História Turn The Page - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoiha, Designer, Moda, Reituki, Viviene Westwood
Visualizações 79
Palavras 3.595
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi manas!
Esse capítulo é uma pagina especial! Ele é o único pov do Reita na fic, então, aqui vai contar um pouco da vida dele, e o que seguir vai ser novamente só o Taka. Me desculpem pela demora, eu andei com certa dificuldade de seguir essa fic, mas o bloqueio ja passou ;;
Agradeço a Matsu que betou o cap pra mim, obrigada more! <3

Boa leitura, espero que gostem. Ah, esse capítulo tem uma música: Big Jet Plane, do Angus And Julia Stone <3

Desculpem os erros

Capítulo 7 - Page seven - Big Jet Plane


Turn The Page

Page Seven  - Big jet plane

 

 

Eu vim de uma família muito humilde da parte mais simples de Yokohama. Nasci no dia 27 de Maio, minha mãe conta que naquele dia estranhamente fazia frio, apesar estarmos no comecinho da primavera, mas hoje em dia quase sempre faz frio no meu aniversário. Yokohama era uma cidade litorânea, mas eu vi o mar poucas vezes durante todo o tempo em que vivi lá.

Minhas lembranças do mar são bem vagas, limitam-se a pequenos flashs, rabiscos, sons e o cheiro salgado.

A casinha onde nasci só tinha dois cômodos, uma cozinha e um quarto. Minha mãe morava com meu pai antes de eu nascer e ambos eram um casal apaixonado. Nas vezes em que ela estava sóbria - e eu já tinha uma certa idade - ela me contava de como conhecera meu pai.

Antes de eu nascer, minha mãe era garçonete de uma boate pequena que ficava localizada na parte mais desvalorizada da região de Kanto. Quando pensamos no Japão, logo imaginamos que todos os lugares são bonitos e que todo mundo vive seguindo o mesmo padrão de vida.

É um ledo engano.

Existe uma parte bem pobre e analfabeta no Japão e minha mãe fazia parte dela, infelizmente. Como não possuía qualquer estudo, sua única alternativa de conseguir dinheiro foi trabalhar num lugar onde o público era somente um bando de homens bêbados e infelizes sexualmente. A boate era pequena e caía aos pedaços, segundo o que minha mãe contava, o proprietário vivia sempre bêbado e o lucro que  obtinha da noite gastava com bebida e drogas no dia seguinte.

Minha mãe desejava encontrar algo melhor, pois tinha 25 anos e não estava confortável com a vida que levava vivendo num cômodo alugado. Foi quando conheceu meu pai, dizia que ele era um homem sedutor cujo os olhos negros pareciam um obscuro e fascinante mar.

Eles viveram um romance intenso, pareceu que logo quando se viram saíram faíscas ao redor deles e não conseguiam ficar sequer um dia longe um do outro. Meu pai se mudou para o cubículo em que ela morava e lá viveram juntos seis meses. Até ela descobrir que meu pai era casado e vivia uma vida dupla. Ele tinha tinha condições para tirar minha mãe da situação precária em que vivia, mas não quis.

E quando ela descobriu sobre a vida dupla já era tarde, já me carregava em seu ventre por três meses.

As vezes me pergunto se lá no fundo, ela desejou me abortar, pois como conviveria com a lembrança viva do homem que mais a machucou? De todo modo, se ela o fizesse eu não a culparia. Traição é a pior dor que alguém pode carregar.

Meu pai foi embora antes mesmo que eu nascesse, jamais vi seu rosto, nem ao menos sei seu nome. Também pouco me importa saber, contudo, não é como se eu carregasse algum tipo de mágoa dele, muito pelo contrário, eu não sinto nada. Não sinto dor, nem tristeza, nem vontade de vê-lo, meu pai foi só um contribuinte importante para que eu nascesse. O progenitor.

Os primeiros meses após meu nascimento foram bem difíceis, minha mãe não podia trabalhar devido ao resguardo e acabou sendo mandada embora da boate. Sem ter a quem recorrer, ela começou a mendigar na rua, e às vezes nós até conseguiamos algo para nos alimentarmos e por vezes os vizinhos - igualmente pobres - se compadeciam de nossa situação.

