História Trusting Him - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Shawn Mendes
Visualizações 49
Palavras 4.655
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Famí­lia, Festa, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Aiaiaiaiaia
Bem-vindo a tribo dos Mendes Army's.
Você shippa Shordan? Espero que sim.

Capítulo 3 - Sou inadequada para menores


Fanfic / Fanfiction Trusting Him - Capítulo 3 - Sou inadequada para menores


P.O.V JORDAN

Estávamos tão focados conversando e dando idéias e sugestões sobre onde colocar tudo, as vezes dávamos uma fugida básica da conversa para falar sobre algo aleatório da vida mas logo nos voltavamos ao assunto anterior, como iria ficar se fizéssemos tal coisa que perdemos uma hora e meia, quando vi já eram quase dez da manhã.

— Nossa, precisamos ir rápido com isso, o tempo está passando e estamos aqui batendo papo — comento olhando o relógio do pulso.

— Sim, vamos dividir em duplinhas pra poder irmos o mais rápido possível. — Karen disse e agarrou a filha de lado a fazendo arregalar os olhos — Eu fico com a parte do primeiro andar e porão com Aaliyah e você e Shawn cuidam do segundo andar e o sótão.

É como passar um dia com seu ídolo, só que sem passar por concursos ou algo do tipo.

— Ok, vamos colocar meus quadros no sótão e arrumar o meu escritório. — Karen e Aaliyah saíram para a cozinha e eu subia as escadas com Shawn logo atrás de mim. — Vamos colocar os livros nas prateleiras e fotos imprimidas nas paredes.

— Gosta de ler também? — ele pergunta rindo de leve. — Você é uma caixinha de surpresas.

— É... Obrigada? — Entro no meu quarto sem graça e pego meu celular, ainda não totalmente carregado, mas com boa porcentagem de bateria, vendo todas aquelas mensagens e ligações perdidas, ao todo eram vinte e três ligações e cento e duas mensagens. — Pois bem, você quer ver meus quadros antes?

Ele sorri e se toca que deveria ter feito isso a um certo tempo, balança a cabeça em sinal positivo e eu o levo para um quarto de hóspedes onde tinha colocado alguns quadros que ao invés de os prender nas paredes da casa, iria vende-los online ou achar algum lugar na cidade para vender. Entro no quarto e tiro todos os plásticos transparentes de cima dos quadros, ali deveria ter uns quarenta, já pintei muitos na minha vida.

— Uau. — ele diz em um suspiro. — Você é boa mesmo no que faz. É isso que você quer pra sua vida, pintar?

— Bem, não sei bem ao certo, eu gosto muito de pintar, tirar fotos... Porém eu também amo música. — coço a testa, massageando-a de leve enquanto ele agachava para mais perto das molduras. — Eu sei que eu vou seguir a carreira artística, qual eu já não sei.

— Você toca algum instrumento? — Ele se vira e aponta para uma moldura onde eu havia me pintado tocando piano com meu pai.

— Sim, o piano. — Eu soltei apenas um riso fraco, ficando um pouco sem graça. — Está lá no meu porão, por enquanto, deu um duro danado para leva-lo, tive que pedir para os entregadores de uma parte da mudança me ajudarem a descer vinte degraus com isso.

Ele me encara estranho, tento decifrar sua expressão mas é difícil, como se ele não quisesse que eu soubesse o que ele está pensando sobre mim. Sem tirar seus olhos mel de mim por alguns instantes, ele vira a cabeça para o outro lado do cômodo e vê outra moldura. Era um piano sendo estilhaçado e em vez de pedaços da madeira do instrumento “ voarem ”, eram notas musicais.

— Eu gostei muito daquela, o que vai fazer com ela? — ele se levanta e caminha até ela, a pega com as duas mãos e a põe na sua frente.

— Eu pretendia vender. — digo indo até perto dele a ponto de sentir seu perfume tóxico de baunilha.

— Quanto quer por ele? — nesse momento eu engasgo com o ar. — duzentos tá bom?

