História Tudo que há é poesia - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Gênero Fluido Baekhyun
Exibições 10
Palavras 4.700
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Então pessoas... Segundo capítulo, espero que gostem! Um pouco mais de Chanbaek na vida de vocês 💙

Capítulo 2 - Sorriso onírico


“Wow, o que aconteceu ontem?” Luhan perguntou assim que Baekhyun entrou na sala na manhã seguinte. “Você tá’ parecendo um zumbi... Você chegou a dormir, pelo menos?”

“Não, mãe, eu não dormi.” Ironizou Baekhyun, sentando-se em sua cadeira e descansando sua cabeça em seus braços.

“Porque não?” Sehun inquiriu, levantando os olhos da tela de seu celular.

“Joonmyun pediu para eu revisar uns textos de última hora, então eu passei a madrugada corrigindo e editando coisas a base de café. Ah, eu nem gosto de lembrar daquelas horas.” Explicou suspirando longamente no fim.

“Mas porque você tem que fazer isso de última hora?” Luhan voltou a perguntar.

“Sei lá, algo sobre o grêmio... Não tenho certeza. Só sei que eu não dormi, enchi minha cama de folhas e meu corpo de cafeína e invejei meu gato porque ele estava dormindo!” Disse enfatizando as últimas palavras, como se fosse absurdo o fato de seu gato dormir e ele não.

“Bom, pelo menos você pode dormir agora.” Sehun disse, os olhos focados no feed de seu Instagram. “A gente tem química orgânica agora, eu sugiro que você durma.”

“Você é uma péssima influência, Sehun.” Luhan comentou, recebendo um sorriso do namorado.

“Obrigado, Sehunnie, acho que vou fazer exatamente isso.”

Assim, Baekhyun retirou seus óculos, colocando-os sobre a mesa de Luhan e enterrando seu rosto em seus braços logo depois. Ele inspirava o cheiro de sabão genérico que suas roupas exalavam, aos poucos entrando em um sono profundo em meio as vozes que ecoavam pela sala. Era bom o fato de que ele realmente não se importava com química orgânica – ou inorgânica – podendo, portanto, dormir sem nenhuma culpa e transformar as falas de sua professora em uma incomum canção de ninar.

Enquanto dormia nas aulas, ele sonhou com lágrimas molhando folhas de papel em um cenário essencialmente branco, um sorriso largo e amável no rosto de um gato que o observava atentamente. E Baekhyun chorava, molhando folhas e mais folhas, a tinta das canetas fundindo-se por causa do líquido salino. E agora o gato tinha orelhas grandes demais, orelhas humanas, e agora o gato era Chanyeol que ainda o observava atentamente. E Baekhyun não sabia se ele queria correr para o nada ou para o peito do outro garoto, e chorar ali, e chorar no seu sorriso. Mas no fim, ele só chorava e Chanyeol só observava.

~*~

Baekhyun só voltou a abrir seus olhos no horário de almoço, quando sentiu uma mão gentil balançando levemente seu ombro. O garoto abriu os olhos lentamente, ajustando-os a intensa claridade da sala de aula. Quando Luhan lhe informou que já era hora do almoço, Baekhyun assustou-se com a quantidade de tempo que tinha dormido sem interrupções, afinal, pretendia somente dormir durante sua aula de química. Ele tinha perdido todo o conteúdo da manhã e o intervalo matinal devido ao seu sono excessivo resultante de uma noite em claro.

“Porque não me acordaram mais cedo?” Perguntou ao mesmo tempo que esfregava os olhos com as costas da mão.

“Eu ia te acordar...” Sehun disse. “Mas o Luhan não deixou, porque ele queria que você descansasse.”

Baekhyun sorriu na direção de Luhan, ainda em certo estupor por ter acabado de acordar. O amigo sorriu de volta, aproximando-se e colocando os polegares da testa do outro.

“Cara, seu rosto está todo marcado.” Disse, massageando aos poucos a pele e aliviando a vermelhidão ali.

Baekhyun aproveitou o toque suave e relaxante dos dedos de Luhan, e quando eles se foram, o garoto quase reclamou em voz alta. Então, Sehun colocou seus óculos em seu rosto, ajeitando os cabelos pretos do amigo logo depois, afeição em seus lábios.

