História Traga-me as estações - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Jihope, Jiseok, Kim Taehyung, Min Yoongi, Suga, Sugav, Taegi, Vga, Vmin, Vsuga
Exibições 120
Palavras 2.403
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


AS PROVAS ACABARAM
VAMOS GLORIFICAR DE PÉ, IRMÃOS
ainda tem alguns trabalhos pra entregar, mas não quero acabar com a minha felicidade lembrando disso
tá acontecendo tanta coisa que eu tô ficando perdida
BTS vem pro Brasil, então me diz, pra quê aniversário de 15??? As negociações com a minha mãe estão fluindo u.u
Eu tô escrevendo muita de uma só vez pq tô com pressa, provavelmente essas notas não vão fazer sentido algum, então relevem qualquer idiotice que eu disser. Bom, eu espero que se lembrem do capítulo anterior, principalmente do que o pai do Tae disse, e de um personagem que teve algumas aparições nos primeiros capítulos, mas que daqui pra frente vai ter mais interferência na história.
Acho que só... enfim, perdoem toda essa demora e tenham consciência de que eu fiz todo esse capítulo de uma só vez, por isso pode estar um pouco confuso :/ qualquer coisa dou uma revisada
Boa leitura!

Capítulo 11 - Eu sou igual a ele


      Levei o quinto copo à boca, engolindo de uma vez o líquido quente e, ao menos para mim, nojento, formando uma careta pelo gosto horrível que parecia corroer rapidamente minha garganta.

     Se algum dia já se passou pela minha cabeça Kim Taehyung num bar qualquer, sentado em um dos bancos frente ao balcão pedindo por mais de uma bebida alcoólica que mal conhecia, eu pensaria estar louco, mas naquele instante o universo resolveu contrariar o óbvio.

     Pense bem. Se você estivesse desesperado, sem aquilo que costumava lhe fazer bem e, de alguma forma, saber que tudo não passa do sufocante fato da culpa pertencer apenas a você, o que faria? Bom, caso seja alguém confiante estaria correndo atrás do que realmente importa ou tentando recomeçar. Mas se for igual a mim, fraco demais para qualquer atitude construtiva, se perderia no caminho mais fácil para esquecer todas as complicações.

       Como já estar pedindo o sexto copo de vodka pura para o atendente.

      Nem sei ao certo como fui parar naquele lugar, apenas me vi entediado e com uma forte insônia em plenas 3 da madrugada de um domingo. Levantei, vesti um conjunto de roupas qualquer e em menos de dez minutos já estava vagando pelas ruas escuras de Seul, sem qualquer pensamento de recuo. E foi no silêncio da noite que a oportunidade perfeita de todas as lembranças corrosivas invadirem minha cabeça e bagunçarem tudo que eu tentava manter organizado apareceu. Então eu parei, olhei para os lados e vi esse bar meia boca recheado de pessoas desconhecidas. Lembrei de uma vez, talvez há pouco menos de um ano atrás, que olhava para Jimin se embebedando como se não se importasse com a existência dos próprios limites, indignado com a cena e perguntando o motivo de tanto exagero.

      "- Nunca ouviu falar em ‘afogar as mágoas’?”

        E, naquela madrugada, fazer o mesmo não me pareceu má ideia.

       Dei o último gole do que restou da bebida amarga no copo, contorcendo o rosto e balançando a cabeça pela reprovação do sabor. O gosto era horrível, isso eu nunca discordaria. Mas a sensação era leve. Eu me sentia aberto, afinal. Sem medo algum de expressar o que me atormentava ou dizer a primeira coisa que viesse à cabeça. Não era a solução dos meus problemas – longe disso -, entretanto, era bem melhor do que quando estava totalmente sã.

       Olhei para o copo vazio com um dos olhos fechado, examinando o pouco vestígio da bebida que restou. Frustrado, grunhi e bati a base do copo diversas vezes no balcão, chamando a atenção do atendente que, até então, enxugava algumas taças com um pano branco.

       - Mais um – formei um bico infantil, um tanto irritado.

       O rapaz deixou uma das taças em cima do balcão, alternando o olhar para mim enquanto secava as mãos no pano que utilizava anteriormente.

