História Três Destinos - Capítulo 12


Escrita por: ~ e ~Kayhyung

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Drama, Horror, Jinkook, Mistério
Visualizações 20
Palavras 4.231
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Drogas, Homossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Voltei ;-;
Não sei se amo mais esse capítulo ou o quinto...

Tava numa vibe pra TD aí saiu o Cap, temos que aproveitar as chances né.

Espero que gostem do capítulo como eu gostei.

Revisei e minha mozona tbm leu e se passou algo... perdoem.

Capítulo 12 - Encontrado






Olhando para todos os desenhos espalhados nas paredes do meu quarto, em meio a bagunça que causei num momento de fúria - esses que estavam sendo frequentes desde que soube de uma pequena parte do meu passado - eu pensava em como todos eles sempre me mostraram o que tanto procurei. Respostas. Mesmo que deturpando muitas coisas eles foram os únicos que me mostraram a verdade. Olhei em volta de mim, estava tudo no chão e quebrado, meus lençóis rasgados e queria rasgar mais desenhos também mas preferi me torturar tentando decifrá-los pela milésima vez.


Queria ocupar a minha mente com qualquer coisa mesmo que fosse me causar muito mal depois para não começar a pensar em Dabin. Saber que a pessoa em que mais confiei foi uma cúmplice das pessoas que me deixaram no estado deplorável que estava era doloroso demais. E minha maior raiva era que eu não conseguia odiá-la. A decepção era evidente. Tanto que não falava com ela há semanas. Desliguei o celular já para evitar qualquer ligação. Na verdade eu sentia medo de tentar confrontá-la, acho que preferia viver na ilusão de que tudo era apenas pesadelos e que minha mãe era quem mais me ajudava.


Desligar o celular ou tê-lo quebrado, como fiz depois de alguns dias, não me livrou dos incómodos; Park Jimin e Kim SeokJin. Eles estavam piores que antes. Iam sempre até o meu apartamento e ficavam horas do lado de fora tentando obter alguma resposta minha. Jimin ameaçava arrombar a porta se eu não desse sinal de vida e o Jin já sabia como se comunicar comigo naquele estado. Ah, eu acabei passando alguns bilhetes para o Jimin por baixo da porta me desculpando por tê-lo deixado no hospital. A situação em que estava era grave e eu simplesmente o deixei lá como se não significasse nada para mim, o que não era nem um pouco verdade. Mas ele disse que me entendia e sabia que eu precisava do meu tempo para assimilar tudo.




– E quando pretende falar com ela sobre toda essa loucura? – Jimin sentou-se ao meu lado no sofá quase se jogando em cima de mim. Eu estava cansado de ser pressionado sobre o assunto e ele nenhum pouco afim de parar de perguntar. A persistência dele me irritava. Deixei um suspiro cansado pairando no ar querendo deixar claro que não ia falar nada sobre a Dabin. – Sabe que tudo que fiz foi para te ajudar, não é?


– Eu sei, não há necessidade de se explicar…


– Você ficou tão furioso comigo. – Ele pareceu realmente triste ao falar isso. Seu olhar se perdeu em algum local específico no chão, deixando o silêncio tomar conta do ambiente por um breve momento. – Me machucou muito…


Eu nunca soube muito bem como pedir desculpas, já deveria ter me acostumado pela quantidade de vezes que machucava alguém, mas ainda era muito estranho e constrangedor admitir que eu, de fato, os machucava. Pensava que se fosse minha real intenção se me sentiria menos culpado. Talvez sim.


Ao invés de proferir alguma frase me desculpando decidi por acariciar seus fios negros que caíam sobre seu rosto. Quando meus dedos resvalaram por sua pele alva me assustei, ele estava tão gelado. Parecia que tinha acabado de sair de um freezer.


– Jimin, você está muito gelado… – Um pouco desesperado eu peguei o cobertor que estava ao meu lado e logo o cobri.


– Tudo bem, Jeongguk... – Sorriu como se não se importasse. Mas era um sorriso vazio, nada comparado com os sorrisos viciantes que eu apreciava em meio à toda irritação que me causava. – Estou assim faz um tempo. – Completou voltando a me encarar com os orbes escuros ainda mais vazios que seu sorriso.


Isso estava me intrigando. Não tinha parado para analisar antes como seu comportamento estava variando desde que o deixei entrar na minha casa novamente. Seu humor estava muito controverso nos últimos dias. Num momento nossas conversas fluíam como de costume e ele parecia muito feliz, mas, de repente, seus pensamentos acabavam se perdendo em alguma lembrança – era o que eu pensava – e a tristeza tomava conta de suas feições. Todas elas dali por diante demonstravam ser falsas como ele nunca fora.


