História Tratado de Paz (Segunda Temporada) - Capítulo 21


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Palavras 9.812
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá estimados leitores! Mil perdoes pela minha ausência... aconteceram tantas coisas que se eu fosse contar daria outra fic. rs De todo modo, ressurgi das cinzas trazendo um capitulo para vocês.
Bj da Nany ^^

Capítulo 21 - Escolhas


Fanfic / Fanfiction Tratado de Paz (Segunda Temporada) - Capítulo 21 - Escolhas

– Etoile se esgueira ardilosamente por entre as arvores seguindo o barulho constante de passos apressados que se seguiam, mas antes de alcançar o dono de tais passos um cheiro forte e inebriante de sangue a pega de surpresa, então se vê sendo guiada pelo caminho oposto e, assim de deparou-se com um corpo ainda quente e encharcado de sangue com traços claros de violência.

– O que é isso?! – Exclama se deparando com uma menina de aproximadamente 06 anos, o corpo repleto de hematomas, o vestido branco levantado na altura dos seios e suas partes íntimas cobertas por sangue.

Havia cortes de faca por praticamente todo o corpo, a garganta fora cortada; um corte profundo e preciso, os olhos arregalados ainda abertos, porém sem vida.

– Calma Etoile! – Recrimina a si mesmo tentada a beber o sangue da garotinha que ainda escorria sobre o pequenino corpo. – Até monstros como você tem limites! – Recrimina-se. Usando todas as suas forças e o pouco alto controle que lhe restava levanta do meio das folhas secas onde o corpo da menina se encontrava e começa a farejar o quê ou quem deixara a inocente criança em tal estado.

Não demorou muito para descobrir em que direção o seu alvo foi, e um feroz sorriso preencheu-lhe os lábios.

– É hora de caçar! – Murmura sentindo a boca salivar. Sem hesitar deixou-se dominar por seu lado obscuro e instintos mais primitivos; transformando-se em um grande e selvagem lobisomem. E numa velocidade impressionante corre a procura de sua presa, podia sentir o cheiro dele há metros de distância.

Logo avista um homem alto, jovial, de boa aparência parado ao lado de uma pequena caminhonete na estrada de terra. Dando um urro alto e ensurdecedor corre na direção dele que estava despreocupadamente tirando as roupas ensangüentadas ali mesmo na estrada.

– O-o que é isso?! – Gagueja o homem arregalando os olhos ao ver uma fera gigantesca avançando em sua direção. Ainda sem camisa e vestindo apenas uma calça manchada de sangue ele abre a porta da caminhonete apressadamente; as mãos tremulas e a face pálida mostrava nitidamente o medo e o terror estampados em seu rosto. Com dificuldade conseguiu colocar a chave na ignição, porém não há tempo de girá-la, a fera já estava lá! E num movimento rápido e brutal Etoile quebra o vidro, o homem se afasta instintivamente, contudo não o suficiente para não ser capturado por grandes garras. Como se ele não pesasse nada ela o arremessa para longe... em segundos já estava ao seu lado sem dar tempo do criminoso tentar fugir. Agarrando-lhe uma perna o arrasta floresta á dentro.

Gritos de socorro ecoam pela estrada, todavia como o próprio assassino sabia não havia ninguém que pudesse ouvir tão pouco socorrê-lo... E os estridentes gritos foram abafados a medida que entrava na densa floresta. Etoile podia sentir o medo e pavor emanando sobre o humano e isso só lhe mais prazer.

[...]

– Luciana resolve se arriscar numa ligação logo pela manhã. Com muito cuidado para não tropeçar ou acordar ninguém se tranca no banheiro e liga o chuveiro de modo que se alguém acordar saiba exatamente seu paradeiro e ao mesmo tempo não consiga ouvir o conteúdo de sua conversa.

– Alô? – Uma voz masculina e sonolenta atende a ligação.

– Não diga nada! – Interrompe Luciana de maneira autoritária. – Apenas escute e entre no jogo. Você só pode dizer sim ou não, se quiser dizer “sim” pressione duas vezes o botão do celular se for “não” pressione apenas uma, entendeu? – A pessoa apertou duas vezes em concordância. – Ótimo! – Replica animada. – Estou no banheiro completamente nua, a água caindo sobre mim, molhando-me por completo fazendo meu corpo se arrepiar... – Dá um longo suspiro que é pura malícia. – A minha mão lentamente está percorrendo cada centímetro da minha pele, lisa e aveludada. – Hesita dando um gritinho provocante. – Meus dedos enfim param em um lugar quente e úmido que eu nem preciso dizer onde é ou será que preciso? – Logo escuta o botão ser pressionado uma vez. Ofegante prossegue no diálogo.

– Introduzo dois dedos dentro de mim e agora  vou movimentá-los, movimentos rápidos e repetitivos... imaginando o seu membro me preenchendo por completo, como isso é prazeroso e excitante. – Balbucia estremecendo. – Consegue imaginar o que estou sentindo? – Nem deu tempo para uma resposta e responde por ele. – É claro que sim e isso é só o começo. – Pragueja mordendo os lábios de maneira provocativa. – Oh, meu amor como estou sedenta e molhadinha só de imaginar nós dois juntinhos, pele contra pele, seu corpo rígido contra o meu... – Comenta freneticamente movimentando os dedos dentro de si.  – Tudo parece tão real, tão intenso, quase consigo sentir sua respiração irregular no meu pescoço, seu lábios pronunciando meu nome. Não posso mais suportar, vou gozar para você, com você... – De repente gritos quebram o silencio da casa fazendo-a abrir os olhos num sobressalto.

– Jana, Micaela, Isis, pai, mãe – Em minutos todos estavam de pé alarmados com os berros. Assustada Luciana tateia pelo banheiro, com dificuldade desliga o chuveiro e tenta se vestir o mais rápido possível conforme suas limitações.

– O que está acontecendo?! – Questiona ela saindo do banheiro apressadamente. Sonia corre ao seu encontro com medo da filha cair ou esbarrar em alguma coisa.

– É o que vamos descobrir! – Resmunga Edgar abrindo a porta, um tempinho depois todos estavam reunidos em frente ao quarto deles.

– A final que alvoroço é esse as seis da madrugada? – Inquiriu Janay trincando os dentes, prendendo o olhar nos de Frederico.

– Eu tenho um bom motivo! – Fala tocando o rosto que por sua vez estava ligeiramente rubro. – Simples, a maninha estava tentando me seduzir. – Disse sem rodeios desviando o olhar para Luciana. E numa fração de segundos ela reconhece a voz dele e o engano que cometera. Engoliu em seco sentindo seu rosto esquentar de vergonha e pela primeira vez agradeceu por estar cega e não poder ver a cara de todos ao fitá-la.

– A que está se referindo? – É a vez de Edgar perguntar.

– Ainda á pouco recebo uma ligação de luluzinha e ela começou a dizer umas coisas estranhas e duvidosas e eu não pude dizer nada, ela simplesmente não permitia. Quando dei por mim estávamos tendo um telemarketing pornográfico. – Mana eu sei que sou sexy, tenho um cavanhaque irresistível, um charme de destruir vários casamentos, mas não curto incesto. – O tom de voz expressa claramente o deboche e divertimento dele diante a situação. 
– Mas que indecência é essa? E, em baixo do meu teto! – Vocifera Janay fulminado Luciana que estava tão vermelha quanto às cortinas escarlate do quarto.

– É mentira dele! – Desmente ela ao sentir um aperto forte em seu braço esquerdo. Era Sonia exigindo por uma explicação.

– Não adianta negar, a sua ligação e o tempo que ficamos conversando estão registrados no meu celular e no seu também. – Balança o celular como se ela pudesse ver.

