História Trato Feito - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Palavras 11.342
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura e até as notas finais (:

Capítulo 17 - Preciso de Você


Fanfic / Fanfiction Trato Feito - Capítulo 17 - Preciso de Você

Luna e eu saímos da mansão e o único lugar no qual eu pensei em ir foi a casa do Gastón, afinal ele é o meu melhor e, segundo a Nina, ela estaria lá e a Luna precisava da melhor amiga tanto quanto eu precisava do meu. Durante todo o caminho Luna permaneceu chorando em silêncio, pequenos soluços surgiam entre o choro, fazendo-a pular levemente no banco.

Eu estava me odiando tanto! Como eu pude deixar a situação chegar a esse ponto?

Eu deveria ter parado a Luna enquanto ainda era tempo, eu deveria ter contado a verdade e teria evitado tudo isso, eu não deveria ter me apaixonado por ela... Virei o rosto por um momento para observar a figura pequena e triste, a minha preciosidade, ela estava encolhida próxima a porta, chorando baixo, o cabelo ondulado escondia o seu rosto o que de certo modo era bom porque seria o fim ver o seu lindo sorriso manchado por marcas da profunda tristeza e culpa que estava nela.

Eu não deveria ter me apaixonado por ela, mas como isso poderia ser humanamente possível? Como alguém em sã consciência não se apaixona por Luna Valente?

Parei o carro em frente a casa do Gastón e desci do mesmo, fiquei esperando por Luna que parecia não querer sair dali. Eu suspirei e abri a porta pra ela, ofereci minha mão para ajudá-la a descer. Luna olhou da  minha mão até meu rosto, seus olhos vermelhos e a expressão triste, meu coração tinha se partido em mil pedaços a cada vez que ela em olhava assim.

Luna agarrou minha mão e saiu do carro, eu fechei a porta e a puxei pra perto de mim, apertando-a forte enquanto beijava sua testa.

- Vai ficar tudo bem – sussurrei.

Luna respirou fundo e s soltou de mim, caminhando na minha frente pra dentro da casa de Gastón. Ela tocou  campainha e ele rapidamente veio abrir, Gastón olhou para Luna e depois para mim, eu só sacudi a cabeça em negação. Luna entrou correndo assim que viu Nina, ela se jogou em seus ombros enquanto eu entrava a passos lentos.

Senti quando Gastón bateu em meu ombro, eu sorri agradecido.

- O que aconteceu? – Nina perguntou ainda abraçada com Luna.

- O que já era esperado – eu dei de ombros – Ambar descobriu tudo.

Nina suspirou alto e sacudiu a cabeça, sussurrando um “eu sabia”, tão baixo que eu quase não a escutei.

- Foi a maior confusão do mundo, eu nunca tinha visto a Ambar tão brava assim. – sacudi a cabeça – E como se não pudesse piorar, a Alice ainda viu tudo e disse-nos que tinha nos avisado.

Ouvi Gastón xingar baixo, batendo no sofá.

- Era só o que faltava! – exclamou ele, preocupado – Vai saber o que essa louca vai fazer agora.

- Acho que ela não vai fazer nada – menti, escondendo minha preocupação.

Olhei para Nina e Luna, agora uma do lado da outra, Luna permanecia quieta, ela agora não chorava, nem falava ou ao menos suspirava. Ela sentou-se a poltrona próxima a ela e eu me abaixei até ficar na sua altura, agarrando sua mão.

- Não fica assim – eu sussurrei – O culpado sou eu, nunca deveria ter escondido.

Luna soltou sua mão da minha, cruzando os braços e me fazendo franzir a testa.

- Eu também sou culpada porque mesmo sabendo de tudo deixei que acontecesse de novo – murmurou ela – Eu mereço todo o ódio da Ambar.

Suspirei alto e olhei sugestivamente para a Nina, um claro pedido de ajuda. Nina parece ter compreendido, ela levou Luna lá pra dentro, talvez para conversar, e eu fiquei sozinho com o Gastón.

Eu em levantei e o encarei.

- Estou preocupado – confessei – Estou preocupado com o que vai acontecer com a Ambar agora, o que será de mim com minha família, to preocupado com a Luna, eu nunca a vi assim, o que será dela e da prima? E ainda por cima a Alice, como lidarei com ela? Como protegerei a Luna dela?

- Você tem razão em estar preocupado com a Alice – disse Gastón – A gente não sabe o que ela vai fazer, mas sabemos do que ela é capaz. Ela matou a própria prima.

- Não sabemos se foi ela mesma. – sussurrei –, e não diga essas coisas assim, Luna pode ouvir.

- Matteo ela é perigosa, você sabe disso, viu isso nela.

- Eu sei – concordei com um suspiro, tirando o celular do bolso – Temos que dar um jeito nisso.

Olhei meu celular e vi o tanto de ligações perdidas e mensagens da minha  mãe, dentre essas mensagens uma urgente com letras maiúsculas que saltavam da tela, dizendo: “SEU PAI SOUBE DE TUDO! ESTÁ TE PROCURANDO!”

Eu arregalei os olhos assustado e antes que Gastón pudesse terminar sua frase questionando-me sobre o que era, nós escutamos uma voz alta e grossa do lado de fora que gritava pelo meu nome.

Era o meu pai.

Luna voltou depressa com Nina para a sala e me olhou assustada, eu respirei fundo e precisei reunir muita coragem e força para caminhar em direção da porta. Luna e Gastón correram até mim e tentaram me segurar.

- Não, pelo amor de Deus – Luna pediu – Ele vai te matar!

- Matteo espera, espera – Gastón me puxava – Você está nervoso, ele também, melhor esperar ou ele pode te machucar.

- Eu tenho que resolver isso uma hora ou outra, então melhor que seja agora.

Me soltei deles e segui para fora da casa.

- Matteo, não!

Ignorei os avisos e sai da casa de Gastón, dando de cara com meu pai, ele estava completamente transtornado. Ele vestia um de seus ternos, mas sem o paletó, a camisa estava amassada e a gravata afrouxada. Seu cabelo estava tão bagunçado que eu podia jurar que ele tinha o puxado.

Escutei passos atrás de mim e me virei apenas para checar que Luna e Gastón estava há poucos metros de mim, Nina mais distante, parada perto da porta.

A me ver, meu pai parou de gritar e me encarou com raiva. Ele se aproximou até estarmos frente a frente.

- Você é estúpido ou só finge ser um?! – ele gritou – O que você tinha na cabeça pra fazer isso?!

- Foi há muito tempo pai, mas eu me apaixonei por ela.

- Você se apaixonou! – ele ironizou, rindo alto – Você tem alguma noção do quanto isso é ridículo? Você é um sem noção!

Eu fechei as mãos em punho e apenas escutei quieto.

- Você ficou seis anos com a Ambar...

- Quatro no máximo – eu corrigi – Nós terminamos tantas vezes que levou dois anos para completar um de namoro.

- Que seja – ele deu de ombros – A questão aqui é que você passou tempo o suficiente com ela para entender o que é certo pra você.

Eu sacudi a cabeça em negação.

- Você não pode dizer que ama alguém com quem se deixou duas vezes – ele continuou – Você não entende nada disso.

- Não pai, o único que não entende aqui é você! – eu apontei pra ele – Eu conheço a Luna há oito anos, quando fui falar com ela a minha intenção não era só ser amigo dela, não mesmo – eu ri sem humor, lembrando-me daquele momento – Afinal ela sempre foi maravilhosa, mas eu não sei por que o universo quis mudar isso, mas se chegamos até aqui foi por algum motivo. O amor que eu sinto por ela vai além das vezes que ficamos juntos, ela é parte de mim e eu não imagino a minha vida sem ela.

Encarei meu pai enquanto ele sacudiu a cabeça em negação.

- Belas palavras para um livro de adolescentes idiotas – resmungou ele – Mas isso é vida real, Matteo. E na vida real as coisas não são bem assim, você sabe que ficar com a Ambar é o melhor para você.

- Melhor para mim ou para você? – perguntei bravo – Porque eu juro que não entendo como ficar com alguém que eu não amo seja o melhor para mim!

Nós estávamos gritando no meio da rua, a essa altura todos os vizinhos já estavam bisbilhotando a história e se divertindo. Na minha frente meu pai tremia de tanto nervoso.

- Melhor para todos – respondeu ele depois de um tempo – É bom para nossas famílias se juntarem e também bom pra você, porque sei que a ama, você só está confuso porque essa aí – ele apontou a Luna – Essa aí ta repetindo o papel de sem vergonha da mãe!

