História Triplets - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camren, Intersexualidade, Lauren Jauregui
Exibições 1.442
Palavras 3.167
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quando for indicado, coloquem para tocar I Shall Believe da Sheryl Crow.

Capítulo 15 - Eu acreditarei


POV LAUREN

Eu precisava de um guindaste para me ajudar a me virar sobre a cama. Cada partezinha do meu corpo doía e eu praguejei aos quatro ventos por nunca ter feito uma aula sequer de defesa pessoal. Depois do meu colapso no meio da recepção, as enfermeiras e os médicos me trouxeram para o quarto. Aparentemente, eu tirei a sorte grande por não ter quebrado nada e por não ter tido hemorragia interna. Era a forma sútil deles dizerem: Lauren, você apanhou para caramba, mas foi só isso mesmo. Apesar de nada de mais grave ter acontecido comigo, a dor era grande eu sentia como se estivessem enfiando mil agulhas na minha pele.  

— Lauren Michelle Jauregui Morgado!! – A porta foi parar na janela e uma Clara furiosa entrou no quarto. Acompanhando-a, estavam meu pai e Taylor.

— Ei, família. Vocês não queriam me ver tanto nesse hospital? Pois bem...

— Sem gracinhas, Michelle! – Meu pai me repreendeu. – Queríamos como uma médica, não como uma pessoa que é estúpida o suficiente para entrar na casa de um criminoso em série e apanhar por isso. – Michael Jauregui, senhoras e senhores. Nada de “parabéns, Lauren”. O dia que eu conseguir o reconhecimento do meu pai por alguma coisa, vai chover canivetes do céu.

— Você estava tentando se matar, Lauren? Eu e seu pai quase morremos quando seus irmãos ligaram nos contando o que tinha acontecido. Por Deus, você é estúpida?

— Sou, mas só porque não fiz aula de defesa pessoal. De resto, não me arrependo de nada. Eram crianças, mãe. Crianças... – Bufei.

— Você não pode ficar brava por eu estar brava, Lauren! Você é minha filha, como quer que eu reaja? Eu fiquei apavorada pensando que algo pior estivesse acontecido. Olha só para você... Toda machucada! Que ideia, filha... – Clara disse e se aproximou para me abraçar.

— Devagar, mãe, eu estou um pouco dolorida ainda.

— Vou pedir permissão para eu e seu pai cuidarmos de você. Olha só, isso vai inchar ainda mais, Lauren... – Disse apontando para minha boca.

— Não, não precisa. Taylor e Chris sempre passam por aqui quando podem, e vocês mais do que ninguém, sabem que o corpo médico inteiro desse hospital é competente.

— Sempre teimosa, Michelle. Não sei para quem você puxou, pois para mim e sua mãe é que não foi.

— Pai, pega leve. – Taylor interferiu, tentando me ajudar.

— Eu estou orgulhosa, Lauren, apesar de tudo. Mas eu mesma vou te socar se você me aprontar uma dessas de novo. Eu amo você, estrelinha! – Corei ao ouvir o apelido carinhoso pelo qual minha mãe me chamava desde que era pequena. – Não importa sua idade, eu sempre vou querer cuidar e proteger você. – Disse depositando um beijo na minha cabeça.

— Vocês podem voltar mais tarde, vamos dar o coquetel de remédios para Lauren agora e ela inevitavelmente vai cair no sono. – Mamãe me deu mais um abraço, meu pai se limitou a acenar com a cabeça, dar dois tapinhas no meu ombro e saiu do quarto.

— E você, não vai me insultar, não? É seu esporte preferido nesses últimos dias. – Provoquei Taylor.

— Você é uma estúpida, Lauren. Mas é a estúpida que eu mais amo nesse mundo. Quando se recuperar, eu mesma vou dar um belo chute nessa sua bunda branca. – Dei um sorriso leve para minha irmã.

— Lauren? – Minha mãe chamou.

— Sim?

— Você teria ido atrás dessas crianças se um deles não fosse o filho da sua ex-namorada?

Não era uma pergunta retórica, mas não respondi. Não precisava...

