História Triângulos são minha forma favorita. - Capítulo 4


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Categorias Seventeen
Personagens Jeon Wonwoo, Junghan "Jeonghan", Kim Mingyu, Lee Seokmin "DK", Soonyoung "Hoshi", Wen Junhui "JUN", Xu Ming Hao "THE8"
Tags 2ming, Gyuhao, Jun, Jungyu, Junhui, Junwongyu, Meanie, Meaniehui, Mingyu, Ot3, Seventeen, The8, Wongyu, Wonhui, Wonwoo
Visualizações 192
Palavras 2.360
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Comédia, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Gelatina de duas cores (e o prazer da sua companhia).


“Eu não entendo o que aconteceu... Eu fiz exatamente como na receita...”

“Bom, contanto que tenha um gosto bom, não interessa a cara.”

“É assim mesmo que você pensa?” Soonyoung lançou um olhar sugestivo e debochado e Wonwoo apenas fechou os olhos e fingiu não ter ouvido.

Os dois então olhavam desapontados para um desastre culinário a sua frente. Hoshi tinha tentado fazer aquelas gelatinas coloridas, que são feitas com várias camadas de gelatinas de sabores diferentes. O tal creme que deveria segurar as gelatinas e evitar que os sabores se misturassem acabou se misturando, e o negócio virou um desastre de líquido roxo com pedaços brancos e partes de gelatina de morango embaixo.

“Dá pra aproveitar a parte de baixo.”

“Ah, vamos comer tudo.”

“Você tinha razão, eu devia ter pedido pro Jun fazer. Eu odeio o quanto as coisas sempre parecem mais bonitas na internet.”

“Agora é tarde, não vamos colocar esse monte de comida fora. Fecha os olhos e come.”

“A gente não presta nem pra fazer gelatina!”

A sobremesa não tinha ficado tão ruim assim. Só tinha ficado feia mesmo. Entre uma garfada e outra, e uma gargalhada e outra, começaram a conversar sobre o que tinha trazido Soonyoung até o pequeno apartamento de Wonwoo, um trabalho acadêmico que precisava ser finalizado. Os dois estavam no último ano e bem próximos de encerrar o curso.

“Além do mais, eu acho que o Jun acabaria estragando esse troço também. O meu freezer não é bom. E ele não anda muito atento.”

“Ué, porquê?”

“Sei lá...”

“Pergunta logo pra ele.”

“Já perguntei. Ele me disse que não era nada. Mas sei lá. É capaz do Mingyu saber e eu não.”

“Então pergunta pro Mingyu. Caramba, vocês são muito esquisitos.”

“Não sou esquisito.”

“É sim Wonwoo.”

“Olha quem fala.”

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Jun estava realmente estranho e quem quer que fosse próximo a ele percebia isso. Incluindo o vingativo Mingyu, que se gabava para Minghao que ele estava provocando um efeito “enorme no cara e o fazendo questionar toda a sua vida”. Minghao nem esperava o amigo sair do cômodo para rir da cara dele, na verdade ele não levava muita fé nessa história toda. Tanto é que não tinha juntado nem 5 centavos para pagar o aluguel de Mingyu, como o rapaz vivia o lembrando todo santo dia.

As vezes Mingyu sentia certo remorso, principalmente nos pequenos momentos em que Wonwoo era extremamente divertido e ele lembrava de como tudo era no início. Ou de quando Jun era extremamente cuidadoso e companheiro. Mas eram pequenos momentos e logo ele já lembrava que tudo aquilo ali era de mentira. Por mais convincentes e sinceros que eles pudessem parecer ser.

Mais uma quarta feira e mais uma aula de dança. Já havia se passado 1 mês e quase 10 dias, pelas suas contas imprecisas. O tempo de Mingyu estava acabando e, honestamente, ele não tinha nenhum real avanço no seu plano maligno. Nem dinheiro para pagar Minghao, que ele sabia muito bem que não ia ter remorso algum o cobrando. Era hoje ou nunca mais.