“Eu amo vocês...” Baekhyun comentou, seus olhos semi abertos e ainda cansados.

“A gente te ama também, Baek.” Sehun disse, estendendo uma de suas mãos para Baekhyun pegar e se levantar da cadeira. “Agora vamos porque estou morrendo de fome.”

E então, os três saíram pelos corredores da escola, Baekhyun ainda de mãos dadas com Sehun, enquanto Luhan segurava a outra. No fundo de sua cabeça ele se perguntava se alguém achava que Baekhyun tinha entrado no relacionamento de seus amigos, e que agora os três viviam algo como um ‘amor livre’. Mas ele rapidamente apagou tais pensamentos de sua mente, pois não fazia muito sentido pensar naquilo. Baekhyun chegou a conclusão que ele ainda precisava de algumas horas de sono.

“Baek, fica nos esperando na árvore.” Instruiu Luhan assim que eles chegaram a lanchonete. “Eu compro seu almoço.”

“Ok.” Ele concordou, entregando sua carteira para o amigo.

“Sanduíche vegetariano e suco de tangerina, certo?”

“Você me conhece tão bem, Lu.” Baekhyun disse sorrindo, antes de rumar para o lado de fora do prédio.

Kyungsoo ainda não estava na árvore quando Baekhyun chegou, então o menino simplesmente sentou-se sobre a grama, recostando suas costas no tronco, a sigla ‘BKLS’alguns centímetros acima de sua cabeça. Ele passou a observar as poucas pessoas que encontravam-se do lado de fora do prédio, afinal o clima começava a esfriar, e os alunos preferiam o aquecedor ao vento relativamente frio.

Ele localizou Jongdae e Minseok andando lado a lado e conversando casualmente e perguntou-se porque Chanyeol não estava com eles, já que os três, além de Jongin, faziam parte do time de futebol americano. Chanyeol devia estar com eles, certo? Aquela linha de pensamento sequer fazia sentido?

Baekhyun balançou a cabeça, limpando seus pensamentos. Não, não fazia sentido. Ele definitivamente precisava de mais horas de sono. Foi assim que ele percebeu, no entanto, que ainda não tinha observado sua musa naquele dia, que não tinha pousado seus olhos em seu personagem preferido. E aquilo deixava o peito do garoto estranhamente vazio, como se ele estivesse negligenciando um ritual, um segredo que tivesse com Chanyeol. O que também não fazia sentido. Já que Chanyeol praticamente não sabia da sua existência.

O rosto de Kyungsoo apareceu alguns poucos minutos depois, e Baekhyun não podia estar mais feliz. Ter alguém para conversar significava limpar sua mente de pensamentos e sentimentos estranhos, assim como de seu sonho perturbador.

“Ei, você está bem?” Kyungsoo perguntou assim que ele se sentou sobre a grama e olhou bem no rosto de Baekhyun.

“Hum? Ah... Sim, estou bem. É só que eu dormi essa manhã inteira na aula.” Explicou.

“Ah, tá.” Respondeu, abrindo seu pote de Cup Noodles com cuidado. “Você parecia drogado.”

“Quem dera.”

“Enfim, cadê o Luhan e o Sehun?”

“Estão vindo. Mas mais importante do que isso... Posso deitar no seu colo?”

Kyungsoo parecia estar a um passo de recusar, mas após uma boa olhada no rosto cansado de Baekhyun ele concordou com a cabeça e ajeitou suas pernas para que o amigo pudesse se deitar. Um sorriso explodiu nos lábios de Baekhyun, e ele se aproximou rapidamente, já que era raro Kyungsoo permitir esse tipo de contato – ou qualquer outro. E então ele passou a observar o cinza do céu, enquanto o outro começava a comer seu macarrão instantâneo.

Deitar no colo de Kyungsoo era totalmente diferente de deitar no de Sehun ou no de Luhan. Os outros dois amigos instantaneamente enterrariam seus dedos no cabelo de Baekhyun, massageando sua nuca e aliviando seu estresse, e era maravilhoso. Mas com Kyungsoo era totalmente diferente. Kyungsoo não fazia nada, somente deixava que Baekhyun repousasse sua cabeça em suas coxas macias e quentes. E era como se seu amigo fosse seu travesseiro preferido, aquele que você procura quando precisa realmente só recostar a cabeça e relaxar. Era estranho, mas era único e era Kyungsoo.