– Como assim? Nem está tão frio para você estar dessa forma, isso é preocupante. Não entendo nada de medicina, mas isso não tem a ver com o seu acidente? Quais foram os diagnósticos finais antes de você receber alta? – Me ajoelhei à sua frente para fazê-lo me encarar. – Jimin, você está muito estranho, uma hora me encara por muito tempo e depois sequer quer me olhar. O que está acontecendo? – Ele continuou alheio, fingindo não me ouvir. Minha frustração com essa nossa nova situação só aumentava com o passar dos dias e já não estava aguentando mais. Segurei seu rosto com um pouco de firmeza tentando capturar seu olhar e atenção e tudo que ganhei foi um olhar assustado, como se temesse minhas próximas ações. – Jimin…


– Preciso ir embora… – Com calma ele foi tirando minha mão do seu rosto e assim que conseguiu se afastou rapidamente indo em direção à porta. – Até mais. – E olhou para trás só mais uma vez antes de sair.


Sentei de uma vez no chão pensando que todo aquele comportamento estranho só podia ser devido ao acidente. Os médicos avisaram que ele poderia ter sequelas e danos permanentes no cérebro. Isso me deixava aflito.






Nos primeiros minutos a sensação de ardor estava sendo prazerosa, e ver o caco de vidro deixando um novo corte na pele pálida da minha coxa estimulava minha mente, até que o sangue não parava mais de sair e a dor que eu esperava não veio. Nada que eu tentava me causava uma dor significativa. Então seria assim? Eu sangraria até a morte sem sentir nenhum pouquinho de dor? Era injusto. Eu merecia sentir dor. Merecia por todas as dores que já havia causado.


Coloquei minhas mãos em cima da pequena poça de sangue que se formava debaixo de mim, fiquei sentindo o líquido quente nas minhas mãos até a tontura dominar meu corpo e eu cair quase apagando.


“o corte nem foi tão profundo”


– Eu sei que não.


“fraco”


–  Deixem-me em paz.


“por que fez isso, Jeongguk?”


– Vocês mandaram...


“fraco”


“larga isso, já disse para não se machucar”


“eu vou te consertar, criança”


“você era mais assustador antes”


“vou te tirar daqui, amor”


“é só mais um fraco como os outros”


– Aaah, parem, parem.


A dor que eu tanto queria veio, mas não da forma como eu imaginava.




Ignorei as vozes das crianças que soavam através da segunda porta quando a com identificação “J1” foi se abrindo devagar. Meus pés ainda ardiam e o contraste do vermelho do meu sangue com a água cristalina ainda chamava um pouco minha atenção, mas não tanto quanto o homem loiro de olhos azuis que abriu mais a porta. Meu coração acelerou no mesmo instante que aquele olhar frio cruzou-se com o meu. Minha vontade era de correr para o mais longe possível daquele homem. Nunca tinha o visto antes, mas a sensação de que ele não era uma pessoa boa me invadiu no momento que senti sua presença. Pensei em dar passos para trás até conseguir a coragem para correr, porém, meus pés não obedeciam meus comandos.


– É bom que tenha chegado, preciso lhe mostrar o meu conserto. – Ele se aproximou e me puxou pelo braço, levando-me para dentro do quarto.


A claridade daquele lugar me obrigou a fechar os olhos por alguns segundos até me acostumar. Depois olhei em volta observando as paredes e chão acolchoado iguais aos de clínicas psiquiátricas para conter pacientes mais agressivos e perigosos até para si mesmos. Parecia ser agonizante ficar naquele lugar.


– Venha… venha vê-lo. – Até o tom de voz dele era assustador. – Jeongguk, venha aqui!


Ainda hesitante eu o segui.


Gelei quando um garoto muito estranho levantou do chão. De onde ele surgiu? Como não percebi que estava ali?


– Jeongguk, diga oi para nosso visitante.


Aquele garoto nem parecia respirar de tão imóvel que estava, só dava para dizer que estava vivo pelo fato de ainda piscar os olhos. Ele me encarava com a expressão totalmente vazia. Podia dizer que ele me assustava mais que o homem que acariciava seus fios negros de cabelo e sorria como se estivesse vendo a coisa mais maravilhosa do mundo. Seria uma boa hora para sair correndo e deixar aqueles loucos sozinhos, mas outra vez meus pés não obedeciam.