– Que expressão é essa Edgar? – Interroga Sonia ao ver o cinismo nos olhos do marido e um discreto sorriso lhe preencher os lábios. Ele se virou para encarar sua mulher.

– Engraçado, só quem não prestava era a minha filha veja só que ironia do destino. – Ergue as sobrancelhas de maneira displicente. – Ouvi dizer que o mundo dá voltas, pelo visto ele não deu volta e sim uma corrida de tão rápido que as coisas acontecem. – Debocha sustentando um grande sorriso zombeteiro.

– O que está insinuando? – Sonia larga Luciana e vai de encontro ao esposo. – Não está vendo que esse garoto é um louco, retardado, um tonto, desmiolado que não diz coisa com coisa. É nítido que está inventando toda essa história! E por favor, não compare a minha filha com sua filhinha psicopata. – Praticamente cuspiu a ultima frase nele. Sonia cerrava o punho na lateral do corpo, estava a ponto de esbofetear Edgar.

– Nossa mãezona falando assim você me deixa até constrangido com tantos elogios e uma analise clara e concisa da minha pessoa. – Brincou sentindo o olhar penetrante dela seguir em sua direção. – Eu aqui protegendo a reputação da maninha e a senhora destruindo a minha. – Fingiu secar uma lágrima. – Oh, como eu sofro!

– Acho melhor calar a boca, caso contrário ela vai amanhecer cheia de formiga. – Estreitou os olhos para Frederico, que por sua vez se escondeu atrás de Isis. Edgar retoma a discussão.

– Retire o que disse sobre Etoile ou eu vou te mostrar com quantos paus se mata uma esposa! – Adverte Edgar nervoso. Antes que saísse qualquer som da boca de Sonia, Micaela entra no meio dos dois.

– Em primeiro lugar, o ditado não é assim. Segundo, vampiros precisam dormir durante o dia e não estamos fazendo isso graça á baderna que vocês estão fazendo. Vamos parar com essa discussão sem fundamento. – A mão de Janay apertou seu braço para evitar que se afastasse.

– Mica temos que descobrir o que está acontecendo debaixo de nosso teto. – Sibila revezando o olhar entre Frederico e Luciana. Micaela suspira pesadamente e volta-se para Sonia.

– Sonia mais tarde tenha uma conversa séria com sua filha e a carência excessiva dela, porque se não fizer isso ou se algo parecido voltar a se repetir a única ligação que será feita será a minha me entregando para as autoridades após um assassinato brutal e revigorante. – Afirma mostrando as presas na direção de Luciana. Sonia arregala os olhos e corre em direção da filha colocando-a atrás de si na tentativa de protegê-la. 

– Edgar ponha-se no seu lugar, que coisa mais ridícula ficar jogando indiretas para a sua esposa... quantos anos você tem? E também o que passou, passou e vamos combinar que Etoile não é nenhuma santa para você ficar se vangloriando. – Edgar entreabriu a boca para rebater, entretanto o olhar de Micaela o fez recuar e se calar. – E você Sonia – gira a cabeça para encarar a mulher descabela e olhos arregalados –, que moral tem para despejar sal na ferida dos outros se nem ao menos as suas já foram curadas? Já parou para pensar no quanto aquela menina já sofreu e no que a levou a fazer o que fez? Eu sei que sabe, então não venha bancar a falsa moralista.

– Frederico que atitude foi essa? – O tom empregado era severo.

– Sobrou até para mim! – Isis dá um passou para o lado de modo que Frederico seja visto com mais clareza.

– Esse tipo de acontecimento não se deve está comentando por aí... se realmente houve a ligação deveria ter falado que era você do outro lado da linha, não acredito que a sua boca foi amordaçada enquanto ela falava. Nessa situação deveria resolver direto com a pessoa interessada na historia e não com a casa inteira! Esse tipo de atitude não é digna de um homem e sim de um completo idiota. Até porque nós não estamos interessados nas suas conversas eróticas seja com quem for. Eu e Jana quase morremos de susto, a nossa sorte é que já estamos mortas. – Revira os olhos de maneira exagerada. Frederico Abaixou o olhar e nada diz em sua defesa.

– E você? Cale à boca. – Micaela fixou o olhar em Isis.

– Eu não fiz ou disse nada, sou apenas uma mera expectadora. – Se apressa a falar.

– Mas pensou em dizer. – Logo se volta para Janay que não parava de resmungar. – Querida? – Janay a fita com uma cara de “o que foi que eu fiz?” – Pare de fazer tempestade em copa d’água, é obvio que a menina ligou por engano e de todo o modo não é como se estivéssemos pegado-os transando em nossa cama. – Passou os dedos nos cabelos emaranhados. – E, por favor, parem de ficar me olhando como se eu fosse á vilã dessa história! Não tenho culpa do histerismo de vocês. Todo mundo já para os seus quartos! – Ordena em alto e bom som. –  E se eu ouvir um murmuro que seja, juro que vou mostrar a vocês com quantas facas se esquartejam uma família. – Todos voltaram para seus respectivos quartos em total silêncio.

[...]

– E como anda a recruta Heitor? Estou tão focado nas decisões do senado e em nossas pesquisas que mal tive tempo de acompanhá-la. – Questiona Álvaro.

– Tão submissa quanto possível. – Afirma triunfante. – Faz tudo o que lhe é submetido, não questiona ou comete erros e está a inteira disposição. – Pausou para tragar o seu charuto. – Depois do ultimo aviso que lhe dei acredito que aprendeu o seu lugar na cadeia alimentar. Em todo caso, se tudo falhar e o monstrinho se descontrolar ou resolver fugir, aquele chip está ao nosso dispor para rastreá-la. Sem contar que aquela coisa tem muito ao que temer, ela se preocupa demais com os amigos e “parentes” – fez aspas com as mãos na ultima palavra –, e todo esse cuidado e proteção torna-se sua maior fraqueza e é claro eu uso isso ao meu favor. A irmãzinha cega é um lembrete diário que não estamos para brincadeira. 

Mudando de assunto, se por acaso o plano A falhar estou trabalhando um plano B que modéstia a parte é tão bom quanto o A. – Soltou uma boa quantidade de fumaça pelo nariz.

– Vejo que as coisas estão sob controle. Espero que continue assim.

– Continuarão, e em breve vamos colocar um fim nesse maldito tratado de paz! Agora vá dormir, seu semblante está péssimo. – Reparou no rosto marcado do aliado. – Sei que é difícil essa rotina de vampiro, infelizmente não tem jeito. – Indagou rodopiando o olhar pelo quarto escuro e sombrio.

– Você está certo, mas antes, Heitor não há possibilidade alguma de eu tomar pequenas doses do sangue da recruta para que possa andar livremente ao sol? – Seus olhos estavam carregados de tristeza e melancolia.

– Já conversamos sobre isso Álvaro, não é que não queria te ajudar, longe disso. Entretanto, você viu como foi difícil te arrancar de cima da garota quando fomos transformá-la. O sangue dela pode ser tanto uma dádiva quanto uma maldição, um tormento. Não esqueça que tudo nela é destrutivo .
Em todo caso, faremos um teste então, muito em breve precisarei dos serviços dela e colherei uma boa quantidade de amostras de sangue. Farei uma analise minuciosa, alguns testes com umas cobaias e se tudo caminhar bem poderemos fazer como você sugeriu, quem sabe com pequenas doses as coisas não saiam do controle e você possa ter pelo menos um pouco da sua vida de volta. – Álvaro esboçou um largo sorriso em aprovação.

[...]

– Me solte, por favor. – Implora o homem se debatendo contra o aperto forte das garras dela.