***

POV CAMILA

Depois de Alycia e Noah, Lucca recebeu todo o amor do mundo de Dinah, Normani, Sofia e de meus pais. Parecia que uma festa estava rolando no quarto, não demoraria para as enfermeiras virem nos dar um puxão de orelha. Eu não queria sair de lá, muito menos ficar longe dos meus filhos, mas precisava ver se Lauren estava bem. Precisava agradecê-la.

— Ela já acordou? – Perguntei para Nara, que estava me acompanhando até o quarto de Lauren.

— Já sim. Dormiu a tarde toda por causa dos remédios. O outro coquetel é só no começo da madrugada, então acredito que ela vá ficar bem acordada até lá. Talvez um pouquinho mole, mas de olhos bem abertos. – Disse parando na frente de uma porta. – Bem, é aqui. Pode entrar.

— Você não quer me anunciar?

— Não precisa. Você disse que vocês são amigas, né? – Assenti tensa com a cabeça. – Então, é só entrar...

E foi o que fiz. Girei a maçaneta com cuidado e entrei. Quando meus olhos pararam sobre Lauren, meu coração se apertou. Seu rosto estava inteirinho machucado. Seus olhos estavam roxos e um pouco inchados, sua boca e as maças do rosto, inchadas e roxeadas também. Acima da sobrancelha direita havia um corte com pontos.

Ela encarava o teto, parecendo perdida em pensamentos. Provavelmente nem me ouviu entrar. Aproximei-me de sua cama com cuidado.

— Ei! Como você está, heroína? – Vagarosamente, ela abaixou seu olhar e me encarou.

— Estou ótima, como pode ver. Parece que a carreira no UFC não é para mim. – Respondeu no seu jeito típico de ser Lauren, debochada e fazendo gracinhas. Claramente irmã de Chris.

— Estou falando sério, Lauren. Eu fiquei realmente preocupada quando soube o que você tinha feito. Olha só como você está machucada... Por Deus!

— Não foi nada demais, você deveria ter visto como o outro cara ficou.

Fiquei em silêncio. Não por ela ter mencionado o abusador, mas por medo de que ele não tivesse o julgamento que merecia.

— Ei, desculpa. Eu não qui-

— Não, não é isso. – Interrompi. – É só que... Eu queria mais do que tudo vê-lo preso.

— E ele será, pode acreditar. Não tem como escapar da morte e da justiça na mesma vez. Paul terá o que merece.

Eu não queria ter escutado o nome dele. Afinal de contas, ele tinha uma identidade, uma vida. Aquilo significava que ele era uma pessoa, um ser humano, e pensar que foi capaz de fazer todas aquelas coisas... Eu apenas desejava que ele permanecesse anônimo.

— Escapar da morte?

— Oh, sim... Ele levou um tiro no momento em que fazia essas pinturas pelo meu rosto. Infelizmente, não foi fatal. Ele está no hospital do outro lado da cidade, esperando receber alta e então será imediatamente encaminhado para uma cadeia e aguardará julgamento.

Dei um suspiro longo.

— Eu sinto muito, Lauren. Eu sei que você pode não acreditar depois da nossa última conversa, mas eu fiquei mesmo preocupada e me dói o coração ver você nesse estado.

— Lucca está bem, não está? – Assenti. – Então, não se preocupe.

Sentei na beirada da cama e peguei sua mão esquerda entre as minhas.

— Você se importa se eu te fizer algumas perguntas?

— Vá em frente, jornalista...

— Não, não desse jeito. Quero conversar como... como amigas.

— Tudo bem, estou ouvindo. – Respondeu simplesmente.

— Como... como você descobriu?

— No dia que eu vim conversar com você e te fiz relembrar do caso, eu sabia que estava deixando passar alguma coisa muito importante.  E então, eu juntei as peças do que você me disse e descobri um caminho a seguir.

— Que era?

— Paul foi repetidamente abusado e enforcado quando criança por seu pai alcoólatra, Camila. Ele tinha entre 7 e 12 anos e em todas as vezes, chegava ao hospital com um laço azul enrolado no pescoço. Ele também morava na área norte de Miami. De vítima, virou o agressor.

