História Turn The Page - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Cana Alberona, Lucy Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Lucy, Mika Asamiya, Nalu, Natsu, Turn The Page
Exibições 673
Palavras 4.986
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Luta, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


"Now and forever, we stay until morning... And promise to fight for our fates... 'Til we die..." (っ˘̩╭╮˘̩)っ
~Entrei no clima aqui, ui! 🌚 Ashuashuashua~
Ooooi (≧∇≦)/
Eu demorei um pouquinho demais além da conta no limite do possível, né? |°з°| Desculpem. Certas dificuldades com este capítulo me fizeram atrasar a atualização, além de que, eu deixei vocês esquecerem um pouco todo o ressentimento em relação ao Natsu. Rsrs~ Pessoal, vocês caíram matando no cara, eu hein... Fiquei com dó dele hauhauhahuahua~
Enfim, eu achei que seriam apenas 3.000 palavas — Ô, doce ilusão... Desde quando eu faço capítulos pequenos, ainda mais aqui? O.o – e pá! Não é que eu consegui concluí-lo em uma noite com muita cafeína e açúcar. ~ Aliás, saúde ☕(#^.^#)
É o seguinte, este é o capítulo que contém a luta do Natsu — eu frisei tanto que ela acabou exigindo seu espaço ù.ú — mas quero deixar claro que eu fiz de tudo para não deixar o capítulo muito exaustivo ou monótono, assim como tentei não deixá-lo batido também.
Confesso a vocês que foram 6 filmes de luta, 2 UFC Combate (inclusive o último de sábado agora xekjfrjcuajwh) e mamãe google para ter este resultado. Rsrs~ Não irei dizer que está 100%, maaaaas garanto que estudei o suficiente para merecer pelo menos um 8,5 pela pesquisa. Haha XD
Enfim, espero que gostem :3
Ignorem os possíveis erros ortográficos, me perdoem por eles, e boa leitura! └|°ε°|┐
P.S: Minha parte favorita da música ↓ :)

Capítulo 9 - Dias de luta, dias de glória e um dia de derrota


Fanfic / Fanfiction Turn The Page - Capítulo 9 - Dias de luta, dias de glória e um dia de derrota


"A esperança precisou morrer para deixar-te ir
Então jogue-se contra as minhas pedras
E cuspa a sua pena na minha alma
Você nunca precisou de nenhuma ajuda
Você me vendeu para se salvar
E eu não ouvirei a tua vergonha
Você fugiu - Vocês são todas iguais"

10 de setembro de 2016 • Sábado • 23h06min • Las Vegas

Faltando pouco mais de vinte minutos para sua luta começar, Natsu tentava se manter concentrado enquanto Gajeel enfaixava seus punhos um a um e colocava as fitas antes pôr as luvas sob os olhos atentos dos agentes exteriores que as assassinaram. Ele era seu preparador físico afinal e um de seus deveres era garantir que tivesse uma luta limpa e segura, mas estava preocupado tanto com ele quanto com suas atuais condições.

– E aí, cara? Como a mão? – Lhe perguntou, terminando uma e partindo para a outra.

Natsu abriu e fechou o punho direito diversas vezes o testando e acabou esboçando um visível careta de dor que não passou despercebido por seu amigo.

– Incomodando. – Foi sincero, suspirando.

– Sorte que não foi a sua esquerda e você é canhoto, mas ainda será um problema. Tente não forçá-la muito ou dar a entender que tinha um caco de vidro enterrando na sua pele. Eu vou enfaixá-la o mais firme que puder, só que não vai ser o suficiente.

– Eu sei. Tudo bem. Obrigado. – Suas respostas eram curtas e baixas. – Apenas não conte a Gildarts, certo? Ele já fulo comigo, se souber que a minha direita ferrando, vai cair matando em cima de mim.

– Ok, você quem manda. – Começou a envolver as faixas em sua palma. – Mas sério, cara, onde estava com a cabeça quando resolveu quebrar uma mesa de mãos nuas? A gente não faz isso nem com um saco de pancadas! É perigoso, e você tem sorte de não cortado nenhum tendão. 

– Eu sei, eu sei. Eu tava nervoso, já disse! 

– Pensei que tivesse aprendido a controlar seu temperamento.

– É, eu também. – murmurou, assistindo as novas cicatrizes que ganhou ainda avermelhadas sendo cobertas pelo fino tecido branco.

