História Triplets - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camren, Intersexualidade, Lauren Jauregui
Exibições 1.776
Palavras 5.749
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais uma vez, obrigada a todo mundo que está gostando e compartilhando minha ficzinha por aí. Trouxe um capítulo enorme para vocês, particularmente, é um dos mais amorzinhos de Triplets, acho que vocês vão gostar. Quando for indicado, coloquem para tocar More Than Anyone do Gavin DeGraw. Eu coloquei a letra corrida no meio do texto também, faz toda a diferença e se encaixa muito com o momento. Vou deixar o link da música nas notas finais.
A próxima vez que eu voltar, vai ser com a maratona. Quatro ou cinco capítulos, não sei ao certo ainda. Enfim, espero que gostem desse capítulo. Boa leitura, xoxo

Capítulo 17 - Mais do que ninguém


POV NARRADOR

Um mês e meio havia se passado desde que toda aquela situação acontecera na vida de Camila. Os primeiros dias foram complicados, Lucca não queria voltar para escola ou sair de perto de sua mamá e seus irmãos. Aos poucos, com ajuda de sua família e de sua psicóloga, o garoto retomou a sua rotina, mas os dias ruins ainda existiam. Tinha dias que Lucca se negava a sair de casa para qualquer coisa, de forma que Camila tinha que se virar para encontrar um jeito do garoto não ficar sozinho. A latina continuava repetindo para si mesma que as coisas iriam melhorar. Eventualmente, iriam mesmo.

No seu trabalho, Cabello foi trocada de editoria. Não conseguiria mais trabalhar com investigativo depois do sequestro de seu filho. Largou pelo meio uma apuração grande sobre empresários de Miami e a máfia da gasolina. Basicamente, o preço do combustível em sua cidade era mais caro que no restante do estado da Florida. Sabia que se conseguisse terminar a matéria, teria grandes chances de conseguir um Pulitzer, prêmio mais importante concedido na área do jornalismo. Quando optou pelo jornalismo, o fez em grande parte pelo papel social que gostaria de exercer. Abandonar o investigativo era como trair seus princípios e desejos, mas ela não pagaria para ver novamente. Não ousaria se meter com os grandes empresários de Miami e ter sua família sob perigo outra vez. Amava o seu trabalho, mas amava infinitamente mais os seus filhos. Então, foi movida para cobrir política. Pensou que fosse odiar, mas acabou gostando da editoria. Além do mais, ela ainda continuava com sua coluna sobre cotidiano, então nem tudo estava tão diferente assim.

Para Lauren, as coisas foram mais complicadas. No começo, a mulher teve mais baixos dos que altos, em grande parte porque sua família não percebia que ela não estava bem, e ela também não pedia ajuda. Sempre tinha Camila, mas ela não queria importunar a latina depois do que ela passou com Lucca. Decidiu que uma hora o incômodo e a dor sumiriam. Eles teriam de sumir, certo? Deveras, nas duas últimas semanas ela se sentia melhor. Com muito caminho a ser percorrido ainda, mas melhor. E sobre seu namoro com Hanna? Bem...

FLASHBACK

— O que vai ser, Lauren?

— Como?

— Nós, Lauren. O que vai ser? Nós passamos dias sem nos falarmos. Quando você resolveu responder minha mensagem e marcar uma conversa, a primeira coisa que vejo é que você estava toda machucada. Depois, descubro que bancou a policial heroína e que Lucca na verdade é filho da sua ex-namorada. Então, de novo, o que vai ser? Porque eu não posso ser uma substituta, você não pode me usar para ocupar o lugar de Camila na sua vida. Isso é errado, comigo e com você e apenas não é justo.

— Hanna, eu nunca fiquei com você dessa forma. Nunca quis que você preenchesse o lugar de ninguém na minha vida. Eu só... Eu só não sabia que ainda não tinha superado ela. Eu pensei que tivesse, mas então...

— Eu sempre soube que não estávamos na mesma página no nosso namoro. Quer dizer, quem responde “eu te amo” com “eu também”? Você nunca me disse essas palavras de volta, Lauren... Nunca... Mas eu pensava que poderia amar por nós duas, e que provavelmente um dia, você me amaria de volta...

— Eu sinto muito, Hanna. De verdade. Eu não queria ter magoado você, você é uma pessoa maravilhosa e – Lauren foi interrompida por Hanna.

— Acontece, Lauren. Ninguém nunca está preparado ou quer ter o coração partido, mas acontece. É apenas... a vida. Eu só posso te pedir uma coisa?

— Claro, vá em frente.

