História Tudo Escuro, Tudo Claro - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Kentin
Visualizações 9
Palavras 1.424
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Adivinhem quem, após todo esse tempo, deu as caras nessa história novamente?

Capítulo 2 - Irreal, Insignificante, Ilegítimo


Capítulo 2

Irreal, Insignificante, Ilegítimo

O que ele sentia se parecia com não saber exatamente onde estava a sua própria cabeça. Era como ser espectador da vida, e não realmente estar vivo. Kentin estava sobrevivendo, de certo modo. Comia pouco, dormia demais, estava magro como nunca tinha sido visto antes e tinha medo de sair de casa.

Ele não sabia como lidar com aquilo, naqueles primeiros meses. Seu pai morto em batalha, a mãe o abandonou novo demais para que se lembrasse do seu rosto. Os poucos amigos que tinham, apenas Deus sabiam onde estavam, se é que estavam em algum lugar a àquela altura.

Claro que tinham aqueles que não fizeram parte da guerra, que estavam bem e próximos, mas eram tão ocupados com suas próprias profissões e viagens que não sobrava muito tempo para visitas regulares. Ele sentia falta dos amigos assim como sentia falta da família e da época de colegial onde era apaixonado por uma garota bobinha, mas que fazia seu coração dar voltas.

Ele se perguntava se aos 27 anos já começavam as saudades da vida boa de adolescente, onde não tinha mais obrigações além de estudar, e nem diversão melhor do que sair com os amigos. Se perguntava se era normal sentir falta de tudo aquilo com aquela idade, ou se a sua mente parecia tão velha quanto sua alma e as cicatrizes que carregava nas costas.

Ás vezes Kentin revia as cenas de como elas foram adquiridas e sorria. Não porque gostava delas, era um sorriso sofrido que vinha com a sequência de pensamentos dizendo que ele tinha um bom motivo para tê-las. Que não as tinha por nada, que tinham um significado tão profundo quanto todas as tatuagens que os amigos colecionavam, já que eram esse tipo de pessoa.

“Elas não são insignificantes, são marcas que me lembram o porquê passei pelo que passei. E de quantas pessoas salvei enquanto ganhava-as” – Dizia, para si mesmo toda vez que parava na frente do espelho para analisar o próprio corpo.

O peso em seu peito nunca diminuiu com as lembranças boas, no entanto. E sempre aumentava com as ruins.

Passados alguns dias do incidente na cafeteria, Kentin preocupou-se em sair da cama outra vez, dessa vez em um horário comum a sociedade, para tentar organizar o lugar, logo que soube por mensagem que Dakota o visitaria no outro dia. Talvez, quem sabe, até sairia um pouco de casa para ir até o mercado e suprir a casa novamente.

Era um dos dias bons, logo descobriu. Um dos poucos dias em que se sentia realmente disposto a algo, que parecia haver algo mais real a ser executado sem que a ansiedade o levasse de volta para cama e tomasse sua disposição de estar ali. Dias que, quando passavam, pareciam ilegítimos. Mas que, enquanto durassem, eram bons.

Kentin não esperava que alguém realmente entendesse o seu conflito interno, mas quando o contava para os fantasmas dos amigos de batalhas – irreais, fruto de sua imaginação e solidão e mesmo assim, as únicas companhias fantasmagóricas boas que tinha –, eles o entendia melhor do que ninguém.

A primeira tarefa a ser executada foi a limpeza. Recolheu todos os artigos de cozinha que não estavam na cozinha e os jogou na pia, pegou as pilhas e pilhas de roupas sujas e colocou-as para lavar, separou o lixo para colocar nos grandes lotes de lixo do prédio onde morava. Tudo com a energia de um ou dois sacos de salgadinhos que comera no dia anterior e, também, com o sedentarismo de quem não deixava a cama em nenhum momento do dia; mas fizera, percebendo o seu sucesso final ao não ver nada jogado ou fora do lugar – ainda que os móveis, sujos de pó, o fizessem espirrar de tempos em tempos.

Era difícil para Kentin. Ser produtivo, dar uma chance a produtividade. Mas ele se sentia satisfeito quando acabava, vendo o que fez. Sentia-se vitorioso quando realizava tarefas, uma vitória mais satisfatória do que qualquer outra, porquê, não só vencera a bagunça e desorganização e a sujeira; mas vencera a si próprio. Se superou, fez algo. Eram essas pequenas vitórias que importavam, o mantinham vivo.

– Ban, não toque nisso! – Kentin disse para o suposto fantasma, enquanto passava um pano com álcool no balcão da cozinha, repreendendo o outro prestes a tocar em uma de suas estátuas de vidro na estante da sala, na divisa aberta da cozinha.

– Sou um fantasma, não posso tocar em nada nem se eu quiser – Disse – Aliás, não sou nem real, me surpreende você saber disso e continuar falando consigo mesmo como se isso fosse perfeitamente normal.

– Você sempre foi altruísta, não é à toa que o imagino assim – O moreno murmurou para si mesmo – Também era muito chato, quando queria.