Eu abri a boca para falar, mas Luna foi mais rápida e parou bem na minha frente, encarando meu pai com coragem.

- Eu não estou fazendo o papel de ninguém! – ela respondeu firme – E não ouse falar da minha mãe, primeiro porque ela não está mais aqui para se defender então respeite a memória dela, e segundo porque ela era uma excelente pessoa e não tem como você dizer coisas tão ruins dela que não são verdades!

- Você não tem moral alguma para falar porque não a conheceu como eu a conheci – respondeu meu pai – Que tipo de pessoa separa duas outras que se amam? Ah, é mesmo, pessoas sem caráter igual você e sua mãe!

- Chega! – exclamei puxando a Luna para trás – Você não pode vir aqui e dizer coisas horríveis para a Luna, e não importa o que diga não vai mudar a minha decisão.

Meu pai trincou os dentes e pude ver suas mãos fechadas em punho com força.

- Eu amo a Luna – continuei – Eu estava infeliz com a Ambar e impedindo-a de ser feliz também, até porque não daria certo, pois quando é pra acontecer, acontece! – eu me virei um instante e olhei para a Luna – Seja hoje, seja amanha ou daqui quarenta anos, mais vai acontecer – eu sorri, depois me virando para o meu pai – Não tem nada que você possa dizer ou fazer, a não ser engolir o seu veneno e aceitar!

Então, mais rápido do que pude pensar, meu pai me acertou no rosto com as costas da mão, tão forte que minha cabeça virou e eu senti a queimação na bochecha e perto da boca. Eu respirei fundo enquanto tentava me controlar, mantive os punhos fechados ao lado do corpo e mordi a língua ao voltar a encará-lo.

- Essa é sua resposta? Violência? – eu sacudi a cabeça – Isso também não vai mudar nada.

E então ele me acertou de novo, no mesmo lugar e com ainda mais força, eu precisei me controlar e lembrar a mim mesmo que ele era o meu pai.

Mas não era o pai da Luna, e ela não quis manter o controle. Quando eu percebi, ela já estava na minha frente, empurrando meu pai com força.

- Qual é o seu problema?! – ela gritou – Você acha que vai resolver as coisas assim? Essa é sua solução genial?! Bater no seu filho?!

- Luna – eu a chamei puxando-a

- Quem você pensa que é para falar assim comigo?! – meu pai avançou.

Eu tomei a frente, escondendo Luna atrás de mim e bati de frente com ele, fechei a cara com as mãos prontas para empurrá-lo, mas Gastón se apressou e nos separou rapidamente.

- Saí da minha frente os dois – mandou meu pai.

- Saí você daqui – eu retruquei – Se você tocar nela eu juro que não respondo por mim.

- Eu não acredito que você vai defender ela! – meu pai gritou.

- Eu amo ela! – gritei de volta

- Matteo, a mãe dela matou o pai dela! – ele exclamou.

A essa altura toda a vizinha estava do lado de fora assistindo ao show de aberrações.

- Deixa de falar besteiras – disse entre dentes.

- A mãe dela roubou o namorado da própria prima e por isso ele morreu! Se o Bernie não estivesse com ela, ele estaria aqui hoje. Meu amigo estaria aqui hoje! – ele gritava com os olhos vermelhos de raiva ou de lágrimas, eu já não sabia – E agora a história está se repetindo, acha que quero perder meu filho?!

Eu respirei fundo não acreditando na comparação que ele estava fazendo, vi quando Luna passou por mim e se aproximou do meu pai, ela agora chorava copiosamente.

- Minha mãe não é culpada de nada – ela disse baixo – Eu sei como se sente, eu queria o meu pai aqui também, mas culpar a minha mãe apenas por tê-lo amado e me impedir de ficar com o Matteo não é a saída – ela parou, fungando baixo – O que aconteceu foi um acidente.

- Suas palavras não mudam nada – meu pai retrucou baixo.

- Então fique ai com seu ódio, porque pra mim ele também não muda nada – murmurei baixo e agarrei a mão da Luna – Vá para casa, pai.

Passei por ele quase esbarrando em seu ombro e saí ali em direção ao carro levando Luna junto a mim, parei no meio do caminho ao ouvir sua voz de novo.

- Pense bem se é assim que quer ser conhecido e lembrado, Matteo – murmurou ele – Aquele que destruiu uma família inteira. Você não entende mesmo a gravidade disso, não se trata de você, se trata de uma família inteira que agora não tem nada além de raiva uns dos outros e a culpa é toda sua.

Eu respirei fundo varias vezes e sacudi a cabeça, depois voltei a andar com Luna e nós entramos no mesmo, eu dirigi sem rumo pelas ruas desertas e escuras.

Eu não sabia para onde ir, eu só precisava sumir dali e levar a Luna comigo, ela não precisa mais escutar nenhuma palavra de ódio. E eu sabia que o culpado era eu, eu sabia que meu pai tinha toda razão o único culpado ali era eu. Se eu nunca tivesse insistido nisso as primas estariam bem agora assim como o restante da família, se eu não tivesse insistido nisso Luna não teria que passar por essas situações, como ela deve estar se sentindo agora? Humilhada, odiada, culpada... Ela não merece nada disso. Eu é que mereço ser humilhado e odiado, eu sou o culpado.

A verdade me enchia de raiva, soquei o volante do carro por diversas vezes seguidas, descontando a raiva que eu estava sentindo, eu grunhia alto e minha vontade era de gritar sem parar, ao invés disso eu pisei fundo no acelerador correndo com o carro pelas ruas.

Do lado de fora casas e árvores passavam por nós como um borrão e nós começávamos a entrar na estrada que levava para a área rural da cidade.

- Que merda! – eu resmungava e batia contra o volante – Que merda, que merda!

- Matteo – ouvi a voz da Luna

Ignorei-a e pisei mais fundo no acelerador, eu só queria me esquecer de tudo.

- Matteo para já com isso! – ela falou mais alto.

- Não – eu respondi simplesmente e acelerei mais.

Ao meu lado Luna gritou de raiva e bateu contra o meu braço.

- Matteo eu to mandando você parar! – disse ela – Para esse carro agora!

Mais uma vez eu a ignorei e pisei mais fundo, a o velocímetro indicando 130km/h e eu só queria mais e mais até que eu não pudesse pensar em mais nada a não ser no vento batendo contra meu rosto pelos vidros abertos do carro.

Mas Luna não queria saber daquilo, ela me assustou quando soltou o cinto e veio para cima de mim, praticamente ela sentou no meu colo e meteu o pé no freio, o que me fez soltar o acelerador. O carro cantou pneu no asfalto até parar bruscamente jogando-nos pra frente de modo que eu esmagasse Luna contra o volante.

- Que merda – foi a vez dela xingar.

Luna saiu do carro, nervosa, e eu me apressei para segui-la. Ela parou, de costas para mim enquanto segurava a barriga.

- Te machuquei? – perguntei.

- Não, eu to ótima! – respondeu brava.

- Ótimo – murmurei, virando para o outro lado – Volta para o carro, vou te levar pra sua casa.

Comecei a caminhar de volta para o carro e escutei sua voz logo atrás de mim.

- Que?! – ela exclamou – Você ta ficando louco?! Não posso voltar lá agora e encarar a Alice sozinha!

- Se tranque no seu quarto ou sei lá – dei de ombros enquanto entrava no carro – Mas agora eu quero ficar sozinho.

Quando percebi Luna já estava perto da minha janela com as mãos segurando-a, como se tentasse segurar o carro e impedi-lo de andar.

- Sozinho onde exatamente? – ela perguntou – Vai fazer o que?

 Eu suspirei alto, cansado de toda aquela droga.

- Não sei Luna, não sei! – gritei – Vou rodar por ai, fazer algo que me distrai.

- Tipo o que?! Dirigir igual um louco até causar um acidente?! Eu não vou deixar!

Então Luna foi rápida e eu mal percebi quando ela arrancou a chave da ignição e correu pelo sentido contrario levando a chave. Eu bati forte contra o volante e saí do carro nervoso.

- Luna! – gritei correndo atrás dela.

Não foi difícil alcança-la, mas foi difícil tentar tirar as chaves da sua mão.

- Me devolve! – eu pedi tentando tomar da sua mão.

- Eu não vou deixar você se matar com um carro! – ela grunhiu.

- Eu não tenho tanta sorte assim. – falei sem pensar.

Luna paralisou onde estava e eu consegui pegar a chave da sua mão, olhei para ela um instante e vi seus olhos arregalados de surpresa e cheios de lágrimas, engoli em seco e ela sacudiu a cabeça em negação.

