História Treinando os Papais - Capítulo 3


Escrita por: ß

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Agwstd, Anyoongi, Kooktae, Kookv, Menção Yoonmin, Taeguk, Taekook, Vkook
Exibições 228
Palavras 4.168
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Notas finais, certo? Certo.
Boa leitura! <3

Capítulo 3 - II. Bear Family


Fanfic / Fanfiction Treinando os Papais - Capítulo 3 - II. Bear Family

“Mas, hyung, eu—”

“Eu não posso faltar hoje, amor.” Taehyung cortou a frase do namorado no meio, projetando os lábios num bico ao olhar pidão para o namorado. Seu rosto mostrava cansaço, porém os olhos faiscavam para que Jeongguk cedesse uma vez mais. Havia acordado mais cedo do que o normal, pois Taeyeon começara a chorar às cinco da manhã e não parara até tomar a mamadeira e ele dar-lhe um banho. Quando, enfim, ela voltou a dormir, já estava próximo do seu horário de trabalhar e Taehyung decidiu que ficar acordado era melhor. Não lembrava-se de que cuidar de um bebê era tão cansativo assim. “Hwasa mandou mensagem dizendo que tenho coisas realmente importantes no trabalho para fazer hoje… Por favor.”

Jeongguk inflou as bochechas, olhando para o pequeno ser humano deitado no meio da cama enquanto alguns travesseiros estava ao seu redor, servindo como uma espécie de ‘muralha’ para que Taeyeon não se mexesse muito durante o sono e caísse do móvel. Analisou-a de cima abaixo, cruzando os braços em frente ao peito. Ela parecia um anjinho com os olhos fechados e os lábios rosados entreabertos; adorável.

“O que eu direi ao Daehyun?”, perguntou num tom retórico e baixo para não acordar a criança. “‘Oi, chefe, não posso trabalhar hoje porque estou cuidando de um bebê. Isso mesmo, um bebê, Taehyung e eu agora somos papais! Espero que não me demita’. Ele irá me matar em vez de simplesmente me demitir; ultimamente Daehyung anda muito estressado e eu estou sofrendo nas mãos dele.”

O Kim apenas rolou os olhos. “Eu posso falar com ele. Tenho certeza de que há outro funcionário tão competente quanto você naquele lugar e Daehyun não se importará em te dar um dia de folga.”

“Folga? Eu vou cuidar de uma criança, Tae!” Jeongguk bufou. Era ok ‘cuidar’ de Taeyeon quando Taehyung estava consigo, mas sozinho? Apenas ele e o bebê? Não sabia sequer trocar uma fralda direito, embora tivesse visto o namorado trocá-la com extrema facilidade e perícia e entendido um pouco de como passar talco e pomada para prevenir assaduras. No entanto, ainda assim estaria sozinho naquela casa com uma criança de poucos meses de idade que provavelmente passaria o dia inteiro chorando em seus ouvidos. Folga não significa cuidar de bebês; definitivamente não mesmo. Significa poder relaxar um pouco, deitar no sofá da sala e assistir às maratonas de seus filmes e séries favoritos. Chamar algum dos seus amigos para jogar ou simplesmente deitar e dormir até o outro dia. Isso era folga, e não trocar fraldas cagadas. “Eu não sei cuidar de crianças; não me dou bem com elas!”

“Não seja tão exagerado, Taeyeon é bem calma se comparada às outras crianças. Nem os meus irmãos faziam tão pouco escândalo quando estavam com fome. Não será complicado cuidar dela.” Taehyung aproximou-se de Jeongguk, abraçando o mais novo pelos ombros e o trazendo para próximo de si. Beijou-lhe os lábios, não contendo a faísca de felicidade ao notar que Jeongguk já estava começando a amolecer com tão pouco ao cruzar os braços em sua cintura e o olhar emburrado. Verdade seja dita, Taehyung era o único a conseguir driblar Jeongguk. “Chame Yoongi-hyung, tenho certeza que ele não se importará em vir aqui ajudá-lo.”

