História Tudo acontece e nada se vê - Capítulo 50


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Categorias Originais
Tags Drama, Gay, Religiosidade, Romance Gay, Yaoi
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sinceramente, não acredito que é o fim, teremos um Epílogo ainda e depois será oficial, não haverá mais capítulos, a não ser que desejem que eu poste algum capitulo excluído por mim, fica a critério de vocês...

E agora o capitulo, nos vemos nas notas finais.

Capítulo 50 - Última luta - Final


 

Contado por Orlando.

As vezes acho que ser pai é um dos trabalhos mais difíceis e ingratos que existem, cedo ou tarde os filhos sempre deixam o ninho e eu digo por experiência própria...A primeira a deixar o lar pra se aventurar fora foi minha filha mais velha, e mesmo sendo filha do meu falecido irmão não me importei de cria-la como se fosse minha, logo depois foi a vez do Flávio que também não era meu filho legítimo, adotamos ele quando pensamos que não podíamos gerar um nosso e William foi o último a cortar o cordão umbilical, ele era filho de sangue o meu caçula. 

Toda via ele não era o último, ainda havia mais um e esse, infelizmente eu não tive o prazer de conviver...porém, eu sabia bem da sua existência e fiz o possível para encontra-lo, mesmo tendo demorado 16 anos para isso.

Voltar para Baldocchi foi só mais uma das minhas desculpas, a empresa nunca chegou a me transferir, fui eu quem pedi essa transferência quando soube que Rosana ainda morava lá, estava mais do que na hora de eu assumir meu filho, eu já não era nenhum adolescente fugindo dos problemas. Todos diziam que ele era bem parecido comigo, quase uma cópia minha, seguindo esse raciocínio pensei que não seria tão difícil encontra-lo naquela cidade tão pacata. Mas nem tudo estava sobre o meu controle, no começo minha intenção era me aproximar de maneira indireta, aos poucos, mas antes de tudo eu teria que descobrir onde ele morava e mais uma vez o destino me deu uma ajuda, foi uma coincidência enorme me mudar com a minha família para a casa vizinha a dele.

Minha esposa e meu filho se mudaram um pouco antes de mim, mas quando eu cheguei e aquele garoto com os olhos tão parecidos com os meus tocou minha campainha me encontrei perdido, no começo não pensei que podia ser mesmo ele, entretanto quando Adam me disse o nome de seus pais eu tive a certeza, ele era mesmo meu filho, o mesmo que eu neguei durante tantos anos para manter meu casamento e mais um punhado de mentiras antigas.

William e Adam já eram bem próximos quando eu voltei para morar lá definitivamente...próximos até demais, tanto que cheguei a desconfiar e como pai eu tinha medo, não podia aceitar meu próprio filho, sangue do meu sangue se deitando com o próprio irmão, de inicio eu me negava a acreditar no que eu via, mas após diversos acontecimentos Adam voltou para o lugar que lhe pertencia, a minha casa e foi então que eu tive a certeza de que ele e William tinham um caso.

Não foi difícil afastar os dois, o próprio Adam decidiu isso sozinho quando resolveu voltar para o internato onde ele já esteve uma vez, o que veio depois foram apenas consequências.

(...)

E agora sou obrigado a encarar outro dilema da minha vida, não penso mais em separa-los, tudo que aconteceu de certa forma me serviu de lição, eles não tem culpa de nada, mas ainda havia uma praga para me atormentar e essa praga se chamava Leonardo.

-Eu já te falei pra deixar meu filho em paz, seu cretino. - Me levantei do sofá furioso e tudo que ele fazia era rir da minha reação, em pensar que um dia eu já amei essa risada.

-E você vai fazer o que? Deixa disso Orlando, eu não vou machucar seu filho, pelo menos um deles. - Ele levantou me olhando com aquele ar superior. - Agora se era só isso eu já vou indo embora, preciso falar com o Adam o quanto antes.

-Pra que isso Leonardo? Nós dois sabemos que você não ama ele, se amasse teria se separado daquela maluca que você chama de esposa, então faz um favor pra todo mundo e deixa as coisas como estão. - Esse era meu último argumento, talvez se eu tivesse alertado o Adam antes todo esse maldito problema não existiria.

