História Troublemaker - Capítulo 41


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Erza Scarlet, Gray Fullbuster, Igneel, Jellal Fernandes, Layla Heartfilia, Lisanna Strauss, Lucy Heartfilia, Michelle Lobster, Natsu Dragneel, Zeref
Tags Nalu
Exibições 847
Palavras 6.196
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oláaaaaaaaaa meus amores!!!
Tudo bem com vocês? *O*

Bom, por aqui não vou enrolar, já que enrolei mto nas notas finais! (Que espero que vocês leiam T.T shsahusah)

Espero muito que gostem do capítulo de hoje, que foi feito com todo o carinho do mundo!

Boa leitura *3*

Capítulo 41 - Noite de Tradições


– O que é isso? – Lucy perguntou curiosa, assim que entreguei um yukata* vermelho em suas mãos, esse que pertencia a Erza. E não, eu não tinha roubado. – Vamos sair?

– Vamos comemorar o ano novo como bons japoneses, Luce. E também… – Não consegui evitar um sorriso, ao lembrar o que diria a seguir. – Você vai conhecer o Gildarts.

Ela pareceu feliz com o que escutou, mais do que eu previa, e ficou admirando o tecido em suas mãos, alisando os pequenos detalhes de flores que havia.

– Meu pai não iria ao templo comigo nem se eu implorasse, e eu nem o culpo, então eu achei que, talvez, você pudesse concordar. – Dei de ombros, tentando parecer um tanto desesperado pra que ela concordasse comigo. É claro que eu entenderia se ela não quisesse, ela estava acostumada com as festas de fim de ano de Nova Iorque, totalmente o oposto do que fazíamos aqui, mas não custava perguntar e tentar convencê-la. – Se não quiser ir, tudo bem… Mas seria legal, você nunca participou disso, e eu adoraria te acompanhar na sua primeira vez. – Tentei ser ainda mais convincente, e ela ponderava cuidadosamente sobre aquele convite.

Lucy mandou um olhar incerto na direção da cozinha, onde Layla preparava o almoço, e depois me olhou da mesma forma.

– Minha mãe já sabe? – Perguntou cuidadosamente.

– Ahn… Não exatamente… – Respondi com uma careta, e Lucy começou a rir.

– Por mim tudo bem ir ao templo com você, mas não posso fugir de casa, você sabe. Minha mãe tem que concordar também. – Ela falou, sorrindo cruelmente, como se estivesse fazendo aquilo de propósito, só para me assistir ir conversar com sua mãe.

Ok. Eu tinha previsto tudo, menos aquilo.

– Injusto, Heartfilia. – Resmunguei, dando-lhe as costas, tanto pra esconder minha careta descontente, quanto para me dirigir até a cozinha. – Mas vou perguntar.

É claro que eu adorava um desafio, e aquele era particularmente complicado, mas eu tinha esperanças que eu me daria bem no final.

Entrei na cozinha como se não quisesse nada e me coloquei ao lado de Layla, observando atentamente o que ela fazia para o almoço. Ela me olhou de esguelha e deu um sorriso de lado, coisa que me deixou com um pouco de frio na barriga, confesso.

– Algo me diz que você quer alguma coisa. – Ela falou, e tentei minha melhor cara de inocência para convencê-la.

– Você sabe que hoje é véspera de ano novo, né Layla? – Perguntei, já preparando terreno para a pergunta principal.

E a observei se divertindo.

– Mas é claro que sei, nós temos um calendário, Natsu. – Respondeu rindo.

Claro, me senti um idiota por soltar aquela pérola, mas nada me abalaria. Eu ainda tinha fortes esperanças.

– É, então… Você sabe que eu não vou passar a noite aqui, né?!

– Não?! – Ela pareceu surpresa ao escutar o que eu disse, e também me surpreendi por ela ainda não saber. Eu já havia avisado meu pai, então imaginava que ele tivesse dito a ela.

– Não. O tio Gildarts voltou pra cidade, e ele vai vir me buscar pra gente participar do hatsumode*.

– Ah, entendi. Faz algum tempo que eu não participo também, acho que me perdi de minhas origens morando tanto tempo fora. – Comentou, e por um momento me bateu um pequeno desespero imaginando que ela iria se convidar para ir junto. Por Kami, qualquer coisa menos isso. – Mas por que está me informando, querido? Problemas com o Igneel? Quer que eu peça a ele pra te deixar ir?

– Ah… Não, Igneel já sabe… Na verdade, eu tô te falando isso pra saber se teria problema em levar Lucy junto… – E assim que Layla me ouviu falando da Lucy, parou de mexer na panela no mesmo segundo só para me observar, e eu agradecia a Kami por ela não ser o Ciclope, ou eu já teria sido torrado vivo sem poder me explicar. – Nossos amigos também vão, aí a gente ia se encontrar lá. E como a Lucy nunca foi, achei que ia ser legal mostrar como funcionam algumas tradições nossas.

– Você não desiste mesmo, não é?! – Ela revirou os olhos, e passou a me olhar tão fixamente e séria, que eu sequer consegui desviar a atenção. Ou lhe responder. Ou respirar. – Olha, Natsu… Eu prometi pra Lucy que não me intrometeria em nada. Se ela quiser, ela pode ir. Mas, pra não dizer que eu sou chata, reconheço que foi muita consideração sua vir me perguntar, então por hoje eu também libero. Só não me faça me arrepender, por favor.

