História Toki O Koeru Omoi - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Hyoyeon, Jessica, Personagens Originais, Seohyun, Sooyoung, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Reencarnação, Romance, Soosun, Taeny, Yoonhyun, Yulsic
Visualizações 143
Palavras 4.980
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Misticismo, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem, vamos a algumas explicações
Vocês devem ter visto "personagens originais" ali certo? Isso é porque, nos primeiros capítulos, ou seja, as primeiras encarnações, não serão 'Kim Taeyeon' e 'Tifany Hwang' as persongens que aparecerão, mas deixarei sempre na nota qual personagem corresponde a cada uma delas, para que não se percam.
Esse capítulo se passa na China Imperial, eu pesquisei muito para escrever, mas várias coisas aqui são ficção, eu apenas me baseei nos fatos históricos para desenvolver a trama e assim será nos 5 primeiros capítulos, então peço que tenham paciência e prestem atenção a cada detalhe do capítulo ^^
Enfim, boa leitura, se divirtam, espero que gostem e continuem acompanhando ^^

*Zhou Hua: Taeyeon
*Peng Mei Li: Tiffany

Capítulo 1 - First Incarnation: China, century XVI


Fanfic / Fanfiction Toki O Koeru Omoi - Capítulo 1 - First Incarnation: China, century XVI

~China, século XVI~

O país está em guerra, há conflitos em todos os lados, sangue marca o solo coberto por corpos feridos e mortos. Vozes desesperadas se juntam as lágrimas de dor e sofrimento de pessoas que perdem entes queridos diante de seus olhos. É o começo de um novo século, mas a guerra é a mesma: o exército tenta expulsar os mongóis e recuperar o controle do país. Pais perdem seus filhos, filhos perdem seus pais, esposas perdem seus maridos, não há alegria, não há paz.

Mas, mesmo em meio a esse caos, ainda existem pessoas que acreditam que dias melhores virão, que sonham em encontrar um amor, felicidade. Peng Mei Li é uma dessas pessoas, sempre sorrindo, sempre positiva, Mei Li não deixa que o caos a sua volta a desanime, mesmo que essa guerra já tenha tirado dela pessoas importantes, como seu querido irmão, soldado do império, morto em combate.

Mei Li não permite que o medo a impeça de viver, por isso, todos os dias sai de casa determinada a ajudar as pessoas que sofrem as consequências da guerra. Todas as tardes, visita as pessoas feridas, conversa com elas, tenta trazer alguma luz para as almas envoltas pela escuridão gerada pela guerra e destruição, trazer conforto aos corações dilacerados pelas perdas.

Foi em uma tarde dessas, em sua volta para casa, que Mei Li a viu pela primeira vez, caminhando sozinha e cabisbaixa pela rua silenciosa. As vestes simples manchadas de sangue alarmou a garota, que correu até ela, para ver se a outra precisa de ajuda. Aproximou-se cautelosamente, com medo de assustá-la, e ao chegar perto, percebeu que a garota tentava lutar contra lágrimas que teimavam em rolar por seu rosto delicado.
-  Com licença, senhorita, está tudo bem? Precisa de ajuda? – perguntou Mei Li, mas foi ignorada pela garota, que nem ao menos a olhou, passando diretamente por ela. Mas Mei Li não se intimidou e seguiu a garota. – A senhorita está ferida? Alguém lhe machucou? – insistiu e a outra parou, finalmente lhe encarando, com os olhos vermelhos pelas lágrimas e suspirou.
- Não estou ferida, ao menos não fisicamente, infelizmente esse sangue não é meu, mas sim, de alguém próximo á mim que eu não pude salvar. Então não, não está tudo bem. – a outra respondeu e se pôs a caminha novamente.

Mei Li observou a garota ir embora sem dizer nada, sentindo uma imediata empatia pela desconhecida e também não pode deixar de perceber a beleza de seu rosto delicado, mesmo marcado pelas lágrimas e manchas de sangue. Dando de ombros, a garota recomeçou sua caminhada para casa, sempre observando, atenta a qualquer situação que pudesse ajudar, mas felizmente as coisas pareciam mais calmas, será um sinal que a guerra estaria por acabar? Ou será apenas a calmaria antes da tempestade?

