História True Love Way - Capítulo 47


Escrita por: ~ e ~MsMorgan

Exibições 501
Palavras 6.976
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi pessoal. Demoramos muuuito né?
Pedimos desculpas por isso, mas é que andamos sem tempo.
A faculdade anda me (Nat) deixando de cabelos brancos. Pedimos desculpas por isso.
Creio que assim que as férias chegarem, nós passaremos a atualizar com mais frequência.
Para compensar a demora, fizemos um capítulo grandinho. Esperamos que gostem.

Boa leitura!

Obs: Quaisquer erros, corrigimos depois.

Capítulo 47 - 47 - Love Can Heal


POV Lauren

Eros só podia estar de sacanagem com a minha cara. Eu ali, querendo Camila com mais intimidade e o cachorro empatando minha vida. Era como se nós fossemos mães e ele nosso bebê. Transar na frente dele seria como cometer um crime. Mães não transam nas frentes dos filhos e eu não faria aquilo na frente do meu filho de quatro patas.

Depois de deixá-lo na área de serviço ignorando seus olhos pidões, eu voltei para sala o mais rápido que consegui. Naquele momento eu estava explodindo de vontade da patricinha. Camila ainda estava no sofá tentando controlar sua risada. Eu estava me perguntando o que tinha de engraçado naquela situação inusitada e incomoda? Seu cachorro, quase seu filho, estava para presenciar sua mãe transando. Qual é? O que tem de engraçado nisso?

– Você o prendeu? – me assustei com sua voz. Desencostei-me da bancada da cozinha e segui para o sofá jogando-me em cima dela que fez questão de abrir as pernas para me receber.

– Eu o coloquei lá na área de serviço. – Camila gargalhou me fazendo rolar os olhos. – Não dá para transar com ele olhando, Camz. Não sei por que você está rindo. – disse bufando.

Escondi meu rosto em seu pescoço plantando beijos delicados na região. Camila subiu uma de suas mãos pelas minhas costas alcançando minha nuca onde começou a arranhar de leve. Aqueles míseros arranhões estavam me arrepiando inteira. Uma sensação prazerosa.

– Não é tão engraçado, mas é que a situação é inusitada. – rolei os olhos. – Sério, amor. Ele nunca precisou disputar minha atenção com ninguém e… – Camila pigarreou me fazendo levantar a cabeça para encará-la nos olhos. – Ele nunca me presenciou em momentos íntimos com ninguém. – franzi uma sobrancelha.

– Você nunca trouxe ninguém para cá? – minha garota riu nervosamente.

– Bom, eu já trouxe. – trinquei a mandíbula lhe arrancando risadas. Apertei suas coxas como forma da minha indignação. – Mas nós nunca ficamos trocando carícias na sala e pior, eu nunca passei de beijos e amassos com tais pessoas. – assenti um pouco incomodada. Camila notou meu incomodo. – Amor, você não vai querer ficar pensando nas coisas que aconteceram no meu passado, vai? – desviei o olhar fitando sua varanda. O céu escuro parecia dar um ar de infinito a cidade. – Bebê? – Camila mordiscou meu queixo correndo a ponta da língua pela linha da minha mandíbula indo em direção à orelha.

– Foram muitas pessoas? – perguntei sem perceber. Camila gargalhou jogando a cabeça para trás me fazendo negar. Fiz menção em levantar, mas suas pernas rodearam minha cintura e me prenderam ali.

– Não! Não fora muitas pessoas. – assenti verdadeiramente incomodada em estar falando sobre aquilo com ela. – Na verdade, foram apenas duas. – estalei a língua e respirei fundo. – Você é a segunda se quer saber. – ela disse despreocupadamente. Alcei as sobrancelhas finalmente encarando seus olhos. Camila sorriu com a língua entre os dentes. – Acabou a sessão ciúme? – bufei revirando os olhos. Minha garota achou engraçado, e acabou me deixando ainda mais incomodada com a situação. Suas mãos correram minhas costas com as unhas em arranhões leves e prazerosos. Cheguei a ter alguns espasmos com a sensação gostosa. – Eu gosto de te ver demonstrando ciúme, mas agora não, amor. Nós estávamos tão bem. Íamos para as preliminares e eu gosto tanto das preliminares com você. – sorri presunçosa. Sua fala inflou meu ego.

– Gosta, é? – perguntei inundando minha voz de sensualidade. Minha namorada mordeu o lábio inferior de maneira sexy e assentiu lentamente com a cabeça. Sua expressão de falsa inocente me deixando mais molhada do que eu já estava. – Então vem cá! – avancei sobre ela, mas Camila foi mais rápida.

Minha namorada jogou o corpo sobre mim me fazendo deitar as costas no sofá e sentou-se sobre meu quadril. Abri um sorriso safado, minhas mãos agarrando sua cintura auxiliando-a a rebolar sobre mim. Camila arranhou meu abdome e inclinou o corpo sobre o meu, pairando sua boca bem próxima a minha.

– Quer sexo, é? – meneei a cabeça.

Ela piscou e beijou meus lábios com leveza. Desci minhas mãos para sua bunda apertando com força arrancando suspiros da latina sobre mim. Ela beijou meu queixo, seguiu lambendo a linha da minha maxila até chegar ao lóbulo da minha orelha onde raspou os dentes me fazendo contrair por inteira. Quando pensei que ela ia parar de me torturar, Camila tirou minhas mãos de seu corpo e se levantou me deixando com cara de tacho.

– Aonde você vai? – me sentei rapidamente sobre o sofá. Camila andou rebolativa em direção ao corredor e antes de sumir das minhas vistas, ela disse.

– Me arrumar para esse momento. – e ali ela sumiu.