– Te soltar? – Ainda estava em sua forma animalesca. A voz era grave e monstruosa nada sutil ou feminina. O corpo coberto por pelos, sua estatura quase dobrara de tamanho. – Está vendo essa garotinha aqui?! – Com violência segurou a cabeça dele obrigando-o a olhar. – Ela também deve ter implorado para que a soltasse, mas suas suplicas não foram atendidas. – Pragueja sem desviar o olhar do corpo imóvel e frio da menina.

– N-não sei do que está falando. – Gagueja tentando desviar o olhar do pequeno corpo a sua frente.

– É mesmo? – Um sorriso feroz lhe rasgou o rosto, o homem pôde ver os pontudos dentes. – Será um prazer refrescar a sua memória. – Etoile lhe sustentou o olhar. – Você vai ficar aqui, encostado nessa arvore, não poderá dar nenhum passo seja para trás ou para frente. – Ao proferir tais palavras os olhos dela mudaram de cor, do verde para o vermelho numa fração de segundos. Em transe ele assentiu. Ela o soltou e saiu em disparada pela floresta.

Minutos depois voltou, agora em sua forma humana. As roupas estavam rasgadas devido á transformação anterior, contudo não pareceu se importar... caminhou na direção do homem , em passos lentos e, em uma das mãos carregava uma grossa e extensa corda, na outra um grosso e longo pedaço de madeira.

– Demorei? – Falou batendo levemente a madeira na palma da mão. A voz agora era calma e suave. 

– O que é você? Quem é você? – Interroga o assassino sentindo suas pernas fraquejaram.

– Conhece o demônio? – Com os olhos ainda arregalados e sentindo pequenas gotas de suor lhe cobrirem o rosto ele balançou a cabeça negativamente. – Prazer, Etoile. – Afirmou ficando frente á frente com ele.

[...]

– Micaela mal pegou no sono quando escuta o celular vibrando contra o travesseiro. Ainda sonolenta atende.

– Bom dia Micaela. – Logo reconhece a voz da irmã.

– Pelo amor de Deus, hoje tiraram o dia para acabar como meu sono! – Resmunga sentando na beira da cama com cuidado para Janay não acordar.

– Nossa é assim que você trata a sua única irmã, que aspereza. – Falou em tom amigável, mas de longe podia-se notar a acidez e ironia do comentário.

– Não estou de bom humor para discutirmos hoje Solange. – Micaela deixa um longo suspiro escapar. – Aconteceu alguma coisa?

– Não aconteceu nada, só queria perguntar se posso levar uns amigos para a festinha de aniversário de Frederico?

– Eu pensei que você nem viria quando te mandei a mensagem falando sobre o assunto. Fico surpresa que não só esteja interessada em vir como vai trazer até amigos... – Comenta atordoada.

– Viu só que avanço? Daqui á pouco vamos até está trocando confidencias como irmãs de verdade. – Micaela percebeu pelo tom entoado que Solange estava prestes a remoer todas as magoas e desavenças do passado, então se apressou a falar.

– Pode trazer seus conhecidos, se assim desejar. Todavia, veja bem quem traz a minha casa, para o bem deles. – Advertiu. – E vá dormir também, não se esqueça que é uma vampira.

– Não há um dia sequer da minha vida em que eu possa me esquecer disso. – A amargura e ressentimento trasbordaram por sua voz. – Fico agradecida por sua cordialidade Micaela, até sábado. – Desligou sem esperar por uma resposta. Apesar de Micaela achar muito estranho e repentino o interesse súbito da irmã em vir participar de uma comemoração em família, no fundo ficou feliz. Talvez ainda houvesse uma chance da grande muralha feita entre ambas rachar e pudessem ter uma boa relação como antigamente. E com um pequenino sorriso no face voltou a dormir.

[...]

Etoile amarrou o assassino em volta de uma grande e solida árvore. O homem tremia como se estivesse congelando, seu rosto estava inchado e sangrando muito.

– Eu já disse que não fiz nada, não sei do que está falando! – Grunhiu sentindo um forte golpe em seu joelho já machucado.

– Eu posso sentir o seu cheiro nela, e o dela em você. – Rosnou ameaçadoramente ouvindo as batidas aceleradas do coração de sua presa. – Porém, o estuprador insiste em negar o obvio... por mim tudo bem, tenho todo o tempo do mundo para te fazer falar. Modéstia á parte possuo mestrado e doutorado no quesito tortura. – Um flashback rápido do tempo que passou com Álvaro e Heitor lhe veio a cabeça. – O que faço contigo? Te bato ou te estupro? – Colocou o dedo indicador no queixo pensando um pouco á respeito. – Para quê escolher? – Deu de ombros de maneira descontraída –, farei os dois! – Seus lábios se curvaram em um meio sorriso que era pura maldade. Podia sentir o pânico e desespero emanando do criminoso à medida que passava a madeira lentamente sobre seu corpo parando no sexo dele. – Vou bater tanto nisso que você tem no meio das pernas que não vai servir nem mesmo para mijar, depois vou te virar de bruços e com muita força enfiarei cada centímetro dessa madeira dentro de você, quero ver o quão forte e inocente é depois disso! – Com os olhos ardentes de excitação diferiu o primeiro golpe na genital do homem, e mais um, e outro... – O menininho fez xixi? Dizem que o melhor método de educar meninos levados e fazê-los beber sua própria urina.

– Fui eu! – Confessa ofegante e visivelmente aterrorizado. – Contarei tudo que quer saber, mas, por favor, não continue. – Pede sentindo as lágrimas inundarem seu rosto.

– Agora sim estamos nos entendendo, estou pronta para ouvi-lo.

– Confesso que matei a garota, mas a culpa não foi minha, foi dela. – Afirma vendo as longas unhas de Etoile, estavam quase como garras.

– Hum... Interessante. – A voz era baixa e serena, quase como uma brisa sendo jogada ao vento. – Conte-me mais sobre isso, quem sabe após ouvir a sua versão da história não mude de ideia e te solte, e esquecemos esse possivelmente mal entendido. – Ainda amedrontado o assassino assente e prontamente se dispõe a falar. Antes dele pronunciar o encarou.

– De sua boca só saíram verdades, não quero nada além disso. – O hipnotizou. – Prefiro tomar algumas medidas preventivas, por via das duvidas... Poderia ter te compelido desde o começo da nossa conversa, contudo achei mais divertido fazer você mesmo se prontificar. Vai ficar quanto tempo me encarando? A minha proposta de violentá-lo ainda está de pé. – Ameaça sem ao menos piscar. Ele estremeceu num misto de dor e medo. Pelo olhar impiedoso sabia que não estava blefando sobre suas ameaças. 

– Eu estava passando pelo parque de Stilnox quando avistei essa garotinha, sozinha sentada num balanço, ela lambia e mordia um pirulito, em movimentos repetitivos e lentos... – Fechou os olhos relembrando a cena. – E o vestidinho branco? Tão transparente que qualquer um conseguiria ver a cor da sua calcinha, seus mamilos rosados e pequeninos estavam nítidos para todos verem. – Passou a língua por entre os lábios sem se dar conta. – Quando me aproximei ela sorriu para mim e perguntou se eu queria provar do pirulito. Não queria violá-la – olhou para o corpo estirado –, juro que tentei seguir em frente e deixá-la, mas a menina era tão bonita e inocente, eu tinha que lhe mostrar o que era o amor e o quão prazeroso ele poderia ser. – Etoile podia ver as mãos dele tremendo, desta vez não de medo e sim de pura excitação.