“Claro que ele não se importará. Virá aqui para rir da minha cara e não para me ajudar. Há diferenças enormes entre os dois.” O Jeon revirou os olhos.

Por favoooor.”

“O que eu ganho em troca?”

“Ganha um Kim Taehyung contente e uma cama quentinha para dormir hoje à noite.”

“Você usará chantagem mesmo comigo?”

“Sim.”

“Certeza?”

“Absoluta.”

“Eu odeio você.”

“Volto às sete.”

x

“Quando você me chamou aqui, não disse que daríamos uma de babá.” A voz de Yoongi era arrastada, debochada, e ele olhou para Jeongguk tentando ajeitar Taeyeon no colo sem fazê-la cair. Suspirou, aproximando-se do dongsaeng e o ajudando a colocar o bebê num ângulo favorável para os dois. “Pensei que fôssemos jogar.”

“E vamos: eu, você e Taeyeon.” Jeongguk agradeceu mentalmente a ajuda do amigo, no entanto, por sentir o seu braço direito formigar, virou a criança no colo mais uma vez e a colocou em outra outra posição, o que apenas fez Yoongi revirar os olhos e sentar-se ao seu lado no sofá, resmungando sobre não ajudá-lo mais com isso.

“E por que você não disse que seríamos babás?”

“Porque você não viria aqui caso eu dissesse a verdade…”, deu de ombros, sorrindo assim que Taeyeon segurou o seu indicador e começou a brincar com ele. Do horário que Taehyung saiu até agora, a criança havia se comportado direitinho. Tomara a mamadeira que o namorado deixou pronta e ficara deitada em seu colo até Yoongi chegar alguns minutos mais tarde. Agora, ela parecia um anjinho no colo do Jeon, agarrando o tecido da blusa branca que ele trajava e às vezes os seus dedos quando os via se movendo; brincava consigo, mostrando um sorriso sem dentes que poderia derreter até mesmo o mais gélido dos corações. “E a Tae está quieta, ela não nos incomodará.”

Até que não estava sendo difícil.

Até que ela não estava incomodando ninguém mesmo.

Até, porque foi Jeongguk deixar Taeyeon deitada no sofá, seguindo à risca a expressa ordem do namorado de sempre deixar travesseiros ao lado dela para que não caísse e se machucasse, e ligar o PS4 em algum jogo aleatório que Yoongi perdia de lavada para si — não que o hyung estivesse realmente se importando com isso, visto que o jogo era chato demais e ele sequer fazia esforço para apertar os botões corretamente e fazer um embate decente com Jeongguk —, que a criança começou a espernear e chorar, como se, do nada, um botãozinho fosse acionado nela e Taeyeon mostrasse que seus dotes vocais eram tão desenvolvidos quanto os de um adulto. Jeongguk arriscava dizer que, quando crescesse — e se quisesse seguir carreira como cantora —, Taeyeon seria uma ótima vocalista de screamo. Conseguia até mesmo vê-la estourando as suas cordas vocais ao cantar — ou tentar — alguma música.

“Meu deus, Jeongguk, a faça parar!” Yoongi tirou o mais novo de seus pensamentos sobre bandas de screamo e seus cantores — e em como eles conseguiam cantar sem estourar suas cordas vocais e ficar com problemas na garganta —, e o fez olhar para o bebê que começava a ficar com as faces rubras de tanto chorar e se contorcer sobre o sofá arrumado para o seu conforto. Ele sentia o desespero alojando-se em seu estômago, enviando-lhe arrepios de terror. “Ela sufocará com a própria língua se continuar assim!”

“Será que ela está com fome, hyung?”

“Eu tenho cara de vidente, por acaso? Eu não sei!” O Min bufou, e, ao perceber que Jeongguk não moveria sequer um músculo para pegar Taeyeon no colo e ver o que estava ocorrendo com ela para que chorasse tanto — provavelmente estivesse com as fraldas sujas; as narinas dele não captavam o mau-odor, no entanto —, pegou a criança e a ajeitou o mais rápido possível em seus braços. O choro dela diminuiu, porém não cessou. E assim que olhou para Yoongi, após este conseguir ajustá-la, Taeyeon soltou choramingos que poderiam significar diversas coisas. Yoongi tinha que manter a calma por ele, por ela e por Jeongguk que ainda estava parado feito um retardado em seu lugar, o joystick entre seus dedos da mão esquerda. Bufou. “Você quer me ajudar? Eu definitivamente não sei por que Taehyung deixou você cuidando dela.”