       - Perdoe a pergunta repentina, mas o senhor tem certeza que consegue pagar tudo o que consumiu até agora?

       Revirei os olhos.

       - E te interessa? Apenas encha a merda desse copo! – exaltei-me. Poxa, eu só queria beber. Era pedir demais?

       - Senhor, eu preciso saber se-

       - Me dê mais!

       Ele suspirou pesado, deixando explícita sua falta de paciência para lidar com clientes bêbados, e um tanto infantis, como eu me encontrava agora.

       - Vou pedir que ao menos se controle, tudo bem? – pôs a mão na testa, coçando sem necessidade a própria tez, como um mecanismo para evitar o stress – O senhor tem ou não dinheiro suficiente para pagar o que já consumiu?

        Revirei os olhos mais uma vez, desistente. Tateei os bolsos da calça jeans, já imaginando que, pela pressa ao sair de casa, não encontraria nada, muito menos a minha carteira.

       - E então?

       - Eu... – de súbito minha cabeça parecia ter entrado num percurso giratório involuntário, me fazendo apoiá-la nas mãos e soltar um resmungo por ser obrigado a formular uma resposta valha numa situação como aquela – Eu esqueci a minh-

       - Eu pago para ele.

       Apesar da dificuldade em focar o olhar em algo, ergui a cabeça e me deparei com o dono da voz, fazendo uma careta involuntária e desejando imensamente que tudo fosse apenas uma alucinação idiota.

       O garoto sentou no banco ao meu lado e pediu que o atendente enchesse o copo que eu tanta insistia antes. Continuei fitando-o com uma expressão boba, tentando imaginar um motivo sequer de aquela criatura estranha estar fazendo um favor para mim, sem mais nem menos.

       - Vem cá, quem pediu a sua ajuda? – falei meio embolado, vendo um sorriso surgir nos lábios alheios.

       - Um simples “obrigado” seria bem-vindo – soltou uma risada soprada – Kim Taehyung, certo?

       - A princesa do time de basquete da escola sabe meu nome? – foi minha vez de rir, mas na tentativa de soar debochado – Afinal, Jungkook, o que uma criança como você faz num lugar desses?

       - O mesmo que você – pegou um dos copos com a bebida que o garçom trouxera, levando este à boca e oferecendo o outro para mim.

       - Isso é sério? – aceito, já dando o primeiro gole com certo desespero, arrancando uma risada alta do mais novo – Quantos anos você tem, pivete?

       - Não vem ao caso, TaeTae – quase cuspo a vodka quando ouço meu apelido intimo ser pronunciado, ironicamente, pelo garoto – Não precisa ficar assustado. Yoongi me contou muito sobre você.

        Estático.

        - Y-Yoongi? – solto uma risada sem humor – O que sabe sobre ele?

        Vejo um sorriso contornar seus lábios cheinhos, como se estivesse se divertindo com a minha confusão.

       Criança maldita.

       - Eu e o Yoongi hyung somos amigos. Bom, nós conversamos ás vezes – pigarreia por um instante, pressionando as sobrancelhas como se procurasse a palavra certa para descrever seu relacionamento com o rosado, suspirando derrotado – Pouco importa agora, eu gostaria mesmo de saber o que você e ele são.

       Respiro fundo e fecho os olhos para poder respondê-lo sem que as lembranças do que acontecera da última vez afetassem o tom da minha fala.

       - Nós éramos amigos – brinco com o pouco líquido que restou no copo, desanimado – Éramos bem próximos para ser exato, mas eu acabei fazendo algo que não devia e ele resolveu se afastar, simples assim.

       Ele entreabriu a boca apenas para soltar um “ah” compreensivo, entendendo que aquele estava sendo um assunto delicado para ser tocado. Não sei o que me veio à cabeça para dizer qualquer coisa a ele. Naquele instante eu não ligava para mais nada.

       Não havia mais nada com o que me importar.

       - Yoongi tem o costume de se fazer de durão – comentou, examinando a minha fisionomia esgotada com os olhinhos negros – Mas sempre teve medo de muitas coisas, muitas mesmo, e eu acho que talvez você seja uma delas, Taehyung.

       Ergo uma sobrancelha, confuso.

       - Como assim?