Mingyu chegou um pouco atrasado na academia, de propósito. Se isso tudo não desse em nada, ele pelo menos tinha ficado com o corpo mais bonito, além de rir um pouco. Jun chegou, animado como sempre, mas pensativo como andava nas últimas semanas. Cada vez que via Mingyu sua cara parecia se transformar em um tomate. Ele nunca pareceu envergonhado para ninguém, mas Wonwoo sabia que ele era, até demais.

Ele se perdeu nos passos duas vezes, e coincidentemente em uma delas foi quando Mingyu ficou fazendo um body roll para impressionar uma loirinha novata que parecia que ia desmaiar, como se nunca tivesse visto um homem dançando na vida. Terminou a aula 5 minutos mais cedo.

Mingyu esperou todo mundo ir embora para falar com Jun.

“Desculpa o atraso hoje, professor.” O rapaz, só um pouco mais alto que ele, fez uma espécie de carinho no cabelo preto dele, fazendo com que ele tivesse um leve sobressalto. Jun estava acostumado em ser afetuoso com pessoas próximas – mas só as bem próximas. Eles já tinham chegado nesse estágio?

“Não tem problema. Isso aqui não é uma escola, você vem quando quer sabe?” Respondeu rindo.

“Queria vir todo o dia então. Pra te ver.”

“Então vem.”

Por que diabos eu falei isso? foi o primeiro pensamento que lhe veio em mente. Ele não sabia porque, mas sentia que a conversa ia para um rumo que não deveria.

“Ótimo, eu venho aqui só pelo prazer da sua companhia mesmo.”

Jun ficou olhando para as mãos de Mingyu e imaginando o que ele e Wonwoo tinham feito naquele banheiro aquele dia. Limpou a garganta e começou a juntar suas coisas freneticamente para ir embora dali logo.

“Preciso ir.”

“Mas já?” Mingyu segura firme o braço forte do outro rapaz.

“Mingyu, eu não sei qual é a sua, mas eu não tô afim disso.”

“Qual é a minha?”

“Olha, eu amo o Wonwoo. Eu jamais...”

“Ah, eu sei bem disso, Junnie. Eu também amo ele. Mas também amo uma diversão. E as coisas tão meio...  chatas ultimamente.”

“Não foi o que pareceu aquele dia que ele veio aqui...”

Instantaneamente Junhui se arrependeu do que disse, por razões óbvias.

“Que bom que você escutou, era o que eu queria mesmo.”

A essa altura, Mingyu já tinha soltado o braço de Jun, mas ele ainda não tinha saído da grande sala espelhada. Pelo silêncio, o andar onde estavam parecia ter se esvaziado.

Jun respirou fundo e ficou encarando o próprio tênis, enquanto Mingyu ficou olhando para si e para ele através do espelho, como se estivesse calculando os próprios movimentos.

Ele foi se aproximando lentamente de Junhui, que se encolhia conforme a proximidade do outro, até perceber que estava encurralado entre Mingyu e a parede espelhada.

“Ninguém precisa ficar sabendo” foi o que Mingyu cochichou no seu ouvido, com sua voz grave e baixa e hálito de chiclete de hortelã, para depois beijar seu pescoço.

“Gyu...” foi tudo o que Jun conseguiu dizer então, até que eles finalmente se beijassem. Jun deixou o desejo falar mais alto e agarrou a cintura de Mingyu, até que fosse necessária uma separação para que pudessem respirar.

“Pra quem não tava afim disso, até que você se empolgou.”

“Cala a boca, seu idiota.” Junhui catou sua mochila do chão, e saiu bufando, frustrado com Mingyu e seu joguinho besta no qual ele tinha caído direitinho. Mas mais ainda, frustrado consigo mesmo. Como ele poderia ser tão canalha?

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“Pensando bem, acho que você tem razão. Sou esquisito mesmo.”

“Depois de comer essa porcaria toda e continuar com a mesma cara de sempre, é óbvio que você é.” Hoshi sussurrou jogado no sofá do apartamento de Wonwoo. Os dois não tinham feito nada do que deveria ser feito: só comido a gelatina horrível e falado mal de um monte de gente da faculdade pelas últimas 3 horas. “Eu acho que vou vomitar.”