Prendo o ar e arregalo os olhos e ele faz uma careta esquisita depois ri e se volta para o quadro, observando-o mais uma vez.

— Eu nunca vendi um quadro acima de setenta dólares! — ponho a mão no peito. — É um absurdo roubar o dinheiro das pessoas assim, são apenas quadros com tintas simples em molduras básicas.

— Mas quanto você quer nele? — ele riu e passou o dedo por cima do desenho.

— Nenhum centavo, pode pegar para você, é um presente meu. — sorrio sem jeito e ele nega com a cabeça.

— Não posso aceitar. — ele diz colocando a moldura encostada na cadeira e retira a carteira do bolso. — duzentos e cinquenta tá bom para você? Ou é pouco?

— Você aumentou o preço! Não vou aceitar, você já teve que parar seus afazeres só para vir ajudar uma vizinha desconhecida a arrumar a mudança, me sinto folgada após ter dito isso. — pego o quadro e entrego ao mesmo que olhava para mim tentando buscar indícios de relutância, mas sei que ele não acha. — É o mínimo que eu posso fazer para retribuir a ajuda.

— Olha, eu vou ficar te devendo. — ele aceita o quadro, ainda meio receoso. — Isso é muito gentil da sua parte, obrigado.

Ele pega o da minha mão o objeto e põe em um canto separado sem tirar os olhos de mim, o que eu estranho um pouco, eu sempre me sinto um pouco desconfortável quando alguém fica a me olhar fixamente, mas dessa vez, foi como se ele transmitisse paz e caos ao mesmo tempo. Minha respiração falha um segundo.

— Pois bem... — gaguejo mexendo as mãos ao lado do corpo. — A gente pode colocar os meus livros no escritório...

— Sim, claro. — ele sai na minha frente como se soubesse onde é e eu vou logo atrás saindo de um transe.

— Última porta a esquerda. — Aponto e ele continua na frente observando todas as paredes e memorizando cada centímetro.

Entramos e eu já tinha montado uma prateleira e a outra estava por montar junto com as mesas e o computador. Ele olhou atentamente as caixas abertas onde se encontravam minhas tintas, pincéis, telas e livros.

— Você quer fazer o que primeiro? — ele pergunta abaixando ao chão.

— Penso em montarmos a outra prateleira, revisarmos a que eu montei, porque não confio no meu trabalho de montadora de móveis, e... — ele ri e eu sorrio com sua risada gostosa. — depois vamos no embalo e pronto.

— Beleza, vamos começar. — ele pega o que deduziu ser uma caixa de ferramentas e equipamentos.

•••

P.O.V SHAWN

Eu a estranhei no primeiro momento que a vi, mas após estudar muito seu comportamento, tanto perto da minha família quanto perto de mim, vi que a gentileza cintilava em seu olhar, ela era diferente das demais garotas que já conheci, ela era trabalhadora e sonhava alto, gostava de fazer as coisas sozinhas, negava toda ajuda possível durante todo o tempo que estavamos montando as plateleiras, mas eu sempre estava perto pra caso desse algo errado, tipo quando ela trocou os parafusos e não conseguia aperta-los na madeira.

— Eu acho que esses são os parafusos errados. — ela coça a bochecha.

— Eu não acho, tenho certeza absoluta que você os trocou. — digo pegando a ferramenta de sua mão e retirando os parafusos. — Eu só não te falei porque queria ver se iria perceber.

— Não acredito! — ela cruza os braços. — Você me deixou errar!

— Errar é humano. — Rio e ponho os metais menores corretos.

— Eu sou alienígena então, odeio errar, tem que ser tudo bem organizado e perfeito. — ela sorri e depois cai em uma gargalhada engraçada. — perfeito.

— Que perfeccionismo e auto-exigência de si mesma. — mostro a ela como ficou.

— Você não conheceu meus pais. — ela arregala o olho e levanta estendendo a mão para mim. — Eles são piores.

— Te apresento meu pai depois. — eu ri e peguei em sua mão levantando.

