História Trilhos da Vida - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Ambição, Destino, Drama, Família, Romance
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Palavras 2.627
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Atos consequentes


Fanfic / Fanfiction Trilhos da Vida - Capítulo 3 - Atos consequentes

Camila acordou cedo. Eram quase 6h quando saiu da cama e foi para o banheiro lavar o rosto. Estava abatida. Lavou o rosto, escovou os dentes, mas logo depois quis tomar um banho. Ligou o chuveiro e se colocou debaixo da água. Ao terminar de se banhar foi para o quarto e trancou - se novamente. Viu uns papéis com escritas e desenhos sobre a cômoda e rapidamente se lembrou do plano, a fuga sorrateira que planejou durante a madrugada. Faltavam ainda duas semanas para se mudar, e de acordo com suas intenções, o dia da mudança seria excelente para fugir. A garota ainda precisava conversar com o namorado, Artur, afinal, se ele não aceitasse fugir com ela não haveria fuga alguma.
*

*********
- Artur? 
- Bom dia! Quem é? Ah, Oi Camila!
- Oi tia. Tudo bem?
- Tudo sim. Você quer falar com o Artur? 
- Isso.
- Não sei se ele vai querer, mas vou chamar.
Artur de imediato não quis falar com Camila, mas após a mãe insistir ele foi.
- Oi Camila. O que quer em pleno domingo? Veio me ver aos prantos por sua notícia?
- Não, não vim por isso. Eu tenho um plano!
- Plano? Oi? Como assim? Do que você está falando?
- Você estava dormindo né? Não consegue ligar os fatos.
- Você está louca? Acho que esse negócio de mudança mexeu muito com você.
- Sim. Mexeu. Mexeu mesmo. E é por isso que estou aqui. Tenho um plano para não ir embora. Quer dizer... Pra tentar não ir embora. Só que você terá de aceitar.
- Interessante. Pensou nele sozinha? Porque isso não parece vir de você.
- Artur. Poxa. Eu não tenho culpa. É meu pai que decidiu se mudar. E é por isso que fiz esse plano. Mas antes tenho que ter certeza que você vai aceitar. Vamos na praça?
- Vou falar com minha mãe. Espere aqui.
Artur fechou a porta da casa. Entrou, chamou por sua mãe e a alertou que iria na praça. Ela, não compreendeu, estava cedo, mas autorizou. 
Camila, do lado de fora da casa, ao ver Artur saindo disse:
- Precisava me deixar aqui fora? 
- Sim. Você não é nada da família. Não precisa entrar. 
- Se sou uma estranha à família, porque me acompanha então? A sua mãe, minha madrinha, não te disse que não pode andar com estranhos?
- Ela já me falou sim. 
Os jovens sentaram - se num banco da praça. Camila contou de forma minuciosa o plano para Artur. Ele, não querendo enganar seus pais e deixá-los preocupados, não aceitou a ideia, mas por fim, decidiu que talvez fosse algo que pudesse reverter efeitos positivos. Desculpou - se pela frieza com a garota. Os dois planejaram alguns detalhes, mas até que o dia da fuga chegasse, ainda tinha muito a conversar.
**********
2 semanas depois...
- Vamos Artur. Até chegarmos já vai ter ficado escuro.
- Não sei se quero continuar Camila. Nossos pais devem estar preocupados.
- Agora não tem mais volta Artur. Vamos esperar que eles nos achem. Se voltarmos agora meu pai vai me levar embora. Por acaso é isso que você quer? Meu pai estava terminando de colocar as malas no carro para irmos. Se voltarmos agora, quase tudo já estará pronto creio eu, basta terminar o que é necessário e "Tchau tia, tchau tio, tchau namorado, tchau amigos, tchau tudo o que existe nessa cidade que é importante para mim". Acho que você não quer isso...
- Não, eu não quero, mas pelo menos podíamos ter tentado conversar com seus pais né?