Minha primeira lembrança da infância é da casa onde nós morávamos. Lembro-me do teto branco porém cheio de sujeira devido ao bolor formado pela água acumulada na calha, causando infiltração. As vezes eu ficava vendo vários desenhos ali entre aquelas manchas escuras, e os desenhos foram variando conforme fui crescendo. De castelos e cavaleiros passou a ser somente um monte de lodo que me causava falta de ar.

Aos sete anos tive meu primeiro grande choque de realidade. Mamãe trabalhava agora numa casa de família na parte mais nobre de Kanagawa, quando um homem idoso apareceu na casa em que morávamos. Mamãe sempre me disse para jamais abrir a porta para estranhos, e eu obedeci, mesmo o homem dizendo que era meu avô. Então ele ficou do lado de fora do velho barraco esperando minha mãe retornar.

Me lembro que naquela tarde era verão, o sol estava bem forte lá fora, e eu estava deitada na cama, pintando meus desenhos quando senti o raio forte de sol que entrava pela janela queimando meu pé. Afastei depressa resmungando, então me lembrei do senhor que ficara do lado de fora. Ele disse a mim que só iria embora quando conseguisse falar com minha mãe.

Eu fui até a geladeira cujo a porta, lembro-me, era carregada de ferrugem e causava choque se não pegássemos direito nela, tirei de lá uma garrafa de água e um copo, meio exitante, fui até a porta e após um profundo suspiro eu abri.

O senhor vestia-se de calças e terno marrom, sapatos bonitos e polidos e um chapéu, ele tinha aparência de avô, e imediatamente me senti confortável com o sorriso doce que dirigiu a mim.

- Sua mãe disse que você não pode abrir a porta para estranhos. - ele ralhou, olhando-me de uma forma meio brava, sua voz soava rouca devido a secura.

- Mas está quente. O senhor não está com sede? - eu lhe estendi a garrafa e o copo.

Imediatamente ele agarrou a garrafa de água e nem precisou do copo, bebeu ali no bico mesmo, estava com tanta sede que eu ouvia o som dos goles bem alto. O suor pingava de sua testa. Eu reparei que ele tinha mãos escuras e os dedos bem sujos de graxa.

Eu me encostei na parede e suspirei, fiquei esperando ele terminar a água, não sabia se era certo, deixá-lo sozinho mais uma vez, mesmo não sabendo quem ele era, mas não podia coloca-lo para dentro de casa, justamente por não saber quem ele era.

Nós ficamos então ali fora. Nos sentamos junto a parede e ele perguntou meu nome, eu disse que não podia meu nome a estranhos, ele só meu dirigiu um sorriso doce com dentes amarelos e propôs uma brincadeira: ficaríamos ali contando os carros pelas cores, aquele que contasse mais carros respectivos a suas cores ganhava.

Nunca soube o que ganhamos com aquele jogo.

Mas eu nunca me diverti tanto na vida.

Por volta das 18:00hrs, avistei minha mãe vindo ao longe com muitas sacolas nas mãos. Eu gostava quando ela vinha com sacolas, significava que nós teríamos comida por bastante tempo. Eu sorri feliz e apontei na direção dela.

- Olha senhor, a mamãe! - eu gritei animado, rapidamente o senhor se levantou, tirando o chapéu e no momento que minha mãe o avistou, a maior parte das sacolas de suas mãos caíram.

O senhor correu até ela e eu corri atrás sem entender, achei que poderia ser alguma brincadeira da parte dos dois, porque adultos brincavam muito, minha mãe dizia. Porém, no momento em que chegamos perto, eu me apavorei ao ver que mamãe chorava com as duas mãos em volta dos lábios, encolhendo-se instintivamente, como se esperasse que o senhor que corria até ela fosse lhe bater.

Mas somente a abraçou, quando ele o fez, eu parei de correr. Já não estava entendendo absolutamente nada, então me deixei apenas observar. O senhor ajudou mamãe a pegar as sacolas do chão.

Quando chegamos em casa eu levei uma bronca por ter aberto a porta para estranhos, depois fui coberto de beijos após o senhor conta que eu lhe fiz companhia la fora a tarde toda e lhe ofereci água.

Naquele mesmo dia eu descobri que aquele senhor que contou carros de cores variadas comigo era meu avô e que nós iríamos morar com ele em sua cidade.