Eu fiquei encarando o corredor enquanto processava aquela informação. Ela ia se arrumar para transar comigo? Mas por quê? Passei alguns segundos tentando entender o que aconteceu e como um estalo em minha mente, eu saltei do sofá e corri atrás dela. Entrei em seu quarto completamente inerte a qualquer outra coisa. Eu procurava por ela, eu queria ela. A cama estava vazia, a porta de correr do closet fechada, mas a do banheiro estava entreaberta. Sorri de canto caminhando lentamente até lá.

– Para que se arrumar se eu vou te deixar toda bagunçada de novo?

Perguntei parando na porta do banheiro fitando a mulher passar um gloss labial em frente ao espelho. Naquele momento ela só estava usando calcinha, e porra! Que calcinha. Camila me olhou através do espelho e sorriu abaixando a mão com o gloss. Entrei mais no banheiro parando atrás dela. Prendi seu corpo contra a pia e forcei meu quadril contra sua bunda.

Hmm… Você pode me bagunçar, mas não custa nada eu me arrumar um pouquinho para a nossa…

Eu não a deixei terminar, pois fui logo afastando seus cabelos deixando a região de seu pescoço livre para que eu fizesse o que bem entendesse. Minhas mãos voaram da pia para sua cintura onde apertei com um pouco de força, arrancando de Camila gemidos baixos. Ela deitou a cabeça contra meu ombro e fechou os olhos me deixando abusar de seu corpo gostoso.

Eu quero tanto você. Estou morrendo de saudade de você. – sussurrei contra seu pescoço apertando sua cintura devagar.

Camila gemeu novamente abrindo um sorriso safado quando empinou mais a bunda. Novamente forcei meu quadril contra aquela região deixando não só a ela mais excitada, como a mim também. Subi uma de minhas mãos por seu corpo apalpando seu seio com vontade.

Hmm… Lauren…

– Você gosta quando eu te toco assim, Camila? Gosta, patricinha? Fala para mim, fala?

A mão que pendia sobre o osso de seu quadril migrou para sua coxa onde acariciei mancamente. Camila era só suspiros, gemidos e sorrisos safados. Apertei seu seio novamente arrancando um gemido baixinho dela. Eu sorri. Camila se empinou mais e eu não me aguentei, acertei um tapa em sua bunda a fazendo soltar um grito.

– Safada! – olhei para seu rosto contorcido em prazer através do espelho e mordisquei o lóbulo de sua orelha.

Desci lambendo a região de seu pescoço e mordi seu ponto de puxo forçando mais minha boceta contra sua bunda. Apertei o bico de seu peito com um pouco de força fazendo Camila deitar a cabeça em meu ombro e gemer deliciosamente. Suas reações estavam deixando minha boceta extremamente molhada. Eu poderia gozar facilmente apenas apalpando e acariciando aquela mulher. Minha mão subiu por sua coxa acariciando, apertando até chegar em sua barriga onde arranhei de leve. Sempre fazendo questão de beijar e lamber a região do pescoço de minha namorada. Ela era tão gostosa. Eu já estava completamente pronta para ela e sabia que ela também estava pronta para mim. Depois de muito maltratar seus seios com minhas mãos, eu as desci por sua barriga chegando ao seu centro. Camila soltou um gemido ansioso quando toquei sua virilha. Sorri contra sua orelha e desviei a rota de minhas mãos para suas coxas e bunda onde apertei e acariciei sem vergonha.

– A-amor…

– Diga! – mordi a cartilagem de sua orelha usando e abusando da sensualidade que eu tinha na voz.

– E-eu… Aaah!

Ela gemeu prazerosamente quando rebolei contra sua bunda acompanhando seus movimentos. Beijei seu pescoço e logo senti sua mão agarrar meus cabelos forçando minha cabeça contra aquela região. Subi meus beijos por seu pescoço até chegar em sua boca onde nos beijamos com selvageria. Camila continuava se empinando contra mim. Segurei dos dois lados de seu quadril e fiz sua bunda bater com força contra o meu centro arrancando de nós duas gemidos. Ela aumentou o ritmo das reboladas contra mim me fazendo perder o útil fio de sanidade que eu tinha.

Eu a forcei a se inclinar sobre a pia ficando completamente exposta para mim. Camila estava quase com o peito colado sobre o mármore enquanto eu percorria minhas mãos por sua bunda seminua. Aquela porra daquela calcinha estava me deixando louca. Aquilo mal cobria sua boceta, quem dirá sua bunda. Comecei a brincar com o elástico daquela porcaria arrancando suspiros da latina. Encostei minha boceta em sua bunda e rebolei ali a deixando completamente louca.

– Tira! – eu estava tão perdida em tocá-la e provocá-la que nem percebi suas mãos agarrando meu roupão.

Desfiz o nó do roupão deixando o cair no piso do banheiro que, naquele momento, parecia tão quente quanto uma sauna. Ajoelhei-me aos seus espalmando minhas mãos em sua bunda abrindo aqueles montes e puxei a calcinha que ela ainda usava para o lado a fim de poder ver com mais clareza aquela boceta molhada e pulsante que eu tanto queria provar o gosto.

– Aaaah…

O gemido que Camila soltou quando eu mergulhei minha boca em sua intimidade fez todos os meus músculos se contraírem em leves espasmos. Percorri minha língua sobre aqueles lábios, aquela entrada apertada e principalmente sobre aquele nervo que pulsava latentemente sobre minha língua. O banheiro que antes era silencioso, agora ecoava os gemidos de Camila que não se fazia de rogada e gemia com prazer em alto e bom som. Eu passei bons minutos a chupando ali naquele banheiro, só parei quando meus joelhos reclamaram de dor.