Merda! Eu estava uma confusão por dentro. Eu queria sentir raiva, queria odiá-lo, mas ao mesmo tempo me sentia mal por ele. O homem era abusado dentro da própria casa, onde supostamente deveríamos nos sentir protegidos. Que porra era aquela?

— Não faça isso. – Lauren advertiu.

— Isso o que?

— Tentar racionalizar o que você sente, ou achar que é sua obrigação perdoa-lo já que ele teve uma infância terrível. Não vá por esse caminho, por favor. Nossa vida é uma estrada cheia de escolhas e nem sempre fazemos as melhores. Está tudo bem em odiar Paul, afinal ele sequestrou o seu filho e quis infligir em seis garotos o mesmo tipo de sofrimento pelo qual ele passou décadas atrás. Não somos perfeitos, Camila, não temos todas as respostas ou soluções. E... bem, está tudo bem.

Fiquei longos minutos encarando Lauren. Ainda absorvia suas palavras, mas não era aquilo que me chamava atenção. Era a forma como ela disse. Seus olhos pareciam distantes. Não soava nem um pouco com a Lauren distraída e leve que eu conhecia, ou a Lauren debochada de poucos minutos atrás. Era... diferente. Diferente de um jeito que me apavorava.

— Você acha que se eu disser que estou usando uma máscara, as pessoas vão acreditar? O problema é se elas quiserem comprar uma igual, né? – Lauren tentava mudar o assunto. Então, entendi o que estava acontecendo.

PLAY NA MÚSICA I SHALL BELIEVE DA SHERYL CROW 

— Para com isso. – Falei, dando um aperto na sua mão.

— Isso o que? – Me imitou.

— De levantar barreiras. Eu te conheço, Lauren. Apesar de quase dez anos, eu ainda te conheço, ou pelo menos ainda sei ler os seus sinais. Quando entrei aqui e você me respondeu toda debochada, eu agradeci por um momento por você ser a mesma pessoa que conheci quando tinha 17 anos. Você sempre transmitiu leveza por onde passou, estava sempre com um sorriso no rosto... Mas algo não se encaixava. Hoje, seus olhos não estavam em sintonia com o resto do seu corpo, havia uma contradição. Eu sei que desde que nos revemos, nossas conversas não têm acabado bem. Mas, por favor, você pode confiar em mim. Você pode me contar o que te atormenta. Eu quero te ajudar, ta bom? Por Deus! Você salvou meu filho, Lauren! Eu nunca vou saber como te agradecer por isso, então, por favor, deixe-me ajuda-la.

— Você está delirando, Camila. Eu estou bem, perfeitamente bem. Obrigada por se preocupar, mas eu quero ficar sozinha agora.

— Tudo bem, eu não vou te pressionar, mas não me peça para ir embora. Eu posso... Posso pelo menos fazer companhia para você?

Lauren deu de ombros e voltou seu olhar para a janela. Eu ainda estava segurando sua mão, e me permiti fazer um leve carinho com o polegar nela. Ficamos assim, em silêncio, não sei por quanto tempo. Até que senti o corpo de Lauren tremer do meu lado e voltei meu olhar para seu rosto. Ela tentava, inutilmente, segurar as lágrimas.

— Lauren, vem cá. – Chamei-a, mas ela empurrou minha mão e chacoalhou forte a cabeça, em forma de negativa.

Eu não era mais forte que Lauren, mas naquela situação, com ela debilitada, consegui puxá-la contra meu peito e a abracei. Ela se agarrou contra o colarinho da minha blusa e chorou alto. Um choro sofrido e engasgado. Tinha tanta dor naquelas lágrimas, tanta vulnerabilidade. Era como se Lauren estivesse despindo sua alma para mim.

— Isso tudo é tão fodido, Camila. Esse mundo, as pessoas, a vida... Tudo é tão, tão errado. E eu não consigo ajudar, eu não consegui salvar os outros garotos. Quantas outras pessoas estão por aí fazendo promessas para serem resgatadas dos seus demônios? Eu sou uma só, eu não consigo. Merda! – Disse com a voz entrecortada por soluços. Num ato automático, apertei mais seu corpo contra o meu e deixei um beijo na sua têmpora. Ver Lauren naquele estado era algo novo para mim.