— Da próxima vez, pense primeiro em você. Você disse que não queria me magoar, mas tente não SE magoar, ok? Porque lá no fundo, você sabia que eu não era a sua pessoa e que você não me amava, mas ainda assim seguiu em frente. É tipo um efeito dominó, entende? Porque você tinha a escolha de não se magoar, mas eu não. Eu fui consequência sua.

— Hanna, eu – E mais uma vez, fora interrompida.

— Ei, eu não estou brigando com você, tudo bem? Nós já somos bem grandinhas e não precisamos terminar um relacionamento que foi bom, em pé de guerra.

— Você sabe que eu sempre estarei aqui, né? Quero dizer, sempre que você precisar, pode me procurar. Nós éramos amigas antes de tudo, espero que isso permaneça...

— Se um dia eu precisar, pode ter certeza que vou te procurar, Laur. Mas, amigas como éramos antes, aquilo não dá pra recuperar mais. Eu ainda amo você e talvez leve um tempo para esse sentimento passar. Ter que conviver com sua presença só dificultaria as coisas, entende? Então, saber que terminamos bem, é o suficiente.

— Perdão, Hanna. Eu realmente sinto muito...

— Eu sei. Eu também sinto... E Lauren?

— Sim?

— O amor... Um dia, ele te escolherá de volta. Apenas não perca as esperanças, sim?

FIM DO FLASHBACK

Depois que Lauren redescobriu seus sentimentos por Camila, era questão de tempo o término de seu namoro. Após sua conversa com Hanna, sentiu-se mal por dias, não queria ter magoado a loira. Mas, de novo, não dá para controlar o coração.

Foi graças as palavras de sua ex-namorada que ela resolveu não ir até a casa de Camila ver os trigêmeos. Não queria que mais uma pessoa sofresse com sua presença. O que não impediu que ela saísse com eles, claro. Naquele momento, os três eram a única coisa que conseguia manter a mente de Lauren leve e seus pés no chão. Pelo menos duas vezes na semana ela saia com os três e os levava para o parque ou para o shopping. Eram raras as vezes que Camila ia, mas a latina sempre mandava Sofia junto dos trigêmeos. Não que não confiasse em Lauren, mas na rua, queria que mais um par de olhos estivesse sob seus filhos.

Quanto a Jauregui’s, Lauren não fazia mais questão de acompanhar tão de perto os resultados da sua franquia. Tinha pessoas de confiança fazendo isso por ela, então se permitiu, depois de tantos anos, descansar e tentar colocar as ideias no lugar.

E assim, as duas seguiam, cada uma tentando reparar os estragos que a vida tinha feito naqueles últimos meses.

***

POV CAMILA

— Noah, para de pular, eu já vou abrir a porta. – Disse para meu filho assim que chegamos na frente de casa, depois de um dia de escola e trabalho.

— Mamá, é que eu estou muuuito apertado.

— Eu disse pra você não entrar naquela competição de beber água, No. Você nunca me escuta. – Alycia disse para o irmão.

— Competição de beber água? Noah Estrabao Cabello, o que eu preciso fazer para você parar de fazer essas coisas? Apostas, competições... Você precisa deixar essas coisas de lado, filho. Isso faz mal!

— Competição de quem abre a porta mais rápido, você pode vencer essa, mamá. Por faaavor, eu preciso fazer xixi. – Dei a última volta na chave e Noah entrou feito um furacão para dentro de casa.

— E você, Lu? Por que está quietinho? – Perguntei enquanto Lucca e Alycia me acompanhavam até a cozinha.

— Quero te fazer uma surpresa, mamá.

— Ah é? Que tipo de surpresa? – Estava curiosa.

— Nós recebemos nossos testes de matemática hoje. Sabe qual foi minha nota?

— Qual?

— Eu tirei um dez, mamá! – Lucca disse animado.

— Sério? Parabéns! Deixa eu ver o teste, cariño. E você, Lysh?

— Tirei nove, mamá. Eu confundi algumas coisas na última questão. – Disse me estendendo a prova.

— Essas coisas acontecem... Nove é uma excelente nota, Lysh. Parabéns! – Respondi quando pegava o teste de Lucca. – Lu...

— Sim, mamá?

— Isso aqui não é um dez, cariño. É um. Tem uma vírgula depois do número um.

— Daqui de onde eu estou, se parece muito com um dez, mamá! – Meu filho tentou se esquivar.

— Lucca...

O garoto bufou alto antes de me responder.

— Desculpa, mamá. Eu não sei o que aconteceu... Eu fiquei nervoso e não consegui resolver as questões.