O último mês foi bem difícil para ele, pois além de ter cortado laços com a irmã mais uma vez na vida, terminou seu relacionamento definitivamente com Lucy e ainda levou uma bronca de seu treinador pelo ato impensado. Socar uma mesa de vidro fora de longe uma ideia inteligente e quando a dormência o atingiu, nem conseguiu estancar o sangue que escorria dos cortes. Natsu precisou levar pontos em três lugares diferentes. 

Sorte – se assim poderia dizer – é que foram ferimentos pequenos, mas dias depois ele começou a sentir algo dentro o incomodando e somente com um Raio X descobriu que havia um caco enterrado entre o indicador e dedo médio ignorado antes. Foi preciso uma rápida cirurgia para retirá-lo, mas a dor que o material deixou ainda era um pouco presente, entretanto, ele acabou por escolher se arriscar do que desistir em cima da hora, e lá estava o Dragneel, há minutos de entrar no octógono. Não seria uma dorzinha que o impediria de lutar. 

– Pronto. Quer fazer algumas séries? – O entregou as luvas que usaria.

Natsu passou uma das mãos no cabelos trançados e assentiu; seria bom para mater o foco. Então pôs as luvas e se levantou testando seus movimentos, mas suas roupas não ajudavam muito. Usava uma calça e uma blusa moletom de mangas longas, pretas com detalhes bancos, inclusive o nome “Dragneel” destacado em letras garrafais e em locais estratégicos. Haviam também a sigla UFC junto de diversos outros nomes, patrocinadores e logos, um sendo uma tribal vermelha no formato de um rosto de dragão com o apelido “Salamandra” atrás. Sua bermuda tinha apenas o essencial, que era seu sobrenome e a sigla, só que a apresentação fazia parte do show, por isso as de Gajeel, de Gildarts e do resto eram semelhantes, dando jus à sua equipe; Clive's MMA.

– E como a cabeça? No lugar? – Gajeel abordou de repente, após iniciarem o aquecimento.

– Não força, cara. Deixa isso de lado, por favor. Minha mente tem que vazia. 

– Ok. Não vou insistir, mas você sabe, se quiser falar...

– Posso contar com você, eu sei. Valeu.

Gildarts entrou interrompendo-os com uma uma expressão nada amistosa, contudo, calmo acima do possível.

– É melhor não se cansar. – disse aproximando-se. – A mão?

– Ótima.

– Você?

– Preparado. – rosnou.

Ele assentiu, gostando de ouvir sua confiança. Natsu parecia firme, e era assim que o queria, concentrando inteiramente na luta.

– Certo. Mas não minta para mim. Se sentir dor, avise. Vamos, está na hora. O Cobretti entra primeiro.

Gajeel soltou um risinho, chamando a atenção para si.

– Quem vai comer quem primeiro? A cobra ou a salamandra? Uh... – Brincou com os dedos no ar, fingindo esboçar mistério.

Gildarts negou com a cabeça, mas não disfarçou seu sorriso, já Natsu se permitiu relaxar pela primeira vez durante o dia e riu da piada de seu parceiro, pois entendeu bem sua analogia em relação as espécies. Quem seria o mais letal, era o que ele queria dizer.

Gildarts tomou à frente e os três seguiram pelo corredor escutando as ovações do público se tornarem mais altas. Haviam muitos gritos eufóricos, torcidas gritando os nomes de ambos os lutadores e o apresentador só incentivando ainda mais aquela competição. Ao se aproximarem do limite permitido no momento, viram todo o cenário arquitetado para a grande luta da noite sob os holofotes e a multidão ensandecida. Logo o apresentador parou e anunciou Erik Cobretti, vulgo Cobra, que fora recebido com mais berros, aplausos e algumas vais, claro, ao som de Lose Yourself; Eminem.

– Bela música. – disse Gajeel, apático, e Natsu bufou, se preparando para usa vez.

O assistiram chegar até seu lugar e começar a tirar a roupa com a ajuda de sua equipe ficando descalço e apenas com a bermuda e as luvas. Depois viram lhe esfregar a vaselina em seu rosto para evitar cortes precoces ao redor dos olhos e iniciarem a verificação em suas orelhas, certificando que não haviam danos que poderiam rasgá-las fora durante a luta; suas mãos, tendo a certeza que as luvas eram do peso do regulamento, nenhuma fita solta – no qual afirmavam que os agentes estavam presentes quando foram colocadas – e para checar que as unhas foram cortadas certamente. Seguiram para a virilha, garantindo que ele usava o copo¹; os pés, tornozelos e unhas dos dedos; e encerraram abrindo seus braços, conferindo que seu corpo não possuía nenhuma substância que deixasse sua pele lisa e todas as áreas a qual poderia esconder itens ilegais.