- É isso o que você quer?! – perguntou ela – Ótimo! Então vai lá e se mata, mas eu não vou ficar aqui para ver isso – ela deu as costas e continuou o caminho que estava fazendo – E eu também não vou ao enterro!

- Ok, tenho certeza que Alice estará lá para jogar o primeiro bocado de terra!

Caminhei de volta para o meu carro, mas fui parado ao sentir um par de mãos pequenas que batia nas minhas costas com uma força extremamente fraca, mas que incomodava. Virei-me depressa e agarrei suas mãos enquanto ela se debatia e tentava me socar.

- Você é um idiota! – ela gritou – Por que não para de falar essas besteiras?! Seu babaca!

- Isso, continue, continue que ainda faltam nomes para a lista!

- Que lista?! Ta louco?! – ela parou e gritou para mim – O que há de errado com você Matteo?! Cadê aquele garoto que dizia que tudo ficaria bem? Cadê aquele garoto que há alguns minutos bateu de frente com o próprio pai para me defender?! – Luna limpou as lágrimas – Agora você ta ai falando besteiras de morrer e de enterro, o que você tem droga?!

Respirei fundo e tentei me controlar, mas não pude me conter e quando percebi já estava explodindo.

- Eu to cansado disso tudo, merda! – eu gritei, assustando-a – Acha que é fácil para mim, lidar com isso tudo? Acha que é fácil guardar toda essa raiva e toda essa culpa dentro de mim? – sacudi a cabeça em negação – Só eu sei o que estou passando.

Luna permaneceu quieta enquanto eu andava de um lado para o outro e gesticulava enquanto tentava explicar o meu lado da história.

- Eu tenho tentado ser forte, eu tenho apoiado você e segurado-a nas minhas costas, assim como tenho segurado minha família, a Ambar e todas as outras coisas que tem me tirado o sono. Mas eu não consigo mais – confessei enquanto as lágrimas acumulavam-se em meus olhos – Eu não consigo mais fazer isso, não consigo mais mentir dizendo que tudo ficará bem quando nem eu mesmo sei que vai ficar! – eu ri sem humor – Luna eu destruí uma família inteira, meu pai tem toda razão do mundo, eu sou um desgraçado de merda!

- Matteo, não... Não diz isso.

- É a verdade Luna – eu ri – É a verdade, todos eles têm razão, eu sou um cafajeste por ter traído minha noiva com a prima dela, sou um desgraçado por ter te forçado a isso, sou um sem noção que não pensa nas consequências das pessoas a sua volta, sou um monstro porque destruí uma família inteira, eu não mereço piedade alguma.

- Matteo, para – ela pediu baixo – Não fique se condenando, seu pai só falou aquilo porque ele está de cabeça quente.

- Vai dizer que ele mentiu? – perguntei rindo – Você sabe que é verdade Luna, você sabe melhor do que ninguém que a Ambar nunca mais vai querer falar com você ou comigo.

Luna deu de ombros e limpou as lágrimas, mostrando indiferença.

- Pode ser que sim – disse ela – Mas isso não é motivo para ficarmos nos condenando. Acha mesmo que é certo passarmos o resto de nossas vidas pensando no que fizemos ou no que não fizemos ao invés de vivermos?

Eu franzi a testa e deixei que ela falasse, era curioso ver a Luna falando aquilo.

- Sabe, Matteo, eu também cansei – ela deu de ombros – Cansei de ficar choramingando e pensando no que eu não devia ter feito, que as coisas vão ser assim ou assado, eu cansei – ela riu – Tudo o que aconteceu foi uma catástrofe, ponto. E agora nos resta saber lidar com as consequências. Obviamente vai levar um tempo para melhorar a situação entre nossas famílias e nós dois, mas tudo vai se ajeitar, só não temos jeito pra morte porque para o resto...

Eu ri baixo, sacudindo a cabeça. Não é hora para ditado de mãe, Luna. Ela se aproximou de mim e agarrou as minhas mãos, eu olhei nossas mãos entrelaçadas e depois olhei para ela, Luna sorriu para mim.

- Essa é a verdade Matteo – sussurrou – Você não é um cafajeste, nem um desgraçado, nem um sem noção e muito menos um mostro! Eu também não sou. Nós somos humanos, condenados pela fruta que é culpa do nosso amor, e se isso é pecado... – ela riu – Deus tenha piedade de nós!

Eu ri de verdade pela primeira vez naquela noite, apertei mais forte sua mão.

- Pra você estar falando isso quer dizer que superou mesmo – comentei.

- Claro que sim, e vou te ajudar – ela me puxou de volta para o carro – Eu vou te ajudar é extravazar toda essa raiva e culpa dentro de você.

Luna tomou a chave da minha mão e eu arregalei os olhos quando ela tomou o lugar do motorista, ela piscou para mim.

- Andar logo não temos tempo a perder.

- Acha mesmo que vou entrar nesse carro com você dirigindo?

Luna revirou os olhos.

- Deixa de ser besta, eu sei dirigir!

- Preciso fazer uma oração antes – fechei os olhos.

- Matteo! – ela gritou gargalhando

Eu ri junto a ela e depois entrei no carro, a verdade é que eu estava mesmo preocupado, por isso coloquei o cinto de segurança e segurei-me no painel do carro, ela ligou o carro e acelerou fundo, me fazendo gritar enquanto ela se divertia com meu pânico.

***

Luna parou o carro no lugar onde tanto conhecíamos, era o nosso cantinho, nossa “montanha”. Nós descemos do carro e caminhamos até o topo, ali ficamos em pé observando a maravilhosa vista da cidade iluminada às onze da noite.

- Por que estamos aqui? – perguntei.

- Porque esse é um lugar importante para nós dois, então ele é perfeito para fecharmos essa cicatriz.

- Você ta cheia das metáforas hoje, hein.

-Shiu, não estraga meu momento.

Eu ri baixo e ela respirou fundo, arrumando o cabelo e se preparando para alguma coisa que eu não sabia o que era.

- O plano é o seguinte, você vai gritar tudo aquilo que está preso dentro de você – me explicou ela – Eu aprendi que quando confessamos ou dizemos algo em voz alta ela se torna real e só assim poderemos seguir em frente com elas.

Eu franzi a testa, incerto de que aquilo daria mesmo certo.

- Eu começo – disse Luna, tomando fôlego e então gritou – Me perdoa Ambar!

Ela olhou para frente por um longo minuto e depois seus ombros relaxaram, ela me olhou e eu assenti, virei-me para frente e respirei fundo, depois gritando.

- Me perdoa Ambar! – eu gritei, tomei fôlego de novo e gritei o seguinte – Eu não sou um monstro, pai!

- Eu não sou a minha mãe, Sr. Balsano! – Luna gritou – Ela não matou meu pai!

- Eu não sou culpado de nada! – gritei – Eu não vou fazer o que você quer!

- Me perdoa Alice! – Luna gritou.

- Você não tem poder sobre nós, Alice!

- Me perdoa Ambar! – Luna repetiu.

- Me perdoa Luna! – eu gritei, o silêncio pairou sobre nós e eu baixei a cabeça sussurrando – Me perdoa Luna.

Olhei para ela e vi que me encarava, ela se aproximou de mim e me abraçou forte, escondendo o rosto no meu peito, eu a apertei com força. A verdade é que eu realmente me sentia melhor podendo gritar todas aquelas coisas, era como se eu tirasse um enorme peso das minhas costas e agora estivesse pronto para retomar a minha caminhada.

Luna se afastou um pouco, mas continuou com as mãos em volta da minha cintura, eu segurei seu rosto em minhas e o acariciei, depois depositando um beijo na sua testa.

- Eu te amo – sussurrei – Me perdoa por tudo.

- Ta tudo bem – ela me garantiu com a voz baixa – Você precisa entender que o que aconteceu agora é passado, não podemos mudar nada daquilo, o que nos resta agora é superar e entender que tudo pode melhorar, saber lidar com as consequências.

- Não é fácil – murmurei sacudindo a cabeça.

- Eu sei que não, mas eu estou aqui com você, um vai ajudar o outro – ela garantiu – Nós vamos terminar seu trato, tem coisas a serem feitas ainda, nós vamos nos divertir, vamos viver esse momento, nós dois – ela sorriu – só, por favor, não caía... Você é o único que me dá forças e me mantém de pé, sem você eu não consigo – Luna engoliu em seco, os olhos brilhando com as lágrimas – Eu preciso de você, Matteo.

