História Tonkaya Gran' Mezhdu Lyubov'yu I Nenavist'yu - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Yuri!!! on Ice
Tags Jean-jacques Leroy, Jurio, Yuri Plisetsky, Yuri!! On Ice
Exibições 203
Palavras 7.002
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, Ficção, Lemon, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


A personalidade do JJ aqui retratada é a minha visão dele depois de analisar bem os 30 segundos que ele apareceu no anime, ler o perfil dele na wikia e ouvir mil vezes a música do programa curto (xoney por essa música mds do céu). Não acho que ele seja o cretino 100% narcisista que muitos acham e_e Espero que ele não prove o contrário hoje.

Esse não é meu estilo de fic (eu escrevo coisas mais... densas -q mas vcs nao sabem porque eu nunca posto o que escrevo LOL mas aconteceu de eu conseguir terminar essa e a emoção foi tao gnd que eu to postando :v) Se tiver muito bug, perdoem. Eu escrevi isso com sono e pressa pq queria acabar antes do episódio de hoje e não reli pq to com muito sono help -q E AINDA TENHO UMA FUCKING PROVA DE CÁLCULO 3 HOJE AAAA

Capítulo 1 - A Tênue Linha Entre o Amor e o Ódio


Yuri o odiava. Odiava sim. Odiava tanto quanto não se pode descrever. Ele era pior que o combo Viktuuri junto. Jean-Jacques Leroy era exatamente tudo o que mais odiava numa pessoa: idiota, chamativo, barulhento, obnóxio, ego maior que o mundo. Exatamente o tipo de pessoa que não sabia “ficar na sua”. Seu narcisismo era imenso ao ponto de ele patinar uma música que exaltava sua própria existência. Eu vou dominar o mundo e o céu estrelado que se estende acima. Prepotente. Ridículo até não poder mais. A mera lembrança de estarem respirando o mesmo ar irritava o garoto ao ponto do irracional.

Era nisso que Plisetsky pensava, fumegando de raiva, enquanto fazia seu caminho de volta ao quarto do hotel onde estava hospedado com o resto da equipe de patinação russa e vários dos patinadores que participavam da Rostelecom. Havia ido comprar suco em uma máquina próximo ao lobby agora menos agitado –– diferente de antes, logo que os patinadores ali hospedados voltavam ao fim do primeiro dia de competição –– e ouvira o burburinho de uma conversa entre duas moças sobre como o dito cujo era isso ou aquilo que Yuri preferia não se lembrar. Ao que parecia, ele andara por ali exibindo os dentes, os músculos e as tatuagens e exalando uns feromônios que haviam mexido com o senso de decência das tais moças.

Eca... Fez careta.

A verdade mesmo era que deveria estar irritado por causa do maldito terceiro lugar que conseguira no programa curto. Estava realmente decaindo? Perdera para o porco, como em Hasetsu, e para o narcisista, como na Copa do Canadá, mais uma vez. Que humilhante. E ainda por cima caíra de bunda no gelo. Em um triple axel. Um triplo. Um maldito triplo que qualquer bebê de dois anos executa com perfeição. Que ódioooo... Mas isso não ficaria assim. Voltaria melhor no próximo dia. Patinaria com sua medalha de ouro no pescoço por cima da cara de Yuuri Katsuki, para que aprendesse onde era seu devido lugar; de Viktor Nikiforov, para que nunca mais quebrasse promessas e o deixasse de lado e por ter a audácia de roubar seu treinador; de Yakov Feltsman, por se deixar roubar assim e aceitar ser treinador do porco; de Jean-Jacques Leroy, para que aprendesse quem era a “dama” ali; e de qualquer outro que surgisse em seu caminho.

Chegou à área dos elevadores justamente enquanto pensava isso, porém então notou que um estava no último andar e o outro agora estava em manutenção. Sugou o canudinho com força, fazendo um barulho alto.

– Hoje não é mesmo meu dia, hein? Puta que pariu. Que merda... – resmungou puxando o capuz para cobrir mais o seu rosto, depois de pressionar o botão para chamar o único elevador funcional. Sim, estava irritado por ter de esperar o elevador descer.

–  Que boquinha mais suja, hein, Princesa Yulia? – ouviu aquela conhecida voz irritante e zombeteira às suas costas.

– Vai tomar no teu cu. – resmungou mais raivosamente que o seu normal, sem sequer virar para olhar o recém-chegado. – Não tô com saco pra ficar ouvindo tuas merdas, JJ. Me erra.

– Ah, os hormônios... – ele emparelhou ao seu lado, olhando-o de cima, com aquela ridícula regata em pleno inverno russo, quando Yuri encarou-o de soslaio. Bastante irritado, obviamente. – Eu entendo. Já tive a sua idade...

– Vá se foder. Não fale como se tivesse uns 20 anos a mais que eu. São só 4, seu idio...

– É uma fase tão angustiante... – o canadense o atropelou, languidamente, sem ouvir uma palavra do que dizia. – Toda essa raiva, esse sentimento de que ninguém entende você, esse tesão reprimido...

– Hã?! Esse o quê reprimido?!

– É tanta coisa ao mesmo tempo... não é? Olha o elevador.

– Eu vou de escada. – Yuri resmungou mais uma vez, dando as costas ao moreno, mas foi segurado pelo pulso e puxado para dentro da cabine.

– Não seja tolo, princesa. Você precisa poupar essas pernas pra amanhã. – ele riu, batendo tão rápido no botão com o número “9” e no botão de fechar, que Yuri não teve tempo de reagir.

– Seu puto, por que você...?!

– Yuri... – JJ riu, com aquela expressão estúpida de sedutor barato. – eu queria muito ensinar você a fazer umas coisas mais úteis com essa boca do que xingar...

– O que de mais útil eu posso fazer com essa boca é cuspir na sua cara. – rosnou o russo querendo aplicar o melhor roundhouse kick possível naquele cara. Então notou que ele ainda segurava o seu pulso e o puxou do domínio dele para pressionar o botão para o oitavo andar.