Viajar para Kanagawa foi a melhor e mais incrível experiência, quando se tem sete anos de idade e nunca andou num metrô de uma cidade para outro tudo é incrível e maravilhoso. Kanagawa era diferente de Yokohama, pelo menos a parte em que nós vivíamos. A casa dos meus avós era bem mais espaçosa, ele tinha uma oficina de carros, tinha um carro vermelho e eu fiquei maravilhado com o fato de ter meu próprio quarto.

Fui matriculado na escola primária de Kanagawa e comecei os estudos com um ano de atraso, já que lá geralmente se começa aos seis anos de idade. Durante todo o fundamental eu tive alguns amigos, mas nunca tive problemas, claro que por frequentar a escola da cidade, muitos alunos de pais ricos também frequentavam. 

Durante todo o ensino fundamental sofri vários tipos de humilhações por parte dos meninos da minha classe, por usar roupas maiores do que eu, por meus sapatos serem sempre os mais surrados, mas eu sinceramente nunca me importei, porque para mim aquela era a fase mais incrível da minha vida. Eu sentia mais dor no estômago de fome, chegava em casa e minha mãe estava com minha avó e meu avô sorrindo no sofá. E a única pessoa de dentro da sala que jamais me humilhou foi Matsumoto Takanori, ele somente me olhava sorrindo e voltava sua atenção aos desenhos.

Nunca troquei nenhuma palavra com ele. Mas sempre gostei do seu silêncio e do seu sorriso fácil.

Os anos foram passando e eu fui crescendo, com 18 anos assim que terminei o ensino médio comecei a fazer faculdade na universidade de Kanagawa, entrei para engenharia mecânica e lá dentro conheci uma garota, que veio a ser minha namorada por um bom tempo. Kayumi era uma pessoa doce e gentil, meu avô gostou da ideia de eu estar namorando e dando tudo de mim para uma garota, mas ele começou a não gostar quando eu disse a ele, certa vez em que estávamos na oficina consertando um motor de um carro que ela queria casar e morar comigo. Ele disse que eu era novo demais para me casar, que tinha que terminar minha faculdade primeiro antes de pensar em fazer qualquer coisa.

Meu avô era meu melhor amigo e a única pessoa que eu conseguia escutar, mas dessa vez não. Eu estava cego demais de amor por Kayumi para poder aceitar aquelas palavras do meu avô de modo tão conformado.

Então aconteceu que eu larguei a faculdade ainda no primeiro ano e fui morar com ela, contra a vontade do meu avô. Alugamos um apartamento em Tokyo, uma vez que ela queria viver longe dos pais, eu a principio achei a ideia ótima, pois assim não precisava lidar com as expressões frequentemente tristes do meu avô. O apartamentos que alugamos era pequeno, ficava num prédio de três, moramos no térreo, era um lugar legal e os primeiros anos que passamos juntos foram maravilhosos. Eu comecei a trabalhar como estoquista num mercado grande no centro de Tokyo e ela como secretária de uma multinacional.

Jamais eu havia parado para pensar na vida mediocre que eu estava levando, trabalhando num lugar pequeno, sem qualquer expectativa de vida, sobrevivendo de migalhas que meu salário me oferecia, somente para viver meu sonho de compartilhar uma cama com a mulher que amava. Comecei a pensar que largar a faculdade de engenharia Mecânica foi a pior coisa que já fiz na vida. Um dia, me sentei com Kayumi e lhe disse que estava pensando em voltar a fazer faculdade, nem que isso me levasse de volta para Kanagawa.

Ela não aceitou muito bem aquilo.

Na verdade ela quase ficou louca com a ideia de voltar para a Kanagawa. Disse que jamais viveria a vida cheia de pobreza de antes, não suportaria ter que por os pés na casa suja e mal cheirosa dos pais, não iria sujar suas unhas para ajudar seus pais nas plantações que utilizavam como modo de sustento. Pois agora, ela era a secretária do presidente de uma empresa grande. Suas roupas eram finas, seu cabelo era lindo e seus modos também ficaram diferentes.

Mas nada de bonito.

Ela se tornou uma pessoa arrogante demais.

Então comecei a abrir os olhos sobre quem Kayumi era e quem ela havia se tornado. Durante os 6 anos em que vivemos juntos eu não enxergava quem ela era, agora eu podia ver que não passava de uma garota hipócrita, que negava sua infância.

- Eu não vou me submeter a isso de novo! - Ela murmurou, colocando a sua frente um guardanapo de modo elegante demais, como se quisesse mostrar para mim que seus modos à mesa haviam mudado.