Ao ser liberado, Erik pôs o protetor bucal e subiu no octógono, então chegara a vez de Natsu. Não demorou para o apresentador anunciá-lo e logo a animação dos espectadores o saudaram vendo-lhe caminhar em frente ao som de 'Til We Die; Slipknot. Passou pelo mesmo procedimento que seu desafiante meio agitado até receber a confirmação que estava tudo correto, seguindo em direção ao palco da disputa.

Natsu e Erik trocaram olhares afiados de lados opostos somente girando em círculos enquanto o apresentador continuava a falar sobre a luta, que seriam três rounds de cinco minutos cada, da categoria meio-pesado. Logo mudou o assunto para o Cobretti, informando sua idade, dois anos a menos que o Dragneel, altura, peso e alcance. Também mencionara de onde ele vinha e a cor de sua bermuda branca, o número de lutas, vitórias, sob quais circunstâncias, e derrotas, logo nomeando-o mais um vez:

– Desafiando o título de campeão e em busca de seu próprio cinturão: Erik Cobretti; O Cobra! – Exagerou na pronúncia, arrancando a empolgação da galera com ele os incentivava mais.

Em seguida se voltou para seu adversário, ditando o mesmo, inclusive sua bermuda preta para emfim concluir:

– O atual campeão, invicto a seis desde a conquista de seu título: Natsu Dragneel; O Salamandra! – Não poupou fôlego, e este erguendo o punho ao agradecer o apóio que ganhava.

A luta fora anunciada, ambos tomaram à frente com o árbitro entre eles relembrando as regras, e o gongo soou dando início ao primeiro round. Eles tocaram as luvas antes de se afastarem em posição de luta e observando os movimentos de cada um. Como não era de ficar na retaguarda, Natsu partiu para o ataque, mas seus primeiros golpes estavam mais para testes e eram evitados com facilidade. Logo Erik parou de defender e tentou alguns também. 

O começo fora equilibrado até que se empolgaram e adotaram investidas mais sérias, no qual exigiam mais atenção afim de serem evitadas, contudo, se encontravam precisos, assim passando de raspão um no outro. O Dragneel não queria usar sua direita – pelo menos, não tão cedo – então variava entre jab's cruzados e chutes, não muitos úteis. Também tentava derrubá-lo; sua especialidade no jiu-jitsu lhe dava vantagem no solo; só que o Cobra também pretendia o mesmo. Restava saber quem teria a vantagem ali.

Natsu lhe acertou um gancho de direito e sentiu a pressão negativa que recebeu com o ato, entretanto seguiu adiante, mas não estava totalmente focado no agora, e isso deu o passe perfeito para que Erik desviasse, aproveitando a próxima oportunidade para pressioná-lo contra as grades e aplicar uma guilhotina quase perfeita, se seu adversário não se tivesse mantido uma pequena guarda que o impedisse de finalizá-lo.

Ele ficou calmo durante certo tempo até aplicar uma técnica que o libertou com certa dificuldade e em seguida conseguindo levá-lo ao chão, só que Cobretti executou uma defesa, lhe impedindo de acertá-lo e o prendeu com as pernas e os braços, na tentativa de encaixar um triângulo que ficou mal sucedido e ambos acabaram imobilizados um ao outro.

O anúncio que o tempo estava acabando fora dado e logo o gongo soou, encerrando aquele round. Eles se separarem ofegantes e suados, cada um indo para o lado onde seriam atendidos por suas equipes durante o curto período entre os assaltos.

Natsu sentou-se no banco que lhe fora colocado tirando o protetor bucal para beber a água que Gajeel o ofereceu enquanto o médico estancava o corte que ganhou após um soco, também ouvindo os sermões de seu treinador.

– Natsu, o que foi aquilo? Onde estava com a cabeça?! 

– É, cara, deixou ele dominou o round inteiro. – disse Gajeel, confuso.

– Ele é rápido. – respondeu, tomando outro longo gole.

– Não! Você está distraído, e isso te deixou lento! 

Ele grunhiu ao testar seu punho direito; estava latejando.

foda. – falou.

– É, a gente viu você se curvando na hora, mas ele não. Disse para não usá-la de início. Isso vai te ferrar.

– Esqueci. Merda!

– Não esqueça. E foco agora! – Gildarts o instruía, tendo sua completa atenção. – Você é mais experiente, use isso contra a velocidade dele. O leve para o solo, você é bom no jiu-jitsu. O finalize!