Eu fechei os olhos e descansei minha testa na sua, nossas respirações eram calmas e sincronizadas. Minha alma gêmea e para sempre minha, algo dentro de mim estava aquecido me dando esperanças de novamente poder beijá-la e ouvir que ela também me ama. Era tudo o que eu precisava.

- Há seis anos nós estávamos no meio da estrada, discutindo – começou ela – E você me pediu para esquecer tudo e a todos e ser sua namorada por um dia inteiro, sem lembrar dos problemas. Lembra disso?

Eu assenti em silêncio e ela continuou.

- Pois bem, agora é a sua vez de fazer isso. Você é todo meu agora e vais e esquecer de tudo e se divertir, e relaxar. E não aceito um não como resposta!

Eu ri baixo, e concorde.

- E o que faremos agora? – perguntei ainda de olhos fechados.

- Temos que encontrar um lugar que esteja aberto e que venda madeira e ferramentas.

Eu me afastei e franzi a testa para ela, Luna começou a rir.

- Confia em mim, nós vamos montar uma casa na árvore.

Eu sorri de orelha a orelha, parecendo uma criança que ganhava um doce.

- Você sabe mesmo melhorar o meu dia!

***

Por uma sorte divina de Deus, Luna e eu encontramos um loja aberta e conseguimos comprar tudo o que precisávamos. Nós concordamos que poderíamos montar nossa casa da arvora na chácara da família dela, então eu dirigi até lá tendo Luna bem ao meu lado com a mão entrelaçada à minha, de modo que até para trocar de marcha era com as duas mãos.

Ao chegarmos lá o portão principal estava fechado, nós descemos do carro apenas para checar se ele estava mesmo trancado. E estava.

- E agora? – perguntei – A essa hora o caseiro já está dormindo.

- Na verdade não – Luna riu – Minha tia deu férias pra eles e para a família, a chácara ta sozinha.

Eu arregalei os olhos.

- E como pretende entrar?

- Vamos pular o portão.

Eu gargalhei alto.

- Vai sonhando que eu vou pular esse portão enorme com todas aquelas madeiras e ferramentas.

Luna revirou os olhos e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, eu apenas observei enquanto ela começava a se aproximar e depois passou a escalar o portão.

- Você é um gênio mesmo – ela ironizou – Vamos pular o portão, achar a chave e depois entrar com o carro, dã.

Cruzei os braços e fiquei assistindo ela escalar o portão, sorte dela estar com uma roupa confortável e que não fosse a branca do seu trabalho, porque ela ficaria completamente suja com esse portão. Luna era habilidosa e colocava o pé nos lugares certos, eu arriscaria dizer que ela já fez isso antes.

Ao chegar na ponta ela se sentou e passou uma perna de cada vez, suas caras e bocas enquanto tentava descer eram a melhor parte, eu me segurava para não rir porque sabia que se eu tivesse que escalar ia ser pior contando com o fato de que eu vestia calça e camisa social, além do sapato social que mais parecia um sapato de palhaço.

Chegou um momento em que eu não via mais a Luna, mas escutava a sua voz.

- Fica ai, eu vou procurar a chave e já volto.

- Estarei aqui – respondi alto.

Eu me encostei ao capô do carro e esperei pacientemente pela sua volta. Ali estava tudo muito quieto, somente os sons dos grilos e do vendo balançando o monte de árvores. Aproveitei aquele tempo sozinho para mandar uma mensagem para mim, ela com certeza deve estar desesperada, assim como a mãe da Luna, então mandei para as duas, mas achei melhor não contar onde estávamos. Vai que cai no ouvido do meu pai ou da Alice, ai acaba completamente o nosso momento.

“Luna e eu estamos bem, estamos juntos em um lugar seguro. Eu aviso qualquer mudança e quando voltaremos. Não se preocupem. – Matteo.”

Enviei a mensagem e no mesmo instante escutei o barulho das correntes e cadeados do portão, guardei o celular e me aproximei, quando vi que ela tentava empurrar o portão eu a ajudei puxando-o para fora. O portão foi aberto e Luna sorriu para mim, o cabelo todo bagunçado e a roupa um pouco suja, eu ri baixo.

- Mandou bem – elogiei, voltando para o carro.

Liguei o mesmo e entrei na chácara, levando-o alguns metros a frente até parar em frente a casa principal. Estacionei-o lá e desci, chequei se Luna precisava de ajuda, mas ela já estava voltando. Então tratei de abrir o porta-malas e comecei tirar as coisas lá de dentro.

- Precisamos escolher o melhor lugar para construí-la – ouvi Luna dizer quando se aproximou.

Ela passou a me ajudar a tirar as coisas enquanto eu olhava ao redor, procurando por um lugar, ali há alguns metros tinha uma arvore bem alta e grande, próxima ao lago.

- Ali parece bom – apontei a árvore – O maior problema vai ser como começar.

- Prevejo várias quedas e machucados – Luna gargalhou.

Eu ri concordando e dei de ombros.

- Faz parte, por isso trouxemos cordas e kit de primeiros socorros.

- Então vamos lá começar que eu estou animadíssima!

- Vamos nessa!

Nós levamos os matéria para perto da árvore, antes de começarmos eu tirei meus sapatos, meias e a camisa, e com a calça social eu fiz algo pior, eu a rasguei na altura dos joelhos transformando-a em uma bermuda.

- Ficou lindo – ouvi Luna dizer, rindo – Deveria trabalhar assim.

- Eu até pensei, mas mulheres ficariam loucas comigo né – respondi convencido recebendo um revirar de olhos como resposta.

- O mauricinho de sempre – comentou ela – Mas tenho que concordar, você tem razão, mas poderia ganhar muitas causas.

Eu arregalei os olhos e me fingi de surpreso, fazendo-a gargalhar.

- Você dizendo que eu tenho razão, alguma coisa muita errada está acontecendo aqui.

- Bobo! Vamos logo com isso.

Eu concordei e comecei a escalar a árvore, embora eu não fizesse a menor ideia de como montar uma casa da árvore eu tinha uma ideia na cabeça. Eu iria montar a base com as madeiras em cima de um ou dois galhos, os mais fortes. Então escalei e me escorei a árvore, lá de baixo Luna me passava as tabuas de madeira.

Coloquei uma das tabuas entre os dois galhos e numa ponta passei a corda em volta, amarrando bem, depois peguei martelo, pregos grandes e uma tira forte que Luna me entregou lá de baixo. Bati o prego na tira em cima da madeira e envolvi o galho, batendo a ponta da tira e assim impedindo que se soltasse.

Repeti o processo na outra ponta da tabua no outro galho e estava pronta a primeira parte da base. Eu mal tinha começado e já estava suado, olhei pra Luna lá embaixo que apenas sentava-se na grama e esperava que eu pedisse algo, isso não é justo.

- 15 minutos pra fazer uma misera parte! – resmunguei – Vamos ficar a noite toda aqui.

- Pra mim sem problemas – Luna deu de ombros.

- Claro que você não tem problema, ta aí sentada.

Ela riu e se levantou, depois escalou a árvore trazendo outra tabua e eu a ajudei, nós então trabalhamos juntos para prender a segunda tabua, e depois a terceira, e a quarta e a quinta e a sexta e assim até fazermos toda a base da casa da árvore, levou quase duas horas.

- Quem de nós dois vai arriscar testar se está firme? – ela perguntou.

- Eu diria você, mas sei que você vai mandar eu, então que seja logo eu.

- Ainda bem que você sabe – ela riu.

Então, com muito cuidado, eu pisei um pé de cada vez até subir totalmente na base da casa, dei alguns pulinhos para checar se estava firme e parecia tudo bem. Luna me observava então resolvi dar um susto nela. Me desequilibrei um pouco e dei um grito.

- Vou cair!

Luna gritou assustada e eu comecei a gargalhar, recendo um olhar feio em resposta.

- Que cara ótima! – eu ri.

- Idiota! – ela me xingou – Vamos continuar logo com isso.

Agora era uma das partes mais difíceis de todas, as laterais. Nós teríamos que pregar a tabuas na lateral da base, pra isso eu teria que ficar pendura, enquanto Luna segurava a tabua pelo lado de dentro. Usei a corda para amarrar na minha cintura e amarrei ao galho da arvore, por segurança.

Foi bem difícil, mas pouco a pouco eu conseguia martelar as tabuas até que ficassem estáveis, repetimos o mesmo processo com todas as laterais, deixando apenas uma brecha quadrada no meio onde seria como uma janela e outra brecha maior para que pudéssemos passar.

