História Treat You Better - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Teen Wolf
Personagens Allison Argent, Jackson Whittemore, Lydia Martin, Personagens Originais, Scott McCall, Stiles Stilinski
Tags Lydia Martin, Romance, Stiles Stilinski, Stydia, Teen Wolf
Exibições 51
Palavras 6.676
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Finalmente, meu deus, eu consegui postar esse capítulo. Eu estou tão envergonhada, que não conseguiria nem olhar cara de vocês de vergonha se desse, eu tenho alguns motivos para ter sumido, mas são tão dramáticos e tão caso de família que nem vou gastar o tempo de vocês com isso, porem eu voltei com o capítulo novo lindo e enorme para vocês e espero poder recompensar um pouco a demora (por mais que os meus capítulos sempre sejam enormes), sem mais delongas, vamos ler!

Capítulo 3 - Capítulo Dois - Ruin


— Eu não acredito! – Jackson urrou, se aproximando de Lydia. – Eu aqui todo preocupado esperando você para me desculpar por causa de uma estúpida briga que a sua amiga drogada causou e você me traindo!

Lydia crispou os lábios, era inacreditável a falta de perspicaz de Jackson, como era fácil ele entender as coisas da maneira mais errada possível quando estava irritado. Pelo o canto dos olhos ela viu Stiles contornando o jipe, se aproximando dos dois calmamente para não irritar ainda mais Jackson.

— Primeiramente, pare de chamar a Allison de drogada. – Lydia vociferou. – Segundamente, pare de ser um babaca!

— Eu um babaca? É você que está me traindo. – Lydia ergueu a sobrancelha para ele. – Ah, não está? Então me diga, qual seria o motivo de você estar chegando com um cara já tarde da noite? – Jackson perguntou. Lydia bufou.

— É Jackson, você tem razão, a única explicação para isso é eu ter acabado de voltar de um motel com ele, quer que eu pegue a camisinha que a gente usou para provar? – Lydia respondeu sarcasticamente, deixando Jackson ainda mais furioso.

— Não seja irônica comigo, Lydia! – e com o punho fechado, ele deu um soco na lataria azul do jipe, logo ao lado da cabeça de Lydia, deixando o local amaçado. Naquela hora, Stiles de manifestou aproximando-se rapidamente de Jackson.

— Hey! Vamos nós acalmar? – Stiles disse afastando Jackson de Lydia. – Não rola nada entre mim e a sua namorada, só dei uma carona para ela.

— Não encosta em mim! – Jackson berrou, empurrando os braços de Stiles. Naquele momento, ele focalizou o garoto que estava na sua frente, se tocando que ele era o cara que cumprimentou Lydia mais cedo. – O cara de cedo que você disse que não conhecia, Lydia. – Jackson encarou Lydia, com uma sobrancelha arqueada.

Lydia soltou uma risada descrente. Stiles ao lado dela soltou “O que?!”.

— Eu não acredito nisso. – Lydia sussurrou. – Eu não o conhecia naquela hora, só que o Stiles é neto da Dona Abby e está morando no prédio, então eu, obviamente, o conheço agora. 

— Neto daquela velha enxerida que me odeia? Que vive falando para você terminar comigo? – Jackson disse, apontando para a casa de Dona Abby, com um sorrisinho sarcástico no rosto. – Agora ela é cafetina? Dando o próprio neto para você transar e terminar comigo.

— Argh, Jackson, nesse exato momento eu estou afim de dar um soco na sua cara! – Lydia gritou, levando as mãos para os cabelos ruivos, os puxando em claro sinal de raiva.  

— Entra na fila. – Stiles falou, fechando os punhos, amassar o jipe já o havia deixado irritado, agora ofender a sua avó? Stiles estava extremamente puto da vida. Jackson olhou para ele rindo.

— Então você quer brigar. – Ele disse, estralando o pescoço.

— É, você está precisando receber um soco nessa cara para deixar de ser trouxa. – Stiles respondeu. Lydia se pôs entre os dois.

— Nada de briga! – Ela falou alto e se virou para Stiles. – Vá para casa, eu lido com ele sozinha. – falou aos sussurros.

— O cara amaçou o meu jipe com o punho! Você não vai ficar sozinha com ele. – Stiles negou, pasmo.

— Ele não vai me machucar, ok? Sei lidar com o Jackson, só vai embora, por favor. – Lydia pediu suplicante. Stiles encarou Lydia por vários segundos, lendo o rosto dela, então soltou um longo suspiro.

— Está bem. – Stiles deu os ombros. Lydia agradeceu com um olhar, atrás dela, um sorriso presunçoso reinava nos lábios de Jackson. Stiles então fechou o jipe e andou até o apartamento da avó, as vezes olhando para trás ainda receoso, mas deixou o casal sozinho.  

Quando Stiles entrou no apartamento, Jackson abriu a boca para dizer alguma coisa, porém Lydia o interrompeu antes disso com um gesto bruto.

 — Não vou continuar essa inútil discussão aqui fora para os vizinhos todos verem. – Lydia vociferou baixo, apontando para várias pessoas curiosas que saíram de suas casas para verem o que era aquela gritaria toda. – Então a gente vai lá para o apartamento e vamos conversar, se você pensar em aumentar a voz, eu pego a primeira coisa que tiver perto de mim e bato em você até sair de casa. – Lydia ameaçou, olhando firmemente para Jackson. 

— Ok. – Jackson concordou.  