– Eu poderia nocauteá-lo?

– Com a direita ruim? – Soou cético, o que o irritou. – Péssima ideia. Se falhar, vai entregar o resto da luta pra ele.

Natsu ponderou de testa enrugada. É claro que não existia apenas uma maneira de encerrar de tudo rapidamente, mas sua consciência o fez decidir escutar os conselhos de seu treinador e seguir o que lhe mandara. Não podia arriscar tanto do jeito que se encontrava, então suspirou e esvaziou completamente sua mente, livrando-se dos problemas que o atrapalhavam pesando em suas costas, e levantou para virar o jogo.

Repetiu os mesmos gesto de cumprimento ao ter o segundo round anunciado e mudou sua postura anterior, meio cansado, mas ainda de pé. Desferiu golpes perigosos, se defendeu de alguns, tentou chutes, recebeu outros que quase o desestabilizaram, mas usou a chance que teve para agarrar sua perna e derrubá-lo. 

Com a perna apoiada, Erik colocou o braço atrás do joelho e fez a raspagem, então Natsu aproveitou a deixa dele segurando seu braço com a perna, pondo a mão embaixo de seu cotovelo e a cabeça no ombro, puxando o braço para cima com a intenção de aplicar a chave de braço partindo da isca, entretanto, Cobretti era rápido e escorregadio, e conseguiu evitar a finalização girando o corpo na direção em que ele o queria apenas seu braço, o tendo lhe prendendo de forma complicado, mas sem saída.

Natsu trincou os dentes e resolveu mudar a tática, soltando a perna para entrelaçar ambas no quadril de seu adversário o prendendo mais ainda contra si. O que não recordava era que ao contrário dele, Cobra possuía um braço livre e o usou para tentar socá-lo no rosto em uma posição que não o permitia acertá-lo direito. Contudo, continuava sendo uma desvantagem para o Dragneel, que mesmo assim estava sendo golpeando.

Não querendo ficar naquilo até ser esmurrado de verdade, ele aliviou um pouco seu aperto com as pernas afim de desconcentrá-lo e o empurrou com um duplo chute meio fraco devido à proximidade para afastá-lo, logo se pondo de pé com pressa e recuando com o braço erguido, evitando a sequência de socos com a qual Cobretti lhe partiu para cima.

Ouviu Gildarts repreendê-lo pelo o que executou a pouco e Gajeel incetivá-lo com novas dicas repetidamente como fizeram o tempo inteiro, agora meio que acuado contra as grades. Precisava reverter aquela situação antes que acabasse deixando com que ele levasse o segundo round também que já era seu, então persistiu no direito como defesa e arriscava com o braço esquerdo golpes cegos. 

Teve um rápido vislumbre de sua lerdeza entre os períodos de contra-ataque para girar e sair de seu alcance. Caminhou para trás notando uma mania dele ao imitá-lo até manter uma distância segura e ofegou com força; encontrava-se cansando após os dois tempos e não sabia direito o que fazer em seguida. Sua ideia inicial era levá-lo ao chão e finalizá-lo, mas Erik não baixaria a guarda tão facilmente para que o deixasse executar outra técnica; ele demonstrou também ter estudado bem seu jeito de lutar nos últimos meses. Estava levando-a a sério, só que, em uma rápida piscada de olhos, Natsu notou que Cobra esboçava um sorriso convencido nos lábios machucados, e não demorou para entender o motivo antes de escutar o gongo.

Natsu se jogou banco com força, praticamente arrancando o que lhe protegia os dentes para se hidratar enquanto Gajeel passava um saco de gelo por seu tórax e o médico cuidava de seus cortes.

– Você foi bem, não conseguiu exatamente o planejado, vi que ele te pressionou, mas também não o permitiu que saísse vitorioso neste round. – falava Gildarts, satisfeito. – Agora precisa...

– Ele sabe. – O cortou, sem deixar de encará-lo.

– O quê?

– Ele percebeu que tem algo de errado comigo; deixou claro no final da partida. Inferno! Ele é bem atento.

– Nem tanto, você que deixou transparecer. – disse Gajeel.

– Como?!

– Naquela hora... Ficou óbvio que evitava sua direita a todo custo. Aposto que até o técnico dele viu isso, só que o coroa aqui não porque estava mais interessado nas aberturas que o Cobretti deixava.

– Porra, é verdade. – Ele confirmou.

– E achou alguma? – Quis saber, só para ter a certeza de não vira errado.

