História Transylvania - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias 5 Seconds Of Summer, McFly, One Direction
Personagens Ashton Irwin, Calum Hood, Danny Jones, Dougie Poynter, Harry Judd, Liam Payne, Luke Hemmings, Michael Clifford, Niall Horan, Personagens Originais, Tom Fletcher
Exibições 28
Palavras 3.149
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


AVISOS GERAIS:

OLÁ!
~ ESSA FANFIC ESTÁ SENDO RESPOSTADA AQUI.

~ Essa é a minha primeira fanfic de ficção, então por favor, tenham paciência.
~ McFly não é meu, apenas suas personalidades.
~ Todo o universo dessa fanfic é de minha autoria.
~ Kannah será interpretada pela Cara Delevigne.
~ O Dougie dessa história é o mesmo de 2011, conforme a capa. :)
~ Meu twitter é @anneirwin_
~ Essa fanfic também está sendo postada no wattpad.

Enfim, espero que gostem! Toda opinião é bem-vinda. :)

Capítulo 1 - Epílogo.


Fanfic / Fanfiction Transylvania - Capítulo 1 - Epílogo.

"What kind of man that you're? If you're human at all. Well, I will figure this one out on my own".

(Que tipo de homem você é? Se é que você é humano. Eu vou descbrir isso por mim mesma).

(Decode - Paramore)

 

Em muitos séculos a nossa frente, o mundo como conhecemos não se resumia mais só a Terra em que vivemos. Na verdade, a Terra era o único planeta completamente inabitável por humanos e outros seres vivos. Após uma terceira guerra mundial devastadora, os humanos bombardearam tantos lugares com bombas atômicas que a radiação afetava a todos indiscriminadamente e independentemente de qual país se morava.

Agora todos os planetas do sistema solar já são perfeitamente habitáveis por humanos, ou pelo menos assim essas pessoas se determinam, apesar de não serem totalmente quem costumavam ser nos primórdios. Evoluções foram necessárias após serem expostos a diversos climas e situações de outros planetas.

Uma conclusão foi tida após toda a guerra que destruiu o Planeta Terra: Humanos não nasceram para conviverem todos juntos com suas diversidades. Assim, após diversos testes, cada grupo determinado foi mandado para um planeta diferente.

Marte, o primeiro planeta habitável logo após a Terra, ganhou como habitantes aqueles que amam acima de tudo, perdoam incondicionalmente e apoiam eternamente. Após vários anos cultivando essa filosofia de vida, reunindo-se em famílias e realizando diversas festas e tradições que foram mantidas como o próprio Natal, uma garota de Marte foi a primeira a manifestar a evolução de seu planeta. Suas mãos irradiavam pequenas faíscas tão quentes que quase queimavam a pele das outras pessoas, um ardor tão potente que se aliviava no segundo seguinte, curando qualquer enfermo. O poder da cura era absoluto para qualquer pessoa que nascesse em Marte. Mas, em um planeta onde o amor reina como lei, nada mais justo que assumir o amor em todas as suas formas. Amor machuca. Amor atinge a alma. O poder de cura pode ser facilmente também o poder de machucar. Cortes severos são feitos nas peles das pessoas que eles decidem atacar. As pessoas que conseguiram sobreviver descrevem como uma dor tão excruciante que era melhor estar morto.  

Logo após vinha Júpiter, o maior planeta, que ganhou todos aqueles humanos com força física e mental e foco extremo. Pessoas destemidas e corajosas, com pensamento rápido e astuto. Nenhum deles se importava muito com família, mas tinham um senso enorme de grupo. Um cuida do outro, outro protege um. Eram mais fortes quando unidos e elaboraram a seguinte estratégia: Em vez de famílias, foram separados em grupos. Cada grupo teria uma pessoa de cada porte físico e mental, de maneira que todos os grupos ganhariam diversas habilidades e seriam completos: Alguém forte, alguém ágil, alguém focado, alguém com pensamento estratégico. Foi assim que os habitantes de Júpiter ganharam o título de Senhores da Guerra ou, simplesmente, selvagens. E como todo selvagem, eles adquiriram um a um, asas enormes e majestosas como anjos. As penas nunca eram brancas, sempre acinzentadas, pretas, beges, mas nunca perfeitamente brancas. Havia uma lenda que dizia que Deus gostava mais dos Jupiterianos, de maneira que os agraciou com asas.