— É verdade! – Noah interrompeu antes que eu pudesse falar qualquer coisa. – Nossa, como é bom estar aliviado! E Lucca só tirou um porque pelo menos o nome ele conseguiu escrever certo.

Cariño, porque você não me disse que estava tendo dificuldades com matemática? Eu te ajudaria a estudar. E Noah, agora não é hora de bancar o engraçadinho.

— Mamá, sem querer te deixar triste, você não é a melhor pessoa para ajudar em matemática. Você se confunde até contando carneirinhos. – Disse Alycia.

Tudo bem que Lysh não estava errada, mas não precisava esculhambar também.

— Eu não sabia que estava com dificuldades até a hora do teste, mamá. Eu perdi muita aula depois de – Sua respiração começou a acelerar e vi lágrimas se formando em seus olhinhos.

— Ei, tudo bem, meu amor. Eu não vou brigar com você, todos tiram nota baixa uma vez na vida, é normal. Eu vou arranjar alguém para te ajudar com matemática, ta bom? E se você sentir dificuldade em outra matéria, não hesite em me contar. Isso vale para vocês também, Noah e Alycia. – Lucca assentiu e deixei um beijo no topo da sua cabeça.

— O que é hesitar, mamá? – Noah perguntou.

— É quando você não tem certeza de algo, está com dúvidas. Quando vocês estiverem com dificuldades, não tenham dúvida em vir correndo contar para mim, entendeu? Eu vou ajudá-los, estou aqui para isso, cariños.

— Tuuuudo bem, mamá. Não vamos hesitar. Agora, pega aquele pote de cereal para mim. Eu não consigo alcançar, não cresci o suficiente ainda. – Alycia pediu.

— Mamá também não. – Noah disse baixinho, não prevendo que ainda assim eu o escutaria.

— Você está bem debochado hoje, Noah. – Disse enquanto pegava o pote de ceral para Lysh. – Quero ver se vai continuar rindo quando ficar de castigo. – Óbvio que não iria colocá-lo de castigo apenas por estar sendo engraçadinho, mas queria ver sua reação com essa ameaça.

— Tudo é castigo, mamá. Eu vou ser uma estátua então. – Noah disse emburrado.

— Você não conseguiria ficar parado nem se ganhasse todo estoque de sorvete do mundo, Noah. Aliás... Qual foi sua nota no teste de matemática? – É claro que ele estava tentando me distrair.

— Eu tirei sete, mamá. É uma boa nota, não é?

— É acima da média, cariño. Mas dá para melhorar, não dá? Você quer que eu arrume alguém para te ajudar também?

— Ah, não precisa. Eu só tirei sete porque deixei as três últimas questões em branco. – Noah respondeu descontraído.

— E por que você deixou essas questões em branco?

— Elas eram muito difíceis, mamá. Minha cabecinha estava doendo de tanto pensar. – Eu poderia até acreditar, mas Noah desviou o olhar enquanto falava, e ele só fazia isso quando mentira.

— Noah...

— Hmm... Talvez eu tenha ficado com preguiça? – Noah disse abrindo os bracinhos, como se dissesse “fazer o que?”

— Noah! Não acredito, filho! Promete que não vai mais deixar as coisas pela metade por causa de preguiça? Isso é feio, cariño, e nem combina com você, que sempre tem energia para tantas coisas. 

— Foi só dessa vez, mamá, eu juro. Por favor, não me deixa de castigo por isso. – Pediu juntando as mãos em forma de prece.

— Eu não vou, mas espero que isso não volte a se repetir. Estamos combinados?

— Estamos super combinados. – Disse sentando-se entre Alycia e Lucca na bancada da cozinha.

— O que vocês querem comer? Eu preciso escrever um texto, então só vou fazer a janta mais tarde.

— Eu já estou comendo cereal, mamá. Estou satisfeita... Na verdade, você pode pegar café para mim?

Ainda bem que Alycia era a única dos três que tomava café. Se Lucca ou Noah gostassem, eu provavelmente teria que amarra-los, tamanha era a euforia dos dois.

— Eu quero torrada com geleia de morango, mamá. – Disse Noah.

— E eu quero omelete de presunto. – Disse Lucca.

— Aqui seu café, meu amor. – Disse enquanto depositava a xícara na frente do prato de Alycia. – Vou fazer a omelete e as torradas, cariños. Só um minuto. – Respondi indo em direção aos armários e geladeira para buscar os ingredientes.

— QUE NOJO, LYSH! – Escutei Lucca gritar e tomei um susto, virando-me para ver o que tinha acontecido.

— O que aconteceu? – Perguntei curiosa.

— Alycia jogou o café todo no prato de cereal. – Noah respondeu.