Gildarts ponderou antes de dizer:

– Só uma, mas acho que você já sabe.

Natsu assentiu.

– Vou nocauteá-lo. – afirmou.

– Natsu... – O alertou.

– Ele já sabe o meu ponto fraco, não tenho mais razões para não tentar!

 – É tudo ou nada. – Gajeel meio que concordava com ele. Era assim, às vezes as estratégias exigiam um pouco mais de ousadia.

– Tudo ou nada. – repetiu, convicto.

Gildarts bufou, se dando por vencido.

– Tá. Faça isso, mas faça direito. Tudo ou nada.

Ele não precisou de mais nada para se erguer e seguir em frente cravando o olhar no seu oponente determinado. Esticou os punhos na direção dele lembrando de sua tatuagem atrevida; era hora de assumir o lutador selvagem de outrora há muito escondido. 

Erik parecia mais confiante enquanto o Dragneel se esforçava para manter suas últimas forças focadas nos movimentos dele e no ataque que escolheu. Teria só uma chance e iria exatamente com tudo. 

Cobra testava sua dedução ao medir seus socos e vê-lo realmente usar a direita para se defender, fazer o mesmo quando decidia atacar com a oposta. Estava certo que só precisaria se preocupar com um punho sendo que o outro era deixado de lado, contudo, Natsu estava mais interessado em observar seus movimentos com as pernas.

Andando para trás e tendo-o seguindo, ele logo partiu para cima abordando o Cobretti com a surpresa que o deixou confuso, mas alerta para voltar, fazendo o que Natsu já sabia que ele implicaria; usar a perna esquerda para recuar e pulando duas vezes com a direita repetidamente. Deu ao Dragneel a oportunidade de pegar suas duas pernas e enfim conseguir levá-lo ao solo com êxito, ficando quase que totalmente inclinado sob ele ao tê-lo o segurando com as coxas e desferindo diversas direitas e esquerdas consecutivamente, uma atrás da outra, golpe por golpe, direto com cruzado, com força e rapidez, sem pausa para sequer sentir dor devido a pressão contra rosto dele até o árbitro parar a luta ao ver que Cobra estava enfraquecendo ao ter mais como se resistir.

Natsu se levantou gritando com os braços para cima; havia ganhando, tinha certeza. Ainda consciente, Erik teve ajuda de sua equipe para se erguer e os dois foram um para cada lado, dando um tempo enquanto os juizes decidiam o resultado; que aparentemente já estava decidido.

Mano, o que foi aquilo? Cê é loco?! – Gajeel soava impressionado, rindo feito um maluco. – E a sua mão, caralho?

Natsu o acompanhou nas gargalhadas, usando a água que antes bebera para molhar a cabeça.

– Cara, meu sangue fervendo! Não sentindo porra nenhuma!

– Você parecia um demônio que escapou da jaula por um segundo; nunca te vi bater daquele jeito. – Jazia uma insinuação, quase que uma pergunta, em suas palavras.

– Eu já. – disse Gildarts, de pé em sua frente com uma sobrancelha levantada e um pequeno sorriso. – Você soube parar; mandou bem, garoto.

– Valeu. Mas apenas eu tive um bom mentor. – Aquilo também queria dizer que ele estava orgulhoso de si mesmo. Sempre sentia isso após uma luta, e principalmente, uma vitória. Mostrava que estava vivo, que era forte; muito mais forte; que amava seu esporte, e que se regenerou, por isso ainda não era hora de encerrar sua carreira. Ainda era apenas a continuação de sua jornada no mundo do MMA.

– Tá. Sem bajulação. Vai receber sua vitória. 

Natsu assentiu e vestiu sua camisa, seguindo para o meio do octógono igualmente ao Erik, meio desapontado, de cara muito mais arrebentada, mas bem o bastante para aceitar sua derrotada de cabeça erguida, e ambos tomaram um lugar ao lado do apresentador. 

– Você devia deixá-lo liberar essa fera mais vezes. O cara fica insano. – Gajeel falava para Gildarts, cruzando os braços enquanto esperavam anunciar o vencedor.

– Não. – Ele negou, certo disso. – É Natsu quem o controla agora, não contrário. E é assim que tem que ser. Sabe disso.

Gajeel somente deu de ombros, não insistindo.

– E o campeão da noite e ainda invicto é... – Pegou o braço de Natsu, o levantando. – O Salamandra: Natsu Dragneel!


