História Trilhos da Vida - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Ambição, Destino, Drama, Família, Romance
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Palavras 2.569
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Intriga e Sentimento


Fanfic / Fanfiction Trilhos da Vida - Capítulo 2 - Intriga e Sentimento

15 anos depois...
             Abril de 2005

- Artur, larga de ser bobo.
- É sério Camila! Vamos na roda gigante?
- Tá. Eu vou. O que eu não faço pra você não me irritar o dia todo, não?
- Você sabe que só faz isso porque me ama.
- Ah é? Então não vou mais.
- Poxa amor, larga de besteira.
- Tô brincando... Mas você sabe que eu não sou muito do tipo de ficar admirando a paisagem lá de cima pensando no nosso amor. Não sou esse tipo de namorada.
- Sei, sei. Você é diferente. Vou lá comprar os ingressos. Já volto, me espera aí.
- Tá bom, volta logo, não gosto de ficar sozinha no meio de muitas pessoas.
- E eu não sei, lembro muito bem daquela vez que você saiu chorando pela festa toda procurando a tia Íris. 
- Para! Isso não é engraçado. E se eu me perdesse?
Artur foi comprar os ingressos para a roda gigante enquanto Camila ficou esperando. Carina e Tony estavam observando de longe, mesmo que jovens, o filho e a namorada não tinham tanta responsabilidade para ficar sozinhos naquela praça com tantas pessoas.
- Querido, como eles cresceram né? Imaginar que a quinze anos atrás estávamos nós com o Artur ainda bebê, no carrinho, quando encontramos nossos amigos, a Íris e o Carlos.
- Sim, verdade. Mas será que poderíamos deixar de lado o Carlos? Eu não aguento mais vocês falando dele. 
- Você ainda não fez as pazes com ele? Tony, você sabe que está sendo muito orgulhoso, isso pode prejudicar muito vocês.
- Eu? Ele nunca concordou com nada do que digo, aí foi só eu dar uma ideia e ele quis discutir que aquilo estava errado. Não tive culpa alguma.
- Conhecendo bem você, eu duvido.
- Estamos numa festa, não acho que devemos ficar falando disso aqui.
- Tudo bem, mas em casa então você vai conversar sobre isso.
- Pode deixar senhora capitã!
Na bilheteria, Artur pediu 4 ingressos, pretendia ir em algum outro brinquedo mais radical com Camila, quem sabe assim ela não se animasse um pouco mais.
- Camila, comprei ingressos para irmos em algum outro brinquedo que você queira.
- Tá. Pode ser.
- Você está desanimada hoje. Por quê? Fiz algo de errado?
- Não, muito pelo contrário, está tentando me animar. Só estou com um pouco de dor de cabeça.
- Se quiser podemos ir embora. Voltamos amanhã.
- Não precisa.
- Vamos para a fila então?
- Sim. Está lotado o parque de diversões.
- Está mesmo. 
Artur e Camila encaminharam - se para a fila e esperaram chegar a vez para entrar na roda gigante. Sentaram - se no banco e quando a roda estava no alto Artur falou:
- Nossa, aqui de cima é bem bonita a paisagem. Não acha?
- É sim.
- Olha lá meus pais! Sua mãe está chegando também.
Carina ao ver Íris se aproximando comentou com Tony:
- Olha lá, Íris está vindo, mas não está com o Carlos...
- Que bom. Aquele patife estragaria meu dia.
- Não diga isso! Vocês são amigos, não é uma briga boba que vai afetar isso.
- Você que pensa. 
Íris chegou e cumprimentou os amigos e quando Carina perguntou onde estava Carlos respondeu:
- Ele está em casa de cara fechada. Disse que não quer se irritar. Você sabe, ele é cabeça dura, não tem o que tire da cabeça que ele não teve culpa.
- De cabeça dura eu conheço bem. Esse ser ao meu lado é do mesmo jeito. - Disse Carina -.