       Ele abre a boca, mas fecha logo em seguida, balançando a cabeça em negação.

       - Não sei se deveria, ele me fez prometer. Além disso, você está alterado. Se eu te contasse poderia se esquecer quando acordasse e isso não mudaria nada – Jogo a cabeça para o lado, sem compreender uma palavra sequer que saía da boca daquele pirralho – Não precisa entender, apenas não se preocupe - ele sorri amigável, trazendo um alívio confortante no meu peito – Ele vai voltar.

 

 

 

*****

 

 

 

       Não passei sequer mais um minuto lá depois da conversa rápida com Jungkook. Falar sobre Yoongi fez os problemas causados pelo álcool piorarem. Minha cabeça pulsava dolorida e meu estômago, embrulhado desde o primeiro copo, ameaçava se livrar da bebida em qualquer mísero movimento.

       Talvez eu não tivesse noção de como estava sendo forte, de como estava tentando suportar a dor e provar a mim mesmo de que era capaz de passar por tudo sem chorar uma só vez. Talvez eu tivesse criado a minha própria muralha, com muitas rachaduras se devo ressaltar, me impossibilitando de demonstrar o meu abalo emocional mesmo com tantos acontecimentos. Poderia ser estúpido, mas ela estava funcionando.

       Certo?

       Abri a porta de casa que nem dei o trabalho de trancar quando saíra. O ruído agudo ressoou pela sala quase deserta e acabei por estranhar o primeiro feixe de luz vindo de dentro, diferente da escuridão que esperava encontrar. As luzes estavam acesas, as almofadas e alguns pertences pessoais jogados pelo chão, e a minha mãe de pé, me encarando intensamente com o olhar exausto e os fios de cabelo bagunçados.

       Minha respiração se descompassou.

       - Onde você estava? – indagou alto demais, a voz rouca como quem acabara de acordar – O que estava fazendo?

       Certo?

       - E-eu... – deixei que os braços pendessem nas laterais do meu corpo, um pensamento sequer em mente.

       Em meio a tantos problemas me alfinetando impiedosamente de todos os lados, tanta perda, tanta ausência, nunca imaginei em uma possibilidade de amenizar isso. E não parei para pensar em algo que sempre desejei e que poderia me servir de escudo naquele momento.

       Amor materno.

       E foi aí que minha muralha se partiu.

       Percebi o início do marejar dos meus olhos e o engasgo na minha garganta, prejudicando a visão explícita que eu possuía a mais velha a minha frente. Eu ainda sentia o gosto do álcool na minha própria saliva. Era asqueroso. Mas eliminei quaisquer pensamentos de por para fora essa repulsa dentro de mim.

       Ela me encarava com desgosto, repugnando com o olhar todas as minhas ações inconscientes.

       Não me pergunte por que, apenas não consegui conter o choro. Independente do quão infantil eu parecia, só sentia a obrigação de deixar tudo que estivesse causando aquela dor de cabeça escorrer de mim, como se fosse se dissolver com uma choradeira imatura.

       - Diga logo, Taehyung! – exasperou, cerrando os punhos – Eu quero ouvir dessa sua maldita boca!

       Apoiei uma das mãos no sofá próximo e com a outra apertei meu estômago que parecia rejeitar cada vez mais o líquido que o queimava. Olhei a mais velha de cima a baixo enquanto tentava, inutilmente, conter as lágrimas que já cediam por minhas bochechas.

       - Eu bebi! – alcancei o mesmo tom de voz dela, confrontando-a – Eu bebi e sabe por quê? – sorri cínico, debochando mentalmente do seu semblante reprovador – Por que eu não suporto mais essa merda! Não suporto mais você, não suporto mais essa casa, não suporto essa maldita confusão na minha vida! – Meu rosto umedece com mais intensidade a cada palavra dita – É tudo culpa dele! É culpa dele, mamãe – senti meus músculos fraquejarem - Por favor, me ajuda.

       Mal percebi quando havia ajoelhado no chão ao perder toda força que me mantinha em pé. Podia sentir as lágrimas molharem minhas mãos que serviam de apoio no piso escuro para deixar-me, pelo menos, naquela posição, olhando suplicante para a mulher serene a minha frente.