Os dois subiram as escadas, andando afastados um do outro e foram até o apartamento de Lydia. A garota estava terrivelmente brava pela cena que o namorado fez. Pela primeira vez aquele ciúmes que ele tinha por ela havia deixado Lydia extremamente desconfortável e irada. Sendo acusada de traição na frente de um cara que ela tinha acabado de conhecer? Que ainda por cima era neto da pessoa que só fazia coisas boas para Lydia? E de brinde, metade dos vizinhos tinham visto?! Fala sério, ela nunca se sentiu tão humilhada.

Lydia abriu a porta do apartamento, esperando Jackson entrar para fecha-la fortemente, fazendo com que as paredes da sala tremessem.

— Eu não acredito no que você acabou de fazer, Jackson. – Lydia falou baixo, controlando a raiva. – Qual é o seu problema?

— Meu problema? Não fui eu que estava traindo o namorado até agora pouco. – Jackson ironizou.

— Você ainda acha que eu estava te traindo? – Lydia perguntou, erguendo os braços. A garota andou até Jackson pisando fundo. – Será que eu posso ter o direito de me explicar? Trazer o meu advogado? Ou a sentença já foi dada e fui considerada culpada?

Ambos ficaram se encarando por vários segundos. Lydia mordendo as bochechas, sinal que mostrava sua irritação.

— Explique-se. – Jackson cruzou os braços esperando a garota começar a falar. Lydia endireitou a postura, respirando profundamente.

— Como você sabe toda quinta eu vou a feira com a dona Abby e como você também sabe ela comprou a livraria do centro, então logo depois que a gente fez as compras, fomos para lá porque eu queria conhecer a livraria, acabou que nós duas ficamos lá para começar a organizar o lugar.

— E como você explica o neto dela? – Jackson interrompeu Lydia. A garota o fuzilou com o olhar.

— Se você esperar, eu já vou falar. Bom, o Stiles está passando um tempo com a avó e vai trabalhar na livraria, ou seja, quando nós duas chegamos, ele já estava no local. Acabou que perdemos a noção do tempo no meio da arrumação e a Dona Abby estava atrasada para um compromisso importante e o Stiles gentilmente me deu uma carona. Foi isso que aconteceu e só chegamos esse horário porque ele parou em um restaurante para comprar comida porque eu estava morrendo de fome. – Lydia suspirou. - Existem pessoas educadas nesse mundo, Jackson, pessoas totalmente diferentes de você

Lydia abraçou os próprios braços, tentando expulsar aquela vontade de chorar que a possuiu. Jackson engoliu seco, suavizando o olhar.

— Lydia, me desculpa. – Jackson tentou pegar a mão dela, porém Lydia se afastou.

— Você se desculpa? Então quer dizer que agora acredita em mim? – Lydia rosnou. – Você é inacreditável! Eu nunca na minha vida senti vergonha de dizer que você é meu namorado. – Lydia passou as mãos pelos cabelos. - Bom, não até hoje. Você me humilhou, você desconfiou de mim! Estamos juntos a dois anos e você ainda não tem capacidade de acreditar em mim! Estou com tanta raiva de você, Jackson. – Lydia dizia cada palavra afundando o dedo no peito de Jackson. – Eu... eu poderia terminar com você nesse exato momento! 

Uma onda de desespero passou por Jackson. Lydia não podia terminar com ele, ele precisava dela, a garota era a sua droga, a substância mais viciante que havia conhecido, ele precisava de seus toques, de seus beijos, de seu amor, sem ela, ele entrava em uma profunda abstinência, Jackson virava uma pessoa pior, muito pior.

— Lydia, não diga uma coisa dessas. – o garoto gaguejou. – Não pode terminar comigo.

— Então o que você quer que eu faça? – Lydia disse com a voz embargada. – Você me magoou, Jackson.

Algumas lágrimas escorreram pelo rosto de Lydia, que as limpou rapidamente, porém não antes de Jackson vê-las. O garoto colocou os braços em volta da namorada, que no começo tentou afasta-los, mas logo cedeu ao abraço. Por mais que Lydia estivesse magoada, ela nunca manteria Jackson afastado por tempo demais.

Jackson se torturava por dentro, ele sempre deixava a raiva tomar conta dele, o que o fazia dizer e agir de formas que não gostaria, formas que pudessem machucar Lydia, e a única coisa do mundo que ele odiava fazer era machucar Lydia. Mas não era algo que pudesse evitar, a menina causava as mais derivadas emoções nele e essas emoções sempre aos seus extremos. Quando ele a viu naquele maldito carro com aquele maldito cara, Jackson simplesmente perdeu a noção, pensou na primeira coisa que veio na cabeça e agiu sem pensar. 

 

— Me desculpa, minha linda. – Jackson beijou o topo da cabeça de Lydia. – Me desculpa, por favor, eu perdi minha cabeça, você sabe como eu sou.

— Estou cansada disso, Jackson. – Lydia sussurrou, com a cabeça encostada no peito do rapaz.

— Vou tentar não fazer mais essas cenas, só que você vai me prometer evitar aquele cara. – Jackson pediu, com a voz mais doce que ele podia fazer. O rapaz não sabia o porquê, mas desde a primeira vez que ele viu Stiles, sabia que aquele cara iria causar problemas.

Lydia levantou a cabeça, desfazendo o abraço.

— Você quer que eu evite o Stiles? – Lydia se afastou, pisando firme até a porta do seu quarto, destrancando-a. – Você só pode estar de brincadeira! Ele é neto da dona do prédio que é uma amiga muito querida, não posso simplesmente ignora-lo.

Jackson entrou no quarto logo atrás dela.