- Opa, opa! Se for para falar de mim tenho que me defender. A culpa não foi minha. - Argumentou Tony -.
Nisso, avistaram Carlos vindo em direção dos mesmos.
- Não acredito nisso. Meu dia estava ótimo, até agora. - Pensou alto Tony -.
- Ótimo ou não, vocês vão conversar agora. - Ordenou Carina para o marido -.
Carlos chegou, e imediatamente Carina e Íris saíram para deixar os maridos conversarem.
- Acho que precisamos conversar Carlos.
- Agora? 
- Sim.
- Pois eu não quero.
- Carlos, veja bem, eu também não gostaria disso, mas é melhor nos esclarecermos logo, antes que algo de precipitado aconteça.
- Tudo bem. Mas deixo claro que não tive culpa alguma, apenas comentei que sua ideia era absurda.
- Tá. Ok. Se não quiser cooperar com essa ideia tudo bem, faço sozinho. Mas não vamos estragar nossa amizade por isso. Amigos?
- Tudo bem. Sim.
- Segunda começamos o trabalho novamente, pode ser?
- É... Infelizmente não. 
- Por que?
- Sabe aquele sítio da minha família naquela cidade que fica bem longe daqui?
- Sei sim. O que tem?
- Eu vou me mudar para lá no máximo em duas semanas e irei me preparar para isso e por esse motivo não posso mais manter sociedade com você.
- Mas como isso? Tudo bem que você já pensava nisso, mas assim tão rápido?
- Depois que brigamos conversei com Íris e decidi me mudar logo, aí acabamos por resolver algumas coisas.
- E não tem como você ficar? Ou continuar nosso trabalho por lá.
- Não. Já nos decidimos. Nossa briga só serviu para adiantar, eu já queria isso. Quero ficar no sossego, cuidar do sítio e tudo mais. E quanto a manter a sociedade por lá não tem como, a comunicação é falha, é um lugar isolado.
- Entendo, mas... E os nossos filhos? Você sabe que eles estão namorando a quase um ano. Vai ser difícil para eles.
- Eu sei. E inclusive já pedi para a Camila terminar com o Artur e explicar tudo.
- Você não pode ter feito isso Carlos, eles vão sofrer muito. Por que não deixa a Camila conosco?
- Me desculpe Tony, mas nem pensar, ela é minha filha e vai ir comigo, lá ela vai ter mais contato com animais e a natureza, vai ser melhor para ela.
- Nessa idade Carlos? Você disse que o lugar é isolado, ela é jovem, está na idade de sair com os amigos, como ela está?
- De certa forma arrasada.
- Está vendo só.
- Toda mudança é problemática, quando chegarmos lá ela se acostuma.
- Eu gostaria muito de fazer você ficar, afinal tenho uma dose de culpa sobre sua decisão.
- Não tem. Eu já pensava nisso, e essa decisão é minha, não vou mudar ela facilmente.
Carina e Íris viram os companheiros conversando e resolveram voltar ao local onde estavam.
Artur e Camila já estavam fora do parque de diversões quando Camila chamou Artur para ir numa barraca próxima para comer e beber algo.
- Tenho que admitir que gostei da roda gigante até Artur.
- Eu sabia que você ia gostar.
- Vamos pedir algo?
- Sim.
O casal pediu refrigerantes e lanches e se mantiveram conversando enquanto o pedido era preparado.
- Quem diria "hein" amor? - Falou Artur -.
- O que? - Perguntou Camila à frase incompleta de Artur.
- Nós aqui nessa festa que já participamos tantas vezes juntos, como namorados, quer dizer... namorados assumidos né? Porque eu e você desde mais novos sempre fomos um pouco grudados, até nossos pais falavam.
**********
Anos antes...
- ARTUR! Me dá a bicicleta. Eu quero brincar. Não deixei você pegar.
- Não. Eu tô com ela Camila.
- Tia, olha o Artur, ele não quer me dar a bicicleta. - Disse Camila para Carina -.