– Vem! – agarrei seu corpo tirando-a do chão e nos levando para o quarto. – Deita! – joguei seu corpo sem delicadeza alguma contra o colchão. Camila sorriu toda safada abrindo-se completamente para mim. – Vou rasgar essa merda que não cobre nada. – puxei o tecido de sua calcinha com força rasgando a peça com facilidade.

– Ah, Lauren… – aquele “Ah, Lauren” foi tão excitante que minha boceta contraiu umas três vezes contra o nada. – Amor, vem. Vem! – ela abriu as pernas e se masturbou para mim.

Fiquei alguns minutos admirando aquela mulher tão gostosa, me provocar daquela maneira. Meu estado já ultrapassava o limite da vergonha. Estava tão excitada que meu líquido começou a correr pelas minhas coxas. Camila sorriu subindo a mão que usou para se masturbar até a boca lambendo os dedos molhados. Senti inveja, mas não durou muito, pois em seguida eu me deitei entre suas pernas e afundei minha boca naquela região tão doce.

Eu chupava, lambia, sugava seu clitóris tudo com muito gosto. Camila era uma delícia e se eu pudesse, eu não tirava minha boca daquela região. Seus dedos se embolavam em meus cabelos ora puxando, ora forçando minha cabeça contra aquela região. Ela tentou fechar as pernas algumas vezes, dando-me certeza que estava para gozar. Para intensificar seu orgasmo, eu parava quando ela estava para gozar, sempre recebendo gemidos de frustração.

– Lauren, porra! Para de fazer issooooo… – lambei sua boceta desde a entrada até o clitóris.

Fiz aquilo algumas vezes quase a jogando na borda, mas sempre parando. Levantei a cabeça e encarei seu rosto, contorcido em prazer e frustração por não estar conseguindo gozar. Enfiei um dedo dentro dela sem deixar de chupá-la. Camila não parava de gemer e se contorcer sobre a cama. Eu estava sentindo um puta prazer por chupá-la e provocar nela todas aquelas reações. Suas duas mãos agarraram meus cabelos forçando minha cabeça contra aquela região.

– Lauren… Lauren… Ai, merda! – ela gemia enlouquecida. – Ai, caramba! Ai caramba, continua. – ela começou a rebolar em minha boca. Seus gemidos estavam me deixando tão excitada que eu estava para gozar já. Enterrei meu dedo dentro dela e dediquei minha atenção ao seu clitóris a fim de fazê-la me acompanhar naquele orgasmo.

– Droga! E-eu vou…

– E-eu também… Lauren! – suas unhas arranhavam minha nuca forçando minha cabeça entre suas pernas. Tive que afastar a cabeça para poder gemer quando o orgasmo me atingiu.

– Caralho! Oh, Camila! – enfiei uma mão por entre meu corpo e o colchão para esfregar meu clitóris de um jeito rápido desfrutando daquele orgasmo enquanto trazia Camila até a borda.

– Oh, Lauren! – ela rebolou e jorrou contra minha boca segundos depois.

Camila gemia como uma louca, puxando meus cabelos e tentando fechar as pernas em reflexo. Sorri contra a região e lambi recolhendo todo o líquido que ela me oferecia. O corpo de Camila relaxou sobre a cama e ela soltou um suspiro. Sorri contra sua intimidade e escalei seu corpo distribuindo beijos por todo seu corpo.

– Oi! – Camila sorriu fechando os olhos como se estivesse exausta.

– O-oi. – sua voz saiu tremula. Ela piscava lentamente como se realmente estivesse com sono.

– Cansou, meu amor? – deitei sobre seu corpo apoiando meu queixo sobre seu peito que subia e descia com rapidez.

– Não, mas… – ela respirou fundo antes de falar. – Eu preciso de alguns minutinhos. – soltei uma risada e assenti plantando um beijo sobre seu peito nu.

Aproveitei que ela estava de olhos fechados e me perdi em seus seios chupando, lambendo e mordiscando aquele biquinho com suavidade. Ora ou outra Camila tremia e gemia. Suas mãos já estavam em minhas costas arranhando novamente.

– Você não sabe o que são minutinhos de descansa? – ela perguntou me fazendo rir.

– Amor, eu não consigo tirar minha boca de você. – Camila rolou os olhos. Seus dedos se embolaram em meus cabelos puxando-me para cima. – Você é uma delícia.

– Me beija! – ela não pediu, ela ordenou e é claro que eu cumpri.

Nós nos beijamos com ferocidade, desfrutando do calor uma da outra. Camila rolou na cama ficando sobre mim. E ali nós nos perdemos. Passamos horas e horas fazendo amor, matando a saudade e reforçando o que sentíamos uma pela outra fazendo declarações. Não sei por quanto tempo ficamos nos amando, mas lembro de que antes de dormir, escutei sua voz sonolenta dizer.

Eu amo você.

***~~~***

Acordei pela manhã sentindo meu corpo inteiro reclamar de dor. Desenterrei o rosto do travesseiro encarando o quarto escuro com pequenas frestas de luz escapulindo pela cortina. Cocei os olhos como se aquilo fosse me fazer acordar mais. Senti uma respiração quente bater em minhas costas e me virei ansiosa para encontrar aquele corpo moreno, mas o que encontrei foi um cãozinho, deitado no colchão bem próximo as minhas costas. Sorri levando minha mão até a cabeça peluda acariciando de leve. Eros acordou de seu sono tranquilo e me encarou com curiosidade.