— Não estou pedindo para ignora-lo, só não quero intimidade. – Jackson se aproximou de Lydia, puxando-a pela cintura. – Por favor, por mim. – Ele deu um beijo delicado no pescoço da menina, fazendo-a arrepiar. – Vamos lá, Lydia, não é como você precisasse virar amiga dele, logo o cara vai embora, não vai ser um esforço. – Jackson afastou o rosto, abrindo um sorriso para Lydia.

A garota o encarou. Stiles se mostrou um cara muito legal nas poucas horas que os dois passaram juntos, Lydia gostaria de virar amiga dele, porem Jackson tinha razão, logo o garoto iria embora de volta para sua cidade, não havia uma real necessidade de intimidade entre os dois e se era para as coisas ficarem boas entre ela e Jackson, talvez fosse o certo acatar o pedido dele. Lydia suspirou, cedendo.

— Tudo bem. – Jackson alargou o sorriso, apertando a cintura de Lydia. - Mas eu ainda vou ter que conversar com ele de vez em quando, nós somos vizinhos, ok?

— Ok, mas nada de caronas, conversar longas demais ou ficarem sozinhos em um local por muito tempo.

Lydia revirou os olhos, mas concordou com um aceno. Jackson puxou Lydia contra ele, fazendo com que os corpos dos dois se chocassem. O rapaz aproximou seus lábios puxando a boca carnuda de Lydia, a garota afastou o rosto com a sobrancelha arqueada.

— Acha que eu vou transar com você depois daquilo? Não senhor, vai ficar de castigo por algum tempinho. – Lydia tirou os braços do namorado da sua cintura, afastando-se e deitando-se na cama. Jackson deu um sorriso safado.

— E se eu fazer algo que vai te agradar muito, você cancela o castigo? – Ele perguntou, indo até a porta do quarto, trancando-a. Lydia lambeu os lábios sabendo muito bem o que Jackson queria dizer com aquilo. A muito tempo ele não fazia algo que a agradasse sexualmente. Deus, como ela queria aquilo!

— Não sei, talvez sim. Vamos ver se você vai se sair bem.

Jackson são disse mais nada. O garoto andou até a cama devagar, subindo na mesma e puxando Lydia até ele, chocando a boca dos dois, começando um beijo feroz e brutal. Jackson passava as mãos pelo corpo de Lydia, apertando-a com possessão.  Suas mãos iam desde a nuca da garota até as coxas fartas e por vezes, entravam dentro da saia do vestido, apertado o lado interno das coxas, próximo a virilha. As mãos de Lydia estavam na nuca do rapaz, puxando-o os cabelos dele com força. Jackson cessou o beijo, com seus lábios inchados e vermelhos, os de Lydia também não estavam diferentes. Jackson empurrou Lydia na cama brutalmente, deitando-se sobre ela.

— Eu vou fazer você ver estrelas, Lydia. – Jackson sussurrou, antes de começar a beija-la novamente.

•••

Lydia desabou ao lado de Jackson, seu corpo estava suado e cansado, seus músculos pediam um pouco de descanso. A garota acabou cedendo as luxurias do rapaz, mas não antes de ganhar um bom e gostoso pedido de desculpas. Jackson envolveu a cintura da menina, puxando-a para ele, a garota repousou a cabeça no peito nu do rapaz.

— Sexo de reconciliação é o melhor. – Jackson começou. - Acho que é por isso que brigamos sempre.

— Não, acho que brigamos sempre porque você é um babaca na maioria das vezes. – Lydia o corrigiu, começando a acariciar o peito do rapaz. Jackson bufou.

— Sério, Lydia? Eu já me desculpei, se for continuar a jogar isso na minha cara eu vou embora. – Jackson falou, ameaçando se levantar da cama.

— Não, não. – Lydia levantou a cabeça rapidamente, dando um selinho nos lábios do namorado. – Me desculpa, não vamos mais falar sobre isso.

Jackson sorriu concordado, arrumou a ruiva em seus braços, para que ele ficasse em uma posição mais confortável.

— Vamos dormir, eu estou morto. – Jackson disse, fechando os olhos.

Lydia concordou, mas ela não fechou os olhos imediatamente, algo a preocupava. A garota olhou para o relógio que ficava no criado mudo, nele já marcava 21:30 da noite, já estava tarde e seu pai não havia dado o ar da graça ainda. Lydia sabia que provavelmente ele estava em um bar jogando baralho, bebendo todas até cair desfalecido no chão imundo do lugar, porem saber daquilo não deixava a garota menos preocupada, ele ainda era seu pai, por mais que não agisse como tal, ela ainda o amava, e foi pesando nisso que a garota apagou.

O barulho da campainha acordou Lydia quase duas horas depois, era suave e contido, como se a pessoa que estivesse do lado de fora não quisesse incomodar. Lydia olhou para o relógio, marcava onze da noite. ”Quem poderia ser a essa hora?”, pensou a garota, ao tirar os braços de Jackson, que ainda estava dormindo, da sua cintura. Lydia pegou a primeira peça de roupa que achou, a camisa azul do namorado e a vestiu, não se preocupando em colocar sutiã. A ruiva destrancou a porta do quarto, já imaginando que poderia ser seu pai que perdeu a chave novamente, porem ao abrir a porta do apartamento, deu de cara com um jovem alto de cabelos castanhos com várias pintinhas no rosto. Stiles.

Na mesma hora, Lydia ficou envergonha pela forma como estava vestida. Stiles desceu o olhar por todo o corpo dela, quase inconscientemente, ao levantar o olhar para o rosto de Lydia, sentiu suas bochechas esquentaram, virando um pouco o rosto. A garota fechou um pouco a porta, se mantendo escondida atrás dela, apenas com sua cabeça para fora. Stiles virou sua cabeça novamente em sua direção, porem sua boca estava um pouco aberta, como se quisesse dizer algo.