Após ouvir isso, a alegria que me inundou com sua resposta foi tão grande, que mal contive o sorriso, e a abracei forte, lhe dando um beijo estalado na bochecha. Ela podia ser bem chata sim, isso era verdade, mas tudo o que eu pudesse fazer ao meu alcance pra convencê-la de que eu não era o tipo de cara que machucaria Lucy, eu faria. Inclusive bajulá-la.

– Você vai ver que vou cuidar muito bem dela! Obrigado, Layla!

– Que atrevimento é esse com minha esposa? – Escutei meu pai entrando na cozinha, olhando-nos bastante curioso.

– Lucy vai comigo pro hatsumode! – Mal contive meu berro de felicidade, e Igneel começou a rir com isso.

Era verdade que eu estava parecendo um idiota, mas eu tinha meus motivos.

– Que horas o velho vai passar aqui? – Ele perguntou.

– Em cima da hora, como sempre.

– Vocês vão dormir na casa dele?

– Claro. O Gray sempre consegue convencer ele, então vamos.

– Espera. Dormir fora? A Lucy e vocês dois? – Layla se alertou, e ficou olhando incerta pra mim e meu pai diversas vezes.

– Lisanna e Juvia também vão, e também tem a filha do Gildarts. Eu e o Gray sempre ficamos em um quarto diferente das meninas. – Fui rápido em lhe avisar, pra que ela não mudasse de ideia logo agora que eu já estava planejando tudo na cabeça.

E claro, soltei uma mentirinha sobre o quarto separado, mas ela não precisava necessariamente saber disso. Assim como ela já não sabia de muitas coisas entre eu e a Lucy.

– Jellal não vai dessa vez? – Meu pai perguntou, mudando de assunto rápido e me ajudando a evitar que ela impedisse Lucy e me desiludisse.

– Só para o hatsumode, porque ele vai com os pais. Depois vai ficar com a Erza, eu acho. Aliás, todos os pais vão né, só um aí que não… De novo. – Desdenhei, olhando bem para o Igneel, que fingiu que não era dele que eu me referia.

– É uma pena mesmo que eu seja velho demais pra esse tipo de coisa. – Ele deu de ombros, e eu revirei os olhos, porque não era a primeira desculpa desse tipo que eu escutava dele.

– Não me venha com essas desculp…

– Licença… – Lucy me interrompeu, e entrou timidamente na cozinha.

Se havia algo que ela tinha superado há muito tempo naquela casa, essa coisa era a timidez com certeza, então nos primeiros segundos eu sequer entendi porque ela estava tão corada e quieta. Mas daí meus olhos desceram pelo seu corpo e vi que ela vestia a yukata que lhe entreguei, e não consegui disfarçar minha surpresa ao vê-la assim.

– Eu vesti certo? Está bonito? – Ela perguntou urgente, e minha voz simplesmente sumiu.

E eu achando que não tinha como Lucy ficar ainda mais linda.

Ela conseguia se superar a cada dia, e me deixar ainda mais idiota que o normal.

– Filha! – Layla resmungou emocionada, e largou a panela no fogo para ir abraçar Lucy. – Você está linda! Muito, muito linda! Como conseguiu vestir sozinha? Você nunca usou um desses!

– Na verdade, a Erza me ajudou… – Lucy riu sem graça, ainda se acostumando com seus movimentos dentro da yukata. – Ela disse que ainda falta o penteado, e também o “bunko obi”*, mas eu não sei o que é isso… – Admitiu envergonhada, olhando diretamente para mim.

– Ah, sim… Sabia que faltava algo… – Falei, tentando manter a sanidade e não agarrá-la ali mesmo. Ela estava linda demais com a yukata, mas infelizmente não dava pra fazer o que deu vontade com ela vestida. – Tá no meu quarto, junto com as minhas coisas. – E então fui me retirar da cozinha para ir pegar pra ela, mas Lucy segurou em meu braço, e negou com a cabeça.

– Não precisa, a gente resolve isso mais tarde. Eu só queria ver como é vestir isso. – Falou com um sorriso singelo, que foi inevitável não devolver.

E foi algo que me fez lembrar de uma frase que minha mãe sempre dizia pra mim quando eu era mais novo.

"Natsu, o rosto de todas as pessoas é como um espelho. Se você sorrir, vai refletir um sorriso neles também. Então, se quer vê-las sorrir, comece por você."

E bem... Claramente Lucy tinha total domínio sobre esse ato tão simples, já que bastava um pouco para que eu sorrisse de volta.

E com isso, provavelmente ficamos nos encarando bem mais tempo do que eu poderia dizer, já que meu pai pigarreou para nos chamar a atenção, e avisar a Layla da comida no fogo.

***

Para o jantar, meu pai resolveu fazer a noite da pizza, e comi até ficar mais do que satisfeito, lembrando que provavelmente passaria uma madrugada em claro e não comeria nada.

Me arrumei rapidamente em meu quarto com meu yukata cinza escuro, e fiquei esperando Gildarts chegar, enquanto Layla e Erza ajudavam Lucy com os últimos detalhes da sua roupa.