Saturno era o próximo planeta habitado por humanos que tinham uma inteligência fora do comum. Sempre ansiavam por mais sabedoria, frios e calculistas, o plano existencial fazia parte de uma lógica física. Estes foram os primeiros a desfazerem a ideia de família, porque se importar e deixar os sentimentos fluírem tornava qualquer ser um tolo. E ninguém queria ser tolo naquele planeta. Eles apenas supriam suas necessidades pelo sexo, porque era puramente físico do ponto de vista deles e, ao mesmo tempo, eles precisavam perpetuar a espécie. A lenda diz que um dos saturianos estudou tanto que descobriu um segredo que ninguém mais sabia: Como ler mentes e controlá-las. Então, tendo em vista que apenas os saturianos mereciam tal conhecimento, o passou adiante em seu planeta.

A ideia inicial é que assim eles sempre estariam aprendendo, uma vez que poderiam absorver o que outras pessoas sabiam também. No entanto, tendo os satuarianos a chave da mente das outras pessoas, era impossível não se corromper. Eles entravam e poderiam fazer o que quisessem lá dentro, confundir ideias, mudar opiniões, roubar memórias e torturar. Diz a lenda que ter um saturiano dentro da sua mente causa uma dor aguda e contínua, mas que logo se alivia assim que ele sai dali.

Por fim, em Urano, as pessoas tinham ausência de todo e qualquer traço de personalidade. Eles eram livres das amarras que os outros possuíam, pessoas criativas, que amam inventar coisas novas. Eles acreditam na liberdade tão intensa que família era uma amarra e assim eles eram apenas um grupo grande que vivia sorrindo e se aventurando. Os poderes de pessoas tão sorridentes foi um dos mais potentes do universo. Acredita-se que a liberdade da mente atrai os poderes mais fortes e dessa maneira, eles ganharam a ilusão. Qualquer uraniano consegue mudar a realidade. A mente deles é tão aberta que com um único sinal de mãos, eles conseguem mudar o cenário em que se encontram, confundindo a pessoa que está sendo vítima de um ataque. E não é apenas isso, eles podem se camuflar em qualquer coisa que esteja ao seu alcance, como se pudesse fazer parte da coisa. Não parecem poderes de ataque, mas somente os tolos menosprezam aqueles de mente livre.

O último planeta, Netuno, é habitado por um único humano: Aquele que tudo pode. Uma espécie de Deus sagrado, mas é perfeitamente humano, e conseguiu, após muito treinamento, adquirir todas as habilidades e traços de personalidades existentes e também seus poderes. Ele voa, lê mentes, confunde realidades e ideias, fere cegamente e, por fim, cura. Tantos lutam e treinam diariamente, mas ninguém jamais obteve sucesso em ser igual ao Todos Em Um. Somente o próprio humano que mora em Netuno e é cultuado como um Deus, como o rei de todo o nosso sistema, conseguiu tal proeza.

                                                                

 

Então, em 2600, em Marte, uma garotinha de cabelos lisos e olhos enormes esverdeados nasceu de um casal humilde com poderes de cura. A primeira filha, o maior orgulho. Todos em Marte amam sua família incondicionalmente. Quando um bebê nasce, via de regra, ele pertencerá ao mesmo planeta dos pais. De qualquer jeito, a partir dos seis anos, as crianças começam a demonstrar traços de personalidade o suficiente para poderem fazer exames e decidirem se ela ficará no mesmo planeta. Há algumas raras exceções de crianças que não pertencem ao planeta que nasceram. Essa garota era uma das exceções. Tendo desenvolvido o poder de cura por nascença, de maneira abrupta, após um ano de idade, seus pais descobriram que ela não ficaria com eles. Kannah revelou ter início de asas em suas costas. Dois pequenos toquinhos brancos que ainda não formavam as asas propriamente ditas. Seus pais se tornaram preocupados e o amor incondicional falou mais alto. Tentaram esconder por quase seis meses, quando o governo descobriu e arrancou a pequena Kannah de sua família e enviou diretamente para Júpiter, onde era seu lugar. Seus pais nunca mais ouviram falar dela e nem ela de seus pais, era a lei. Um planeta não se comunicava com o outro, guerras tinham que ser evitadas.