– Saber cuspir pode ser útil. – ele continuou a sorrir, então se olhou no espelho na parte de trás do elevador e ajeitou o cabelo, antes de fazer uma pose ridícula, apontando para si mesmo, então encarou o mais novo pelo espelho e voltou à expressão de sedutor barato.

– Quê? Mas você só fala merda... – Yuri franziu o nariz para o reflexo de JJ, sem crer na existência daquele ser humano, enquanto cruzava os braços e amassava a embalagem do suco agora vazia.

– Você tá muito tenso. Que tal se eu...? – ele tentou pôr o braço em volta do pescoço de Yuri, mas foi empurrado para longe.

– Não me toca, cacete. – o loiro berrou e esmurrou o botão “5” no painel do elevador.

Embora seu quarto ficasse no penúltimo andar e precisasse aguentá-lo por apenas três andares, sentiu que cometeria um homicídio se ficasse na companhia dele por mais tempo. Por isso preferiu pressionar o botão para o andar seguinte e sair antes, para esperar que o elevador deixasse JJ e pegá-lo na volta ou podia ir de escada mesmo. Foi então que, com um solavanco e um barulho estranho, o elevador parou e um breu total envolveu ambos os patinadores.

– Você só pode estar brincando comigo... – Yuri jogou a caixinha de suco amassada e vazia no carpete vermelho e esticou as mãos em direção ao painel, às cegas, apertando aleatoriamente os botões, tentando achar o que abria as portas. – Cacete!

Não pode ser. Não pode ser. Não pode ser.

– Foi só uma pane. Fica calmo... – o russo ouviu aquela voz irritante e quis esmurrar a cara de seu dono. Como assim ficar calmo?

– Meu cu que eu vou ficar calmo. Eu quero sair daqui.

– Por que você é tão nervosinho assim? Tem medo de ficar sozinho comigo por quê? – JJ riu, divertido, e então uma pequena fonte de luz surgiu próximo ao rosto do russo quando o outro acendeu a tela do celular. – Opa. Tá sem sinal.

– Quê?

Quando olhou a tela do aparelho nas mãos bronzeadas do outro rapaz, constatou que todas as barras que indicavam o sinal da rede estavam apagadas de fato. E constatou também que o papel de parede da tela de bloqueio era uma foto do canadense, de costas, despido, quase mostrando mais do que deveria. Yuri fechou a cara.

– Mas você se ama, hein? Que ego do caralho você tem. – colocou a língua para fora.

– Russinha linda, olha só o deus ao seu lado. Quem não amaria alguém assim?

A pior parte era que ele não falava em tom de brincadeira. Pelo que via com a claridade fraca da luz da tela do celular, a expressão no rosto do moreno, apesar do sorriso, era de quem falava a sério. Inacreditável. Mas antes que pudesse redarguir com mais um de seus típicos comentários ferinos, a tela se apagou, deixando-os na mais total escuridão outra vez. Mas ele tentou não perder o ritmo e disse:

– Qualquer um com bom senso, que tal? – Yuri revirou os olhos e respirou fundo, concentrando-se na conversa, por mais que não fosse das mais agradáveis. – E russinha linda é a senhora sua avó.

JJ apenas riu mais uma vez.

– Você ainda não respondeu por que tem medo de ficar aqui comigo...

– Por que eu tenho “medo”? Ficar preso num lugar pequeno assim com você é perigoso. Vai que sua estupidez é contagiosa. – replicou o menor puxando o celular do bolso, apenas para constatar que também não tinha sinal. Okay. Iria ficar calmo. Não iria acontecer nada. Estava tudo fechado. Nada poderia entrar ali. Nada iria acontecer. Nada iria lhe fazer mal. Logo alguém consertaria aquele elevador maldito e então estaria do lado de fora. Logo logo. Nada iria acontecer. Bosta, andem logo!

– Você tá respirando estranho.

– Não tô. Cala a boca.

O russo cobriu o nariz com as mãos e tentou respirar devagar pela boca, o mais silenciosamente possível. Não havia nada antes. Não haveria algo agora. Nada iria se materializar ali dentro. Qualquer coisa, jogaria JJ em cima e... bem, não havia para onde correr. Apertou os olhos. Quanto tempo havia se passado? Parecia uma eternidade. Por que ninguém aparecia ali? Um hotel tão caro com elevadores que não funcionavam e ninguém havia notado? Que merda. Que merda que merda que merda... Escorou-se à parede ao seu lado. Ai, que merda... Sentiu algo em seu braço e não conseguiu segurar uma exclamação alta de susto. Então ouviu uma gargalhada de seu adorável acompanhante. Ele havia tentado tocar seu braço?

– Vai se foder! Você fez isso de propósito? – esbravejou.

– Eu não fiz nada, russinha. Só toquei seu braço. Você que tá todo assustadinho aí. Tá com medo do escuro, é? Vem cá que o Rei JJ vai proteger você.

Sentiu-o se aproximar e apesar de tê-lo xingado e tentado empurrar, ele o abraçou mesmo.

– O que você tá fazendo, filho da puta prepotente? Me solta.

– Tô protegendo você...  Nada de ruim vai acontecer enquanto o Rei JJ estiver aqui. – sentiu o queixo dele no topo de sua cabeça.

– Você é ridículo pra caralho. Me solta! – tentou empurrá-lo, mais uma vez, mas ele era bem mais forte, obviamente. E ele nem parecia estar fazendo força para mantê-lo ali. Que raiva...

– Vamos conversar, Yuri. O que te aflige tanto?

– Você não bate bem da cabeça. Nada me aflige! Me-sol-ta!

– Quer que eu solte mesmo?