• (●♪●) •

Lucy desligou a TV assim que ouviu a porta ser abrir e soltou um suspiro ao fingir estar concentrada em seu notebook aberto. Seu mês se resumira a isso, ficar sentada no sofá encarando com frustração uma tela em branco ou descarregando sentimentos negativos através de palavras no seu novo caderno. Nunca na vida havia usado sua habilidade de maneira tão grosseira e intensa.

– Estava assistindo o quê? – perguntou Kana, se jogando na poltrona ao lado. 

– Nada de mais. Apenas pulando canais aleatórias.

Kana arqueou uma sobrancelha, pois a mentira estava claro em seu rosto.

– Ah, diz logo que estava assistindo a luta dele. Quanta birra. – resmungava, arrancando os sapatos com exasperação.

Lucy a encarou irritada, entretanto, voltada mais para si mesma do que para ela, que se atreveu a admitir o que ainda negava teimosamente. Era verdade, assistiu o quanto pôde do começo ao fim a vitória de Natsu ao vivo direto de Las Vegas até a amiga chegar e se ver obrigada a não revelar sua fraqueza.

– Isso não importa, apenas fiquei curiosa. – Fora sua melhor desculpa. – Aliás, ele venceu. Ele realmente é bom nisso. – murmurou, mordendo o interior da bochecha.

– Eu sei.

–  Você assistiu? – Soou chocada, quase cética.

– É claro que não. Nunca assisti uma luta dele na minha vida. Ele pode merecer alguns socos que leva, mas isso não quer dizer que eu goste de vê-lo sangrar. – Deitou no estofado cobrindo os olhos com o braço. – Prefiro só ver o resultado na internet.

Lucy não questionou sua preferência, afinal, em seu ponto de vista parecia mais um show violento denominado esporte por pessoas que gostavam de assistir outras pessoas lutando sem motivos dentro de uma jaula. Suas opiniões sobre o mundo haviam ficado mais afiados também nas últimas semanas, e julgar se tornou seu hobby preferido; o que não fazia antes.

Ela decidiu continuar calada e pegou o vinho que deixou ma mesa em sua frente para preencher sua taça vazia, mas a garrafa se encontrava seca, e bufando, levantou para pegar outra. Kana apenas assistiu seus movimentos com curiosidade.

– Está bebendo? – Pareceu mais surpresa do que deveria, e de fato estava.

Lucy revirou os olhos e deixou a garrafa perto da que esvaziara mais cedo, tirando outra da geladeira e pegando o sacarrolha.

 – Sim, eu estou bebendo. Problema? – Foi rude, tendo sua língua mais afiada pelo álcool também.

Kana ergueu as duas mãos, ficando de pé e caminhando até ela.

– Imagina. Quem sou eu para te julgar logo nisso. – Sarcasmo jorrava de sua boca enquanto vasculhava as sacolas de compras que sua amiga fizera à tarde e as largara em cima da bancada. – O que é isso?

Ela quase rolou os olhos novamente para sua pergunta tola ao lhe mostrar um pacote rosa.

– Absorvente? – Retrucou o óbvio. – Eu sou uma mulher, lembra? Tenho uma maldita regra que me visita todos os meses sem atraso.

Kana bufou.

– Eu mandei você comprar um teste, não absorventes!

– Kana, não grávida! – Explodiu por causa de sua insistência em afirmar o contrário. – Para de me encher com isso, pelo amor de Deus! Que porra! – Acontece que sua reação ao tê-la tocando no assunto replicavam exatamente o oposto, assim aumentado sua desconfiança.

E como sempre, ela não a levou a sério.

– Lucy, você passou na semana passada.

– Porque você me deixou sozinha aqui com duas garrafas de vodca e uma de tequila! Como queria que meu estômago vazio recebesse litros de álcool puro? Saltitante! Ah, me poupe! Você está um saco esses dias! – Esbravejou, em seguida bebendo direito do gargalo.

 – É você quem está um saco aqui! Está com tanta raiva de Natsu que passa o dia salivando veneno! Se não quer ter certeza, o problema é seu! Eu desisto. – Estava prestes e sair pisando duro para seu quarto quando a ouviu repetir mais baixo:

 – Eu não estou grávida.

– Tá, tá, tá! Foda-se a sua teimosia.