— Ué, qual o problema? Vocês comem com leite puro. Eu prefiro com café. – Respondeu dando de ombros.

— É normal tomar com leite, Lysh. Os Estados Unidos inteiro fazem isso. Ninguém coloca café, além de nojento, é estranho. – Noah rebateu.

— Bem, eu não estou nem aí para os Estados Unidos inteiro. Eles não sabem o que estão perdendo.

— Grossa! – Noah respondeu emburrado.

— Oh, não falei querendo soar mal-educada, No. Prometo. – Disse dando um beijo na bochecha de Noah.

Crianças, pensei. Mas, minhas crianças!

— Aqui a omelete e as torradas. – Falei empurrando os pratos na frente de Lucca e Noah.

— Não vai comer nada, mamá? – Lucca perguntou.

— Agora não, cariño. Vou só tomar meu café mesmo. – Respondi tomando um gole daquela bebida preciosíssima.

— Mamá, será que posso chamar a Lo para ver filme com a gente hoje? – Alycia perguntou.

Lauren estava bem próxima dos meus filhos, o que era bom. As crianças a idolatravam e eu tinha a impressão que depois do sequestro, a presença dos pequenos a ajudava. Vir na minha casa não era um problema, o problema era que Lauren sempre se negava a fazê-lo, e eu não fazia ideia do porquê. Por isso, sempre que algum dos três pedia para eu chama-la, eu tentava arranjar uma desculpa.

— Hoje é sexta-feira, Lysh. É provável que Lauren esteja ocupada.

— É provável também que ela não esteja. Por favor? – Alycia pediu fazendo biquinho.

Certo, não tinha como fugir muito desse pedido. Se eu não conseguia fazer com que Lauren viesse até aqui, talvez Alycia conseguisse.

— Tudo bem, cariño. Liga você então para ela e faz o pedido.

— Jura? – Disse descendo da cadeira e vindo até mim. – Obrigada, mamá! Você é a melhor! – Deu um beijo estalado na minha bochecha enquanto eu lhe entregava meu celular.

Alycia discou o número e segurou o celular contra a orelha. Percebi que estava apreensiva porque minha filha mordia sem parar o lábio inferior.

— Lo? Tudo bem?

Eu devia ter pedido para ela colocar no viva-voz, pelo menos eu saberia para onde a conversa estava indo.

— Ah, eu estou bem também. Eu liguei porque queria saber e você gostaria de vir aqui na minha casa assistir um filme comigo e meus irmãos. Você quer?

— Oh, jura? Você vem mesmo?

Bom, aparentemente Lauren não conseguia negar nada para os trigêmeos.

— Que ótimo, Lo! Você pode chegar às 20 horas então. Estamos muito animados para te receber. – Alycia dizia empolgada.

— Obrigada você por topar assistir filme com a gente. Até mais tarde, Lo. Beijos!

Quando desligou o celular, Alycia se juntou a Noah e Lucca e eles começaram a pular no meio da cozinha, comemorando por Lauren ter aceitado o convite. Eu poderia ficar olhando aquela cena para sempre. Ver a alegria dos meus filhos, aquecia meu coração.

***

— Eu atendo! – Noah gritou assim que a campainha soou.

— Noah, espera! Deixa que a mamá atende, vai que é outra pessoa. Espera lá na sala junto dos seus irmãos. – A verdade é que depois do que aconteceu com Lucca, eu tinha me tornado uma mãe superprotetora, mais do que já era.

Caminhei em direção a porta e abri, dando de cara com Lauren. Ela estava vestindo uma calça preta, coturno preto, uma blusa do The Offspring, que era uma banda que ela gostava, e jaqueta de couro preta.  Por um momento, senti como se estivesse com 17 anos outra vez, pois era exatamente daquele jeito que Lauren se vestia quando estávamos no ensino médio.  Costumava brincar que ela era a “minha noite”, por causa da sua idolatria pela cor preta.

— Posso entrar? – Lauren perguntou com um sorriso fraco. Não percebi que estava encarando-a, o que obviamente me fez corar.

— Claro, desculpe pelos meus modos. – Eu deveria estar muito vermelha. – As crianças estão te esperando na sala, pode entrar. Obrigada por ter aceitado o convite.

Lauren passou por mim assentindo fraco com a cabeça e parou logo em seguida.

— O que foi? – Perguntei.

— Eu não sei onde fica a sala... – Disse sorrindo de leve.

— Oh, perdão, você sabe que eu sou um pouco avoada. Venha, vou te mostrar onde é. – Disse passando na sua frente e guiando o caminho.