– Bom dia, garotão! Cadê a sua mama? – ele tombou a cabeça para o lado levantando as orelhas. Sorri para ele e me sentei sobre a cama. – Bom dia, Eros! – beijei sua cabeça peluda torcendo para que nenhum pelo entrasse em meu nariz e me desse outra crise de espirro. – Bora tomar um banho, cara? – olhei para ele como se ele fosse me responder. – Ok! Entendi! Você não gosta de tomar banho. – ele latiu levantando-se. Encarei aquilo como forma de protesto ao que eu disse. – Então você quer tomar banho? – ele latiu novamente e eu sorri. – Então vem! – o peguei pela coleira e o puxei para mim abraçando seu corpo.

Eros lambeu meu rosto me fazendo gargalhar e voltar a deitar na cama. Ficamos brincando e rolando nos lençóis por algum tempo até que o primeiro espirro saiu da minha boca. Vi ali que era hora de parar. Empurrei o cachorro de cima de mim e me levantei pegando o lençol para cobrir minha nudez. Percebi que fazia algum tempo que eu estava acordada, brincando e fazendo barulho com Eros, e em nenhum momento Camila apareceu. Olhei novamente para o cachorro em pé sobre a cama e sorri.

– Garotão, cadê a mama? – Eros latiu e saltou da cama correndo para fora do quarto. Tomei aquele gesto como resposta. – Ok! EU JÁ VOU! – gritei para ele.

Tomei o rumo do banheiro e enquanto eu fazia minha higiene matinal, Eros apareceu na porta novamente. Sorri para ele com a boca cheia de pasta. Ele latiu me fazendo rir novamente. O cachorro deitou sobre o tapete do banheiro como se estivesse me esperando terminar. Lavei o rosto algumas vezes para acordar finalmente e alcancei o roupão pendurado atrás da porta.

– Vamos? – olhei para ele que rapidamente se pôs de pé. – Ok! Vamos! – chamei já saindo do quarto ajeitando o nó do roupão para que não ficasse nem muito apertado e nem muito frouxo.

Eros passou por mim e correu até a cozinha onde eu pude ver Camila mexendo no fogão trajando apenas uma calcinha branca e uma blusa social. Tentei fazer o mínimo de barulho possível. Eros estava em pé ao lado do balcão da cozinha americana encarando Camila e logo depois a mim. Fiz um gesto pedindo silêncio a ele e como se ele realmente me entendesse, Eros deitou-se no piso ficando calado. Sorri em agradecimento e pela forma adestrada do cachorro. Camila começou a cantarolar enquanto mexia em uma frigideira. Ela retirou três preparou mais algumas panquecas e quando virou-se para colocar as delícias sobre o balcão, eu sorri lhe provocando um susto.

– PORRA, LAUREN! – arregalei os olhos me encolhendo no banco. – Que susto, caramba! Custava me avisar que tinha chegado? Eu quase derrubei nosso café da manhã. – eu sorri já percebendo que sua raiva repentina havia passado.

– Bom dia para você também, meu amor. Eu estou ótima! Tive uma excelente noite de sono e sim! Eu estou com fome. – Camila sorriu desfazendo a pose irritada de segundos atrás.

– Bom dia, amor. – Camila colocou o prato com as panquecas sobre o balcão e veio até mim. Abri as pernas para recebê-la melhor. – Desculpa ter gritado, mas você bem que podia ter anunciado sua presença, né?! – ela mordeu meu lábio inferior me fazendo suspirar apaixonada.

– Desculpa, amor. Eu estava admirando sua beleza que nem me toquei. – pisquei para ela que sorriu tímida. Selei nossos lábios com leveza aproveitando ao máximo aquele carinho. Depois de alguns beijos, Camila se afastou voltando para a cozinha. – E então, o que temos para comer? – minha namorada me encarou com uma sobrancelha levantada e eu sorri. – O que? Eu estou com fome. Uma certa pessoa me fez gastar todas as minhas energias noite passada. – comentei com malícia. Camila corou e virou-se para pegar um prato abarrotado de waffles.

– Bom, eu sou péssima na cozinha. Não preparei muita coisa diferente. – olhei para o café da manhã servido sobre o balcão e sorri escutando o ronco baixo do meu estômago. – Fiz panquecas, ovos mexidos com bacon, waffles. Tem suco, café, leite, torradas, geleias e manteigas, e eu também fiz salada de frutas para você. – ela apontou a salada e eu sorri me inclinando sobre o balcão para beijá-la. – Ah! Eu comprei pão, biscoitos e alguns croissants porque eu sei que você é viciada neles. – eu pisquei concordando.

– Está incrível, amor. Um típico café da manhã americano. – Camila sorriu pegando uma torrada. – Vem cá! Come comigo. – bati a mão sobre minha coxa e ela veio como uma criança.

Nós tomamos o café da manhã entre brincadeiras, beijos, sorrisos e conversas. Camila se mostrou interessadíssima sobre meu novo trabalho no hotel e me tranquilizou quando desabafei falando sobre meu receio em não suprir as expectativas de Ally e Bear. Depois de comermos, Camila guardou o que restou e eu coloquei toda a louça suja na lava-louças, puxando Camila para o sofá. Eros deitou-se sobre o tapeta e ficou encarando a mobília enquanto Camila e eu trocávamos beijos e carinhos. Era mágico estar ali com ela depois de tanto tempo longe. Camila ligou para Mani falando que naquele dia ela não iria trabalhar. Anunciei que não poderia fazer a mesma coisa, pois precisava me interar dos assuntos do hotel. Camila não ofereceu resistência, mas pediu que eu só fosse para o The Plaza depois do almoço que por sinal, seria no apartamento da frente.

– Amor, eu não sei. Seu pai talvez não esteja preparado para…

– Lauren, cala a boca e vem! – tentei resistir aquela ordem, mas Camila agarrou meu braço e me puxou para fora do apartamento. – Relaxa, tá bom? Meu pai não morde. – fiz uma careta.