Ao tocar suas mãos macias, sinto um choque eletrizante e bom. Ela fica levemente rosada mas acho que consegue ter auto-controle sobre si e disfarça retirando a mão cuidadosamente.

— Vamos levantar isso? — faço que sim e erguemos a prateleira a colocando ao lado da outra. — Agora colocamos os livros por ordem alfabética e numeral.

Arregalo um poucos os olhos e arqueio as sombrancelhas enquanto a mesma começa a gargalhar com a minha reação. Os seus olhos fecham e suas bochechas ficam bem vermelhas, ela põe as mãos na barriga e a suprime tentando conter o riso que rápido me contagia.

— Olha, eu posso ser perfeccionista, porém não sou tanto assim a ponto de ser exagerada. — ela limpa uma lágrima — Apenas junta as sagas e os livros sem continuação deixamos para depois.

Faço uma cara de tédio mas depois sorrio passando por ela e pegando uma caixa mal aberta onde ao lado do papelão havia escrito “ sagas e trilogias ”. Vamos tirando tudo no chão de carpete e arrumando as continuações dos livros por ordem numérica.

— Esse é de qual? — pergunto mostrando a ela uma capa preta com um gavião ou sei lá o que era aquilo azul.

— Trilogia legend. — Ela aponta para dois livros já ao meu lado. — Na capa tá escrito. — ela ri e bate duas vezes na testa com o indicador.

— Ah, disfarça. — coloco eles juntos e separo com os demais. — Então... Da onde você veio?

— Bem, nasci na cidade de San Diego, Califórnia. — ela da uma pausa e eu a olho atento. — Mas morei metade da minha vida em Santa Mônica.

— Na praia? — arqueio de leve as sombrancelhas. — Que chique moça, desculpa.

— Ah para. — ela tira um livro da caixa e rola os olhos.

— Mas como conseguiu cidadania do Canadá? — pergunto curioso e ela não demonstra desconfortável com as minhas perguntas, pelo contrário, respondia todas.

— Minha mãe é canadense. — ela faz um joinha com uma mão e fecha um pouco os olhos. — Obrigada mãe! — ela joga um joinha onde deduz ser o norte da Califórnia e eu rio.

— De todas as praias da Califórnia, nunca fui ver o pôr do sol de Santa Mônica. — comento e Jordan me olha incrédula. — O que?

— É a melhor praia do mundo, sinto falta.

— Depois das férias eu tenho minha Illuminate Tour, e uma das cidades que irei apresentar é a sua. — Ela cruza as pernas e me olha divertida. — Me mande por mensagem um mapa de como chegar até a praia.

— Ata, super eu sei seu número de telefone. — coça os olhos e massageia as têmporas.

— Eu passo. — ela abaixa as sobrancelhas e me encara. — Por que não?

— Privacidade, talvez? — ela mexe nas pontas do cabelo curto.

— Você vai me encher o saco?

— Não?

— Vai expor meu número em redes sociais?

— Ham... Não.

— Vai me dar bom dia?

— Não do jeito que as mães costumam fazer, tipo mandar aquelas mensagens com fotos de pássaros dormindo escrito um versículo da Bíblia. — ela pausa. — Mas eu sempre dou bom dia para os meus contatos, ou seja, mãe e pai.

— Então eu vejo o porquê de me dar o número do meu celular, além do mais, qualquer coisa quando precisar chamar os vizinhos — aponto pra mim mesmo. — não vai precisar gastar voz gritando da varanda, ou pernas indo daqui até minha porta.

— Vocês são tão bons. — ela me admira até perceber que me fitava a um tempo. — Digo, pensei que seriam mais fechados.

— Difícil. — dou risada e peço seu celular e ela me entrega receosa, um pouco hesitante. Anoto meu número em seu celular com o nome ‘ Shawn o vizinho ’ — Pronto.