-Que isso Orlando, se eu não te conhecesse bem eu juraria que essa cena toda é ciúmes, engraçado né, você me dispensou e seu filho me quis, acho que eu tenho um sério problema em gostar de pessoas da sua família. 

E todas as lembranças vieram a tona, Leonardo e eu tivemos um caso, um ano antes do Adam e o próprio Leonardo se conhecerem, se eu soubesse...me arrependi assim que descobri que o infeliz era casado, diferente de mim que estava divorciado a alguns anos, o divórcio aconteceu depois que Carmem descobriu um dos meus vários deslizes.

Acho que nunca esperamos que a pessoa em quem depositamos sentimentos e confiança nos decepcione, imagine o choque que foi quando eu descobri que o Adam estava namorando o meu ex, o pior era ter de ficar calado sabendo quem ele era, que Leonardo mentia para o meu filho assim como mentiu para mim.

-Fala sério Leonardo, desde quando você se humilha assim? - Tentei mais uma vez argumentar com ele.

Ouvi seu riso baixo, e por mais raiva que eu sentisse ainda havia sentimento, nos evitávamos desde que ele passou a namorar o Adam e me dava uma sensação estranha falar tão abertamente com ele depois de todo esse tempo.

-Acho que o que eu mais gosto no Adam é o fato dele ser parecido com você. - Esse comentário me deixou pasmo, ele me olhava nos olhos e ninguém ousava desviar.

Era um misto de raiva e felicidade, tudo era extremo enquanto estive com ele, e naquele momento não seria diferente.

-Quanta cara de pau você é um...

-Vai pode falar, sou um cretino, um puto de um mentiroso, sarcástico, babaca e mesmo assim você ainda tá gamado em mim. - E talvez essa afirmação não fosse de toda mentirosa.

A maior parte dos fatos ocorrem sem que nós possamos prever, Leonardo era um dos meus imprevistos no meio do percurso...Fiquei imóvel observando sua aproximação, meu corpo ainda respondia bem aos seus toques...as mãos um pouco frias acariciando minha nuca, e meus lábios entre abertos evidenciavam minha dificuldade em respirar devido a sua aproximação repentina, seu hálito quente se chocou com o meu e eu não pensei muito quando deixei ele me beijar.

-Chega Leonardo. - afastei seu corpo deixando um vazio em mim, não era para ser assim, eu já devia ter esquecido.

-Eu acho que ainda te amo, agora deixa de ser idiota e vamos terminar o que começamos. 

Seus lábios mais uma vez se juntaram com os meus e eu não tive força e nem vontade de afasta-lo, fui inconsequente, deixei tudo  que me afligia de lado para terminarmos nos amando naquele sofá, mais uma vez.

Deixamos de lado a revolta de minutos atrás, talvez toda aquela raiva que sentíamos fosse despeito, nossa relação foi rápida, intensa e a separação catastrófica, mas depois de sentir mais uma vez seu corpo envolvido com o meu fui incapaz de deixar ele ir, não àquela noite.

Desde o principio minhas relações foram baseadas em mentiras e agora eu enxergava melhor onde elas me levaram...Talvez fosse a hora de viver uma verdade em minha vida, e certamente o que eu sentia pelo Leonardo era verdadeiro...

Contado por William.

Levantei bem cedo como o combinado na noite anterior, seria hoje que Adam e eu nos livraríamos de todos os problemas que àquela cidade nos trazia, as vezes fugir é a única saída. 

Adam ainda dormia sereno com seus braços abraçando o próprio corpo, como se inconscientemente ele tentasse se proteger...Meus olhos observavam sua face, olhando para ele não era difícil entender como eu me apaixonei e antes de tomar coragem pra me levantar beijei seu rosto notando o quanto ele estava frio.

-Ei, que horas são amor? - Sua voz falava um pouco rouca por acabar de acordar

-Bem cedo. - Deixei escapar um sorriso. - Dorme meu anjo, eu não vou demorar a voltar. - Dei um selinho nele e Adam caiu no sono novamente.