Yuri inspirou o ar, pronto para gritar que sim. Mas então notou que não se sentia mais ansioso. Por mais raiva que lhe desse admitir para si mesmo, os braços de JJ lhe davam alguma segurança. Seu rosto se contorceu numa expressão de raiva, mas titubeou um pouco. Fingir ser forte era cansativo, principalmente depois do dia estressante que tivera por causa da Rostelecom. Ainda se sentia irritado por causa da nota também. Por causa do terceiro lugar. Porque não sentia o maldito ágape... porque caíra... porque não se sentia o bastante para estar onde queria estar... porque seu avô não estivera ali... porque se sentia tão sozinho naquele momento... Yuuri tinha Viktor. E Yuri? Nem mesmo seu treinador era só seu. Yakov também treinava Georgi e Mila. E agora Yuuri ia ter a atenção de Yakov também. Sempre esse katsudon maldito. Não que quisesse depender dos outros, mas ninguém olhava apenas para si. E do jeito que ia, ninguém iria olhar mesmo.  Era, de fato, só aquilo que valia no mundo dos adultos? Segundo? Terceiro lugar? Nunca número um? Era bom apenas entre os juniores? Ouvira de Yakov e Baranovskaya que ainda era novo e que com o tempo melhoraria e essa merda toda. Mas não queria ser tratado como criança. Não precisava de conversa derrotista. Era russo. Tinha seu orgulho. Não podia perder patrocínio também. Precisava ser melhor agora. Não poderia se dar ao luxo de melhorar com o tempo. Mas, por algum motivo... ali, nos braços de Jean-Jacques Leroy, sentia-se até um pouco mais calmo, apesar disso tudo. Mas isso não fazia sentido... Sentia que nada disso importava tanto assim. Não quando o cheiro dele era tão...

– Seu corpo tá menos tenso... – o sussurro vindo de algum lugar acima de sua cabeça o despertou de sua introspecção e fez um arrepio descer por sua espinha.

– Por que esses malditos ainda não vieram consertar essa merda de elevador? – murmurou atropelando a fala do outro. – Aliás, me solta...

Não havia nem mesmo 10% da agressividade que gostaria de haver impresso em sua voz e a escuridão evidenciou isto, o que o irritou demais. Estava corando? E... ele estava esfregando o rosto no seu? Quando foi que ele o pressionou contra a parede do elevador?

– Você voltou a ficar tenso. – o canadense o abraçou mais forte.

– Claro que tô tenso, cacete. Eu posso já ter pego idiotice complicada por Leroitite aguda... Isso pode não ter cura. – tentou empurrá-lo novamente. Sem sucesso novamente. – Se tu não me soltar agora, eu vou esmagar as tuas bolas...

Mas, como sempre, JJ ignorou seus protestos e sussurrou:

– Deixa eu te contaminar mais ainda...

– Qu...?

Uma mão desajeitada pela falta de visão alcançou o queixo de Yuri e, antes que notasse, algo morno e úmido estava em seus lábios. Seus olhos se arregalaram e o coração disparou. Essas foram suas únicas reações por alguns milésimos de segundo. Passado o choque inicial, o russo trancou os lábios e virou o rosto, enquanto seu joelho levantava e fazia contato com a área sensível entre as pernas do outro rapaz. Ouviu-o arfar e sentiu o corpo dele vergar para frente, enquanto ele gemia de dor.

– Que bosta você pensa que tá fazendo???? – gritou para ele, cobrindo a boca com a mão.

– Você tá todo triste desde hoje mais cedo, antes da apresentação... – ele gemeu. – Eu não podia deixar...

Pelo local de onde vinha a voz dele, Yuri imaginou que ele estava ajoelhado no chão, mas esse pensamento não durou, pois baques na porta fizeram com que o russo pulasse de susto.

– [Tem alguém aí?] – a pessoa do outro lado perguntou em russo.

– [Sim! Tem sim!] – Yuri pulou por cima de JJ, quase tropeçando, na agonia de se aproximar das portas. – [Abram esse cacete!]

– [Sentimos muito pelo inconveniente e pela demora, senhor...]

– [Não importa. Só abram essa droga...] – o russo cortou impaciente, encarando o escuro da porta. Não queria ficar mais um segundo ali dentro.

– [Os bombeiros estão trabalhando nisso agora mesmo.]

– [Bombeiros?] – resmungou para si mesmo. – [Tsk... Tá. Só... andem logo!] – a última parte foi dita mais alto para que o homem do lado de fora ouvisse.

Depois disso, Yuri ouviu passos se distanciando até morrerem completamente, então o loiro encostou a testa na porta e suspirou em silêncio, fechando os olhos.

– O que disseram? – a voz de JJ ainda parecia carregar um pouco de dor, enquanto ele se levantava, mas o mais novo não sentia o mínimo remorso; afinal ele merecera, não?

– Disseram que os bombeiros estão ajeitando essa droga ou algo assim. Por que eles precisam de bombeiros? É tão difícil assim abrir uma bosta de um elevador parado? – soltou o ar com força.

– É procedimento padrão. Só bombeiros podem abrir elevadores enguiçados.

– Hm... – Yuri voltou a se sentir ansioso. Suas pernas estavam querendo ceder, mas não poderia permitir isso.

Não era que tivesse pavor do escuro. Mas, desde que entrara no mundo da patinação sênior, sentia-se ansioso com algumas besteiras que nunca lhe haviam sido problema antes e aquela era uma. Nada que o fizesse se descontrolar, mas não conseguia evitar o suor frio e aquela sensação de que algo ruim aconteceria por estar no mais completo breu. Sentia que estava se tornando um com aquela escuridão. Como se fosse desaparecer dentro dela. E era doloroso e cansativo lutar com aquilo e ainda fingir que não sentia nada, principalmente quando já não estava bem devido à carga emocional causada pela competição. Estava estressado. Muito estressado. E agora ainda havia mais uma coisa em sua mente...

– Por que você me beijou?

– Já faz tempo que eu queria saber como era beijar você. – a ousadia dele era desconcertante. – E você parecia tão...

– O quê?