Ela sorri se divertindo com o nome e a situação, guarda seu celular no bolso e retira o resto dos livros apenas virando o papelão de cabeça para baixo e uma caixinha preta de óculos cai e ela balbucia algo que não consigo decifrar. Ela pega e abre a mesma revelando um óculos fundo de garrafa.

— Tava aqui todo esse tempo. — ela o limpa e coloca na beirada da blusa.

— Seu óculos? — ela responde que sim e me entrega. — Quantos graus tem isso? Dois?

— Quatro e meio em cada um. — jogo meu olhar tão rápido que a assusto. — Sim, eu sou uma topeira.

— Caramba, cegueta. — ela fecha a cara e eu estico para colocá-los em seus olhos. — Põe para eu ver.

— Nunca mais eu ponho isso. — ela desvia o rosto mais eu continuo a instigar. — Shawn, eu fico com cara de criança.

Ela disse meu nome tão bonito.

Para.

— Deixa eu ver, dois segundos. — ela faz uma cara de preguiça.

— Tá, tá. — ela tira uma caixinha menor e as abre, eram duas bolinhas com água dentro. Ela retira suas suas lentes de contato e as põe tentando enxergar o lugar correto, ela vira para mim e diz: — Não faça zoeira.

— Prometo. — ela suspira e coloca os óculos, deixando seus olhos grandinhos, dava para ver perfeitamente a cor deles, esmeralda. — Você fica mais bonita de óculos do que sem.

Ela abaixa o olhar para a caixinha redonda nas mãos e vejo que seu rosto tomaram uma tonalidade rosada e ela tenta segurar o sorriso. Para tirá-la do desconforto que vejo que a mesma parece sentir, pego os óculos de seus olhos e os coloco no meu.

— Agora eu entendo porque era chamada de coruja. — Ela gargalha semi-cerrando os olhos, abanando as mãos na frente de si. — Tá adorável.

— Perai. — Pego meu celular e olho pelo meu reflexo da tela minhas pupilas mel gigantes. — Deus tenha misericórdia de mim. — ssussurro quando devolvo a armação para a mesma que põe em si mesma.

— Preguiça de por a lente de novo, dá um trabalhão. — rimos juntos e ela prende o cabelo deixando alguns fios soltos.

Ela é uma menina bonita, porte físico bom, é magra porém esbelta, eu não sei explicar, mas ela é totalmente o contrário do que eu imaginava ser, para mim não importa a beleza que ela tem, sim a mesma é linda, mas o caráter dela... Ela não teve um ataque quando me viu, ela simplesmente me tratou normal e com educação, não fez muitas perguntas sobre minha vida pessoal, vejo que ela sabe quando deve perguntar as coisas. Ela é gentil.

Diferente, isso me intriga.

— Você tá me encarando. — ela fala sem me olhar. — Porque?

Ah legal, boiei olhando para ela.

Isso Shawn.

— Ah nada. — vejo que terminamos de organizar os livros e me levanto desviando para não pisar nos objetos no chão. — Vamos terminar.

— Sim, sim. — ela começa, ainda sentada a por os livros enfileirados na última prateleira.

Passaram-se o tempo e a gente ainda conversava sobre coisas aleatórias e ela não fazia perguntas sobre mim ou minha carreira, nem nada do tipo, eu é que fazia e ela sempre me respondia com educação. Dávamos muita risada e confesso que senti que se continuarmos a nos falar e manter contato, virariamos amigos. Tínhamos coisas em comum, ambos gostavam de tirar foto, de tocar, de música, ela mostrou ter interesse em compor, porém nunca tentou pois diz ela não tem imaginação para esse tipo.

— Não precisa ter imaginação. — eu disse empurrando o último livro na prateleira. — Uma coisa que eu aprendi quando comecei a compor é: eu não penso, eu sinto.

— Nossa, isso foi bem profundo. — ela toca em seu coração e faz cara de ‘ foi tocante ’ — Mas eu acho que não nasci pra compôr.

— Ninguém nasce sabendo o que quer. — a ajudo a levantar e ela estranhamente olha pra cima. — O que foi?