Não precisou de muita coisa para saber que ele havia chegado, já que o barulho do seu carro era inconfundível. Então, antes que chegasse à porta, ela já estava escancarada pra que ele entrasse e eu pudesse abraçá-lo e esmagá-lo com todas as forças, mais do que feliz em revê-lo depois de tanto tempo.

– Pirralho! Como você cresceu! – Gildarts me abraçou de volta, mostrando que minha força ainda não estava nem perto de superá-lo.

– Não diga merda, velhote! Você nem sumiu por tanto tempo assim.

– Mas fiquei longe o suficiente pra você perder o respeito, né moleque? – Me deu um leve empurrão, e então começamos uma série de socos e esquivadas, que confesso, foi bastante infantil da nossa parte, mas era algo tão normal para nós dois que eu nem me importei com isso.

– Pai, por favor, será que dá pra agir como adulto pelo menos uma vez na vida? – Ouvi a voz da Cana atrás dele, emburrada.

– Não seja tão carrancuda, princesa. – Girldarts resmungou, puxando-a para um abraço também, enquanto ela fazia caretas e tentava se afastar a qualquer custo.

– Gildarts! – Meu pai veio da cozinha, eufórico da sua própria maneira. – Desapareceu ultimamente, seu desgraçado! – E puxou Gildarts para um abraço.

Esses encontros dos dois eram sempre as únicas oportunidades de eu ver Igneel tratando alguém desse jeito. Mas era coisa da amizade antiga dos dois, e eu meio que entendia isso.

– Você sabe, velho ranzinza, os negócios me chamam… – Gildarts deu uma piscadela suspeita.

– Negócios na cama das mulheres, né?! – Cana resmungou atrás dele, o fazendo rir sem graça.

– Não diga essas coisas, princesa.

– Venha aqui, Gildarts! Venha aqui! – Meu pai o chamava animado até o sofá, e os dois se sentaram ali.

Claro, tudo o que eu queria era me mandar logo dali, porque já estava próximo da meia noite, mas eu era muito ingênuo se não achava que os dois iam ficar pelo menos alguns minutos matando as saudades.

Não era só eu que tinha laços com o velhote, afinal.

– Você nem apareceu no meu casamento, seu miserável! Preciso lhe apresentar a minha esposa e minhas enteadas! Ah, aqui está Michelle. Venha cá, filhotinha. – E puxou delicadamente Michelle até o seu lado, enlaçando sua cintura e sorrindo grande, enquanto ela estava corada, e eu não sabia bem dizer se era pela forma que meu pai a chamou, ou pela forma que a deixou por perto, ou ambas as coisas. – É minha caçula, tão encrenqueira quanto o Natsu, acredita?! – E começou a rir alto, na qual Gildarts o acompanhou também.

– Preciso passar meu legado, né, pra alguém te dar dor de cabeça enquanto eu estiver na faculdade. – Comentei, dando de ombros, e rindo junto com eles.

– E tem a mais velha, que é da idade do Natsu… E eu ainda não sei ao certo se devo chamá-la de filha ou nora, o que você acha filhotinha? – Ele perguntou como quem não queria nada, e Michelle começou a rir.

– Nora, com certeza. – Ela respondeu, sorrindo da sua maneira sapeca.

– Só não deixa sua mãe escutar isso, ou eu vou ter que dormir no sofá!

E enquanto todos se divertiam às minhas custas, eu percebi algo que nenhum deles perceberam, e passei a fingir que era a pessoa mais educada e confiável daquele lugar, porque eu estava em pé próximo da escada, e observei que Layla estava descendo, então, qualquer coisa, eu não fazia parte daquela bagunça.

– Layla! – Falei um pouco mais alto do que o necessário, pra que meu pai ouvisse e parasse de falar coisas incriminadoras que encrencariam a nós dois. E ele fechou a boca no mesmo segundo. – Cadê a Lucy? A gente vai se atrasar.

– Já está descendo, Igneelzinho. – Ela riu, bagunçando meus cabelos, e então me entregou uma mochila em mãos. – Sãos as coisas da Lucy pra passar a noite fora, pode tomar conta até que ela desça, por favor?! – E com um rápido afago, ela sequer me deu chance de responder, indo direto para a sala. – Ah, vejo que o famoso Gildarts chegou. – E foi cumprimentá-lo educadamente.

– Famoso, é?! – Ele riu, levantando-se e beijando o dorso da mão dela, tão cara de pau quanto ele conseguia ser com todas as mulheres. – Prazer, senhora Dragneel.

Mas Layla ignorou totalmente sua piscada, talvez por sequer ter percebido, ou talvez porque ela estava evitando se irritar a toa para matar o Gildarts.

Eu até entendia, ele era um cafajeste com mulheres.

– Vou confiar minha preciosidade a você, então espero que cuide muito bem dela. – Layla soou um tanto séria, mas sorria para não parecer tão assustadora quanto no resto de todos os dias.

– Ah, pode deixar, eu vou cuidar sim, e você também vai cuidar muito bem dela, não é Natsu?! – Ele falou maliciosamente, rindo alto, e nada mais do que o desespero passou pelo meu rosto naquele momento.

Por Kami, Gildarts estava prestes a estragar tudo!

Layla o encarou com um olhar fuzilador, e depois dirigiu o mesmo olhar pra mim, que agora só queria fazer um buraco no chão e me esconder, porque se tinha um momento pros poderes do Ciclope aparecerem, esse momento definitivamente seria agora se ela se esforçasse só mais um pouquinho.