– Desde hoje mais cedo... parecia... querer ser resgatado.

Yuri soltou um riso de escárnio pelo nariz, ainda de olhos fechados.

– Puta merda, mas você realmente se supera em bostejar pela boca a cada momento.

A luz repentinamente acendeu e elevador começou a descer. O russo rapidamente se afastou da porta porque não queria ser visto escorado como estava. Pareceria vulnerável. Sua sorte foi a vantagem dos segundos em que foram enceguecidos pela claridade repentina. Quando as portas se abriram no térreo, o gerente, mais um funcionário e dois bombeiros esperavam. Constatado o fato de que estavam fisicamente íntegros, houve pedidos de desculpas e algumas frescuras. Yuri gritou um pouco sobre eles serem irresponsáveis com a manutenção do aparelho, o que desencadeou mais pedidos de desculpa; então o russo e o canadense entraram na cabine e começaram a subir para seus quartos novamente.

Yuri se sentia ligeiramente melhor depois de gritar um pouco. Mas era um alívio temporário. Logo que se trancasse no quarto, remoeria tudo o que remoía sempre que estava só. E os dias entre o programa curto e o livre eram sempre os piores. Sempre. Qualquer dia desses ganharia uma úlcera. Cerrou os punhos. Queria ser resgatado?

– Me fala por que você tá triste.

– Não tô triste.

– Eu posso ajudar você.

– Um cara que só olha pro próprio umbigo pode me ajudar? Hahaha muito engraçado. – não havia graça no riso de Yuri.

Havia até certa amargura.

– Eu não olho só pro meu umbigo, Princesa. Eu quero ajudar você. É meu dever como rei salvar uma princesa em...

– Cala a boca! – o loiro explodiu, finalmente virando para encarar JJ. – Mas que papo chato de rei isso, rei aquilo. E “princesa”... Eu não sou princesa. Eu sou homem. Se quiser ver eu baixo as calças agora pra você ver meu pau. E você não é rei de porra nenhuma. De onde você tira essas ideias? Meu cacete... Como é que as pessoas ainda gostam de você? Só podem ter problema na cabeça também. Só eu vejo como você é ridículo? Você quer me ajudar? Cala a boca e some! Morre, de preferência! Meus problemas são meus e ninguém pode consertar! Nem você com todos esses sorrisos pode consertar toda a merda que... – mas não conseguiu continuar esta frase. – Por que você não fala nada? Por que você tá sorrindo assim?? Ah, foda-se.

Com um “ding”, o elevador parou no oitavo andar e Yuri nem pensou duas vezes antes de sair, dando a conversa como encerrada, mas JJ segurou a porta e pôs metade do corpo para fora.

– Eu deixei você gritar o quanto quisesse. Isso ajuda também. Mas que tal você começar a falar desses problemas ao invés de dizer que eu não posso ajudar?

– Você não pode resolver... – porque está tudo na minha cabeça. Porque eu não consigo me superar. Porque eu... quero atenção? Sua testa se franziu outra vez. Tudo o que estava acumulado era tão grande, tão pesado, tão desconfortável. Apenas queria que aquilo parasse.

Foi então que as palavras mais estranhas e inesperadas, até para si mesmo, saíram de sua boca:

– Mas okay... quer me ajudar? Me faz esquecer. – outra vez o riso amargo de escárnio escapou. – Me faz esquecer todos os problemas. Não importa como. Você não queria saber como era me beijar? Agora que sabe, não quer saber como é ter meu corpo também? Até se a alternativa for transar comigo, então faz isso e tira toda a porcaria que tá pesando nas minhas costas agora. Você tem esse poder?

Ele pareceu surpreso com aquelas palavras. O próprio Yuri estava surpreso, porque nunca pensara naquilo. Pelo menos não em um nível consciente. Apesar disso, não se arrependeu do que dissera. Se servisse para libertá-lo de pensar e sofrer por tudo aquilo por algum tempo, que fosse. Mesmo sendo com um idiota daqueles. Não tinha importância.

– Tenho esse poder. – JJ pulou para fora da cabine, deixando que o elevador partisse. – Vem. – e, segurou a mão de dedos compridos do russo, puxando-o em direção às escadas.

– O que você tá fazendo?

JJ olhou para trás e sorriu. Esta foi a sua resposta. E seu sangue congelou nas veias de Yuri Plisetsky ao se dar conta da furada em que se metera. Estava certo? Ele não era a pessoa que mais odiava? De onde surgira aquela ideia? E, sinceramente, deveria estar ficando louco, porque não parecia completamente absurdo. Não parecia... Não pense, não pense... repetiu para si mesmo enquanto pulava os degraus da escada até o andar de cima. E, até se ver em frente à porta de JJ, ainda se questionava se aquilo era mesmo real. Havia sim pego idiotice complicada por Leroitite aguda afinal.

– Você tem certeza? – ele perguntou.

Yuri pensou brevemente na sensação de estar nos braços dele. Conseguira se acalmar um pouco, então provavelmente ele tinha mesmo aquele poder. E se não tivesse... Deu de ombros.

– Anda logo com isso.

Então a porta foi aberta, marcando um ponto sem retorno na vida do russo.

Yuri apenas revirou os olhos e entrou no quarto, ignorando o fato de que ele lhe deu passagem novamente, como se fosse uma mulher. Então seus lábios se crisparam e uma de suas sobrancelhas se ergueu ao ver o santuário em que ele transformara aquele lugar.

– Você só pode estar brincando, Leroy... Que bosta é essa? – exclamou pegando um dos porta-retratos sobre um móvel e olhando a foto do canadense contida no mesmo; era em tons de cinza, com ares de propaganda de perfume de marca, embora ele estivesse apenas de cuecas, exibindo suas tatuagens e músculos. – Como caralhos você consegue...? Nossa, mano... – estava sem palavras.

– É minha inspiração – ele respondeu com a maior das naturalidades.

