História Transexual: A história de Emma Swan. - Capítulo 5


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Emma Swan, Fa Mulan, Lacey (Belle), Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sidney Glass, Tinker Bell, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Fic G!p, Regina Mills, Swan Mills, Swan Queen, Swen, Transexualidade, Transsexualidade
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Palavras 3.285
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Fluffy, Orange, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


- Boa leitura!!!

Capítulo 5 - Um agradável passeio com Emma Swan.


Fanfic / Fanfiction Transexual: A história de Emma Swan. - Capítulo 5 - Um agradável passeio com Emma Swan.

[Regina]

Passou uma semana desde que David e eu visitamos a mansão de sua mãe juntos pela primeira vez e cá estamos novamente.

Não vejo a hora de reencontrar Emma, pois passamos os últimos dias trocando mensagens e descobrindo novas coisas em comum. Combinamos, inclusive, fazer um passeio por pontos turísticos de Boston que ambas apreciamos.

À priori, David não reagiu muito bem ao saber que na semana anterior conversei com ela quase todos os dias.

Quando falei do passeio que faremos juntas, ele quase enfartou, dando chilique. Mas, relembrei da ameaça que fiz no último final de semana e, mesmo contrariado, resolveu ser mais razoável. Durante a nossa saída, ele pretende ir com o pai a um jogo do Celtics.

Como da vez anterior, fomos recepcionados por Margaret, que nos saúda com cortesia, embora friamente. Ela está mais uma vez elegantíssima em seus trajes impecáveis.

Logo após as saudações corteses, não me contenho e pergunto por Emma, mas tento não demonstrar muito a minha ansiedade.

No entanto, noto que tanto Margaret quanto meu namorado ficam incomodados com a súbita pergunta. Presumo que por motivos diferentes: ele por ciúmes e ela por ter chamado “seu Eric” de Emma.

A sra. Braun pigarreia um pouco, claramente para disfarçar o desconforto e, recobrando a pose altiva, responde secamente: – Eric está no estúdio trabalhando.

Como a resposta dela soou meio ríspida, fico calada e apenas desejo intimamente que Emma apareça logo na sala. Enquanto isso, observo-os conversando e, vez ou outra, sorrio parecendo interessada no que falam, mesmo meu pensamento não estando neles.

Dali a pouco, Jefferson e Tina chegam unindo-se ao grupo. Como são duas pessoas mais simpáticas e agradáveis, resolvo me distrair passando a interagir com o casal, ao mesmo tempo em que David segue conversando com a mãe, falando sobre seu desejo de, no futuro, abrir uma clínica em Boston.

Apesar de agora estar mais envolvida com o papo deles, de vez em quando, olho disfarçadamente para a porta da sala onde estamos, querendo que ela se abra e uma loira alta e bonita nos brinde com sua encantadora presença.

Ao lançar um desses olhares esperançosos para a porta, vejo-a abrir e imagino que meu desejo será realizado. Mas, na realidade, quem aparece é o mordomo, Sr. Glass, que se dirige, um pouco nervoso, à dona da casa.

– Senhora, “E” se machucou e está sangrando um pouco. Pediu-me para não avisá-la, só que fiquei preocupado e achei melhor fazê-lo – explica, com a postura formal típica da função que ocupa, e deduzo que “E” só pode ser Emma, embora não saiba por que ele a chama assim.

Após sua fala, a expressão de Margaret muda radicalmente, adquirindo um ar apavorado.

– Peço tanto para Eric não manusear objetos cortantes... Ele tem um tipo raro de sangue – diz, como se estivesse explicando o motivo de sua angústia – Ainda bem que David está aqui para doar, se for necessário – acrescenta, um pouco mais relaxada, olhando para meu namorado.

Apesar de ficar apreensiva também, imagino que o caso não seja para doação de sangue. E seu exagero me faz lembrar o que Emma falou sobre ela perder a compostura e a linha quando o assunto são os filhos.

Imagino que os outros também pensem assim, mas talvez contagiados pela aflição de Margaret, seguimos todos para o quarto em busca da “acidentada”, já que Sidney nos informou que a encontraríamos lá.

A matriarca da família abre a porta do dormitório sem bater, adentrando no recinto feito um furacão e nós espelhamos sua ação, embora mais comedidos.

Olha em todo o quarto e, por não ver “seu Eric” em nenhum dos lados, indaga, aos berros: – Meu filho, cadê você?