Loren! Lo! Lern! – OS trigêmeos gritaram assim que viram Lauren aparecer na sala. Eu nunca me acostumaria com cada um chamando Lauren de um jeito, era muito fofo.

— Ei, anjinhos! Como vocês estão? Estava com saudades! – Lauren disse se ajoelhando e abraçando os três de uma vez.

— Estamos bem, Lern! Que bom que você aceitou assistir filme com a gente. Sexta-feira é noite de filmes aqui em casa, nos divertimos muuuuito! – Noah falou.

— Posso apostar que sim, carinha. – Respondeu bagunçando seus cabelos. – Qual filmes vocês querem assistir?

Ah, ela não fazia ideia de que tinha começado do jeito errado. Os três gritariam qual filme cada um queria assistir e seria dificílimo entrar em consenso. Dito e feito, eles começaram a falar e puxar Lauren pela barra da jaqueta, tentando buscar atenção e aprovação da mulher para escolha do filme.

— Que tal se Lauren escolhesse o filme de hoje? Afinal, ela é a convidada. – Falei e os três pareceram pensar.

— Parece uma boa ideia, mamá. – Lucca disse.

— E se ela tiver um gosto ruim para filme? Nós vamos ficar presos numa chatice por duas horas. – Alycia disse descontraída.

— Eu te garanto que eu tenho um gosto muito bom para filme, Aly. – Lauren respondeu arqueando as sobrancelhas e esboçando um sorriso.

Não acredito que ela estava fazendo uma das suas expressões conquistadoras para minha filha.

— Certo, surpreenda-nos então, Loren!

— Toy Story, que tal?

— Toy o que? Nunca ouvi falar desse filme. – Noah respondeu e Lucca e Alycia confirmaram.

— Como é? Vocês nunca assistiram Toy Story? Camila! – Disse virando-se para mim e me olhando incrédula. – Que tipo de filme essas crianças assistem?

— Não é minha culpa! – Respondi levantando os braços. – Eles preferem assistir filmes de super-heróis. Eu já tentei de tudo para faze-los assistir Procurando Nemo, Rei Leão, Lilo e Stitch... Os três sempre alegam que os X-Men e a Liga da Justiça precisam deles. Como eu devo agir com nessas situações? Ainda mais com as caras de cachorrinho que caiu da mudança que eles fazem... – E aquilo era totalmente verdade. Os únicos filmes que os trigêmeos assistiam, eram os relacionados a super-heróis.

— Você deve permitir, mamá. Nós ajudamos a salvar o mundo! – Noah disse levantando o punho para o alto.

— É claro que vocês ajudam... – Lauren disse sorrindo para eles. – Mas vocês topam mudar um pouco a dinâmica e assistir Toy Story? Eu prometo que é legal e que vocês vão gostar.

— Ok, vamos te dar uma chance, Lern. – Noah disse. –  Mamá, você pode colocar o filme para carregar? Quero mostrar nossa casa para ela antes. – Lauren rapidamente olhou para mim, como se pedisse permissão para visitar os outros cômodos da casa. Balancei a cabeça em afirmação e os trigêmeos saíram arrastando a mulher pela casa.

***

Minha sala era composta por dois sofás, ambos sendo aqueles sofá-cama. Abri os dois, coloquei o filme para carregar, peguei os cobertores e almofadas e fui estourar pipoca. Depois de alguns minutos, os quatro voltaram, entretidos em um papo sobre quem venceria uma luta entre o Arqueiro Verde e o Flash.

— O Arqueiro Verde nunca erra uma flechada, Loren. É claro que ele venceria. – Lucca afirmou.

— E o Flash é apenas a pessoa mais rápida do mundo, carinha. Ele desviaria sem maiores problemas dessa flechada, inclusive sendo capaz de devolvê-la na direção do Arqueiro Verde.

— Nah, você não sabe de nada, Lo. Aqui todos somos Team Flash, você não tem chances nessa discussão. – Lauren apenas riu com a fala de Alycia, uma gargalhada gostosa, em que ela colocou a língua entre os dentes e balançou levemente a cabeça.

— Tudo pronto, mamá? – Noah perguntou.

— Tudo pronto, cariño. Podem se acomodar.

Sentei-me no sofá que ficava no meio da sala e Lauren sentou no que ficava do lado direito. Lucca correu e se deitou em meu colo, enquanto Noah e Alycia deitaram um do lado do outro, com as cabeças no colo de Lauren. Ela não hesitou em levar as mãos até a cabeça dos dois e começou a fazer um cafuné em ambos. Sorri leve para aquela cena, os três estavam encantadores.

— Dá o play, mamá! – Lucca pediu e eu o fiz.