“Não deixe esse líquido nojento cair no meu cabelo, ok?” Baekhyun pediu, focando seus olhos no amigo e afastando-os do cinza.

“Você decidiu deitar aí.” Retrucou Kyungsoo. “Se cair, a culpa é totalmente sua.”

Baekhyun bufou irritado, mas no fundo não estava irritado. Aquela era a forma como Kyungsoo agia, era só como ele era.

“Kyungsoo?”

“Hm?”

“Como é ser arromântico?”

“Hum... Não sei, Baek. Eu só sou assim. E não tenho nada para comparar, porque eu simplesmente sou arromântico.”

“Parece fácil.” Comentou Baekhyun.

“Não é. As pessoas não entendem como é a Arromanticidade. Ou elas pensam que eu tenho medo de relacionamentos e por isso digo ser arromântico, ou elas acham que eu sou um ser frio que não sente nada. E isso não é verdade.”

“Desculpa, Soo. Eu não queria-“

“Tudo bem, Baek. Eu estava falando de pessoas no geral.” Ele fez uma pausa. “E você é um poeta. Você é todo sentimento e subjetividade. Deve ser bem difícil também.”

“É difícil.” Baekhyun concordou em voz baixa.

Foi então que Baekhyun sentiu dedos em seus cabelos, um movimento contido e envergonhado de Kyungsoo. E ele percebeu que Kyungsoo o confortava, ele dizia que estava ali. Com aquele gesto Kyungsoo dizia a Baekhyun que ele não amava ninguém romanticamente, mas amava seus amigos e que aquilo era suficiente.

E Baekhyun só não começou a chorar porque naquele momento ele só queria sorrir. E ele sorriu para Kyungsoo. Dentes e gengivas a mostra porque ele amava tanto Kyungsoo.

Kyungsoo sorriu de volta.

E Baekhyun sentiu orquídeas desabrochando-se dentro de si.

Minutos depois, Luhan e Sehun chegaram. Luhan entregou o almoço comprado à Baekhyun que tirou sua cabeça do colo de Kyungsoo relutantemente e passou a comer. Enquanto isso, Sehun reclamava sobre como a fila não andava, sobre como pessoas não sabem andar rápido e sobre como ele estava com fome. Kyungsoo revirava os olhos, Luhan ria e Baekhyun sorria.

“Sehunnie, você esqueceu de contar certos acontecimentos ao Baekhyun.” Luhan disse, interrompendo um dos silêncios do almoço.

“Que acontecimentos?” Baekhyun perguntou, curiosidade tomando conta de si.

“Não acredito nisso...” Kyungsoo murmurou, já prevendo o que escutaria a seguir.

“Não é nada de mais, na verdade.” Sehun disse, pausando para dar um gole em seu chá de bolhas. “Nós três fomos à cafeteria ontem, já que você tinha ido embora mais cedo, e certa pessoa estava lá. Certa pessoa estava suada e com os cabelos bagunçados por causa do treino, e eu tenho certeza que você descreveria isso tudo muito melhor do que eu, mas essa pessoa estava lá. E você perdeu.”

“É só isso?” Baekhyun perguntou, fuzilando tanto Sehun quanto Luhan com os olhos.

“Não! Ele não chegou na melhor parte.” Luhan interviu.

“Bom, como eu ia dizendo, Chanyeol estava lá sendo sexy com todos os amigos dele, mas algo estava diferente. Porque a cada dois minutos, ele olhava para a nossa mesa como se estivesse procurando algo, como se na nossa mesa estivesse faltando algo. E o que estava faltando na nossa mesa?”

Baekhyun continuou encarando-o de forma impassível.

“Você! Você não estava lá e Chanyeol estava te procurando!” E Sehun estava tão animado que Baekhyun acharia fofo, se tudo aquilo não fosse tão idiota.

“Meu Deus...” Kyungsoo murmurou de novo.

“Eu não acredito que eu quis saber do que vocês estavam falando.” Baekhyun comentou, sua voz baixando em volume assim como a de Kyungsoo.