— Não coloquei lâmpada nesse quarto. — olho para cima e vejo que não havia nada ali.

— Tem uma escada? — ela nega com a cabeça. — Como vamos por?

— Junta suas mãos. — ela ri fraco e aponta para minhas mãos e eu faço uma careta enquanto ela não vê, pois está de costas revirando uma sacola com coisas dentro, ela tira uma lâmpada de lá.

— Isso não vai dar certo. — entrelaço meus dedos e os ponho em sua frente.

— Que pessimismo da sua parte. — ela tirou os sapatos e ficou de meia alongando de leve. — fiz ginástica quando menor, sei o que faço.

— A quanto tempo exatamente? — Jordan põe as mãos em meus ombros e olha para mim.

— Parei aos quatorze anos. Quatro anos atrás. — Ponho força quando a impulsiono para cima.

Ela dá um impulso forte apertando meus ombros, ela desequilibra e mas ao invés de por as mãos, ela apoia o joelho em meu ombro. Ela é leve, consigo segura-la apenas com uma mão.

Ela percebe o que fez pondo o joelho em meu ombro e treme um pouco com a lâmpada entre os dentes. Levo rapidamente meus dedos até sua cintura, a impedindo de cair.

— Tá tudo bem, só vai rápido. — Jordan, sem mais delongas coloca a lâmpada e termina tudo. — Pode descer, estou te segurando.

•••

P.O.V JORDAN

Vergonha alheia, vergonha alheia, vergonha alheia.

Meu Deus, não era minha intenção fazer aquele tipo de movimento, agora o que ele deve pensar de mim? Que eu sou aquelas meninas mais rodada que prato de microondas. Desço de seu colo com certa dificuldade e urgência, ainda não sei se peço desculpas ou se finjo que nada aconteceu e que eu sou ingênua o suficiente pra ter feito aquilo.

— Desculpa. — minhas palavras saem em um sussurro enquanto eu ponho, novamente, meus tênis.

— Não tem problema, você só estava tentando se apoiar em mim. — ele faz um joinha e depois abana a mão.

— Eu juro que não sou nenhuma Strepper maluca. — tento amenizar a situação e ele ri.

— Disso eu já não tenho tanta certeza. — minhas bochechas queimam. — É brincadeira...

Quando eu vou abrir a boca para responder, dou graças a Deus por ouvir passos pelo corredor, estranho e caminho até a porta vendo Aaliyah subir ajustando o coque alto com os dois fones de ouvido, eu podia ouvir claramente qual música ela ouvia.

Most girls, da Hailee Steinfield.

Ela balbucia a letra antes de me ver e retirar o fio branco da orelha.

— Criançada, a mamãe está chamando para irmos almoçar. — ela joga o olhar de Shawn até mim e diz: — Não tente arranjar uma desculpa para negar, já estamos indo.

Fico quieta e levanto as mãos em rendição a garota, ela sorriu e me mandou uma piscadinha com o olho direito, o que me fez ficar sem entender. Shawn passa por mim me encarando e chamando com a cabeça para descermos e eu o sigo logo após Aaliyah.

— Onde iremos? — Shawn toma a iniciativa de perguntar antes de começar a descer os primeiros degraus.

— É um restaurante chamado “ Pour le goût français ”, é novo na cidade, inaugurou a umas semanas atrás. — engasgo ao ouvir qual restaurante vamos.

— Meu Deus é caríssimo lá. — ponho a mão no coração. — Eu vou ter que vender meu rim só para comer alguma coisa.

— Não se preocupa, minha mãe disse que vai pagar para você. — ela chega perto de mim e antes de eu falar algo Aaliyah comenta baixo. — Minha mãe nunca gostou de alguém tão rápido como de você, ela te elogiou tanto que até disse que você e Shawn formam um casal bonito.

Começo a engasgar com o ar e a mesma da pequenos e leves tapas na minhas costas abanando as mãos na minha frente, Shawn se vira com um olhar questionador e eu sinto meu rosto queimar e ficar parecendo um pimentão vermelho.