Então eu comecei a suspeitar que ela estivesse saindo com alguém, mesmo que ela dissesse que haviam muitos jantares com os presidentes das empresas e ela era obrigada a participar, depois eu fui entendendo que ela não era tão obrigada assim. Pois também queria ser como eles eram.

- Eu quero voltar para Kanagawa e me formar. - Eu disse, apoiando os cotovelos na mesa e o queixo em cima das costas da mãos.

- Estamos bem aqui. - ela me assegurou, olhando-me nos olhos. - Você tem um emprego bom e eu não posso perder essa oportunidade, Hiroshi-san disse que vai me subir de cargo, eu estou esperando, estou fazendo de tudo. - ela disse passando os hashis em cima de um peixe frito.

- Não estamos bem Kayumi, você está. - eu ressaltei. - O fato de você estar bem não me deixa bem, eu estou trabalhando num lugar que está me matando a cada dia que passa, eu não aguento mais essa vida... pequena.

Ela me olhou com o cenho erguido e me encarou seriamente.

- Está dizendo que não está feliz com a vida que levamos?

- Não. - eu confessei. - Não estou estou feliz com essa vida que você está levando, você finge ser rica, finge ter dinheiro, finge que não mora num apartamento pequeno, você nega de onde veio, você veio de uma família pobre!

- Cala a boca! - ela se levantou furiosa e jogou os hashis que bateram no meu peito e voaram para o chão. - Eu fiz de tudo pra estar na posição que estou hoje Akira, eu não sou pobre!

- Pois eu sou! - eu me levantei, ficando de frente pra ela, não falando mais alto, mas falando num tom seguro. - Eu sou pobre e não nego de onde vim, eu não nego as minhas origens, mas eu quero mudar, você subiu nesse patamar em que está, só que o seu nariz está empinado que não consegue ver nada além dele.

- Não diga asneiras. - ela rodou os olhos. - Eu me conformo com a vida que levamos, assim que receber a minha promoção nós vamos mudar para um lugar melhor, mas por hora aqui está bom.

- Kayumi... Porque nunca deu um jantar aqui pros seus amigos da empresa? - ela ergueu a cabeça para me fitar, com os olhos arregalados. engoliu em seco. - Porque nunca me deixou sair com seus amigos depois do trabalho...? Aliás, porque nunca me apresentou para os seus amigos...?

Ela abriu a boca para responder, mas eu a cortei com um aceno de mãos.

- Não precisa responder porque essa eu sei, você tem vergonha de mim, vergonha de onde eu trabalho e do que eu sou.

- O que.. Claro que não! - ela foi corando e eu percebi o quanto estava ficando sem graça.

- Você tem. E eu estou farto.

Depois daquela discussão na cozinha do nosso apartamento minúsculo eu entendi que ali no meio daquelas coisas caras que ela trazia para casa não havia mais espaço para mim. Os móveis de marcas que ela se deteriorava cumprindo horas extras para pagar ficavam a cada dia mais empoeirados, pois ela não tinha tempo nem para passar um pano neles. A casa, além de ir ficando pequena para mim, foi ficando insuportável.

Eu vi que não era mais desejado por ela.

Não tinha mais lugar para mim ali.

Então nós terminamos. Seis anos de relacionamento atirados pela janela por causa da ganância de Kayumi. Ela foi a primeira pessoa que eu amei na vida, e eu cheguei a pensar que talvez fosse a única. Pois depois disso, voltei para Kanagawa, terminei faculdade e as poucas pessoas que me envolvi sendo homens e mulheres não me atraiam mais tanto.

 Se passou um ano desde que voltei a morar com meu avô quando recebi a proposta de meu amigo Kaolu para fazer um ensaio fotográfico sem pretensão alguma. Fiz o ensaio e um mês depois estava morando em Tokyo e assinando com uma agência de modelos nacionalmente conhecida a Nilduenilun Tokyo. E tão rápido quanto pudesse perceber havia me tornado um dos modelos mais famosos do mundo, tendo viajado para diversos países e capitais da moda.

Agora eu era rico, vivia num apartamento no coração de Tokyo, mas ele não grande porque eu não gostava de espaço já que vivia sozinho. Gostava de aconchego.  