Era mais de três da manha, Luna e eu estávamos pingando de suor e ainda faltava o teto.

- Até que ta ficando bom – Luna elogiou.

- Realmente – concordei sentando-me no chão de madeira – Mas acho que não vou conseguir fazer o teto.

- Eu muito menos – ela riu, sentando-se ao meu lado.

Nós dois deitamos ali no chão e encaramos aquele céu repleto de estrelas, era absolutamente lindo e apaixonante. Luna agarrou minha mão e entrelaçou à dela, eu apertei sua mão deixando-a firme com a minha. Eu não precisava de mais nada, bastava para mim estar ali com ela.

- Podemos deixar assim, eu gostei – sussurrou ela, deitando a cabeça em meu ombro.

- Eu também, o problema é quando chover – murmurei.

- Só por hoje – ela deu de ombros – Outro dia chamamos alguém para finalizar isso pra gente.

Eu sorri, gostando da ideia.

- Concordo – virei-me para beijar sua cabeça – Assim está perfeito. Sempe me imaginei assim numa casa da árvore, mas obviamente em minha imaginação eu não estava deitado com uma garota só olhando as estrelas.

Luna gargalhou alto.

- Você é um safado! – exclamou ela.

- Sempre, amor, sempre. – eu ri.

Nós ficamos ali em silêncio, só observando as estrelas e abraçados. Eu repassei o dia em minha cabeça, ele tinha começado bem, foi ficando ruim, depois piorou e agora ta tudo tão bom que chega a me dar medo. Quando foi a ultima vez que Luna e eu ficamos assim sozinhos sem nos preocupar com nada? Nunca.

Esse era um momento e tanto.

- Eu queria ficar assim pra sempre – sussurrou ela – Só eu e você, sem mais ninguém, sem brigas, sem confusões.

- Um dia... – eu comecei – Um dia vai ser assim, não sei por que, mas aqui nesse exato momento eu sinto que as coisas vão tomar um rumo diferente. Contanto que estejamos juntos.

- Juntos... – ela suspirou.

Aos poucos a respiração de Luna foi ficando mais alta e sincronizada, seus ombros e peito mexiam-se devagar no mesmo ritmo. Eu sabia que ela estava dormindo e também sabia que era só questão de tempo pra eu capotar também...

***

2 de Fevereiro – Buenos Aires, Argentina.

7h35min

Acordei com aquela claridade no meu rosto, o sol estava tão quente que eu estava todo grudento e pingando suor, ao meu lado Luna estava igual, seu cabelo tão molhado quanto o meu.

Com cuidado e me sentei para não acordá-la, me espreguicei rapidamente antes de me levantar e caminhar até a saída da casa da árvore, dando de cara com aquele lago maravilhoso iluminado pela luz do sol. Era uma vista e tanto. Minha vontade era pular dali diretamente para o lago, mas não era uma boa ideia.

Minha barriga roncou e eu resolvi preparar algo para comermos.

Desci da árvore e corri até a casa principal, indo direto para o banheiro, lá eu usei uma escova ainda guardada na gaveta para escovar meus dentes, depois segui para a cozinha, lá procurei pelos armários e pela geladeira tudo o que poderíamos comer, separei coisas como pães, bolos, suco, leite, achocolatado e frutas, era incrível que tenha tudo isso aqui mesmo sem ninguém, talvez o caseiro tenha saído a pouco tempo com a família.

Levei todas aquelas coisas lá pra fora juntamente de talheres, copos e um pano de mesa grande, era um ótima ideia fazer um piquenique debaixo daquela que agora poderia ser considerada como nossa árvore.

Arrumei tudo bem bonito e até coloquei algumas flores que colhi ali perto para enfeitar. Quando voltei lá para dentro para pegar o restante das coisas, tive a ideia de procurar pelos quartos alguma camiseta que eu pudesse vestir. Aquele lugar era tão grande que tinha quartos que eu nunca tinha entrado na vida, entrei em um que tinha várias roupas no guarda roupa, tanto masculina quanto feminina, acho que deve ser do caseiro ou então do Miguel e da Monica, ou do Rey, tanto faz, acho que eles não se importariam se eu pegasse uma emprestada, então peguei uma camiseta regata.

Estava saindo dali quando avistei no canto da parede um violão lindo preto, me animei com a ideia e o levei comigo, já testando algumas notas para ver se estava afinado.

Ao sair lá fora comecei a tocar alguns acordes enquanto inventava uma letra e cantava alto, na intenção de acordar a Luna.

- Vamos acordar, meu amor – eu cantava – Vamos acordar, Lunita. Está na hora de se levantar... Hora de ver o sol raiar...

Nada da Luna aparecer, então continuei tocando e cantando.

- Venha ver que lindo esse dia... Eu preciso ver a tua alegria... Quero demonstrar o meu amor por você, e te encher de beijos até anoitecer... – eu sorri ao ver ela aparecer toda sorridente e sonolenta – Veja só quem apareceu... Luna, meu coração é todo seu!

Parei de tocar e ela aplaudiu enquanto gritava “lindo” para mim. Depois desceu e eu a ajudei, eu deixei o violão de lado e nós  nos sentamos ali naquele pano de medo com aquele monte de comida.

- Uau, que amor! – ela comentou encantada – Uma serenata, essa linda vista, muita comida e ainda meu amor comigo, isso só pode ser um sonho.

Eu ri baixo, servindo-a com suco.

- Fico feliz que tenha gostado.

- Eu amei! – ela sorriu para mim e depois franziu a testa.

Eu fiz o mesmo e me afastei um pouco, vendo-a me encarar.

- O que foi? – perguntei.

- Nada – ela sacudiu a cabeça – Bobagem.

- Fala – eu insisti.

Luna respirou fundo e apontou pra camiseta regata que eu vestia.

- Era do meu pai.

Cacete. Abri a boca em surpresa e tratei rápido de tirar aquela camiseta, dobrando-a e deixando-a em um canto, Luna riu alto.

- Deixa de ser bobo, não tem problema – ela comentou – Só fiquei surpresa porque tenho uma foto dele com essa camiseta... Mas pode usar – ela deu de ombros – Aliás, o violão também era dele.

- Luna, desculpe, se eu soubesse não tinha pegado.

- Não tem problema – ela repetiu – Fica tranquilo e não estraga esse momento maravilhoso.

Eu concordei com um aceno e a acompanhei ao comer todas aquelas delicias, o sol queimava mesmo não estando pegando em nós, estava tudo muito quente e eu estava louco de vontade de pular naquele lago.

- Lembrei da minha mãe ontem a noite – ouvi ela comentar – Eu não a avisei sobre nada, ela deve estar preocupada.

- Relaxa, eu mandei um mensagem para ela e para a minha mãe – expliquei – Disse que estávamos bem, mas não contei onde estávamos porque poderiam estragar tudo.

- Muito bem pensado – ela concordou, tomando mais suco – O que nós faremos hoje?

- Precisamos pintar a casa da arvore e arrumá-la, mas estou louco de vontade de pular nesse lago.

Luna arregalou os olhos e sacudiu as mãos e a cabeça.

- Nada disso, você acabou de comer – ela me repreendeu – Vamos pintar a casa da árvore e só depois é que você pode ir no lago.

- Nossa, você é minha ou minha namorada? – eu ri.

- Nenhuma nem outra – ela riu – Só to falando pelo seu bem, é perigoso comer e ir nadar, pode te causar problemas e você pode até morrer.

- Ok, doutora Luna, eu entendo, não vou nadar agora.

- É bom mesmo.

Eu revirei os olhos e comi mais alguns pedaços de bolo. Assustei-me quando Luna se colocou de pé em um salto, eu olhei pra ela curioso.

- Vamos logo pintar essa casa – ela estendeu a mão pra mim.

- Ah não – eu gemi baixo, mas agarrei sua mão e me levantei – Eu queria descansar mais, amor.

Luna respirou fundo e sorriu.

- Toda vez que você me chama de amor meu coração dispara.

Eu sorri torto.

- Ah é? Amor... Meu amor...

Me aproximei dela e tentei beijá-la, mas ela não deixou, virando o rosto e fazendo eu beijar a sua bochecha. Bufei alto.

- Gosta que eu te chame de amor, mas não me deixa te beijar.

- É que... É que eu não escovei os dentes.

- Se esse é o problema vamos no banheiro agora.

- Deixar de ser besta – ela revirou os olhos – Sobe lá que eu vou escovaer meus dentes e levo as tintas.