****

Zhou Hua continuou seu caminho, as lágrimas turvando sua visão, sentindo a dor de ter perdido as pessoas mais importantes do mundo para ela, bem diante de seus olhos, em seus braços, tornando cada passo difícil pelo peso da culpa que carrega consigo, com o sentimento de inutilidade lhe preenchendo a alma ferida e tão manchada pelo sangue quanto suas vestes. O sangue de seus pais, que tanto fizeram por ela e ela nada pode fazer por eles, por medo, covardia, não conseguiu impedir que os soldados inimigos lhes tirassem as únicas pessoas que tinha no mundo.

Ela não sabia para onde ir, apenas caminhava sem rumo, já que seu lar, onde nasceu e cresceu, cercada por amor e carinho, foi destruído sem a menor hesitação por soldados de uma guerra da qual ela não tem culpa ou envolvimento, apenas mais uma inocente vítima de uma guerra sem sentido que parece se estender indefinidamente. No fundo, Hua se sentia mal por ter sido rude com a garota que tentou ajudá-la, afinal, ela foi muito gentil, se preocupando com alguém que nem conhece em um momento em que as pessoas se preocupam apenas com elas mesmas, mas o desespero por se ver sozinha no mundo encobria esse sentimento.

Já era noite quando a garota encontrou um lugar para se refugiar, junto a tantos outros que, assim como ela, perderam suas famílias e lares. Não era o melhor lugar do mundo, claro, mas era melhor do que passar a noite ao relento, a mercê dos soldados sem escrúpulos que não perderiam a chance de violentar uma jovem apenas por diversão, então simplesmente arrumou um canto e tentou dormir, mas as lembranças de seus pais mortos assombrava sua mente e novamente as lágrimas se fizerem presentes.

Na manhã seguinte, levantou-se e decidiu voltar para casa, ver se havia algo que pudesse salvar das ruínas queimadas e tentar dar um enterro decente para seus pais. Durante a caminhada, se pôs a observar as ruas, as casas que sofreram ataques e que as pessoas tentavam salvar algo, assim como ela, e se surpreendeu ao ver que algumas pessoas conseguiam sorrir em meio a toda aquela tragédia, como também viu algumas crianças brincando como se não houvesse uma guerra em andamento.

A dor aumentou ao chegar ao local aonde antes costumava ser seu lar e constatar que nada poderia ser salvo, tudo foi completamente destruído, os soldados devem ter ateado fogo durante a noite e não restou nada, nem mesmo uma única parede. O fogo também consumiu os corpos de seus pais, então nem mesmo um enterro digno a garota pode lhes dar, a única coisa que a garota pode fazer foi ajoelhar diante das ruínas, rezar e jurar que se vingaria, mesmo que isso custasse sua miserável vida. Chorou até não ter mais lágrimas e então voltou para o abrigo improvisado, se encostando em um canto, sozinha, e, por algum motivo, o rosto da jovem do dia anterior começou a rondar sua mente e ela se perguntou se um dia voltaria a vê-la.

***

Mei Li pegou os alimentos, roupas e medicamentos que conseguiu e fez o seu caminho até o abrigo que viu ontem, quando voltava para casa. Pelo que pode perceber, é novo e não há muitas pessoas, em sua maioria, parecem jovens e crianças, então as coisas que conseguiu devem ser o suficiente por algum tempo.
-Min, venha comigo, eu preciso de ajuda para levar essas coisas. – a garota chamou a irmã para lhe ajudar, já que seria impossível levar tudo sozinha e não queria ter que fazer mais viagens.
- Mei, por que você continua fazendo isso? Um dia desses, vão acabar matando-a pelo caminho, você se arrisca demais. – a irmã lhe disse.
- Eu faço porque essas pessoas precisam de algo que lhes dê esperança para continuar. Nós perdemos nosso irmão, mas somos uma família de posses, temos tido sorte e não nos falta nada, então quero poder ajudar quem não tem a mesma sorte. – Mei respondeu.
- Você tem um coração de ouro, irmã, Luhan teria orgulho de você.