“Ah, vocês são muito sem graça.” Luhan reclamou.

“Vocês são muito idiotas.” Rebateu Baekhyun.

Mas Luhan e Sehun só riam entre si, o que suavizou o clima aos poucos, e dessa forma o almoço voltou ao normal. Os quatro terminaram de almoçar pouco tempo depois e passaram a conversar casualmente sobre assuntos escolares, até que Kyungsoo perguntou a Baekhyun:

“Você precisa voltar para casa mais cedo hoje também?”

“Pretendia.” Ele respondeu.

“Ah, não, Baek.” Sehun reclamou. “Fica por mais tempo e faz companhia para a gente.”

“Você pode revisar seus textos na biblioteca ou algo do tipo.” Luhan sugeriu.

“Sim...” Kyungsoo estranhamente pediu, acrescentando logo depois. “Eu não sei se eu consigo passar mais uma tarde com os dois sem você, Baek.”

“Aw, depois disso, Soo... Não tem como eu ir embora mais cedo.” Baekhyun disse, enquanto Sehun e Luhan protestavam por causa da fala de Kyungsoo.

“Precisamos rever nossas amizades, Lu.” O mais novo disse, mas o sorriso em seus lábios evidenciava que ele não falava sério.

O sinal tocou naquele minuto, então, retirando grunhidos de preguiça dos quatro garotos, que se levantaram da grama lentamente. Eles entraram no prédio, andando em meio a multidão de alunos, e alguns minutos depois Kyungsoo se separou dos outros três, seguindo para sua sala.

Baekhyun percebera, quando fechou a porta da sala atrás de si, que o recinto já encontrava-se relativamente cheio, os estudantes conversando entre si e aproveitando o fim do tempo livre que tinham. Mas seus olhos não se demoraram muito no geral, focando-se na cadeira próxima as janelas da sala, onde Chanyeol sempre se sentava.

Ele estava lá, como esperado. O uniforme abraçando seu corpo perfeitamente. O sorriso adornando seu rosto perfeitamente.

No entanto, Chanyeol não conversava com Jongin ou Yixing. Ele conversava com Seo Joohyun, a garota sentada na cadeira que antecedia a de Chanyeol, um sorriso encantador em seus lábios, suas mãos mexendo em seus cabelos ruivos constantemente, criando curvas efêmeras e harmônicas. Chanyeol retribuía o sorriso dela, e eles conversavam com uma animação evidente em seus olhos.

E Chanyeol não olhara para Baekhyun assim que ele fechara a porta. E Baekhyun queria mais uma vez correr.

Ao invés disso, ele deixou seus olhos correrem pela sala mais uma vez. Concentrando-se melhor, Baekhyun percebeu que Taeyeon, em um canto, observava a cena sorrindo levemente, como se sorri quando algum trabalho árduo é terminado.

E tudo ocorreu em frações de segundo. E Baekhyun compreendeu o que acontecia ali nessas frações de segundo.

E foi um baque tão grande e repentino, que Baekhyun não soube como conseguiu mover suas pernas, mas instantes depois ele estava ao lado de sua mesa, sentando-se pesadamente na cadeira. E ele arriscou olhar mais uma vez para Chanyeol e Joohyun, e no segundo seguinte tinha o rosto entre seus braços, tentando, de forma frustrada, apagar a imagem de sua mente.

Luhan e Sehun teriam percebido sua angústia, mas ambos estavam entretidos demais em algo no celular do mais novo para perceber. E Baekhyun estava muito grato, pois ele realmente não confiava em sua voz naquele momento. Ele só queria se trancar em seu quarto, ou queria até mesmo que a aula começasse logo para que aquela conversa tivesse um fim.

Mas os poucos minutos que a professora demorou para chegar pareceram horas na cabeça de Baekhyun. E ele se sentia de volta em seu sonho, onde ele chorava e Chanyeol sorria.

Durante a aula, Baekhyun permitia-se observar Chanyeol rapidamente, e o fato de ele e Joohyun não se sentarem perto era aliviante. Seu caderno de poesias jazia aberto em sua mesa, uma folha branca encarando-o como se o desafiasse a escrever. Mas Baekhyun não escreveria. Porque naquele momento, Chanyeol não o inspirava nem um pouco. Chanyeol, naquele momento, não era sua musa. Chanyeol parecia ser só mais um garoto de ensino médio almejando ter uma namorada. Chanyeol era genérico enquanto sua imagem estivesse vinculada a Joohyun, na cabeça de Baekhyun.