– Não se preocupe, senhora. Eu sou o juízo que falta no meu pai, eu vou cuidar da Lucy muito bem. – Cana interveio pela primeira vez, e apesar de demorar um pouco para ela ficar tranquila, Layla acabou concordando. E acho que parte disso, foi porque ela já conhecia a Cana. – Diz aí, capitão. Você queria tá na minha pele agora, não é?! – Ela sussurrou a pergunta próxima de mim, divertida. – Acabei de receber passe livre pra cuidar da Lucy, e pode deixar que eu vou fazer tudo o que você faria. – E me deu uma piscadela, sorrindo maliciosamente.

E a única reação que consegui ter durante aquela conversa doida, foi piscar algumas vezes pra tentar processar o que exatamente foi aquilo.

Não sei por quanto tempo fiquei avoado, mas logo minha atenção foi tomada pelo alvoroço que se formou quando Lucy já estava no pé da escada, vestida como uma bela japonesa.

Na verdade, “bela” era uma palavra muito fraca pra descrever como Lucy estava.

Senti meu coração palpitar mais forte a cada passo que ela dava para mais perto, e se eu não tomasse cuidado, provavelmente baba escorreria pelo canto da minha boca.

A timidez se desfez logo que ela avistou a amiga ao meu lado, e correu pra abraçá-la. E logo em seguida, Cana apresentou seu pai, que soltou elogios exagerados com risinhos maliciosos, enquanto olhava pra mim sem parar.

Eu já estava vendo o momento que a Layla desistiria de deixar Lucy vir conosco, do jeito que o Gildarts estava.

Quando enfim fomos para o carro, sentei no banco da frente, e Cana e Lucy ficaram atrás.

– Deixa eu te perguntar uma coisa, velhote… Você tá bêbado, não é?!

E só pela risada que ele deu, eu já tinha a minha resposta.

– A pergunta certa seria, quando é que você fica sóbrio, velhote? – Cana revidou.

***

Não foi muito difícil encontrar meus amigos no templo, já que eles estavam todos juntos no lugar que sempre nos encontrávamos, um pouco depois da entrada. E também porque o nosso grupo era grande, com todos os meus amigos e suas respectivas famílias.

Como era uma tradição, o templo estava lotado naquela noite, mas isso não atrapalhava em nada. Mal nos falamos direito, já estávamos todos adentrando ainda mais o interior daquele templo enorme, quase todos com uma ansiedade invejável ao meu ver.

E claro, a primeira coisa que fizemos, foi dar uma fuga dos adultos.

– O que vamos fazer primeiro? – Lucy perguntou, e só essa simples frase foi como invocar o caos.

Todos decidiram falar e sugerir coisas ao mesmo tempo, sem parar para escutar o outro ou tentar manter a ordem. Começou uma pequena discussão então, como em todos os anos, pra decidir o que iríamos fazer primeiro, e eu já estava querendo me esconder em algum lugar só pra não ter que ouvir a voz de mais ninguém.

– Espera gente, um minuto de silêncio, por favor! – Tentei fazer minha voz sobressair naquela baderna que estávamos fazendo, e acabou dando certo. – É a primeira vez da Lucy aqui, será que dá pra gente entrar em um consenso pelo menos em um dos anos? – E quando todos ficaram em um silêncio definitivo, entendi aquilo como algo positivo. – Vamos fazer assim: Primeiro esperamos as cento e oito badaladas, depois fazemos a oração na frente do templo, ok?!

E quando viram que eu não daria alternativas, acabaram concordando comigo.

– Cento e oito badaladas? – Lucy voltou a perguntar, olhando para todos nós em pura confusão.

– Quando chega a meia noite! – Lis interveio, bastante animada. – É uma tradição, pra nos purificar dos nossos cento e oito pecados.

– É uma coisa mais complexa do que parece, não dá pra explicar assim. – Jellal se intrometeu. – Fizeram uma lista de pecados com base nos sentidos, multiplicaram com as razões e outras coisas, e no fim deu isso. É um ritual budista chamado Joya no Kane*.

– Eu acho isso balela, precisaria de muito mais badaladas pra purificar o Natsu, por exemplo. – Gray zombou, levando um soco meu, claro.

– Certo, e a oração? – Lucy parecia realmente interessada, e isso deixou Juvia particularmente animada, já que de todos nós, era a mais fiel seguidora de nossas tradições.

– É como um pedido para o que você deseja nesse novo ano. Você joga uma moeda no templo, como uma oferenda ao kami, faz sua oração e bate palma duas vezes. Depois disso a gente podia comprar o omikuji*, o que vocês acham? – Ela sugeriu, sorrindo do seu jeito mais convincente, para que concordássemos com ela.

– E depois eu preciso trocar meu amuleto! – Lis acrescentou, batendo palmas em sua animação costumeira.

– Depois o saquê! Não vejo a hora de tomar o primeiro saquê do ano! – Cana murmurou ao meu lado, fazendo-nos rir de sua previsibilidade.

– E também é costume ficarmos acordados até a hora do sol nascer pra assistirmos, que chamamos de hatsuhinode*. Será que você aguenta, Luce? – Cutuquei-a.

– Não seria a primeira vez… – Ela comentou baixo, desdenhosa, e foi inevitável não rir alto.