— Está um pouco tarde, não? – Lydia começou tentando fazer o rapaz sair do transe. Stiles fechou a boca, engolindo seco.

— Desculpa, desculpa. Minha avó chegou agora a pouco e disse para vim entregar essas coisas. – Stiles respondeu, entendendo algumas sacolas para Lydia. A ruiva percebeu que eram as compras que Dona Abby havia feito para ela na feira. Lydia as pegou, logo após encarando Stiles.

— Poderia ter me entregado amanhã. – Lydia comentou suavemente, ela não estava irritada pelo rapaz ter aparecido, na verdade estava estranhamente feliz por vê-lo de novo, mesmo naquela situação desconfortável.    

— Eu sei. – Stiles disse, coçando a nuca. – Só que o seu namorado estava muito irritado, acabei fiquei bastante preocupado com você, eu... eu precisava ver se estava bem. Me desculpa aparecer assim tão tarde.

Stiles disse em um tom bastante envergonhado, ele estava com medo da reação de Lydia, afinal eles mal se conheciam, talvez para ela seria estranho aquela reação do garoto, mas ao contrário do que Stiles achou, Lydia deu um pequeno sorriso.

— Nossa, Stiles, isso é muito legal da sua parte. – Lydia falou, mais uma vez naquele dia Stiles surpreendeu ela com a educação dele. – Eu estou bem, sei como domar a fera.

— É, percebi. – Stiles sussurrou baixo, falando das vestimentas de Lydia, que claramente mostravam que ela havia tido uma relação mais íntima com o namorado, aquilo havia deixado Stiles extremamente desconfortável. Lydia sentiu suas bochechas queimarem. Stiles percebendo que ela escutou, limpou a garganta. – Acho melhor eu ir, me desculpe aparecer essa hora. – Ele se virou, não antes de se despedir. – Até mais, Lydia.

— Espera! – Lydia exclamou, abrindo um pouco mais a porta. Stiles se virou olhando-a curiosamente. A garota não sabia o porquê, só queria conversar um pouco mais com ele, talvez fosse porque daqui para frente não poderia fazer isso mais com tanta frequência.  – Me desculpa pelo o que aconteceu com o seu jipe. – Lydia disse a primeira coisa que passou pela sua cabeça. – Eu vou tentar convencer o Jackson a pagar pelo conserto.

— Não, não precisa. – Stiles contestou. – Não quero que arranje mais problemas com ele por minha causa.

— Eu insisto, Stiles, é o mínimo que eu posso fazer, me sinto culpada pelo o que houve. – Lydia implorou, juntando as mãos. Com isso, ela acabou saindo de trás da porta, porem Stiles se manteve olhando somente para o rosto de Lydia, não queria deixa-la desconfortável novamente.

— A culpa não é sua, Lydia, sabe disso. – Stiles disse, encarando a garota, que fazia a mesma cara pedinte que usou mais cedo. Céus, como ela faz isso comigo?, Stiles pensou, antes de ceder ao pedido. – Ok, eu aceito que ele pague conserto. – Stiles respondeu, fazendo Lydia abrir um sorriso contagiante, que estranhamente aqueceu o coração de Stiles. 

— Eu vou falar com ele. – ambos ouviram alguém chamar a garota de dentro do apartamento. – Acho melhor eu entrar. Até amanhã, Stiles.

— Até.

Então Lydia fechou a porta. Stiles ficou um tempo parado no local em que estava encarando o vazio e pensando como o sorriso de Lydia era incrivelmente lindo, e aquilo, depois que voltou a realidade, o assustou um pouco.

•••

Após deixar as compras na cozinha, Lydia entrou novamente no quarto dando de cara com o Jackson acordado.

— Quem era? – ele perguntou curioso.

— Dona Abby, ela veio trazer umas compras que eu havia esquecido no carro dela. – Lydia achou melhor omitir o fato que havia sido Stiles que veio até lá, não queria mais brigas hoje. A garota tirou a camisa que estava abrindo em seguida a porta do guarda-roupa atrás de uma camiseta dela mais confortável para dormir.

— Hm, entendi. – Jackson não quis perguntar o porquê de ele então ter ouvido uma voz masculina, ele só queria curtir aquela noite com Lydia sem mais estresse.

Lydia se virou para a cama já vestida com a camiseta, e se deitou ao lado do namorado. Jackson a puxou, unindo os corpos dos dois.

— Você sabe que eu te amo, não sabe? – Jackson sussurrou, depois de alguns minutos em silêncio, surpreendendo Lydia. Jackson não era o tipo de cara que fala “eu te amo”, aquilo não era comum.

— Sei. – Ela respondeu. – Eu também te amo. – Lydia se virou, ficando cara a cara com ele. – Por que isso agora? – perguntou intrigada.

— Não sei, deu vontade. – Jackson respondeu acariciando o rosto de Lydia. – Hoje meu pai me disse sobre o meu futuro na empresa, sobre quando eu virar presidente, e a única coisa que eu pensava era que eu não queria ser presidente e sim tacar um foda-se em tudo, fugir dessa cidade com você, viajar pelo mundo e sermos felizes para sempre.

— Não existe esse papo de felizes para sempre, Jackson. 

— Lógico que existe, Lydia, o meu felizes para sempre é você, seja como for. – Lydia sorriu.