— Sabe o que é pior? Se Lucca não tivesse sido levado e se ele não fosse o seu filho, todos os outros garotos iriam morrer. Eu vi a notícia no jornal semana passada, Camila. Fiquei aterrorizada, mas sabe o que eu fiz? Nada! Não fiz nada porque eu não os conhecia. Quando a situação ficou próxima de mim, eu só quis poder trazer Lucca de volta. O quão errado é isso? Quão errado é tomarmos atitude apenas quando é no nosso calo que o sapato aperta? Que porra de gente eu sou? Eles são crianças, merda! E se eu tivesse feito algo no dia em que li a notícia? Talvez Oliver ainda estivesse aqui, talvez Lucca nem tivesse sido sequestrado e vocês não teriam passado por todo esse inferno. Percebe o meu ponto? Eu tinha que ter agido antes, Camila! Eu tenho uma parcela de culpa em toda essa dor e isso está me matando. – Lauren levou as mãos aos seus cabelos da nuca e começou a puxa-los com força.

— Ei, por favor, não se machuque. – Disse segurando em seus braços. Lauren fechou os olhos com força, tentando conter seu choro.

— Quando eu entrei na casa de Paul, encontrei alguém deitado no chão da sala, de costas para onde eu estava. Queria virá-lo para ver quem era, mas quando coloquei minha mão em seu braço, percebi que estava gelado. Era um corpo, um corpo jogado no canto de uma sala, como se não fosse nada. Quando o virei, eu senti como se tivessem enfiado uma faca no meu coração. Era Noah, Camila. O garoto era Noah e ele me encarava com seus olhos abertos. Na verdade, na minha cabeça, aquele era Lucca, porque eu pensei que os dois fossem idênticos e no momento que percebi que era um corpo, minha mente projetou a pior cena possível. Eu só conseguia pensar em você, Alycia e Noah. Em como eu contaria para vocês, como eu explicaria aquela situação... Como eu voltaria para casa sem Lucca. – Senti o ar faltar em meus pulmões com aquele relato. Descansei meu rosto no topo da cabeça de Lauren e apertei forte meus braços em torno dela. Céus, aquilo era um pesadelo!

— Eles estão bem, Laur. Lucca, Alycia e Noah. Um deles está bem graças a você... Por fav – Como se não me escutasse, Lauren continuou falando.

— Depois daquilo, eu me levantei, decidida a ir até o lado de fora e matar Paul com minhas próprias mãos. Eu queria que a última pessoa que ele olhasse antes de morrer, fosse eu. Queria que enxergasse meu ódio e desprezo. Queria que sentisse minha raiva e fúria. Eu iria sentar em seu peito e iria enforca-lo. Iria sentir a vida dele indo embora através dos meus dedos. Eu seria a dona do destino dele, e eu o mandaria para o inferno de forma bem dolorosa. – Ouvir aquelas coisas saindo da boca de Lauren fez com que eu me arrepiasse inteira.

— Mas eu escutei um barulho vindo do que parecia ser um porão, então lembrei que os outros garotos estavam lá. Foi quando desci e encontrei Lucca tendo um ataque de pânico, e outros dois meninos. O garoto que encontrei na sala? Na verdade, aquele era Oliver. – Ela falava rápido, como se atropelasse o próprio pensamento. — E eu me senti mal pela milésima vez naquele dia, porque Lucca estava bem, mas Oliver não e era como se eu estivesse traindo sua memória ao ficar aliviada por ter encontrado Lucca vivo. O que isso faz de mim? – Disse dando um riso amargo. – O que me difere das pessoas que estão fazendo o mal por aí? Eu fracassei. Eu deixei um pedaço de mim naquela casa e eu não consigo recuperar, eu não consigo melhorar. Eu morri um pouco em vida, Camila. Tem coisa pior que isso? – Quando terminou de falar, Lauren voltou a chorar forte sob meus ombros.