– Ele não morde, mas pode me bater. – minha namorada soltou uma risadinha e abriu a porta da casa dos pais. – Poxa, Camz! – resmunguei pela falta de educação dela.

– O que?

– Você nem bate. A casa não é sua. – reclamei.

– É a casa dos meus pais, Lauren. Eu entro e saio daqui à hora que eu bem entender. – revirei os olhos e resolvi encerrar aquele assunto.

Discutir com Camila coisas como aquela não era muito bom. Ela era uma garota mimada e eu não. Ela tinha suas manias e trejeitos, e eu tenho os meus. São as nossas diferenças que nos fazem ser um casal tão lindo. Paramos no meio de uma grande sala de estar com um sofá branco e duas cadeiras de veludo na cor preta, uma mesa de centro de vidro com alguns objetos de decoração sobre ela e dois exemplares da revista da família. Pude correr os olhos pelo restante do ambiente encontrando uma sala de jantar com uma mesa para no mínimo dez pessoas. Um bar extremamente luxuoso mais ao fundo do grande ambiente e mais um monte de coisa que deixava claro que aquele apartamento era de uma família rica e importante.

– O que? – Camila virou-se para mim com um olhar curioso.

– Sua casa… – minha namorada franziu o cenho.

– O que tem ela? – seus braços rodearam meu pescoço e eu suspirei fitando novamente o espaço.

– Ela é linda e… – fiquei sem palavras para descrever o que via. Camila sorriu e beijou meus lábios rapidamente.

– Agradeço. – ela sorriu afastando-se novamente. Sua mão agarrou a minha e me puxou para um corredor. – A decoração foi planejada por um arquiteto amigo da família e pela minha mãe que como você pode ver… – ela apontou um quadro que deveria custar mais do que o meu veleiro e minha moto juntas. – Tem muito bom gosto. – assenti sem dúvida alguma do bom gosto da senhora Cabello. – Vem! Papa deve estar na cozinha com a Consuelo.

– Com a quem? – Camila riu da minha confusão.

– Consuelo. – alcei as sobrancelhas lhe arrancando mais algumas risadas. – A cozinheira. Ela trabalha aqui em casa há… – ela fez cara de pensativa e por fim, sorriu. – Vinte sete anos. – a fitei surpresa e espantada. – Pois é! Ela é a dona da cozinha e coordena essa casa melhor que qualquer outra pessoa. Vem! Você vai adorar conhecê-la. – ela me arrastou até a cozinha onde eu já conseguia escutar uma voz grossa e outra bem animada com um sotaque espanhol bem leve. – Papa! – Camila já entrou na cozinha chamando pelo pai que girou na cadeira de uma mesa para quatro pessoas e sorriu.

– Niña! – ele se levantou e a abraçou apertado. Encolhi-me no meu canto fitando admirada a interação entre pai e filha. – Você está magnífica hoje. Esse vestido caiu super bem em você. – Camila sorriu como uma criança na manhã de natal.

– Obrigada, papa! Amor? – arregalei os olhos quando Camila me chamou e virou-se para mim trazendo com ela a atenção do pai. – Papa, deixe-me apresentá-lo ao amor da minha vida. – arregalei ainda mais os olhos sentindo minhas pernas tremerem. – Amor, vem cá! – Camila me chamou e suando frio, eu caminhei até eles.

– Ora, ora! Então você é a famosa Lauren? – engoli a seco sentindo meu coração bater acelerado. Minhas mãos tremiam e minha voz não saiu. – Prazer, Alejandro Cabello. – timidamente eu abri um sorriso e estendi a mão para ele.

– P-pra-prazer… – Camila soltou uma gargalhada que me envergonhou mais do que aquele cumprimento gaguejado. Respirei fundo e encarei meu sogro olho no olho. – Prazer, senhor Cabello, sou a Lauren! – consegui falar sem tremular a voz. Ele sorriu e apertou minha mão com força antes de me puxar para um abraço.

– Acalme-se! Não precisa ficar nervosa, eu sou legal. Não sou, Consu? – ele olhou para a mulher atrás de nós e ela sorriu concordando. – Sente-se! Eu estou cortando os legumes para o almoço. Vocês vão ficar para almoçar com a gente, não vão? – olhei desesperada para Camila que sorriu concordando. – Ótimo! Consu, mais dois pratos. – ele anunciou sorridente.

A cozinheira bateu a colher de pau sobre a tampa da panela confirmando o pedido do patrão. Ótimo! Quando vi, Camila já tinha me arrastado até a mesa onde o pai estava sentado. Eles começaram a conversar e eu agradeci por ter sido esquecida. Estava extremamente envergonhada ali, na presença do meu sogro. Ele tinha um ar de homem poderoso, mas parecia ser um pai divertido e que faz de tudo para ver o sorriso no rosto de quem ama.

– Lauren? – eu estava tão distraída pensando em quem realmente Alejandro Cabello era que nem percebi que eles pararam de falar e agora me encaravam.

– Hein? Estão falando comigo?

Camila sorriu e beijou minha bochecha me deixando mais envergonhada do que nunca. Alejandro sorriu e soltou a faca que segurava, para o meu alivio.

– E você, o que faz? Camila me contou que você se formou em engenharia náutica. – confirmei e sorri para minha namorada. – Exerce a profissão?

– Arr… Bem, eu gostaria e muito. Cheguei a planejar alguns barcos e aerobarcos para alguns empresários lá em Monte-Carlo, mas aqui em Nova York eu não irei trabalhar com isso. – falei fazendo questão de não esconder minha frustração.

– E por que não? É uma profissão incrível.

– Com certeza é, mas o mercado é muito concorrido e você precisa de contatos para isso. – Alejandro sorriu de canto.

– Eu sou um homem com muitos contatos, se você quiser…

– Err… Não, senhor! Obrigada, mas não será necessário.