– Eu. Não. Estou. Grávida. – rosnou as palavras, já se irritando com ela novamente, mas enfim ganhando sua atenção. – Não tem como. – completou. – Tomo anticoncepcionais regularmente desde os vinte um, você sabe! Nunca esqueci um dia e por causa disso minha menstruação sempre vem no dia exato todo o mês; amanhã. Natsu sabia quando simplesmente decidimos parar de usar camisinha. Conversamos primeiro. Não somos adolescentes, Kana! Pare de me atormentar com isso, por favor. Quero esquecer seu irmão. – murmurou a última parte piscando para o embasamento que cobria seus olhos, mas não foi mais forte que uma única lágrima que fugiu ao tomar outro áspero gole.

Depois daquela, Kana finalmente resolveu desistir, entretanto, só ficaria totalmente convencida no dia seguinte, ao ter a prova final. No momento sua amiga não era de confiança; Lucy jamais era sincera sobre si mesma em relação aos próprios sentimentos, se escondia em sua postura de escritora e independente mulher moderna; então não seria uma surpresa se ela estivesse apenas negando para evitar lembrar de algo que a ligasse com Natsu.

– Por que chegou tão cego? – Agora sim Lucy mudou o rumo da conversa. 

Kana suspirou, massageando a testa com grosseria enquanto sentava no sofá. Seu dia estressante não parecia chegar ao fim nunca.

– Bem, digamos que eu agredi, sem querer, verbalmente um dos meus  colegas. Sem querer. – repetiu. – Então meu chefe me disse para eu ir embora e voltar só quando controlasse os meus nervos. Ou minha língua; o que viesse primeiro. – Tomou a garrafa de suas mãos, agora ela precisando beber mais que tudo.

Elas eram sempre assim; brigavam, se alfinetavam com palavras duras e provocações para depois agirem como se nada tivesse acontecido e então cuspirem a crua verdade na cara uma da outra sem ressentimentos. Talvez fosse aquele o motivo de se darem tão bem – não tinham medo falar na cara correndo risco de perder a amizade contanto que abrissem os olhos – ninguém sabia, e no final, lá estavam elas rindo ou dividindo a bebida.

– O quê? – disparou, pasmada. 

– Em minha defesa, foi ele quem começou ao ficar me enchendo para conseguir uma entrevista com Natsu pra ele. Eu disse que estava fora de cogitação, mas acha que ele me escutou? Então fiz ele entender do jeito mais direito possível!

– Você está gritando. – disse, após testemunhá-la elevar a voz ao extremo de uma hora para a outra.

Kana abriu a boca, mas hesitou e cerrou o punho com força em volta da calça. Depois se obrigou a soltar um respiração e disse:

– Preciso fazer terapia. – Desviou o olhar. – Passei o dia inteiro perambulando pela cidade tentando engolir essa merda.

– Como é que é? – Piscou, incrédula. Aquilo de forma alguma foi ideia dela.

– Foi a exigência dele. – suspirou, de raiva. – Disse que sou muito boa no que faço, mas meu temperamento é um problema, e isso é inaceitável no local de trabalho. Resumindo: preciso mudar isso, com ajuda profissional, ou perco meu emprego. É ridículo! Ele não pode me demitir só porque sou explosiva!

– Pode sim. Se você estiver prejudicando a redação com suas atitudes, ele tem todo o direito. – Pegou a garrafa de volta.

– E desde quando ser assim é um crime?

– Crime não é, mas ninguém é obrigado a te aguentar assim, Kana. Aliás, está gritando outra vez. – Ergueu as duas sombrancelhas.

Ela trincou os dentes.

– Eu não preciso fazer terapia.

– Ah, precisa sim. Sempre precisou, na verdade. Você já que jamais quis aceitar.

– Diz a mulher que não consegue admitir que errou, que está tendo a maior dor de cotovelo da sua vida, mas é orgulhosa demais para aceitar isso ou ao menos pedir desculpas; igualzinha a ele. – Soltou seu súbito de ironia. 

Lucy estreitou os olhos em sua direção.

– Não comece. O assunto agora é você. E só pra deixar claro mais uma vez: foi ele quem errou e não eu! Idiota.

Para o choque de Lucy, desde que lhe contara com a detalhes tudo o que aconteceu naquela noite, Kana não xingo,u e muito menos julgou o irmão pela sua reação, aparentando até estar meio arrependida de algo. E novamente, ela não a defendeu ao encará-la impassível.