— Você parece um tomatinho. — brinca ele e Aaliyah concorda rindo com os ombros.

— Ah para, é vergonhoso. — esfrego as mãos nas minhas maçãs do rosto. — Não posso aceitar sua mãe me pagar um almoço caríssimo, olha só o que ela já fez pra mim. — começo a contar nos dedos. — No primeiro dia, vocês me trouxeram lasanha, se propuseram a vir aqui em casa me ajudar, me convidaram para tomar café e agora querem pagar um almoço em um restaurante francês, que no caso, é um dos mais caros da cidade. Me recuso a aceitar isso. — cruzo os braços e paro no meio dá escada.

Ambos dos irmãos se entreolham, parece que conseguem ler o pensamento um do outro, ficam um tempo desse jeito, ela suspira e aponta com o polegar pra mim e desce os últimos degraus com as mãos para cima e ele coça os olhos e se vira para mim.

Ah não.

Ele caminha na minha direção e eu tropeço no degrau, caindo de bunda no mármore frio, ele me pega no colo e me coloca em seu ombro desce passando pela entrada e saindo sem antes de fechar a porta sem trancar.

— Shawn! — dou tapinhas nas suas costas, e percebo que as mesmas são musculosas e durinhas. — Olha, eu me recus...

— Ô senhora-nego-tudo-que-gentilmente-me-oferecem, deu. — Ele para na frente de sua casa e vejo Karen saindo da porta com um olhar curioso. — Mãe, ela recusou.

— Ah, tá explicado. — ela aponta pro carro e ri passando por mim. — coloca ela no banco de trás, Aaliyah vai comigo na frente e você fica vigiando ela para se caso Jordan tentar pular pela janela.

— Eu não sou tão doida a ponto de pular de um carro em alta velocidade. — sou posta dentro do carro mas bato a cabeça no teto soltando um “ au ”, ouço o Shawn dizer em um suspiro “ foi mal ”.

— Após ter te conhecido nesses dois dias. — Karen entra com Aaliyah na frente que olhava para trás. — Não me vou me surpreender se você fizer isso. — ela sorri amável e liga o carro.

— Eu tenho direitos de reclamar sobre vocês me levarem a força? — levanto a mão pedindo permissão para falar.

— Não. — todos dizem juntos, o coro dos Mendes

— Como eu posso retribuir? — eu esqueço de por o cinto e Shawn passa os braços fortes por cima de mim para puxar a fita preta e eu agradeço com o olhar.

— Tomando café conosco toda a manhã. — Aaliyah comenta e eu jogo um olhar de “ ata ”

— Isso! Sua companhia tem sido insubstituível. — vejo os olhos castanhos claros de Karen pelo retrovisor. — em apenas dois dias você foi tão diferente quanto qualquer outra pessoa da sua idade que eu já conversei. Chamou nossa atenção.

— Agradeço muito pelo elogio. — Shawn me manda uma piscadinha e eu a devolvo. — Porém eu não posso continuar a aceitar tudo o que vocês me dão.

— Eu gostei muito de você pelo simples fato de você nos tratar como pessoas normais. — estranho e olho para Shawn que da de ombros.

— Como assim?

— Ah, você sabe. — desvio meu olhar para as mãos de Shawn, então percebo que o mesmo batucava na perna com a palma da mão. — Você não nos tratou como celebridades, ou gritou, pediu fotos... Você foi diferente querida, agradeço porque você respeitou nosso espaço.

— Eu entendo porque eu vejo pelo ponto de vista da pessoa que ela não gostaria que eu a agarrasse e a deixasse desconfortável. — Aaliyah, pelo retrovisor, me manda um sorriso semi-cerrando os olhos fofos.

— Viu, e também, você é simpática e não conhece ninguém do bairro. — segunda vez que me chamam de simpática hoje. — Gostamos de você.

— Obrigada. — sorrio e me volto para Shawn que em apenas uma orelha tinha um fone de ouvido. — Ham... O que está ouvindo? — pergunto um pouco receosa em me tornar infratora.