– Calma, mamãe... Estou no banheiro! – ouvimos a voz de Emma por trás de uma porta lateral, que é aberta em seguida.

Quando sai, ela está vestindo uma saia e apenas o sutiã na parte superior, deixando à mostra o abdômen definido.

Ela claramente fica constrangida ao perceber que sua mãe não é a única pessoa que está ali. Seu olhar se encontra com o meu e noto o rubor se espalhar ainda mais pela face.

Rapidamente pega uma blusa que está sobre a cama, cobrindo seus seios fartos e bonitos e virando-se para Margaret a recrimina, irritada: – Mãe, precisava ter abalado meio mundo por causa de um corte? Por isso, pedi a Sidney que não te dissesse nada! – conclui, dedicando-lhe um olhar de censura.

Mas percebo que a mais velha não se incomoda com a reprimenda quando ela retruca: –Ele agiu corretamente... Você poderia ter se esvaído em sangue! Onde está a blusa que vestia antes? Deve estar toda ensanguentada para precisar trocá-la – sublinha, quase sem respirar, aproximando-se da filha – Mostre-me o corte! – ordena, autoritária.

Emma revira os olhos, antes de levantar o braço, exibindo uma perfuração relativamente profunda, mas que não justifica tanto pânico, como eu já suspeitava.

Percebendo que ela não corre risco, começo a me divertir ainda mais com a situação, principalmente quando Margaret se dirige a meu namorado e questiona: – Meu filho, você trouxe seus instrumentos cirúrgicos? Porque acho que seu irmão precisa de pontos.

David, que está carrancudo há um tempo, acercar-se das duas, verificando o braço da irmã e declara: – Não é para tanto, mamãe! – ele está visivelmente aborrecido com o fato de Margaret demonstrar tanta preocupação com Emma – Um simples curativo resolve o problema! – prossegue, encarando-a.

Mesmo a contragosto ele faz a sutura e, depois, descemos para a sala de estar.

Finalmente, consigo ficar sozinha com Emma por um momento e aproveito para sanar uma curiosidade: – Por que o Sr. Glass te chama de “E”?

Ela me dedica seu sorriso mais lindo, antes de responder: – Sidney me trata assim por causa de um acordo que fizemos para que ele pudesse ficar bem comigo e com a minha mãe... Ela jamais admitiria que seu mordomo me chamasse de Emma e eu não suportaria mais alguém, além dela, me chamando de Eric. Então, sugeri que ele me tratasse assim... – esclarece, ainda com a expressão alegre no rosto.

– Você é muito esperta, Srta. Swan!

Atraído pela nossa conversa descontraída, Jefferson chega perto de nós, dirigindo-se a Emma: – E aí, maninha? Já está recuperada do seu “corte profundo” ou ainda precisaremos contar com a boa vontade de David para uma transfusão de sangue? – comenta, brincalhão, dando um soquinho no braço não ferido da irmã.

– Jefferson, não enche! – responde, sorridente, claramente se divertindo com a piada do irmão.

Ele mostra a língua para ela e, ato contínuo, vira-se para mim: – Regina, acho que você deve estar cada vez mais animada para fazer parte desta família de loucos, não é? – pontua, ainda fazendo graça e, depois de uma pausa, acrescenta: – Sério... espero que a corujice de Margaret não tenha te assustado muito e vou logo avisando que se você pretender dar netos a ela, prepare-se para ver cenas como essa diariamente – avisa com ar falsamente severo.

Mas diante da hipótese dele eu rebato: – Jefferson, eu namoro seu irmão há apenas três meses. Casamento ainda não está nos meus planos, muito menos filhos.

– Que pena, cunhadinha! Já estava até imaginando como desenharia o seu vestido, porque eu adoro criar modelos para mulheres com o seu porte – profere, simpático.

– Você é estilista? David não me falou sobre isso...

– Ele nunca fala... Esse é mais um dos preconceitos dele! – enfatiza, chateado.

O diálogo é interrompido quando Tina vem chamá-lo, porque, pelo que entendi, daqui a pouco sairão para o cinema. Logo, fico sozinha com Emma novamente.

Lembro que tenho duas coisas para ela na minha bagagem: o disco que me emprestou e algo que lhe comprei, então chamo-lhe para subirmos até o quarto com o intuito de entregá-los.