– Se estou dentro da sua cabeça, é claro que ouço você falando, pode parar de murmurar – Viu o fantasma sentar no sofá e esticar a perna – Cara, é sério, tem mesmo que parar de falar sozinho.

– Gosto de ter companhia, às vezes. Principalmente quando a companhia sou eu mesmo, na forma de um dos meus melhores amigos.

– Creepy.

– É verdade!

– Não é saudável que eu esteja aqui, eu nem mesmo sou eu de verdade. Você sabe, e continua me imaginando.

– Me sinto menos sozinho, fazendo essas coisas com “você” aqui, Ban.

– É óbvio que eu sei disso, eu sou fruto da sua mente! Mas como o lado são de você sabe, deveria parar de me imaginar, vai fazer com que piore.

Kentin não ouviu seus próprios conselhos e continuou imaginando Ban pelo resto da tarde, enquanto terminava as tarefas da casa. Olhara orgulhoso para o resultado final; tudo limpo e arrumado como costumava ser, as roupas lavadas e secas na secadora agora disponíveis novamente para uso, a louça lavada e organizadamente dispostas nos armários da cozinha.

Como última tarefa do dia, colocou uma roupa mais apropriada e saiu para o mercado, já anoite. Não precisava de muito, no entanto. Geralmente as compras que fazia duravam de 2 a 3 meses, quando não estragavam. Não comia tanto quanto antes, não se importava muito de qualquer maneira.

Os corredores do mercado estavam felizmente vazios, poucas pessoas vistas em um ou dois compartimentos do mesmo. Kentin só não esperava encontra-la lá depois de tanto tempo, e, por mais que tenha se esforçado para disfarçar e não deixar que o visse, não dera sorte.

– Kentin? – Li perguntou, se aproximando. Era dos tempos de escola, uma das muitas namoradas que Dakota teve, também uma das mais insuportáveis. – A quanto tempo! Não esperava te ver em Los Angeles, apesar de saber que tinha se mudado para cá por Lynn.

– Faz mesmo muito tempo, Li. Como você está? – Não deixou a formalidade e educação de lado, mesmo que por dentro estivesse quase correndo da situação.

– Ah, estou bem, sim. Faz anos que não nos vemos, emagreceu muito, o que aconteceu? Seu cabelo também cresceu, mas não ainda não decidi se gostei ou não – Deu uma risadinha.

– Nada demais, só perda de peso depois que parei de me exercitar. Quero cortar o cabelo em breve, acho que só o negligenciei um pouco – Omitiu que mal saia da cama e, por isso, não percebera o crescimento do cabelo, ainda menos teve disposição de marcar para fazer um corte. – O que faz em Los Angeles, afinal?

– Não soube? Dakota e eu estamos juntos de novo, depois de todos esses anos sem comunicação, até vamos visitar um amigo dele amanhã! – Revelou. – Fico surpresa por ele não ter lhe contado, sempre foram muito próximos.

– Acho que ele ia dar a notícia amanhã, é a mim que ele vai visitar – Kentin apontou, com um sorriso desconcertado.

– Droga! Acho que estraguei um pouco os planos dele, então. – Ela riu novamente, com o tom de voz fino. Logo após receber uma mensagem, ela alargou o sorriso e voltou a olhar para o de olhos verdes. – Eu tenho que ir agora, vou cozinhar para a Charlie hoje. Foi bom te rever, Kentin. O vejo amanhã.

– Até amanhã – O castanho se despediu, suspirando de alívio quando viu a morena sumir pelos corredores. Se apressando para pegar os itens nas estantes que achou que faltavam, e indo para os caixas rapidamente.

Não ficara exatamente incomodado com a notícia sobre a retomada do relacionamento pois, após todo o tempo que se passou, Li parecia outra pessoa em questão de personalidade apesar da aparência não ter mudado tanto. No fim, ficou feliz pelo amigo, e a ansiedade voltou quando fora dormir, esperando sua visita no outro dia.


Notas Finais


Espero que não tenha demorado tanto para voltar, porquê sentia falta dessa história. Agora que estou com o horário parcialmente organizado, e conseguindo escrever todo dia, acho que vou conseguir postar capítulos regulares não só dessa história, como as demais também.

Espero mesmo que tenham gostado, peço um imenso perdão pela falta de atualizações e o sumiço. Mas lembrem-se sempre de que, apesar de demorar, eu sempre volto eventualmente <3
Para reforçar, caso não tenha ficado suficientemente claro (vocês podem pensar que eu acho que vocês são antas, e estão certas. Coloco esses reforços aqui porque existem pessoas lentinhas por aí, assim como eu, e não gosto de deixar nenhuma dúvida sobre a veracidade da interpretação aberta da narração): Ban é um amigo de Kentin, provavelmente morto em batalha. Suas aparições são meramente a imaginação do nosso protagonista, que não consegue se desfazer de sua memória, e por isso o personifica. Agindo como se Ban fosse um fantasma.
(Certo? Certo!)

Vejo-os na próxima, até mais!


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