História Too young to care - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Drama, Drogas, Festa, Originais, Romance, Transtorno
Visualizações 22
Palavras 1.876
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Ivy


Fanfic / Fanfiction Too young to care - Capítulo 3 - Ivy

De pé em cima da cama, com os braços esticados, dançando uma música silenciosa era como Ivy estava, em mais uma das suas viagens. Anne havia feito um preço exorbitante por esse papel em especial. O nome era Alex Gray, Anne disse que era um dos melhores LSD que já havia tomado, deu sua palavra a Ivy de que era LSD puro, mas Ivy não tinha tanta certeza disso. Mesmo assim comprou o doce de Anne, aliás, comprou dois, só queria sair um pouco de órbita mesmo.

Quando Ivy entrou em Wonderland com seus 12 anos de idade, pesando 32 Kg com 1,50 m de altura, eles faziam exames regulares nela, exames de sangue, de urina, de fezes, entre outros, dessa forma qualquer droga que ela ingerisse seria detectada, mas assim que ela ganhou peso, os exames pararam, agora aos 17 anos, pesava 47 Kg e tinha 1, 62 de altura, não era o suficiente para ser considerada saudável, mas era o suficiente para deixarem-na em paz.

Ivy amava o LSD, era uma de suas drogas favoritas, o melhor de tudo é que depois de tomar o doce Ivy passaria um dia inteirinho sem sentir nada de fome. Ela sabia que cocaína tinha o mesmo efeito, mas o ácido te daria uma viagem muito mais encantadora. Naquele dia, sob o efeito de Alex Gray, Ivy ouvia Sweet Dreams do Marylin Manson em seu pensamento, ao mesmo tempo sentia que estava dançando por entre as nuvens, abaixo dos seus pés, bem longe estava a cidade, ela flutuava de uma maneira suave. Em um dos seus lados estava o sol, ele tinha cores intensas e coloridas, os raios de luz a envolviam, enquanto do outro lado estava a lua, ela tinha pontos brilhantes em toda a sua superfície, também tinha várias cores, mas todas escuras, puxando ao preto, brilhava de forma tão intensa quanto o sol, e o seus raios de luz também a envolviam, parecia que os raios da lua e do sol eram o que a sustentavam no ar.

Ivy ouviu uma batida na porta do quarto, quando ela olhou na direção, parecia que a porta flutuava no ar, sob uma nuvem muito densa, tinha a cor de um azul escuro brilhante, ela flutuou até a porta e a abriu, era Stella, elas haviam conversado mais cedo naquela manhã e Ivy a havia convidado para uma visita.

O rosto de Stella tinha uma luz própria, como se ela fosse uma estrela no céu iluminado, talvez Ivy também fosse uma estrela naquele momento. Stella sorriu e percebeu que Ivy estava em uma viagem de ácido, ela perguntou a Ivy se tinha mais um para ela e Ivy fez que sim, não conseguia falar, aquele visual era incrível. Stella observou ao redor e viu por sobre o bidê um pequeno papel, pegou-o e colocou na língua, logo sentiu derreter com a saliva e a gengiva adormecer, meio hora depois Stella flutuava pelo quarto, saindo pela janela e indo até uma floresta luminosa, parecia que era radioativa, tudo naquela floresta brilhava como o neon, as árvores, os animais, até mesmo o vento tinha pequenos pontos que pareciam glitter.

Quando as duas saíram de suas viagens, decidiram ir até o amontoado de árvores no fundo do pátio.

- Porque veio pra cá Ivy? – Stella perguntou sem rodeios quando as duas se sentaram, ela nem mesmo se perguntou se era certo fazer aquela pergunta, mas não importava.

- Anorexia. – Ivy respondeu Stella em um tom monótono, deixando claro que não queria tocar no assunto, mas não era como se Stella realmente se importasse com isso, ela nem mesmo compreendia os sentimentos de outras pessoas.

- Isso eu sei. – Ela zombou. – Quero saber como foi.

