História TransBoy - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Fifthharmony, Ftm, Transexual, Transgender
Exibições 97
Palavras 2.022
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu falei que ia postar na sexta, mas esqueci de falar qual sexta, e esqueci também que na sexta, nessa semana em que eu ia postar, vou estar ocupado all day ;-;
Então pra me redimir, vou postar agora já que estou com tempo livre e segurando capitulo pronto (maldade, né).

Okay. Boa leitura a todos e espero que gostem.

Capítulo 10 - Capítulo 9


 

 

Eu levantava e baixava os pés no ritmo da música que vinha dos meus fones de ouvido. A sala de espera de Sophia era sempre bem organizada e a secretaria estava sempre com os olhos na tela do computador fazendo qualquer coisa que não me é de interesse saber. Alice, tinha o costume de manter o silêncio ali, talvez por esse motivo meus fones de ouvido sempre me acompanharam nos momentos que chamo de “pré Sophia choque”. Sophia é praticamente meu tratamento de choque, não importa o quão minha mente estava cheia de coisas, eu sempre saio mais leve de dentro de sua sala.

Não foi assim no começo, sabe. Lembro que em nosso primeiro encontro eu estava sob efeito de um super calmante e completamente furioso por não estar consciente o suficiente para dizê-la que estava bem e não precisava estar ali. um super engano! Mais do que nunca eu realmente precisava estar ali. Nas duas das quatro primeiras sessões de reconhecimento, eu me mantive calado, os remédios me deixam lento, calmo, com sono, mas a paciência da mulher de cabelos longos e negros era e continua sendo gigante. Enquanto eu apenas olhava o ponteiro do relógio querendo fugir, Sophia mantinha seus olhos em mim, me dando o meu espaço, o meu tempo para confiar nela. Foi então que apenas na terceira consulta eu consegui falar algo, nada muito importante, mas reclamei sobre os remédios e ela prometeu conversar com meu psiquiatra sobre isso, e no prazo de três dias, eu estava recebendo uma nova receita. Aquele foi o início de uma excelente relação profissional/cliente.

Hoje eu consigo ter um controle maior do meu psicológico, mas muito falho e é justamente por isso que estou aqui. O que muitos não fazem ideia é que, com a TH, ou apenas T, o hormônio masculino que injetamos no nosso organismo para a redesignação física de gênero, as mudanças não param somente aí. São mudanças físicas, fisiológicas e psicológicas. Sem o acompanhamento devido, uma leve depressão pode se tornar uma grave depressão com o tratamento hormonal, a ansiedade pode aumentar, e de repente você desperta em um limbo infinito de sentimentos e sensações horríveis.

Sophia tem me ajudado muito, mas um acontecimento recente me encheu de ansiedade e eu praticamente sufoquei. A crise de pânico me atingiu como uma enxurrada e dolorosa como um tiro à queima roupa.

Eu estava no Central Park com Ariana e minha mãe neste final de semana, e como de costume estávamos fazendo nosso piquenique do mês quando ao longe avistamos Harry e mais um cara que fiquei conhecendo depois caminhando em nossa direção. Até então nada de mais, nossas conversas fluíam de vento em poupa, mas como dizia minha abuela: “felicidade de pobre dura muito pouco”, levou apenas dois segundos para que tudo viesse a desandar. Harry, Niall e eu fomos em busca de mais uma garrafa de água mineral já que a nossa havia acabado, quando esbarramos em um grande infeliz. Clark corria segurando uma bola de futebol americano debaixo do braço e o movimento seguinte me levou de encontro ao chão. Harry e Niall furiosos, me ajudaram a levantar, mas cinco segundos depois lá estava toda a minha agonia e desespero com o que sairia da boca daquele indivíduo. Não tardou para que ouvíssemos um: “Ops, me desculpe Camilinha. Peço perdão, minha mãe me ensinou que é feio bater em mulher, sinto muito ter esbarrado em você”. Juro, dessa vez foi por muito pouco que não o chamei de hipócrita e lixo humano. Harry tomou a frente da situação assim como Niall logo se pôs ao nosso lado de prontidão.

Satisfeito com a exposição feita, Clark sorriu e caminhou na direção contrária, voltando para o grupo de amigos não muito longe.