“Não no meu sofá. Deve ter remédio pra enjoo no banheiro. Eu acho.”

“Você ACHA??????”

“Eu não tenho culpa se você não tem autocontrole.”

Hoshi foi até o banheiro e Wonwoo foi atrás logo em seguida para ajudar o amigo.

“Conseguiu?”

“Não. Acho que é só ânsia mesmo.” Soonyoung respondeu, agachado em frente ao vaso sanitário, como se tivesse bebido todas e estivesse com uma ressaca daquelas. Mas era tudo por uma gelatina. “Você não tem nada nesse banheiro. Eu quero morrer.”

“Você realmente acha que eu sou meio esquisito?”

“Claro que não. Me deixa em paz, eu quero vomitar.”

“Se você soubesse o que eu sei e o que eu queria fazer, provavelmente me acharia meio estranho.”

“Fofoca de alguém? Me conta!”

“Não posso te contar. Você vai contar pro Dokyeom e ele vai tweetar sobre.”

“Então não me enche e me deixa vomitar em paz.”

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Junhui sentia como se fosse explodir. Mal conseguiu dormir na noite passada. Ele precisava conversar com alguém. Mas não poderia ser a pessoa em quem ele mais confiava, porque ele tinha feito a maior besteira da vida. Tinha alguns outros amigos, é claro. Mas Chan era novo demais.  Jihoon direto demais. Soonyoung e Seokmin eram próximos demais de Wonwoo. Além disso, péssimos para guardar segredo. Restava apenas uma opção. Alguém que realmente tinha cara de quem sabia dos podres de todo mundo e mantinha isso em absoluto sigilo.

“E então, como vai a vida?” Jeonghan perguntava a Jun enquanto os dois estavam sentados no sofá da luxuosa casa de Jeonghan. Ambos mantinham certo contato regular online, mas Jun sempre acabava adiando uma visita a casa do amigo, as vezes por timidez, as vezes por pura preguiça. Ele tinha cabelos loiros e um tanto curtos agora. Jeonghan vivia mudando o cabelo. Mas a sua aura de “mãe de classe média alta de subúrbio”, como Woozi gostava de falar, se mantinha a mesma; mal ele chegara, o outro rapaz já o enchia de questionamentos realmente preocupados sobre a vida e bolinhos, sem deixar de ter um lado um tanto elegante.

Junhui pensou se deveria ser curto e grosso e falar algo tipo “Nossa, ótima! Minha classe está cada vez melhor e a academia até me colocou numa sala um pouco maior, finalmente tirei aquele ressecamento todo do meu cabelo pela aquela vez que você me fez descolorir, e ontem eu e o namorado do meu melhor amigo nos pegamos!”

“Vai tudo bem, apesar de algumas complicações...”

“Sabia que tinha algum problema. Para você finalmente aceitar meu convite e mexer a sua bunda tímida até aqui, tinha que ter alguma coisa.”

“Mas e você, tudo bem?”

“Comigo tudo ótimo. Já te mostrei meu carro novo? É maravilhoso. Comprei no Japão. Tem 350 cavalos de potência. E é...” Jeonghan parou um pouco seu assunto quando percebeu que Jun não parecia tão interessado assim em carros. Não que ele tenha sido algum dia. Mas algo de muito errado tinha acontecido que ele não conseguia nem ser simpático como geralmente era. “Ok, se você quiser pode me falar logo o que houve. Você obviamente não veio aqui para me ouvir me gabando sobre meu carro, infelizmente.”

“Sabe o Wonwoo, né?”

“Sim. Claro! Ah já sei! Finalmente se pegaram.”

“Quê? Não! Espera, porque finalmente?”

“Ah, porque vocês sempre pareceram um casalzinho bonitinho cult, achei que finalmente tinha rolado. Mas continua.”

“Então, já faz um bom tempo que ele tava namorando um cara aí. Não sei se você chegou a conhecer o Mingyu.”