E Baekhyun tinha medo de que Chanyeol permanecesse genérico. Porque ele definitivamente não queria aquilo. Porque sua poesia era Chanyeol. E Chanyeol era sua poesia.

A aula de história que se seguia ajudou a limpar a mente de Baekhyun, pois assim ele podia se concentrar nos fatos históricos em detrimento dos fatos daquela tarde. Começara a chover, então. E Baekhyun afastou seus olhos da professora, afastou seus olhos de Chanyeol para observar o fenômeno através das grandes janelas da sala. A chuva começara forte, mas pouco tempo depois já era contida e tímida, e Baekhyun sentiu a ponta de seus dedos formigarem com a vontade de transformar chuva em inspiração. Inspiração em palavra.

 

O chorar

“A chuva tinha começado a deixar as nuvens levemente forte, mas logo passou a cair de forma lenta, os pingos encontrando o chão em intervalos quase regulares. Era como se os pingos sentissem falta do seu antigo lar, tão alto, imponente e observado. Mas como ela não podia voltar para lá era como se chorasse em silêncio, as lágrimas escorrendo pelas faces do mundo entre fungadas veladas.

E, por fim, contentando-se com seu destino, a chuva foi parando de chorar de tempos em tempos como se aos poucos fosse se acomodando no novo e diferente lugar. Do macio para o rígido. Do imaterial para o material. Do alto para o baixo. Do azul para o cinza.

E de duas cores... para sete.”

 

E a chuva terminou de chorar pouco tempo depois que Baekhyun terminou de escrever.

“Você escreveu algo?” Luhan perguntou, assim que percebeu que Baekhyun tinha sua atenção voltada para o pequeno caderno.

Baekhyun o entregou o caderno, e Luhan rapidamente leu o conteúdo, sorrindo de leve todo o tempo.

“Chanyeol vai ficar com ciúmes da chuva...” Comentou, mas Baekhyun não mostrou nenhuma emoção em seus olhos, e Luhan percebera que aquelas não tinham sido as melhores palavras. Baekhyun era imprevisível, afinal. Mas seus amigos eram capazes de entender como ele era.

“Desculpa, Baek. Eu não... Enfim, é um belo conto.” Luhan disse, e Sehun concordou com a cabeça, observando a pequena tensão instaurada ali.

“Está ok.”

Mas Luhan sabia que não estava.

~*~

Ao final da aula, Sehun rapidamente saiu da sala, rumando para seu clube de dança em passos largos. Luhan e Baekhyun permaneciam na sala, já que Baekhyun não precisava comparecer ao clube naquele dia. Luhan olhou fundo em seus olhos antes de falar.

“Você vai voltar para casa ou...”

“Não, vou corrigir os textos aqui mesmo. Eu aviso vocês por mensagem onde vou estar.” Baekhyun respondeu.

“Ok.”

Quando Baekhyun estava pronto para sair da sala, Luhan, no entanto, o chamou novamente.

“Baek?”

“Oi?”

“Você está bem?” Era uma pergunta que Luhan sempre fazia a Baekhyun. O outro soltou um riso rápido.

“Eu sempre estou bem, Lu.” Sempre que ele respondia aquilo, ele não estava bem, e Luhan sabia daquilo. Seu rosto se contorceu em uma expressão de preocupação, e Baekhyun acrescentou. “Converso com você mais tarde.”

“Você tem certeza?”

“Tenho. Agora anda logo que o Kyungsoo deve estar te esperando no clube de canto de vocês.”

Luhan parecia contra as ideias do amigo, mas ainda assim os dois garotos saíram da sala, um empurrando de leve o outro para o lado de fora. Luhan olhou mais uma vez nos olhos de Baekhyun e aproximou-se para um abraço, que o outro estava feliz em retribuir. Luhan se importava tanto, que ele conseguia apagar parte da dor só por estar ali.

“Te vejo mais tarde, Baek.” Disse após se afastar.

“Até logo.”