Harry nada disse; muito menos Niall, então continuamos nosso percurso até o carrinho de vendas, mas o estrago já estava feito, a crise de pânico me consumiu no exato momento em que Harry, cautelosamente, fez a seguinte pergunta: “Quem é Camila afinal de contas? É sua irmã gêmea ou algo do tipo?

Não tenho vergonha de dizer que sou homem trans. Eu tenho medo, mas meu medo é sofrer muito mais preconceito e agressões do que já sofro normalmente desde o High School. Mesmo conhecendo a índole de Harry, sabendo que jamais aquele garoto seria capaz de me agredir ou ser preconceituoso, eu entrei em parafuso emocional. O ar passou a me faltar nos pulmões, meu corpo ficou gelado e trêmulo e se não fosse pelos olhos treinados de Niall, quase formado em psicologia, o ataque teria sido considerado pelos paramédicos como um ataque de asma e não de pânico. Harry teve de correr ao encontro de minha mãe e Ariana quando meu corpo perdeu as forças e sucumbiu ao medo. Niall foi paciente e usou de todo seu conhecimento fazendo com que meu estado de pânico fosse tranquilizado razoavelmente até a chegada da duas mulheres com Harry. Não participei da conversa que se deu após o momento em que consegui recuperar o controle, um par de horas depois, mas nesse dia Harry e seu amigo, ficaram sabendo que sou um homem trans e pela primeira vez, minha mãe soube da existência de Clark e pela primeira vez, fomos a uma delegacia prestar queixas.

Mas eu já sabia o resultado daquela ação: Nada.

Ao darmos entrada no boletim de ocorrência, o oficial sorriu e disse que aquilo era apenas intriguinhas entre jovens, nada demais e até mesmo que transfobia não era crime. Sequer levou em conta as agressões sofridas um ano atrás tendo em vista que eu não tinha como provar nada. Nem preciso dizer que meus novos amigos e minha família, incluindo minha namorada, ficaram possessos de raiva com aquilo, certo? Pois bem. E foi exatamente assim que acabei tendo que vir, cinco dias antes do combinado, encontrar com Sophia.

 

~x~

Entrei na Starbucks e fui direto ao caixa fazer meu pedido. O tempo tinha virado consideravelmente quando saí do consultório de Sophia, sendo assim atravessei a rua e caminhei por dois quarteirões tremendo de frio atrás de um lugar pra comprar uma boa bebida quente e marquei de encontrar com Ariana por ali. Assim que fiz meu pedido, procurei por uma mesa à janela e me sentei. Nos fones Two Door Cinema Club, o solo de guitarra inicial da música Sun e então uma bolinha de casacos passou pela porta de entrada bem próximo a mim.

– Lauren? – a chamei reconhecendo de imediato fazendo-a virar imediatamente para onde ouviu seu nome sendo proferido.

– Carlos?! Hey você! – sorriu se aproximando.

– Hey! – falei tirando meus fones ao que a garota sentou na cadeira de frente a minha na mesa.

– Perdido por aqui? – perguntou ainda sorrindo.

– Ah, não. Eu estava me consultando aqui perto e vim esperar Ariana enquanto tomo algo quentinho pra me aquecer.

– Oh! Entendi. – a menina de cabelos escuros e olhos verdes se desfez do enorme casaco e cachecol colocando ao lado de sua cadeira uma enorme sacola que não vi muito bem.

– E você, perdida por aqui? – perguntei continuando a conversa.

– Mais ou menos. Eu vim encomendar um bolo de presente para o aniversário de casamento dos meus pais na Carlo’s bakery logo ali embaixo, então Mani me ligou e combinamos de nos encontrar aqui na Starbucks mais perto, mas essa vaca disse que passaria para me buscar já que comprei uns doces a mais pra devorarmos na praça da wall street 43 – sorriu sapeca com a confissão me levando junto. – Mas até agora nada e me sinto perdida com todos esses doces para comer.

– Ah, agora compreendo o porquê de ter um pouco de açúcar de confeiteiro no canto da sua boca. – apontei rindo e a garota a minha frente explodiu em uma gargalhada contagiante. – E quanto aos doces, eu poderia me oferecer pra comê-los com você, mas com certeza eu os comeria todos e não deixaria nada.

– Que horror, Carlos! Se eu não soubesse que Dona Sinuhe te alimenta muito bem, eu poderia jurar que você passa fome em casa. – apontou e logo riu com aquela risada de bebê tão fofa que dava vontade de apertar aquelas bochechas pálidas.