Após a conversa, as irmãs se colocaram a caminho do abrigo, chegando 45 minutos depois porque houve algumas complicações no caminho, tiveram que se esconder  de soldados que faziam ronda por algumas ruas, mas conseguiram chegar com tudo intacto e Mei Li se sentia aliviada por isso. Assim que chegaram, duas crianças se aproximaram, enquanto os mais velhos observavam desconfiados e um segurou as crianças antes que se aproximassem demais.
- Não tenham medo, eu não vou machucar-lhes, vim para ajudá-los, trouxe comida, remédio e algumas roupas – Mei Li disse, sorrindo.
- Apenas queremos fazer algo por vocês, não lhes fazer mais mal, sei que já sofreram muito, queremos aliviar esse mal, mesmo que apenas um pouco. – Min completou.

Aos poucos, as pessoas iam se aproximando, a fome e a curiosidade vencendo o medo e logo estavam comendo, ferimentos sendo tratados, aqueles que as roupas serviam procurando um lugar para trocar as roupas manchadas de sangue pelas novas. Mei e Min observavam as pessoas, sorrindo por estarem fazendo algo por elas, mas ao olhar mais ao fundo, viu que uma pessoa se mantinha distante, sem ao menos olhar para o que acontecia e seu coração disparou ao reconhecer a garota do dia anterior e se aproximou lentamente, para não assustá-la.
- Nos encontramos novamente, acho que o destino está tentando nos dizer algo. – disse sorrindo.

Hua levantou a cabeça abruptamente ao som daquela voz, a voz que ficou gravada em sua mente pela suavidade e gentileza, e ficou surpresa e estranhamente feliz ao ver o rosto da garota que lhe ofereceu ajuda quando ninguém mais o fez.
- O que a senhorita faz aqui? Não parece o tipo de pessoa que necessita de um abrigo. – falou, soando mais rude do que pretendia e se arrependendo em seguida.
- Está certa, eu não necessito, mas sempre tento ajudar os que necessitam, então lhes trouxe comida, roupas e remédios. Venha, algo pode te servir e poderá tirar essas vestes.- Mei disse, lhe estendendo a mão.

Hua observou a mão estendida, em dúvida se a pegaria ou não, estava suja de sangue e fuligem e não se sentia digna de tocar a mão da jovem e viu a expressão sorridente se transformar em mágoa diante de sua hesitação, que ela provavelmente interpretou errado e se sentiu mal e se apressou em levantar e pegar a mão da garota, que logo voltou a sorrir e a levou até as outras pessoas. O contato de suas mãos fez um calor estranho tomar conta do peito de Hua, um choque percorreu seu corpo, mas não conseguiu soltar-se.