Não demorei muito à me arrumar, eu estava ansioso para ir embora com ele, e a sensação de que devíamos partir o quanto antes só aumentava minha ansiedade. Peguei mais um cobertor e cobri ele com cuidado, olhei só mais uma vez o seu rosto e deixei sua casa para voltar para a minha.

Entrei tentando fazer o menor barulho possível, dar de cara com o Otávio não fazia parte dos meus planos, então lembrei que ainda não tínhamos certeza de onde iríamos, talvez ir para a capital fosse uma boa ideia, isso, a capital me parece um bom lugar para recomeçar, pensava enquanto colocava minhas roupas na minha mala.

-Onde você vai com essas malas? - Otávio falava irritado.

-Não tá óbvio, eu vou embora. - Peguei minhas malas feitas e saí empurrando ele da frente da porta.

-Você não pode ir. WILLIAM VOLTA AQUI. - Ele gritava para que eu voltasse e eu nem me dei ao trabalho de olhar para trás.

Tudo pronto, minha mente viajava enquanto eu dirigia de volta para a casa do meu Adam, estávamos a um passo da felicidade, e por mais problemas que pudéssemos vir a ter eles não seriam nada se comparados ao amor que sentíamos, meu coração palpitava, como se eu só tivesse percebido agora o que estávamos prestes a fazer, uma vida com ele, era só disso que eu precisava.

Abri a porta radiante vendo que ele já estava vestido, dei um abraço apertado nele e só soltei quando ele começou a reclamar de falta de ar, não contivemos o riso depois disso, segurei sua mão me prendendo naqueles olhos azuis, eu precisava dizer tudo, as sensações eram tão diferentes quando ele estava ao meu lado.

-Se você pudesse ver o tanto que eu te amo meu anjo. - Acariciei seu rosto e o brilho dos seus olhos só parecia aumentar. - É nossa hora de recomeçar, nunca mais vou te deixar sozinho, é uma promessa. - Selamos esse compromisso com um beijo quente.

Sua mão acariciava meu rosto, fechei os olhos por um instante, mas recuamos quando ouvimos ele falar.

-Quanta ingratidão, tantos anos cuidando de você, pra te ver fugir com outro. - Otávio dizia com ódio na voz.

-Anda William, coloca essas malas no meu carro, eu vim te buscar.

Adam segurou minha mão e olhando seu rosto eu podia sentir que algo estava errado.

E só quando Otávio apontou um revólver que até então eu nunca tinha visto que eu fui perceber a seriedade daquele momento, se eu tivesse parado para ver o quanto Otávio vinha agindo estranho...e mesmo tentando não temer, um calafrio percorria minha espinha, efeito de um mal presságio.

Contado por Adam.

A euforia de poder fugir de todo o mal para dividir minha vida com ele era imensa, as feridas do passado já não doíam tanto, contudo, um novo machucado iria se abrir e dessa vez...esse seria o último.

Chegamos tão perto que eu mal podia acreditar que isso realmente estava acontecendo, meu coração disparou quando vi aquela arma apontada na minha direção, nossa história não devia acabar dessa maneira, e novamente senti meu corpo esfriar.
A morte mais uma vez cercou nosso caminho, e essa seria a última luta!

-Eu não quero te machucar Adam, vai embora que eu preciso conversar com o meu marido. - Pode parecer bobo da minha parte, mas ver Otávio chorando enquanto falava fez meu coração se apertar, ele era tão vítima das circunstâncias quanto William e eu.

No entanto ir embora não era uma opção para mim, tínhamos uma promessa, juntos até o fim, não era isso?

-Não. - Falei entrelaçando meus dedos com os do Will, eu não sairia dali e mesmo apavorado eu tinha que continuar. - Otávio, por favor, pelo menos uma vez seja racional...

-CALA A BOCA, VOCÊ JÁ ROUBOU O QUE EU MAIS AMAVA, NÃO VEM ME DIZENDO O QUE EU TENHO QUE FAZER.

Essa discussão não nos levaria a lugar nenhum! 