— Bom, gosto dessa ideia. – a garota comentou, Jackson também sorriu, logo depois puxando Lydia pela cintura lhe dando um beijo delicado. – E a faculdade, onde entra ela nessa história? – Lydia perguntou após se afastarem. Jackson franziu a testa.

— Faculdade? Não precisamos fazer faculdade. – Ele respondeu. Lydia se afastou um pouco mais e por fim se sentou na cama.

— Como assim? Preciso fazer faculdade para me tornar independente, Jackson! Você sabe que eu participo dos seus negócios exatamente para junta dinheiro para isso.  

Jackson se sentou ao lado dela, dando um longo suspiro depois,

— Você não precisa ser independente, Lydia, eu sou rico, eu cuido de você.  – Jackson disse. – Faculdade é algo tão simplório para as mulheres e outra, o dinheiro dos racha é nosso, você correndo e me ajudando faz nós ganhamos mais, eu aceitei aquele papo de faculdade na hora, mas agora que estamos no último ano você tem que esquecer essa ideia.

— Simplório para as mulheres? Quer fazer eu mudar de ideia? – Lydia vociferou. – Mas que machista! Você não tem que me fazer mudar de ideia sobre a faculdade, Jackson! Eu escolho se eu faço ou não!  

— Ok, Lydia, você pode escolher se quer fazer, mas você não precisa, para que gastar um puta dinheiro que você ralou para conseguir nisso sendo que não há necessidade?

— Não quero se bancada por ninguém, fica parecendo que eu estou com você só pelo dinheiro. – Lydia respondeu, focando o lençol da cama. Jackson se aproximou dela, colocando as mãos em volta do rosto da mesma.

— Eu sei que você me ama e eu quero te dar tudo do bom e do melhor, coisas que o seu pai não te deu. Um apartamento melhor que essa espelunca fedida, roupas melhores que esse vestido barato. Lydia, eu quero te dar o mundo, quero fazer de você a minha rainha, porque você não aceita, hein, minha linda?

 No fundo Lydia sabia que não era aquilo que ela queria, no fundo Lydia sabia que ela queria cursar uma faculdade, mesmo que ela ainda não soubesse qual, que ela queria ser bem-sucedida e não dependesse mais dos outros para viver, no fundo ela sabia que amores não duram para sempre e mesmo que o amor que ela sentisse por Jackson fosse forte e verdadeiro, qual era a garantia que um dia ele não a abandonasse? Palavras podiam ser jogadas no vazio e não terem significados reais, porém, mesmo sabendo disso tudo, ela aceitou e ela sabia que depois disso, Jackson não iria abandonar essa ideia nunca mais até consegui-la.

Depois disso, os dois voltaram a dormir, Lydia com muito mais dificuldade do que imaginava, porem depois de longos minutos e vários movimentos pelo o colchão, ela finalmente pegou no sono.

•••

No andar de baixo, Stiles também não conseguia dormir. Sua cabeça estava a mil, pensado em todos os acontecimentos do dia. Ele sempre achou que Beacon Hills fosse a típica cidade pacata do interior onde nada acontecia, mas a vida está aí para te dar um tapa na cara. Em um dia já havia se metido em uma briga, ou pelo menos, quase. E conhecido a garota mais interessante que a muito tempo ele não via.

Lydia foi uma agradável surpresa de todas as formas imagináveis, ele ainda se lembrava do sorriso que ela tinha, nas ótimas conversas que eles tiveram e na beleza encantadora dela. Stiles até se surpreendeu com isso, ele não se permitia se sentir desse jeito com nenhuma outra mulher, aquilo era muito difícil, a quanto tempo alguma garota não o deixava assim? Quanto tempo ele não varava a noite pensando no mesmo rosto? Stiles sabia a resposta.

Mais uma vez Stiles sentiu o seu coração apertar, aquele sentimento engasgado em sua garganta começar a querer sair. Stiles se sentou na cama, jogando as cobertas para o lado, elas estavam fazendo-o se sentir sufocado. Olhou para a primeira gaveta do criado mudo se perguntando se devia fazer aquilo, se devia se permitir. Resista, Stiles, resista, você sabe que vai te fazer mal, resista. Sua consciência repetia em sua mente, era como uma segunda pessoa dentro dele, o Stiles que queria seguir em frente, o Stiles que não estava preso aos erros do passado, porém o outro Stiles sempre ganhava, o que queria voltar e refazer tudo de novo, por causa desse Stiles, ele abriu a gaveta. 

Era uma típica gaveta da bagunça, com objetos aleatórios, que poderiam ter alguma utilidade no futuro ou não, desde canetas, carregador de celular, clipes, pente, papéis com qualquer coisa escrita, algum livro já esquecido, cartelas de comprimido, porem o que interessava Stiles estava bem no fundo, uma fotografia já um pouco amassada. Stiles enfiou a mão na gaveta a pegando.  

Por alguns minutos o rapaz não olhou para a fotografia, deixou-a virada na palma de sua mão, sentia como se aquele pedaço de papel de alguma forma queimasse sua palma, era o medo que Stiles tinha, medo do que aquela foto iria lhe causar.

A quanto tempo ele não via o rosto que tanto o fascinava? Que tanto adentrava em seus sonhos como o mais doce perfume. Aquele rosto que também o atormentava todos os dias e todas as noites. Aos poucos ele foi virando, podendo ver com detalhe cada ponto importante daquela foto, como o sorriso que sempre deixava a vida de Stiles um pouco mais feliz, como os olhos castanhos, que por mais que tivessem uma cor comum, eram diferentes e ousados, pode o ver o corpo que sempre tanto desejou e que tanto sentia saudades agora, sentia saudades de suas caricias, de seus beijos, de seus carinhos. Logo um turbilhão de sentimentos florou em Stiles, não permitindo que ele escondesse tudo aquilo de novo.