Mei sentiu uma imensa felicidade lhe tomar ao tocar a mão da garota, por algum motivo, queria estar perto dela, saber tudo sobre ela, desvendar os mistérios que a tristeza em seu olhar esconde. Observou-a enquanto ela, timidamente, se aproximou do grupo e comeu alguns dos alimentos, mas percebeu que ela se mantinha distante e ninguém fazia questão de incluí-la na conversa e ela evita o máximo de contato possível e Mei decidiu que ela seria a pessoa a quebrar a barreira e uma ideia surgiu em sua mente.
- Min. – chamou a irmã, que logo se aproximou. – Sei que você vai pensar que estou louca pelo que vou dizer, mas quero levar aquela garota para casa, colocá-la para trabalhar, algo assim. – disse insegura. A irmã a olhou, estreitando os olhos.
- Mei, você sabe que as coisas andam difíceis, mesmo sendo uma família de posses, estamos em meio a uma guerra, vários recursos estão sendo voltados para financiar o exercito.
- Eu sei, mas olhe para ela! Ela claramente não se encaixa aqui e não posso deixá-la sozinha.
- Mei, isso não é responsabilidade sua! Você já faz muito por várias pessoas.
- Mas eu quero fazer mais por ela, por algum motivo, ela me chama a atenção, eu quero mantê-la por perto.
- Isso me parece arriscado.
- Por favor, Min. – pediu manhosa e a irmã suspirou, derrotada.
- Certo, pode levá-la, mas apenas se ela se sentir confortável com a ideia, não tente forçá-la, não quero escândalos e ainda teremos que convencer a mamãe.
- Obrigada, minha irmã! – Mei disse animada e foi até a garota, puxando-a para um canto para conversarem. – Deixa eu me apresentar, meu nome é Peng Mei Li e aquela é minha irmã, Peng Min,e nós temos uma proposta para você.
- Proposta? – Hua perguntou, se afastando um pouco, desconfiada.
- Calma, não é nada ruim ou baixo, apenas queremos levar-lhe para a nossa casa e ...
- Espere, me levar para a casa de vocês?! O que querem comigo?! – Hua interrompeu-a alarmada.
- Acalme-se, apenas queremos lhe dar trabalho e abrigo, para que você não fique sozinha por ai.
- Mas por que? Por que, dentre todas essas pessoas, você me escolheu?
- Eu não sei, eu apenas fiz o que o meu coração me mandou fazer. – Mei respondeu, dando de ombros.
- Se eu concordar,o que terei que fazer?
- Não sei, veríamos isso quando chegássemos em casa.
- Hum, me deixe pensar.
- Tudo bem, eu e minha irmã vamos até um outro abrigo ver o que precisam, se decidir ir conosco, nos encontre perto do templo antes do anoitecer. – Mei disse. – Ah, poderia me dizer o seu nome?
- Hua, Zhou Hua.
- Zhou? Da família de Zhou Yan, conselheiro do Imperador? – Mei perguntou, chocada.
- Sim, ele era meu pai. – Hua respondeu, abaixando a cabeça ao sentir as lágrimas novamente correndo por seu rosto e não precisou dizer mais nada para Mei entender.
- Sinto muito. – Mei disse, apertando sua mão levemente em um gesto de carinho. – Pense bem na minha proposta. Espero lhe ver mais tarde. – Mei disse e afastou, dando privacidade para a garota em seu momento de dor.

Hua nem ao menos a olhou sair, apenas voltou para seu canto solitário e deixou que as lágrimas corressem livremente. Ouvir o nome de seu pai foi um golpe duro em seu coração recém ferido. Sim, seu pai era o conselheiro do Imperador e por isso acabou se tornando alvo na guerra e tornando sua única filha órfã. A sorte é que Zhou Yan nunca gostou de exibir sua filha, por ela não ser o herdeiro que ele tanto queria, então a mantinha “escondida”, mas sempre foi um pai carinhoso e tentou protegê-la até o fim e por isso a garota sobreviveu.

Ali, sozinha, pensou na proposta de Mei Li e tomou sua decisão. Ela não tem ninguém no mundo, não tem nada, perdeu tudo, não há motivo para não arriscar-se e, tendo um lugar para morar e um trabalho, pode começar seus planos para vingar a morte de seus pais. Ela pensou por um tempo e logo viu que começava a anoitecer, então se levantou e agradeceu aos que a acolheram e foi ao encontro de um novo começo. Caminhou decidida, de cabeça erguida, mas algo a surpreendeu, uma senhora idosa a parou e disse:
- Seu destino está traçado, minha jovem, junto ao dela, suas almas estão ligadas, mas ainda não é o tempo de ficarem juntas, muitas batalhas virão antes que possam, finalmente, cumprirem seus destinos.

Hua estranhou as palavras, mas não deu atenção, simplesmente continuou seu caminho como se nada tivesse acontecido e se sentiu aliviada ao chegar ao templo e encontrar as garotas a sua espera.
- Você veio! – Mei sorriu. – Prometo que não irá se arrepender. Hua nada respondeu, apenas deu um fraco sorriso e se pôs a seguir aquelas garotas que seriam suas patroas.