Pelas próximas uma hora e meia, a sala foi tomada por muitas risadas. Os trigêmeos amaram o filme e pediram para Lauren indicar mais. Claro, não é como se eu nunca tivesse tentando convence-los a assistir outros filmes além dos de super-heróis, mas os três estavam tão fascinados com Lauren que assistiriam qualquer coisa que ela sugerisse.

— Mamá, eu quero brinquedos que falam também! – Lucca disse puxando meu queixo, para que eu olhasse para ele.

— Lu, a questão toda é que os brinquedos nunca nos deixam ver que eles falam e andam. É tipo o segredo deles, entende? – Noah falava para o irmão.

— Então eu vou pegar a câmera da mamá e vou deixar ligada e filmando. Eles não vão saber que alguém vai observá-los depois e vão se mexer. – Lucca respondeu confiante no seu plano.

— Bom, vendo desse jeito, parece uma ótima ideia. Eu vou te ajudar! – Noah disse.

— Mamá, empresta o controle. Quero colocar naquela estação de rádio que toca músicas antigas. Lo me disse que ama músicas antigas, talvez toque algo legal.

Estendi o controle na direção de Alycia e ela o pegou das minhas mãos. Ela zapeou pelas estações de rádio, até parar na qual havia falado. Eu quase não acreditei na música que começou a tocar. Só podia ser uma brincadeira do destino, pensei. Contrariando o meu instinto, que me dizia para não olhar para Lauren, eu olhei. E quando olhei, vi que ela me encarava de volta. As memórias foram inevitáveis...

FLASHBACK

PLAY NA MÚSICA MORE THAN ANYONE DO GAVIN DEGRAW

You need a friend
I'll be around
Don't let this end

(Você precisa de um amigo
Estarei por perto
Não deixe isso acabar)

— Lo? Por que está me puxando para minha antiga casa da árvore? Nós mal cabemos lá dentro.

— Agora nós cabemos, Camz. Eu fiz umas pequenas mudanças. Vem, pode subir!

— Você o que? – Foi o tempo de Camila fazer a pergunta e alcançar o topo da casa. De fato, ela estava maior, e o telhado não existia mais.

— Espero que você não fique brava, Camz. Eu tirei o telhado e aumentei as laterais. É melhor olhar para o céu do que para ripas de madeira, não é? – Lauren disse sorrindo debochada.

— Brava? Eu amei, Lauren! Ficou lindo! Por que você fez isso?

Before i see you again
What can I say to convince you to change your mind of me?
(Antes que eu a veja de novo
O que posso dizer pra te convencer a mudar de idéia sobre mim?)

Lauren se aproximou e depositou um selinho demorado na boca de Camila.

— Parece um ótimo cenário para enfeitar a nossa noite. Eu... eu tenho algumas coisas para te dizer, Camz. – Lauren disse enquanto colocava para tocar a música que escolheu para ser trilha sonora da noite. – Queria poder ser capaz de te levar para o lugar mais bonito do mundo. Não sei... Aurora Boreal, talvez?  Como ainda não posso fazer isso, esse céu estrelado, que tantas vezes testemunhou nosso amor, parece a melhor opção.

“Que tantas vezes testemunhou nosso amor” foi a frase que fez o coração de Camila errar várias batidas. Ela e Lauren estavam juntas há cinco meses. As duas, inclusive, perderam a virgindade uma com a outra. Embora soubessem que tinham sentimentos fortes, não achavam que passasse de um gostar intenso. Ou talvez apenas não estivessem preparadas para assumir que tinham encontrado o amor. Não qualquer amor, mas O amor... Aquele que faz as borboletas no estômago aparecerem, que deixa as pernas fracas, que faz as músicas de amor terem sentido, que faz qualquer pequeno gesto ter um significado enorme. Aquele sentimento que preenche seu coração e sua alma de uma forma inexplicável. Não dá para botar em palavras o que era amar, mas, naquela noite, Lauren e Camila desafiaram o impossível e tentariam traduzir o amor.

I'm going to love you more than anyone
I'm going to hold you closer than before
And when I kiss your soul, your body'll be free
I'll be free for you anytime
I'm going to love you more than anyone
(Eu vou te amar mais do que ninguém
Eu vou te abraçar mais forte do que antes
E quando beijar sua alma, seu corpo se libertará
Estarei disponível pra você a qualquer momento
Eu vou te amar mais do que ninguém)

 

— Sabe, Camz – Lauren disse passando o nariz pelo pescoço da latina - Eu coloquei meus sentimentos em um balão, soltei a cordinha e ele voou. Voou para muito alto, muito além das nuvens. Eu disse, retorne apenas se você trouxer o céu com você. E bem, ele voltou...