– Mas, Lauren, eu estou vendo a sua frustração em não poder exercer o que cursou. Deixe-me ajudá-la. – pediu parecendo sincero. Se fosse em outros tempos, eu com certeza diria sim, mas ali, depois de tudo que tive que passar, eu não podia aceitar.

– Eu agradeço, senhor. Agradeço muito, mas… – ele tombou a cabeça de lado estranhando minha atitude. Talvez ele não estivesse acostumado com pessoas que recusam sua ajuda. – Eu tenho uma mania chata de não gostar de…

– Ela é orgulhosa, papa. – arregalei os olhos e fitei Camila.

– Não! Não é isso. Não é orgulho. – Alejandro franziu o cenho e eu me vi desesperada para explicar a situação. – Desde que saí de casa, eu aprendi a me virar, senhor. Eu nunca gostei de pedir para ninguém. Talvez seja orgulho ou talvez eu goste de me vangloriar pelas minhas conquistas, mas todas tem que partir de mim. Não gosto de ter a vida facilitada. – falei revivendo algumas lembranças da minha vida em Londres.

– Interessante! – engoli a seco e desviei os olhos do homem poderoso a minha frente. – Você é a primeira, ou melhor, a segunda pessoa que se mostra ser assim, independente. – eu não soube reconhecer se aquilo era uma critica ou um elogio. – A primeira tem o sobrenome. – sorri finalmente perdendo a timidez e o encarando. – Taylor Jauregui é muito independente, determinada e tem uma força… Uau! – falou provocando risadas. – Tudo bem, Lauren! Se você prefere correr atrás dos seus sonhos por si mesma, eu irei apoiá-la. Mas se precisar… – ele deixou no ar e eu agradeci com um sorriso.

E novamente ele puxou assunto com Camila, mas dessa vez, fez questão de me incluir. Conversamos por longos e longos minutos. Gargalhamos muitas e muitas vezes de histórias da infância de Camila e Nina, além de ele mesmo contar histórias de momentos engraçados que já viveu. Eu estava me sentindo confortável ali e agradeci por Alejandro ser diferente da filha mais velha e pelo que me pareceu na noite passada, diferente da esposa também.

– Lauren, sua irmã não deu muitos detalhes da sua família então eu espero que você possa me falar. A família de vocês é muito reservada. A empresa sempre esteve nas mãos de Taylor? O que os seus pais fazem em Londres, Lauren?– arregalei os olhos sentindo o mundo a minha volta parar.

Ele queria saber sobre a minha família. Ele queria saber sobre os meus pais, sobre os meus irmãos. Ele queria saber sobre a minha vida, o meu passado. Sem perceber, minha respiração se alterou despertando a preocupação dos Cabello.

– Amor, está tudo bem? – senti a mão de Camila acariciar meu braço e eu concordei tentando me acalmar.

Não que eu não quisesse falar sobre os meus pais, sobre os meus irmãos e etc, eu não tinha problema algum em falar. Meu problema era reviver momentos que passei em Londres. Reviver a doença do meu pai, reviver ele não se lembrando de mim, reviver o motivo de eu ter fugido da minha família.

– Lauren? Eu disse algo errado? – Alejandro perguntou preocupado. Balancei a cabeça em negação e ele sorriu aliviado. – Você… Quer falar sobre a sua família? – engoli a seco e o encarei um pouco desesperada.

– E-eu… Achei que… – respirei fundo e busquei a mão de Camila com urgência procurando nela minha paz interior.

– Amor, calma. Está tudo bem. – ela assegurou acariciando meu rosto. – Pai, Lauren não gosta muito de falar sobre os pais porque…

– O meu pai ele é… – olhei para a mesa tentando achar alguma palavra para dizer o que meu fazia, mas sem realmente assumir quem ele era.

– Ele é? Não me diga que eu seu pai é da monarquia. – ele falou divertido causando em mim um ataque de pânico. – Lauren? Consu, traz um copo d’água para ela, por favor? – pediu claramente preocupado com meu estado. – Lauren, acalme-se! Olhe para mim. – pediu puxando meu rosto para si. Nem ao menos notei quando ele se levantou. – Não precisa falar mais nada, ok? Acalma-se. – pediu com uma voz tranquila, mas uma expressão preocupada. Camila me fitava com desespero.

– E-eu… err…

– Lauren, tudo bem! Já entendi que o assunto família Jauregui não é muito a sua praia. Está tudo bem! Acalme-se, tá? – ele passou as mãos sobre a minha testa limpando o suor que pingava.

E aquele era o estado em que eu ficava sempre que alguém fazia menção em falar sobre a minha família ou sobre o que ela representava. Demorei alguns bons minutos para me acalmar. Alejandro e Camila não saíram do meu lado em momento algum. Minha namorada acariciava meu braço e me dava alguns beijos me fazendo relaxar. Bebi cerca de três copos d’água até finalmente me acalmar. Desculpei-me com Alejandro e Camila por preocupá-los e expliquei, sem detalhar muito, o motivo do meu pequeno ataque de pânico.

– Alejandro, você viu aqueles balan… – a voz da mãe de Camila soou atraindo nossa atenção. – Err… Eu não sabia que tínhamos convidadas para o almoço.

– Sinu, venha! Deixe-me apresentá-la a Lauren, nossa…

– Sua! – a senhora Cabello foi curta e grossa quando Alejandro a incluiu na minha apresentação como nora. Foi perceptível o quanto ele ficou chocado e até mesmo sem graça.

– Err… – ele me lançou um sorriso sem jeito e fitou a esposa. – Como preferir. – a senhora Cabello assentiu empinando o nariz. – A minha nora, Lauren. Lauren, essa é minha esposa, Sinu Cabello. – eu assenti sorrindo em direção ao homem visivelmente sem graça pela cortada que recebeu da esposa.