– Agora eu vou consertar você, Jeon! – Ele me encarou.






– Jeongguk, acorda! – Ouvi o sussurro no meu ouvido. – Hey, é só um pesadelo… acorda!


Só quando vi o rosto de SeokJin à minha frente percebi que era só mais um pesadelo mesmo. O rosto daquele homem de olhos azuis estava aparecendo bastante nos meus pesadelos nas últimas semanas. Ele foi o responsável por todas as vezes que a Dabin teve que correr até o meu quarto para saber os motivos dos meus gritos. Já havia parado para pensar nos fatos; ele sempre apareceu como um médico e dizendo que precisava consertar algo em mim. Só podia ser o homem que fez as tais experiências comigo.


Todas as vezes que pensava nisso outra coisa logo entrava em minha mente também. A Dabin podia ter participado de tudo que me aconteceu, mas por que cuidar de mim como um filho depois? Não fazia o menor sentido. Como todas as outras coisas na minha vida. O que na verdade eu queria crer era que apesar de todo o mal que me causou no final ela quis me ajudar e realmente sempre me amou.


Estava sendo ainda mais difícil conviver com mais esse pesar.


– Quero levantar. – Tentei me levantar, falhando terrivelmente. Meu corpo parecia estar se quebrando com o mínimo de esforço que eu fizesse para qualquer coisa.


– Vai com calma. – Ele se colocou um pouco mais perto de mim para voltar a acariciar meu cabelo e diferente da última vez que nos vimos eu não me senti tão confortável com o contato. Porém, não quis dizer nada para que ele não se sentisse rejeitado. O estranho era que em meio aos intervalos das crises que tive nesse meio tempo, em nenhum momento eu senti falta desse SeokJin. Do que cuidava de mim. Mas sim do que jogou tudo pro alto e me beijou. – Você ainda está muito fraco, esse ainda é o segundo soro que está tomando… – Distanciou a mão do meu rosto só para apontar para a bolsa de soro suspensa no suporte ao lado a minha cama. – Se o corte fosse só um pouco mais profundo… eu teria perdido você. – Falou como se sussurrasse um segredo que só eu poderia ouvir enquanto encostava o rosto no meu. Tão perto que meu corpo inteiro se arrepiou. – Não faça mais isso comigo… não consigo passar por isso de novo. – Era uma súplica.


Nunca havia visto Seokjin tão fragilizado. Estava conhecendo seu lado sensível nos últimos dias. Isso me deixava mais aflito. Era um pensamento egoísta sim, mas as vezes eu precisava que ele fosse o meu pilar e não que desmoronasse junto.


– Não posso prometer nada…






– Por que não me levou para o hospital? – Perguntei à caminho do banheiro. Já tinha passado muito tempo deitado, recuperando as forças e precisava de um banho. Ainda estava um pouco complicado andar sozinho e por mais que Jin quisesse me levar no colo eu só aceitei me apoiar nele.


– Ah, eu tenho tudo que preciso para cuidar de você aqui… – Pareceu-me um pouco nervoso ao responder, mas preferi não questionar, afinal, o médico era ele e sabia o que fazer. Abriu a porta do banheiro quando chegamos em frente e logo acenou com a cabeça para que eu sentasse no vaso sanitário. – Preciso tirar o curativo e limpar o corte com cuidado, ele ainda pode abrir e sangrar. – Se aproximou pondo-se de joelhos para começar a tirar o curativo.


O fato de estar só usando cueca e uma camiseta comprida na frente de Seokjin, na verdade, não me deixava constrangido. Mas sentir ele pegando na minha coxa dava um frio na barriga. Pensei em desviar meus pensamentos.


– E por que não deu ponto nisso… já que pode voltar a sangrar? – Ri um pouco nervoso com as cócegas causadas por cada novo toque.


– É… eu não tinha os materiais necessários para fazer isso…


– Eu achei que tivesse tudo que precisava aqui. – Debochei um pouco só para fazê-lo olhar um pouco para mim. Estava muito concentrado no que fazia.


– Ai, Jeongguk… você realmente queria voltar para o hospital? – Suspirou pesado. – Eu não poderia cuidar de você por causa dessa nossa nova relação. – Falou me encarando e demonstrando estar explicando tudo, mas eu não entendi nada.


– E qual seria essa nossa nova relação? – Realmente queria saber. Afinal, nada tinha ficado definido depois do beijo.