Luna correu para longe de mim e eu subi de volta para a casa, levando os pinceis e os rolos de pintura, observei o lugar tentando pensar como ficaria bonito, de que maneira pintar.

Alguns minutos depois Luna estava de volta com as tintas e nós começamos a discutir idéias para a pintura do lugar, tentando entrar em um consenso.

- Acho que ela fica mais bonita sem pintar – disse Luna.

- Temos que decorar ela, assim ela ta parecendo mais uma caixa na arvore.

Luna revirou os olhos.

- Isso é porque não esta terminada – murmurou ela – Temos que contratar alguém apara arrumar a parte de cima, quem sabe fazer uam varanda, uma escada.

- Você quer uma casa na árvore ou uma mansão? – eu ri alto.

- Quero que você cale a boca, seu chato.

Eu continuei rindo só para irritá-la e quase não percebi quando ela pegou a lata de tinta, enfiou a mão e veio para cima de mim, embora o susto eu ainda consegui segurar uma de suas mãos, mas a outra não, ela passou a tinta branca no meu rosto, sujando-me todo. Abri a boca com indignação e ela gargalhou alto.

Antes que eu pudesse dizer algo, Luna se apressou em descer da arvore, eu corri atrás dela, levando a tinta comigo. Depois de muita dificuldade eu consegui descer da arvore, melei minhas mãos com tinta e corri atrás dela pela grama, logo eu  a alcancei a agarrei por trás, passando toda a tinta pelo seu rosto.

Luna gritou enquanto ria e eu fiz o mesmo, gargalhando alto. Eu a soltei e nós começamos uma guerra de tinta, abrindo várias e jogando um no outro, eu estava parecendo um arco-íris, eram tantas cores que eu nem sabia o nome de todas.

Eu derrubei a Luna no chão e rolei ela na grama, colando vários matos nela e na tinta, ela se levantou super brava e eu estava me retorcendo de tanto gargalhar.

- Você me paga!

Eu corri dela, mas não o suficiente, ela pegou uma lata de tinta e conseguiu jogar dentro da minha cueca, eu gemi alto ao sentir aquele liquido gelado nas minhas partes baixas, Luna só ria.

Ficamos nessa durante um tempo e depois fizemos uma trégua, estávamos parecendo dois palhaços, eu nem conseguia mais ver o meu próprio rosto pelo reflexo da janela, e o cabelo da Luna parecia que tinha dado uns vinte nós.

Nós concordamos que seria melhor irmos para o lago e eu a lembrei de uma parte do meu trato.

- Matteo, eu não vou nadar pelada com você – ela bateu o pé.

- Você concordou com o trato! – eu a lembrei.

Luna suspirou alto e eu comecei tirando a minha roupa.

- Eu juro que fecho os olhos e só abro quando você já estiver na água.

Luna gemeu baixo e fechou seus olhos, eu tirei toda a minha roupa e corri para o lago, mergulhando no mesmo, nadei até o meio e acenei para a Luna, mostrando que estava virando de costas.

Ali eu fiquei durante um tempo até escutar o som da água se mexendo, senti sua presente mesmo sem precisar olhá-la, virei-me e ela estava ali, a água cobria até a altura do pescoço, seu cabelo estava solto caindo sobre os ombros. Eu sorri.

- Viu só, não tem nada de mais – murmurei.

- Exato, então não sei por que isso te interessa tanto – retrucou ela.

- Porque me da uma sensação de liberdade.

Luna riu, revirando os olhos.

- Você não existe!

- Vamos apostar uma corrida até aquela pedra.

Luna concordou e nós nadamos depressa até chegar do outro lado do lago onde ficava um pedra grande, era engraçado ver ela tentando me alcançar, quando chegamos lá estávamos os dois ofegantes.

- Não vale – ela disse com dificuldade – Você sabe nadar melhor do que eu.

- Da próxima vez eu deixo você ganhar – ironizei.

Ela mostrou a língua para mim e eu me aproximei, passando a mão no seu rosto e tirando a tinta que tinha ali, Luna ficou quieta apenas me olhando, eu sorri para ela e ela retribuiu, depois foi a sua vez de limpar meu rosto, eu sorri agradecido.

- Então conseguimos acabar o meu trato – comentei.

- Verdade, fizemos tudo da sua lista. Ainda não acredito que paguei aquele mico em Vegas!

Eu ri alto.

- Pelo menos ninguém te conhece e nem vai se lembrar de você.

- Sou sempre eu que pago mico, já reparou? – ela perguntou – Eu apanho na balada, eu caio de cara na lama correndo atrás de um cachorro, tive que fazer um baita de um strip-tease, sem falar no montão de outros micos como os do desafio “Por que não?”.

- Esse foi o melhor de todos! – eu ri alto – O Rafael é muito engraçado, ele sacou tudo logo de cara e soube direitinho mexer com a gente. Ele é demais.

- Ele é mesmo – Luna riu concordando – O seu trato foi bem mais divertido que o meu.

- O seu foi muito bom – eu contrapus – Pular de pára-quedas e dormir com você foram tudo de melhor!

Luna corou e sorriu pra mim.

- A verdade é que sempre que estamos juntos tudo fica melhor né?

Eu concordei em silêncio, nos apenas nos olhamos em silêncio, a única coisa que se ouvia era os pássaros cantando e a água balançando ao nosso redor. Senti a mão de Luna tocar a minha e eu as entrelacei, olhei para ela com curiosidade.

- Eu preciso confessar que eu nunca imaginei que nós fossemos estar assim de novo – eu a ouvi dizer com atenção – Eu pensei que nunca mais conseguiríamos nos olhar, nem nos falar ou muito menos os tocar, mas veja onde estamos agora, veja o tempo que passou e... E nada mudou – ela sacudiu a cabeça – É como se os seis anos que passamos longe nem tivessem existido.

Eu sorri e concordei com um aceno de cabeça.

- Apesar de tudo o que aconteceu e o que está acontecendo, preciso que saiba que eu estou muito feliz, Matteo – ela sorriu pra mim – Não precisa de muito, não precisa ser uma noite em Paris, não precisa ser o casal referencia que todos adoram, só preciso estar aqui com você, a sós, é tudo o que me traz felicidade – Luna se aproximou mais, até envolver meu pescoço com seus braços, eu engoli em seco ao sentir seu corpo nu colado ao meu – Obrigada por isso e obrigada por tudo, meu amor – fui ao céu e voltei em um segundo – Não há distancia nem tempo que consiga arrancar esse amor que eu sinto por você, e não há nada nem ninguém que mude esse sentimento. Você é tudo, você é minha felicidade, minha tristeza, minha esperança, aquele que sabe exatamente como me fazer feliz, aquele que está disposto a pular comigo não importam as circunstancias, você é metade de mim e o meu corpo grita pelo seu, meu coração se aperta só de pensar em te perder, eu não quero, não quero te perder nunca mais. Eu cansei de lutar contra os meus sentimentos, não adianta eu negar – Luna sussurrou, sacudindo a cabeça – Eu te amo muito Matteo, eu te amo como sempre amei e te amarei a cada dia mais e mais até o fim da minha vida, é inexplicável a imensidão do que sinto por você. Eu te amo muito, meu amor.

A alegria que eu senti naquele momento eu jamais tinha sentido igual, para mim eu poderia morrer naquele exato momento e eu morreria feliz, mas tinha uma coisa que eu precisava fazer, pela qual eu esperei muito tempo.

- Eu te amo mais que tudo, minha vida – sussurrei.

Então eu a beijei.

Luna retribuiu o beijo de imediato, apertando mais seus braços ao meu redor. Era um beijo intenso, cheio de desejo, amor e saudade, muita saudade. Naquele momento não existia mais nada além dela, minha lua, meu sol, meu universo, tudo, tudo sempre foi ela e tudo sempre será ela.

Naquele momento, perdido em seus lábios, perdido em seu corpo, eu soube, eu tive a certeza, de que era ela, não existia ninguém mais nesse mundo que eu iria amar mais do que a Luna. Por isso aproveitei cada pedaço daquele maravilhoso momento, seu toque, seu corpo colado ao meu, nossas respirações ofegantes que se misturavam junto ao beijo. Eu não poderia estar mais feliz.

- Eu te amo – sussurrei entre o beijo – Eu te amo.

- Eu te amo muito – Luna agarrou meu rosto em suas mãos e encheu-me de beijos – Eu te amo muito, mauricinho.

- Do tamanho do sol? – perguntei brincalhão.

Luna riu alto, jogando a cabeça para trás.

