História Too hot to touch, too bright to love - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Escrita Criativa, Originais, Original
Visualizações 34
Palavras 1.282
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Trazendo mais uma fanfic do P.E.C. Espero que gostem. ♥
A música na qual deveríamos nos basear é: Bridge Over Troubled Water, do Elvis Presley.

Capítulo 1 - Too hot to touch, too bright to love


Too hot to touch, too bright to love

~

O que seria ela, que não, o castigo eterno para sua alma atormentada?

Luz e escuridão. Dia e noite. Quente e frio.

Há motivos para que opostos sejam exatamente isso, opostos. Talvez porque apesar da enorme contradição de suas essências, seja o que mantém o perfeito equilíbrio das energias do universo. Mas há situações onde opostos se atraem, ou ao menos tentam atrair um polo positivo, para toda a negatividade que o rodeia; e tal ato, por mais irônico que pareça, não é realizado por maldade, mas pelo impulso natural do magnetismo de sua aura, por inevitavelmente se ver pego pela atração.

Em mundo onde bem e mal convivem lado a lado, onde sua missão era atormentar, jamais imaginara ser o atormentado, um demônio acostumado à luxúria do mundo humano, e ao prazer da carne, fora inebriado por algo puro. Deveria ser deveras impossível, mas o errado parecia estar cravado em sua alma durante séculos, já que a proibição para tal tipo de envolvimento era mais do que de conhecimento geral, até mesmo senso comum, desde os primórdios. Estavam fadados a interagir como ying e yang durante toda sua existência.

Soleil sabia que anjos eram a ponte de tudo que era bom e louvável, mas Luna tornara-se seu pior pesadelo, deturbara seu conceito de desespero, ensinando que um amor impossível também era uma forma efetiva de tortura — uma que mesmo o submundo não tinha capacidade de infligir sobre os condenados. Se antes suas águas eram revoltosas, agora estava completamente fora de seu controle, pois, os sorrisos de Luna eram como raios luminosos, que cortavam o céu já encoberto pela tempestuosidade de seus sentimentos confusos.

O que ele poderia fazer, afinal? Desejar o impossível era uma novidade, pois, até então, toda e qualquer ambição era voltada tão somente às necessidades do corpo físico, e amar, aspirar mais do que as curvas de uma mulher, significava oferecer uma parcela de seu espírito, que muito provavelmente, além de ser incapaz de preenchê-la de forma correta, contaminaria sua castidade. E foi aí que Soleil começou a aprender sobre o que envolvia cultivar tal afeição, o ato de colocar as necessidade da outra parte em detrimento das próprias. Quando se tratava dela, o egoísmo não existia — embora não diminuísse em nada seus anseios.

Luna, que era uma constante na vida de Soleil, apercebeu-se das ligeiras mudanças ocorridas em sua natureza, e seguindo o instinto de interceder por aqueles que se mostravam passando por momentos de dificuldades, mesmo que este fosse taxado como seu inimigo natural, se empenhou em descobrir o que o afligia, o que logo se mostrou ser causado por sua presença, cada vez que havia proximidade entre eles. Não sabendo como proceder, e o porquê o incomodava de tal forma, utilizou da maneira mais simples possível, a conversa.

Descobriu então, que sua angústia era causada pelo sentimento amor, não aquele ao qual fora ensinada desde a criação do mundo, mas do tipo humano, onde além das alegrias trazidas pela companhia do parceiro, também havia o sofrimento da perda e da impossibilidade de detê-lo.

Sentindo-se culpada e o coração pesado diante do martírio que involuntariamente evocava na alma de Soleil, propôs-se a um ato que ao seu ver, não passava de boa vontade, de apiedar-se por aquele que sofria, oferecendo o bálsamo para cicatrizar suas feridas.

— Soleil, há algo que os seres terrenos por vezes fazem, e parece trazer felicidade para os envolvidos. Talvez se permitir que ocorra uma vez, você sinta suas aflições se apaziguarem.

— E o que sugere?

— Um beijo.

Soleil poderia ter rido, ironizado tamanha oferta. Pertencendo aonde pertencia, beijos eram ínfimos, banais, apenas a porta de entrada para se obter os prazeres mais sensuais e lascivos. Mas para ela, a proposta ia além, significava mais, e no estado em que se encontrava, se pudesse tomar-lhe os lábios esta única vez, estaria realizando algo que meramente se permitira divagar.