- E ia adiantar do que Artur? Passei todo esse mês falando com o meu pai. Ele já estava pensando em ir embora antes do seu aniversário. Pedi para ele ficar mais um pouco, ele concordou, esqueceu por alguns dias dessa ideia, mas rapidamente lembrou – se novamente disto. Seu pai já falou com ele também. Minha mãe, a sua... não tem o que fazer agora. Cá estamos e vamos ficar até que eles nos achem.
- Eu sei Camila, mas... E os meus pais? Como eles ficam? Minha mão deve estar preocupada com o que está acontecendo. 
- Eu sei Artur. Faz assim: Vamos para o lugar que decidimos dormir hoje, aí amanhã você liga para eles dizendo que está tudo bem, pode ser? 
- Pode...
**********
Carina estava apreensiva. Tony havia caminhado por todo o bairro procurando pelo filho e não encontrou nenhum vestígio dele, nem da namorada. Íris se encontrava em desespero, faltava pouco para ela e sua família seguirem rumo ao sítio em que morariam. Carlos não aparentava, mas a raiva dominava seu corpo. Como sua filha poderia fugir? Ele já havia conversado com ela sobre o assunto e a mesma aceitou. E se ela estivesse correndo perigo? Mesmo que estivesse na presença de Artur, garoto em que confiava, os dois eram jovens, corriam perigo se ficassem durante a noite na rua. 
Os pais dos jovens não tinham alternativas, não podiam ligar para a polícia, pois ainda era muito recente a fuga, junto ao fato de que não havia anoitecido. Não tinham nada a fazer a não ser esperar. Haviam passado todo a tarde procurando pelos filhos, porém nada encontraram. 
**********
- Camila, aquele ali não é o Jorge da escola? 
- Qual Jorge?
- O nosso colega de classe.
- Não consigo identificar. Espera. Se esconde. É ele mesmo. O que ele está fazendo aqui logo hoje? Ele mora perto de nossas casas, quer dizer, da sua casa e da casa que é minha pelo menos até hoje... 
- Não sei
- Porque ele está olhando para cá? Não! – Camila não conseguiu segurar sua reação ao perceber os Jorge com os olhos atentos neles -. Ele nos viu. Vamos nos complicar. Ele vai acabar contando para nossos pais caso saiba de algo.
- É... não quero te desanimar não, mas, a família dele é bem amiga de nossas famílias e acho que o bairro já deve estar comentando o que aconteceu, você sabe como é... Ele com certeza vai contar.
- Eu não acredito que fiquei 2 semanas inteiras só dentro do meu quarto praticamente, demonstrando tristeza e tentando disfarçar de todas as maneiras o que havíamos planejado, para um garoto da nossa sala nos ver e depois sair comentando. Ainda mais eu "boca aberta" do jeito que sou, imagina como foi difícil não deixar escapar uma vírgula sequer do que iria ocorrer?
Artur não conseguiu conter a risada. Camila estava furiosa na sua frente. O garoto abraçou a namorada como se fosse o último abraço e a beijou, um beijo sincero, que demonstrava o sentimento que sentia por aquela menina. Camila retribuiu o carinho e disse:
- Eu te amo! Não quero ficar longe de você.
- Eu também te amo! Prometo ficar ao seu lado sempre que precisar.
- Não prometa em vão por favor. Você sabe, se eu for embora nada será igual se eu for embora. 
- Não! Você não vai embora. E sim... eu prometo. – Artur prometeu para Camila, mesmo que soubesse que aquela promessa pudesse se desfazer a qualquer momento caso a intenção da fuga não se concretizasse como esperado -.
Os dois continuaram procurando um lugar para se estabelecer, quando avistaram um galpão velho, cheio de sucatas. Decidiram ficar por ali mesmo. Anoiteceu. O casal dormiu, esperando que o outro dia fosse diferente e que os dois não fossem separados por uma mudança. Mas aquilo talvez fosse apenas um desejo e não a realidade.
********
- Bom dia! Central de atendimento policial, o que gostaria?
- Bom dia! Ontem meu filho e sua namorada de 15 anos fugiram depois do horário normal de almoço e não foram mais avistados. Ligamos ontem na central e nos informaram que nada poderia ser feito porque a fuga era recente.
