História Trono de Vidro - Capítulo 5


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Categorias Trono de Vidro
Tags Celaena, Livros, Trono De Vidro
Visualizações 5
Palavras 1.511
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capitulo 5


Celaena afastou alguns fios de cabelo rebeldes que lhe caíam pela face e permitiu que a conduzissem até a clareira. Se quisesse se libertar, teria de passar por Chaol primeiro. Se estivessem sozinhos, talvez ela tentasse fugir, embora as correntes dificultassem o intento; mas com um grupo de guardas treinados para matar sem hesitar...

Chaol se manteve perto de Celaena enquanto a fogueira era acesa e a comida era retirada das caixas e dos sacos de suprimento. Os soldados rolaram toras para fazer pequenos círculos onde se sentavam enquanto os companheiros mexiam e fritavam a comida. Os cães do príncipe herdeiro, que tinham seguido fielmente o dono, aproximaram-se da assassina e se deitaram aos seus pés, com as caudas batendo. Pelo menos alguém apreciava a companhia de Celaena.

A assassina, que já estava faminta quando a comida finalmente foi trazida, irritou-se ainda mais com a demora do capitão em remover os grilhões. Após lançar um longo olhar de aviso na direção dela, Chaol abriu as algemas e prendeu-as nos calcanhares de Celaena. Ela revirou os olhos enquanto levava um pouco de carne à boca, mastigando devagar. A última coisa de que precisava era passar mal na frente deles. Enquanto os soldados conversavam entre si, começou a prestar atenção nos arredores. Celaena e Chaol sentavam-se junto a cinco soldados. O príncipe, é claro, sentava-se com Perrington em cima de tocos, longe dela. Dorian fora arrogante e parecera divertir-se levianamente na noite anterior, mas agora exibia uma expressão grave enquanto conversava com o duque. O corpo inteiro do príncipe parecia tenso, e Celaena não deixou de notar o modo como ele trincava os dentes quando Perrington falava. Qualquer que fosse a relação entre os dois, não era cordial.

Enquanto mastigava, Celaena desviou a atenção para as árvores que os cercavam. A floresta se aquietara. As orelhas dos cães negros estavam erguidas, embora eles não parecessem incomodados com o silêncio. Até os soldados estavam quietos. O coração de Celaena bateu mais forte. A floresta era diferente ali.

As folhas pendiam feito joias: gotinhas de rubi, pérola, topázio, ametista, esmeralda e granada; e um tapete dessas riquezas recobria o chão em volta deles.

Apesar dos estragos das guerras de conquista, aquela parte da floresta de Carvalhal permanecia imaculada. E o lugar ainda reverberava com os resíduos do poder que outrora dera às árvores sua beleza sobrenatural.

Celaena tinha apenas 8 anos quando Arobynn Hamel, seu mentor e o rei dos Assassinos, a encontrara semissubmersa na margem de um rio congelado, levando-a para seu forte na fronteira entre Adarlan e Terrasen. Enquanto a treinava para se tornar sua assassina mais leal e competente, Arobynn jamais permitira que Celaena voltasse para seu lar em Terrasen. Mas ela ainda se lembrava da beleza do mundo antes que o rei de Adarlan ordenasse que a maior parte dele fosse queimada. Agora não havia mais nada lá para Celaena e jamais haveria. Arobynn nunca dissera isso em voz alta, mas se ela tivesse recusado sua oferta para treiná-la, ele a teria entregue para os que a desejavam morta. Ou pior.

Celaena acabara de ficar órfã e mesmo com 8 anos já sabia que uma vida com Arobynn, com um nome novo que ninguém reconheceria – mas que algum dia todos temeriam – significava uma chance de recomeçar. De escapar do destino que a forçara a pular no rio gelado aquela noite, dez anos atrás.

— Floresta maldita... — rosnou um soldado de pele cor de oliva. Um soldado atrás dele deu uma risadinha. — Quando mais cedo queimarem isto, melhor.

Os outros soldados assentiram, e Celaena enrijeceu.

— Isto está cheio de ódio — comentou outro soldado.

— E o que vocês esperavam? — interrompeu Celaena. A mão de Chaol pousou rapidamente no cabo da espada, e os soldados se voltaram para ela, alguns deles fazendo caretas de pouco caso. — Esta floresta não é igual às outras. — Ela apontou para as árvores com o garfo. — É a floresta de Brannon.

— Meu pai me dizia que esta floresta era cheia de fadas — disse um soldado. — Mas todas sumiram.

— Junto com os malditos feéricos — respondeu outro soldado, após morder uma maçã.

— Nós nos livramos deles, não foi? — perguntou um terceiro.

— Cuidado com a língua — repreendeu Celaena. — O rei Brannon era do povo feérico, e Carvalhal ainda é dele. Eu não me surpreenderia se as árvores ainda se lembrassem dele.

Os soldados riram.

— Essas árvores teriam de ter uns dois mil anos de idade! — disse um deles.