— Ele te trouxe o céu? – Camila perguntou de olhos fechados, aproveitando o carinho que Lauren fazia em seu pescoço.

— Melhor, ele me trouxe o universo, Camz. – Lauren agora deixava uma trilha de beijos molhados no pescoço da latina. – Tem essa garota, e ela é absurdamente linda. Quando eu olho para ela, eu não sei o que esperar. Eu esqueço quem eu sou e esqueço até o porquê de estar aqui, nesse mundo. Com ela é sempre algo novo, entende? Eu amo essa sensação e é assim que eu quero viver, como se eu estivesse perdida em alguém que eu amo e todo momento que eu passar ao lado dela, é como se eu estivesse esperando por algo inspirador para acontecer.

As mãos de Lauren estavam firmes na cintura de Camila, enquanto as mãos de Camila estavam entrelaçadas no pescoço de Lauren. A garota mais velha agora subia seus beijos e deixava mordiscadas no queixo da latina.

Look in my eyes, what do you see?
Not just the color
Look inside of me
Tell me all you need and I will try
I will try
(Olhe no meus olhos, o que você vê?
Não só a cor
Olhe dentro de mim
Diga-me tudo o que precisar e eu tentarei
Eu tentarei)

— Ela tem os olhos castanhos mais bonitos que eu já vi na minha vida. Depois dela, castanho virou minha cor preferida, mas eu nunca consigo encontrar o castanho dela em lugar nenhum. Por isso, eu tenho o péssimo costume de ficar encarando ela por horas e horas, só para me perder cada vez mais nos seus olhos. – Lauren beijou os olhos de Camila, encostou sua testa na da latina e as duas roçaram seus narizes, num carinho leve e gostoso.

— Seus olhos já viram tantos lugares e seu coração já sentiu tanta coisa, e não importa o que o destino coloca na frente dela, ela vai sorrir para os sentimentos mais sombrios e encontrar significados em tudo que é brilhantemente colorido. – As lágrimas rolavam devagar pelo rosto de Camila, e Lauren não demorou a levar o polegar até as bochechas da garota e pegar todas as gotas que teimavam em cair.

I'm going to love you more than anyone
I'm going to hold you closer than before
And when I kiss your soul, your body'll be free
I'll be free for you anytime
I'm going to love you more than anyone

(Eu vou te amar mais do que ninguém
Eu vou te abraçar mais forte do que antes
E quando beijar sua alma, seu corpo se libertará
Estarei disponível pra você a qualquer momento
Eu vou te amar mais do que ninguém)

— Na sua voz, eu posso ouvir cem anos de música, mil anos de cometas colidindo, milhões de anos de tudo o que pulsa através de sua alma, bilhões de anos de silêncio. Entende? Eu gosto de ouvir o silêncio dela, porque ele é mágico, é especial. Eu sei que quando ela está quietinha, mordendo os lábios e com as mãos embaixo do queixo, a mente maravilhosa dela está bolando mil formas de deixar o mundo um lugar melhor. E eu não sei como é possível, mas eu me apaixono por ela a cada segundo, cada minuto, a cada hora que passa. Eu sinto que meu coração vai explodir fora do peito toda vez que ela toca em mim ou me olha. Sabe quando foi que eu me apaixonei por ela?

— Quando? – Camila sussurrou baixinho.

— Quando ela disse, “Olá, Lauren!”. Naquela pequena frase, o meu coração já era tão dela quanto ele é meu. E sabe quando foi a segunda vez que eu me apaixonei por ela? – Camila respondeu com um som anasalado.

— Nesse mesmo dia, eu perguntei o que ela queria, e eu estava me referindo ao nosso trabalho de história, mas sabe o que ela me respondeu? Ela disse, “eu quero mudar as pessoas, eu quero que elas aprendam a sentir umas às outras. Eu quero que elas entendam a sensação de se encontrar e se perder através dos olhos de alguém que eles não conheçam”. E desde então, a cada pequeno gesto que ela tem, eu me apaixono mais. Eu quero que ela saiba que ela me mudou e que eu aprendi a sentir as outras pessoas. Que eu conheci a sensação de me encontrar e me perder pelos olhos de quem eu não conheço, mas que eu prefiro muito mais me encontrar e me perder nos seus malditos e hipnotizantes olhos castanhos. – Lauren sussurrou a última frase no ouvido de Camila, causando arrepios pelo corpo inteiro da latina. Mordeu e chupou o lóbulo de sua orelha. Cada toque que ela fazia no corpo de Camila era carregado de muito carinho e atenção. Voltou a encarar as grandes órbitas castanhas e segurou o rosto da sua garota entre suas mãos.