— Estou ouvindo Castle on the hill do Ed... — suprimo um grito e bato palmas o que faz ele me olhar estranho abaixando as sombrancelhas.

— Deus! Amo muito essa música! — ele sem me perguntar coloca o fone em meu ouvido e então volta ao começo a música. — When I was six years old, I broke my leg, I was running from my brother and his friends...

Tasted the sweet perfume of the mountain grass, I rolled down... — ele canta dessa vez e eu animada não deixo de sorrir. — I was younger then, Take me back to when I...

— Socorro, desculpa desafinar... — ele ri e começamos a cantar juntos.

Found my heart and broke it here, Made friends and lost them through the years, And I've not seen the roaring fields in so long... — cantamos em coro e Aaliyah nos acompanha bem baixo mesmo não ouvindo a música, enquanto sua mãe ri.

I know, I've grown, But I can't wait to go home... — ele continua afinado enquanto eu rio aplaudindo e então eu começo a cantar sozinha o olhando nos olhos.

I'm on my way, Driving at ninety down those country lanes, Singing to Tiny Dancer... — Ele sorri mostrando os dentes sem tirar seus olhos mel de cima dos meus verdes.

And I miss the way you make me feel, and it's real, When we watched the sunset over the castle on the hill. — Ele canta sozinho e para a música sem dizer nada por um tempo. — Você canta! O que você não faz?

— Eu não sei ficar vesga, conta? — tento ficar vesga mas apenas um olho vai.

— Deus... — ele ri e Karen liga o rádio e estranhamente tocava “ Treat you better ” do filho, mas ninguém pareceu se surpreender ou algo do tipo. — Mas sério, sua voz é bonita, já pensou em focar na carreira de cantora?

— Olha, até já mas... Eu não sei se é para mim, eu amo qualquer lado artístico mas o desenho é o que eu mais gosto. — tiro o celular do bolso e ligo a câmera do celular para tirar foto na avenida pichada que passo.

— Ah entendi. — ele me cutuca e pergunta: — Vamos tirar uma foto?

— Tem certeza? Pra mim já tá sendo polêmico ir a um restaurante com a família Mendes e agora quer tirar foto comigo? — coço abaixo dos meus olhos, nas sardas ( feias ) — Sei não...

— Ah para de graça. — Ele abre no snapchat de seu próprio celular e liga os filtros do aplicativo pondo a famosa de cachorro.

— Isso é muito modinha. — Ele me olha arqueando as sombrancelhas e então muda para um de gatinho. — Que belezinha.

— Vamos com esse então. — mostro a língua e ele com o rosto virado para frente, gira seus olhos na minha direção, percebo o que ele faz e então faço o mesmo e a foto sai fofinha. — pronto, agora a gente coloca bem assim... “ going to lunch with the painter, Jordan. ” { indo almoçar com a pintora, Jordan }

— Péssima ideia, vai rolar polêmica. — balanço a cabeça.

— Vai, e eu vou dizer que você é a pintora que mora na casa do lado. — eu rio e avisto o restaurante quando dobramos a esquina, ali havia uma fila de pessoas com roupas sociais e eu me olho.

Estou de Jeans, blusão feminino e um tênis surrado.

Como eu disse, favelada.

— Acho que não estou vestida apropriadamente para um almoço desses. — Aaliyah se vira no banco e me olha.

— Não se preocupa. — Ela olha pra Shawn. — Meu irmão está pior. — ela sorri e o mais velho faz balbucia um “ ha ha ha, engraçadíssimo ”

— E você está maravilhosa, claro. — Shawn da um peteleco na testa da irmã e a mãe se diverte.

— Sempre soube que meu irmão não duvidava disso. — ela se vira para frente deixando ele no vácuo.

— Não tente rebater. — sussurro perto dele. — Você está em minoria nesse carro.


Notas Finais


COMENTEM E CURTAM!
ADEUS ABACAXIS!


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