Hua não se surpreendeu ao chegar na bonita casa da família Peng, afinal, ela mesma vivia em uma parecida e está acostumada com luxo, mas sabe que sua situação aqui será diferente, aqui ela não será a dona da casa e sim uma empregada. A senhora da casa não discutiu co  suas filhas, aparentemente, ela estava atrás de uma dama de companhia para as suas meninas e Hua surgiu no momento exato. Lhe deram roupas e lhe disseram para tomar um banho, logo o seu local de descanso, um pequeno quarto próximo a cozinha, apenas com uma cama e uma cômoda, mas a garota jurou a si mesma que se acostumaria a sua nova situação e seguiria de cabeça erguida.

***

Algumas semanas se passaram, a guerra continuava a todo vapor, havia cada vez mais destruição e morte, o pai de Mei Li continuava com o exército e a família vivia sob o constante medo dele não voltar para casa e rezavam todas as noites pela sua segurança. Durante esse tempo, Mei e Hua se aproximaram ao ponto de não serem mais apenas uma garota e sua dama de companhia e sim amigas. A mãe de Mei não aprovou a amizade no começo, mas cedeu ao descobrir que Hua era filha de um dos mais confiáveis conselheiros do Imperador e as circunstâncias que a levaram a perder tudo.

Aos poucos, Hua foi se dando conta de seus sentimentos, a dor da perda de seus pais ainda era forte, mas tudo desaparecia quando estava na presença da Mei, que iluminava sua vida com sua personalidade brilhante e seu coração caridoso. No começo, foi um choque, a garota nem sabia dizer o que eram esses sentimentos que tomavam seu coração ao ver a outra sorrir, mas conversou com uma mulher mais velha, a cozinheira da casa, sem dizer que a pessoa é uma garota, obviamente, e ela lhe ajudou a desvendar os segredos do coração e agora vive amedrontada, sem saber o que fazer sobre isso.

Mas seus planos de vingança não foram esquecidos, durante o tempo que não está com Mei, Hua procura informações sobre a guerra e o exército inimigo e, sem ninguém saber, saia disfarçada de homem durante a noite para coletar as informações e, em uma dessas noites, ouviu planos sobre uma invasão ao palácio do imperador vinha pensando em um modo de boicotar a ação dos soldados, inclusive reconheceu alguns como os assassinos de seus pais no grupo que estava destinado ao ataque.

Já Mei Li, começou a perceber algumas mudanças no comportamento da garota, nos últimos dias ela vinha tentando se manter distante, agindo apenas como dama de companhia e, por algum motivo, isso deixava seu coração inquieto, não gostava disso, as melhores horas de seus dias era quando estava com ela, rindo, conversando e esquecendo um pouco o caos que as rodeia e sente falta disso. Para Mei, não foi difícil compreender seus sentimentos, afinal, eles surgiram ao primeiro olhar que deu na garota e, mesmo sendo recém saída da adolescência, sabe que seus sentimentos são verdadeiros.

Hoje as duas levaram algumas provisões para o abrigo que Hua ficou, eles receberam mais pessoas, incluindo bebês, Mei conseguiu muitas coisas para eles e se divertiu brincando com as crianças enquanto Hua brincava com algumas crianças mais velhas. Voltaram para casa antes do anoitecer, as coisas estavam mais complicadas e não poderiam arriscar-se a andar pelas ruas durante a noite e, após o jantar, Mei pediu pata Hua acompanhá-la até seu quarto , pois queria conversar com ela.