Sentindo-se ofendido pelo tom de voz do mais velho, o dongsaeng o olhou e bufou em resposta. “Por isso eu te chamei aqui! Para me ajudar.”

“E eu estou fazendo o quê? Tomando chá enquanto a ouço chorar? Vá fazer alguma coisa, Jeon Jeongguk”, rosnou, seu olhar queimando sobre o dito cujo. “A mamadeira, faça a porra da mamadeira logo; ela deve estar com fome.”

Jeongguk não sabia fazer mamadeiras, porém. E não tinha nenhuma pré-preparada para que ele apenas aquecesse e desse para Taeyeon tomar. Ele pensou em ligar para o namorado, mas ao olhar o horário na tela do celular e perceber que há muito o horário de almoço de Taehyung já havia passado e que provavelmente ele estivesse fazendo algo deveras importante — afinal, o castanho ainda não havia enchido o seu celular de mensagens como gostava tanto de fazer quando estava com tempo vago no trabalho ou mais ‘folgado’ —, chegou à dura conclusão de que teria de virar-se sozinho. Taeyeon ainda continuava a chorar, e Yoongi ainda reclamava para que ele fosse logo. Não me apressa, porra!

De fato, — se ignorasse a presença do seu hyung favorito — cuidar de uma criança sozinho não era fácil. Não era como os animais de estimação que tivera. Os seus peixinhos possuíam horários específicos para serem alimentados, e Jeongguk sempre estava lá com a ração deles para não matá-los de fome. Seus gatos eram independentes o suficiente para, se não tivesse ração na tigela, comer no lixo quando morrendo de fome — não que Jeongguk apreciasse isso e não brigasse ao ver o seu gato fuçando o lixo. Os cachorros, quando faziam barulho e latiam até lhe esgotar a paciência, era só dizer um basta que ficavam quietos. Era mais fácil e prático. Seus comandos eram ordens atendidas na hora — a não ser com os gatos — e ele não precisava perder a paciência. Infelizmente, se mandasse Taeyeon calar a boca e deitar — fingir-se de morta —, além de ela não entender porra nenhuma do que falasse, Taehyung o mataria se soubesse que tratara um ser humano como animal — afinal, seres humanos não são animais? —, ainda mais um bebê, e as suas orelhas sofreriam nos dedos do namorado enquanto o sexo seria suspenso por mais de uma semana.

O desespero em sua barriga? Havia subido para o restante das suas veias e ele sentia o corpo trêmulo. A ansiedade de fazer algo também tamborilava em seu sangue.Tinha que fazer alguma coisa antes que explodisse.

“Certo, certo… Calma.” Jeongguk falou para si mesmo, seus olhos pairando sobre a porta da geladeira onde alguns imãs estavam pregados. Respirou fundo uma, duas e três vezes. Tentou recordar-se dos conselhos calmos de Seokjin de manter-se sereno em situações malucas como essa e de usar o seu lado racional e não o sentimental para tomar decisões. Se usasse as suas emoções, com certeza enfiaria alguma coisa na boca de Taeyeon e ainda não queria ser indiciado por maus-tratos. Portanto, calma.

Enquanto pensava, ouviu Yoongi resmungar mais alto enquanto Taeyeon aumentava algumas oitavas do seu choro que havia recomeçado mais forte e potente. “Caralho, Jeongguk, você está tirando o leite da vaca para fazer a porra dessa mamadeira? Está vendo vídeos na Internet de como tornar o leite em pó? Vai logo com isso, temos que trocá-la.”

Era isso! Internet. Vídeos. Como não havia pensado nisso?