– Nós nos beijamos, eu gosto de você e você gosta de mim. Isso vai contra tudo que jurei não fazer. – O assunto o deixava nervoso, estava quase sujando o cabelo com um pouco do meu sangue que saiu do corte de tanto que mexia neste. – Eu jurei perante a lei que não me envolveria com nenhum paciente, e olha o que eu fiz… o que estou fazendo. Posso ser preso por isso. – Finalizou fixando o olhar triste no chão.


Parecia estar decepcionado consigo. Arrependido do que fez, talvez? Senti-me culpado. Seria eu o motivo dos problemas em seu trabalho.


– Desculpa. – Foi só o que consegui dizer.


– Não! Não precisa pedir desculpa. – Levantou para me encarar de cima. – Eu não me arrependo de nada. Adoro te ter por perto e é como vamos prosseguir de agora em diante. – Meu sorriso era mínimo, mas já demonstrava que havia ficado feliz com o que ouvi. Levantei quando ele pediu. – Eu ia dizer para tomar banho enquanto eu sairia para comprar os matérias para fazer os pontos, mas… – Ele foi me encostando no azulejo frio da parede e me encarando com um olhar tão intenso, só consegui pensar que me beijaria de novo, mas a aproximação foi interrompida quando já estávamos com os rostos perigosamente perto e ele voltou a falar. – Mas eu não consigo pensar em te deixar sozinho. – Sussurrou segurando meu rosto entre suas mãos finas. E para sua surpresa foi eu quem roubou um selar rápido.


– Então vai tomar banho comigo? – Era só uma brincadeira, porém nós dois ficamos constrangidos depois e rimos.


– Não. Eu vou esperar aqui até você terminar. – Seu nervosismo era palpável. Achei graça.


– É só um banho, Jin.


– Jeongguk. – Acho que fui repreendido pelo jeito sério que ele me olhou.


Mas logo em seguida Jin segurou a barra da minha camiseta sem desviar o olhar de mim, como se esperasse meu consentimento para continuar com seus atos. Antes de assentir tentei relaxar porque não era algo fácil me mostrar para alguém. Óbvio que ele já me viu outras vezes no hospital, só que a diferença era que eu não sabia e nem estava lúcido quando ocorreu. Apesar de já estar com metade do corpo despido, pensar em mostrar minhas marcas por inteiras era complicado. Eu acreditava que ele pudesse entender o esforço que eu fazia para conseguir deixar que se aproximasse tanto assim. As vezes só queria correr para longe de qualquer contato, mas por ele eu estava tentando e ultrapassando meus limites. Então o tecido foi subindo aos poucos enquanto ele fitava cada parte que ia se revelando da minha pele opaca que dava moradia para inúmeras cicatrizes. Acredite eu já tentei contar. Até que a peça de roupa foi totalmente tirada do meu corpo e algumas das expressões de Seokjin não foram satisfatórias, como eu já imaginava e isso causou mais desconforto.


– Isso me deixa desconfortável. – Disse como se lesse minha mente. – Pensar em como te machucaram e como você se machuca para ficar dessa forma. – Ainda muito próximo levantou a mão fazendo menção de que ia me tocar, mas, logo hesitou. Foi melhor assim.


– Elas não doeram. – Passei minha mão esquerda por algumas cicatrizes no meu tronco que eu lembrava de ter sido o causador. – Eu nunca sinto nada quando as faço, a única dor que sinto está aqui. – Toquei minha cabeça e sorri apreciando a dura realidade. – Eles sãos os únicos que me perturbam. E nem pergunte quem são eles, não saberia responder. É uma das respostas que eu também procuro. – E nesse momento pensei em Dabin. Ela saberia me responder tudo isso?


– Jeongguk, eu estive pensando em algo sobre os seus tratamentos para esquizofrenia e não estão tendo o resultado esperado, então se você aceitasse poderíamos aprofundar… tratar não só com remédios, mas também com alguns testes. – Pensou um pouco enquanto eu também pensava no que ele quis dizer com “testes”. Desde que soube que fui cobaia de experimentos esse assunto causava-me aflição. Parecia que ia ter um ataque de pânico. – E, outra coisa… depois dos resultados dos seus últimos exames eu analisei todos e relembrei muitas coisas, coisas no seu comportamento e cheguei a um pensamento, psicose. – Pela forma que Seokjin me olhou meus olhos só poderia ter saltado da minha face.


– Eu não sou psicótico… bom isso seria o que um psicótico falaria porque não lembraria o que fez. – Então eu pensei melhor e realmente fazia sentido, a insônia, os pesadelos que eu encarava como alucinações e as oscilações no comportamento. – Ah, droga. E se eu for?