– Eu já a conheço, senhor. – Alejandro franziu o cenho e fitou Camila. – Noite passada, quando chegávamos. – esclareci para que ele não ficasse totalmente perdido.

– Ah sim! Espero que tenha sido bem tratada. – engoli a seco e preferindo me calar. – Pelo silêncio, vejo que não foi. – desviei os olhos sentindo-me desconfortável. – Conversaremos depois sobre isso. – ele disse à mulher que fez pouco caso de seu tom sério.

– Lauren, você…

– Sinu! – Alejandro a advertiu antes que ela continuasse.

– O que temos para o almoço? Nina já deve estar acordando e…

– BOM DIA, FAMÍLIA! – se antes já estava desconfortável com a senhora Cabello ali, o clima ficou ainda pior quando Nina apareceu usando um robe branco, quase transparente. – Lauren? – assim que ela colocou os olhos em mim, seu sorriso cresceu consideravelmente. Senti a mão de Camila esmagar meus dedos. – Nossa! Que surpresa você aqui. Err… Desculpe os trajes, mas é que eu acabei de acordar. – concordei sentindo meu rosto queimar. – Bem vinda a minha casa. Já conheceu meu pai? Ele é incrível, não é? – assenti tentando não olhar para ela. – E a minha mãe? O que achou dela? – mordi a língua para não soltar tudo que pensava sobre a senhora Cabello.

– Um pouco…

– Incrível ela também, não é? – Nina parecia incrivelmente feliz em me ver ali. Franzi o cenho e tentei perceber algum fio de falsidade em sua repentina felicidade. – Já tomou café? – concordei sem conseguir me pronunciar ainda. – Vem! Come mais alguma coisa. – ela passou pelos pais e tentou pegar minha mão. – Maninha! Você ai.

– Eu aqui e você ai! – Camila rosnou me puxando para trás. Nina sorriu ironicamente.

– Ai, Camila! Sério isso? Ciúme? – minha namorada fechou a cara trincando o maxilar. – Lauren é sua, eu já entendi.

– Mas não parece. – Camila rebateu causando risadas em Nina.

– Querida, somos irmãs. Deveríamos dividir nossos…

– Cala a boca!

A voz séria de Camila me fez puxá-la para trás tentando afastá-la de Nina antes que as duas se engalfinhassem ali mesmo na cozinha, na frente dos pais. Nina sorriu e virou-se para o pai exibindo um sorriso tão falso que eu me perguntei se ela já havia feito algum tipo de curso de teatro para conseguir atuar tão bem assim.

– Papa, eu andei pensando e…

– Nina, conversamos depois. Vá se vestir, vá! Temos uma convidada para o almoço e… essas roupas não são adequadas. – Alejandro pediu visivelmente sem graça.

– Alejandro, Nina está na casa dela. Ela pode andar do jeito que bem entender. Você nunca implicou com a forma com a qual nossa filha se veste e perambula pela casa, por que isso agora? – Sinu perguntou abraçando a filha e ali eu percebi que ela sempre sairia em defesa da filha mais velha. Alejandro coçou a cabeça e virou-se para a esposa com um olhar sério.

– Porque temos visita e eu não quero a minha andando assim dentro de casa. – ele disse firme fazendo Sinu recuar. – Nina, agora! – vi a mais velha tremer e logo sair da cozinha.

– Você é um hipócrita! – Sinu resmungou voltando-se para nós. – Só porque ELA está aqui, você vem querer colocar banca. – ela me encarava com fúria.

– Sinu, deixa de ser estúpida. Nina tem que aprender a ter modos. Se você não a mimasse tanto, ela já teria aprendido.

– Ah, mas é claro que teria. Ela teria aprendido da mesma forma que Camila, não é?

– Com certeza! – ele afirmou estufando o peito. Senti Camila apertar meu braço e rapidamente eu a abracei.

– Pois eu prefiro minha filha sendo o que ela é do que parecida com essa que você criou.

Arregalei os olhos, me surpreendendo com a forma rancorosa com a qual Sinu se referiu a Camila. Minha namorada escondeu o rosto em meu pescoço e eu me enfureci.

– Desculpe, senhora. – Sinu desviou sua atenção de Alejandro para mim. – Mas a senhora não sabe o que está dizendo. – vi um sorriso debochado nascer em seus lábios. – Sua filha mais nova é tão incrível quanto a mais velha. – Camila mordeu meu pescoço com um pouco de forma me punindo por falar aquilo. – As duas têm personalidades muito diferentes, mas muito fortes. Cada uma a sua forma de viver e Nina não é melhor que Camila porque foi mimada pela senhora ou Camila é melhor que Nina por ter sido mimada por Alejandro. As duas são diferentes e a senhora deveria amá-las como igual e não merecer e desmerecer a outra por serem diferentes. A senhora deveria se orgulhar da filha que tem e não colocá-la para baixo ou irritá-la por ela não ser como Nina. Se te vale como conselho, abra os olhos para ver as filhas que tem. A senhora não sabe o quão incrível é essa moça aqui, em meus braços. – Sinu me encarava com um semblante diferente. Alejandro parecia emocionado e eu me contive, abracei Camila e beijei diversas vezes seus cabelos tentando acalmá-la.

– Err… Eu tenho mais o que fazer. Bom almoço! – Sinu desejou nos dando as costas.

– Sinu, aonde vai? – a matriarca Cabello parou e respirou fundo.

