História Too young to care - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Drama, Drogas, Festa, Originais, Romance, Transtorno
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Palavras 1.279
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


A fanfic vai ter um total de nove capítulos, eu espero do fundo do meu coração que vocês gostem.

Capítulo 1 - Stella


Fanfic / Fanfiction Too young to care - Capítulo 1 - Stella

Com uma lâmina sobre os pulsos foi como os pais de Stella a encontram pela segunda vez naquela semana.

- O que você está fazendo filha? – Sua mãe perguntava desesperada enquanto segurava firme o braço da filha e encharcava suas mãos de sangue. – Você não dá valor a sua vida?

É claro que Stella dava valor a sua vida, aliás, ela não estava tentando realmente se matar, só queria se machucar, queria sentir a dor. Ela merecia aquilo, ela merecia toda a punição do mundo.

- Transtorno de Personalidade Bordeline. – Foi o que o psiquiatra disse aos pais de Stella enquanto ela escutava pela fechadura da porta. – Não tem cura.

- O que nós faremos doutor? – O pai da menina perguntou ao médico.

Stella nunca soube o que ele respondeu, pois a secretária havia a flagrado com a orelha grudada na fechadura.

- Nós não devemos espionar os outros, Stella, tudo o que o Dr. Smith tiver de dizer, ele comunicará diretamente a você.

- Eu não tenho certeza disso. – Foi tudo o que ela respondeu.

Ela pesquisou na internet o que aquele transtorno era afinal.

- Borderline. – Repetiu para si mesma. O Google a corrigiu. Ela nem mesmo sabia escrever o nome do transtorno.

“ Pessoas com problemas de identidade.... Humor instável... Sofrem de impulsividade... Manipulativas... Comportamentos agressivos... Relações emocionais caóticas... Comportamento suicidada...”

- Ah, me poupe! – Então ela fechou o notebook com força sem terminar de ler. – Esses psiquiatras não veem a merda que fazem.

Mas na semana que se seguiu coisas aconteceram e por um instante pelo menos, Stella não teve como negar, sem mesmo para si.

- Brad, você não pode terminar comigo! – Ela gritava e chorava aos pés do namorado, implorando para que continuassem juntos.

- Não dá Stella. Eu não sei lidar com você, com seu comportamento.

- Eu não quero viver sem você Brad, por favor, não termina comigo. Eu vou morrer sem ti.

- Não Stella, você não vai morrer sem mim.

E naquela noite ela chegou em casa e procurou pela sua lâmina. Sim, ela tinha uma lâmina, aliás, ela tinha que ter, a dor dos cortes era a única coisa que fazia ela realmente se acalmar.

Seus pais geralmente não desconfiavam que ela se cortava constantemente, ela usava mangas compridas e eles não eram o tipo de pais que fiscalizavam os braços da filha, aliás, eles tinham mais com o que se preocupar, eram donos de uma grande empresa de móveis, não tinham tempo livre pra desperdiçar.

Acontece que naquela noite Stella estava transtornada, e acabou deixando a porta do quarto aberta, e a mãe a encontrou sujando o tapete de sangue enquanto fazia cortes horizontais nos braços. Talvez ela quisesse ser encontrada, por isso deixou a porta aberta, precisava que alguém cuidasse dela, precisasse que por alguns minutos pelo menos alguém lhe desse atenção. Stella era esperta, muito esperta aliás, ela não ia “esquecer a porta aberta” à toa. Tudo o que ela fazia tinha motivo, tudo era calculado, ela tinha total controle.

Ou ela pensava que tinha total controle.

Quando alguma coisa saia fora dos seus planos, como aconteceu com o Brad, ela surtava, não sabia o que fazer. Como ele ousou deixa-la? Talvez ninguém realmente a amasse, ela era apenas uma maldita aberração e ninguém nunca iria ama-la.

Afinal, com todos os seus 4 namorados foi assim, eles a chutaram, disseram que não podiam continuar, que não conseguiam aguentar, que não conseguiam entende-la.

- Porra seus malditos! Eu também não consigo me entender, eu também não consigo me aguentar! – Ela gritava enquanto jogava uma garrafa de cerveja longe.

A garrafa caiu lá embaixo e Stella ouviu o barulho do vidro se quebrando.