Quando o corpo de Luhan virou o corredor, Baekhyun permitiu-se tomar o próprio caminho, descendo escadas, abrindo portas, até que ele estava do lado de fora de novo. A grama e o calçamento ainda encontravam-se levemente molhados por causa da chuva, e Baekhyun perguntou-se se certa arquibancada ainda estaria molhada.

Ele devia ser louco, ou muito auto destrutivo por estar dirigindo-se àquele específico lugar naquele específico dia. Mas Baekhyun não conseguia mudar o sentido no qual seus pés o levavam, a quadra de futebol americano já entrando em seu campo de visão.

Não demorou muito, e logo o menino já subia as arquibancadas com calma, vez ou outra ajeitando a mochila nas costas. Ele parou de subir quando alcançara uma altura considerável, os corpos dos jogadores pequenos, mas ainda assim distinguíveis. Baekhyun percebeu satisfeito que as arquibancadas não estavam molhadas e, dessa forma, sentou-se rapidamente, colocando sua mochila ao seu lado.

O treino estava prestes a começar, e Baekhyun disse a si mesmo que ele também precisava começar seu trabalho, retirando o envelope da mochila com cuidado e outros utensílios que precisaria. Porém, antes de começar ele colocou seus fones de ouvido, dando play em ‘So sad, so sad’ por Varsity. Ele riu com a ironia de estar ouvindo tal música naquele contexto. Logo depois, ele se livrou de seus tênis All Star extremamente velhos, ficando somente com suas meias nos pés.

E então ele focou sua atenção nas diversas folhas que tinha diante de si. Baekhyun passou a corrigir palavras, circular frases, mudar termos, puxar setas e fazer comentários, o tempo todo levando seus óculos ao topo de seu nariz, pois eles sempre caíam dali. Música ainda tocava em seus ouvidos quando certo tempo depois, Baekhyun percebeu que ele terminara a tarefa que Joonmyun tinha lhe passado. Ele suspirou longamente e passou a mão pelos seus cabelos, observando Jongin no momento em que o garoto marcara um ponto. Jung Hoseok comemorava com ele.

Ele se concentrou na música por alguns minutos, seus óculos em uma mão enquanto a outra massageava seu nariz e olhos. Logo depois, ele checou as horas e percebeu que ainda tinha cerca de quarenta minutos antes que seus amigos terminassem suas atividades extraclasse.

Baekhyun, portanto, decidiu passar rapidamente na gráfica da escola, podendo, dessa forma, scanear as folhas corrigidas e enviá-las a Joonmyun para que ele pudesse organizar o resto do maldito jornal com os outros integrantes. Ele calçou os tênis, amarrando-os logo depois e descendo as arquibancadas em pequenos saltos, levando consigo somente o envelope e deixando a mochila para trás, já que ele pretendia voltar ali para esperar Luhan, Sehun e Kyungsoo.

Enquanto ele descia ele sentia olhos em si. Tentava não pensar muito nisso, mas quando o sentimento se tornou insuportável, ele levantou seus olhos e encontrou os dele. Chanyeol o observava enquanto ele descia as arquibancadas, e Baekhyun se sentia ridículo. Ele devia parecer uma criança descendo daquela forma. Por isso, ele desviou os olhos o mais rápido possível, concentrando-os em seu tênis. Ele ainda não conseguia olhar para o outro. Olhar para Chanyeol lembrava-o de Joohyun.

Baekhyun chegou na gráfica da escola em tempo recorde. Provavelmente porque ele se concentrara em andar, focando corpo e mente na tarefa. Sooyoung estava lá. Baekhyun gostava dela. Sooyoung fazia parte do grêmio, garota de opinião forte, engajada política e socialmente, era uma das pessoas mais simpáticas que Baekhyun conhecia. Ela sabia, como ninguém, como balancear força e doçura de uma só vez.

“Olá, Sooyoung!” Ele cumprimentou assim que a viu no recinto.

“Oi, Baekhyun!” Ela respondeu, um sorriso se formando em seus lábios. “Veio fazer o quê?”

“Ah, eu terminei de revisar os textos que o Joonmyun pediu. Vou scanear e enviar para ele.” Explicou brevemente, já começando a mexer no Scaner.