- Do tamanho da galáxia inteira! – ela me beijou de novo – Muito, muito.

Eu sorri, mordendo o lábio inferior e voltando a beijá-la logo em seguida, depois mergulhei com ela e nós nadamos juntos de mãos dadas até o outro lado antes de nos beijarmos de novo debaixo d’água e depois voltarmos a superfície e continuar o beijo. Eu a ergui envolvendo suas pernas na minha cintura e continue a beijá-la por longos e longos e longos minutos.

***

Luna e eu saímos da água antes que, como ela mesma disse, acontecesse algo a mais. Nós entramos na casa e fomos para quartos separados, ela disse que eu poderia pegar roupas do pai dela emprestadas, já que eu não tinha. Então eu escolhi um conjunto e deixei na cama enquanto eu ia tomar um banho pra esfregar o resto de tinta que ainda tinha.

A água quente caía sob meu corpo enquanto eu esfregava com força, tentando me limpar. Pulei de susto ao sentir um par de mãos que vinha por de trás de mim, acariciando meu tórax e descendo pela barriga.

Virei-me rapidamente apenas para ter a certeza de que era a Luna, ela sorriu para mim e agarrou meu rosto me beijando de novo como fez lá fora. Eu retribuí ainda um pouco confuso e surpreso pelo modo de abordar dela, levemente eu a empurrei para tentar questioná-la.

- Luna – eu a chamei, rindo baixo – O que foi? Por que isso agora? Pensei que...

- Esquece o que eu disse – ela pediu ofegante – Só me beija, Matteo. Eu preciso de você.

Atendendo a seu pedido eu a agarrei de novo pela cintura e a beijei com intensidade, Luna pulou até estar em meu colo, segurei suas penas ao redor do meu corpo e a encostei na parede, desci meus lábios para seu pescoço, beijando ali e recebendo seus suspiros e gemidos como respostas. Senti suas unhas em meu couro cabeludo, fazendo-me arrepiar.

Luna sussurrou algo em meu ouvido, quase inaudível, mas me pareceu a palavra “cama”, então eu desliguei o chuveiro e saí do banheiro com ela ainda em meu como, beijando meu rosto e pescoço.

Uma vez no quarto, eu a deitei na cama e me deitei por cima, ali eu tinha mais maneiras de beijá-la e de tocá-la, nós nem nos importamos de estarmos molhando a cama, só queria saber um do outro. Eu acariciei sua coxa, agarrando-a e prendendo-a em minha cintura enquanto nos beijávamos ferozmente.

A melhor parte daquilo tudo é que já estávamos sem nossas roupas, então chegarmos aonde queríamos foi bem mais fácil. Eu impulsionei meu corpo para frente e ela jogou a cabeça para trás, chamando alto pelo nome quando passamos a ser um só corpo. Nós nos beijávamos, nos tocávamos, as respirações se misturavam com os beijos, os toques e os sussurros de palavras de amor.

Foi como se fosse a primeira vez que ficamos juntos, a sensação de algo novo, porém já conhecido e ansiado tanto por nós. A sensação de ter seu corpo ao meu, sua boca beijando a minha, essa sensação jamais mudaria e sempre me surpreenderia e me deixaria em êxtase assim como a primeira vez. Se eu pudesse eternizar um momento na vida seria esse momento.

Nós mudamos de posição, de modo que ela ficasse em cima de mim, eu me senti tendo-a em meu colo enquanto nos beijávamos e nos movíamos devagar, aproveitei para beijar seu pescoço, e seus ombros e seus seios, e todo o seu corpo onde eu alcançava, Luna ria e sorria para mim, aquele sorriso me levava até o céu e era impossível não sorrir junto.

Eu a agarrei seu rosto em minhas mãos e a beijei de novo. Mais alguns momentos naquela posição e rolamos na cama de novo, eu volte estar por cima e parei um momento, olhando para seu belo rosto, apoiei no cotovelo e com a mão livre acariciei seu rosto e seu cabelo. Nós estávamos ofegantes e nos tocávamos o tempo todo.

Por um instante meu coração se apertou com a ideia de perdê-la de novo, eu não suportaria isso, nunca!

- Seja minha Luna – eu sussurrei – Seja minha para sempre. Eu quero estar com você todos os momentos da minha vida, quero acordar ao seu lado, quero passar por todas as alegrias e tristezas dessa vida ao seu lado, porque você é a minha rocha, você é quem pode me reerguer e me sustentar de pé. Eu preciso de você o tempo todo – confessei olhando em seus olhos, as lágrimas escorriam por seu rosto e as minhas se acumulavam nos olhos – Eu não suportaria ficar longe de novo, eu não vou deixar você ir embora nunca mais, não importa o que aconteça estaremos juntos – eu a beijei de novo – Seja minha Luna – disse entre um beijo e outro – Seja minha para sempre.

- Sua – ela respondeu entre o beijo – Sua, sua sempre. Sempre sua meu amor.

Então voltamos a nos mover e nos beijar intensamente até alcançarmos o clímax juntos, e assim continuamos por longas horas, pelo resto do dia, apenas deitados juntos, ora nos beijando, ora nos tocando, não nos importava.

Nós estávamos juntos e estaríamos sempre. Isso já era tudo!

***

Passava das três da tarde e nós ainda estávamos deitados, assistindo filmes e namorando embaixo das cobertas, em um momento de silêncio o estomago da Luna fez um barulho estranho informando que estava com fome e nos fazendo gargalhar alto.

- Alguém ta com fome – brinquei.

- Jura? Quem será? – ela riu, brincalhona – Me alimente, amor.

- Eu?! Tenho cara de empregado?

Ela me olhou e agarrou meu queixo, virou meu rosto de um lado pro outro como se estivesse me analisando, depois deu de ombros.

- É, mais ou menos.

- Ei! – eu questionei e comecei a fazer cócegas nela.

Luna se recontorcia embaixo das minhas mãos e tentava se soltar, ela ria e gargalhava sem parar enquanto implorava para que eu parece, mas como eu poderia parar amando tanto aquele sorriso?

Ela gemeu baixo e eu parei com medo de machucá-la, depois ela me acertou um tapa e se levantou da cama, procurando por algo para se cobrir.

- Anda mauricinho, levanta daí e vamos fazer alguma coisa pra comer.

- Não, to bem aqui, apreciando a vista.

Coloquei as mãos atrás da cabeça e observei enquanto ela andava de um lado pro outro até parar e me olhar com as bochechas vermelhas de vergonha. Luna puxou o lençol que estava em cima de mim e se cobriu com ele, depois jogou o travesseiro em mim, eu ri alto enquanto ela saía do quarto.

- Levanta logo! – ela gritou antes de desaparecer.

 Eu me levantei já rindo e vesti uma bermuda, saí do quarto e procurei por ela pela casa, eu a encontrei na cozinha, vestido um de seus vestidos, ela estava enchendo uma panela com água.

- O que vai fazer? – perguntei.

- Eu nada, você é que vai fazer macarrão.

- Ah é? – cruzei os braços, achando graça – Não to sabendo disso.

- Mas eu sim – ela riu e me empurrou para o fogão – Anda pode começar.

Revirei os olhos.

- Você é muito mandona.

Comecei a pegar os ingredientes e ela me ajudou com isso, me lembrei da primeira vez que fizemos um macarrão juntos, mas os papeis eram trocados ela era quem fazia o macarrão e eu só ajudava com alguns ingredientes.

- Se sair ruim eu não responsabilizo – dei de ombros.

- Eu te ensinei a fazer, não tem como ficar ruim.

- Depois eu que sou o mauricinho – eu ri alto – Ta muito convencida.

- É a convivência – Luna riu.

Ela se aproximou da bancada e começou a cortar a cebola, eu lembrei-me da vez que eu estava naquela posição e ela me zoou por estar chorando. Sacudi a cabeça em negação, era quase um DejaVú.

- Como foi o seu dia de serviço ontem? – Luna me perguntou.

- Foi horrível, meu chefe estava virado! – suspirei baixo – Hoje eu faltei sem dar nenhuma explicação, então já estou me preparando para ouvir um monte amanha.

- Você gosta de lá? – ela perguntou.

Eu parei o que estava fazendo e olhei para o nada, pensando no assunto. Eu não gosto muito de ficar o dia inteiro na frente de um computador ouvindo alguém gritar comigo, mas é exercendo a profissão que eu amo e que eu escolhi seguir.

- É complicado – confessei – Amo o que faço, mas não naquele lugar. É um mal necessário para seguir o meu plano.