– Inspiração? Você tá dizendo que transformou esse quarto num templo... porque você se inspira olhando pras suas fotos? Porra, você é doente. Você sabe que Narciso se afogou tentando beijar seu reflexo, né?

– Qualquer inspiração é válida se você consegue chegar ao seu objetivo, não é? – o canadense declarou com sinceridade, sentando na beirada de um armário. – Isso é todo o meu trabalho e eu amo tudo o que faço. Isso que me inspira.

Seu amor? Yuri olhou outro porta-retratos. Uma foto dele patinando. Em todos os outros eram de fato fotos das atividades em que ele se envolvia. Patinação, música, um pouco de atuação, dança(?) e vários níveis de propagandas. Caridade?

– O que inspira você, Yuri?

A imagem do avô bruxuleou no fundo da mente de Yuri e isso o fez virar de costas imediatamente. Não conseguiu evitar uma leve expressão de raiva e dor. Não tinha o direito de pensar nele agora. A verdade era que apenas conseguia pensar no que não devia enquanto patinava. Não conseguia pensar nele na hora. Não conseguia se concentrar nele. Embora no geral patinasse por ele... Patinava por ele? Não. Pelo que patinava? Pelo que se esforçava?

– Não tem? – o outro insistiu, começando a se aproximar do loiro.

– Cala a boca. Eu não vim pra isso. – pôs o porta-retratos que ainda segurava de volta ao lugar e começou a tirar o agasalho que usava. – Você não ia me fazer esquecer? Tira a roupa de uma vez. Vamos acabar logo com isso.

– Ahaha, não funciona assim, kit kat. Vem aqui...

Kit...

Antes que Yuri pudesse se esquivar, JJ o abraçou.

– Que porra... – esbravejou tentando se desencilhar dele. – Mas você gosta mesmo dessas boiolices. Eu não vim pra “fazer amor”. Eu vim pra foder. Se você não concorda, eu vou...

– Não é assim que funciona, moço. Você é virgem, não é? Não vou deixar você perder a virgindade assim. – o moreno sorriu, batendo na ponta do nariz do russo com o indicador.

– Quem disse que eu sou virgem? – desafiou Yuri.

– Seu corpo... Sua atitude... Deixa de ser tão marrento. Isso vai deixar a sua cara cheia de rugas... – ele acariciou os finos fios loiros na parte de trás da cabeça do menor.

– Foda-s...

Um dedo calou seu xingamento.

– Eu disse que ia te ensinar a fazer coisas melhores com essa boca, não disse?

O dedo deslizou pelo seu rosto até puxá-lo para cima, então JJ lhe deu um beijo rápido nos lábios, antes de carregar Yuri em seus braços fortes. O russo obviamente se debateu e reclamou, mas Jean-Jacques Leroy não se importou; apenas o segurou com firmeza até alcançar a cama para então jogá-lo ali, atravessado. O russo quicou no colchão macio, apoiando-se nos cotovelos, mas logo parou quando seu corpo foi coberto pelo corpo grande do outro. Lembrava que mesmo quando estava na categoria júnior e ele estreara na categoria sênior, ele já era robusto; enquanto Yuri era um franguinho agora em sua estreia sênior. Mas era sua vantagem, sua idiossincrasia. Não reclamava. Até gostava disso. Adicionava graciosidade, leveza e um charme único ao seu ser como patinador.

– Você se distrai fácil ou é impressão minha? – perguntou JJ, encarando-o nos olhos, a mão invadindo a parte de dentro da camisa preta que o loiro usava.

– Quem tá distraído? – o russo sustentou o olhar, erguendo o queixo, então pôs a mão na parte de trás da cabeça dele e o puxou para si.

Sua experiência com beijos se resumia a vários nadas, mas não parecia difícil. Já havia visto na TV algumas vezes. Er... Era o bastante, não? Não? Aparentemente não. O canadense não reagiu de imediato, possivelmente querendo ver o que Yuri faria, mas após alguns instantes de uns movimentos estranhos, barulhentos e desajeitados, com dentes envolvidos, ele riu e se afastou.

– Você tem esse jeitinho marrento, mas é uma gracinha, sabia? Abre um pouco a boca. E para de pensar no que tá do lado de fora daquela porta...

– Eu não...

O russo ficou surpreso com aquelas palavras. O moreno se aproximou mais uma vez e o beijou; não tão lento, mas não exatamente agressivo à princípio. A sensação de ter a boca de outra pessoa na sua era inicialmente estranha, mas logo passou e logo Yuri se envolveu. Já que estava no fogo... Abriu a boca, deixou que a língua dele entrasse. Deixou que a sensação se espalhasse pelo seu corpo e esqueceu todo o resto. Sentiu o coração acelerar. JJ descansou o peso do corpo em seu corpo, então sentiu como o coração dele estava acelerado. Mais que o seu, na verdade. E isso, por algum motivo o fez se sentir estranho...

Quando ele se afastou, Yuri começou a puxar a regata dele para cima e ele se deixou despir com um sorriso safado no rosto. Cara estranho... pensou o loiro, mas mesmo assim, empurrou-o para o lado e montou em suas pernas. Não gostava da ideia de ficar por baixo de ninguém. Tirou a própria camisa e a jogou para o lado, inclinando-se para voltar a beijá-lo, mas ele pôs a mão em seu peito, impedindo-o. O mais novo olhou-o com irritação por não entender o motivo de haver sido rejeitado, mas então sentiu que as mãos dele acariciavam seu peito. De cima abaixo, as mãos grandes e fortes acariciaram a pele delicada de Yuri, até se concentrarem nos botõezinhos rosados que eram seus mamilos. Isso fez com que um arrepio descesse por sua espinha e um gemido abafado escapasse de sua garganta.

– Você é lindo, Yuri Plisetsky...