- Camila, deixa ele brincar. - Respondeu Íris para a filha -.
- Isso ainda vai dar namoro. - Falou Tony rindo da situação -.
*********
- Sim... Sempre fomos grudados. Mas, infelizmente isso não quer dizer que vamos continuar grudados para sempre. - Disse Camila em resposta ao que Artur falou sobre eles sempre se manterem grudados -.
- Como assim? Você está querendo algo... E não estou gostando disso.
- Eu não queria isso, mas precisamos conversar.
**********
Horas antes...
- Eu não quero saber disso Camila! Você tem até segunda para terminar com o Artur, senão eu mesmo vou fazer isso. - Falou Carlos para a filha, em tom elevado, durante uma discussão -.
- Pai... eu não quero fazer isso. Eu amo ele, o senhor sabe como ninguém disso, nós vivemos sempre juntos, terminar com ele vai contra a minha vontade.
- Vai contra a sua, não contra a minha. Já falei com você ontem. Ou você termina ou eu mesmo faço questão de inventar algo e falar para ele que vocês não estão juntos.
- Por que isso? O senhor foi o primeiro a apoiar a nossa relação e agora quer destruir?
- Já que você quer saber, tudo bem. Em menos de duas semanas vamos nos mudar para o sítio de minha família e você não terá como manter contato com o Artur. O sítio fica muito distante dessa cidade. 
- Não creio nisso. Pai, a minha vida até agora foi construída aqui, escola, amigos, meu namorado... eu não vou. Fico morando com a tia Carina, ela não vai discordar disso, tenho certeza.
- Isso não está para decidir. Você vai. Em menos de duas semanas nos mudamos e acho bom você já estar preparada. - Finalizou Carlos, em tom mais amigável, fazendo Camila sair chorando para seu quarto -. 
**********
- É tão sério assim o assunto? Você parece preocupada. - Indagou Artur ao ver a expressão da namorada -.
- Artur, primeiro eu quero te pedir desculpa por isso, não queria que isso acontecesse, mas... é melhor terminarmos.
- Você só pode estar brincando comigo Camila. Não faz nem 3 semanas quando no meu aniversário você prometeu me amar o máximo que pudesse, disse que queria uma relação duradoura, pelo resto da vida se tudo permitisse. O que aconteceu? O que fiz de errado? Aquilo tudo que você disse era mentira?
- Não, nunca iria mentir para você sobre meus sentimentos! Você também não fez nada errado. Isso está sendo difícil para mim, eu te amo muito Artur.
- Se me ama, por que está fazendo isso então?
- Porque vou me mudar Artur! Não vamos nos ver mais, quem dera nos falar, seja como for. Meu pai decidiu ir morar no sítio da família dele, é numa cidade longe daqui, o lugar é deserto.
- Mas nós não precisamos terminar! Podemos namorar à distância.
- Isso é impossível Artur. Não crie falsas esperanças. Eu adoraria que isso pudesse acontecer, mas não dá. Infelizmente os trilhos da vida são assim. Mesmo que tenhamos planejado tudo minuciosamente, uma hora ou outra um trilho quebra e a rota precisa ser desviada. A vida é assim.
- Não tente amenizar a situação com comparações desse tipo. Aqui está o dinheiro. Perdi a fome, pague a conta, essa festa já deu pra mim.
Artur saiu apressado e magoado sem ao menos se despedir de Camila, foi para a casa. Camila pagou a conta, deixou tudo o que os dois haviam pedido na mesa e se pôs a chorar, amarga com os próprios sentimentos, com raiva de seu pai por obriga - lá a fazer aquilo e confusa, pois amava aquele garoto que sempre fora tão carinhoso, sabia que ele era sentimental, que sofreria bem mais do que ela, aquilo tudo era culpa de seu pai, não podia fazer nada para impedir a mudança, a não ser que fugisse, mas será que isso adiantaria de algo? Ou será que só pioraria a situação? Aquela dúvida permeava sua mente, resolveu avisar os pais de Artur que ele tinha ido embora, pelo menos, de onde ela estava.