Ela estava no seu lugar favorito, era o lugar mais alto da cidade, era silencioso, tinha uma estradinha que levava até lá e ela sempre conseguia roubar o carro dos pais para tirar um tempo lá em cima. Dava pra ver o pôr do sol limpo lá de cima. A casa mais próxima ficava há uns 4 km de distância, então ela podia gritar a vontade, ninguém ia ligar.

Ela ficava lá, fumava alguns cigarros, tomava umas cervejas e quando voltava pra casa tudo parecia perfeito e calmo, pelo menos até algo acontecer novamente.

Seus pais brigarem.

Se sentir sozinha.

A TV não funcionar direito.

Ela quebrar algo que gostava.

Chover.

Qualquer coisa, por mínima que fosse, podia fazer tudo desabar.

Devia ser por isso que seus pais passavam tanto tempo fora, eles não aguentavam as crises constantes de Stella, não que eles fossem pais ruins, mas era difícil lidar com tanto drama vindo de uma filha tão rebelde.

Então naquela mesma semana que o Brad terminou com ela, Stella surtou de novo. Viu-o caminhando na rua com outra, talvez fosse só uma amiga, mas ela não se importava. Novamente a porta ficou aberta. Intencionalmente? Ninguém pode dizer, nem mesmo Stella entende o que faz. As coisas acontecem, ela acontece.

- Filha, o Dr. Smith disse que têm uma ótima clínica perto daqui, é destinada apenas para adolescentes. Eles podem te ajudar. – Sua mãe disse a ela enquanto limpava o sangue do seu braço.

- Você me acha louca? – Stella perguntou com a voz chorosa. Ninguém poderia dizer se era mais uma de suas cenas para ter atenção ou se ela realmente se sentia triste.

- Todos temos problemas filha, isso vai lhe fazer bem. – A mãe concluiu e encerrou ali mesmo o assunto.

Até o momento de aprontar suas malas, Stella estava concordando com tudo. Até sorriu pra mãe quando a mesma lhe mostrou panfletos da clínica. Mas talvez com isso ela só estivesse tentando mostrar que era normal e que eles haviam cometido um erro. Mas quando seu pai estacionou em frente a clínica, se virou pra ela e sorriu... Bem, como posso dizer isso? Ela surtou.

- Como vocês podem fazer isso comigo? – Ela perguntava aos pais chorando exasperadamente, fazendo novamente mais uma cena.

- Stella, nós só queremos te ajudar. – A mãe respondia agachada, abraçada a filha que estava jogada no chão.

- Não! Vocês me odeiam, sempre quiseram se livrar de mim. Sempre me odiaram. – Ela gritava a plenos pulmões, queria que todos ouvissem o quanto ela era odiada, o quanto ninguém se importava com ela.

- Calma querida, vamos entrar. – A mãe tentou puxa-la mas ela continuou no chão, deitada, chorando, e gritando.

Até que alguns enfermeiros da clínica notaram a situação, trouxeram uma cadeira de rodas e colocaram Stella sentada ali.

Eles subiram as escadas enormes da entrada carregando a cadeira em três.

Uma entrada dramática e triunfal. Ela até parecia uma rainha sendo carregada por aqueles três enfermeiros, mas ela não merecia menos que isso, ela sofreu a vida inteira, estava na hora de ser recompensada. Mesmo com esses pensamentos em sua mente ela não parou de chorar jogada na cadeira, queria que todos da clínica vissem o quanto ela sofria, o quanto a vida era cruel com ela.

Os enfermeiros a deixaram em uma sala com uma grande TV, pediram para que ela aguardasse que logo um médico iria vê-la.

Que ótimo, estava passando o seu programa favorito.

Ela notou olhares de vários pacientes sobre ela, mas ela não se importou, apenas continuou encarando a TV.

- Olá Stella, bem vinda a clínica psiquiátrica Wonderland. – Um velho com um grande bigode branco lhe cumprimentou.

 - Tá brincando né? – Ela perguntou perplexa. – Wonderland como Alice no País das Maravilhas? – O médico pareceu não entender, então apenas sorriu. – Faz sentido, aliás, nós somos todos loucos aqui. – Ela repetiu a frase do gato de Cheshire e sorriu para si mesma.

Sentia que tinha uma longa jornada pela frente.



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