E ele soou tão sincero que aquilo o desmontou um pouco. Embora lento, finalmente seu corpo começou a reagir direito. Finalmente sentiu o coração começar a bater mais forte. Sentiu o rosto corar. Sentiu-se nervoso. Desviou os olhos dos dele. JJ então sentou e puxou o corpo de Yuri para mais perto, para então beijar seu ombro, seu pescoço, seu rosto, até finalmente chegar aos seus lábios. Desta vez o russo envolveu os braços em seu pescoço e correspondeu, sentindo o desejo explodir em seu peito e correr por todo o corpo, à medida em que o beijo ficou mais intenso.

O quadril de Yuri foi puxado, de encontro ao quadril de JJ, fazendo com que ambos arfassem contra os lábios um do outro. Instintivamente, o russo começou a se esfregar no moreno. Queria mais, queria ser virado do avesso por aquelas mãos que o tocavam. E que fosse logo. Agarrou o rosto dele, sentindo os dedos cravados em seu quadril, enquanto o beijava quase com fúria. O menor ouviu sua voz gemendo, como se fosse a voz de outro ser. Nunca a ouvira assim. E mesmo que quisesse controlar, não conseguia. Era mais forte que seu autocontrole e racionalidade. Era como se seu corpo se tornasse lava onde encostava com o corpo quente do outro.

As calças de moletom incomodavam muito, então se afastou para tirá-las, mas JJ foi mais rápido e o deitou de costas, removendo a peça e largando-a no chão. O olhar dele fez Yuri engolir em seco. Ele parecia querer devorá-lo. Mas era um pensamento atraente... ser devorado. Fechou os olhos quando os lábios dele roçaram por sua coxa. Sentiu um chupão, seguido de outro e mais outros e gemeu. As cuecas deslizaram por suas pernas, deixando-o completamente exposto. Uma mão bronzeada pousou espalmada na barriga do russo. Lábios a seguiram. Uma trilha de beijos e lambidas que desceram até que ele encontrou aquela parte de Yuri que pulsava e clamava por atenção. Mas ele apenas lambeu a ponta e voltou à barriga do outro. Filho de uma puta...

– Você tá me provocando, maldito? – o loiro abriu os olhos e o encarou, irritado.

– Aham... – JJ sorriu torto, arranhando o local onde havia pouco estava beijando.

– Vá se foder... – a mão subiu até o peito.

– Não... Eu vou foder você. E você vai adorar e implorar por mais... – então ela desceu, passando pelo umbigo.

– Eu nunca implorei por nada... – Yuri precisou se conter enquanto sentia as pontas dos dedos dele passeando até a púbis.

– Sempre há uma primeira vez, kit kat.

– Uma ov... ngh...

JJ o calou quando o envolveu com os lábios. Apenas metade. A outra metade foi contemplada com os dedos do canadense, fechados em um círculo, subindo em descendo, de encontro ao movimento da boca. Yuri agarrou o lençol com a mão esquerda, enquanto a direita pegou um punhado dos cabelos do outro rapaz. Inebriado e atordoado pela série de sensações que nunca tivera antes, o loiro xingou e grunhiu baixinho, abrindo mais as pernas e arremetendo o quadril para cima, inconscientemente, guiado por uma necessidade incrível de algo que nunca conhecera e que agora queimava em suas veias. A vibração da garganta do canadense pareceu reverberar por todo o seu corpo quando ele o tomou por inteiro. Não demorou para que Yuri liberasse o fruto de seu orgasmo no calor da boca do outro rapaz, gemendo alto.

Que vergonha. Pensou ter mais autocontrole que isso. Mas, ah, foda-se... foram as palavras que vagaram no fundo de sua mente, enquanto sentia seu corpo latejante relaxar contra o colchão, embora ainda ofegasse forte.

– Tava meio acumulado, não tava, não? – o maior riu, subindo para alcançar a boca do loiro antes que ele pudesse protestar.

– Que nojo... – Yuri virou o rosto fazendo careta; seu corpo parecia mole demais para uma reação mais eficaz.

– Nojo? Eu acabei de chupar você. E eu engoli.

– Ninguém mandou, imbecil...

– Ah, é?

Segurando o rosto do menor, JJ voltou a beijá-lo e não deixou que ele virasse. De início, Yuri socou o peito dele e tentou se desvencilhar, mas estava cansado e não demorou muito a se render e esquecer o motivo por que estava lutando. Ao sinal de que o menor não lutaria mais, as mãos que seguravam seu rosto foram deslizando até as mãos compridas, porém delicadas do russo. Yuri encarou os dedos entrelaçados nos seus e estalou a língua quando se separaram.

– É cansativo lutar contra você... – ofegou.

– É só não lutar. Facilita pra mim também... – ele sorriu.

Foi repentinamente virado de costas e teve as nádegas apertadas com vontade. Crispou os lábios e arregalou os olhos de leve quando sentiu um tapa seguido dos dentes dele em sua pele. Sentiu-se quente. Principalmente entre as pernas outra vez. O toque macio do tecido sob si não ajudava. Mas não iria voltar a gemer e se deixar levar daquela forma vergonhosa. Não iria.

– Agora eu vou preparar você.

– Pra quê?

– Pra entrada do Prince JJ.

– Meu Deus... Só cala a boca. Cala a boca e faz essa porra antes que eu me arrependa de ter vindo aqui!

O moreno riu então se esticou por cima do corpo do russo para pegar um tubo lilás de... creme para mãos (?) sobre a mesa de cabeceira e acomodou o outro sobre dois travesseiros. Yuri sentiu-se corar, principalmente quando ele afastou suas pernas, mas engoliu o sentimento. Era normal, não era? Se expor assim num momento desses era normal. E tinha confiança em seu corpo. Era bonito, não era? JJ mesmo havia dito isto. Não era? Estava lagrimando? Enfiou o rosto no colchão. Qual era o seu problema?

– Você tá bem?

– Anda logo! – gritou abafado contra o tecido da roupa de cama.

– Okay, okay. Mas relaxa senão não vai dar.