– Acho que alguém está pedindo para ser trucidado! Seu maldito. – Esmurra o rosto dele com tanta força que ouviu um som familiar de ossos sendo quebrados.   

– Eu não sou uma pessoa ruim, me fizeram ser assim. – Argumenta limpando o sangue que escorria por seu rosto. Etoile fechou os olhos se identificando com a frase.

– O que quer dizer com isso? – Franze o cenho, desta vez mais calma.

– Meu pai me tocava, nas minhas partes... – O timbre de voz ficou triste e melancólico. – Dizia que estava me ensinando o que era o amor... Doía muito, ele era grande, pesado e muito agressivo... – Se encolheu automaticamente. – Sangrava, mas isso não o fazia parar... – Seus olhos estavam vulneráveis e brilhantes de lágrimas. – Eu pedia, implorava para que parasse, no entanto ele dizia que a culpa não era dele e sim minha, por seduzi-lo ao saborear os doces com tanto gosto e audácia. Afirmava que eu o provocava usando roupas muito claras e translucidas de modo que ele pudesse ver o meu corpo através da roupa, era como se fosse um convite. Isso durou muito tempo, mais tempo que eu possa contar.

Minha mãe nunca acreditou em mim ou talvez tivesse medo de acreditar. Quando tinha 10 anos, meu pai morreu em um acidente de trânsito, ele dirigia embriagado e colidiu com um caminhão. No seu enterro não derramei uma única lágrima, no meu rosto havia alivio e até uma pitada de alegria.

Entretanto, era tarde demais para mim, eu já estava contaminado com sua sujeira e me vi fazendo tudo o que foi feito comigo. Sei que é errado, desumano, imoral... Só que é mais forte do que eu, simplesmente não consigo controlar, é quase como uma necessidade.

– Nunca pensou em procurar ajuda? – Perguntou Etoile por fim.

– Tentei, ao saber do meu transtorno minha família me virou as costas... mãe, tio, todos. Para eles eu não sou uma pessoa que precisa de ajuda, mais sim um psicopata asqueroso que tem que ser enjaulado. – Dispara com grande ressentimento. – Ninguém ver isso como uma doença, e sim como safadeza.

Nunca fiz tais atos por safadeza, mas sim por uma necessidade tão grande como se fosse o ar que respiro. Não tenho escolha, ela foi tirada de mim. – Etoile fechou os olhos inspirando e respirando. Em seguida, os abre e intercalando o olhar entre a menina e o homem.

– A vida é feita de escolhas... como se fosse um labirinto, precisamos escolher o melhor caminho, mesmo que não saibamos para onde esse caminho vai nos levar. A cada escolha, um novo caminho, e uma nova maneira de avançar... sempre lembrando que podemos mudar de caminha a qualquer momento, a final, escolher mudar ou continuar também é uma escolha! E nós somos a soma de nossas escolhas.

Em outras palavras, sempre há escolhas. – Concluiu com o olhar distante. – Somos um pouco parecidos, admito. – Murmurou mais para si própria do que para ele. – A culpa não foi minha, me fizeram ser assim... eu não tive escolha... queria controlar tais instintos, porém são mais fortes do que eu... por que eu? – Voltou a fitá-lo. – São perguntas e questionamentos que me faço todos os dias. Mas quer saber de uma coisa? – Nem esperou por uma resposta. – Algumas escolhas simplesmente são tiradas da gente, porém não todas, não tudo. E, é isso que nos define vitimas ou vilões... não é como se você tivesse sido obrigado a fazer o que fez, o que faz... – Replica inalando o cheiro forte de sangue dos ferimentos dele. Em passos lentos começa a rodar em volta da arvore. – Eu mais do que ninguém poderia te entender, mas ao contrário de você estou tentando, me esforçando para tentar um recomeço... sei que estou retrocedendo alguns passos... é um pequeno preço que terei que pagar! Sou a justiça, irei até o fim. É hora de acabar com sua existência, para o seu próprio bem.

De vitima á vilão, quase sinto pena – um sorriso lascivo lhe preenche os lábios chegando até os olhos –, porém alguém precisa vingar a garotinha, você precisa ser parado. Infelizmente ou felizmente não consigo ter pena de você, sou vazia demais para isso. – E um golpe rápido foi dado no maxilar, o humano gemeu de dor cuspindo dois ou três dentes... não tivera tempo de contar, pois mais um golpe lhe fora dado.

– Todos merecem uma segunda chance. – Pragueja num fio de voz, mal conseguia respirar de tanta dor.

– Se todos merecem uma segunda chance, onde está a segunda chance da pessoa que você matou? – Rebate sentindo o desejo por sangue crescer por todo seu corpo, estava faminta e sedenta, algo que beirava ao desespero... nem se quisesse o deixaria ileso ou vivo. A dor, o medo e cheiro de sangue de sua caça estavam tão fortes que ela simplesmente não conseguia pensar em outra coisa a não ser matá-lo, devorá-lo... – Poderia ter seguido em frente, contudo escolheu o caminho mais fácil! Conseqüentemente e a longo prazo se torna o mais difícil e, é aí que nós nos encontramos.

– Prometo não fazer mais! – Choramigou apavorado.

– Não vejo em seus olhos um traço de culpa ou de arrependimento, sequer vontade de realmente mudar ou curar seus traumas, não minta para mim, pois no quesito mentira fiz uma pós-graduação, em outras palavras, não minta para mentiroso. Vou dizimá-lo da face da terra. – Afirmou. O tom agora era sombrio e ameaçador, seus olhos verdes não pareciam humanos, estavam num tom mais escuro.

– Ainda tenho tanto para viver... tantas pessoas para amar... me salve! – Volta a suplicar vendo-a transforma-se em uma grande fera novamente.

– Todo mundo vai te amar quando o coveiro disser: “Cinco minutos para fechar o caixão.” – Não havia humanidade alguma nela, as feições brutais eram aterrorizantes vistas de perto. O corpo volumoso coberto de músculos e pelos, dentes pontiagudos, as enormes garras, a boca transbordava saliva... Com apenas um gesto ela arremessou a corda longe deixando-o livre. 
Ele não tinha mais forças nem mesmo para salvar sua vida, estava ferido demais. A cor abandonou suas bochechas, parecia que a morte já havia lhe embalado e nada poderia fazer para escapar de suas enormes mãos. Mesmo sem forças gritava por clemência e socorro ao mesmo tempo, gritos ensurdecedores, mas sua assassina nem ao menos pestanejou.

Estavam tão próximos que podia sentir a respiração quente da fera em seus ombros, as garras cravaram em cada lado dos ombros, o ardor da pele se rompendo era agonizante, e neste instante soube que sua hora havia chegado... fechou os olhos ao sentir grandes presas abocanharem seu pescoço não havia sutileza, mas brutalidade e selvageria.

– Etoile não! – Grita Zein deparando-se com ela apoiada no homem devorando brutalmente seu pescoço. – Ela o olha de soslaio, um olhar que não era humano, estava fora de controle. E antes que Zein pudesse fazer qualquer movimento á cabeça fora arrancada do corpo, sangue jorrou em cima dela, que urrava de puro prazer e êxtase. Ficou de quatro patas o encarando com olhar sombrio, estava prestes a atacá-lo.

– Sou eu, Zein! Não me reconhece? – Explica dando alguns passos para trás à medida que ela rosnava em sua direção. A fera se aproximou mais e mais, ficando a milímetros de distância. E como um animal, começa a farejá-lo. – Zein permaneceu imóvel deixando-a sentir o seu cheiro. Minutos depois a viu se afastar e nesta hora percebeu que estava voltando á si.