Não demorou para que as lágrimas caíssem abundancia pelo seu rosto, a saudade fazia seu peito literalmente doer, era como se houvesse uma mão apertando forte seu coração. Os soluços logo vieram, fazendo com que o garoto colocasse a mão na boca para abafar os ruídos. Por que ele fora tão estúpido com ela? Arrependimento, culpa e dor seria algo que ele carregaria pelo resto de sua vida como uma sina que Deus lhe deu para pagar seu maior pecado.

Stiles guardou a foto novamente, não aguentando mais olhá-la, a dor já era quase insuportável. Se levantou da cama e começou a andar pelo quarto, os soluços agora eram palavras sem sentido, lamentos confusos, sopros que saiam de sua mente sem ele perceber, que exalavam o seu sofrimento. Stiles andou pelo quarto, sem rumo, às vezes, dando socos no ar, até que finalmente conseguisse se acalmar. Quando finalmente suas lágrimas não passavam se uma linha seca em seu rosto, Stiles se sentou novamente na cama, respirando fundo e contado até dez. O garoto ousou se deitar novamente na cama, porem antes de fazer isso, um grito no apartamento de cima foi escutado, era o apartamento de Lydia, Stiles se levantou novamente, curioso, até ouvir novos gritos e correu para fora do quarto.

•••

— O que esse bandido está fazendo na minha casa? – Gale Martin gritou, ao entrar no quarto da filha.

Lydia que estava dormindo, se levantou assustada, sentindo o fétido fedor de bebida e vomito vindo de seu pai. Como ela se esqueceu de fechar a porta? Como pode ser tão descuidada? Jackson, ao seu lado, se levantou já com os punhos fechados, pronto para a briga.

— Não ouse me chamar de bandido, Gale, quando sabe que você é muito pior do que eu. – Jackson vociferou, andando até o homem. Gale soltou uma risada alta que Lydia sabia que qualquer vizinho poderia escutar.

— Pior do que você?  Pelo menos eu trabalho honestamente para usufruir dos meus vícios, e você? – Gale deu espaço, na porta. – Quero que saia da minha casa imediatamente, e enquanto a você... – Gale disse para Lydia. – Como sempre uma putinha trazendo esse bandido para a casa, treparam muito? Eu não acredito que a filha que eu criei virou isso, uma vagabunda que se vende por dinheiro, sabia que você seria esse lixo desde que nasceu. – Gale falou aquelas palavras com prazer. Não era uma novidade ele dizer aquelas coisas, porem nunca deixavam de ser um tapa na cara da garota. Lydia engoliu seco, sabendo que discutir com Gale não iria mudar nada, porém Jackson era Jackson, ele nunca ficava quieto.

O rapaz se jogou contra Gale dando um soco na cara do mais velho, que acabou caindo contra a porta em um baque ensurdecedor, demorando um pouco para reagir, por conta da bebida, isso deu espaço para que Jackson continuasse a socar a cara do mais velho.

— Nunca mais fale essas coisas para a Lydia, está me escutando? – Jackson gritava entre os socos, a menina puxava o namorado para trás, porem era fraca demais e quando Jackson soltava a sua ira de vez, nada o parava. – Ela não merece você como pai, seu pedaço de bosta! Lydia é muito melhor do que você jamais será! Acha que tem direito de me expulsar daqui quando nem o aluguel dessa espelunca você paga?

Então Gale reagiu, levantando-se e socando o estômago de Jackson, porém não fez o efeito que queria, Jackson sentiu a dor do golpe, mas nada que o derrubasse, por mais que o pai de Lydia fosse alto, não era mais o homem forte e esbelto que um dia fora, hoje em dia não passava se um homem magro demais, com poucos fios ruivos na cabeça e uma cara acabada, Jackson era muito mais forte e se não fosse por Lydia que entrou no meio dos dois, seu pai provavelmente sairia dali em uma maca.

— Jackson, chega, por favor! – Lydia disse entre lágrimas, colocando a mão no peito do namorado, atrás dela, seu pai cambaleava, mal se dando conta de ficar em pé. – Por favor, para, por mim.

— É por você que eu estou fazendo isso, Lydia. – Jackson disse com a voz rouca. – Não aguento mais ver a forma que esse verme te trata!

— Ele é meu pai, Jackson, ele ainda é meu pai, a única família que eu tenho, sem ele eu estaria sozinha nesse mundo.

— Você teria a mim. – Jackson sussurrou, Lydia tentou responder, mas antes disso outra pessoa entrou no seu quarto correndo.

— Lydia, está tudo bem? – Dona Abby perguntou, entre a respiração descompensada. – Eu estava acordada e ouvi gritos e a porta estava aberta. – a mais velha então viu o rosto desfigurado de Gale e abriu a boca assustada. – Mas o que houve?

Lydia passou a mão pelos cabelos, cansada demais, aquele dia poderia piorar?

— Gale falou coisas que não devia e Jackson fez coisas que não devia. – Lydia murmurou. Gale que estava encostado na parede tentando de recuperar começou a andar até Jackson e sussurrou no ouvido do rapaz.

— Saia da minha casa agora ou se não eu prometo que eu te mato, moleque. – e saiu do quarto, empurrando Dona Abby e se trancando no banheiro logo em seguida.

Jackson olhou sarcástico para a porta, aquele velho nunca faria tal coisa com ele, Jackson sabia disso.