Ouviu o som do frasco expulsando seu conteúdo e sentiu o cheiro adocicado de cramberies, então tremeu ao contato gelado do primeiro dedo na musculatura de seu esfíncter. Sem pressa, o dedo fez seu caminho para dentro do corpo febril de Yuri. Era incômodo, mas não doía. Ou pelo menos foi o que pensou até o segundo dedo pedir passagem.

– Relaxa... – o outro murmurou.

– Tô tentando, mas como caralhos eu vou fazer isso?! Hng...

JJ deitou sobre o corpo do loiro e, com a mão livre, puxou seu cabelo para que virasse o rosto. O beijo foi estranho e torto, mas era tão bom que realmente tirou a atenção do que acontecia ali embaixo. Até que notou que havia um terceiro dedo e que os três avançavam mais para dentro em movimentos circulares. Yuri precisou quebrar o contato para respirar, antes de enfiar o rosto no colchão outra vez, arqueando as costas. Precisava de mais. Mais forte. Mais fundo. Só aquilo não era o bastante. Precisou se segurar para não gemer o nome dele.

Os dedos do canadense deixaram seu corpo, sem o menor aviso. Yuri mordeu o lençol, querendo gritar para que ele andasse logo. Ouviu enquanto ele tirava as peças de roupa que ainda o cobriam, então sentiu o membro quente dele pulsando no espaço entre suas nádegas. Esfregando. Provocando. Ele queria deixá-lo louco, era a única explicação. Mal se percebeu empinando mais o quadril e esfregando contra a ereção dele. Precisava. Precisava daquilo de uma vez.

– Vai logo. Porra. Anda logo...

– Calma...

– Anda, JJ!

Um risinho e finalmente sentiu. A ereção do maior começou a invadi-lo, fazendo um gemido solto e lânguido escapar pelos seus lábios. Doía. E era bom ao mesmo tempo. Mas doía. Mais um gemido, dolorido dessa vez, e JJ ficou de quatro por cima do russo para segurar as mãos dele, cerradas em punhos sobre o colchão. Ele avançou, mais devagar. Devagar. Devagar. Até ter-se todo dentro de Yuri. Foi a vez do moreno soltar um ofego profundo, como se estivesse se segurando para não investir com força para dentro daquele corpo. O russo mal se percebeu entrelaçando os dedos nos dedos dele, apertando, meio sem controle de suas ações. Arfou quando ele começou a estocar. Em seu estado normal, nunca se permitiria reagir assim, mas não conseguia segurar aquela voz chorosa que implorava baixinho em russo. Confusamente. Cheia de um prazer que nunca sentira. Um sentimento selvagem de que estava se perdendo e se esquecendo de tudo. Mas era... maravilhosamente extasiante.

Ele puxou sua perna esquerda para cima e Yuri acabou fazendo aquela sua abertura de perna peculiar, torto na cama, com JJ montado em sua perna direita. Encarou o outro. O sangue imediatamente tingiu seu rosto quando o viu. Encharcado de suor, olhos fechados, boca ligeiramente aberta, ofegando, esfregando o rosto em sua perna estendida. Então ele a beijou e mordeu, antes de deslizar para fora do corpo do russo. Até quis protestar, mas ele o deitou sobre os travesseiros, de costas dessa vez, e abriu suas pernas, imediatamente deslizando para dentro outra vez, com mais facilidade agora.

Blyad... Bystreye… Bys… ah… Ah! – gemeu, apertando os lençóis; tsk, que língua estava falando mesmo? Ugh... Era difícil se concentrar no que falava. – Mais... rápido...

– Não... Amanhã... você não vai... estar bem...

Foi então que seu corpo sofreu uma convulsão involuntária quando ele alcançou determinado lugar lá dentro. E todas as vezes que ele o alcançava, era como cócegas em seus nervos. Todos. Ao mesmo tempo. Se não tivesse segurado a voz, possivelmente teria gritado. E de repente seu corpo todo, cada fibra de seu ser, implorou para que não parasse. Nunca. Mas ele se inclinou para apoiar as mãos no colchão, ao lado do rosto do loiro, e perdeu o ângulo. Yuri grunhiu frustrado e afastou JJ com os pés no peito dele. Ele o olhou confuso, antes de ser empurrado para ficar de costas no colchão. Sem delongas, o menor montou em seu colo, segurando o membro rijo do canadense para fazê-lo penetrar seu corpo mais uma vez. Começou a subir e descer no corpo dele, de joelhos. Rebolando o quadril até achar aquele lugar novamente. E quando encontrou quase se desfez inteiro na hora.

– É aqui? Aqui que você gosta?

– Aí... aí... Merda... – apoiou-se no encosto da cama, sentindo as mãos dele segurando seu quadril enquanto ele estocava; sua resposta foi arremeter-se de volta mais rápido do que o bom senso recomendaria. – Hn, porra... Ah...

– Não me culpa se você não conseguir patinar direito amanhã.

Mais uma vez frustrado, Yuri diminuiu o ritmo. E notou que assim era muito vergonhoso então precisou fechar os olhos porque não queria ver a cara de JJ. Ele parecia... encantado. Maravilhado. E isso era desconcertante. Sentiu-o se mover, então ele sentou e pôs a boca em seu mamilo, beliscando o outro com as pontas dos dedos.

– Vontade de te marcar todinho... – ele gemeu e o abraçou.

E Yuri não entendia toda essa vontade de ter contato físico, mas não fazia diferença. Contanto que não parasse o que fazia. Arranhou as costas dele. Ouviu-o gemer e sentiu um prazer estranho com isso. Fez novamente. Mais forte.

– Yuri... – ele protestou.

Era gostoso ouvir seu nome rolando naquela boca. Eu devo estar ficando idiota mesmo... Pensou vagamente, de olhos fechados, quando foi deitado outra vez e teve seus pulsos seguros. Quis dizer a ele que o soltasse, mas não teve forças. Ele colou a boca macia na sua, num beijo leve, até começar a sugar sua língua; o russo o apertava involuntariamente lá embaixo e ele grunhia em resposta.