Kannah cresceu forte, mas excluída. Em Júpiter, era a única de asas perfeitamente brancas. Talvez, por ter nascido em Marte, talvez por outro motivo oculto. Outros a temiam por possuir o poder de ferir gravemente além de curar. Mas, nada disso importava para ela. Como era justo de sua personalidade, ela mantinha o foco e era forte tanto fisicamente quanto mentalmente. Nada a abalaria facilmente, muito menos a falta de compreensão dos outros.

Foi por suas grandes conquistas que Kannah foi selecionada numa missão secreta. Júpiter estava numa guerra fria com Saturno, mas um dos planetas poderia atacar a qualquer momento. Enquanto Júpiter possuía força bruta, Saturno tinha as melhores tecnologias das pessoas mais inteligentes. A missão era simples: Os governantes tentariam um acordo, uma trégua.

Naquela manhã, Kan vestiu suas calças justas e pretas, um top igualmente negro que era utilizado para não prender as asas de se abrirem quando necessário. Por cima, uma jaqueta de couro, porque assim as asas se manteriam protegidas e em segredo. O cabelo ia sempre solto, um louro escuro e escorrido até a metade das costas. Os olhos enormes e verdes não esboçavam emoções, mas eram atentos e vigilantes. Foi assim que ela chegou a Saturno com alguns poucos selecionados, apenas quatro pessoas. Dois governantes, dois guerreiros de batalha e ela, também guerreira. Até os governantes sabiam lutar perfeitamente em Júpiter, por isso governavam, mas a força já não era utilizada por eles, uma vez que eles poderiam mandar outros lutarem por eles. Mal ela sabia que estava caminhando para um evento decisivo em seu destino.

 

~ Point of View: Kannah.

Eu caminhei lentamente pelo corredor comprido e monocromático. Era a última dos selecionados e a única mulher. Observei os quatro homens que me acompanhavam naquela missão, mas não dei muita atenção.

Farah era o governador, caminhava na frente, sério, em um traje muito parecido com o meu. Todos usavam couro, todos usavam preto, mas os homens usavam regatas enquanto as mulheres usavam pequenos tops. Tudo anatomicamente preparado para que nossas asas ficassem confortáveis sob a jaqueta. Farah tinha cabelos negros e olhos igualmente negros, além de um maxilar bem quadrado. Ulisses era governador também, mas estava um grau abaixo de Farah, e exibia um ar mais flexível. Ele tinha cabelos loiros bagunçados e olhos azuis. Apesar de ser enorme em seus ombros largos, tinha um rosto bem infantil e aparentemente inofensivo. Só aparentemente mesmo. Atrás dele, dois homens os seguiam. Selecionados, como eu. O primeiro era Mika, cabelos cacheados e negros, olhos esverdeados e um nariz pontudo. Ele era quieto demais e tinha gostos peculiares como comer pequenos animais como lagartos e cobras. Não que houvesse muita diversidade no meu planeta, mas os poucos animais que tinha, ele comia. Jesuah era o último, ruivo fogo, olhos esverdeados e um ar muito rústico. Ele era enorme e muito branco como papel, mas exibia sobrancelhas grossas e acentuadas, parecia sempre irritado.

Tinha a impressão que nunca chegaríamos ao nosso destino. Um corredor com tantos vidros e tanto branco. Como saturianos eram tediosos. Quando finalmente entramos numa porta à direta foi que senti minhas asas se prepararem. Parecíamos estar sendo ameaçados, mas eu devia me conter. Observei as pessoas naquela sala, apenas cinco, todos homens.

Infelizmente, não nos deixaram ficar na reunião e eu fui forçada a sair da sala logo que pisei nela. Estava de volta ao corredor branco demais com Jesuah e Mika. Nenhum deles queria papo comigo, mas eu já estava acostumada a ser excluída, então apenas me encostei na parede, esperando por qualquer sinal de que deveríamos atacar. Eu sabia que a missão pela qual estávamos ali era para resolver a guerra fria que acontecia entre Júpiter e Saturno, mas caso não houvesse qualquer acordo, a força seria necessária.