“Hum, entendi. Ele está super nervoso nos últimos dias por causa dessa correria.” Sooyoung disse, organizando panfletos sobre uma mesa.

“E o que você está fazendo?” Baekhyun inquiriu.

“Eu e a Yoona tivemos a ideia de fazer uns panfletos feministas e entregar pela escola. Eu não aguento mais ouvir algumas coisas e não fazer nada.”

“Oh, que massa. Posso pegar um?” Ele perguntou, e Sooyoung instantaneamente balançou a cabeça afirmativamente, um largo sorriso em seus lábios.

Baekhyun olhou rapidamente para o panfleto, enquanto voltava para perto da máquina que scaneava os papéis. A escrita de Sooyoung e Yoona era impecável, inflamada com palavras de empoderamento e militância. Aquelas meninas eram realmente incríveis, e Baekhyun estava levemente com inveja delas pelo seu poder.

“Isso tá maravilhoso, Sooyoung.” Ele comentou, balançando levemente o panfleto. A garota riu de leve.

“Ah, obrigada. Bom, eu vou indo, Baekhyun... Te vejo por aí.”

“Ok... Fighting!”

“Fighting!” Ela respondeu sorrindo, saindo da sala logo depois.

Depois de scanear as folhas, Baekhyun sentou-se em frente a um computador, organizando o e-mail que mandaria para Joonmyun. Após alguns minutos tudo estava pronto, então ele só escreveu um pequeno recado ao outro antes de enviar.

E logo ele andava de volta ao campo de futebol americano, escolhendo novas músicas para ouvir e navegando displicentemente por redes sociais. Quando chegou ao seu destino, Baekhyun fez questão de não olhar nenhum dos jogadores, evitando qualquer interação que o abalasse.

Ele rapidamente abriu o grupo ‘Árvore BKLS’, começando a digitar mensagens a seus amigos com calma, ao mesmo tempo que voltava a subir as arquibancadas.

Baekhyun:

Eu estou nas arquibancadas do campo de futebol.

Me encontrem aqui.

Chegou a hora de encher vocês de snaps.

Baekhyun então abriu o Snapchat, sorrindo levemente. Entre os quatro, cada um tinha seu próprio estilo em mandar snaps. Baekhyun era o aleatório. Ele tirava fotos de qualquer coisa, de tudo que chamava sua atenção, sempre com um olhar poético demais para o mundo. Sehun, no entanto, mandava selfies ou fotos do seu cachorro, Vivi. Sehun sempre mandava fotos suas, divertindo-se com os filtros que se renovavam. Luhan também mandava fotos e vídeos de Sehun. Ele gostava de pegar o namorado desprevenido, quando ele não estava esperando uma câmera apontada para si. Kyungsoo, por sua vez, raramente mandava algo, atendo-se a assistir o que os outros mandavam. Quando ele mandava, porém, Kyungsoo gostava de tirar fotos de pessoas desconhecidas, sempre um zoom exagerado nos snaps.

Baekhyun adorava e se divertia com cada um deles.

E assim ele passou a tirar fotos do céu, de páginas do seu livro, do treino, dos diversos patamares da arquibancada...

Em certo momento, seus olhos voltaram a observar Chanyeol enquanto ele jogava. Infelizmente, ele ainda associava a imagem do garoto a Joohyun. Baekhyun perguntou-se se a menina apareceria mais tarde no campo e se ela e Chanyeol voltariam juntos para casa, e seu estômago revirou-se com tais pensamentos. Ele percebeu que encontrava-se em outra situação em que invejava mulheres, mas por um motivo diferente. Talvez se ele fosse uma menina, Chanyeol o olharia com desejo ao invés de curiosidade. E Baekhyun nunca teve nada contra Joohyun. Mas agora ele tinha.

Meio álbum dos Smiths depois, Baekhyun notou que Sehun e Yixing tinham chegado ao campo, acenando de leve para eles. Os dois garotos passaram a subir as arquibancadas, dirigindo-se na direção de Baekhyun, assustando-o um pouco, visto que nunca tinha falado com o amigo chinês de Chanyeol. A presença de Yixing o deixava apreensivo.

“Oi, Sehun, Yixing.” Ele cumprimentou, quando estavam próximos.