- Existe um motivo para a fuga?
- Sim. A namorada do meu filho iria se mudar para outra cidade com sua família e não estava satisfeita com isso.
- Entendido. Encaminharei uma viatura para o local, dessa forma vocês poderão passar melhor as informações para quem ficar encarregado da busca. Qual o endereço?
- Próximo à praça central da cidade. A praça do coreto. Estarei esperando ali mesmo.
- Tudo bem. A viatura será encaminhada. 
- Obrigado. Tenha um bom dia.
Tony desligou o telefone e seguiu para a praça. A viatura chegou após alguns minutos. Carlos encontrava – se na praça também e junto com o amigo passou as informações dos jovens para os policiais.
- Mãe, olha o Sr. Tony ali! Vamos falar com ele. – Falou Jorge para sua mãe, Julia. 
- Vamos. Será que ele já encontrou o Artur e a Camila?
- Não sei... – Jorge lembrou – se de ter visto os dois -.
- Bom dia Tony. Bom dia Carlos, não havia lhe visto. Encontraram algum vestígio de onde seus filhos estão?
- Infelizmente não Julia. 
- Se precisarem de algo vocês sabem onde minha casa fica.
- Obrigado! – Responderam os dois amigos juntos -.
- Mãe! – Jorge chamou sua mãe e cochichou em seu ouvido -.
- Filho, isso é muito sério! Você tem certeza?
- Tenho mãe... eu vi eles ontem à noite. Lá perto daquele galpão velho naquele bairro distante daqui.
- Quem você viu Jorge? – Perguntou Tony para o menino -.
- O Artur e a Camila. Nós estávamos na casa de uma tia, ai quando voltamos para o carro passamos de frente à um beco. Tinham algumas caixas e velharias jogadas lá. Vi que a Camila estava apressada. Fiquei observando, foi quando o Artur percebeu minha presença. Eles correram e se esconderam atrás de umas caixas, mas eu já havia percebido. Foi perto do galpão velho onde os mendigos ficam normalmente naquele bairro que fica longe daqui, se não me engano.
- Você tem certeza disso jovem? – Questionou o policial que estava na ouvindo a conversa ao lado -.
- Tenho sim. 
- Sr. Tony, nós vamos às buscas então. Caso encontremos algo avisamos.
Os policiais saíram em busca do jovem casal. Tony e Carlos agradeceram ao garoto, Jorge, e à sua mãe, Julia pelas informações e logo depois foram para suas respectivas casas avisar às esposas dos últimos acontecimentos. Carlos chegou em sua casa, porém não encontrou Íris, ela havia ido para a casa de Carina, então o homem foi para lá. Quando chegou, Tony já tinha contado o ocorrido. Carina e Íris estavam chorando muito. Tinham medo de que suas "pequenas crianças" passassem por situações constrangedoras e perigosas.
**********
Camila acordou Artur. A claridade dentro do galpão era evidente. Artur levou um tempo para processar onde estava, mas quando lembrou de tudo o que fez no dia anterior acabou se assustando com a invasão dos policiais dentro do galpão. Camila pegou sua mochila e Artur pegou a dele e os dois saíram correndo em direção à uma porta que ficava na parte dos fundos do galpão. Os policiais avistaram os dois fugindo do galpão e correram atrás dos jovens, mas os dois conseguiram escapar. O casal se escondeu num pequeno matagal perto do lugar, mas ao sair em direção à rua que ficava do outro lado se depararam com a viatura policial que conseguiu alcançar os dois. Ambos relutaram, não tinham como objetivo voltar para a casa naquele momento. Os policiais pediram para que eles entrassem na viatura. Camila tentou escapar na hora de entrar na viatura, mas não obteve sucesso. 
As famílias de Artur e Camila ao receberem notícias dos filhos foram para a praça esperar que a viatura chegasse. Quando a viatura chegou e os jovens desceram da mesma, Carina e Íris puseram – se em prantos, mas desta vez, de alegria. Apesar dos filhos terem ficado apenas uma noite fora de casa praticamente, para elas parecia uma eternidade. Tony também emitiu emoção ao deixar algumas lágrimas cair. Entretanto, essa emoção devido à felicidade do reencontro, não foi ação de todos, pois Carlos, ao ver a filha, demonstrou a fúria que sentiu durante a fuga da filha. 