Antigamente, as pessoas tentariam fazer as coisas por si mesmas até dar certo, principalmente quando o assunto era preparar uma mamadeira tão simples. Porém, com a Internet à sua disposição, concluir tarefas era mais fácil. Se ele quisesse comer macarronada e não soubesse fazer, por exemplo, era só pesquisar no Naver a receita ou assistir a algum vídeo ensinando no Youtube caso não confiasse apenas na teoria e fosse alguém que preferisse ver o prático da coisa. Portanto, o grande demônio — para si — que era preparar a mamadeira de maneira correta e como Taehyung havia comentado antes mas que agora não se recordava, tornou-se a mais simples das tarefas assim que abriu o aplicativo do Youtube e pesquisou como fazer mamadeira para um bebê. O vídeo era curto, três minutos. Mostrou-lhe os ingredientes — que Jeongguk possuía — e como misturá-los até deixá-los homogêneos para a criança tomar sem engasgar. Até mesmo havia indicado a temperatura certa e a quantidade exata para dar a Taeyeon.

“Pronto, pronto!” Jeongguk voltou para a sala com a mamadeira morna — havia a testado no braço como fizera na noite anterior e como o vídeo havia orientado —, vendo Yoongi sentado no sofá enquanto Taeyeon debatia-se sobre o seu colo. Pela cara de desespero do Min, podia chutar que faltava pouco para ele jogar tudo para os ares, mandar um ‘se vira’ e ir embora dali, deixando-o sozinho com o bebê.

“Me dá essa merda logo.”

Yoongi não esperou Jeongguk sentar-se ao seu lado ou estender totalmente a mamadeira para si, ele simplesmente agarrou o recipiente e ofereceu para Taeyeon, pressionando o bico com delicadeza contra os lábios rosados. Ao invés de ela tomar a droga da mamadeira, contudo, abriu a boca para chorar ainda mais alto e Yoongi sentiu a pontada em suas têmporas que indicava a dor de cabeça começando a se desenvolver. Caralho, ela não estava com fome? Pressionou, uma vez mais, a mamadeira e Taeyeon virou o rosto, suas mãozinhas e pezinhos debatendo-se no ar, chutando os braços do loiro para trás, sua cara transformada em uma careta.

“Acho que ela não está com fome, hyung.”

“Não me diga!” O Min soltou uma risada debochada e deixou a mamadeira de lado. Se ela não estava com fome, então era a fralda, certo? Certo. “Pegue os artigos higiênicos dela no quarto, anda.”

E Jeongguk obedeceu sem pestanejar.

Mas também não era a fralda suja que fazia a criança chorar como se estivessem a esfolando viva.

Jeongguk fez todo o processo de abrir a parte de baixo do macacão rosa-claro que Taeyeon estava vestida e retirar a fralda como Taehyung havia lhe ensinado. Ela não estava suja, no entanto. Estava limpa e sequinha, e embora tanto o Jeon quanto o Min tenham olhado embasbacados para o bebê, perguntando-se internamente o que raios estava acontecendo com a criança, trocaram a fralda dela mesmo assim e até mesmo colocaram uma roupa nova; um macacão branco com amarelo que a deixou mais fofa do que já era.

Se não era fome, não era sujeira, não era porque estavam batendo nela, então por que Taeyeon estava chorando?

“Meu deus, hyung, eu não aguento mais escutar o choro dela.”

Yoongi ponderou. O que fazer nessas situações? Ligar para Taehyung ou Jimin? Pedir ajuda aos vizinhos? Ou simplesmente ligar para a polícia e dizer que um bebê chorão fora deixado na porta da casa dos seus amigos e agora ele e Jeongguk não sabiam o que fazer para que ela ficasse calada e eles voltassem para o seu jogo pausado?

“‘Tá, segura ela aqui que eu verei o que posso fazer.”

O moreno inclinou-se para pegá-la; Taeyeon ainda chorando. Assim que tocou nela e a trouxe para o seu colo — agora com mais facilidade do que outrora —, o choro dela diminuiu de vez e Jeongguk, assim como Yoongi, mais uma vez olhou surpreso para o bebê que pareceu aninhar-se nos braços do mais novo e até mesmo soltar um suspiro contente. Ela ainda tinha lágrimas nos olhos, estas que Jeongguk fez questão de limpar com calma e afagar até mesmo as bochechas coradinhas. Nem parecia que há segundos Taeyeon chorava mais do que Jeongguk já havia chorado em toda a sua vida.