“Oi.” Yixing respondeu, e Sehun sorriu ao seu lado.

Os dois dançarinos sentaram-se, suspirando longamente provavelmente por cansaço. Baekhyun observou que o pequeno sorriso nos lábios de Yixing já era capaz de evidenciar suas covinhas, dando um aspecto mais pueril ao garoto. Ele era bonito.

“Esse treino sempre demora para acabar...” reclamou Yixing, colocando sua cabeça em suas mãos, enquanto recostava-se no degrau de trás. O silêncio que se instaurou era desconfortável, e Baekhyun procurava por assuntos em sua mente, mas não encontrava nenhum. Sehun, no entanto, o salvou de seu desconforto.

“O Yixing estava te invejando hoje, Baek.”

“Porque?” Perguntou ao mesmo tempo que o chinês sorria.

“Você dormiu a manhã inteira...” Foi Yixing quem respondeu. “Queria muito estar no seu lugar naquele momento.”

“Ah, sim... Eu estava super cansado.” Comentou.

“Jongin achou que você tinha morrido. Chanyeol mandou ele te deixar em paz, o que não faz muito sentido, já que você já estava em paz.” Yixing comentou.

“Quê?” Baekhyun estava confuso. Sehun sorria ao seu lado.

“Oh, o treino acabou.” Disse Yixing, já levantando-se. “A gente se vê, Baekhyun.”

“Ok.” Baekhyun respondeu, e logo Yixing já descia as arquibancadas. “Ele é legal.” Comentou para Sehun, assim que o outro se fora.

“Ele é.”

Não demorou muito e logo Luhan e Kyungsoo chegaram ao campo também, e assim os quatro seguiram para a cafeteria. Kyungsoo estava reclamando que Taeyeon e sua namorada Tiffany deviam parar de se agarrar durante as atividades do clube, porque ele não era obrigado a ver nenhum casal fazendo aquilo.

“Você é obrigado a ver eu e o Luhan, porque você é nosso amigo.” Sehun disse assim que eles chegaram na cafeteria.

“Eu ainda vou matar vocês dois por causa disso um dia.”

Baekhyun riu de leve ao mesmo tempo que eles se sentavam em uma mesa ao lado das janelas. Sehun só depositou sua mochila sobre uma cadeira, dirigindo-se para a fila para comprar tanto sua bebida quanto a de Luhan. Baekhyun implorou a Kyungsoo que comprasse seu café duplo com creme, entregando-o o dinheiro necessário. O menino reclamou, mas acabou fazendo o requisitado pelo outro.

“E então?” Luhan perguntou assim que os outros dois estavam na fila.

“Não é nada de mais, Lu. Sério.”

“Ainda assim quero ouvir... É claro, se você quiser falar.”

“É só que...” Baekhyun começou, não sabendo ao certo o que dizer. “É o Chanyeol. Eu percebi que tem algo rolando entre ele e a Joohyun. É idiota, eu sei. Mas eu não posso negar que senti um pouco de ciúmes, o que também é bem idiota. Afinal, ele não é meu e é normal alguém como ele querer estar em um relacionamento.”

“Baek, nada disso é idiota. Só mostra que você sente.” Luhan disse, pegando sua mão por cima da mesa.

“Mas eu não devia sentir. Porque era só poesia, mas agora eu olho para ele e não sinto inspiração, só dor. E isso traz tantas inseguranças de volta.”

“E poesia é o que se não sentimento?” Luhan perguntou, sorrindo ternamente. “E a dor pode ser inspiração também, não?”

“Porque você sempre está certo?”

“Porque eu sempre estou.” Luhan deu de ombros, sua mão nunca deixando a de Baekhyun.

O café que Kyungsoo lhe trouxe o relaxou profundamente, sua temperatura esquentando seu corpo gradativamente, seu sabor entorpecente tomando conta de sua boca.

Quando Baekhyun chegou em casa, ele rapidamente dirigiu-se ao seu quarto, preparou-se para dormir e entrou debaixo das cobertas, Edgar já sobre os tecidos. Baekhyun dormiu, não pensando mais nos demônios que viviam dentro de si.


Notas Finais


Minhas histórias têm personagens secundários demais... Sorry not sorry. Eu não me arrependo de nada


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