– Zein... – Murmurou limpando um pouco do sangue que escorria de seu queixo. – O que está fazendo aqui? E que olhar é esse? Ele merecia. – Zein demorou alguns segundos para falar, estava perplexo com Etoile em sua forma animal, sem contar que quase fora atacado.

– Mesmo que ele tenha merecido, o que deu a ele não foi justiça foi vingança. E a vingança sempre destrói o vingador. Onde está aquela Etoile doce e ingênua de antes? A que queria apenas se enquadrar e ter uma vida normal? Onde ela está? – Arqueia uma sobrancelha destacando seus intensos e agora confusos olhos acinzentados.

– Eu matei e a comi. – Vociferou lançando-lhe um olhar impiedoso.

– Então a cuspa de volta. – O olhar dele se intensificou, como dois raios de laser dirigidos a ela.

– Eu tenho sede de sangue, preciso matar para me sentir “viva”. – Se justifica voltando a sua forma humana.

– O meu amor não é suficiente para você se sentir viva, para que supere e siga em frente?

– Estou superando e seguindo em frente, mas não se pode pedir para um leão ser vegetariano, por mais dócil e pacifico que ele seja ou tente ser, a certas necessidades que estão acima dele. Faço o máximo para agradar e proteger a todos... mais do que eles suspeitariam. – A ultima frase foi quase como um sussurro rouco. – E agora sou eu que te pergunto, o seu amor não é suficiente para aceitar essa nova Etoile? – Ambos se entreolharam por longos segundos que pareceram horas...

[...]

Á noite naquele dia. Sonia andava de um lado para o outro na sala.

– O que eu faço com essa menina Jana? – Indaga Sonia se descabelando.

– E você vem perguntar para mim? – Janay desvia o olhar da televisão para encará-la.

– Você é uma das mais velhas por aqui... por certo deve ter muitos conselhos para dar! – Sentou ao lado da vampira, porém mantendo uma boa distancia por conhecer seu difícil temperamento.

– Se eu tivesse metade da sua idade poderia ser considerada velha! – Ralhou entortando a boca. Isis estava deitada no colo da irmã despreocupadamente totalmente alheia a briga das duas mulheres.

– Ei – levantou a mão na defensiva –, foi um elogio.

– Sério? Pois os guarde para si. E já que pediu a minha opinião sobre a telefonista do amor, darei! Eu sugiro que dê uma boa surra nela e ainda arranque uma tira de couro de cada dedo dela, assim vai pensar duas vezes quando olhar para as cicatrizes e nunca mais vai se dar ao desfrute. – Micaela aparece na sala e logo entra na conversa.

– Minha querida e amada companheira está querendo dizer que deve ter paciência com sua filha, sente com ela, converse... explique seu lado e procure está aberta a ouvir o dela também. E não esqueça de procurar orientação tanto de Edgar, como do próprio pai e claro do psicólogo. – Sugeriu sentando no outro sofá ao lado do delas. – Não é mesmo meu benzinho? – O tom de voz de Micaela dizia claramente que não havia espaço para respostas mal criadas.

– Foi exatamente isso o que eu quis dizer, Sonia. – Anuiu passeando os dedos por entre os sedosos cabelos ruivos de Isis. Micaela pode vê-la revirando os olhos mostrando sua frustração em ter sido induzida a concordar.

– Perdi alguma coisa? – Quis saber Edgar sentando ao lado de Micaela.

– Que nada Ed – falou Janay com intimidade –, estávamos aconselhando a sua esposa em relação à remelent... – Antes que pudesse terminar a frase sentiu seu braço queimar e logo nota Micaela ao seu lado lhe beliscando. Morde os lábios de raiva e estreita os olhos com expressão de “você não estava no sofá ao lado?” Forçando um sorriso retoma a palavra. – Quero dizer, estávamos falando sobre Luciana e seu comportamento abusivo e indisciplinado.  E obviamente a melhor maneira de tentarmos lidar com isso.

– Juro que estou tentando ser o mais compreensiva possível, mas Luciana não está facilitando as coisas... – Dispara Sonia desviando o olhar para o piso de cima onde sua filha se encontrava no quarto isolada e com um humor terrível. – Já não sei mais o que eu faço! – Volta a se descabelar. – Vive chorando pelos cantos por causa daquele moleque, tenho certeza que aquela ligação deveria ser para ele.
Não aceita ajuda de ninguém e vive caindo pela casa, se recusa a usar a bengala de cego! E eu gastei uma fortuna naquela bengala. – Meneia a cabeça com cara tristonha. Miguel liga cada vez menos, as coleguinhas de escola mal ligam, exceto por Valeria e o garoto que foi no piquenique conosco.

– Com aquela personalidade detestável estou surpresa por ter dois amigos. – Balbucia Janay fazendo cara de surpresa. – Luciana é a versão humana de uma enxaqueca.

– E aquele idiota não vale nem os peidos que a maninha segurou por ele. – Frederico surge do nada ficando ao lado de Micaela.

– Ajoelha ela no milho, quem sabe assim ela não para de tanto drama e começa a dar valor ao que tem. – Diz Isis sentando-se no sofá. Todos ficaram surpresos, pois ela é do tipo neutra e dispersa.

– Isis... – Repreende Janay vendo a raiva e indignação brilhar nos olhos da ruiva.

– Estou cansada da ingratidão e falta de respeito de Luciana. Sei que ela sofreu e que não está sendo fácil. Mas que droga, todos que estão aqui estão sofrendo também. Eu tenho meus traumas e problemas. 
Micaela e você vivem apaziguando as coisas e cuidando de todo mundo. Edgar foi torturado por meses, Etoile também. Frederico perdeu o irmão e junto com Sonia foram transformados em lobisomens!

Não é só você que tem problemas, que sofre! Então por favor, para de bancar a vitima e a incompreendida – grita em direção do quarto de modo que seja ouvida –, não está machucando só a você, mas a todos a sua volta. – Sem esperar por uma resposta saiu para o jardim. Janay vai em seu encalço.

– Não a leva a mal ela só está sobrecarregada, está sendo difícil para ela conviver com outras pessoas, tudo é muito ressente e novo... Vamos atrás dela Fred e ver se está tudo bem, ultimamente Isis anda muito instável. – Frederico assente e saiu com Micaela deixando Edgar e Sonia na sala.

– O que foi isso? – Inquiriu Sonia ainda chocada. 

– O que queria? – Dá de ombros. – A menina não disse nenhuma mentira. Luciana é muito resistente e extremamente egoísta! Todos temos algo a que nos queixar... ela não é a única que tem problemas e essa rebeldia e infantilidade acaba machucando as pessoas.

Isis já passou por tanta coisa que qualquer um no seu lugar já teria se matado ou enlouquecido, e apesar de tudo está lutando com unhas e dentes para superar seus traumas e poder viver e sorrir novamente. E ao ver o comportamento de Luciana, o modo como enxerga as coisas, como trata as pessoas deve feri-la.

– Estou entendendo o que está dizendo, e para falar a verdade eu não aguento mais! – Esfrega os olhos com o dorso das mãos tentando secar as lágrimas.

– Calma minha morena. – Senta ao lado dela aninhando-a em seus braços. – Eu estou aqui do seu lado e juntos vamos superar mais esse obstaculo. 

[...]

Etoile já estava em casa com Zein e o clima estava tão denso que poderia cortá-lo com uma faca.

– Não estou acreditando no que acabou de fazer? – Exclama Etoile fulminando-o com um olhar devastador.

– Liguei para as autoridades e fiz uma denuncia anônima, o que tem de mau nisso? – Nem esperou por uma resposta. – Deveria está agradecida por eu ter limpado à sua sujeira, removendo o corpo do humano do local e apagando qualquer vestígio que você ou eu estivemos na cena do crime. Apesar de suas intenções terem sido das mais nobres – foi irônico de propósito –, acredito que a policia não veria uma decapitação como a melhor forma de justiça ou punição.

