estar no comando.”

“Certo.”

“Certo? Você concordou depressa demais, considerando que o que eu quero é juntar duas coisas que você faz tanta questão de separar.”

“Não gosto da ideia e não vou fingir que entendo, mas estou ouvindo — é uma questão importante. Me diga como fazer isso.”

Minha respiração acelerou. Por essa eu não esperava. Ele era um homem que não queria complicações na vida sexual, e eu era um homem que considerava sexo uma coisa complicada.

Mas isso não significava que ele havia cedido. Pelo menos ainda não.

“Precisamos ter alguma intimidade, Magnus. Não temos que virar melhores amigos ou confidentes, apenas duas pessoas que conhecem um pouco mais sobre a outra do que os contornos do corpo. Pra mim, isso significa que precisaríamos passar algum tempo juntos quando não estivermos transando. E passar esse tempo juntos em lugares onde seríamos obrigados a nos controlar”

“Não é isso que estamos fazendo agora?”

“Sim. E é exatamente disso que estou falando. Eu não estava valorizando seu esforço. Você poderia ter feito isso de uma maneira menos invasiva” — tapei a boca dele com os dedos quando ele tentou me interromper — “mas admito que tentou criar ocasiões para a gente conversar e eu não colaborei.”

Magnus mordeu a ponta dos meus dedos, o que me fez dar um grito e puxar minha mão de volta. “Ei. O que foi isso?”

Ele levou a mão que mordeu até a boca e a beijou onde estava doendo, passando de leve a língua para amenizar a dor. E excitar.

Num movimento de autodefesa, puxei a mão de volta para o colo. Ainda não tinha certeza de que havia esclarecido as coisas entre nós.

“Para que você não pense que minhas expectativas são exageradas, quando estivermos perdendo tempo fazendo alguma coisa que não seja transar, não vou considerar isso um namoro. Certo?”

“Parece um bom acordo.” Magnus sorriu, e a decisão de ficar com ele se solidificou dentro de mim. Seu sorriso era como um relâmpago na escuridão, ofuscante, admirável, misterioso, e eu o desejava com tanta intensidade que doía.

Suas mãos se abaixaram para agarrar a minha cintura. Apertandome de leve, ele me puxou um pouco mais para perto. A barra da minha blusa preta subiu de maneira quase indecente, e seu olhar ficou vidrado na pele que suas mãos tinham exposto. Ele umedeceu os lábios com a língua em um gesto tão carnal e insinuante que eu quase senti uma carícia na minha pele.

A voz de Duffy cantando “Mercy” ressoava na pista de dança logo abaixo.

Uma dor incômoda cresceu no meu peito, e eu o esfreguei com a mão. Eu já tinha bebido o suficiente, mas ouvi o som da minha voz dizendo:

“Preciso de mais um drinque”.


Notas Finais


Previa do próximo capítulo:

" Cheguei ao orgasmo com um grito abafado, agarrando as bordas do sofá até meus dedos ficarem sem cor, remexendo os quadris nas mãos dele, esquecendo completamente qualquer vergonha ou timidez. Meus olhos estavam grudados nos dele, incapazes de se desviar, hipnotizados pelo triunfo masculino que brilhava em seus olhos. Naquele momento, ele tinha total poder sobre mim. Eu faria tudo o que ele quisesse. E ele sabia disso."

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