“Certo” começou Yoongi, “com você ela fica quieta.” Se Jeongguk não estivesse tão ocupado olhando a carinha infantil, teria notado o tom magoado na voz do hyung.

“É o que parece”, concordou, um sorriso tomando espaço em seu rosto ao que espelhava o de Taeyeon no dela.

x

Taehyung, que ria ao abrir a porta de entrada da sua casa e olhava Jimin de soslaio — julgando-o com o olhar sobre a piada sem graça que o fizera mesmo assim rir e sentir o estômago doer —, assustou-se no exato instante em que pairou o olhar em sua sala de estar e viu diversos brinquedos espalhados, alguns panos embolados entre eles. A maioria, ali, era de Jeongguk; os bonecos colecionáveis do Iron Man diziam por si só — o que fez o Kim franzir a testa; afinal, se o namorado surtava quando tocavam nas suas preciosas coisas com ou sem o seu consentimento, imagina alguém as jogando no chão e deixando naquele estado caótico que agora contemplava com um Park Jimin ao seu lado tão surpreso quanto si próprio. Que essa pessoa descanse em paz, amém.

No entanto, não foi exatamente os brinquedos e quebra-cabeças jogados pelo chão que lhe chamou a atenção e o fez ficar de queixo caído e olhos esbugalhados. Sequer mesmo os panos — limpos — que mais tarde teria que dobrar e recolocar dentro do guarda-roupa. Nem mesmo a casa com um cheiro floral forte. Não mesmo, não fora nada disso.

Se um dia alguém perguntasse a Taehyung qual a cena mais engraçada que já havia presenciado Jeongguk fazendo, ele diria sem hesitar que fora no dia em que o mais novo o pediu em namoro. Todos os planos de Jeongguk foram um desastre; desde o levar ao cinema e assistir a um filme romântico e brega (que os dois dormiram no meio e só acordaram por causa do guardinha que veio checar o que dois adolescentes faziam numa sala escura e vazia de cinema), a levá-lo para jantar e, então, pedi-lo em namoro num clássico e piegas pedido deveras romântico que fez Taehyung quase morrer engasgado e chamar a atenção de todos no restaurante em que comiam. A aliança que Jeongguk mandara colocar na comida apenas serviu para o Kim ficar mais alerta com o que comia e sempre checar, depois dessa data, o que estava pondo dentro da boca antes de mastigar e engolir. Neste dia, Jeongguk havia quase arrancado os cabelos de tanta frustração e jurado nunca mais pedir ninguém em namoro em sua vida — o que ele seguia cumprindo até hoje, afinal, Kim Taehyung, apesar de todos os pesares, da sua quase-morte e de não saber até hoje o que acontecera no filme que foram assistir, aceitou ser namorado do Jeon com um simples ‘sim’ e diversas zoações.

Agora, porém, e com Jimin controlando-se para não rir e chamar a atenção dos dois adultos que dançavam, Taehyung percebia que deveria substituir a sua lembrança engraçada por outra o quanto antes. Porque nada superava a cena que estava tendo o bel-prazer de observar e gravar na memória, colecionando-a naquele cantinho que chamava de ‘boas e engraçadas lembranças de Jeon Jeongguk’.

Taeyeon estava sentada sobre o tapete fofinho da sala, um cubo mágico em suas mãozinhas pequenas enquanto sua cabeça seguia erguida e seus olhinhos apreciando a movimentação de Jeongguk e Yoongi à sua frente. Ambos vestiam moletons surrados, provavelmente vindos da muda de roupas que o Jeon usava quando queria ficar o mais confortável possível dentro de casa e parecido com algum tipo de mendigo. Mas o pior não parava aí. Trajavam capas — dois lençóis medianos — e botas vermelhas — essas que Taehyung perguntava-se, de verdade, de onde havia brotado — além de coroas de plástico na cabeça. E eles dançavam, mas dançavam de um jeito que até mesmo Taehyung estava sentindo vergonha alheia mesmo que apenas ele, Jimin e Taeyeon fossem a plateia do show particular dos dois. Se eles queriam ser fofos enquanto faziam aquele aegyo barato e forçavam expressões inocentes no rosto, estavam falhando miseravelmente; perguntava-se como Taeyeon ainda não havia começado a chorar de pânico.