– Ah não, loirinha?! – Cana escutou, e ficou olhando maliciosamente para nós dois. – Conte-me mais sobre isso.

– Não pense besteiras, Cana. – Lucy fez carranca, inflando as bochechas e parecendo uma verdadeira criança naquela yukata.

– Pense sim, é exatamente o que você acha que é. – Sussurrei a ela, alto o suficiente pra que Lucy conseguisse escutar.

– Natsu! – Lucy ficava cada vez mais vermelha, se assemelhando a yukata que usava, e agraciado com sua vergonha, a puxei para perto, em um meio abraço, beijando-lhe a testa carinhosamente.

– Ok, gente. Faltam cinco minutos para a meia noite, vamos para a fila pra fazer a oração no templo. – Lis nos avisou.

Por um momento, deixei-me soltar da Lucy pra que Cana a levasse com nossos amigos, enquanto eu permaneci para trás, com uma desculpa esfarrapada que iria logo.

Todas as tradições que aconteciam no hatsumode já não faziam parte da minha vida desde que eu percebi que não valiam de coisa alguma, e a verdade era que eu só continuava a ir ali pelos meus amigos, já que depois sempre íamos pra casa do Gildarts comemorar. Entretanto, eu ainda estava animado por ter trago Lucy, porque eu imaginava que ela fosse apreciar o quão a nossa cultura era diferente e bonita, com vários significados e manias que provavelmente não existiam nos Estados Unidos.

– Vai ficar pra trás, garoto? – Gildarts apareceu ao meu lado, observando comigo todos irem pra fila.

– É, acho que sim. Você não vai também?

– Não preciso disso, essa coisa de oração no templo, isso não é pra um velho bêbado como eu. – Ele ria alto, bagunçando meus cabelos. – Sua mãe aprovaria sua rebeldia repentina?

– Minha mãe não tá aqui, velhote. Ela vai entender, de onde ela tá.

Após alguns segundos de silêncio entre nós, o barulho alto das badaladas tomaram conta da noite. Primeiro começaram tímidas, e depois foram ficando fortes e constantes, e todos ficaram em silêncio até que terminasse, para se respeitar o momento da purificação. Mas Gildarts não era todo mundo, então ele pouco se importou em permanecer quieto, apenas me puxou para um abraço desajeitado, e ficou conversando e rindo alto.

Levou quase quatro minutos até que as cento e oito badaladas se completassem, sendo a última exatamente à meia noite, e assim que o barulho cessou completamente, e ouviu-se até os grilos por breves segundos, a baderna da comemoração pelo ano novo começou no templo inteiro. Todos começaram a comemorar com alegria, gritos, palmas, assobios e tudo o que tivessem direito.

– Feliz ano novo, moleque! Vamos pra saída do templo esperar eles saírem. – O velhote sugeriu, nem ao menos esperando minha resposta e já me puxando com ele.

Comprou saquês no caminho, uns especialmente feitos para a virada do ano, que tinham flocos comestíveis de ouro, e me entregou pra fazer o brinde comigo, bebendo mais rápido do que qualquer outra pessoa que eu conhecia.

Quando nossos amigos começaram a aparecer, praticamente todos juntos, a primeira que nos viu foi Cana, e ela logo veio xingar o Gildarts por tê-la traído e comprado o saquê só pra mim, e não pra ela. Logo em seguida vinha Gray, Lis e Juvia conversando, e mais atrás Lucy, que estava conversando com o Jellal. Ele estava, talvez, explicando alguma coisa de nossas tradições, e ela sorria de uma forma radiante.

Por Kami, era difícil não dizer isso, mas Lucy era realmente a garota mais linda daquele lugar!

– Natsu! – Ela ficou surpresa quando enfim me viu ali, olhando para trás diversas vezes. – Você… Não fez a oração? – Perguntou um pouco confusa.

– Ahn… Eu...

– Agora vamos trocar os amuletos! – Lis falou alto, bastante animada, me atrapalhando totalmente.

E eu agradecia muito por isso.

Como eu disse, eu preferia que ninguém soubesse o quanto eu não estava me importando muito com a visita ao templo em si, mas sim só com a felicidade da Lucy.

Após Lis convencer todos com muita facilidade, fomos todos parar no meio das diversas lojas de amuletos que estavam no templo, e observei Lisanna animada de uma forma que eu só via quando ela comia a comida preferida. Seus olhos brilhavam observando cada amuleto que ela podia comprar, e sempre que ela achava que tinha escolhido um definitivo, seus olhos corriam para o outro lado e viam um amuleto que ela julgava gostar mais.

Por conta disso, Lucy percebeu muito rápido que não poderia depender da ajuda dela com aquilo. Então sua atenção e dúvidas foram todas direcionadas pra Juvia, que já tinha decidido qual iria levar, e ajudou Lucy com bastante entusiasmo.

Demorou em torno de uns quinze minutos até todos trocarem os seus amuletos antigos por novos, ou no caso da Lucy, apenas comprar um, e então seguimos para o outro objetivo, que era o omikuji.

– Esse eu não aceito você não participando! – Lis se agarrou em meu braço, me levando junto com ela pra dentro da loja. – Você acha que eu não percebi que está fugindo de tudo? Vamos, deixa de ser mal humorado. Tire sua sorte.