– Trabalhar enquanto você banca o super pai para Camila. Aliás, você não tinha que estar na revista, Camila? – trinquei a mandíbula cerrando os pulsos sentindo uma raiva gigantesca daquela mulher. – Nisso Nina é melhor que você. Mesmo estando em casa, ela trabalha. Ela tem foco, enquanto você perde o seu dando trela para essa…

– Mama, a senhora não estava de saída? – me surpreendi com Nina detendo a mãe antes que ela me ofendesse. – Lauren, fica para almoçar? – olhei de Camila para Alejandro e de Alejandro para Nina antes de concordar. – Ótimo! Mama, os balancetes estão no meu quarto. Eu peguei ontem com o papai para assinar antes de enviar para diretoria. – Sinu encarou Nina como se ela fosse um ser de outro planeta. – Nos vemos mais tarde, ok? Bom trabalho. – Nina beijou a testa da mãe e a empurrou para fora da cozinha soltando uma risadinha. Que porra foi essa? – E ai? Tem comida? – e a Nina divertida voltou com força total diluindo brevemente o clima tenso que havia ficado ali.

– Sí! Ciertamente, mi preciosa. – foi à vez de Consuelo se meter na conversa arrancando risadas. – Dejar de lucha! Venham provar esses petiscos que preparei. – ela apontou uma bandeja cheia de tacos, nachos e chilli.

– Opa! Comida mexicana é comigo mesma.

Nina correu até a bandeja pegando um dos tacos e o devorando com rapidez. Ela sorriu em minha direção e me ofereceu o taco que comia. Agradeci com um sorriso escutando minha namorada bufar ao meu lado. Aquele almoço ainda iria render.

E aquele almoço realmente rendeu. Rendeu provocações por parte de Nina, rendeu Alejandro a advertindo diversas vezes e rendeu Camila e Nina discutindo por Nina se insinuar para mim sem o menor pudor.

– Você não vale nada, Nina! Qual é? Será que é tão difícil assim entender que Lauren está comigo e que você não significa mais nada para ela? – Camila saltou da cadeira espalmando as mãos sobre a mesa com tanta força que os talheres caíram.

– Camila, controle-se! – Alejandro se levantou aumentando o tom de voz para advertir as duas filhas. – Nina, pare com isso. Respeite a sua irmã e a relação das duas. – Nina abriu um sorriso debochado.

– Relação? Papa, o senhor sabia que Lauren e eu já tivemos um namorico? – engoli a seco quando Alejandro olhou para mim. – Camila a roubou de mim.

– Não roubei nada! Eu tentei evitar não me aproximar de Lauren, mas o que eu podia fazer se você não sabe fazer alguém se apaixonar por você? – vi o rosto de Nina ficar vermelho e temi por Camila. – Nina, acho bom você se acostumar com Lauren sendo minha namorada, pois em breve nós iremos morar juntas e…

– Mas vocês não são nem casadas! – ela parecia incrivelmente surpresa com a declaração de Camila.

– Não somos ainda. – Nina arregalou os olhos e me fitou horrorizada. – Eu pretendo, daqui algum tempo, me casar com Camila se ela quiser. – fitei minha latina que sorria emocionada.

– Imbecil! – tomei um susto com o berro que Nina deu. – Você é uma imbecil, Lauren Jauregui! Estúpida! Idiota! Eu odeio você. Eu te odeio, Lauren. Eu te odeio! – Nina jogava sobre mim toda sua raiva. Ela estava a ponto de me bater quando a voz grave de Alejandro fez com que os ânimos se acalmassem.

– Caladas! Quero todas caladas. – me encolhi e voltei a me sentar. – Nina, sai daqui. Camila, Lauren… Eu peço desculpas, mas acabou o clima desse almoço. Se deem licença, eu vou dormir porque essa palhaçada entre vocês duas… – alternou o olhar entre as filhas que tinham as cabeças baixas. – Me deu uma baita dor de cabeça. Consu, leve para mim um comprimido para dor. Lauren, prazer conhecê-la. Sinto muito por tudo que teve que presenciar. Espero vê-la novamente e felicidades com o novo emprego. – agradeci apertando de leve sua mãe. – Nina, vem!

– Mas, papa… – ela tentou argumentar.

– Vem! – ele aumentou o tom de voz parecendo realmente irritado com a relutância de Nina em sair.

Assim que ele saiu, Nina saiu atrás ainda de cabeça baixa, envergonhada por ter sido repreendida pelo pai. Olhei para Consuelo que sorriu para mim antes de seguir o patriarca da família. Camila encontrava-se quieta ao meu lado fitando o prato de sobremesa.

– Amor, tudo bem? – toquei seus cabelos e levantei seu rosto. Vi seus olhos lacrimejados e a puxei para um abraço.

– Me desculpa? Me desculpa por isso. Minha família é maluca e eu…

– Shiii! Tá tudo bem. Tá tudo bem. – passei alguns instantes abraçada a Camila até que ela pareceu se acalmar.

– Você me perdoa por te fazer passar por isso? – abri um sorriso mediano e selei nossos lábios.

– Que namorada eu seria se não te perdoasse por ter um pai divertido, uma mãe arrogante e uma irmã meio maluca? – vi um sorriso brotar em seus lábios e sorri junto. – Eu amo você. Não me importo com isso que vivemos aqui. É só mais um dia em nossas vidas. Aliás, brigas entre irmãs não é novidade para mim. – Camila me olhou com o cenho franzido. – Você se esqueceu de que convive com Ariana e Theo? Quando aqueles dois brigam… Ah! Sai de baixo. – Camila gargalhou e se aninhou a mim.

Eu poderia passar por aquilo todos os dias que sempre sairia em defesa dela, pois ela era a minha garota. Eu poderia enfrentar Sinu e Nina toda hora, porque Camila era a pessoa mais importante para mim e eu a protegeria até quando não fosse preciso. Ela era a minha garota.



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