– Sou um jovem em fase de crescimento, mulher. Tenha dó de mim! – brinquei.

– Tenho dó sim, mas do bolso da sua mãe com as compras do mês. – riu.

– Que exagero, Jauregui.

– Exagero nada! Pensa que não vi você e o seu amigo devorando três hambúrgueres outro dia? – acusou.

– O que? Como? Onde?

– Ah, então, eu estava passando de carro ali por perto do Museu de Artes para Crianças e os vi com vários pratinhos comendo em um carro de lanche.

Minha boca se abriu em um “Ah, verdade” e então comecei a rir com as lembranças desse dia. Havíamos apostado com Ralf, um bro de Nick, algumas manobras e quem conseguisse executá-las com perfeição poderia comer três porções do hamburguer do Zac na esquina da Greenwich com a Charlton street. Como eu estava com fome, deixei de fora a informação de que aquela manobra era moleza pra mim, e acho que Nick também ocultou essa informação, então no final das contas, Ralf acabou pagando nossas porções de hambúrgueres. Lauren ainda ria a minha frente como se tivesse me pego no flagra, então foi automático, peguei a luva de copo do meu chocolate quente e joguei na menina a minha frente.

– Que brutalidade. – brincou.

– Experimente andar de skate por quatro horas seguidas sem parar, você estaria com uma fome de dinossauro. – apontei pra garota que ainda ria.

– Deuses me livrem! Se eu por os pés em cima daquela coisa, com toda certeza caio de bunda no chão no minuto seguinte.

– Claro que não! – contestei. – Você só precisa manter o equilíbrio e deixar fluir.

– Há! Manter o equilíbrio. Como se fosse fácil, Cabello. Alô? Dinah me derruba em menos de um segundo e você acha que euzinha em cima de uma tábua, com quatro rodas super potentes com seus rolamentos prontos para correr, dura quanto tempo em pé? – eu iria me pronunciar, mas ela me cortou. – Não responda, eu respondo por você. Euzinha iria ao chão na metade de um milésimo de segundo. – finalizou buscando sua sacola de doces e tirando de lá de dentro uma caixa de rosquinhas. – Agora fique caladinho e me ajude a comer essas delícias aqui.

Se eu ri será se serei agredido? Por via das dúvidas melhor não arriscar. E então tive uma grande ideia.

– Lauren, o que você acha de aprender a andar de skate? – perguntei e dei uma mordida na rosquinha escolhida por mim e, por Deus, como esse pessoal da Carlo’s Bakery conseguem fazer essas divindades? Meu estômago até gritou em felicidade por experimentar algo tão delicioso no dia de hoje.

– Você é surdo ou apenas se finge? Qual parto do “Euzinha iria ao chão na metade de um milésimo de segundo”, você não entendeu ou ouviu? – perguntou com a boca ainda cheia me fazendo segurar outro riso de sua expressão indignada bochechuda.

– Ué, eu sou um bom professor. Juro! Ariana aprendeu e até mesmo sabe fazer um bom flip, tudo graças ao professor Cabello aqui. – fiz minha melhor expressão de “sou confiante” e Lauren caiu na gargalhada outra vez.

– Carlos, qualquer dia você poderia tentar a carreira de comediante. De tão sem graça você chega a ser muito engraçado. Você e Dinah poderiam ser uma boa dupla de comédia.

– Na verdade, vocês duas poderiam ser uma excelente dupla de comediantes. Já perdi as contas das vezes que sai com o abdômen doendo de tanto rir das duas. – confessei sem medo de levar um tiro de raio laser de Lauren.

– Ha, ha, ha. Muito engraçado o senhor.

– Mas falando sério, Laur, eu ensino você a andar de skate e você pode me pagar com doces como esses. – retomei o assunto pegando outra rosquinha, dessa vez uma com creme de amendoim.

– Hmm… É uma proposta tentadora, admito, mas prezo pelos meus ossos sem fraturas e todos saudáveis. – apontou sua rosquinha em minha direção em ameaça.

– Te enrolarei em um colchonete, aí ficará cem por cento segura, confie. – brinquei e lá estávamos rindo sem parar mais uma vez.

 

 


Notas Finais


O que acharam?
Ah, sobre o capitulo 10, vou postar no domingo de noite, ok? Ok.
Até Domingo <3


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