Elas sempre passavam algum tempo juntas, sozinhas no quarto de Mei, mas Hua estava evitando que isso acontecesse, sempre arrumando uma desculpa para não ir, mas hoje não conseguiu pensar em nada, então logo seguiu para o para o quarto da garota. Entrou hesitante, quase com medo, sem imaginar o que se passa na mente de Mei e sem saber o que esperar da conversa que teriam.
- Entre, Hua, não precisa se acanhar, você já esteve aqui comigo várias vezes, venha. – Mei disse e Hua suspirou e entrou.
- Sobre o que quer conversar? – Hua perguntou e se sentiu ainda mais ansiosa quando a outra fechou a porta.
- Venha, sente-se aqui comigo, sinto sua falta. – Mei disse, indo até a própria cama.
- Mas passamos a tarde toda juntas. – Hua disse rindo.
- Mas estávamos com outras pessoas, eu sinto falta de lhe ter apenas para mim... – Mei disse fazendo bico. – Faz tempo que não ficamos a sós para conversarmos, você tem me evitado e eu quero saber o motivo. – continuou e Hua se sentiu gelada, não sabia o que responder.
- É impressão sua, Mei, eu apenas andei ocupada... – desconversou. Não podia falar de seus sentimentos nem dos seus planos.
- Ocupada com o que, se o seu trabalho é ser minha dama de companhia? – Mei insistiu.
- Mei, você está imaginando coisas, eu estou aqui, não estou?
- Zhou Hua, não se faça de desentendida, você sabe muito bem que tem evitado contato pessoal comigo! Você está aqui a um mês e durante 3 semanas, foi a minha melhor amiga, agora só fala comigo o necessário e nunca mais passou uma noite ao meu lado! – Mei disse e lágrimas brilharam em seus olhos. Hua se desesperou ao ver sua amada chorando e abraçou-a fortemente.
- Não chore, meu amor, eu não tinha a intenção de lhe magoar e foi justamente por isso que me afastei!
- Se não queria me magoar, não deveria ter se afastado! Será que não percebeu que eu preciso de você?
- Me desculpe, eu apenas não sei o que fazer, eu estou tão confusa e perdida!
- Sobre o que? O que você está me escondendo, Hua?
- Apenas saiba que eu não tinha a intenção de que algo assim acontecesse, eu não quero que você me odeie, Mei... – agora é Hua quem chora.
- Por que eu lhe odiaria? Você é a melhor coisa que me aconteceu no meio de toda essa desgraça que nos rodeia.
- Eu lhe digo o mesmo, Mei. Você é a minha salvação, eu perdi minha casa, minha família, tudo que eu tinha, mas ai você surgiu e me salvou da solidão, me deu um lar, trabalho e o melhor, sua amizade, eu sou tão grata a você.
- Eu não quero sua gratidão, nem sua amizade, Hua. – Mei disse séria e Hua a encarou, espantada.
- Mas... Então, por que você me trouxe para cá? Por que me manteve por perto?
- Porque eu quero ter seu coração, do mesmo jeito que você tem o meu desde a primeira vez que lhe vi. Porque eu quero que você me ame da mesma maneira que eu te amo, porque eu quero você por inteiro. – Mei disse, a voz séria como nunca antes, o olhar intenso não deixando dúvida nenhuma de que cada palavra pronunciada é verdadeira e Hua se afastou, perplexa.

Hua não soube como reagir, ficou encarando-a boquiaberta, o coração disparado, não conseguia pensar, muito menos se mexer e Mei começou a se sentir insegura, duvidando se fez o certo ao abrir seu coração e expor os sentimentos que surgiram ao primeiro olhar e que só cresce a cada dia. Mei já perdia as esperanças e ia dizer para Hua deixá-la sozinha quando a garota encontrou a voz para responder.
- Eu... Eu nem sei o que dizer, eu tive tanto medo dos sentimentos que trago em meu coração te levarem para longe de mim e agora você me diz que sente o mesmo por mim. Como pode algo tão errado parecer tão certo? – finalmente disse, a expressão de seu rosto demonstrando o tormento de sua alma.
- Você... sente o mesmo? – Mei perguntou, sorrindo como se não acreditasse.
- Sim, e era por isso que eu estava tentando me manter afastada, para que não percebessem esse sentimento e me forçassem a ir embora, eu estava satisfeita em pelo menos poder ficar aqui como sua dama de companhia.
- Mas por que você acha que teria que ir embora se percebessem?
- Mei, somos duas garotas! Como podemos ter esses sentimentos uma pela outra?!  Isso é errado!
- Como pode ser errado duas pessoas compartilharem o mais belo e puro sentimento só por serem do mesmo sexo? Errado é deixarmos de viver esse amor por medo do que as pessoas vão pensar! Nós temos que ser felizes, Hua, o resto se resolve depois. – Mei disse, aproximando-se novamente e abraçando-a.