Apurando os ouvidos, o Kim distinguiu a música que tocava. Bear Family Song*.

Hyung, será que se a gente parar de dançar, ela voltará a chorar? Eu ‘tô ficando cansado.” Taehyung ouviu Jeongguk resmungar enquanto erguia os braços sobre a cabeça, um sorriso forçado em seu rosto, e logo os descia, remexendo os quadris. Pensou seriamente em sacar o celular do bolso e gravar a situação para zoar com o namorado mais tarde.

“É óbvio que não.” Yoongi rebateu. “Da última vez que paramos de dançar, ela abriu o berreiro.”

“Nós estamos repetindo essa porra há quase uma hora, Yoongi!”

“Eu já disse para não falar palavrão perto do bebê.”

Yoongi e Jeongguk, que estavam para reiniciar a coreografia mais uma vez e alegrar Taeyeon — já sentiam os corpo doente e clamando para descansar —, arregalaram os olhos e encararam Taehyung e Jimin que aproximaram-se logo após abrirem largos sorrisos travessos no rosto. O mais baixo entre os quatro possuía o celular nas mãos, o olhar faiscando maldoso, e Jeongguk sentiu o rosto arder por ter sido pego dançando isso. Era patético dançar essa música mais patética ainda, porém, embora Taeyeon tenha se acalmado ao máximo quando em seus braços, novamente ela tinha voltado a chorar e eles chegaram à conclusão de que não podiam ficar simplesmente jogando e fingindo que a criança não estava na mesma casa com eles. E sim, eles haviam dado mamadeira e trocado a sua fralda, porém ainda assim o choro não cessou e Jeongguk deu a ideia de distraí-la com alguma coisa.

E foi assim que brinquedos surgiram aos montes.

Jeongguk sequer sabia que possuía quebra-cabeça de mil peças. Ou sequer sabia como aguentaria não chorar por ver o seu figure action favorito do Iron Man ser escolhido por Taeyeon e esta não soltá-lo por nada. Bem, pelo menos ela parara de chorar e ficara entretida com eles brincando, rindo e às vezes zoando um com o outro. Isso valia à pena, não?

“Park Jimin, eu espero sinceramente que você não tenha tirado foto de nós dois.” Yoongi rosnou ao que tirava a coroa de plástico da cabeça e a jogava no chão. Ele se desfez das botas vermelhas também. Taeyeon não precisaria mais da sua companhia e dos seus serviços de palhaços, agora Taehyung estava com o bebê no colo e sorria feito um retardado para a criança.

“Eu não tirei foto de vocês dois, hyung”, sorriu, lançando um olhar petulante em direção ao mais velho. “Eu gravei vocês dançando.”

“Eu—”

“Não comecem a discutir.” Taehyung cortou-os antes que a discussão pudesse, de fato, tornar-se uma discussão. Adorava os amigos, na verdade os amava, mas às vezes ele iniciavam discussões por motivos tão idiotas quanto a si mesmos. Sorriu para Jeongguk, aceitando o selar de lábios do mais novo enquanto Taeyeon estava entre eles, segurando a figure action que há muito o Jeon já havia dado adeus. Pelo menos ela tem bom gosto. “Eu não sabia que você era um perito em moda e que tínhamos tanta coisa em casa.”

“Nem eu”, riu, esfregando o nariz contra a bochecha de Taehyung. “Isso tudo brotou como mágica. Uma hora não estava aqui e na outra a sala estava cheia de coisas.”

O Kim riu em resposta.

“Arrisco dizer que vocês arrumarão a sala.”

“Sim.”