Free for you whenever you need
We'll be free together baby, free together baby
(Estarei disponível pra você, quando você precisar
Nós seremos livres juntos querida, livres juntos)

— Seu coração, ele é a melhor parte. Ele sempre vai acalmar a tempestade para aqueles que têm medo até mesmo de uma chuva fininha... É você, Camz! Você é meu universo! É a pessoa com quem eu quero passar o resto da minha vida, com quem eu quero fazer tudo, com quem eu quero dividir meus momentos. É você! Você é essa garota e você é minha garota. Eu não acho que essas palavras serão suficientes para dizer o que eu quero dizer, mas espero ter chegado perto. O meu coração e o meu amor, eles são inteiramente seus. Eu te amo, Camila! Eu te amo muito, te amo com todo meu coração. Sempre e para sempre!

Camila puxou mais Lauren contra si e a beijou. Um beijo lento e calmo, como se fosse o primeiro encontro de suas bocas. Lauren passou sua língua levemente pelos lábios de Camila, pedindo passagem para aprofundar o beijo, o que foi prontamente atendido. A língua das duas se entrelaçaram numa dança particular delas, elas se beijavam como se fossem as únicas pessoas na face da Terra. Nada mais importava, apenas aquele momento e seus dois corpos agarrados se amando.

I'm going to love you more than anyone
I'm going to hold you closer than before
And when I kiss your soul, your body'll be free
I'll be free for you anytime
I'm going to love you more than anyone
(Eu vou te amar mais do que ninguém
Eu vou te abraçar mais forte do que antes
E quando beijar sua alma, seu corpo se libertará
Estarei disponível pra você a qualquer momento
Eu vou te amar mais do que ninguém)

— Lo, eu... Eu não sei nem o que dizer. – Camila falou dando vários selinhos em Lauren. – É a coisa mais perfeita que eu já ouvi alguém me dizer. Eu não me lembro como eu era antes de você e eu não sei nem como chegamos aqui, mas isso é exatamente o que preciso... Alguém que me faça esquecer de onde eu vim e alguém que me faça amar sem medo de cair. O amor em você, é o amor em mim. – Camila alternava entre roçar seu nariz com o de Lauren e depositar selinhos na boca dela. – Eu acho que nós encontramos onde os sonhos nascem. É bem aqui – Disse pousando sua mão no peito esquerdo de Lauren – E junto dos sonhos, nasce o amor. E o nosso amor, Lo, o nosso amor é eterno. Eu estou submersa em você, meu amor, e eu não tenho medo de me afogar, porque eu sei que aqui é onde eu respiro. Suas águas profundas são o único lugar que eu não sinto medo quando nado. Se eu tivesse vivido um milhão de vidas, eu teria me apaixonado um milhão de vezes por você. Eu também te amo, Lauren! Amo em cada toque, em cada beijo, em cada olhar, em cada palavra, em cada respiro, em cada passo... Tudo o que eu faço carrega o meu amor por você. Eu te amo pura e genuinamente e eu vou te amar para sempre. Você sabe o que é sempre, Lauren?  

— Sempre é muito tempo, Camz. – Lauren respondeu sorrindo fraco.

— E ainda não é tempo suficiente para passar ao seu lado, Lo. Minha noite... Eu te amo muito!

— Eu te amo mais, minha estrela! – Lauren disse deixando um beijo na pontinha do nariz de Camila.

— Estrela? – Camila perguntou divertida.

— Sim, estrela. Se eu sou sua noite, você é minha estrela. A noite, por si só, é muito bonita, mas quando ela é estrelada, ela é simplesmente perfeita. São dois inteiros que se completam... Assim como eu e você. Eu vou te amar mais do que ninguém, Camz. Minha Camz!

FIM DO FLASHBACK

Aquela foi a noite em que eu e Lauren nos declaramos uma para a outra. Eu não sabia que era possível amar tanto alguém, além dos meus filhos, da mesma forma que a amei. Eu nem percebi que passamos a música inteira olhando uma para outra, até Alycia interromper nosso estado de lembranças.

— E ai, Lo? Você gostou da música?

— Eu amei, Aly. Na verdade, essa é a minha música preferida. – E assim como naquela noite eu senti meu coração errar várias batidas, eu senti a mesma sensação de novo agora, com Lauren me olhando intensa e profundamente enquanto respondia a pergunta de Alycia.

“Sempre e para sempre”, suas palavras ecoavam na minha mente. Foi inevitável não sorrir... 


Notas Finais


Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=NpIr60WJE7M
Então, o que acharam? xoxo


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...