“Ele ainda tá com ele?”

“Sim.”

“Ah... interessante.” Jeonghan não parecia nada interessado nisso, mas Jun continuou mesmo assim.

“Então... é... ele é um cara legal e tal. Era, eu acho. Recentemente a gente começou a se aproximar, ficar amigos mesmo sabe? Ele começou a fazer aula de dança comigo. Acho que no início ele não ia muito com a minha cara, devia ter ciúmes, mas agora tá longe disso... o que é o grande problema.”

“Não entendi.”

“Eu beijei ele ontem... Quer dizer, ele me beijou... Bem, mas eu correspondi, então sou tão culpado quanto...” Jun confessou, enquanto olhava para o chão.

“E você gostou?”

“A pior parte é que eu gostei. E muito.”

“Nossa, por essa eu não esperava. Apesar das suas piadas meio pervertidas sempre te achei santo.”

“Nem eu. A maior besteira da minha vida.”

“Ah, mas não seja tão dramático. Você provavelmente já teve cortes de cabelo que foram piores que isso.”

“Eu beijei o namorado do meu melhor amigo! E gostei! Isso realmente é horrível!”

“O Wonwoo gosta mesmo desse cara?”

“Bem... ele reclama bastante dele, mas eu conheço o Wonwoo. Ele também reclama de mim. Ele gosta de reclamar de tudo na verdade. Eu conheço ele. Eu acho que ele nunca gostou tanto de alguém como gosta do Mingyu. Ele ama ele.”

“Tá, então é realmente complicado. Como aconteceu de vocês se beijarem então?”

“Ah, sei lá. A gente tava na academia, depois da aula. Quando percebi, ele tava bem perto de mim e eu fiquei nervoso demais. Aí eu comecei a suar e olhar em volta, mas não tinha ninguém ou nada pra usar de desculpa pra fugir.”

“Como se você quisesse fugir né.”

“Eu queria! No início eu queria. Mas eu não sei o que aconteceu. Ou porque aconteceu.”

“Esse papo é desculpa. Você sabe disso.”

Jun sabia que Jeonghan falava a verdade. Como sempre.

“Então Junnie, você quer que eu te diga o que você quer ouvir ou o que você precisa fazer?”

“A resposta para as duas perguntas é a mesma. Eu não sou tão canalha assim. Eu vou contar pra Wonwoo.”

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Jun mal tinha forças para bater na porta de Wonwoo. Com as mãos meio trêmulas, bateu devagar. Não tinha avisado da visita antes, porque já era habitual que um fosse na casa do outro na hora que quisesse.

Depois de bater umas 4 vezes e gritar por Wonwoo, Jun já estava quase desistindo e internamente feliz por ele não estar em casa, até que ouviu passos em direção a porta. Agora ele não tinha mais escapatória.

"Achei que você não gostava mais de mim. Fica me evitando." Wonwoo o atendeu, meio descabelado, usando roupinhas soltas. Provavelmente estava dormindo. As vezes Jun gostava de ficar olhando ele dormir, parecia tão fofo e inocente... Depois pensava que não era muito natural ficar pensando esse tipo de coisa.

Wonwoo era realmente muito inocente as vezes. Jun estava prestes a quebrar o coração de quem ele provavelmente mais amava no mundo além de sua mãe e irmão. Talvez quebrar sua inocência.

"Eu preciso te contar uma coisa, Wonwoo."

"Eu também preciso te contar uma coisa."

"Conta você primeiro então."

"Não... você conta, você é quem veio aqui."

"Não é uma coisa fácil de se dizer e não sei se você vai me perdoar." Jun se sentou no pequeno sofá com uma expressão triste, olhando em volta para aquele lugar. Talvez fosse a última vez que ele estivesse indo ali na vida. Olhando para os olhinhos de Wonwoo vidrados nele esperando uma resposta, seu cabelo bagunçadinho, sentindo o seu perfume característico. Ele não conseguia falar aquilo.

"Mingyu deu em cima de você, não foi?"



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