– Voce é... incrível, Yuri... eu queria poder ficar dentro de você pra sempre...

– Que idiota... – arquejou de volta.

Mas entendia a sensação. Entendia aquela vontade. Queria que ele permanecesse ali para sempre também.

– Eu vou... gozar dentro...

– Que?

Yuri enterrou os calcanhares no colchão e gemeu alto. Uma duas. Três vezes. Até que a sensação de borboletas em seu estomago chegou ao ápice e explodiu em uma nevoazinha branca e maravilhosa que envolveu os sentidos do russo. Mal sentiu o jato morno dentro de si pouco tempo depois. A próxima coisa que percebeu foi JJ se jogando ao seu lado. Quando abriu os olhos (que não se lembrava de ter fechado), viu o rosto corado e suado do rapaz deitado consigo.

Ele sorriu como uma criança imensa, cansado e ofegante também e esfregou o rosto em seu ombro.

– Tá escorrendo... Eu vou... te matar... seu puto... – Yuri ofegou.

Mas JJ apenas riu. Ele não conseguia soar agressivo como queria. Que merda...

– Eu limpo pra você.

De pirraça, Yuri pegou a regata que ele usava antes, que felizmente estava ao alcance de suas mãos e a esfregou em sua própria barriga e entre suas pernas até que aquela coisa estranha parasse de escorrer. Depois jogou a camisa no rosto do rapaz ao seu lado. Ele deu um risinho fraco e acabou se limpando com a peça também. O russo virou o rosto para o outro lado, sonolento. Pensando em algum lugar de sua mente que deveria ir embora...

– Yuri? – virou devagar e teve os lábios tomados imediatamente.

Encarou o outro, que colara a testa na sua após o beijo. De algum modo, leu nos olhos dele a pergunta “não vai mesmo me contar o que está te incomodando?”, mas o trato era que ele lhe ajudasse a esquecer, não? Então não iria se lembrar disso agora por nada.

– Agora não. Tô com sono. – respondeu, se esforçando para manter os olhos abertos.

O canadense apenas suspirou e murmurou “okay”. Yuri se perguntou brevemente se estavam falando sobre a mesma coisa, mas não se demorou muito neste pensamento. Precisava ir antes que caísse de sono ali mesmo. O loiro fez menção de levantar, mas foi mantido no lugar por um braço forte que envolveu sua cintura.

– Fica aqui...

Yuri ainda levou um tempo para se virar e olhá-lo, antes de responder:

– O Yakov vai ficar puto se eu não voltar...

– Hn... – ele grunhiu e o encarou, enquanto se recostava nos travesseiros.

Não era exatamente uma cara manhosa a que ele fazia, mas era como se continuasse pedindo para que o russo ficasse. Suspiro. Não acredito que eu tô caindo nisso... Pegou sua calça jogada no chão e tirou o celular do bolso. Digitou preguiçosamente as palavras:

 

yakov n vou dormir aí hj

n esquenta cmg

n vem atrás de mim

flw aí

 

E enviou, porém permaneceu na mesma posição em que estava. Não demorou nem 3 segundos para que o aparelho começasse a tocar. E não precisou de muita imaginação para saber quem era. Yuri apenas desligou o celular e jogou-o em qualquer canto, então deitou ao lado do canadense e o fitou. Permaneceram olhos nos olhos por um tempo, nenhum pensamento especial cruzando a mente de Yuri enquanto o fazia. JJ pegou sua mão e entrelaçou os dedos nos dele. Irritante... A palavra perpassou nos pensamentos do loiro enquanto observava o contraste de seus dedos tão delgados, brancos e rosados contra a pele bronzeada dos dedos maciços do outro, mas ela não o motivou a reagir. Voltou a fitar o rosto do rapaz. Ele sorriu. O mais novo fechou os olhos e encostou a testa no braço dele.

– Bons sonhos, kit kat...

Yuri apenas se aninhou melhor contra o braço alheio e apertou os dedos que seguravam os seus, sem dizer nada. E dormiu sem pensar em nada que o angustiasse. Dormiu sem sonhos tensos. Apenas dormiu. Pela primeira vez em séculos.


Notas Finais


Oi :D desculpa por existir.

Vamos torcer pra que o kit kat não acorde dolorido o bastante pra que isso interfira na performance do programa livre LOL Fun fact aleatório é que eu não falo palavrão em portugues, mas imagino que o Yurio falaria MUITO mesmo porque o japones dele é bastante rude lol aliás, o que ele fala lá pelo meio em russo é "porra... mais rápido...".


Espero que voces não tenham achado PWP. Eu pensei muito pra escrever isso e cada palavra foi proposital, baseado nos meus headcanons. Eu imagino que essas coisas todas sobre ansiedade e tal estejam passando pela mente do Yurio desde que ele virou senior. Ele sempre se esforça pra ser forte, mas ele é só um menino de 15 anos, sozinho. Veja bem, o Yuuri tem mesmo o Viktor ali pra ele. E quem o Yurio tem? Será que o avo dele entende ele? Será que o Yakov entende ele? Será que alguem para pra conversar com ele? Pelo jeito que o Yurio demonstra ser fechado e cabeça dura, acho que não. E mesmo que tentem, ele é difícil de lidar. Se forçarem ele a falar, ele com certeza não vai querer e vai se irritar, então não tinha muita alternativa pro JJ. Ao contrário da situação entre o Yuuri e o Viktor, o Yurio precisava de "cala a boca", porque ele precisava parar de pensar. Por que? Porque ele não tem em que/quem se apoiar, entao ele precisa de um tempo, precisa esquecer. Não que os problemas vao desaparecer com sexo, mas se ele perder o foco por um momento, ele talvez ele consiga ver as coisas com mais calma e uma perspectiva melhor quando voltar ao foco... Enfim... comentem, plz <3 Desculpa qualquer coisa e_e


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