— Feéricos são imortais — respondeu ela.

— Mas as árvores não são.

Irritada, Celaena balançou a cabeça e comeu outro bocado.

— O que você sabe sobre a floresta? — perguntou Chaol, serenamente.

Será que estava zombando dela? Os soldados se inclinaram para a frente, prontos para rir. Mas os olhos castanhos do capitão mostravam mera curiosidade.

Celaena engoliu a carne.

— Antes de Adarlan iniciar a conquista, esta floresta estava imersa em magia — respondeu ela em voz baixa, mas não de maneira servil.

Chaol esperou que Celaena continuasse, mas ela nada disse.

— E...? — insistiu ele.

— E isso é tudo o que eu sei — respondeu ela, sustentando o olhar de Chaol.

Desapontados, os soldados voltaram a se concentrar na refeição.

Celaena estava mentindo, e Chaol sabia disso. Ela sabia bastante sobre a floresta, sabia que os moradores dali eram do povo das fadas: gnomos, duendes, ninfas, goblins, mais nomes do que era possível enumerar ou lembrar. Todos governados por seus primos antropoides maiores, os imortais feéricos – os habitantes e colonizadores originais do continente, os seres mais antigos de Erilea.

Com a corrupção crescente de Adarlan e a campanha do rei para caçá-los e executá-los, as fadas e os feéricos fugiram, procurando abrigo nos lugares intocados e ermos do mundo. O rei de Adarlan proscrevera tudo: magia, feéricos e fadas; e removera os vestígios tão completamente que mesmo os que a carregavam no sangue chegavam a crer que a magia jamais existira e a própria Celaena era um exemplo disso. O rei dissera que a magia era uma afronta à Deusa e a seus deuses; que manipular magia era uma imitação impertinente dos poderes divinos. Embora o rei tivesse proibido a magia, a maioria das pessoas sabia da verdade: um mês após a proclamação, a magia desaparecera completamente, por conta própria. Talvez tivesse antecipado os horrores que se seguiriam.

Celaena ainda sentia o cheiro das queimadas que se alastraram durante seu oitavo e nono anos de vida. O cheiro de livros queimando, repletos de conhecimento antigo, insubstituível, os gritos de videntes e curandeiros sendo consumidos pelas chamas, as fachadas e locais sagrados demolidos, conspurcados e apagados da história. Muitos dos usuários de magia que não foram queimados terminaram como prisioneiros em Endovier, e a maioria não sobreviveu lá. Já fazia tempo desde a última vez que Celaena contemplara os dons que perdera, embora a memória de suas habilidades assombrasse seus sonhos. Apesar da carnificina, talvez tivesse sido bom que a magia desaparecesse. Era algo perigoso demais para as pessoas sãs controlarem; e seus talentos talvez já a tivessem destruído àquela altura da vida.

A fumaça da fogueira fazia arder os olhos enquanto Celaena mastigava. Jamais esquecera as histórias sobre a floresta de Carvalhal, lendas de clareiras sombrias e terríveis, fontes profundas e serenas e cavernas cheias de luz e canto celestial. Mas aquilo agora eram apenas histórias e nada mais. Falar no assunto era procurar problemas.

Ela olhou para a luz do sol que se infiltrava entre as copas, para a maneira como as árvores balançavam ao vento, seus longos braços magros emaranhando-se uns nos outros. Celaena conteve um calafrio.

Por sorte, o almoço acabou logo. As correntes voltaram para seus pulsos, e os cavalos, depois do descanso, voltaram a receber as cargas. As pernas de Celaena estavam tão enrijecidas, que Chaol teve de ajudá-la a subir no cavalo.

Doía cavalgar, e o nariz dela também sofria com o contínuo cheiro de cavalo suado e excremento que vinha da frente do grupo.

O grupo seguiu viagem pelo resto do dia, e a assassina ficou em silêncio enquanto via a floresta passar. A tensão em seu peito recusou-se a abandoná-la até finalmente deixarem a clareira brilhante para trás. O corpo de Celaena doía quando por fim pararam para passar a noite. Ela nem tentou falar durante o jantar, nem se importou quando montaram sua pequena tenda com guardas postados do lado de fora. Celaena teve permissão para dormir, ainda acorrentada a um dos guardas. Teve um sono sem sonhos e ao acordar não conseguiu acreditar no que via.

Pequenas flores brancas tinham sido deixadas ao pé da cama improvisada, e pegadas miúdas como de crianças formavam um rastro para dentro e para fora da tenda. Antes que alguém entrasse, Celaena passou o pé sobre as pegadas, apagando-as, e enfiou as flores em uma sacola próxima.

Embora ninguém tivesse mencionado mais nada sobre fadas pelo resto da viagem, Celaena passou a examinar com afinco o rosto dos soldados para detectar algum sinal de que eles teriam visto algo estranho. Ela passou a maior parte do dia seguinte com as mãos suadas e o coração acelerado, mantendo sempre a atenção nos bosques que passavam.



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