Ivy não queria falar, não mesmo, mas Stella tinha um olhar chantagista, e usava das palavras muito bem, quando Ivy percebeu tinha desatado a falar, e realmente não achava que deveria parar:

“Eu tinha 10 anos quando tudo começou, foi cedo, mas comigo tudo acontecia cedo demais, eu beijei a primeira vez com 8, beijei uma garota, ela era linda e 4 anos mais velha que eu, fumei maconha com 10, fiz sexo com 11, cheirei cocaína com 12, e usei LSD, ecstasy, e até baforei o famoso loló com 12 também, eu sei que eu era nova, mas eu sempre andei com um pessoal mais velho, e sempre quis fazer o que eles faziam.

Mas você quer saber da doença, não da minha história, aliás, aqui dentro eu sou apenas uma maldita doença... Eu era gordinha, tinha o corpo bem mais avantajado do que minhas amigas, tinha uma em particular que eu admirava muito, o nome dela era Alex, e eu lembro que ela ficava com quase todos os meninos que conhecia, ela era magra, linda, muito linda, e eu queria ser como ela, queria ser magra e bonita também, como Alex.

Tinha uma voz dentro de mim que me instruía, sempre teve a voz, eu ficava sem comer por dias, e quando comia era um biscoito integral, ou um mísero pedaço de fruta, a maior parte do tempo eu bebia água, e não sentia fome, apesar de sentir uma dor excruciante no meu estômago quase todos os dias, teve alguns dias que eu falhava, e acabava comendo mais do que deveria, mas a comida ficava menos de minutos no meu estômago, ninguém percebia que eu ia ao banheiro e vomitava tudo, ninguém nunca percebeu...

Meus pais só foram realmente notar que eu estava doente dois anos depois, quando eu comecei a ter desmaios, tinha perdido 30 Kg, aquilo era gratificante, e eu não sabia que estava doente, talvez isso nem seja uma doença pra falar a verdade, mas meu médico fica insistindo, e diz que eu tenho que reconhecer, às vezes eu realmente sinto que eu deveria parar de fazer isso, mas quando eu me olho no espelho, e vejo como meu corpo esta bonito, é um sentimento tão bom, eu me sinto bem assim, Matthew tem o costume de me chamar de magrela, ou debochar por eu não comer, eu fico triste claro, mas não sei se eu realmente me sinto ofendida, aliás, agora eu sou bonita, eu sou como a Alex...”

- Caralho. – Stella soltou antes de Ivy terminar a história. E depois riu. Ivy sentiu os olhos lacrimejarem, não deveria ter contado nada a Stella, não precisava de mais alguém para rir da sua história. – Relaxa morena, está tudo bem. – Stella falou depois que parou de rir. Mas porque ela riu? Nem ela mesma sabia dizer, apenas havia achado a história engraçada.

Ivy fumou o cigarro quieta, mais calma depois de Stella tê-la dito coisas como “você não é maluca” e “eu gostei da sua história.

Alguns minutos depois Luke apareceu, pegou um cigarro do muro e logo acendeu. Ele se apresentou a Stella e ela sorriu.

- Todo mundo sabe da existência desses cigarros? – Stella perguntou.

- Só os nossos amigos. – Luke respondeu. – Se você conhece o local, provavelmente foi aceita no grupo.

- Eu nem mesmo sabia que existia um grupo. – Stella realmente não sabia que existia um grupo. Sentia o medo de ser rejeitada pelos que não conhecia revirar seu estômago.

- Você já conhece quase todos. – Ivy entrou na conversa. – Matt, Tyler, Jack, agora conheceu o Luke...

- E tem mais? – Stella perguntou nervosa, o medo da rejeição a consumindo, não conseguia pensar em outra coisa, mas ninguém percebia, aliás, ali todo mundo estava sempre ocupado demais com os próprios pensamentos.

- Tem a Anne, o Jake, que é irmão gêmeo do Jack, aliás... – Luke respondeu pensativo.