– Me refiro á garotinha. – Interrompeu.

– Os pais da menina tem direito de saber o paradeiro dela, esteja viva ou morta. Não podíamos deixá-los passar o resto de suas curtas vidas procurando alguém que simplesmente não poderia ser encontrado. – Explica avaliando a feições sombrias e mãos levemente tremulas de sua companheira. – Me surpreende você pensar de maneira diferente, levando em consideração que sabe a dor e o desespero de não saber onde está seu ente querido e viver dia após dia procurando incansavelmente ansiando por uma resposta seja ela boa ou ruim.

Já esqueceu o sofrimento que passou a procura de Edgar? Que memória curta a sua. – Ergueu uma sobrancelha de maneira petulante. Ela sentiu um tremor percorrer todo seu corpo ao lembrar do tempo que passara sem o pai, do medo de não consiguir encontrá-lo...

– Eu sei muito bem a onde está querendo chegar... não é que não quisesse que dessem o ultimo adeus a sua filha, só queria poupar-lhes da grande dor que vão passar por perder sua criança, ainda mais naquelas circunstancias.

– É mais justo magoá-los com a pior verdade, do que iludi-los com a melhor mentira. Ainda estou procurando uma fagulha de remorso em seus olhos, porém não vejo nada. – Cruza os braços com o semblante curioso. – Não é que eu não ame essa nova Etoile, sei que muita coisa foi tirada de você, sei também que ás vezes, na vida, fazemos escolhas, e ás vezes, essas difíceis escolhas nos levam a fazer coisas terríveis que não queríamos fazer. Faríamos de tudo para não fazer, mas a escolha demonstra a própria escolha. 

Ainda assim e apesar disso eu esperava mais de ti. Mais força de vontade, alto controle e principalmente confiança em mim. – Ela logo viu a mágoa e frustração estampadas no bonito rosto.  – Juro que estou me esforçando para tentar te ajudar, te compreender, todavia percebo que não é recíproco! Sei que esconde segredos, que faz muita coisa pelas minhas costas, coisas das quais não são de boa índole ou muito louváveis. Seja sincera se não comigo consigo mesma... O que você é, vitima ou a vilã? O que te faz menos monstro que aquele homem a quem acabou de matar? Quem te deu autoridade ou tal senso de justiça para decidir quem deve viver ou morrer? São perguntas que pairam na minha mente. – Zein estava a ponto de explodir, raiva e desapontamento enevoava sua visão. Sabia que Etoile não era a mesma de antes, mas o que viu foi chocante demais. Estava devorando uma pessoa, havia prazer em seus olhos. E quase o atacou! Não podia simplesmente ignorar tais fatos. Vendo-o em silencio e estagnado foi a deixa dela para falar.

– Estou cansada de me despedaçar para manter os outros inteiros. Você não faz idéia de como estou me esforçando para que todos possam seguirem em frente, para ninguém sofrer qualquer dano. – Apertou os olhos para não chorar. – Mas é como dizem, não importa quantas coisas boas você faça, as pessoas só irão notar e julgar a única coisa errada que você fez! – A primeira lágrima rola de seu rosto, porém não a impede de continuar a falar. – Sei que não tenho direito ou moral para julgar ninguém, contudo não podia deixá-lo escapar... o que ele fez foi monstruoso demais. – A imagem da garotinha morta logo lhe vem à cabeça. – Não havia arrependimento nele, mesmo tendo passado pela mesma coisa. Apenas quis pagar o mal com o mal. – Concluiu por fim, estava ofegante e visivelmente abalada. Zein parecia ter resposta para tudo, destruindo todas as suas tentativas de explicação e lógica.

– E o que te diferencia deste homem Etoile? – Berrou ele com os olhos faiscando de fúria. – Não acabou fazendo a mesma coisa que ele? Pagando o mal com o mal! – Tentando manter a voz firme Etoile rebate.

– Admito que erro muito, que faço totalmente o contrario do que deveria ser feito. Sei que gostaria de ouvir outras respostas, mas são as únicas que posso lhe dar, não há outras. Não sei se sou vitima ou vilã, quem sabe um pouco de ambos? – Dá de ombros. – Atire a primeira pedra quem nunca errou! Só eu sei o quanto estou lutando dia após dia para me tornar alguém melhor, ou menos pior. – Deu um sorriso fraco, as palavras estavam saindo baixas e tremulas e as lágrimas caiam sem parar.

– Reconheço que está se esforçando, porém não está dando tudo de si, apenas se esforçar não é suficiente. – Passou as mãos pelos cabelos desgrenhando-os ainda mais. – Não passou pela sua cabeça que desde que foi libertada anda fazendo coisas terríveis? Atitudes que não prejudiquem apenas você, como todos a sua volta? – Pausou tentando ponderar o tom de voz, pelos tons alterados que discutiam acreditava que não ia demorar muito para os vizinhos chamarem a policia. – Ma chérie vivemos no mundo dos humanos, onde as regras são ditadas por eles. O tratado de paz não é solido o bastante para nos darmos ao luxo de fazermos justiça com as próprias mãos.

O caminho que está seguindo é um caminho muito perigoso, pois se você cair leva consigo todos nós! Está disposta a perder a sua liberdade e das outras espécies ao custo de seus atos justiceiros ou a sua sede por sangue? – Ela não respondeu, havia um vislumbre de medo em sua face. Ele sabia que a liberdade dela era algo inestimável e não hesitou em usar isso ao seu favor. – Matar o homem não era a sua única alternativa. Poderia tê-lo entregado a policia e o deixado apodrecer por muitos anos, se é que ele teria esse privilegio levando em consideração a aversão que humanos tem de pedófilos. – Puxa pela memória das inúmeras mortes de tais criminosos. – Poderia tê-lo compelido a não cometer mais tal crime, temos o poder da hipnose porque não usá-lo para o bem? Em ultimo dos casos, lhe dado uma grande surra, de modo que se lembrasse para sempre deste dia... – Os olhos dela estavam congelados ouvindo cada palavra dita. – O que estou tentando dizer, é que ferir os outros é como segurar um carvão quente com a intenção de jogá-lo em alguém, no final de tudo você acaba se queimando.

– Nenhuma dessas possibilidades passaram pela minha cabeça. – Afirma olhando para as mãos ainda sujas de sangue. – Eu só queria caminhar na minha floresta, rever meu antigo lar, me sentir em paz... todavia as coisas tomaram outro rumo e simplesmente me vi presa na situação e apesar de tudo que me disse não consigo me arrepender por tê-lo ferido ou matado. Admito que tudo que toco eu destruo e parece que onde quer que eu esteja coisas ruins acontecem. – A voz estava baixa, as mãos tremiam mais a um ponto tão visível que não conseguiria segurar um copo com água sem que derramasse metade. – Fui criada para matar e, é isso que sei fazer melhor. Estou tentando me controlar, juntar os pedaços que foram arrancados de mim, mas não é tão simples o quanto parece. Quando me olho no espelho só vejo uma pessoa desfigurada. – Um alto soluço escapa por sua garganta, o choro agora se torna mais alto. – Acha que fico feliz por tê-lo matado? Por matar pessoas? O prazer é momentâneo, logo vem à culpa , a dor e o desespero...