Normalmente nós não levávamos mais a sério a sorte do omikuji, a não ser que fosse a “grande benção”, o papel de mais sorte de todos os outros. Aí nós costumávamos guardar ele na carteira e levar conosco em todos os lugares. Mas em toda a minha vida, eu nunca tinha conhecido alguém que conseguiu a sorte grande, então o omikuji já estava bastante inválido para nós.

Mas como eu estava encurralado por Lucy e Lisanna, eu não tive outra alternativa que não fosse pagar por aquilo para nós três.

Tudo se resumia em balançar uma caixa, esperar um palito sair dali com um número, e assim pegaríamos a sorte de uma das gavetas que estavam com o número do palito. Nós resolvemos fazer isso juntos já que havia mais de seis caixas ali, numa sala grande o suficiente para comportar o número enorme de visitantes.

Colocamo-nos um ao lado do outro, eu no meio das duas, e pegamos as caixas dos palitos nas mãos.

– No três. – Lis avisou, e então disse “três” rápido, e começamos a balançá-las.

O palito da Lucy saiu primeiro, e ela recebeu o número 36, pegando seu papel da gaveta e dando espaço para outras pessoas usarem ali, já que estava parcialmente lotado. Depois foi o da Lis, de número 29, e o meu, de número 77.

Fomos para um local um pouco menos movimentado para lermos nossa sorte, e eu já podia ver Lis comemorando com o seu.

– O meu deu “benção” na conquista dos meus objetivos. Isso! – Balançou o papel perto de nós, mostrando o que ele falava. – O que deu o seu, Lucy?

– Ahn… Medíocre… “Benção medíocre”… O que seria isso? – Perguntou.

– É quase a sorte máxima. – Respondi, e observei Lis ficando ainda mais animada.

– Ah. Bom, o meu deu “benção medíocre” pra… Estudos. Acho que isso é bom, né?! – Lucy tentou um sorriso, e Lis começou a rir.

– Se isso é bom? Isso é ótimo, sua boba! Quer dizer que vai terminar a escola com honras, coisas assim! E o seu Natsu, o que diz o seu? – E então ela se apoiou em meu ombro pra ler, e soltou um suspiro surpreso.

Bom, eu também tava um bocado surpreso.

– Meia maldição no amor… – Resmunguei com um suspiro, revirando os olhos. – Ainda bem que isso é bobagem.

Por alguns segundos, ambas permaneceram em silêncio, só encarando o papel que eu carregava. Mas isso até eu eu amassá-lo, já que eu não acreditava naquelas coisas. Se havia alguma maldição no amor na minha vida, eu tinha certeza que isso era em relação a quando Lucy não estava decidida se poderíamos ficar juntos. Agora era totalmente diferente, isso não fazia sentido.

– Bobagem ou não… – Lis começou a murmurar, olhando um pouco séria pra mim e Lucy – ...Você sabe que não pode levar uma maldição pra casa, não importa o nível. Vamos amarrar na árvore.

E me puxando rápido pela mão, Lis me levou até a grande árvore, que já estava consideravelmente cheia de papeizinhos de má sorte.

De certa forma, era reconfortante saber que não era só eu que tivera o azar de pagar pra ler falsas más notícias. Mas aquela merda, infelizmente, me deixou pensativo de um jeito que não deveria.

E se houvesse a possibilidade de ser verdade?

Poderia Lucy decidir voltar atrás com a palavra, ou até mesmo eu…?

Não!

Definitivamente, aquilo era mentira.

Só uma brincadeira boba, de uma tradição boba.

***

Eram quase duas da manhã quando chegamos na casa do Gildarts, com alguns dos meus amigos já começando a ficar bêbados. E claro, acabamos entrando na deles, rindo e cantando a toa, fazendo a maior algazarra que poderíamos.

Estávamos pensando em ideias pra ficarmos acordados até a hora do sol nascer, e foi então que logo a Lis sugeriu a brincadeira da verdade.

Consistia em todos nós termos um copo, e alguém iria enche-los com vodka. Uma pessoa que quisesse começar, diria uma verdade em voz alta, e pra todos que aquilo fosse uma verdade também, deveriam beber a dose.

Eu nem sei por qual motivo eu aceitei participar, já que eu sabia que não ia dar muito certo, mas lá estávamos, em uma rodinha, enchendo os copos, rindo escandalosamente, fazendo piadas desnecessárias, e tentando decidir quem começaria. Bom, isso só até a Cana gritar que a casa era dela, a vodka também, então ela começaria.

– Essa é uma homenagem pra minha amiga… – Ela deu um sorriso malicioso, olhando pra Lucy de forma sacana. Lucy, que estava sentada ao meu lado, se estremeceu com aquele olhar, provavelmente já esperando o pior. E eu também estaria assim, já que estamos falando da Cana. – Só vai beber quem… – E fez uma pausa dramática, olhando pra trás pra ver se o Gildarts estava prestando atenção em nós ou fora dali. E seu sorriso diabólico só cresceu mais ainda quando ela percebeu que estávamos sozinhos. – Quem não é mais virgem.

Foi automática a forma sincronizada que todos viramos nossos copos. Começamos a rir por aquele feito, que se tivéssemos combinado não daria certo, mas logo as risadas cessaram quando vimos Lucy e Cana trocando olhares. Lucy extremamente envergonhada, ainda com a dose intacta, e Cana sorrindo como se soubesse de tudo, rodando o conteúdo do seu copo de forma perversa no alto, só esperando.