Demorou quase meia hora para ouvirmos um barulho ensurdecedor pelos corredores. Um barulho muito parecido com um alarme que tínhamos em nosso planeta para avisar quando deveríamos nos reunir. Mas, por que ali parecia um aviso diferente? Eu vi que os homens não fariam nada, sem conseguir pensar rapidamente e decidi agir. Caminhei até o final do corredor, procurando qualquer indicação do que aquilo significava. Um cheiro. Meu olfato era excelente como o de qualquer jupiteriano. Queimado. Incêndio. Eu conseguia sentir que o fogo era grande e estava se aproximando.

- ARROMBE! – Eu gritei para os garotos, correndo de volta para eles pelo estreito corredor. Mika arrombou a porta e correu para dentro. Lá já pegava fogo em quase metade da sala e nossos governadores estavam presos e uma máquina cinza esquisita. Maldita tecnologia saturiana.

Foi a vez de Jesuah tomar as rédeas, mas ele sozinho não conseguia arrancar os braços da máquina que envolviam os governadores. Nós três nos unimos para puxar.

- Todos juntos. – Farah deu a ordem. – Um... Dois... Três... – Com a força de todos nós, os braços se alargaram o suficiente para que eles escapassem. Eles podiam ter máquinas, mas nós tínhamos força.

Todos corremos rapidamente, de volta ao corredor, a procura da saída. Era tudo branco e confuso, como saber onde aquilo acabava? De repente, algo me chamou a atenção e eu parei, imediatamente.

- SOCORRO! POR FAVOR! – Eu ouvi as batidas numa porta. Meu coração acelerou, meu instinto era maior e eu era treinada para proteger e salvar.

- KANNAH! – Mika me chamou, percebendo que eu tinha parado.

- VÃO NA FRENTE, PROTEJAM FARAH E ULISSES! – Eu gritei sem precisar de muitos argumentos. Ninguém ficaria para ajudar a garota aberração de qualquer jeito. Mika continuou a correr com os outros, enquanto eu encostei na porta, sentindo o cheiro terrível de queimado tão forte que ardia minhas narinas super sensíveis.

- SOCORRO! TEM ALGUÉM AÍ? – A voz gritava.

- AFASTE-SE DA PORTA! – Eu gritei de volta e esperei alguns segundos, antes de arrombar a porta após três batidas fortes com o ombro. Para a minha surpresa, um perfeito humano estava encolhido num canto. Parecia ter caído no chão. Eu o encarei, confusa. Saturianos pareciam humanos demais. Cadê as asas? As presas? Ele parecia fraco demais. Um homem de cabelos loiros dourados e olhos verdes levemente puxados. Ele vestia um terno com as mangas arregaçadas e muitos desenhos em seus braços. Tatuagens, logo constatei.

- Por favor, não me machuque. – Ele pediu, tolamente. Eu revirei os olhos, sem paciência e o puxei pela gola da camisa, o fazendo ficar de pé. Ele se levantou, me encarando com temor. – Você é... Uma jupiteriana... – Ele parecia sem palavras, me encarando de perto. Eu estreitei os olhos, desconfiada. O que havia me denunciado? Minhas asas estavam escondidas.

- Vamos. – Eu disse, séria e o puxei para fora da sala. Assim que entramos no corredor, eu percebi que a saída estaria bloqueada por fogo e vários materiais caindo do teto.

- Santo Netuno. – O saturiano resmungou.

- Vem. – Eu o puxei pela mão de volta para a sala e procurei por janelas. – Onde diabos têm janelas nesse lugar? – Eu perguntei, irritada, enquanto ele continuava parado, assustado demais.

- Na sala do lado, mas... Mas, é muito alto. Estamos no décimo andar.

- Décimo andar é ok. – Eu falei, puxando ele de volta para irmos para a outra sala. Encontrei a janela quase toda tomada pelo fogo e respirei fundo. Havia apenas uma fresta.

- Você não vai pular. – Ele disse, me censurando e eu virei para ele, sem entender, como ele sabia o que eu iria fazer. – Não fique confusa agora, depois eu te explico. – Ele continuou a ralhar e eu arqueei as sobrancelhas, incomodada. Mas, realmente, não poderia me distrair. Então, puxei o garoto pela fresta e tirei a jaqueta, enrolando na mão para quebrar o vidro. O humano parecia surpreso e me encarava com os olhos verdes, assustado. Eu o puxei pela gola e falei, pausadamente:

- Segure-se o máximo que puder. – Ele apenas assentiu, confuso e eu pulei segurando ele perto de mim. Era engraçado como seu rosto estava em meu pescoço e ele estava desesperado, gritando e me abraçando forte, quando eu finalmente abri as asas.