Ao oferecer-lhe o presente, seus olhos brilham e ela parece ainda mais encantadora.

– Regina, quanta gentileza de sua parte... Nem sei o que dizer! – expressa, emocionada ao ver que comprei uma coletânea de músicas brasileiras para ela.

– Você me deixou tão fascinada por essas canções que quando cheguei em Nova Iorque procurei uma loja especializada e, claro, que não poderia sair de lá sem comprar algo para quem me apresentou a essa musicalidade incrível. Espero que tenha acertado... – digo, admirando a beleza de seus olhos verdes que estão marejados.

A sua resposta a minha dúvida vem sem palavras, porque, olhando-me com expressão terna, abraça-me, sem que eu espere.

Sinto o delicioso perfume do seu cabelo invadir minhas narinas e sua respiração ofegante no meu pescoço provoca um calafrio na minha espinha. Mas, antes que eu possa retribuir o abraço, afasta-se, deixando-me confusa.

–Desculpa, acho que me empolguei demais com o presente! – exclama, encabulada, sem me encarar.

Nesse momento, aproximo-me dela, coloco a mão no seu rosto e, quando seu olhar cruza com o meu, beijo sua face de forma suave e demorada, percebendo que é ela quem se surpreende desta vez.

–Não precisa pedir desculpas, Emma! Somos amigas e é natural haver demonstrações de carinho entre nós... – afirmo, arrebatada pela vulnerabilidade do seu olhar. – E agora, srta. Swan, sugiro que vá se arrumar, porque não vejo a hora de termos o nosso passeio cultural! – acrescento, brincalhona, fazendo-a sorrir e ela encaminha-se para o seu quarto.

***

Começamos o passeio pela parte norte da zona histórica de Boston, chamada North End. Emma me levou até a rua onde as casas coloridas estão situadas, demonstrando um grande conhecimento sobre a arquitetura destas pitorescas construções.

Fiquei maravilhada com cada detalhe das edificações, o que me fez lembrar, mais uma vez,  da minha adolescência, quando passeava pelas vias públicas de Boston e passava horas admirando a fachada desses prédios.

Após essa caminhada, decidimos almoçar na Little Italy, ainda em North End. Optamos pelo restaurante Saraceno e eu adoraria ter me refestelado nas pesadas massas, pois gosto muito de comida italiana. No entanto, como pretendemos fazer uma parte do trajeto andando, escolhemos uma refeição bem leve.

Enquanto comemos, ela me fala sobre os próximos locais onde pretende me levar, aumentando minha expectativa e ansiedade.

Ao terminamos a refeição, Emma nos conduz de carro para o Jardim Público da cidade, o famoso The Public Garden, estacionando em uma área privativa, já que faremos o passeio pelo gramado a pé.

Assim que alcançamos a grama, vemos uns esquilos passeando e, alguns mais afoitos, ficam correndo em volta da gente, divertindo-nos.

Então, vejo os pedalinhos no lago e um desejo pueril me domina. Pego-a pela mão, eufórica, e sentencio: – Adoro pedalinhos e a senhorita está intimada a dar uma volta num deles comigo!

Ela sorri: – Às suas ordens, majestade! – anui, fazendo uma reverência.

Quando nos aproximamos da margem do lago, onde um dos Swan Boats está parado, ela sobe e  me estende a mão, gentilmente, ajudando-me a entrar.

Em meio a sorrisos alegres e gritinhos de felicidade, a maioria emitidos por mim, o pedalinho, em formato de cisne, desliza suavemente pela água, enquanto penso que o clima não poderia ser mais romântico. Mas, claro, que isso não é intencional.

– Fazia anos que não andava de pedalinho... Desde que era criança! – confessa, de repente.

– E você deve estar me achando bem infantil por tanta euforia. – replico, soltando as mãos da barra de ferro e levando-as aos olhos, fingindo timidez.

– De forma alguma! Mas não deveria soltar a barra de proteção assim... Não quero que o nosso passeio termine com você caindo nessa água fria. – fala, devolvendo uma de minhas mãos para a barra e sorrindo docemente.

– Obrigada por cuidar de mim, Sra. Swan. Devo estar parecendo mais boba ainda... – digo, um pouco constrangida.

– Claro que não... Mas, com certeza, eu estou parecendo uma avó de setenta anos! – rebate num tom divertido.

Eu a olho de cima a baixo e continuo a brincadeira: – E eu diria que para uma avó de setenta anos, você está muito bem!