Mesmo que agora eu tivesse tudo que desejasse, pudesse ajudar meus avós e minha mãe como sempre quis, quando ingressei para Engenharia Mecânica, nada disso tirou de mim as lembranças que eu tinha do teto mofado da casa onde nasci, dos flashs e do cheiro do mar, da pouca comida que me vinha e era tão bem recebida, a garrafa de água que estendi para meu avô sem saber que era meu avô.

Eu amava cada pedaço da minha infância e se pudesse escolher entre voltar para o passado e viver tudo de novo ou iniciar minha infância diferente, eu escolheria viver tudo de novo.

Porque o meu passado me tornou a pessoa que sou hoje. O mundo da moda é podre em diversos sentidos e se você não tiver escrúpulos, você é facilmente corrompidos pela prostituição, drogas, dinheiro. Muitos modelos que eu conheço são garotos de programa porque é mais fácil se deitar com um homem ou uma mulher rico do que passar um aperto de vez em quando. É muito mais acessível você vender a sua beleza por poucas horas para alguém que te deseja do que viver algo intenso com alguém sempre.

Apesar de viver com os dois pés dentro desse mundo, eu nunca participei disso, nunca comi dos manjares que essa parte podre do mundo da moda tem a oferecer. Não vou mentir, pois é tentador, mas não pra mim, não quando eu lembro de onde eu vi e estou pela minha capacidade.

Dentre os estilistas e designers famosos eu já conheci muitos, mas o que mais mexeu comigo, foi Ruki. Claro que foi Ruki, porque ele já mexia comigo a muito tempo com seu sorriso fácil quando estávamos no fundamental. Ruki era Matsumoto Takanori e Takanori era uma pessoa que eu admirava.

Admirava a forma como ele parecia se lançar no meio dos desenhos dele, das roupas dele, as confecções de Ruki eram muito mais do que simples roupas, parecia ser um pouco dele costurado em cada decido, desenhado em cada figura.

Por duas vezes eu tentei me aproximar, na primeira vez ele quase espatifou o celular no chão, mas eu segurei, na segunda vez ele estava tão bêbado que mal poderia se lembrar da nossa conversa. E sobre nossa conversa, eu vi que Taka era como eu, ele carregava algumas coisas do passado. Naquele dia na frente da piscina onde ele me contou sobre o Kai, o homem por quem era apaixonado e me contou todos os sonhos que gostaria que se tornassem reais ao lado dele.

Ao lado de Kai.

Takanori era um garoto sonhador e apaixonado.

E eu estava desiludido demais com o amor para tentar algo novo. Meu primeiro e único relacionamento se desgastou de uma maneira terrível, e o Ruki parecia cheio de amor falando do homem que amava.

Por um momento eu desejei que ele não passasse pelas coisas que eu passei. Eu quis que ele não passasse pelas mesmas decepções, morar junto com alguém a ponto de conhecer mais a pessoa e descobrir que ela não é o conto de fadas que você idealiza é triste.

Eu quis livrá-lo de tudo isso.

Mas, como eu poderia lhe falar algo, se primeiro, ele estava bêbado e segundo, não me conhecia, certamente seus amigos lhe falavam isso constantemente.

As primeiras vezes que nós conversamos ele não me reconheceu, mas na terceira vez, ele soube quem era eu, mas o mais engraçado de tudo foi, que dessa vez, ele não parecia imerso naquele amor que estava, era como se o Ruki que conheci na frente da piscina fosse totalmente diferente do Ruki que eu encontrei todo suado empurrando uma bicicleta.

Seus olhos não estavam tão anuviados como antes, algo nele parecia mais maduro.

E naquele dia que nós conversamos, eu convidei para sair, porque, lembro que lhe disse que seria interessante se um dia ele pudesse virar a página, mas eu nunca tinha parado para pensar que o meu livro estava aberto na mesma página a doze anos. Agora com 30 anos de idade, eu ainda acreditava que minha vida se resumia a viver infeliz por culpa de um relacionamento ridículo.

Eu não tinha me permitido virar a página.

Mas, tal como disse para Ruki naquela noite, disse a mim mesmo, enquanto abria o portão da casa do meu amigo que ficava de frente para a mansão dos pais de Ruki.

Eu poderia virar a página, embora não imaginasse que pudesse viver uma história com Ruki, mas ao menos viver uns momentos ao lado dele.

Pois no fim das contas, Ruki foi meu centro de inspiração por muito tempo.


Notas Finais


Espero que tenham gostado manas! <3

Beijos!


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