- AH! – Ele deu um último grito antes de parar ao perceber que estávamos voando. – ENTÃO É VERDADE! – Ele gritou, surpreso e eu o encarei, confusa, procurando algum lugar para deixá-lo no chão de maneira escondida, porque a frente do prédio era um caos. Aquilo tinha sido proposital, era uma armadilha contra nós. – Vocês têm asas como anjos! – Ele exclamou, dando uma risada nervosa. – Eu li em um livro, mas era apenas uma lenda!

- Eu não sou uma lenda, nem minhas asas. – Eu reclamei, o pousando no chão, perto de um beco sem saída. A cidade deles era extremamente limpa e verde, com prédios de vidro. Era tanto vidro que eu só conseguia pensar em mil maneiras de quebrá-los.

- Bom, agora eu sei. – Ele disse, sorridente, mas eu logo guardei minhas asas, irritada. Ele se assustou com o movimento brusco e eu coloquei a jaqueta rapidamente. Minhas asas não eram motivo de orgulho. Brancas e grandes demais. Só me trouxeram desgraças a vida inteira.

- Você parece... Humano demais. – Eu falei, desconfiada.

- Você está me achando tão inútil assim? – Ele perguntou, sorrindo. Mas, por que ele sorria tanto?

- Eu não estou te achando...

- Ah, não se preocupe. – Ele disse, fazendo um gesto com a mão. – Isso é impressionante. – Ele disse, se aproximando de mim. Eu dei um passo para trás, arredia e ele ergueu as mãos como quem se rende. – Desculpe. Eu só... – Uma de suas mãos foi direto para a minha têmpora e eu o encarei, ficando irritada. Eu estava pronta para atacá-lo. – Eu não consigo ler! Por favor, não me ataque! Eu sinto o que você está sentindo, mas por que não consigo ler? Deixe-me ler! – Ele pediu como se fosse algo normal e eu o empurrei para que ele não tocasse mais em mim. O problema é que com um empurrão, ele parou no chão novamente.

- Ler o quê? – Eu perguntei, sem paciência.

- Sua mente! – Ele levantou num pulo, me encarando, perplexo. – Então é tudo verdade!

- Do que você está falando?

- Eu li naquele livro que te falei, jupiterianos são difíceis de ler. Todos eles, porque possuem mente forte e foco. Mas, eu consigo sentir o que você sente, então acho que consigo ler se fizer um esforço.

- VOCÊ NÃO VAI LER NADA! – Eu ralhei, levantando a mão para ele e abrindo um único corte em seu braço.

- AH! – O humano gritou, assustado e caiu no chão, sentindo aquela dor que eu bem conhecia. Veio comigo do planeta Marte. E eu tinha sido misericordiosa. Um único corte para que ele ficasse longe de mim. – Ah, nossa... – Ele encarou o corte sangrando sem parar, manchando a camisa social e, virou para mim, assustado. – Você... O que diabos você é? – Ele perguntou, confuso, como se eu fosse uma aberração. Eu mordi o lábio, arredia. Eu era uma aberração mesmo. Ele estava certo. Eu não precisava ser uma saturniana para ler o que ele pensava de mim. – Netuno, que dor... – Ele gemeu, sem conseguir se levantar, encolhido, segurando o braço. Meus olhos se encheram de lágrimas imediatamente. Os olhos verdes dele sofriam por minha causa. Eu nunca conseguia me conter. Eu não merecia ser de Júpiter, um planeta feito para salvar, para proteger, porque eu sabia ferir. Antes que eu fizesse algo pior, comecei a correr e pulei em cima das tampas dos lixos posicionados no fim do beco. – EI, ONDE VOCÊ VAAAAI? – Ele gritou para mim, mas era tarde. Eu pulei mais alto, impulsionando o suficiente para escalar a parede do prédio que formava o beco. Em poucos segundos, ele já não me enxergava mais.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...