— Jackson vai embora, por favor. – Lydia pediu. Jackson olhou para ela pasmo.

— Acredita mesmo que ele vá fazer isso?

— Não, mas eu não quero mais problemas, já já um vizinho chama a polícia e vocês vão brigar de novo quando ele sair do banheiro.

— Está bem, mas você vem comigo, não vou deixa-la aqui com esse louco. – Jackson disse indo até o guarda-roupa da namorada pegando algumas roupas.

— Não, Jackson, não. – Lydia foi até lá segurando os braços dele. – Eu não posso ir, ele vai atrás de mim e vai fazer um barraco na sua casa, eu estou cansada de brigas, cansada demais.

— E você vai ficar sozinha com ele? Nem a pau!

— Eu fico com ela. – Dona Abby se manifestou pela primeira vez, entrando no quarto. – Não é a primeira vez.

Jackson queria falar que não, queria dizer que não gostava da ideia daquela velha ficar com Lydia, ainda mais que o neto dela poderia estar ali também, mas o olhar de Lydia o impediu, os olhos verdes estavam inchados e escurecidos, ele sabia como toda a situação dela com o seu pai a quebrava por dentro, eles sempre tiveram aquela relação, então apenas suspirou e concordou.

— Amanhã bem cedo eu to passando aqui para te buscar ta, linda? – ele sussurrou para Lydia, que apenas acenou. Jackson a beijou nos lábios delicadamente, tentando passar todo o carinho que podia naquele beijo e foi embora, nem se dando o trabalho de se despedir da velha.

Quando Jackson saiu, Lydia respirou fundo arrastando-se para carma e jogando-se nela, Dona Abby se aproximou e sentou-se do lado da garota. Ambas ficaram em silêncio por alguns minutos, somente ouvindo o barulho do chuveiro ligado vindo do banheiro.

— Nunca vi Jackson tão furioso. – Lydia começou dizendo. – Ele já me protegeu do meu pai, sempre discutiam, sabe? Mas nunca passou para agressão física, eu sempre consegui controlar isso, mas hoje ele ficou alucinado, nem deu tempo para eu piscar e Jackson já estava socando Gale.

— Por que você acha que ele se descontrolou? – Abby perguntou, mesmo já sabendo, a mais velha sabia que Jackson tinha um humor difícil e complicado.

— Ele já estava bastante irritado por causa de algumas coisas. – Lydia respondeu. – Acho que o que o meu pai disse ascendeu a pólvora.

 – O que seu pai disse?

Lydia se virou para mais velha. Abby pode observar rosto de Lydia. A jovem parecia exausta, tanto dos problemas, como da vida também.

— O de sempre, que eu sou uma puta, que eu transo por dinheiro, que sou um desgosto. – Lydia suspirou, enterrando o rosto nas mãos. – Ele estava caindo de bêbado, provavelmente havia acabado de chegar.

— Ah meu amor, eu queria poder estar aqui nessa hora. – Abby colocou os braços envolta da mais nova. – Como ele entrou no seu quarto? Ele arrombou a porta?

— Não, eu burramente deixei ela aberta. – Lydia disse com a voz embargada. Ela já estava cheia de chorar, porem como não poderia? Como não chorar com um pai desses?

— Eu não vou falar sobre o que o seu namorado fez, acho que no momento é o que você menos precisa. – Abby comentou, deu um beijo nos cabelos ruivos da menina e se levantou. – Vou na cozinha pegar algo para limpar esse sangue.

E saiu do quarto.

Algum tempo depois Lydia ouviu a porta do banheiro sendo aberta e um medo absurdo a possuiu, o que seu pai iria fazer com ela? Ele provavelmente estava muito mais irritado do que antes.

Gale apareceu na porta em passos lentos, entrou no quarto e se aproximou de Lydia, ela tentou se levantar, mas o pai a segurou pelos braços. O coração de Lydia estava disparado. Onde está a Abby?, Lydia pensou em gritar o nome da mais velha, mas isso iria deixar Gale ainda mais irritado e ele poderia fazer algo com as duas. Já imaginava o tapa que iria receber, quando recebeu um bafo de whisky na cara e logo depois ouviu uma voz sussurrada.

— A próxima vez que eu seu namoradinho me bater, eu só não vou mata-lo, com eu também vou te matar, garota, está me escutando? – Gale disse baixo, só para que ela ouvisse, Lydia sentiu seus pelos da nunca arrepiarem. – Eu não faço ameaças gratuitas, Lydia, assim como eu desejei a sua morte ao invés da sua mãe, eu juro que irei te matar se isso acontecer de novo.

Gale então endireitou sua coluna e saiu do quarto e desapareceu pelo corredor, na mesma hora que Abby voltou com um balde cheio de água, pano de limpeza e alguns panos.

— Seu pai saiu de casa. – Abby comentou, se agachando na frente da porta.  – Ainda bem que ele não deu uma crise.

Lydia não disse nada, apenas concordou com a cabeça, pasma demais, assustada demais, para dizer qualquer outra coisa.

Ela queria poder dizer que antes da morte de sua mãe, a sua relação com o seu pai era melhor, que ele era um pai presente, que a levava para patinar no gelo, brincar no parque e acampar, mas a verdade é que Gale Martin sempre fora um alcoólatra viciado em jogos, a diferença que é que quando ele estava com a sua mãe, Natalie, ele melhorava.

