História Toujours - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Konan, Pain
Tags Painkonan
Exibições 24
Palavras 625
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drabble, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo único


Amsterdã, a cidade das tulipas, tinha a alcunha errada. Deveria ser chamada cidade dos girassóis, flor favorita de Vincent Van Gogh. O artista renegado em vida que teve em morte o sucesso que jamais imaginara, e o reconhecimento que jamais sonhara, uma amarga ironia. O museu dedicado à sua obra era, não inadvertidamente, cercado por campos infinitos de girassóis.

Naquele fim de tarde, o Museu Van Gogh estava quase vazio. Era fim de um verão quente e úmido, que impregnava o ar de um cheiro de romã que materializava-se a partir do nada. O odor doce, que servia de fundo, mal era notado pela maioria das pessoas; talvez fosse apenas o perfume de alguém, ou suco. O mais importante de tudo não era isso, e estava ao alcance dos olhos.

Assim que os olhares dos dois se cruzaram, puderam compreender-se mesmo não tendo se visto mais que um segundo de início. Estrangeiros podem sempre reconhecer outros estrangeiros, especialmente aqueles de seu país de origem. Diante de ambos, estava uma das obras mais famosas do pintor holandês: Campo de Trigo com Corvos. Essa era uma de suas últimas obras, que representava seu estado de melancolia. Os trigais, de seu querido amarelo-felicidade, estavam sendo engolidos pelo azul-desolação, fenômeno esse que era assistido pelos corvos, os anunciadores da morte. Era uma obra mórbida, a reflexão consciente e resignada da própria mortalidade. Ainda sim... Havia algo ali que parecia contrastar com tudo aquilo, como se os trigais tentassem desafiar por um ímpeto qualquer a vitória certa do bleu.

— Você não tem a impressão de que tem uma certa resistência nessa pintura? — o jovem questionou, olhando para a mulher ao seu lado.

— Como... Como se estivesse tentando se agarrar no tempo que ainda tinha como uma pessoa se afogando se agarra a qualquer rocha que conseguir. É. Acho que entendo. — ela respondeu. Seus olhos estavam concentrados na pintura, com um ar ligeiramente absorto de tão distantes, mas sua voz estava completamente presente.

Houve um momento de silêncio. Pain observou o único girassol que ela trazia em mãos, em um pequeno vaso de barro que era bastante novo. Aos visitantes era permitido levar quantas flores quisessem, e muitos levavam buquês inteiros, e não um único tournesol como aquele. Percebendo a curiosidade do companheiro desconhecido, a garota resolveu se explicar: — As pessoas levam buquês, mas eu só preciso de um, para plantar.

— Entendo. Mas tenho certeza de que existem muitos desses no Japão, não precisava se dar ao trabalho de comprar um vaso e transportá-lo num avião.

Konan sorriu, como se aquela pergunta fosse simplesmente ingênua demais. — É claro que eu posso, mas serão girassóis de Tóquio, esse não. É um girassol de um museu dedicado a um dos maiores pintores da história da Arte, que influenciou as vanguardas e o Modernismo, trazido do outro lado do mundo, praticamente. Estou levando uma conexão com alguém que morreu há tantos anos e que eu tanto admiro. Não é a mesma coisa.

Talvez aquilo fizesse mesmo muito mais sentido do que a lógica habitual. Havia um certo charme nessa peculiaridade que fugia à lógica da praticidade que parecia muito mais genuíno do que todas as besteiras prepotentes e pretensiosas de muitos. Isso porque era, ele pensou, sincero. Aquela pequena reflexão foi como uma fagulha, desencadeando pequenas-infinitas epifanias na cabeça daquele garoto punk japonês que tanto destoava do ambiente. Ambos destoavam, na verdade, tão estranhos como aquele a quem o museu era dedicado. Olhou novamente para a pintura. Corvos também eram animais extremamente sábios.

— Sabe, acho que esse talvez seja um desses momentos divisores de águas na vida... — Pain murmurou, dando de ombros — Está sentindo esse cheiro de romã?

— Estou. Faz pelo menos uns quinze minutos que estou tentando descobrir de onde vem... — ela respondeu.


Notas Finais


"Toujours", título da fic, significa "sempre" em francês. Bem, eu gosto de arte, e nem preciso dizer que amo esse ship, então... :v

Quando digo que esse ship está >literalmente< consumindo minha alma ninguém acredita... Não sei como tive forças de escrever isso aqui e não dormir em cima do teclado, açs~slsjs.


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