– Podemos cuidar disso. Você só precisa aceitar.


– Eu volto para o hospital então, para fazer os tais testes?... que por sinal já me deixou preocupado.


– Ainda não… não posso te levar para lá agora, nesse estado, saberiam que eu estive cuidando de você. – Se aproximou mais até suas mãos alcançarem meu rosto novamente.


– Jin, você sabe mais que qualquer outra pessoa que eu não quero voltar para aquele lugar, mas se você diz que preciso e vai me libertar dessas vozes malditas, é o que faremos. – Ah, eu queria mais que tudo saber como é a sensação de viver sem as vozes me perturbando. – A propósito, ninguém sabe sobre nós.


– Pior que sabe. – Quem sabia? Seokjin estava com uma expressão de quem não devia ter contado algo. – O Yoongi, ele não sabe do beijo e o que está acontecendo, mas sabe que somos próximos de alguma forma e isso já é um problema significativo. –  A preocupação por saber que tinha alguém que podia não só nos afastar, mas também, acabar com sua carreira estava estampada na face de Seokjin.


– Eu odeio ele. – Descrever como eu estava irritado seria impossível. Só queria matar Yoongi.


– Faz parte do trabalho dele. – Ele até riu, dá pra acreditar?


– Faz parte do trabalho dele ser idiota e ignorante? – Confesso que pensar no que Yoongi podia causar a Seokjin poderia me fazer surtar igualmente o dia no hospital com o Jimin. Com toda a irritação percorrendo-me tentei afastar as mãos de Jin do meu rosto, falhando porque ele diminuiu de vez qualquer resquício de distância que ainda havia entre nossas bocas. Foi um selar bem mais demorado que o primeiro que dei e também mais saboroso. Só trocamos mais dois ou três selares estalados antes de voltarmos a nos encarar. Era bom estar daquela forma com ele.


– Não! Isso faz parte da personalidade dele, o fato de me entregar por eu quebrar o juramento faz parte do trabalho dele… sei que isso te irrita, mas é como deve ser. – Creio que o beijo serviu apenas para me deixar mais ameno em relação a Yoongi, até que adiantou. Por hora. – Vai logo tomar seu banho. Vou ficar aqui esperando.


Entrei no box do banheiro e finalmente ia tomar meu banho. Antes de ligar o chuveiro vi Seokjin sentando-se no vaso onde antes eu estava e não desgrudou mais o olhar de mim. Eu não tirei a cueca, já tinha mostrado meu corpo demais num dia só. A água começou a percorrer meu corpo, causando uma sensação de alívio, um peso parecia ter sido tirado dos meus ombros. Observei um pouco do meu sangue indo embora pelo ralo. Aquele corte ainda iria causar muitos problemas se não tivesse os devidos cuidados. E em meio aos pensamentos de como cheguei naquele estado novamente, lembrei-me de algo que não havia questionado.


– A propósito, como conseguiu entrar aqui? – Da última vez que apareceu sem minha permissão só conseguiu chegar até a porta mesmo, não teria como entrar. Só esperava que não tivesse feito como o Jimin, a porta da minha casa era cara para ficarem arrombando a hora que bem entendessem.


– Eu falei com o síndico que era seu médico e precisava te ver porque estava sem tomar seus remédios e me evitando, então depois de dizer algumas coisas… – Ele riu. Acho que lembrando das coisas que o figura do meu síndico falou ao meu respeito. – Ele me entregou a chave.


– Aposto que ele disse que já sabia que eu era louco.


– Você conhece ele muito bem.


Eu sabia!




Em algum momento que eu estava desacordado Seokjin limpou e organizou minha casa. O que parecia também era que eu só sabia fazer as pessoas ao meu redor de faxineira. Sem drama. Jimin era uma prova viva disso.


Só que o meu quarto eu fiz questão de terminar de arrumar. Aquele era meu lugar sagrado, só de pensar em alguém mexendo e arrumando minhas coisas ao seu modo me causava nervosismo.


Seokjin não parava de pegar os desenhos no chão e observando cada detalhe de um em especial ele sentou-se no chão, chamando minha atenção. Parei o que fazia e esperei pela pergunta clássica.


– Petter. – Ao invés da pergunta eu recebi um nome.


– Quem? – Cheguei mais perto e peguei o desenho. Era o homem de olhos azuis. – Conhece ele? – Se Jin conhecesse aquele homem talvez eu tivesse uma resposta para uma das minhas dúvidas.