- Camila! Vá direto para a casa! Troque de roupa. Suas coisas já estão no carro. Assim que você sair nós vamos embora. Você apenas atrasou nossa mudança.
- Pai... Eu não quero ir! Eu não vou! 
- É... Senhores, já cumprimos com nosso trabalho. Os dois estão bem. Espero que não ocasionem – se mais problemas. Vamos indo agora. – Disse o policial encarregado do caso -.
- Muito obrigado! – Respondeu Tony em tom cordial -.
Os policiais foram embora, mas a situação não se tornou apaziguada. Carlos e Camila começaram a discutir na praça.
- Você vai sim! Eu mando em você enquanto morar na minha casa, ou melhor, enquanto você for menor de idade. Eu que te dei comida e tudo o que tem hoje, então sim, você vai. Você obedece às minhas ordens!
- Por isso que eu fugi. Eu não aguento mais você! Você deveria ter me consultado antes de decidir se mudar. Eu não sou obrigada a ir a lugar nenhum. Minha vida é aqui. 
- Não! Sua vida é onde eu for. 
- Vamos ver até quando!
- Vá agora para casa, tome um banho. Vou preparar tudo para irmos embora o mais rápido possível.
- Carlos, você está muito nervoso. Porque não espera mais um pouco para ir? Fique mais alguns dias. Se quiser também, nós podemos ficar com a Camila, ela é minha afilhada, é da família, não tem problema algum.
- Isso pai. Escuta a tia Carina. 
- Não. Vá Camila. Você já me fez passar muita vergonha.
Alguns vizinhos escutaram a discussão e presenciaram o ocorrido. Tony preferiu ficar quieto para não ter problemas com o amigo. Artur tentou argumentar, mas foi proibido pela mãe e teve de ir para a casa. Quanto à Íris, ficou chorando durante todo o tempo. Não queria que sua filha discutisse com o pai.
**********
Carlos ligou o carro. Gritou Camila e a mãe. Camila saiu amparada pela mãe, que trancou a porta da casa que ficaram por tanto tempo e foi em direção ao carro junto à filha. Artur observou da janela o que acontecia. Quando viu a namorada saindo correu. Tony e Carina saíram para se despedir. Ao ver o namorado, Camila tentou abraça–lo, mas o pai não autorizou e a colocou praticamente à força dentro do carro. Carina e Tony se despediram. Artur relutou para falar com Camila, mas foi vetado. Íris abraçou Carina e Tony e agradeceu por tudo, porém foi apressada pelo marido. Ambos entraram no carro, Carlos arrancou com o mesmo e eles se foram. Aquela família não pertencia mais aquele lugar, ali não era mais o ninho aconchegante da família. Eles estavam seguindo um novo rumo. Um novo trilho da vida. Artur apenas observou chorando sua namorada ir embora. Ela olhava pela janela, chorando, enquanto pensava em deixar seu companheiro, e ele chorava pensando em todos os momentos que viveram juntos desde pequenos. Todas as festas, os momentos escolares, as brincadeiras, tudo era relembrado. Mesmo pensando em tudo isso, o casal tinha em mente que o tempo que viveram juntos foi alegre e acolhedor. Infelizmente o ato rebelde gerou uma consequência, o ato consequente não foi bom para todos, mas talvez a vida ainda "pregasse peças", talvez o destino pudesse ajudar, mas era evidente, os trilhos da vida caminhavam em direções opostas naquele momento, uma hora poderiam se encontrar, ou não. Ninguém sabia ao certo o que aconteceria, mas todos sabiam que um dia um ciclo da vida se fecharia, e esse momento era um deles. Um ciclo se fechava e consequentemente outro se iniciava, talvez fosse bom ou ruim, mas uma hora ele se fecharia também e outro surgiria, e assim por diante.



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