– Oh, obrigada... Embora, não saiba se isso é exatamente um elogio – arremata e ambas caímos na gargalhada.

Depois de terminado o passeio no lago, nos encaminhamos novamente para o carro, já que o próximo lugar que visitaremos, o Museu de Belas Artes, fica um pouco distante daqui.

É um museu muito amplo e abriga um diversificado acervo de obras de artes, originárias de todos os continentes. Sabemos que é impossível contemplarmos todas as peças existentes aqui no curto tempo que dispomos. No entanto, como já havíamos estado no museu antes, mesmo que há muito tempo, no meu caso, estamos interessadas apenas nas novidades, principalmente aquelas relativas à arte contemporânea, da qual somos grandes entusiastas.

Passamos mais de duas horas andando pelas alas, parando nas obras mais interessantes para contemplação e esboçando nossas impressões sobre as pinturas e esculturas que vemos.

Saímos extasiadas e com uma imensa vontade de ficar mais um pouco, só que já são quase 18h e ainda precisamos visitar a Biblioteca Pública, onde combinamos terminar o passeio.

Sou apaixonada pelo amplo acervo literário da biblioteca de Boston desde a adolescência e embora ela esteja passando por uma reforma, sua estrutura, felizmente, mudou muito pouco.

Quando vamos entrando, Emma me deixa enlevada com seu conhecimento sobre a arquitetura do prédio, ressaltando a sua importância histórica para a cidade. Não posso evitar pensar que já está ficando comum me sentir assim diante dela.

– Você precisa ver a coleção sobre a vida de Joana D’arc¹ que há aqui! – destaca, empolgada. – Houve um período na minha adolescência que vinha todo final de semana na biblioteca para estudar esses volumes – acrescenta, soando nostálgica.

– Hum... Ela é minha segunda figura histórica favorita – afirmo e ela me lança um olhar curioso.

– E quem é a primeira?

– Mary Quant²! E antes que você me acuse de futilidade, vou dizer as palavras mágicas: minissaia e liberação feminina! – enfatizo, entusiasmada.

Ela me dedica aquele lindo sorriso: – Ah... você me tirou o prazer de chama-la de dondoca! – diz, caçoando e fazendo uma careta decepcionada – Brincadeira! Eu nunca tinha pensado sobre isso, mas você está certa. De uma forma diferente, Mary Quant é uma figura histórica muito ilustre.– ressalta, só que agora séria.

– Eu até imagino, mas tenho que perguntar: por que Joana D’arc?– Por motivos tão feministas quanto os seus! – afirma – Suponho quão revolucionário foi uma mulher lutando no exército francês, mesmo trajando roupas masculinas. Se hoje em dia isso ainda pode ser considerado um escândalo, imagino naquela época – sublinha e tenho a impressão que há muito sobre ela mesma nessa declaração.

Estamos caminhando pela biblioteca, enquanto conversamos, tão distraídas, que não percebemos uma mulher se aproximando e que, de repente, interrompe nossos passos quando se coloca na frente da loira e fala: – Emma? – com ar feliz no rosto.

– Oi, Belle, há quanto tempo... Não sabia que você ainda trabalhava aqui – a designer a cumprimenta e, ao ouvir o nome, entendo que essa deve ser a ex-namorada de Emma, pois lembro de David, com toda a sua ignorância, chamando-a de “aquela pervertida da Belle”.

Saio do meu devaneio a tempo de ouvi-la responder o comentário da outra: – É, não deu certo a minha ida para Phoenix...

– Sinto muito, você estava tão empolgada com a mudança de ares... – A loira diz, parecendo lamentar, no entanto noto que usa um tom seco.

Nesta hora, parece se dar conta de que não nos apresentou: – Belle, essa é Regina Mills, a namorada de David – fico meio chateada por ela não me apresentar como sua amiga – Regina, essa é Belle French, uma velha amiga minha...  – conclui, e percebo que a outra também não gostou da forma como foi apresentada. Mas, apertamos às mãos e sorrimos uma para a outra de maneira educada.

Elas conversam sobre aquelas coisas que se fala quando você não vê alguém há muito tempo: como está, quais seus projetos futuros e algo do tipo.

Como não me encaixo na conversa, fico observando Belle por um tempo e vejo que mal desvia o olhar de Emma. Poderia jurar que ela ainda nutre sentimentos pela loira.