- E tem a Mary, mas ela saiu de férias com os pais... – Ivy concluiu.

- A gente pode sair daqui? – Stella perguntou curiosa.

- Se um médico autorizar sim, se seus pais pedirem e eles acharem que você não apresenta nenhum risco a sua vida e aos outros... – A morena respondeu calmamente. Então pegou o celular e viu que hora era. – Eu tenho que ir, está na hora da janta já.

- Pensei que você não comesse. – Stella a olhou intrigada.

Ivy não respondeu, apenas revirou os olhos e foi em direção ao refeitório.

Ela realmente não comia, mas tinha que estar presente, aliás, os enfermeiros notariam se ela nunca aparecesse nas refeições, até porque ela sempre tinha que assinar um papel para provar que estava presente, então ela simplesmente se servia o suficiente, tentava sentar meio afastada, revirava os alimentos no prato por alguns minutos e depois ia até a lixeira e distraia o enfermeiro que ficava parado ao lado da lixeira com qualquer assunto, ela jogava os alimentos fora, deixava os pratos e talheres na pilha de louça e ia embora, sempre dava certo, pelo menos na grande maioria das vezes.

Estranhamente, aquele foi um dos dias que deu errado.

No meio de sua refeição o médico de Ivy apareceu, ele começou a conversar com ela e ela automaticamente tentou distraí-lo, mas ele era esperto e notou que desde que havia sentado ali, a garota não havia colocado nenhuma colher de alimento sequer na boca.

- Melhor eu te deixar comer Ivy, nós podemos conversar depois. – Então a garota suspirou aliviada, pensando que ele iria embora, mas ele apenas escorou o rosto nas mãos e ficou-a observando. Ela sentiu o estômago embrulhar. Droga, ela precisaria comer com ele ali.

Tentou puxar mais alguns assuntos, mas ele não deu conversa, e ela se obrigou a pegar uma cenoura do seu prato e comer, quando começou a mastigar o alimento se sentiu muito, muito bem, fazia três dias que não comia, bebia apenas água, a sensação da pequena cenoura na sua boca era tão boa, que logo Ivy estava comendo os outros vegetais do prato, e arroz, ovo, carne, aquilo estava realmente delicioso. Ela limpou o prato e se levantou para ir embora, despediu-se do médico quando lembrou que o mesmo ainda estava ali.

Quando chegou em seu quarto, Ivy começou a sentir a culpa tomar conta do seu corpo, como ela era estúpida, como ela era burra, correu para o banheiro e colocou o dedo na garganta o mais fundo que conseguiu, até que sentiu os alimentos que a pouco tinha ingerido saírem pela sua boca, ela forçou o vômito até que sentiu que nada tinha restado no seu estômago, até sentir um líquido ardente subir pela sua garganta e sair pela boca e pelas fossas nasais. Por estar cheirando a vômito ela tomou um longo e demorado banho, e depois se deitou para dormir, estava tão cansada, seu corpo parecia fraco demais para permanecer acordado.

Ivy não tinha culpa de se sentir daquela forma, não tinha culpa de fazer aquelas coisas, as emoções que a consumiam eram sempre maiores, e ela nem pensava se aquilo era realmente saudável, aliás, não importava, porque se ela engordasse, odiaria o seu corpo, não conseguiria conviver consigo mesmo, e a morte seria uma melhor opção.

Ela era doente, e realmente não sabia disso, aliás, ninguém que estava ali dentro conseguia compreender seus próprios transtornos, ninguém sequer poderia dizer que estava doente, tudo que acontecia era real, seus sentimentos eram reais, reais demais para serem questionados, não importava qual fosse o transtorno que os médicos diagnosticassem aqueles garotos, para eles nunca faria sentido.


Notas Finais


https://spiritfanfics.com/historia/erupcao-9897694
Gostaria que dessem uma olhada na minha oneshot Erupção.
Até o próximo capítulo, xoxo <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...