Eu não conseguia nem imaginar o quanto Lucy estava embaraçada com aquilo, mas mesmo assim tentei finalizar aquela rodada, sugerindo de começarmos uma nova, e logo Cana me cortou.

– Não, não. Essa rodada não terminou, terminou loirinha? – E ela deu uma piscadela pra Lucy, que ficou ainda mais constrangida.

Isso foi o suficiente pra que agora, todos estivessem olhando pra Lucy com expectativas de sua resposta.

E então, fechando os olhos e respirando fundo, Lucy logo tomou sua dose de uma vez, fazendo Cana comemorar alto.

– Eu sabia, safadinha! – E tomou sua dose em seguida, pegando a garrafa pra encher nossos copos de novo. – Com seu irmãozinho, Lucy… Você não tem vergonha?! – Cana ria alto, enquanto Lucy escondia o rosto entre as palmas da mão.

– Cala a boca, não diga bobagens. – Lucy resmungou, claramente emburrada.

A partir de então, as rodadas eram todas começadas pela pessoa à direita da anterior. Depois da Cana foi a Lis, depois Jellal – que, por sorte, havia sido liberado aquela noite pela minha irmã pra ficar conosco –, depois Gray, eu, Lucy e por fim Juvia, e aí começávamos tudo de novo.

Aquilo durou bem mais do que deveria, com perguntas ora muito reveladoras, ora bastante tranquilas, mas que revelavam o tipo de coisa que já tínhamos aprontado quando moleques. E claro, no fim uns estavam bem mais bêbados que os outros, já que nem todo mundo aprontava umas poucas e boas como eu achava que a gente deveria aprontar. E não, eu não me orgulho em dizer que estava mais bêbado que todos ali, com exceção do idiota do Gray, mas era como estava.

– Daqui a pouco vai nascer o sol, e eu duvido esses dois continuarem em pé pra conseguir assistir. – Escutei Jellal comentando com alguém, rindo.

– Ei… Ei, ei! Não duvide... Das minhas capacidades! – Resmunguei entre soluços, enxergando um pouco mais borrado do que normalmente.

Será que eu estava precisando usar óculos?

– Tipo sua capacidade pra se manter levantado? – Lis zombou, empurrando-me na direção do Gray.

E por alguma razão, foi mais difícil evitar a queda do que imaginei.

É, eu não tava muito bem.

– Dragneel, eu tô com cara de travesseiro? – Gray reclamou, me empurrando de volta pra Lis.

– Ei... me deixem! – Reclamei, tentando soar o mais bravo possível, mas algo me dizia que eu não estava sendo convincente o suficiente.

– Olha, Gray! – Lis começou a mexer no meu cabelo, sem se importar se estava bagunçando mais do que já estava bagunçado. – Está mais macio hoje. Vem aqui sentir.

E sem pensar duas vezes, meu amigo também começou a imitar Lis, e mesmo que eu quisesse reclamar, o carinho estava ficando bom o suficiente pra eu querer dormir.

Estava tarde, não é?!

Eu precisava dormir.

Um cochilo curto.

Ninguém se importaria, não é?!

Talvez se eu fechasse os olhos só um pouco e…

– Acorda, idiota! – Ouvi Lis gritando e rindo exageradamente.

Mas meu susto mesmo foi abrir os olhos e reparar que Gray estava próximo demais do meu rosto, e num impulso errôneo, acabei colando nossos lábios por acidente.

Acidente esse que me fez cambalear pra longe o mais rápido possível.

– Caralho, Gray! Que porra foi essa! – E por mais que eu tentasse, estava um pouco mais difícil que o normal de me manter em pé, mas logo senti alguém me ajudando. – Que porra! O que você acha que tá fazendo? – Continuei gritando, limpando minha boca desesperadamente pra tirar aquela sensação.

– Eu que o diga, imbecil! Eu estava parado, você que veio pra cima! – Ele gritou de volta, e estava limpando a boca do mesmo jeito.

Enquanto isso, Lis gargalhava escandalosamente, e Jellal, que era quem me segurava, estava quase do mesmo jeito que ela.

– Aaaaaaah Kami, quem diria que seu primeiro beijo de ano novo seria com o Gray! – E gargalhava mais ainda, literalmente rolando no chão. – Será que agora tá explicado o azar no amor do omikuji? – E voltava a gargalhar, me fazendo querer socá-la.

– Para com isso, Lisanna. – Gray ficou mal humorado, e isso só servia pra divertir Lis ainda mais.

– Será que você pode ficar em pé sem a minha ajuda? – Escutei Jellal ao meu lado, tirando as mãos dos meus ombros. – Vai que você resolve me beijar também. – E começou a rir junto com os outros.

– Vai se foder, Fernandes!

– Ei, risadinhas! O sol está nascendo! – Gildarts apareceu na sala de repente, e foi só assim pra tirar a atenção de todos pra aquele acidente miserável.

Pelo menos por alguns minutos.

***

Após assistirmos o nascer do sol no terraço, já que a casa do Gildarts ficava em uma montanha e a vista era incrível, fomos todos arrumar a sala pra colocar os colchões por ali e dormirmos todos juntos. Ou ao menos todos os outros arrumaram, enquanto eu fui tomar um banho pra tentar ficar um pouco melhor. E não porque eu estava fugindo de ajudar, e sim porque eu fui obrigado a deixá-los em paz, já que eu e nada estávamos quase no mesmo nível.