Essa constatação me deixa ao mesmo tempo confusa, pois ainda não sei o motivo da separação delas, e incomodada, porque a maneira que ela contempla Emma me irrita de alguma forma.

Mas, felizmente, Belle precisa voltar ao trabalho e nós duas também precisamos retornar à mansão, porque, embora eu não quisesse lembrar disso agora, há um namorado e um irmão chato, que, por acaso, são a mesma pessoa, esperando por nós e não quero estragar a alegria da tarde maravilhosa que tivemos brigando com David.

Quando estamos indo embora, já na pequena escadaria, na área externa da biblioteca, começo a pular os degraus, como se estivesse jogando amarelinha. A brincadeira é extremamente infantil, mas era exatamente o que eu fazia quando vinha aqui há tantos anos atrás e repito a ação, instintivamente, como se o tempo não tivesse passado.

Emma, que está alguns batentes abaixo de mim, ao me ver fazendo essa travessura, avisa:  – Acho melhor você não fazer isso usando esses sapatos.

– Não se preocupe, eu sempre brincava assim quando vinha aqui  –  asseguro, confiante e convencida.

– Eu acredito...  Mas, creio que aos 12 anos, você não usava saltos tão altos. – replica, já no fim da escadaria.

Porém, antes que eu possa contestar, piso em falso no penúltimo degrau e só não vou ao chão porque ela me segura com firmeza, mesmo machucada.

Sinto seus braços ao redor da minha cintura, sustentando-me, e sua respiração pesada sobre as minhas pálpebras.

Ao erguer os olhos, a primeira coisa que vejo são seus lábios rosados entreabertos e umedeço os meus com a língua, sem pensar no que estou fazendo.

Quando nossos olhares se encontram, noto o que parece ser um misto de temor e desejo refletido em suas íris verdes e sua respiração fica ainda mais ofegante.

Fecho os olhos, semicerrando minha boca, numa súplica silenciosa e dando permissão para que ela faça o que não tenho coragem de fazer, mas que desejo agora.

É quando escuto sua voz: – Eu te disse para não agir feito uma garotinha em cima desses saltos! – murmura, rouca, soltando-me delicadamente.

Por mais que eu não queira, fico decepcionada com a saída que tomou para acabar com esse momento meio constrangedor entre nós.

Pigarreio, recuperando a compostura e respondo-a: – Vejo que a vovó Swan voltou!

O meu comentário espirituoso faz com que as coisas voltem ao seu normal e vamos até o BMW amarelo, conversando como se nada, de fato, tivesse acontecido, seguindo para a mansão.

Quando paramos em frente à casa, agradeço pelo passeio maravilhoso, pois temo que David não me dê espaço para fazê-lo depois que entrarmos:  – Muito obrigada por hoje, Emma! – exclamo, sorrindo francamente para ela.

– O prazer foi meu! Não é todo dia que uma morena tão bonita aceita sair comigo e, no final, ainda se atira nos meus braços – fala, graciosa.

Assim que entramos, David, parecendo que correu ao ouvir a chave girando ou a porta se abrindo, me abraça todo satisfeito, porque os Celtics venceram o jogo e noto que ele está meio embriagado.

Então, me beija demoradamente, sem que eu consiga recusar o contato. Sua ação parece deixar a loira constrangida mais uma vez, já que se retira em direção à sala de jantar.

Para o meu desagrado, durante o jantar, não consigo mais conversar com ela, pois meu namorado bêbado me monopoliza todo o tempo e, depois da refeição, sai praticamente me arrastando em direção ao quarto, alegando que sentiu muito a minha falta enquanto estivemos distante um do outro.

Já no leito, começa a se despir e a tirar minhas roupas também e, mesmo que eu não esteja muito empolgada para transar, acabo cedendo às suas investidas. Mas, durante todo o ato, estranhamente, meus pensamentos se dispersam e volto ao momento em que estive nos braços de Emma, quando quase nos beijamos.

E, pensando nela, nos seus lábios, no seu corpo vigoroso, tenho meu primeiro orgasmo com David em três meses de relacionamento.


Notas Finais


¹ Coleção de Joana D’arc: Realmente existe a referida coleção no museu, que contempla várias obras sobre a vida da heroína francesa.

² Mary Quant: estilista britânica que, na década de 1960, criou a minissaia revolucionando não só a moda, como também o comportamento feminino.


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