**********
Ao saber que o filho teria ido embora apressado da festa, avisando apenas Camila, após a garota explicar o motivo na frente dos próprios pais -dos quais apenas Íris ficou atordoada, afinal não haviam motivos para Carlos expressar emoção, pois ele era o culpado pelo término, ele obrigou sua filha a tomar tal atitude -, Carina chamou Tony para os dois irem atrás do filho. Foram para casa, mas o jovem não se encontrava ali, procuraram aos arredores da festa, porém não haviam indícios algum de que Artur se mantera ali. Carina, preocupada, ligou para alguns amigos de Artur, mesmo que todos falassem que não viram o menino, prontificaram - se a ajudar na busca e que se tivessem notícias avisariam. 
**********
Passava de 20h quando Artur tocou a campainha de sua casa. A mãe preocupada, ao ver seu filho começou a chorar, mas ficou ainda mais apreensiva quando reparou que as roupas do menino estavam sujas e rasgadas. 
- O que aconteceu filho? Você brigou na rua? 
- Não mãe! Nada a ver! É que fui lá para aquele parque do bairro vizinho e fiquei por lá caminhando, peguei uma bicicleta alugada e levei um "capote maneiro". Depois deitei lá e fiquei, até cochilei.
- Menos mal, contudo aquele bairro é muito perigoso, você poderia ter avisado, e se quisessem algo contra você?
- Não vamos pensar no que não aconteceu. Vou ir tomar um banho e dormir. 
- Você quer conversar? Fiquei sabendo o que houve...
- Não. 
Artur foi tomar banho. Tony chegou em casa, perguntou para Carina se tinha alguma notícia do filho e ela respondeu que ele estava tomando banho, que chegou em casa sujo e com a roupa rasgada, disse que havia caído de bicicleta, cochilou no parque do bairro vizinho e que assim que saísse do banho iria dormir. Tony decidiu conversar com o filho.
Assim que saiu do banho, Artur entrou rapidamente no quarto e trancou a porta. Tony bateu, pediu para o garoto abrir, mas recebeu resposta negativa, todavia insistiu, até que seu filho abriu a porta.
- Filho, sei que você não quer conversar, mas deixa o pai entender o que você está sentindo, você se esquece que já fui jovem que nem você?
- Não esqueço pai, mas é que não tenho nada para conversar, só quero dormir.
- Você sabia que desde que a Camila chegou em casa se trancou e ficou chorando? Ela também está sofrendo. Você nem se quer quis ouvir o lado dela.
- Eu ouvi. Ela vai se mudar. Mas eu não posso aceitar. Ela deveria lutar por nós. Eu odeio o tio Carlos!
- Não é bem assim filho. Não diga bobagens. Ela tentou sim, mas não é ela que decide. Ela só obedece aos pais. E não, você não odeia seu tio. Sempre gostou dele. Não fala o que não deve.
- Mas pai...
- "Mas pai" nada. Amanhã mesmo você vai pedir desculpas para a Camila. Ela está mal, e por sua culpa. Ao invés de dar apoio para ela você preferiu abandonar a situação, desaparecer. Vou ligar lá na casa dela para avisar que está tudo bem. E você... durma. Quem sabe assim pensa melhor.
- Tá bom...
Tony ligou para a casa dos amigos, Íris atendeu e agradeceu pelo aviso, pois eles estavam preocupados.
Enquanto isso, Camila, em seus aposentos, ainda chorava. A menina estava com muitos pensamentos, e o mais relevante era nada menos do que a fuga, uma fuga sorrateira e decisiva, que poderia ajudar ou só piorar a situação, mas ela não tinha nada a perder, precisava tentar, era sua única chance de continuar ali, no lugar onde tinha amigos e uma vida estável, além do namorado, entretanto, ela precisava do mais importante, o plano.



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