– Por Kami, Natsu! Quantos anos mais você vai ficar nesse banheiro? – Escutei Lis gritando, e quando menos pude esperar, ela já estava ali dentro, de braços cruzados e me olhando ameaçadoramente.

– Caralho, Lis. Eu tô nu! O que você tá fazendo? – E podia parecer que eu disse isso em um tom bravo, mas era só um resmungo cansado de alguém encostado na parede do box sem saber muito como se banhar.

Eu estava em um estado lastimável, e detestava que outros pudessem presenciar isso.

Lucy, em especial.

– Qual é, eu já te vi pelado antes! Ou você esqueceu quando o Gray roubou seu calção lá na fonte, e você saiu correndo atrás pra bater nele? – E então ela riu discretamente, abrindo a porta do box e pegando o chuveirinho pra molhar meu rosto. – Acorda, idiota. Eu vou ficar aqui até você terminar esse banho, ou eu te tiro daí a força. E você não vai querer que eu faça isso! Vai, você tem três minutos.

E de fato, ela permaneceu ali, de braços cruzados, cantarolando alguma música aleatória pra se distrair, enquanto eu tentei ser o mais rápido que eu conseguia no meu estado. E assim que desliguei o chuveiro, a expulsei dali pra me secar e colocar uma roupa pra servir de pijama, já que eu não poderia ficar apenas de cueca box com um monte de gente dormindo comigo.

Assim que fui pra sala, descobri que todos os lugares no qual cada um dormiria já estavam determinados, e fiquei com a má sorte de ter que dormir ao lado dos dois idiotas que eu chamava de amigos.

– Olha, Natsu, se você me beijar, eu vou ser obrigado a tomar medidas drásticas, além de contar pra sua irmã. – Jellal se deitou na cama do meio, separando-me do Gray, após eu ter implorado por isso.

– Cala a boca, Jellal. Quer que eu arrebente a sua cara? – Acertei um soco em seu peitoral, enquanto ele ria.

– Você sequer considerou a Lucy, que coisa lamentável, Natsu!

– Cala a boca!

– Quando o Gray vai dormir na sua casa, vocês tem essa intimidade toda também?

– Jellal!

E meus protestos de nada valeram, já que até Lucy caiu nos gracejos do idiota e estava rindo com todo mundo.

Que ótimo começo de ano.

– Fica tranquilo, Natsu-san. Amanhã a bebedeira passa e todo mundo esquece. – Juvia comentou, entregando-nos as cobertas.

– Ah, eu duvido um pouco disso…


Notas Finais


– Yukata* = O tradicional traje japonês, também conhecido como quimono.
– Hatsumode* = A primeira ida ao templo no ano.
– Bunko Obi* = Aquela fita/laço gigante que há no traje feminino da yukata.
– Joya no Kane* = As 108 badalas representam os 108 pecados ou desejos mundanos do homem, e o tocar do sino serve para afastar esses desejos, a fim de que o homem possa entrar purificado no novo ano. A conta é feita dessa forma, os 6 sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato e consciência), multiplicado por 3 reações (positivas, negativas ou indiferentes), que dá um total de 18 “desejos”. Cada um desses desejos pode estar “ligado ou separado do prazer”, portanto multiplica-se por 2, dando um total de 36 “desejos”. Cada um desses desejos pode se manifestar no passado, presente ou futuro, portanto multiplica-se 36 por 3, dando como resultado 108.
– Omikuji* = Significa literalmente "Loteria Sagrada", e são papéis que podem falar sobre coisas como amor, saúde, estudos, sorte, negócios, trabalho, família, etc... E os papéis variam entre a extrema sorte até a extrema má sorte.
– Hatsuhinode* = Como o Natsu disse, é assistir ao primeiro nascer do sol. Há vários "Hatsu...", as primeiras vezes do ano, como o primeiro saquê (que eles tomaram no templo), o primeiro chá, a primeira lua, o primeiro sonho, etc...

Enfim! Esse capítulo deu um tantinho de trabalho, mas eu espero que vocês tenham gostado, porque ele é o começo da nossa comemoração de UM ANO DE TROUBLEMAKER, YEEEEY \õ/
Bom, na verdade completa um ano amanhã, mas isso a gente pode relevar um pouquinho... Até porque amanhã tem outra surpresinha pra vocês, pois é! Eu estou doida pra amanhã logo!!! *OOO*

De qualquer forma, quero saber o que vocês acharam do capítulo de hoje! Por favor, venham aqui brigar comigo, dividir docinhos, contar sobre o dia de vocês, me dizer se já estão de férias, enfim... o/

Aliás, para quem queria o hentai que rolou no capítulo passado, e eu não descrevi, uma amiga fez um headcanon dele, e eu achei que ficou uma graça! Então, se quiserem ler, está aqui > https://spiritfanfics.com/historia/i-want-to-feel-7107704 <

E é isso! Volto amanhã de noite ♥ Espero ter respondido TODOOOOOS os comentários pendentes até lá, torçam por mim! ASHUHUSAs' ♥

Obrigada por tudo, gente ♥ Adoro vocês... Até loguinho *3*


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