       - “Dele”? – o tom grosseiro causou-me calafrios – Está falando daquele seu amiguinho de cabelo cor-de-rosa?

       - Eu odeio ele, mamãe – murmurei alto o bastante para que ela ouvisse – Eu não quero mais sentir isso. Eu não quero gostar de um garoto. Eu não quero, não quero, não quero! – pendi a cabeça, perdendo a visão contemplada que tinha dela, soluçando múltiplas vezes enquanto as lágrimas banhavam meu rosto – Por favor, mamãe. Faz isso parar.

       O desespero se tornou algo inevitável. Fechei uma das mãos com força, fazendo com que meus dedos amarelassem ao cerrar o punho, para em seguida socar o piso amadeirado da sala, como se a ação fosse capaz de sanar todo o maldito peso de culpa que fui obrigado a carregar.

       - Você... – ergui a cabeça, deparando com os olhos ameaçadores dela – Você é igual a ele!

       - Mamãe...

       - Cale a boca! – bateu o pé com força no chão, me fazendo estremecer – Eu devia ter adivinhado... Eu devia ter tomado as atitudes necessárias! Você é meu filho, e eu não vou admitir que seja igual a ele!

       - Para... – supliquei, abaixando a cabeça novamente.

       - Você acha mesmo que seu pai me abandonou para se casar com uma mulher? – cerrei os olhos ao perceber a fúria em cada palavra que ela dizia. Meu coração palpitava histericamente, eu queria gritar, queria chorar. Eu queria ter me lamentado às escondidas, sem ela por perto – Você acha que foi por uma mulher, Taehyung?

 

       “- Por isso muitas vezes nos sentimos obrigados a nos esconder e evitar as consequências, entende?”

 

       - Eu não quero ouvir – pressionei ainda mais as pálpebras, tentando conter os resquícios do meu desespero que deslizavam em abundância.

       - Eu te criei bem longe dele para te poupar de ver o que ele havia se tornado – podia sentir o rancor amargar cada palavra sua – Eu abomino a pessoa que ele é hoje e com quem ele está. Prometi a mim mesma que me distanciaria de qualquer um que fosse como ele, mas olhe só para você... – o ranger dos dentes dela era audível, fazendo-me encolher o corpo por puro medo - Você é igual seu pai!

 

       “- O senhor está resfriado?

       - Não, Taehyung – suspirou pesadamente, observando o cair ligeiro das gotas – Mas eu tenho medo de ficar. Talvez um dia você me entenda”

 

       E eu finalmente entendi.

 

        - Por favor, para! – caí no chão ao me sentir incapaz de continuar resistindo, abraçando o próprio corpo enquanto soltava soluços de pura derrota e vulnerabilidade pelos quatro cantos da sala. Eu me sentia inútil, ridículo.

       Eu me sentia errado.

       Fungava diversas vezes a procura do ar necessário para continuar demonstrando tudo o que sentia em um choro idiota e desesperado. Apertava ainda mais os braços contra o corpo, cravando as unhas na pele frágil dos meus braços.

       - Vá para o seu quarto e arrume suas malas – disse simplista, como se a raiva que havia adquirido segundos atrás tivesse se esvaído.

       Tentei engolir o choro e suavizar a tensão corporal, mas um grande engasgo acabou me impedindo de levantar do chão e caminhar até o cômodo que a mais velha ordenou que eu fosse. Passei a palma das mãos pelo rosto úmido para secá-lo, percebendo que as mesmas tremiam descontroladamente.

       - Me perdoe...

       - Eu não quero seu perdão, quero que vá embora da minha casa – foi sua última fala antes de subir pelas escadas e desaparecer de vista, sem abrir espaços para que eu terminasse de falar e descobrir que não era ela a quem me referia.

       Tornei a me jogar no chão, chorando, dessa vez, silenciosamente, acusando-me de toda aquela confusão, sabendo que o pedido repetitivo de desculpas feito naquele momento seria em vão.

       - Me perdoe, appa...


Notas Finais


Desculpem por isso...
Vou tentar ser o mais rápida possível pra atualizar, okay? Não atirem pedras em mim ;-;
Obrigada por ler até aqui, beijinhos!


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