Sentindo-se atingir pelo egoísmo que tanto reprimira, acenara em concordância, e o sorriso aconchegante com que ela o presenteou, fê-lo ter certeza de que beijá-la seria o maior erro de sua eternidade, e este era um tempo longo demais para viver a estimar o inestimável. Mas ele era um demônio, e lidar com decisões erradas e as duras consequências era o que fazia todos os dias.

Quase solenemente, incomum à forma como costumava tratar o sexo oposto, aproximou-se da forma angelical de Luna. A mão alcançou seu rosto alvo, deslizando pela pele que parecia seda à acariciar seus dedos, percorrendo a alta temperatura do corpo dele com a calidez de sua inocência. Os olhos de Luna o fizera lembrar do céu, e por uma única vez, o fez desejar pertencer ao outro lado, o lado dela. O tom de sua pele bronzeada era quase um choque contra a de Luna, e a cor de seus olhos, só faziam enfatizar a oponência. Um detinha o azul do dia, o outro, era como uma noite sem estrelas, que parecia poder draga-la para seu mundo, que para ela, seria inóspito.

Soleil estava inebriado pela beleza de Luna, que era feita para encantar, tão contrária a dele, que ainda que não desfavorecida em nada, fora moldada para propósitos totalmente diferentes e mesquinhos, de incitar a cobiça, uma emoção impura e primitiva, que querendo ou não, no fundo, sua parte demoníaca queria que ela sentisse por ele.

E obedecendo seus instintos, ele a beijou. Um beijo do tipo que ela nunca um dia sonhara ou provara — se é que ela alguma vez o havia feito. Soleil tomou cada mínima parte que ela lhe permitia, e até mesmo aquelas que escondia. O demônio a queria por inteiro, resultado de sua ganância, até conseguir reprimi-la. Era injusto que aquela lembrança pertencesse ao seu lado sombrio e se misturasse a tantas mais. Não. Luna merecia um local próprio, um que tinha certeza que jamais poderia ser invadido por ninguém. E foi então que começou a senti-la, e entendeu o que significava a complacência.

Ao final, quando Soleil liberou-a de seu abraço, Luna sussurrou, apertando as mãos junto ao peito.

— Isto não se repetirá novamente, você entende Soleil?

— Por quê deveria? Luna, como pode me pedir que não espere um segundo, e então outros mais?

— Porque é assim que deve ser e será.

Luna envolveu o rosto do demônio com as mãos, e trazendo-o para si, tocou-lhe a testa com os lábios.

— Este é meu adeus, Soleil. Espero que me perdoe.

E antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, Luna desapareceu.

Soleil esperou, dia após dia que ela voltasse, pela primeira vez sentindo o peso do infinito sobre as asas negras — até que ele soube, Luna nunca voltaria.

Não devido a uma punição de terceiros, mas por suas próprias ações tê-la condenado, pois, assim como ele, ela não era indiferente ao demônio. O beijo fora o consolo para as duas almas, e o que se mostrara como um ato de bondade, envolvia seus sentimentos pessoais, seu amor por Soleil, que ela reprimira por tempo demais, que fora o desfecho para o que ela já sabia ser seu final. Aquele beijo fora seu adeus, e o fato de ser único, era porque realmente não haveria outra oportunidade. Luna perdera suas asas, e jamais poderia pertencer a lugar algum, muito menos a ele.

Perdê-la causara o completo desequilíbrio do universo de Soleil, que descobrira ter passado a girar apenas em torno dela. Pela primeira vez, o demônio descobrira a definição completa do que era o inferno: O sofrimento por não poder mais amar.

Ela, castigada por dar seu coração a um demônio, e ele atormentado, por continuar a querê-la, sem nunca, jamais, poder realmente tê-la.

 


Notas Finais


Só para esclarecer, Soleil é o demônio e Luna o anjo, e respectivamente significam Sol e Lua em francês.
Sentiram a oposição? ;D rs

Créditos da arte da capa: https://www.walldevil.com/angel-and-demon-wallpaper-884419/

Link da música:
https://www.youtube.com/watch?v=ZQxMoel34Sc


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