Percebe como a vida é engraçada? Lauren era uma das pessoas com o espírito mais tranquilo que eu já tinha conhecido na vida. Se você prestasse atenção, conseguiria ver a sua áurea brilhando nas cores mais bonitas do mundo. E, ainda assim, ali estava ela, quebrada, envolvida numa névoa preta de dor e sofrimento que parecia impossível dissipar. Eu só queria ser capaz de fazer isso parar...

— Lauren, olha para mim. – Pedi segurando seu rosto entre minhas mãos. – Eu fico honrada por ter dividido uma parte da minha vida com você, sabe? Seu coração é gigante, você é bondosa e sua alma... Sua alma é bonita, Lauren. Talvez você nunca tenha percebido isso, mas você tem facilidade para fazer as pessoas se sentirem bem e confortáveis na sua presença, mesmo que elas sejam desconhecidas. Tem esse ar misterioso e debochado que não te abandona nunca. E você se dá 100% em tudo que se dispõe a fazer. É sensível e intensa. Muito intensa. Não desiste nem quando o mundo está contra você. Você é música, Lauren, a que nunca serão capazes de reproduzir... Lembra... Lembra quando te disse isso? Nem uma equipe dos melhores compositores do mundo seria capaz de te escrever. É algo único, só seu. E quem teve ou tem oportunidade de viver com você, pode-se considerar uma pessoa de sorte. – Lauren fechou seus olhos e encostou sua testa na minha.

— Nós temos essa mania de querer carregar a culpa de tudo nas costas. Eu me culpei pelo sequestro de Lucca, assim como Noah e Alycia também se culparam. E isso não é nosso, essa responsabilidade, mas é inevitável. Nós nos ferimos e nos machucamos achando que vamos diminuir a culpa pela dor. Mas é errado, sabe? E eu não digo isso porque não sinto mais culpa, porque esse é um processo longo, mas eu não posso deixar isso me consumir. E nem você pode, tudo bem?  Você é boa, Lauren. Você se sente mal por não poder ajudar ou consertar o mundo, mas quer saber de uma coisa? Você trouxe o meu mundo de volta, você me trouxe o meu Lucca. Eu nunca serei capaz de te agradecer o suficiente ou colocar em palavras o que eu estou sentindo. É algo muito maior que a palavra alivio consegue descrever. Então, por favor, se apegue a essas coisas. As pessoas precisam... Elas precisam do seu brilho.

— É que dói, Camz. Dói como o inferno e eu não consigo fazer passar. – Lauren chorava feito criança e apertava suas mãos no colarinho da minha blusa. Nossas testas ainda estavam encostadas e eu sentia sua respiração descompassada bater contra meu rosto. Estávamos muito próximas.

— Eu prometo que melhora... Foi o que você disse para Alycia, né? Ela me contou... Você estava certa, Laur. Acredite, a dor melhora. – Lauren desviou nossos rostos, enterrou sua cabeça no meu pescoço e me abraçou forte.

— Obrigada por ser como a fonte dos desejos que tem no jardim do hospital, Camz. – Ouvi-la repetir meu apelido fez com que eu sentisse uma sensação estranha, mas era um estranho bom.

— Não compreendi...

— A fonte dos desejos é a representação da esperança para as pessoas que vão até lá fazer pedidos. Obrigada por ter sido a minha fonte hoje.

— Você foi a minha primeiro, quando salvou meu filho. Parece justo, né?

Eu tinha desenterrado tanta coisa dentro de mim com essa conversa e incrivelmente não estava nervosa. Talvez o desespero fosse bater mais tarde, mas no momento aquilo não importava. Eu só queria que Lauren se sentisse bem.

—Camz?

— Sim?

— Diga que tudo ficara bem e eu... Eu acreditarei. Por favor...

— Tudo ficará bem, Laur. – Respondi dando um beijo na sua bochecha e fazendo carinho em seus cabelos.

Eu tinha a estranha sensação de que aquela frase implicava muito mais sentidos do que apenas o daquele momento, mas aquilo não importava. Tudo ficará bem. 



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