Hua não ofereceu resistência, nem poderia, seu coração clama por esse contato, então simplesmente sorriu e aproximou seu rosto, tomando os lábios de Mei em um beijo atrapalhado, pois é o primeiro beijo de ambas e se afastaram rindo.
- Desculpe, eu nunca fiz isso antes... – Hua disse, envergonhada.
- Não se desculpe, eu também nunca fiz, não tem do que se envergonhar, vamos aprender juntas. – Mei disse, escondendo o rosto no pescoço de Hua.
- Podemos tentar de novo agora? – Hua pediu ansiosa e Mei riu.
- Não precisa pedir, boba, apenas faça. – Mei riu e logo suas bocas se encontraram novamente, dessa vez em um beijo mais confiante, mas ainda atrapalhado.
- Esse foi melhor, mas acho que ainda precisamos praticar mais. – Hua disse, ao fim do beijo.
- Temos todo o tempo do mundo, meu amor. – Mei disse sorrindo e ambas se deitaram na cama dela, como faziam antes, para conversar, mas dessa vez, abraçadas.

Por algum motivo, as palavras da velha senhora de semanas atrás surgiram na mente de Hua: “Seu destino está traçado, minha jovem, junto ao dela, suas almas estão ligadas, mas ainda não é o tempo de ficarem juntas, muitas batalhas virão antes que possam, finalmente, cumprirem seus destinos.” O que antes lhe pareceu besteira, apenas palavras de uma senhora solitária, agora lhe parecia uma profecia e Hua ficou inquieta, sentiu medo pelo o que as palavras poderiam significar.
- O que houve? Ficou séria de repente. – Mei perguntou ao perceber a amada tão calada.
- Nada, apenas pensei nos meus pais, sinto muito a falta deles.
- Eu imagino, eu também sinto a falta do meu irmão. – Mei disse. O silêncio dominou o quarto novamente, as duas satisfeitas apenas em estar juntas, a certeza do amor que sentem  as mantendo felizes, pelo menos por essa noite

Hua esperou Mei dormir, saiu de fininho e foi até seu quarto, onde trocou suas roupas pelas masculinas, prendeu seus cabelos e foi novamente se reunir com as pessoas que planejavam a invasão ao palácio do Imperador. Eles se encontram em um bordel todas as noites, não foi difícil para a garota descobrir o local, mesmo sendo isolado e, se passando por cliente, conseguiu se enturmar com alguns soldados bêbados e acabou ouvindo que a invasão estava sendo planejada para dali a três dias, então sorriu e saiu dali, antes que alguém percebesse seu disfarce.

Sem perder tempo, correu de volta para a casa e escreveu uma carta, entregando os planos dos inimigos e saiu novamente, em busca de um soldado imperial. Encontrou alguns fazendo a ronda noturna e logo entregou a carta, dizendo apenas “o Imperador corre perigo” e se pôs a correr para casa, entrando de fininho e finalmente se deitou, sorrindo satisfeita com o rumo que as coisas vinham levando. Logo, teria sua vingança, não só pelos seus pais, mas também por Luhan, o irmão de sua amada Mei.

***

Os dias se passaram tranquilamente, sem nenhum incidente e as garotas viviam em conto de fadas, felizes, mas sempre sendo discretas para que ninguém desconfiasse da relação delas, mas as vezes o destino tem formas engraçadas de agir e, mesmo sempre sendo discretas, um simples deslize pode por tudo a perder e, em um momento que julgaram estarem sozinhas , se descuidaram ao trocarem um beijo apaixonado em um beco, enquanto voltavam para casa, após levar provisões para um abrigo e um soldado as viu.