“Não!” Yoongi olhou para o dongsaeng mais velho e cruzou os braços. “Fiquei o dia inteiro servindo como babá quando bem podia estar curtindo fazer nada. ‘Tô cansado, o Jimin que arrume.”

“Por que eu?!”

“Por que não você?”, rebateu o Jeon antes de Yoongi soltar uma das suas respostas afiadas, sorrindo sapeca ao receber o olhar fulminante do Park.

“Criança, eu tenho um lindo vídeo comprometedor seu. Saiba que meus dedos podem ficar nervosos e, sem querer, upar no Youtube.

Jeongguk cruzou os braços, fingindo digerir o que Jimin havia dito.

“E se eu disser que ainda tenho aquelas fotos de quando fomos para Las Vegas e você bebeu tanto que decidiu que ser um Elvis streapper era ‘legal’?”

“...Você disse que tinha apagado essas merdas, Jeongguk!”

“Olha que engraçado: eu menti.”

“Parem de falar palavrão perto do bebê...!”

E provavelmente a discussão se estenderia mais, com as vozes dos quatro misturando-se em risadas, xingamentos e reclamações sobre não xingar perto de Taeyeon para que ela não aprendesse a falar palavras tão feias quanto um ‘merda’ e um ‘porra’. O bebê, que ainda estava no colo de Taehyung, distraído demais para pensar em chorar, continuaria brincando com a figure action de Jeongguk — uma linda e brilhante réplica da Iron Destroyer. Mas tudo isso foi interrompido justo na hora em que Jimin preparou-se para voar no pescoço de Jeongguk e dar na cara do namorado do melhor amigo; a campainha soou, e todos se entreolharam como se perguntassem-se quem ousou interromper um momento tão sagrado entre eles.

“Você chamou alguém para jantar conosco além de Jimin e Yoongi?”, perguntou o moreno ao encaminhar-se em direção à entrada da casa e destrancar a porta. Taehyung vinha logo atrás de si com o bebê no colo.

“Não… que eu saiba.”

Assim que a porta foi aberta, com Yoongi e Jimin no fundo espichando a cabeça para conseguirem ver quem era, o casal contemplou um elegante homem de terno risca de giz italiano que detinha um sorriso reconfortante nos lábios e um olhar bondoso nas íris castanhas bem expressivas. As covinhas nas bochechas dele eram adoráveis, quebrando a seriedade que a vestimenta lhe confeccionava, e os cabelos platinados — quase cinzentos — pareciam tão macios e brilhosos contra a luz de fim de tarde que as palmas de Taehyung coçou a fim de tocar nas madeixas e conferir as suposições da sua cabeça.

Eles abriram a boca para dizer algo, porém, o desconhecido foi mais rápido e limpou a garganta. “Boa noite, chamo-me Kim Namjoon e sou da assistência social. Vim pegar a criança.”


Notas Finais


*Eu não sei qual é o nome dessa música de verdade (Bear Family Song), porque no Youtube mostrou várias formas de escrever e eu coloquei o que mais aparecia nas pesquisas.

Antes de mais nada:

Quero me desculpar por excluir essa fanfic e ficar 'de graça' em não tirá-la da lixeira e atualizá-la. Entendam que o meu ano não foi muito bom, os meus últimos meses foram tensos e eu não me vinha na vontade de fazer nada meu. As minhas responsabilidades eram total e completamente sobre o TKWishes (não estou o culpando por nada!), mas, porém, contudo, entretanto, no entanto, agora estou melhor (e com um pouco mais de tempo, visto que estarei de férias logo, logo <3) e postarei corretamente a história. Afinal, são dez capítulos apenas e eu já sei tudo o que ocorrerá até o epílogo!~

Tenho que agradecer à Lia que ficou me cobrando da forma _certa_ uma att da fanfic, à Lari que me fez focar no capítulo novo e à Rafa por ser o meu raio de sol. À Karol, também, porque ela me faz feliz independente do que aconteça! Sem elas, a minha vida não seria um terço do que é hoje~

Ademais, desculpem-me os erros (não betei e sequer mandei para alguém betar por mim) e qualquer coisinha, me procurem no Twitter (@gukvi).


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