Não há um só dia que as minhas atitudes e o meu passado não me assombre. Não quero tirar a liberdade de ninguém, quero apenas preservar a minha. Desculpa por fazer coisas ruins, por ser impulsiva agindo antes e pensando depois. Por mentir ou omitir coisas. Mas quero que saiba que tudo que faço é para o bem de todos. E por favor, não olhe para mim assim – pede vendo a desconfiança e o horror se mesclarem em seus olhos acinzentados –, como se eu fosse um monstro, mesmo sabendo lá no fundo que não deixa de ser verdade.

Mas você não... Você é tudo para mim, eu vivo e luto por ti, para está contigo, a pessoa que impede que perca a minha sanidade. – E mais um soluço veio e outro, após outro... E rapidamente ela se vê submersa numa crise de choro.

– Ei, acama-se. – Corre em sua direção a agarrando com força, numa tentativa de acalmá-la. – Estou aqui do seu lado, você é minha e eu sou eu. Minha família, a pessoa que faz meu mundo mais bonito. Juntos vamos lutar contra tudo e contra todos, não eis nenhum monstro pra mim só quero que entenda o peso de suas atitudes por mais tentadoras que sejam. – Ela se afasta dos braços dele, recuando dando passos para trás até sentir a parede fria encosta-lhe nas costas.

– Ele merecia a punição que lhe dei, não foi um bom menino... eu sim fui uma boa menina, lhe mostrei quem é a caça e quem é o caçador. Onde era o seu lugar na cadeia alimentar. – Diferiu cada palavra que ouvia de seu carrasco. – Me tiraram tudo! A minha vida, minha paz, até a minha essência... não sou nada, não tenho nada! Só queria eliminar uma pessoa ruim, não sabia que isso me faria ser ruim também... – Engole em seco sentindo um turbilhão de emoções. – É mentira, não sou uma pessoa má, faço tudo que pedido! – Bate palmas dando um sorriso perturbador. – sou uma boa menina, boa menina... boa menina... – Zein fica petrificado vendo-a repetir a mesma frase diversas vezes. Etoile sentou no canto da sala, abraçou os joelhos indo para frente e para trás. O olhar estava vago, as lagrimas continuavam escorrendo pelo rosto pálido.

– O que você está fazendo chérie? – Vai ao seu encontro tentando levantá-la, mas a mesma se mostra resistente e faz menção de atacá-lo.

– Matar, mutilar, torturar... – Passou a dizer baixinho. – Zein rapidamente tira o celular do bolso.

– Jana preciso da sua ajuda! – Diz aflito ao ouvir a voz dela no outro lado da linha.

– O que aconteceu? Encontrou ela? – Interroga alarmada.

– Sim encontrei, agora não dá para explicar o que aconteceu... Minha pethi mou teve mais uma crise e essa parece ser bem forte... tem alguns calmantes de Isis? Os que tinha aqui de reserva você levou naquele dia.

– Tenho sim, o medico receitou no começo da semana. Quer que eu leve aí? – Se prontifica.

– Por favor! Ela não está em condições de ficar sozinha. Não conte a ninguém sobre isso, tem tanta coisa acontecendo não vamos preocupá-los ainda mais.

– Ok. Chego aí em um minuto. – Desligaram. Zein senta ao lado de Etoile e fica afagando seus longos cabelos loiros numa tentativa de acalmá-la. Contudo seu estado só piorava, agora rosnava direcionando seus chamativos olhos verdes, pronunciando coisas sem nexo. Notou as unhas se tornando garras, os dentes estavam pontiagudos... não demoraria muito para transforma-se num lobisomem e, pela maneira desconfiada e fria que passou a observá-lo estava se preparando para atacá-lo.

Estava contando os minutos para que Jana aparecesse, antes que as coisas fugissem do controle. Mesmo sendo forte, não tinha certeza se conseguiria detê-la... Já foi difícil conseguir contê-la quando teve aquela crise ao reencontrar o pai, quem dirá agora que já possuía melhor domínio sobre seus poderes.

[...]

Dois dias depois... A boate estava tão cheia como de costume. É os ânimos a flor da pele.

– O que há entre você e Max? – Quis saber Amanda após ver Max cochichar algo no ouvido de Mariana e sair com um discreto sorriso no rosto.

– Posso saber o que isso vai acrescentar no seu trabalho? – Questiona calmamente fitando a colega de trabalho.

– Nada. – Responde estreitando o olhar. – Porém, acho uma falta de respeito e pouca vergonha. Já não basta ter apanhado da esposa daquele tiozinho, o que quer agora? Levar uma surra de Frida também? – Ergueu uma sobrancelha de maneira inquisitória. Vendo-a muda e imóvel contínua a falar. – Não que eu goste de Frida ou seja nenhuma santa, mas você está passando dos limites. Não vai demorar muito para que todos comecem a comentar, e quando nos dermos conta todas nós vamos levar uma fama que não merecemos. É como diz o velho ditado: “Diga-me com quem andas e direi quem eis”. – Mariana apertou-lhe o braço e a arrastou para o banheiro dos funcionários, onde não havia tanto barulho ou olhares curiosos.

– Esse ditado tem seu outro lado: “Dizei-me com quem andas e eu te direi se vou contigo”. Sabe o meu nome, mas não sabe a minha história. Escutou o que eu fiz, mas não o que passei. Sabe onde estou, mas não sabe de onde venho. Me vê rindo, porém não sabe quantas lágrimas já derramei. Nos damos bem e confesso que nos aproximamos muito nos últimos tempos, contudo isso não lhe dar o direito de me colocar contra parede. – As bochechas de Mariana estavam tão vermelhas quanto seus cabelos. – Se acha que eu posso te constranger ou macular a sua dignidade não precisa ser minha amiga. – Amanda abriu a boca para rebater, mas uma voz familiar ecoou pelo banheiro.

– Que gritaria é essa? – Esbravejou Janay cruzando os braços na porta do banheiro. Elas baixaram o olhar permanecendo em silêncio. – Vão para o meu escritório agora! Estou logo atrás de vocês. – Mariana soltou o braço de Amanda e caminharam apressadamente em direção do escritório. Ao entrarem no escritório as garçonetes fizeram menção de sentar no sofá, contudo foram impedidas por um olhar fulminante de sua patroa. 

– Não estão aqui para tomar um cafezinho e contar segredinhos. – Ambas ficaram eretas encarando Janay. – Dava para ouvir as vozes alteradas de vocês de longe, e não precisa nem ao menos ser vampiro para ouvir a baixaria. O que estão pensando?!

– Eu posso explicar Jana! – Exclama Mariana aflita.

– Eu também. – Se apressa Amanda sentindo as pernas fraquejarem.

– Não as chamei aqui para escutar o que vocês tem a dizer, pois isso eu e a metade da boate já ouviu. – Para de falar por uns instantes intercalando o olhar de uma para a outra. – Magoar uma pessoa é fácil, difícil é quando você sente falta dela e ela não está mais do seu lado. Precisam aprender a se expressar, de um modo que não machuquem ou magoem uma a outra. Podemos dizer as mesmas coisas, contudo em um tom e forma diferente.

Amanda você poderia simplesmente ter dito: “Mariana tem alguma coisa acontecendo entre você e Max? Se sim, tome cuidado ele acabou de sair de um relacionamento. Sem contar que você já foi ferida demais e as línguas maldosas podem começar a comentar...

E você Mari, ao invés de debater e arrastá-la pelo braço. Poderia sido mais civilizada e explicado o acontecido como, por exemplo: “ Não estamos em um relacionamento, mesmo sendo um homem muito atraente e de bom caráter, estamos apenas afogando nossas magoas juntos.
Obrigado pela sua preocupação, e pode deixar que procurarei ser mais discreta, a final estamos em nosso ambiente de trabalho, e numa cidade onde o passatempo preferido das pessoas é a vida alheia”.