Luna assentiu como se me entendesse, e eu dei de ombros, sabendo que era necessário aceitar aquilo.

- E com você? – perguntei – Ta muito animada com a transferência?

- Demais! – ela sorriu – Matteo, já imaginou que incrível trabalhar no Haiti? Cuidando de todas aquelas famílias que perderam tudo, as crianças que ficaram órfãs... Eles já sofreram tanto! Precisam ser cuidados e amados, eu não vejo a hora de ir.

- Quando você vai? – perguntei.

- Sábado.

Parei de mexer o macarrão para olhá-la, Luna assentiu com uma expressão triste.

- Então você não ia mesma se houvesse casamento – afirmei.

- Não – ela confessou – Eu não ia contar pra Ambar, só no dia mesmo, ou ela era capaz de me enforcar ou tentar algo para eu não ir.

- Disso pode ter certeza – concordei – Mas... Tão rápido assim? Nós acabamos...

Luna soltou as coisas que tinha na mão e se aproximou de mim.

- Eu sei meu amor, eu não esperava que nós nos acertássemos – ela confessou em um sussurro – Mas podemos dar um jeito, sei que podemos, não vamos nos separar de novo.

- Que jeito Luna? – eu ri sem humor – Você ta indo pra outro continente, não tem jeito pra isso! A não ser que...

- Que o que?

Luna franziu a testa enquanto eu sorria com a ideia.

- A não ser que eu vá com você.

- Não, não, não – ela sacudiu a cabeça – Matteo eu não posso deixar você desistir do seu plano de carreira por mim, você não pode largar tudo e ir.

- E por que não? – eu dei de ombros – Eles devem precisar de advogados no Haiti.

- Pra que? – ela perguntou rindo – Não, não, Matteo, seu pai vai ficar ainda mais bravo e muito chateado com você.

Eu revirei os olhos, bufando alto e voltando a mexer o macarrão.

- Você acha mesmo que eu ligo pro que meu pai acha ou deixa de achar?! – sacudi a cabeça – Eu estou pouco me lixando pra opinião dele, eu que decido sobre minha vida.

Coloquei o macarrão para escorrer e comecei a preparar o molho, ao meu lado Luna estava impaciente, andando de um lado para o outro.

- Você pode não se preocupar, mas eu me preocupo – a ouvi dizer – Seu pai vai falar que é minha culpa, que eu estou te levando para o mau caminho e que sou uma perdida e...

- Ei, ei, calma – eu ri alto – O máximo que ele vai fazer é um escândalo pequeno e fim, ele não vem me sequestrar e me prender numa torre ou algo do tipo, relaxa.

Terminei com o molho e com o macarrão, Luna foi arrumar a mesa, mas ela continuava tensa, sempre parando e olhando pro nada, com certeza com muitas hipóteses na cabeça. Eu suspirei e me aproximei dela, agarrando seus braços e acariciando-os.

- Amor, relaxa – eu pedi, rindo baixo – Vai ficar tudo bem. Quando estávamos no lago você disse que nada nem ninguém iria nos separar que a distancia e o tempo não arrancariam o que sentia por mim, isso era verdade?

- Claro que era verdade, Matteo.

- Então pronto, por que está com tanto medo? – perguntei – Por acaso não quer que eu vá com você?

Luna suspirou e sua expressão se tornou triste.

- Não amor, não é isso – ela sacudiu a cabeça – Obvio que quero você ao meu lado, mas não quero que você desista dos seus planos e sonhos por mim, entende?

- Luna eu te amo, entende? – eu a imitei – O meu sonho é você, nós passamos tempo demais separados e agora que finalmente estamos juntos eu não vou deixar nada estragar isso. Então eu vou e ponto final.

- Você tem certeza?

- Claro que sim.

- Certeza absoluta?

- Luna para com isso!

- Só quero que tenha certeza ué, é uma mudança e tanto... Ah meu Deus, e o Valente, o que faremos? Temos que dar um jeito. Ain, ele na pode ficar sem você. Tem certeza que você vai?

Revirei os olhos e me sentei em uma das cadeiras, ela se sentou na outra.

- Você já ta me irritando com isso – confessei – Afinal, se fossemos casados você ia me mandar eu ficar aqui?

- Ah, ma sisos é diferente Matteo, se fossemos casados ia ser diferente.

- Então ta bom.

Me levantei e a puxei para longe da mesa, Luna franziu a testa enquanto eu agarrava sua mão e respirava fundo, ajoelhei-me na sua frente e ela arregalou os olhos.

- Ta fazendo o que?! – ela gritou.

- Cala a boca

- Matteo!

Eu sorri e segurei sua mão direita, respirei fundo de novo e olhei para minha linda menina delivery.

- Luna Valente, Sol Benson, eu te amo mais do que a minha própria vida e não consigo imaginar minha vida sem você ao meu lado, eu quero poder te amar, te respeitar e te fazer feliz pelo resto da sua vida. Você me daria a extraordinária honra de ser a minha esposa.

- Ah meu Deus, minhas pernas estão bambas.

Minha levantei depressa e a agarrei pela cintura antes que ela caísse, comecei a rir alto enquanto olhava para seu rosto vermelho e quente.

- Então amor, você vai me responder ou não?

- Isso é serio? – ela perguntou.

- Não, não, só me ajoelhei porque gosto de estar mais perto das formigas – revirei os olhos – Claro que é serio, Luna! Você quer ou não casar comigo?

- Ah meu Deus – os olhos dela reviraram e eu a sacudi antes que ela desmaiasse.

Eu gargalhei alto tendo que colocá-la sentada, eu me ajoelhei perto dela.

- Não precisa ficar assustada, é esse tipo de coisa que acontece com duas pessoas que se amam – dei de ombros – Não estou dizendo que temos que casar hoje, amanha ou daqui uma semana, pode ser daqui anos, mas quero ter você como minha noiva. – eu sorri – Porque sei que um dia vou me casar com você. Nós passamos por tanta coisa! E nos conhecemos há tanto tempo, hoje eu entendo que estivemos errados o tempo todo, nós nunca fomos amigos – sacudi a cabeça – Amigo não dorme na mesma cama, amigos não sentem ciúmes como sentíamos, amigos não se beijam como nos beijávamos.

Luna concordou rindo.

- No dia que te conheci eu soube que era você a pessoa que mudaria a minha vida por completo – sussurrei – Sou seu para sempre e você é minha para sempre. Vamos firmar isso, ok? Não entre em pânico, mas vou falar de novo, você quer casar comigo? Você quer que eu vá com você pro Haiti e leve o Valente? Você quer pensar no nosso futuro, em montar nossa casa, nossa família e tudo o que inclui o pacote? Você quer ser a minha esposa?

- Eu quero – ela sussurrou em meio as lágrimas.

Eu sorri e agarrei seu rosto, beijando sua boca com urgência e recebendo seu lindo sorriso como resposta.

- Eu prometo que vou cuidar de você, vou te proteger e te amar todos os dias – sussurrei – Nada nem ninguém vai quebrar isso – eu agarrei sua mão – Tudo vai ficar bem agora.

- Eu te amo muito, mauricinho.

- Eu te amo muito, menina delivery.

Nós nos beijamos de novo e depois eu a abracei forte, beijando seu cabelo e sentindo o doce cheiro que ela tinha. Meu coração se encheu de uma alegria, mas com ela veio o medo, tudo estava tão bom que chegava a assustar, eu sabia que teríamos que enfrentar muitas coisas quando voltássemos para casa e eu torcia para que nós dois fossemos fortes o suficiente para suportar tudo isso.

Nós merecemos um final feliz. Não é?        


Notas Finais


OLAAAAAAA QUANTO TEMPO JKDFASFBDJSFBHDJSFHJSAHH faz tipo uns 50 anos que não apareço aqui shjahdjahsa, me desculpem por isso, estou bem enrolada com trabalho e faculdade, mas essa é minha ultima semana de provas e depois fériaaaas, então vou ficar mais tranquila e não vou precisar demorar tanto.
Quero agradecer por todoooooo o carinho amor, vocês são demais!!! Eu leio todos os comentários dhajsjaja. Quero que me contem o que acharam desse capitulo (que deu um baita trabalho), quero saber o que acham que vai acontecer, quero saber tudoooooo. Só faltam mais DOIS CAPÍTULOS ): *coração partido*
É isso, me sigam nas redes sociais para ter mais informações de postagem
instagram: sorrisolutteo
twitter: ruggerown
BEIJO BEIJO AMO TODOOOOOOOS <3


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