Voltaram para casa sem imaginar que aqueles seriam seus últimos momentos juntas, jantaram e, como sempre, foram para o quarto de Mei. Conversaram, trocaram beijos e carinho, felizes e nem desconfiavam que, naquele momento, alguns soldados imperiais chegavam a propriedade.
- Mas o que é isso?! Por que estão invadindo minha casa desse jeito? Vocês sabem que é o meu marido?! – a senhora Peng disse.
- Senhora, um dos meus soldados viu duas garotas em um ato vergonhoso na rua, a vista de quem quiser ver e o Império não admite esse tipo de comportamento promíscuo!
- Mas o que eu tenho a ver com isso?
- Fomos informados que as garotas vivem nessa casa e viemos levá-las.
- Vocês estão loucos, minhas filhas não fazem nada assim, são meninas decentes!
- Senhora, resistir será em vão. – o soldado disse. – Homens, vasculhem a casa, não as deixem escapar.

Mei e Hua riam, felizes, compartilhando lembranças de suas infâncias e trocavam um beijo carinhoso no momento que a porta do quarto se abriu e vários homens entraram no quarto, surpreendendo-as.
- Parece que nosso informante estava certo, temos aqui as nossas garotas indecentes. Peguem-nas. – o comandante ordenou.

Os soldados avançaram, separando as garotas com brutalidade e amarrando-as,  enquanto a mãe de Mei observava, chocada com a cena que presenciou, nunca imaginou que veria sua filha amada em uma situação dessas, ainda mais com outra garota!
-Mamãe! Me ajude, não deixe que nos levem! – Mei pediu, desesperada.
- Você não é minha filha, eu não de a luz a nenhuma aberração! – a mulher gritou, cravando as palavras como uma faca no peito de sua filha.
- Ela não tem culpa, fui eu que a forcei, ela é inocente, deixe-a ficar! – Hua disse aos soldados.
- Nós temos testemunhas e não me pareceu nada forçado. Não tentem resistir, será pior para vocês. – o comandante disse frio.

As duas foram levadas para o palácio, foram presas em troncos, em frente a entrada e logo o Imperador apareceu, já tendo sido informado da situação e ordenou que ambas fossem executadas, mas, antes que algum soldado pudesse agir, um barulho alto surpreendeu a todos e o lugar ficou cheio de soldados mongóis, uma batalha intensa se seguiu e logo o chão se manchou com o sangue dos soldados. Hua entendeu que ali seria o fim e as palavras da velha senhora fizeram sentido.

Mei sentiu o olhar de Hua sobre si e virou para olhá-la, entendendo que seria a última vez que veria o seu rosto. Lágrimas correram pelos rostos das garotas, mas ambas sorriram, confortando os corações uma da outra e Hua sussurrou, sabendo que sua ama entenderia.

 “Eu irei te encontrar, minha alma pertence a você e a sua pertence a mim. Pode levar várias vidas, mas iremos nos encontrar novamente e, quando for a vida certa, viveremos felizes, meu amor, pois sentimentos como o nosso são capazes de transcender o tempo. Eu te amo.”

   Mei entendeu e iria responder, mas como dito antes, o destino gosta de brincar e, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, uma espada lhe atravessou o peito, ao mesmo tempo que outra atravessava o de Hua e o sangue de ambas jorrou e se misturou no chão, como uma afirmação de sua união espiritual, selando a profecia.

A história de Peng Mei Li e Zhou Hua não teve um final feliz, pois não houve um final, é apenas o começo de uma história de duas almas que atravessarão tempo e espaço em busca da felicidade.


Notas Finais


Enfim, é isso, espero que tenham entendido a ideia da fic ^^
qualquer critica (construtiva e sem ofensas) é bem vinda
até o próximo ^^


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