Tomem cuidado, algumas coisas levam tempo, as outras o tempo leva. – Janay se calou e esperou que falassem algo.

– Desculpa Mari – Amanda a olha nos olhos –, eu não queria ter dito o que disse, não naquele tom ou com aquelas palavras. É que tenho tão poucos amigos e acabo ficando um tanto controladora com eles. Eu realmente estava curiosa e preocupada. Do meu jeito torto, mas estava. – Funga para não chorar.

– Perdão por está sempre atacando ao invés de recuar quando é necessário. Também falei aquelas coisas da boca para fora, não quero perder a sua amizade e fico feliz que se preocupa comigo, também não tenho muitos amigos e não quero perder os poucos que me restam. – Ambas se abraçaram se desculpando milhares de vezes uma para a outra.

– Você é tão sábia Jana! – Elogia Amanda dano um passo em sua direção. Mariana faz o mesmo.

– Se ousarem dar mais um passo ou tentarem fazer o que estou pensando que farão – arregalou os olhos vendo os braços abertos das meninas –, eu juro que mato as duas. – Disse recuando alguns passos para trás. – Estou feliz que tenham se acertado, para mim isso já mais do que o suficiente.
Espero que se comportem e saibam se comunicar melhor! Porque se houver uma próxima vez o único ditado que será dito é: “Briguem novamente e ficaram desempregadas”. – Ambas assentiram. – Agora vão trabalhar, não são pagas para ficarem se agarrando. – Micaela esperou que Mariana e Amanda saíssem para entrar na sala.

– Está tudo bem querida? – Entrou.

– Sim, apenas um pequeno mal entendido. – Resumiu fazendo um gesto de pouco caso com as mãos.

– Não seja modesta, eu presenciei o atrito e a reconciliação das garotas e a maneira como conduziu toda a situação. – O orgulho era palpável na voz de Micaela.

– Traiçoeira você hein, dona Mica! – Fingiu está chateada. – Presenciou tudo e não levantou uma palha para me ajudar. – Fez biquinho.

– Não precisava da minha ajuda, e vamos combinar que usei todo o meu Latim lá em casa com nova ilustre e unida família. – Lembrou da confusão por causa do telefonema. Janay fez uma careta assentindo. – Estou surpresa de como Amanda e Mari estão se dando bem, antes parecia que as duas iam se pegar pelos cabelos a qualquer momento, entretanto agora estão tão próximas e amistosas como se fosse amigas de longa data. 

– No geral sempre se deram bem apesar do jeito arisco de Amanda. Acredito que com o tempo de convívio no trabalho a amizade acabou sendo uma conseqüência. E Elisabeth tirou férias e mesmo estando de volta anda distante e preocupada. Pelo que soube anda tendo problemas com o pai da filha dela, acho que apareceu e exige direitos paternos sobre a menina, e a menina não está facilitando muito as coisas para Elisabeth... Acredito que o distanciamento de Elisa provocou a aproximação de Amanda e Mariana.

– Tem razão. Todavia, vamos ficar de olho nelas. De todo modo, não sei se acho uma boa ideia essa amizade repentina de Max com Mari.

– Penso o mesmo. Ele anda desanimado e tristonho depois do fim do namoro com Frida. Ela gosta  muito dele, contudo o medo e o preconceito se mostraram maior que amor que sentia por ele. Ainda assim, acho que não é o fim para eles. Por isso estou receosa por Mariana, ela já passou por tanta coisa, sua cota de decepção já deu. Não quero que crie falsas esperanças e acabe se ferindo mais uma vez.

– Entendo seu ponto de vista. Em todo caso, ficaremos de olhos e ouvidos bem aberto neles. Mudando de assunto, a entrada da Vampis já foi pintada. – Conta vendo-a sentando em sua cadeira para folhear uma grande pilha de papeis em cima de sua mesa. Janay desvia o olhar da papelada.

– Estou farta desses grupos de ódio que insistem em protestar contra o tratado de paz e usam o nosso estabelecimento para isso. – Trinca os dentes de maneira ameaçadora. – Já perdi a conta de quantas vezes só nesse mês tivemos que mandar pintar aquela entrada. – Bufa revirando os olhos de maneira exagerada. – Eu juro que qualquer dia desses farei questão de sair durante o dia e esperar essa corja e drenar cada um deles. – Dispara socando a mesa enraivecida.

– Sei como está se sentindo meu amor, apesar de tudo vamos procurar manter a calma. Uma hora eles cansaram e irão parar com essas manifestações sem fundamento. Não é meia dúzia de fanáticos que irá desfazer o tratado de paz, e lembre-se que temos quem nos defenda no senado, pelo menos assim espero. – Franziu a testa intrigada.  

– Ta aí uma coisa que me deixa curiosa... – bate o dedo indicador no queixo pensativa – quem são os vampiros que nos representam?

– Essa é uma boa pergunta. – Balbucia Micaela levemente curiosa. – Mas deixa isso para lá, temos coisas demais para nos preocupar, como por exemplo, a festa de Frederico! Não esqueça que será amanha, e não poderemos vir trabalhar.

– Tinha que fazer essa festa justo no fim de semana? Poderíamos fazer muito bem durante a semana, pelo menos não precisaríamos deixar a Vampis. – Argumenta nada contente com a comemoração.

– Sábado é o dia que ele faz aniversário, não tem graça comemorar depois da data. E já está decidido e combinado, pare de ser mal humorada. Tenho certeza que a Vampis ficará bem, temos funcionários qualificados para isso.

– Fazer o que? Eu tenho alguma escolha? – Começa a carimbar alguns papeis com mais força que o necessário. Antes que Micaela pudesse dar-lhe as costas, Janay volta a falar. – E a língua nervosa ainda não se pronunciou sobre tomar sangue ou ser transformada? – Micaela lança-lhe um sorriso petulante. 

– Não me diga que está preocupada com Luciana?

– Eu?! – Fingiu indiferença. – De modo algum, para mim tanto faz – dá de ombros – só perguntei por mera curiosidade. Até porque se a remelenta optar pela transformação o mais provável séria que o meu mestre a transformasse. Zein sabe como lidar com crias, é forte e pode andar livremente durante o dia. Seria a escolha perfeita!

– Não acha que o seu criador tem problemas demais? Acha justo dar mais um problema para ele se preocupar? Luciana tem um temperamento super difícil, imagina a dificuldade que seria ensiná-la a dominar seus poderes, a controlar-se...

Já não basta Etoile em sua vida, vamos dar-lhe Luciana também? – Janay se sentiu envergonhada. – Esqueceu do surto que ela teve? De tudo que me contou?

– A imagem dela rosnando tentando nos atacar com aquelas enormes garras e dentes, toda suja de sangue ainda está gravada na minha memória e o olhar devastado de Zein também... – Janay fecha os olhos relembrando a situação.

– Jana? – Estala os dedo trazendo a companheira de volta de seus pensamentos.

– Foi um pensamento egoísta cogitar tal fardo nas costa de Zein... – Indaga por fim.

– Em todo caso, não vamos sofrer por antecedência. A garota nem ao menos tocou no assunto. Agora sobre Zein e Etoile, temos que pensar o que fazer com eles.

– Faremos isso! Pelo que vi e presenciei à Barbie está num ponto que beira a loucura.

– Acha que as está nesse ponto? – Micaela fica tensa.

– Infelizmente sim. – Acena levemente com a cabeça.

[...]

Os preparativos da festa de Frederico estavam indo a todo vapor. Todos estavam atarefados com alguma coisa e apesar dos resmungos e pequenas discussões  o bom humor reinava naquela casa. 



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