E de repente William soltou a minha mão partindo na direção de Otávio que àquela altura se encontrava em prantos. A tristeza naquele olhar era profunda, e ver em que ponto Otávio chegou me deixou pensativo.

William já não estava ao meu lado me deixando um vazio imenso ao soltar minha mão. Eu estava sozinho, e nesse momento eu senti como se o mundo desabasse sobre as minhas costas.

Passei a dizer a mim mesmo que tudo ficaria bem, mas meu coração me impedia de me enganar, ele se apertava, eu não costumava falhar nas minhas intuições...e como eu odiei estar certo...nada de bom sairia dali. Fechei meus olhos e por alguns minutos meu corpo parecia entrar em transe, me esforcei o máximo que podia para não desabar e de longe podia ouvir os ecos de uma discussão...o fim dela era mais trágico do que poderia imaginar.

-Larga essa arma Otávio, suas ameaças não vão me fazer desistir.

Abri os olhos vendo William e Otávio discutir, tentei me aproximar, mas...meu corpo estava travado...e o som de um disparo me fez reagir...

-Não... - Foi a única palavra que saiu da minha boca, respirar parecia impossível naquele momento.

-Me perdoa...eu te amo. - E assim Otávio disparou contra a própria cabeça caindo ao lado do meu Will...Esse final eu não desejava para ele, mas estava longe do meu alcance mudar essa decisão fatal.

Até onde o amor pode levar uma pessoa? No caso do Otávio esse o levou para um caixão.

E pela primeira vez senti a chama do amor que eu tinha por Will me queimar...machucava...Amar dói, muito mais do que eu imaginei...Sua pele estava tão fria quanto as minhas mãos, se eu já não estivesse agachado com certeza teria desabado ali mesmo só por ver seu peito ferido por aquela bala.

-Vai ficar tudo bem meu amor. - Acariciei os cabelos dele pegando meu celular com a outra mão, eu já tremia feito um louco, meus olhos se recusavam a desviar daquela face pálida, ver o quanto ele se esforçava para respirar me matava por dentro, ele não podia me deixar, não agora. Encerrei a chamada, e o desespero já tomava conta do meu corpo.

-Aguenta firme meu amor...eles já vão chegar. - Selei nossos lábios e nem eu podia acreditar que eu ainda estava ali, William sempre foi mais forte, era ele quem me dava forças...mas só por essa vez eu teria que aguentar...

"Vai ficar tudo bem", essa frase já saia de maneira mecânica e nem eu mesmo conseguia confiar nas minha palavras. Os gemidos baixos de dor...Will lutava para respirar e eu só podia pensar que ele tinha que aguentar firme...

-Eu não consegui...

-Não Will, você prometeu lembra? Vamos ser felizes juntos. - Era impossível conter meu choro...

Mais uma vez o barulho de sirenes, dois corpos foram levados, um já sem vida e outro com parte dela...Até onde esse amor pretendia me levar? Essa incerteza era angustiante...

(...)

Sentado em uma cadeira, sozinho, esperando o resultado daquela maldita cirurgia, eu já não tinha estrutura para aguentar outra tragédia, ele tinha que sair dessa.

Cheguei a dormir na sala de espera daquele hospital e a surpresa foi enorme quando vi quem me acordou.

-Flávio? - Ele estava ali com um sorriso contido, e eu não podia deixar de me perguntar por onde ele andou todo esse tempo.

-Ainda vamos ter muito tempo para conversar...agora tem uma pessoa que precisa te ver.

Hesitei ao entrar no quarto, William olhava distraído para o aparelho ao seu lado, parei em frente a sua cama e olhar nos seus olhos fez meu coração acelerar...ele ainda estava ali e eu tive que me conter para não chorar mais uma vez lembrando de tudo que passamos juntos, cada marca ficaria gravada em mim...

-Eu disse que não ia mais te abandonar e eu não costumo quebrar minhas promessas...
 

FIM


Notas Finais


Ainda não acredito que chegamos até aqui, sim, chegamos, pois sem vocês a história não existiria, mas ainda há outras histórias que eu escrevo, e quem sabe outra história não possa sair dessa futuramente.

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