– Não, eu o vi nos arquivos que o Jimin te mostrou… – Hesitou um pouco para continuar falando enquanto eu o encarava atento, não me lembrava de vê-lo nos arquivos. O desenho foi tirado com calma da minha mão. – Se chama Petter e foi o médico que fez experiências com você e outras crianças. A boa notícia é que está apodrecendo na cadeia até a morte.


– Então foi ele… – Novamente o desenho estava em minhas mãos. Me lembrava das feições do homem até mesmo sem precisar olhar o desenho, porém, no momento eu queria encara-lo. Quando eu era criança devia sentir muito medo dele para ter me perseguido por tanto tempo em pesadelos. E os últimos em que apareceu fazia menos sentido ainda. E aquele garotinho que estava com ele… – Hey, o Jeon! – Seokjin não podia ter ficado mais assustado quando ouviu o nome do irmão soar da minha boca. – Eu sonhei com seu irmão duas vezes, não sei como foi possível sendo que nunca o vi, mas ele apareceu com as minhas características de quando criança. Já que você o descreveu parecido comigo minha mente deve ter guardado isso. – Avistei sua expressão suavizar um pouco. Acho que ainda devia ser complicado para ele falar disso. – Vi o Jeon e outra criança, é o Taehyung.


– Taehyung?


– Sim, conheceu alguém com esse nome?


– Não! Não. – Exasperado. Foi como ele ficou em instantes.


– Eu não entendi por que sonhei com seu irmão e esse outro garoto em uma cena tão bruta, foi estranho…


– O que aconteceu? O que o Jeon fez com esse Taehyung? – Fui interrompido.


Pensei um pouco se deveria contar o que vi, afinal era algo chocante até para mim. Tudo bem que eu cometia auto-mutilação, mas uma criança matando outra era pesado, ainda mais o irmão dele sendo o agressor. Jin poderia se irritar e achar absurdo e não queria vê-lo assim. Enquanto eu estava no meu conflito interno Jin parecia travar uma guerra com seu interior também. Estava se corroendo de curiosidade.


– Quer mesmo saber? – Assentiu. – É pesado. – Respirei fundo e fui direto ao ponto. – O Jeon levou Taehyung até o porão de uma casa e o matou, o cortou com uma gilete. Taehyung sangrou até a morte.


Jin abaixou a cabeça iniciando movimentos repetitivos em seu cabelo com as mãos, bagunçando-os. Não sabia o que fazer e nem dizer. Só fiquei parado observando. Quando os suspiros ficaram mais altos já pensei que ele pudesse estar tendo um ataque de pânico. Então cheguei mais perto para tentar levantar seu rosto e conferir se estava tudo bem e para minha surpresa ele se levantou bruscamente.


– Jin! – Não vou negar que fiquei assustado.


– Só um minuto… – Sussurrou indo em direção à porta do quarto.


E a campainha soou pela casa. Nos entreolhamos.


– Quem pode ser?


– O Jimin. – Levantei e caminhei rápido passando por ele que logo seguiu-me.


– O que? Tem visto ele? Jeongguk? Não ande tão rápido, vai acabar abrindo os pontos. – Continuou chamando até que eu respondi quando finalmente cheguei à porta e abri.


– Sim, ele esteve aqui essa semana mesmo. – Virei-me em direção ao corredor do prédio e me deparei com alguém inesperado. – Hoseok? – Ele estava com os olhos inchados e vermelhos como se tivesse chorado muito e ainda soluçava um pouco. – O que houve?


– Eu vim te avisar… – A voz estava embargada. – Tentei ligar, mas não deu certo. – Enxugou algumas lágrimas e tentou continuar. Eu já estava ficando preocupado. – O síndico do prédio dele disse que você foi o último a sair de lá na última vez que o viram antes de o encontrarem. – Do que diabos ele estava falando?


– “Ele” quem, Hoseok? Eu não saio de casa faz quase dois meses. – Me exaltei mesmo. Não estava entendendo nada.


– O Jimin, ele foi encontrado morto.







Notas Finais


AAAAAAAAAAAAAA
JIMIN ESTÁ MORTO
GENTE, O QUE SERÁ QUE ACONTECEU?

JEON BURRAO QUE NÃO PERCEBE UM PALMO DEBAIXO DO NARIZ

JEON DOIDÃO VENDO GENTE MORTA

O CU DO JIN TRANCOU


Vamos esperar o próximo né


Até ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...