Gale nunca de fato amou Lydia, seu sonho nunca foi ser pai e muito menos de uma menina, até pensou abandonar a mulher quando soube que ela estava grávida, porem o amor que ele tinha por Natalie o impediu, mas isso não o fez amar aquele bebê. Lydia quando era criança sempre se perguntava qual era o problema que ela tinha para o seu pai a odiasse tanto, depois de mais velha que ela aceitou que o problema era ele.  Quando o câncer chegou, as coisas pioraram, ainda mais porque Gale culpava Lydia por Natalie descobrir o câncer tardiamente, já que a sua mulher ocupava muito do seu tempo com a criança. Ou seja, Gale culpava Lydia pela morte de sua mãe.

Tudo de fato virou um inferno com a morte de Natalie, inconsolável, Gale se afundou nas bebidas de novo e na jogatina, e mais tarde, começou a se consolar nas drogas. Quando Lydia não se trancava no quarto a noite, Gale a agredia em meio a gritos sobre como a menina havia matado sua mãe, isso durou até os 14 anos de Lydia, quando a garota conheceu Jackson. Logo o rapaz descobriu o que acontecia e usou o seu nome na cidade para ameaçar Gale para que ele nunca mais encostasse um dedo em Lydia, Jackson até tentou convencer Lydia a pedir para que entrasse na justiça, mas o medo dela acabar indo para um orfanato e ficar sozinha impediu que o rapaz fizesse isso. Desde então Jackson fez de tudo para proteger Lydia do pai, ele era o seu maior protetor.

O pai nunca mais a agrediu fisicamente, porem começou a usar as palavras como forma de machuca-la. Puta, vadia, vagabunda eram apelidos para Gale, mas mesmo assim, mesmo após tudo isso, mesmo após as ameaças de morte que ele sempre fazia, Lydia ainda amava seu pai, ela não sabia o porquê, afinal Gale nunca fez algo para merecer tal coisa, mas quando Lydia se lembrava na maneira como ele sorria para sua mãe, como ele a amava, a garota tinha esperanças que um dia o seu pai iria melhorar e eles iriam finalmente ser uma família feliz, porque o sonho de Lydia era esse, ter uma família. Por mais que tivesse Jackson, Abby e Allison, muitas vezes no final do dia, ao se deitar na cama, Lydia se sentia solitária, algo faltava, e ela achava que o que faltava era o seu pai.

— Lydia, querida, está me escutando? – Abby perguntou.

— Não, me desculpa, estava muito longe. – a menina respondeu, sorrindo timidamente.

— Tudo bem, criança. – a mais velha disse. – Eu já limpei a porta, ok? Você quer que eu fique aqui com você? Porque se quiser, tenho que descer e falar com o Stiles.

— Stiles? – Lydia arregalou os olhos, havia se esquecido completamente dele, será que ele ouviu tudo? Lógico que ele ouviu, se Dona Abby ouviu, mas então por que ele não estava ali? – Por que ele não veio com a senhora?

— Bom, eu achei que você não ia se sentir confortável, ele até tentou vim, já estava subindo as escadas, mas eu o obriguei a voltar e me esperar em casa. – Abby respondeu, Lydia estranhamente se sentiu feliz por saber que Stiles se preocupou com ela daquela forma. – Então, quer que eu fique com você?

— Não, não, pode ir para casa. – Lydia se levantou. – Meu pai não vai voltar mais hoje, tenho certeza e eu vou trancar a porta dessa vez.

Abby concordou com um aceno e foi até a menina e lhe deu um abraço longo e demorado.

— Tenha uma boa noite, meu anjo. – Abby sussurrou. – Eu tranco a porta da casa com a minha chave quando sair.

Após mais alguns minutos abraçadas, Abby a soltou, dando um beijo na testa de Lydia, logo depois saindo do quarto, fechando a porta delicadamente. Lydia imediatamente a trancou, logo após de encostando na mesma e olhou para o teto, sabendo que ela não iria conseguir dormir naquela noite.


Notas Finais


Ufa! Mas que episódio mais dramático, meu deus! Eu quis mostrar nele um pouco dos problemas dos nossos personagens, da relação conturbada (só conturbada?!) da Lydia com o pai, de como o Jackson, mesmo amando a Lydia e sendo carinhoso as vezes com ela e ajudando com o pai, é abusivo e não faz bem para a nossa ruivinha, e toda a dor e sofrimento do nosso Stiles, eu vou aprofundar o que aconteceu com ele, mas acho que vocês podem já ter uma ideia, não é mexmo?
A relação do Stiles com a Lydia já vai tomando formas e está sendo tão legal escrever isso, estou tão animada!
E eu também quem mostrar um pouco do motivo que a Lydia ainda está com o Jackson, afinal o cara a ajudou m relação com o pai dela e mesmo sendo desse jeito, realmente a ama.
Bom, eu sinto MUITO, MUITO, MUITO, mesmo por ter demorado, eu queria dizer que não vou demorar 3 fucking meses de novo, mas promessa é divida e eu venho quebrando muitas delas por aqui, então só esperem que o capítulo vai chegar porque eu não vou abandonar esse amorzinho aqui <3

Mil beijos para vocês e até a próxima.

Queria abrir o espaço para agradecer os 26 favoritos com um só capítulo! Me senti tão honrada gente, sério, MUITO OBRIGADA!

LEIAM AQUI, LEIAM AQUI, LEIAM AQUI, POR FAVOOOOOOOOOOOOR!!!! Eu sempre posto como está o andamento dos capítulos na timeline do Spirit, o quanto eu já escrevi do capítulo, se vai demorar muito, essas coisas, então fiquem ligadas lá para não ficarem pedidas, ok? BEIJOS


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