– Sabe que não vou ficar do seu lado dessa vez, não é? – inquiriu, com aquele mesmo semblante perdido da tal noite. – Nem dele também. Natsu errou feio ao te comparar com aquela vaca, mas eu preciso concordar, você foi tão cretina quanto ela ao mencionar uma coisa sem sequer sabe sobre ele direito. E eu caí matando em cima do meu irmão porque estava zangada com ele por causa de Gray, usando você como desculpa. Mas se eu tivesse ouvido o mesmo que Natsu... – Deixou a frase morrer, e de novo Lucy ficou sem entender onde errou ao se expressar. – Porém, também sou teimosa para não ir procurá-lo, então vai continuar engasgado aqui enquanto você, eu e ele seguimos com nossa ignorância. Você também precisa parar de querer ser sempre a dona da razão, assim como ele tem que deixar de ser arrogante. – levantou-se, se encaminhando na direção do corredor. – Vou me afogar na minha própria merda, boa sorte na sua e com o livro, que ficando assustador. Cuidado. – A alertou. – E boa noite. – Sumiu, deixando-a sozinha com seus pensamentos e a garrafa.

Lucy ficou remoendo o que ela lhe disse, tudo o que falou para Natsu há um mês atrás, se esquecendo do tempo e só sentindo o sabor de amargura nos lábios a cada gole novo até não restar nada além de uma enxaqueca pesada e visão turva.

"Toda garrafa vazia possui uma história..." – sussurrou para si mesma com ironia, a largando em qualquer canto enquanto cambaleava para a cozinha. Tinha ouvido, ou lido aquilo em algum lugar, só não lembrava onde.

Queria ficar bêbada ao ponto de esquecer tudo, inclusive o próprio nome, mas algo no caminho a parou e soltou uma risada histérica e sem humor ao se virar para as sacolas, pegando um pacote de absorventes e verificando o horário em seu celular. Passava da meia-noite em Nova Iorque, então já era domingo.

– Cólica com enxaqueca e pé na bunda, era tudo o que você precisava agora, Lucy. – brincou secamente, mas não viu a menor graça, e caminhou para seu quarto com uma única decisão consciente na cabeça. – Acho que está na hora de voltar para casa. 

Aceitou aquilo sem pestanejar, afinal, não queria mais esperar a sua coragem, ou a dele – a que visse primeiro – para tomar uma iniciava e encerrar de vez aquela pirraça. Estava sendo imatura e patética, e jamais fora assim, mesmo que não recordasse de quem realmente foi antes de conhecê-lo. E apenas desistiu; o que também era de seu feitio; mas durante os últimos três meses aconteceram muitas coisas, bons e ruins, assim como dias de luta, dias de glória e um dia de derrota, no qual ambos simplesmente fecharam os próprios olhos.


"Aqui estou eu - na estrada novamente
Lá estou eu - em cima do palco
Aqui vou eu - bancando a estrela de novo"


Notas Finais


Música do Cobra → https://www.letras.mus.br/eminem/63454/traducao.html
Música do Salamandra → https://m.letras.mus.br/slipknot/1320935/traducao.html

Iriam ser outras, mas aí estas começaram a tocar e eu não resisti a mais uma referência XD
~ Eu vou me internar, só pra deixar claro a vocês, tá? Juro juradinho ✋

¹ Eu acredito que seja aquele protetor das partes delicadas, certo? Rsrs~ ^////^

Então, eaí? O.o
Gente, dei uma viajada legal na luta. Desculpem se ficou muito "????" Hoje não tô muito bem, não @.@
Mas então, Natsu, ganhou, olha que surpresa! :) Ah, vocês me conhecem, eu não iria fazer ele perder nessa altura do campeonato! Seria muita sacanagem só pra quebrar um clichê :v — Depois vou consolar o Cobretti pela derrota, tadinho... ~ Adorei esse nome 💙

A parte sobre a possível gravidez foi algo que eu meio que não havia pensando direito ao escrever aquele derradeiro hentai no qual eles não usaram proteção e se não me engano, alguém notou isso. Fiz essa parte porque em nenhum momento eu planejei baby-chan aqui; sorry; então foi pra cortar todas as suspeitas, ok? E ainda aproveitei pra fazer drama! Haha! Eu sou muito filha xjenftuvajwoa XD
Aliás, Lucy e sua primeira dor de cotovelo... Bizarro @.@ ~ Sempre tem uma primeira vez :P

MDS, FOI O PENÚLTIMÃO!!!! *0* É... Penúltimozão... Penúltimo... Penúltimozarrão... O.o
Não, não sei como usar aumentativo dessa palavra, apenas sabemos que o próximo é "The End" ( ͡° ͜ʖ ͡° ) 👉👉

Esperam que tenham gostado :3
Não sei quando volto, mas planejo encerrar essa fanfic ainda este ano!
Intée o The End └(★o★)┐


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